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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

O Grande Milagre

Em pleno espírito de Páscoa, hoje quero partilhar convosco um filme maravilhoso que descobri recentemente. É um filme mexicano (realizado por Dos Corazones Films - com legendas em português), que se chama "O Grande Milagre" e explica-nos de forma belíssima o que acontece na missa e na confissão, assim como outros aspectos da fé católica.

O filme conta a história de 3 personagens que, por diferentes razões, se encontram em fases muito difíceis das suas vidas: a Mónica, uma jovem viúva, mãe dum menino de 9 anos, que faz tudo o que pode para sustentar sozinha o seu filho, tentando seguir em frente após a morte inesperada do marido. O Sr. Chema, o motorista dum autocarro, que recebe inesperadamente a notícia de que o seu filho corre perigo de vida. E a Sra. Cata, uma idosa que se prepara para o fim da sua vida. 

Com um "empurrãozinho" dos seus Anjos da Guarda, as 3 personagens acabam por ir parar ao mesmo tempo a uma missa (numa igreja lindíssima!). E essa missa irá mudar as suas vidas para sempre!

Este filme ilustra a luta constante, nas nossas vidas e em todas as nossas acções, entre o bem e o mal, entre o desespero, o medo e as dificuldades do dia-a-dia e a fé, a esperança e a misericórdia que só o Senhor nos pode dar 

 

É um filme de animação, é verdade, e pode ser visto em família, mas é especialmente direccionado para adolescentes e adultos. Este filme não é bom, É MUITISSIMO BOM! É maravilhoso e extraordinário! É, sem dúvida nenhuma, um dos melhores filmes que já vi!! Recomendo-o vivamente a todos! 

 

 

Um abençoado Domingo da Divina Misericórdia para todos! 

Inspiração Quaresmal #1

Queridos leitores,

Mais uma vez, encontro-me numa altura da minha vida em que tenho pouquíssimo tempo para escrever aqui no blog. Estou actualmente a fazer o meu estágio de Cirurgia Geral. A tese (graças a Deus!!) já está mais de metade feita. E o estudo para o exame final de Medicina está bem encaminhado.

 

Assim, apenas terei a oportunidade de ir partilhando convosco alguns pedacinhos da minha caminhada Quaresmal de 2017 - que, em meros 5 dias, já me ensinou ui! tanta coisa .... oh, há tantas, tantas coisas que precisam de ser trabalhadas no meu coração. Coisas pequeninas e coisas grandes ... que o Senhor me dê a graça de as ir descobrindo a cada dia e a coragem para as mudar. 

 

Esta semana, recebi num email com o Evangelho Diário (uma maravilhosa dica que a nossa querida Olivia partilhou connosco recentemente no seu blog) um extraordinário comentário para o Evangelho do dia, que gostava muito de partilhar convosco:

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Imagem retirada do Pinterest 

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

 

Na Cruz, Cristo chama com grandes brados. Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 


Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

 

Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês
Cântico do Amor, 32

Desejo-vos a todos uma abençoada semana!

A mensagem mais importante do Natal

Não faço a mínima ideia como é possível que dentro de poucos dias estejamos a celebrar o Natal!

Para mim, o Advento passou a correr! Não tive tempo, com muita pena minha, para grandes preparações meditativas ou espirituais, aliás, não tive tempo para quase nada do que costumava fazer .... Além do facto destas últimas semanas terem sido bastante atípicas e não pelas melhores razões... 

 

De qualquer das formas, o Senhor assegurou-Se que eu me mantinha bastante ocupada a fazer minúsculos, (aparentemente) infinitos e (quase) insignificantes mini-mini-mini actos de amor e de sacrifício, que Ele lá me ía pedindo ...  muitos "quase nadas", muitas "coisinhas pequeninas", bastante mascaradas e disfarçadas mas ... ainda assim, actos de amor e de sacrifício, feitos com todo o coração. Não tenho dúvidas que o Senhor esteve atento a todas elas, como está sempre em relação ao que cada um de nós faz.

 

No meio disto tudo, ontem acabei por me lembrar dum texto que escrevi no Natal passado - precisamente acerca de não me sentir preparada para receber Jesus como Ele merecia. Reler aquele texto ajudou-me bastante a aceitar a minha situação e as minhas limitações neste período da minha vida, e espero que vos ajude um pouco também. 

 

Quando temos pouco tempo, temos de escolher o que é mais importante.

Existem inúmeros temas acerca dos quais se pode reflectir durante o Advento e nas celebrações do Natal que se avizinham. Mas, este ano, escolho focar-me apenas no essencial - na mensagem mais importante, mais profunda e primordial por detrás do Natal, belissímamente apresentada pelo nosso querido Pe. Paulo Ricardo (vídeo do Natal de 2015).

 

 

A todos os meus amigos e leitores, 

 

* Um Santo e Feliz Natal! *

São José, o carpinteiro

Já vos contei acerca de algumas das descobertas que fiz ao longo do meu plano de leitura bíblico, como a alegria de Jesus e o aspecto dos Anjos. Hoje, gostava de vos contar mais uma descoberta, desta vez sobre São José.

 

Qual é a primeira imagem que se forma na vossa mente quando pensam em São José?

 

Provavelmente, pensarão, como eu, num homem de meia-idade, magro, com cabelos brancos e barba comprida, a olhar terna e carinhosamente para o Menino Jesus no seu colo e com um bonito lírio numa das mãos, como símbolo da sua pureza  … 

 

S.Jose velhinho.jpgS.Jose velhinho 2.jpg

Imagem de S.José - retirada daqui.                                                                                     Imagem de São José - retirada daqui

 

Bem, pelo menos, era essa a imagem que eu tinha de São José …. E vocês?

 

 

Um dia, quando estava a ler o Evangelho segundo São Mateus, deparo-me, no capítulo 13, versículo 54-55, com uma pergunta que me pôs a pensar:

 

“Tendo [Jesus] chegado à Sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga, de modo que todos ficavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres?

Não é Ele o filho do carpinteiro?”

 

Umas páginas à frente, no Evangelho de São Marcos, no capítulo 6, esta história é-nos novamente contada, quase palavra por palavra ….

 

“Não é Ele o filho do carpinteiro?” 

 

Eu tinha lido anteriormente que o povo Judeu tinha por tradição que, quando os rapazes chegavam aos 12 anos de idade, começavam a aprender o ofício dos pais [1]. Sem dúvida que na casa de Jesus, modelo de cumprimento das Sagradas Escrituras, não terá sido diferente! Assim, ensinado por São José, Jesus também terá aprendido o ofício da carpintaria e esse terá sido o Seu principal modo de subsistência durante a maior parte da Sua vida.

 

Mas o que é que os carpinteiros faziam exactamente naquela altura?

 

Lá fui eu, novamente, pesquisar nesse mar imensurável de informações a que chamamos internet. Querem saber o que descobri? 

 

  • Primeiro, descobri que a palavra original nesses textos, em grego, “tekton”, teria sido melhor traduzida como artesão, em vez de carpinteiro, para englobar todo o seu significado. “Tekton” aparentemente indica um artífice que trabalha com madeira, mas também com pedra, ferro e cobre. [2]

 

  • Em segundo lugar, descobri (sem me admirar) que a profissão de carpinteiro (ou artesão, como preferirem) conferia à família uma posição social muito baixa na cultura Judaica e que os seus rendimentos seriam bastante pequenos e humildes. [2]

 

  • Depois, descobri que os principais objectos fabricados pelos carpinteiros naquela altura eram arados e jugos (ou juntas) de madeira (ouvem tocar algum sininho?), uma vez que grande parte dos hebreus eram agricultores e havia assim uma grande necessidade de juntas de bois e de arados para trabalharem nos campos. [1, 2]

 

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Jugo de bois - imagem retirada daqui.

 

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Arado de madeira - imagem retirada daqui.

 

Os carpinteiros também construíam objectos pequenos, como chaves e cadeados de madeira, e peças maiores, como portas e janelas, telhados, mesas, cadeiras e bancos, baús e outros móveis de arrumação. Além disso, eram frequentemente chamados para reparar objectos que se partiam ou que precisavam de novas peças. [1,2]

 

Que árvores eram usadas para fornecer a madeira? Principalmente ciprestes, carvalhos, freixos, sândalo e oliveiras ... ah, e claro, os cedros! A bíblia refere com frequência os famosos cedros do Líbano ... [1]

 

“Os justos florescerão como a palmeira

e crescerão como os cedros do Líbano.

Plantados na casa do Senhor,

florescerão nos átrios do nosso Deus.

 

Até na velhice continuarão a dar frutos

e hão-de manter sempre a seiva e o frescor,

para proclamar que o Senhor é justo.”

Salmo 92:13-16

 

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Cedro do Líbano - Imagem retirada daqui.

 

Quase todas estas árvores, como sabem, são árvores de grande porte. Os cedros, por exemplo, podem alcançar os 40 metros de altura …

E sabem quem eram os homens capazes de deitar abaixo estas grandes e pesadas árvores, cortá-las e transportá-las até à cidade? Sim, exactamente, os carpinteiros!  

 

Ora, que tem esta conversa toda a ver com a imagem do velhinho São José??

 

Durante muitos séculos, foi defendida a ideia que São José teria cerca de 80 anos quando casou com a Virgem Maria. Porquê? Porque assim, com um marido idoso, seria mais fácil defender a Virgindade Perpétua de Maria. [3]

Actualmente, a maior parte dos investigadores-historiadores que se dedicam ao estudo das Sagradas Escrituras, da cultura judaica e dos acontecimentos históricos no tempo de Jesus, concordam entre si que, tal como a grande maioria das raparigas naquela altura, a Virgem Maria teria provavelmente cerca de 14 a 15 anos quando se casou com São José e foi mãe de Jesus. [3]

 

.... Agora, conseguem imaginar uma rapariga de 15 anos a casar livre e deliberadamente com um homem de 80 anos? Acham mesmo que Deus teria inspirado uma história de amor entre duas pessoas com idades tão díspares, para serem os pais terrenos do Seu Único Filho?

 

Eu pessoalmente não consigo imaginar que Deus tenha escolhido um velhote de 80 anos para defender e proteger a Sagrada Família … Não consigo imaginar que Deus tenha escolhido um homem já velho para percorrer todos aqueles quilómetros, que separam Nazaré de Belém, apenas para se apresentar e registar no censo do Imperador romano. Nem consigo imaginar como um idoso poderia fugir da ira do rei Herodes, às pressas e no meio da noite, desde Belém até ao Egipto! Nem como um homem assim poderia trabalhar como carpinteiro, carregando pesados troncos de árvores, serrando e partindo a madeira, construindo telhados e móveis, a fim de sustentar a sua esposa e o seu filho …

 

Na verdade, actualmente, os investigadores-historiadores já conseguiram comprovar que, naquela altura da História, a maioria dos homens judeus se casavam por volta dos 16 a 20 anos de idade, e que essa terá sido provavelmente a idade de São José quando se casou com Nossa Senhora. [3]

 

O falecido Arcebispo Fulton J. Sheen (que eu admiro particularmente, lembram-se dele?), já tinha escrito no seu livro “O Primeiro Amor do Mundo” (The World’s First Love, Ignatius Press) em 1952, que:

 

“S. José foi, provavelmente, um homem jovem, forte, viril, atlético, bonito, casto e disciplinado, o tipo de homem que se vê a trabalhar numa oficina de carpintaria. Em vez de ser um homem incapaz de amar, ele deve ter ardido interiormente com amor ... Naqueles dias, jovens raparigas como Maria, já faziam votos de dedicação e de amor perpétuo a Deus, tal como alguns jovens rapazes, entre os quais José, que se tornou digno de ser chamado de “o justo”. Em vez de ser como um fruto seco para ser servido sobre a mesa do Rei, ele terá sido como uma árvore florida de promessas e de força. Ele não estaria no entardecer da sua vida, mas sim na sua manhã, borbulhando de energia, força e controlada paixão.”

 

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São José, o Dador - pintura de Kimberly Cook (imagem retirada daqui)

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Imagem retirada daqui

 

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S. José a ensinar Jesus a arte da carpintaria - imagem retirada daqui.

 

Para mim, esta imagem de São José, como um jovem alegre, fisicamente em forma, com a força e coragem e o ânimo necessário para aguentar todas aquelas provas de resiliência … mas, simultaneamente capaz de ser fiel e casto, protector e guarda, um homem de oração e de serviço, humilde e obediente aos desígnios do Senhor …. Esta imagem de São José tem, certamente, infinitamente mais mérito e ofereceria uma glória muitíssima maior a Deus.

 

São José - o maior exemplo terreno de masculinidade e de paternidade. 

Rogai por nós.

 

 

 

Bibliografia:

[1] Artigo sobre a História da Carpintaria: http://www.wagnermeters.com/wood-moisture-meter/woodworking-history/

[2] Página com links para vários artigos sobre carpintaria na Bíblia: http://www.bible-history.com/links.php?cat=39&sub=418&cat_name=Manners+%26+Customs&subcat_name=Carpenters

[3] Artigo do sr. Fr Michael D. Griffin, no site do canal americano EWTN, sobre a vida de São José e do seu importantíssimo papel na Salvação da Humanidade (que recomendo vivamente a ler!): https://www.ewtn.com/library/MARY/THEOINTR.HTM

Os nossos nomes que estão escritos no Céu

Maravilha-me sempre como o Senhor nos pode falar ao coração, de tantas maneiras diferentes, através duma única passagem das Sagradas Escrituras ....

No outro dia, estava a ler o Evangelho segundo S.Lucas, capítulo 10, sobre o episódio em que Jesus (v.1) "escolheu 72 discípulos e enviou-os dois a dois, á Sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele próprio devia ir".

Mais à frente, no v.17, é-nos relatado que "os 72 voltaram, muito alegres, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedecem por causa do Teu Nome.» Jesus respondeu: «Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago. Olhai que vos dei poder de andar sobre cobras e escorpiões e sobre a força do inimigo, e nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos maus vos obedecem; antes, alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos no Céu.»"

 

Há cerca de um ano, perto do meu Crisma, pensei em oferecer uma pequena prenda à minha madrinha de Crisma, para agradecer pelo seu apoio e por tudo o que me tinha ensinado no último ano. Durante o retiro das Famílias de Caná, na Quinta do Conde, pude comprar um terço, com um azul muito bonito, que me fez logo lembrar a minha querida madrinha. Já em casa, tive a ideia de tentar bordar uma cruz num tecido e tentar fazer uma bolsinha pequena para guardar o terço. Para minha surpresa, o resultado ficou muito bonito - foi o primeiro bordado que fiz na minha vida mas, infelizmente, na altura não me lembrei de tirar uma foto...

Desde essa altura, sempre que tinha uns minutinhos livres, ía bordado umas coisas, aqui e ali - se tiverem curiosidade, podem ver algumas coisas que fiz, no último ano, na minha conta do Instagram - e, com o tempo, descobri uma enorme paixão pela arte de bordar! Deve ter uma componente genética algures, porque tanto a minha mãe como a minha avó também gostavam muito de bordar ... 

 

Em Abril, nasceu o último bebé do nosso círculo de amigos e familiares, e pensei em bordar uma toalha de banho para lhe oferecer...

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Chamaram-lhe Gabriel - como o Anjo 

 

Tenho estado a aproveitar o Verão para bordar mais duas toalhas, para as oferecer no Natal a duas outras pessoas. Adoro aprender mais uma arte que me faz sentir em plena sintonia com outras mulheres ao longo da História - e até com algumas santas, no meio das milhares de mulheres que já pegaram numa agulha nesta Terra!

Santa Maria Domingas Mazzarello disse uma vez:

"Ao decidir aprender o ofício de costureira, disse à sua amiga Petronilla: «Coloquemos logo esta intenção: que cada ponto seja um ato de amor a Deus»." 
 
E esse tem sido o meu objectivo de cada vez que pego na agulha ...
 
 
Mas o que tem esta conversa toda a ver com o capítulo 10 do Evangelho de S. Lucas?
 

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"Contudo, não vos alegreis porque os espíritos maus vos obedecem; antes, alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos no Céu.»"

 
Nesse dia, quando li este versículo, curiosamente a primeira imagem que se formou na minha mente foi a do nosso nome a ser bordado no Céu, ponto por ponto, por cada acto de amor que fazemos no nosso dia a dia. Por mais pequenino que seja o nosso acto, Deus está sempre atento e não deixa escapar nenhum dos nosso actos de amor e de sacrifício ... Ponto por ponto, um pouquinho mais a cada dia, mais um pontinho e outro e outro ... 
 
Em que estado estará o meu nome, Marisa, bordado no Céu?
Há dias em que penso (erradamente) que já devo ter uma letra completamente bordada no Céu; noutros dias, penso que não passará ainda do contorno do pontinho da letra i ...
 
Haverá pessoas que têm nomes maiores e mais compridos para serem desenhados no Céu; outros, santos, apenas "precisarão" de escrever um nome pequenino, como ...
 
 
Além disso, é também conhecida a analogia de que Deus está no Céu a fazer um bordado ou uma tapeçaria, um trabalho muito grande, bonito e especial, e que nós, como só vemos as costas ou o verso desse trabalho, não conseguimos ver claramente o desenho e só vemos os nós e os cruzamentos de linhas e as misturas de cores sem sentido. Um dia, quando chegarmos ao Céu e virmos o resultado desse bordado ou tapeçaria pelo lado de Deus, tudo fará finalmente sentido - e perderemos o fôlego ao observar o lindíssimo, maravilhoso, pormenorizado e extraordinariamente complexo trabalho do Senhor ...
 
 
Hoje rezo para que o Senhor nos dê a todos muitas e muitas oportunidades para darmos mais um pontinho no nosso nome, que está a ser bordado no Céu e para que Ele nos ajude a desatar todos os nós que nós próprios fazemos ... e não nos esqueçamos de rezar à melhor Desatadora de Nós que existe 

Por que voltamos a cair nos pecados já confessados?

Neste 4ªDomingo da Quaresma, queria partilhar convosco um texto que tive a oportunidade de ler nesta semana, e que me tocou profundamente….

Já fiz tantas vezes esta pergunta que já perdi a conta - Porque volto eu a cair nos mesmos pecados que já confessei (tantas vezes!) ??

 

O sr. padre Juan Ávila Estrada, um fantástico sacerdote colombiano, especializado na área do Matrimónio e da Família - cujos alguns dos seus artigos podem ser lidos aqui – responde-nos maravilhosamente a esta pergunta: 

Porque cometemos uma e outra vez os mesmos pecados, apesar de já os termos confessado? Porque costuma ser tão difícil a nossa conversão?

Primeiro, porque ela é uma graça de Deus; segundo, porque a conversão não é uma meta, mas um caminho; terceiro, porque a utilizamos de forma errada.

 

A compreensão geral que se costuma dar à palavra conversão remete-nos para a correcção que tentamos dar à nossa vida e que nos leva a deixar de fazer o mal, a fim de nos agarrarmos ao bem. Mas isto, que parece tão fácil de dizer, é na prática um exercício cujos resultados nem sempre são os esperados ou desejados.

 

Partamos do facto de que a conversão não é simplesmente o cessar dos nossos pecados - que neste caso chamarei de “frutos da árvore” - mas é sim o pretender alcançar o fim do Pecado.

 

Utilizei o termo Pecado com a letra P maiúscula, para que compreendamos que os pecados (as acções quotidianas que deterioram a nossa relação com Deus e que nos levam a ferir a Sua Lei) são a expressão de uma realidade interior que demonstra o quão alterada e danificada está a estrutura da nossa personalidade, o que é visível através das nossas emoções, afectos, entendimento, vontade e liberdade.

O Pecado, atrevo-me a dizer, é aquilo que impulsiona o homem para que, a pouco e pouco, se afaste do plano de Deus e que se faça de si mesmo o arquitecto do seu destino.

 

Desta maneira, quando pretendemos iniciar um caminho seguro de conversão, as nossas acções tendem apenas a corrigir ou a curar os sintomas duma realidade que está deteriorada desde o interior da suaestrutura. Quando arrancamos os frutos de má qualidade duma árvore, mas não fazemos nada para corrigir a doença que essa planta tem, o resultado desta acção é que continuaremos a colher novos frutos de má qualidade no futuro.

 

É por isso que costuma acontecer que, na confissão, quando fazemos o nosso exame de consciência, ficamo-nos apenas pelos nossos próprios actos, sem irmos à raiz daquilo que os gerou. Assim, o que fazemos é simplesmente uma poda. Confissão após confissão, repetimos os mesmos pecados uma e outra vez, pecados estes que são produzidos por uma árvore que não pode gerar outra coisa diferente, uma vez que existe uma doença que a afecta desde o seu interior.

 

A acção curativa e redentora de Cristo no Sacramento da Reconciliação não é apenas capaz de arrancar os frutos de má qualidade – ela é capaz de curar a própria origem do mal. Para isso é necessário que nós reconheçamos o que é que gera as mesmas acções. Toda a acção tem a sua origem numa atitude e “os pecados” têm na verdade a sua génese no “Pecado”.

 

Jesus vem para destruir o “Pecado” do mundo, Pecado este que se apodera dos indivíduos na forma de “pequenos pecados”. Mas nós não compreendemos isto. Assim, não é estranho que aconteça que confessemos continuamente os frutos duma vida que vem a inclinar-se para o mal há muito tempo, sem deixarmos que a luz da Graça de Deus chegue até à raiz do problema. Se os sacerdotes e os penitentes continuarem apenas a arrancar os maus frutos, o Inimigo voltará a regar a planta que simplesmente brotará igual.

 

Perante Jesus, não basta expormos os nossos pecados, mas sim o mais íntimo da nossa consciência e da nossa vontade rebelde, que só quer fazer o que mais lhe agrada. A teimosia do nosso coração e o “endeusamento” que fazemos de nós mesmo, fazem-nos esquecer que dependemos completamente do Ser Absoluto que é Deus. Tentamos dar a vida a nós mesmos quando, na verdade, o que nos estamos a dar é apenas a morte.

 

A minha proposta diante desta realidade é que o exame de consciência que façamos aponte para a análise da origem de todos esses males que cometemos, para assim podermos buscar em Cristo a cura total das nossas doenças, e não só a analgesia para os seus sintomas.

A exposição da nossa vontade rebelde perante o Senhor, fará finalmente que Ele não arranque apenas os maus frutos, mas que inicie um processo de restituição da planta inteira.

 

Este texto é da autoria do padre Juan Ávila Estrada. Texto originalmente publicado no dia 8 de Agosto de 2013 no portal Aleteia. Eu tomei a liberdade de adaptar/modificar algumas expressões para estarem mais de acordo com o português de Portugal. 

 

A Alegria de Jesus

Qual é a primeira palavra que se forma na vossa mente quando pensam em Jesus?

Instantaneamente. A primeira palavra. Apenas uma palavra.

 

Talvez seja – Messias, Senhor, Salvador, Graça, Luz, Amigo, Rei, Amor, Paz, Misericórdia, Justo, Poderoso, Santo, Fiel, Glorioso?

Acertei em alguma?

 

Sem dúvida alguma que Jesus é tudo isso e infinitamente mais.

 

Mas, e que tal Alegre? Contente? Feliz?

E que tal Brincalhão?

Quando foi a última vez que associaram essas palavras à pessoa de Jesus?

Quantas vezes já O imaginaram a sorrir? Quantas vezes já O imaginaram a rir? A rir à gargalhada?

Quantas vezes O imaginaram a brincar com alguém? Com a Sua Mãe, por exemplo – alguma vez O imaginaram a fazer cócegas à Sua Querida Mãe Maria?

 

Às vezes, noto que retracto Jesus na minha mente com uma face semelhante à maioria das imagens e das pinturas que já vi Dele – com um rosto austero e sério.

No entanto, quando penso bem no assunto, chego à conclusão que Jesus não podia ter tido um rosto assim – pelo menos, não na maior parte do tempo. Não, não acredito que Ele pudesse ter um ar grave e pesado.

Jesus foi um homem real, verdadeiro, vivo, completo, que respirava e que possuía emoções e sentimentos tão como vocês e eu. E apesar de tudo isso, Ele foi perfeito.  

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Cada sentimento, cada emoção, cada alegria, cada gargalhada, cada lágrima, cada pequena gota de raiva ou de paixão, cada menor e maior dor – Jesus sentiu-as a todas, tal como vocês e eu as sentem na nossa vida. Claro, os Seus sentimentos e emoções eram perfeitos e sempre correctos. Mas Ele sentiu-os. A todos.

 

Quanto mais aprendo acerca de Jesus, o nosso grande Salvador, mais Deus me mostra como o Seu Amado Filho só podia ser (vou-me atrever a dizer) o homem mais feliz que já esteve neste mundo. Jesus só pode ter sido o homem mais alegre do mundo inteiro!

 

Jesus deve ter rido muito, deve ter sorriso abundantemente e deve ter dado as gargalhadas mais maravilhosas que a terra alguma vez ouviu… Oh, quantas vezes imagino como terá sido a gargalhada de Jesus – só pode ter sido a gargalhada mais pura, cristalina e melodiosa de todo o sempre!

Imagem retirada daqui

E penso também que Jesus deve ter sido um grande brincalhão! O facto das crianças se sentirem tão atraídas por Ele deve ser o melhor exemplo disso.

 

São Mateus [Mt 10:13-15] conta-nos exactamente que:

 

“Apresentaram-Lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os haviam trazido. Vendo isto, Jesus indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos”

 

Jesus abraçou aquelas crianças!

Conseguem mesmo imaginar um homem de rosto firme e severo e com uma voz grossa e forte a dizer às crianças: “Venham até Mim”

 

Claro que não!

 

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Imagem retirada daqui

 

Ele deve ter-Se ajoelhado no chão, com o maior sorriso do mundo, de braços bem abertos e dizendo alegremente: "Deixai vir a Mim os pequeninos!"

Conseguem imaginá-las? Conseguem imaginar um grupo de crianças a correr à gargalhada e de braços abertos em direcção a Jesus? A saltarem sobre Ele, rindo, gritando, fazendo uma autêntica festa? Todas tão felizes por abraçar o Seu grande Amigo?

 

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Todas estas imagens maravilhosas são do artista Jean Keaton

 

Esta é a imagem que eu escolho de Jesus – um Homem capaz de tocar profundamente desde o coração das crianças mais pequenas ao coração dos mais sábios dos sábios. Um Homem capaz de mostrar a cada um o verdadeiro rosto – alegre, amoroso, misericordioso – de Deus-Pai e, duma forma simples e humilde, mudar as suas vidas para sempre.