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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A Fuga à Dor e ao Sofrimento

Em Medicina, um dos sintomas cardinais, ou seja, mais importantes, é a dor. É, aliás, o primeiro sintoma que aprendemos a caracterizar, a esmiuçar, a procurar e a desenvolver. A intensidade dessa dor permite-nos logo excluir e diagnosticar várias patologias, que de seguida devemos explorar melhor.

 

Este ano, no meu primeiro ano clínico (com contacto directo e diário com doentes), tenho aulas com médicos mais velhos, que se formaram numa altura em que quase não existia qualquer método auxiliar de diagnóstico. Os diagnósticos eram assim feitos baseando-se só nos sintomas que o doente nos dava e nos sinais que encontrávamos ao realizar o exame objectivo. 

 

Um dia destes, o meu tutor falou-nos da dificuldade que existe hoje em dia na avaliação da dor. Isto porque, hoje, quando uma pessoa tem a mais pequena dor, vai logo tomar um analgésico. Ou dois. Ou três. Ou mais.

Hoje é raro um doente vir à urgência por dor e não ter tomado antes em casa vários analgésicos. Assim, ao perguntarmos o nível da sua dor, a resposta já não será verdadeira. E é assim que muitas doenças graves não são logo identificadas. 

 

Outra coisa que se verifica também é o aumento generalizado dos níveis de dor dos pacientes. Explicando-vos melhor: em medicina usa-se diversas escalas para quantificar a dor dos doentes. A mais usada, considera como zero (0) ausência de dor e como dez (10) a pior dor que o doente alguma vez sentiu.

O que se tem verificado é que hoje a maioria dos doentes refere tudo como tendo uma intensidade de 10/10. Eu acredito que eles estejam a falar a verdade e que aquela seja mesmo a pior dor que alguma vez sentiram. Mas a verdade está adulterada, pelo facto de hoje em dia já ninguém suportar os níveis de dor, que até há pouco tempo seriam perfeitamente aceitáveis. Estão a perceber?

 

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Imagem retirada do Pinterest

 

Eu penso que esta fuga, às vezes desenfreada, à dor se reflecte também noutras áreas da vida das pessoas.

Parece-me que hoje todos tentamos fugir de tudo o que nos magoe de alguma forma.

Fugimos das situações que não gostamos e onde nos sentimos desconfortáveis. Fugimos dos nossos sentimentos e impedimo-nos de sentir o que for pelo próximo. Fugimos de conversas, com medo da discussão. Fugimos do outro, com medo da sua opinião e do que possa achar de nós. Fugimos das relações, porque no passado algo correu mal e é provável que nos magoemos no futuro. Fugimos da dor física, da dor psicológica e da dor espiritual. Fugimos. Fugimos. Fugimos

 

E assim, desistimos de lutar, porque achamos que não vale a pena. Desistimos de lutar pelos nossos princípios, valores e tradições, porque já ninguém o faz. Desistimos de lutar por o que está certo, porque isso daria imenso trabalho. Desistimos de lutar pela vida, porque a morte é tão mais fácil. Desistimos de lutar pela nossa família, porque o mundo diz que o melhor são os amigos. Desistimos de lutar pelas relações, por medo do exemplos alheios. Desistimos de amar, de viver pelos outros, de ser felizes. Desistimos e baixamos os braços.

 

Desistimos, pensando que é o mais fácil e que nos iremos sentir melhor. Mas na verdade ainda nos sentimos pior. Desistimos. E partimos para outra. Porque é isso que o nosso mundo hoje nos diz para fazer.

 

Temos tanto medo da dor. E por isso fugimos dela em todas as circunstâncias da nossa vida.

 

Uma particularidade que encontro nas vidas de todos os santos é a quantidade de dor. Reparem que todos os santos sentiram dor. A dor fisica nos martírios, a dor psicológica nas perseguições e a dor espiritual pelo sofrimento existente no mundo. Os santos compreenderam que tinham de a aceitar, para a poderem combater de frente. Todos tiveram duvidas, todos tiveram medo. Mas escolheram confiar em Deus e nas Suas promessas.

 

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Imagem retirada do Pinterest

 

Uma vez li que a frase "Não tenhas medo" está escrita exactamente 365 vezes na Bíblia. Reparem, 365 vezes. TODOS os dias do ano Deus relembra-nos para não termos medo. Ele prometeu que estaria sempre connosco até ao fim dos tempos. 

 

"Enquanto viveres, ninguém te poderá resistir;

estarei contigo como estive com Moisés;

não te deixarei nem te abandonarei.

Isto é uma ordem: sê firme e corajoso.

Não te atemorizes, não tenhas medo,

porque o Senhor está contigo em qualquer parte para onde fores."

Josué 1:5,9

 

O caminho da santificação é doloroso. Se queremos ser santos, como tantos antes de nós, temos de estar dispostos a sofrer. Jesus não nos prometeu que viria para retirar as nossas dores. Aliás Jesus disse-nos para cada um pegar na sua cruz e segui-Lo.

 

"Jesus disse aos seus discípulos: Se alguém quiser vir Comigo,

renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á;

mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por Minha causa, encontrá-la-á."

Mateus 16:24,25

 

Mas não desanimem. Não fujam, como o resto do mundo. Deus, na sua misericórdia, dar-nos-á a recompensa divina. Não procuremos substitutos dela aqui na terra. Busquemos sim a recompensa eterna e celeste.

Tenham fé e acreditem nas promessas de Deus como Maria.

 

"Então disse Maria: «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra»."

Lucas 1:38

 

"«Bem-aventurada é aquela que acreditou que o Senhor cumprirá tudo quanto lhe foi revelado!»"

Lucas 1:45

 

 

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