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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Vencendo os nossos medos

Hoje quero contar-vos uma história... Uma história que me é difícil de contar, pela intimidade das emoções que descrevo, mas que ainda assim vos conto, na esperança de ajudar alguém que esteja numa situação parecida.

 

No Verão entre os meus 17 e 18 anos, ou seja, entre a saída da escola secundária e a entrada na faculdade de medicina, eu decidi tirar a carta de condução. E porquê?

Ora, porque os meus avós paternos queriam oferecer-ma como prenda dos meus 18 anos e porque, principalmente, eu queria ser a primeira pessoa do nosso círculo de amigos a tirar a carta... Esta era a principal razão - eu queria, como sempre tinha acontecido até essa altura, ser a primeira. 

Correu tudo muito bem e eu tirei a carta em 4 meses, passando tanto na prova de código como na de condução à primeira, sem problemas nenhuns...

 

Contudo, pouco tempo depois, ía eu um dia a conduzir com o meu pai ao lado, quando tive um (quase) acidente ... bastante estúpido e embaraçoso.

Eu parei numa passadeira, numa rua bastante inclinada, e depois ... simplesmente não consegui subir com o carro. Deixei o carro ir a baixo pelo menos 5 vezes. E de cada vez que tentava voltar a ligar o carro e arrancar, fazia um barulho alto e deixava-o cair para trás, mais e mais, cada vez mais para trás, quase batendo no carro que seguia atrás. Os outros carros já apitavam e gritavam. As pessoas que estavam no café ao lado vieram cá para fora, para ver e comentar. Eu tremia por todo o lado e chorava. E o meu pai gritava comigo, talvez pela 3ª vez em toda a minha vida, que eu estava quase a bater ...

Não me lembro de como consegui eventualmente subir a rua. Só me lembro de pisar a fundo o acelerador e do carro fazer novamente um barulho muitíssimo alto .... mas lá subi.

 

Nesse dia, jurei que nunca mais voltava a pegar no carro. Nunca, nunca mais!

Durante os 5 anos seguintes, ganhei um medo crescente de conduzir e de andar de carro. Fazia de tudo para o evitar. Tive pesadelos frequentes comigo a conduzir e a ter vários acidentes... travões a falharem, pessoas a morrerem ... Nunca mais consegui estar dentro dum carro e subir uma rua inclinada, mesmo não sendo eu a conduzir, sem começar a suar e a tremer, fechando os olhos com força e rezando para que o carro não caia para trás, por favor, que não caia para trás, por favor .... 

 

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Dizer que eu tinha medo de conduzir era um verdadeiro eufemismo! Eu tinha um autêntico pavor!!

A maior parte das mulheres na minha família têm carta de condução mas não conduzem. A minha mãe conduz e é uma excepção, apesar de ter estado alguns anos sem conduzir antes de eu ter nascido. A minha situação era portanto perfeitamente "normal" e aceitável no seio da minha família.... ainda assim, eu sentia uma enorme vergonha de não conseguir conduzir. Principalmente, quando ao longo destes anos fui vendo os meus colegas a tirarem também a carta e a conduzir até à faculdade ... se alguém me perguntasse se eu tinha carta, eu mentia e dizia que não, só para não ter que dar satisfações ... e a vergonha da situação aumentava a cada dia.

 

Acho que já o disse várias vezes aqui no blog, mas eu entrei para Medicina para um dia vir a ser médica de família. Esse sempre foi o meu maior sonho, ser médica de família, e até hoje, estando prestes a terminar a faculdade, nunca encontrei outra especialidade que me fascinasse e interessasse mais ... 

Ora, penso que conseguirão imaginar como eu me senti quando, um dia, descobri que para se ser médica de família é necessário ter carta de condução e conduzir ... Faz parte das funções duma médica de família visitar os doentes a casa, quando estes não se podem deslocar ao centro de saúde (aquilo a que chamamos fazer domicílios).

Além disso, estava a tornar-se cada vez mais difícil encontrar transportes públicos para chegar aos diversos hospitais de Lisboa onde tinha aulas ....

 

E agora, o que é que eu faço?

 

Deus, como querido e atencioso Pai, enviou-me dois autênticos anjos para se tornarem meus amigos na dura e difícil vida na faculdade de medicina. Esses dois anjos, a quem eu estarei eternamente agradecida, transformaram aos poucos a minha vida, em diversos aspectos. Um deles, foi em relação ao meu medo de conduzir. 

Durante o último ano, estes dois amigos (curiosamente, um casal de namorados católico) foram falando comigo acerca deste medo e incentivaram-me progressivamente a voltar a pegar no carro e conduzir. Todos os dias me diziam uma nova razão para conduzir: visitar os meus (futuros) doentes a casa; ir à igreja e à missa quando me apetecesse, não ter que estar sempre a pedir favores para me levarem aqui ou além, transportar crianças... enfim, servir o próximo.

Assim, durante o último ano rezei quase diariamente para que Deus me ajudasse a voltar a conseguir conduzir e a superar este medo que me paralisava e me impedia de ajudar aqueles que precisavam de mim ...

 

Quando soube que iria (como realmente vou) passar o próximo ano no Hospital de S.Bernardo em Setúbal, achei que tinha chegado a hora. Estava na altura de vencer os meus (vários) medos, e voltar a conduzir seria o primeiro. Estava na altura de crescer.

 

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Assim, este verão decidi tirar algumas aulas numa escola de condução... e então consegui! Voltei a conduzir!!

 

Há dias em que me esqueço como era a minha vida antes de me (re)converter ao Catolicismo.... oh tão, tão diferente da vida que hoje tenho. Da vida que o Senhor me deu. 

Só quando comecei a tentar vencer este medo de conduzir e procurei o porquê das razões que me tinham levado a desistir é que me dei conta da enorme diferença que existia também neste aspecto da minha vida. Antes, eu queria conduzir para ser a primeira, para ser importante, para ser admirada ... por orgulho! 

Agora, imensamente ajudada por Deus, quero conduzir para poder servir o próximo. Oh, só o Senhor para provocar uma mudança tão grande neste meu coração, orgulhoso e egoísta ...

 

Não foi nada fácil voltar a conduzir, claro ... foi uma autêntica batalha ... mas Deus escolheu um instrutor com a voz mais baixa e calma que eu alguma vez ouvi, e com a maior paciência do mundo, que me ensinou a ter confiança em mim mesma. Deus ofereceu-me inúmeras oportunidades, durante o verão, para conduzir o nosso carro, inicialmente com a mãe e depois com o pai.

Neste momento, já conduzi várias horas sozinha, de dia e de noite, sem trânsito e com trânsito. Já atravessei a Ponte 25 de Abril e passei por Lisboa. No último fim-de-semana, o Senhor deu-me a oportunidade de ir a conduzir até ao retiro das Famílias de Caná, a 250km daqui. E daqui por uns dias, passarei a ir de carro até ao Hospital de Setúbal, sozinha, todos os dias.

 

Ainda faço asneiras, claro. Continuo a ter algum receio de subidas inclinadas. Há dias em que ainda deixo o carro ir a baixo. Acontece, pronto. Mas, com calma, consigo.

Não há problema se falhar à primeira. Tenho sempre uma nova oportunidade .... a misericórdia infinita de Deus assim nos concede.

Conduzir, parece-me, assemelha-se muito ao ensinamento acerca da ginástica da nossa querida Teresa:

 

 

É preciso ter força para agarrar e coragem para largar ...

 

 

Nós Jesus, vamos de carro até ali.

Nós Jesus, vamos conduzir em segurança.

Nós Jesus, Tu e eu.... 

A Liberdade do Perdão

Sei que já postei hoje no blog. Mas aconteceu algo tão importante hoje que tinha de partilhar convosco! 

 

Desde que me confessei pela primeira vez, no início do ano, que saio sempre do confessionário a sentir-me livre e renovada. Mas, na verdade, estes sentimentos nunca foram completos.

Porque eu continuava a esconder um grande pecado. 

 

No primeiro ano da faculdade eu conheci uma rapariga, que facilmente se tornou numa grande amiga. Éramos muito parecidas, tinhamos muito em comum tanto no nosso passado como no presente. E demo-nos logo muito bem...

Porém, o primeiro ano na faculdade de medicina é muito perigoso - se não tivermos cuidado, este ano é capaz de trazer ao de cima o pior de cada um. Eu não tive cuidado. 

 

Um dia, por razões profissionais, discutimos. Bastante. Bastante mesmo. 

E, infelizmente, levámos a discussão para o lado pessoal. Ambas dissemos e fizemos coisas terríveis nesse dia... No final, saímos as duas profundamente magoamos. Que dia tão negro, que dia tão triste. Nem imagino a mágoa de Deus nesse dia...

 

Então, duma grande amizade, chegámos ao extremo de não nos falarmos nunca mais. 

Eu estava particularmente magoada porque nunca tinha antes discutido assim com outra pessoa. E muito menos tinha ficado assim tão zangada com alguém. Sentia-me muito ofendida. Não achava justo nem justificável nada do que ela tinha dito. Claro que não pensava naquilo que EU tinha dito....

 

O tempo passou. Eu voltei à igreja e apercebi-me finalmente do meu grande erro. Mas, apesar disso, nunca tive coragem para voltar a falar com ela. Eu estava presa ao meu pecado. Deixei, durante muito tempo, que fosse o orgulho a comandar a minha vida.

 

Este Verão empenhei-me a estudar tudo o que conseguisse acerca do pecado e do perdão. Estudei muito, li muito, pesquisei muito. E finalmente tomei uma decisão: passei quase todo o Verão a rezar por aquela rapariga! A rezar por ela e para ela. Empenhei-me em desejar-lhe todo o bem que consegui imaginar. Bençoei-a de todas as formas que sabia. Repetia diariamente, "Eu amo aquela rapariga. Ela é minha irmã. Cristo sacrificou-se por mim e por ela. Se Cristo amou-a tanto para morrer na Cruz por ela, então eu também a amarei. Ajude-me a alcançar isto meu Senhor. Pai infinitamente misericordioso, ajude-me a ser como o Senhor"

 

 

E então aconteceu. Aquilo que mais desejava durante estes anos aconteceu. Eu perdoei-a! Completa e verdadeiramente! E ao perdoá-la, eu libertei-me do meu pecado!

Com a ajuda de Deus, eu consegui vencer e ultrapassar o meu pecado. E acabei por descobrir uma ferramenta muitíssimo valiosa para o resto da minha vida: se me concentrar em rezar e a abençoar aqueles que me façam algum tipo de mal, poderei sempre perdoa-los, verdadeiramente.

 

Portanto, isto aconteceu no Verão. Contudo, apenas metade da tarefa estava feita. Agora, precisava de ir ter com ela e dizer-lhe tudo isto. O problema agora era que eu já não a via pela faculdade desde o ano passado!

 

Hoje, estava eu a almoçar na faculdade, quando a vi. Eu nem queria acreditar!

Contudo, Deus escolhe tudo conforme a Sua vontade. Se eu quisesse ir falar com ela, tinha de o fazer na confusão do refeitório, com centenas de pessoas à volta. Sem qualquer tipo de privacidade.

Desta vez, o orgulho tinha mesmo de ser todo engolido. Desta vez, tinha de ser o mais humilde que possivelmente conseguisse. Desta vez, por favor meu Senhor, tem de me ajudar! Sozinha é impossível!

 

Quando dei por mim estava sentada ao lado dela, a falar, finalmente, após quase 3 anos sem o fazer. Pedi-lhe perdão e disse-lhe que a tinha perdoado. Perguntei-lhe se podiamos voltar a começar do zero. Eu nem queria acreditar no quão amorosa ela estava a ser ao falar comigo. Ela não devia estar mesmo à espera. 

Fizémos as pazes. Contámos piadas acerca da faculdade. Rimos. Prometemos ajudar-nos mutuamente no futuro.

 

Tenho andado nas nuvens desde o almoço. Estou livre!

Contudo, a aventura ainda não acabou. Amanhã tenho de ir confessar-me. Oh, que maravilha de dia vai ser amanhã!

 

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 Her Choice - Imagem retirada do Pinterest

 

"Eu vos garanto: se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus,

não entrareis no Reino do Céu».

«Ouvistes o que foi dito aos antigos: "Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal".

Eu, porém, digo-vos: todo aquele que ficar com raiva do seu irmão, tornar-se-á réu perante o tribunal. Quem disser ao seu irmão: "imbecil", torna-se réu perante o Sinédrio;

quem chamar ao irmão "idiota", merece o fogo do inferno.

Portanto, se fores até ao altar para levares a tua oferta, e aí te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta aí diante do altar e vai primeiro fazer as pazes com o teu irmão;

depois, volta para apresentar a oferta."

Mateu 5: 20-24

 

"«Ouvistes o que foi dito: "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!"

Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!

Assim tornar-vos-eis filhos do Pai que está no Céu, porque Ele fez nascer o sol sobre maus e sobre os bons

e fez cair a chuva sobre justos e sobre os injustos.

Pois, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?

Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?

E se cumprimentais somente os vossos irmãos, o que é que fazeis de extraordinário?

Os pagãos não fazem a mesma coisa?

Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está no Céu».

Mateus 5:43-48

As Famílias de Caná

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As Famílias de Caná surgiram em Mogofores, em Anadia, em Aveiro, a 14 de Setembro de 2013. A sua primeira família foi a Família Power

 

Desde desse dia que esta família tem realizado vários retiros para passar a palavra. Os retiros são encontros de famílias, em que experienciamos uma verdadeira intimidade com Deus através do silêncio, da oração, da alegria e da partilha. Só quem já participou sabe a felicidade que se vive naqueles fim-de-semanas! E o barulho das crianças! :)

 

Eu participei no último retiro, no dia 20 de Setembro deste ano, em Almada. E acreditem que mudou a minha vida!

 

A cada dia que tem passado desde o retiro, descubro um novo significado para algo que foi lá dito, ou descubro uma aplicação prática dos ensinamentos e dos princípios falados. 

 

Nesse retiro, a minha família (constituída por enquanto apenas por mim e pela mãe) fez uma promessa inspirada nas seis bilhas de Caná:

  1. Comunhão - Nós, Jesus!
  2. Vida sacramental
  3. A Bíblia
  4. O canto de oração
  5. A visitação
  6. Consagração e Rosário

 

Neste retiro, tive a enorme honra e prazer de conhecer a família Power, cujo blog já seguia quase desde o seu início. Tive também a imensa honra e prazer de conhecer a Família Almeida, e a família da Olívia, e tantas outras famílias tão belas, tão felizes, como só alcançam as famílias guiadas por Deus. 

 

Para fotos e mais palavras acerca do retiro de Almada, clicar aqui, aqui ou aqui.

 

 "No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia e a Mãe de Jesus estava presente.

Jesus também tinha sido convidado para esse casamento com os seus discípulos.

Faltou o vinho e a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Eles já não têm vinho!»

Jesus respondeu: «Mulher, que existe entre nós? A minha hora ainda não chegou».

A Mãe de Jesus disse aos servidores: «Fazei o que Ele mandar».

Havia ali seis talhas de pedra de uns cem litros cada uma, que serviam para os ritos de purificação dos judeus.

Jesus disse aos servidores: «Enchei de água essas talhas». Eles encheram as talhas até cima.

Depois Jesus disse: «Agora tirai e levai ao chefe de mesa». Então levaram ao chefe de mesa.

Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam sabiam, pois foram eles que tiraram a água. Então o chefe de mesa chamou o noivo

e disse: «Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbedos, servem o pior. Tu, porém, guardaste o vinho bom até agora».

Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus começou os seus sinais. Ele manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram n'Ele."

João 2:1-11

Sobre mim - a minha vida actual

Para ler a minha história parte 1 e parte 2.

 

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Escadaria do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Lamego

 

Desde a Páscoa deste ano que a minha vida se tornou muito diferente. E desde o Retiro das Famílias de Caná ainda mais!

Apresento-vos algumas das principais mudanças na minha vida:

 

  • Rezo! Rezo! Rezo! Rezo! 
  • Rezo também o Terço diariamente.
  • Vou, pelo menos, semanalmente à Missa.
  • Confesso-me, pelo menos, mensalmente.
  • A Fé começou a ser, apesar de muito lentamente, algo muito importante na nossa casa.
  • Alterei bastante a forma como me visto e a forma como falo e interajo com os outros.
  • Comecei a ser bastante selectiva acerca do que vejo na televisão, do tipo de livros que leio e do tipo de música que oiço.
  • Os meus interesses, como consequência, também mudaram drasticamente. Neste momento, todo o tempo livre que tenho é dedicado ao estudo da Palavra, ao serviço dos outros, ou a aprender a ser mulher, mãe e dona de casa.
  • E este passou a ser o grande lema da minha vida:

 

"Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!
Que a vossa bondade seja notada por todos. O Senhor está próximo.
Não vos inquieteis com nada! Apresentai a Deus todas as vossas necessidades através da oração e da súplica, em acção de graças.

Então a paz de Deus, que ultrapassa toda a compreensão, guardará em Jesus Cristo os vossos corações e os vossos pensamentos.

Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é honroso, tudo o que é virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor.

Praticai tudo o que aprendestes e recebestes como herança, o que ouvistes e observastes em mim. Então o Deus da paz estará convosco."

Filipenses 4:4-9

 

Sobre mim - a minha história (parte 2)

Para ler a minha história (parte 1) clicar aqui.

 

Aos 18 anos comecei a minha jornada de volta para Deus. Uma caminhada que demoraria cerca de 3 anos, até me encontrar de novo na mesma estrada que Jesus, em direcção a Deus.

Apesar de ter muito apoio da minha amiga de faculdade católica, durante muito tempo hesitei em voltar à Igreja. Porque, pensava eu, agora que tinha voltado a encontrar Deus, queria descobri-Lo e conhecê-Lo sozinha, sem que houvesse influências externas, que me pudessem enviesar.

Assim, comecei a ler sozinha a Bíblia, ao mesmo tempo que fui estudando por diversos sites na internet, por diversos livros que ia descobrindo, e até por documentários na televisão que às vezes encontrava. Gosto particularmente de blogs: por ficarmos a conhecer aos poucos uma pessoa que vive num mundo tão distante do nosso, pela partilha de pensamentos e experiências, pela intimidade que se cria, pela camaradagem continua, pelo entusiasmo partilhado. 

Houve muitos blogs que me acompanharam nesta viagem. Blogs católicos, blogs evangélicos, blogs metodistas, blogs presbiterianos, blogs amishs, blogs de testemunhas de Jeová, blogs judeus.... Não pretendia escolhê-los, ia lendo aqueles que pareciam que mais me falavam ao coração naquele momento.

 

Precisei destes 3 anos para me voltar a conhecer, para me voltar a encontrar. Mais importante ainda, para desenvolver a minha relação com Deus. Estes anos foram, sem dúvida, essenciais à construção da minha vida religiosa e da minha vida com Deus. Esta construção teve que ser iniciada desde as suas fundações, porque o que restava do meu passado católico era muito pouco ou muito frágil. Considero-me como uma recém-convertida, como alguém que só recentemente teve a oportunidade de conhecer o Nosso Senhor.

 

Faz parte da minha personalidade demorar a tomar decisões, pois tenho a necessidade de ponderar muito bem antes de agir. Apesar disso, quando tomo uma decisão, não volto atrás. Assim, pouco tempo depois da Páscoa deste ano, quando acabei os exames finais do 3ºano da faculdade, tomei a decisão de voltar para a Igreja Católica. E confessei-me pela primeira vez em 7 anos. Estive com o sr. padre durante mais de uma hora!

E, pela primeira vez, tive a coragem de pronunciar alto todos os pecados que tinha cometido. Pela primeira vez, chamei-os a todos pelo seu devido nome, sem desculpas, sem eufemismos. Pela primeira vez, admiti a Deus todo o mal que tinha feito. Pela primeira vez, não tive vergonha, não me reprimi, não me julguei. Pela primeira vez, pedi verdadeiramente e com todo o meu coração perdão a Deus. 

 

No final, senti-me carinhosamente perdoada.

No final, senti-me a ser aceite e recebida de novo. 

No final, senti uma alegria eufórica. 

No final, senti-me limpa e purificada.

No final, senti-me a ser renovada interiormente, a renascer para uma nova vida. 

 

"Ora, Cristo morreu por todos, e assim, aqueles que vivem, já não vivem para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu. Tudo isso vem de Deus,que nos reconciliou consigo por meio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação." 2 Coríntios 5:15, 17-18

 

Sobre mim - a minha história (parte 1)

Olá :)

Sejam muito bem-vindos!

 

Eu chamo-me Marisa, tenho 21 anos, sou católica e estudante de Medicina em Lisboa.

 

Gostava de vos contar um pouco da minha história:

Eu pertenço a uma família tipicamente portuguesa, os "católicos não-praticantes": aparecem na igreja nos baptizados, nos casamentos e nos funerais. E pronto! está óptimo, já chega!

Sou filha única, mas fomos sempre 5 cá em casa: eu, a mãe, o pai, a avó e o avô paternos. E sempre fomos muito felizes. Com 9 anos entrei para a catequese, por iniciativa própria. Tenho memórias muito felizes desse tempo. A minha primeira comunhão. A minha profissão de Fé. Penso que cheguei ao 7/8º volume. 

 

Por volta dos meus 14 anos, a mãe teve cancro da mama. Foi uma situação muito complicada para a nossa família, com muitas incertezas, muitas dúvidas, e muitos medos. Simultaneamente, eu estava a passar por uma fase de adolescência muito difícil, com muita rebeldia e agressividade. Simultaneamente, comecei a namorar com um rapaz, contra a vontade da minha família. Simultaneamente, a doença psiquiátrica do meu pai agravou-se bastante. Simultaneamente, houve incertezas profissionais e económicas na família. Simultaneamente, o nosso mundo, então perfeito, parecia estar a desmoronar-se...

Nessa altura, uma vazio muito grande, um sombra muito negra, um autêntico deserto sem fim, criou-se no meu coração.

E eu revoltei-me contra Deus. Como era possível que Ele tivesse deixado acontecer algo assim à nossa família??!!

Afastei-me de Deus de todas as maneiras que encontrei. Destrui tudo o que tinha relacionado com Ele. Alterei radicalmente a forma como via o mundo. Fugi desesperadamente de tudo o que Lhe dizia respeito.

Oh, as heresias que cometi! Quis ser igual ao mundo: imitei as suas acções, os seus gostos, os seus interesses. Depois quis ser diferente dele, e envolvi-me em outras culturas, em seitas, em outras religiões. Envolvi-me na religião Wicca, estudei Budismo e Hinduísmo, fiz Yoga durante muito tempo.... Experimentei tudo, numa busca desenfreada de algo que preenchesse o vazio que sentia...

 

Entretanto, cheguei aos 18 anos. E a minha vida voltou a mudar.

Na semana em que fiz 18 anos, o meu então namorado terminou a relação que mantínhamos há 4 anos. Simultaneamente, perdi várias amizades. Simultaneamente, os avós adoeceram e foram hospitalizados. Simultaneamente, o pai teve a sua pior crise até hoje, tendo sido também hospitalizado. Simultaneamente, saí da minha tão amada escola secundária, onde estava há tantos anos e onde era tão feliz, e fui para a faculdade de medicina, tão difícil e trabalhosa, completamente sozinha. Simultaneamente, parecia que o meu mundo ia voltar a desabar...

 

Então, um dia lembrei-me. Do meu passado, de quem fui, como era a minha vida há tantos anos atrás, e o quanto era feliz. Nesse dia rezei muito a Deus, algo que durante tantos anos nunca fiz.

Então, todos voltaram do hospital para casa. 

Então, compreendi que aquela relação estava destinada a não ter futuro.

Então, conheci uma rapariga fantástica na faculdade, católica muito devota. Que, com muita insistência e com muita alegria, ajudou-me a reencontrar Deus.

Então, ganhei coragem para pedir perdão a Deus. E Ele aceitou-me de volta. De braços abertos!

Então, ficou tudo bem :)

 

"Mas Deus demonstra o seu amor para conosco, porque Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores." Romanos 5:8