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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

No fim, é o Amor que Salva

  Missão País 2016 - 8ºdia (2ªparte)  

 

Missão País 2016.jpg

Foto de todos os participantes na Missão País 2016 na Chamusca.

 

Conclusão da Parábola do Filho Pródigo

Como vimos ao longo da "viagem" que foi esta série de posts, a Parábola do Filho Pródigo é uma história extremamente rica e cheia de diferentes sentidos, significados, imagens e analogias. 

Em apenas algumas frases, com base numa pequena história, Jesus resume toda a Boa Nova que Ele nos veio trazer, todo o Evangelho e até, atrevo-me a dizer, toda a mensagem da Bíblia....

 

Jesus mostra-nos, por um lado, o rosto dum Pai misericordioso, bondoso e compassivo, sempre capaz de perdoar e de aceitar de volta todos os seus filhos perdidos. 

E, por outro, mostra-nos as duas formas principais pelas quais cada um de nós se pode afastar do amor do Pai.

 

Em algumas fases da nossa vida, podemo-nos comportar como o Filho mais novo: procurando uma vida fisicamente longe da casa do Pai; perdendo-nos numa busca desenfreada do prazer, do excesso material, do desperdício e da insensatez; e desperdiçando toda a “herança” que nos foi dada gratuitamente pelo nosso Pai.

Mas, incrivelmente, todos estes pecados são carinhosamente perdoados pelo nosso misericordioso Pai.

 

Contudo, talvez na maior parte da nossa vida católica, acabamos por nos comportar como o Filho mais velho. Nas palavras do Papa Francisco:

“Temos uma atitude “justiceira”, ou seja, presumimos que pelos nossos méritos somos justos e que, por causa desse facto, temos a autoridade para julgarmos o outro. Julgamos até Deus, porque pensamos que Ele deveria castigar os pecadores e condená-los à morte. E não somos capazes de aceitar a atitude misericordiosa do Pai para com um irmão.

Desta forma, corremos um enorme risco de permanecermos fora da casa do Pai, como Irmão mais velho. Se no nosso coração não há misericórdia e não há a alegria do perdão, então não estamos em comunhão com Deus, ainda que observemos todos os Seus preceitos – porque é o amor que salva, e não a prática dos preceitos. É o amor a Deus e ao próximo que dá cumprimento pleno a todos os mandamentos.”

Papa Francisco, no Angelus do dia 15 de Setembro de 2013

 

Na verdade, os dois Filhos desta Parábola são Filhos Pródigos, porque ambos são exemplos da negação e da rejeição do amor de Deus que conduz ao pecado. É necessário apercebermo-nos da nossa própria condição, da nossa pobreza e do nosso nada sem o amor de Deus, para finalmente encontrarmos o acolhimento, a reconciliação, a ternura, a alegria e a misericórdia do nosso Pai!

 

Para terminar, partilho convosco um vídeo feito por uma colega/missionária da nossa missão, em que cada um de nós tenta explicar o que é a Missão País:

 

 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Velho Também Estava Perdido

   Missão País 2016 - 8ºdia (1ªparte)  

 

Hoje terminamos o estudo da Parábola do Filho Pródigo, com os versículos que, a meu ver, são os mais surpreendentes e desconcertantes:

 

"Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’

Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’

O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»”

Lucas 15:25-32

 

O Filho mais velho também se afastou ...

Ao lermos atentamente estes versículos, acabamos por constatar que, apesar de sempre ter vivido na casa do seu Pai, o Filho mais velho também se sentia longe dela ...

Ele vê-se como sendo um filho fiel e exemplar, que sempre cumpriu todos os seus deveres e que sempre seguiu todas as ordens do seu Pai. E, por causa disso, dos seus méritos e acções (aparentemente) exemplares, pensa que devia ser recompensado.

Mas, apercebemo-nos depois, o Filho mais velho, na verdade, não se comportava como verdadeiro filho, mas sim como um escravo obediente. O Filho mais velho demonstra ser capaz de fidelidade, sem dúvida, mas também demonstra uma incapacidade em amar e deixar-se ser amado. 

É por esta razão, simultaneamente tão simples mas tão decisiva, que o Filho mais velho não consegue compreender o amor que perdoa manifestado pelo Pai.

Para ele, o mais importante é o mérito prático, os sacrifícios públicos e visíveis, e as formalidades rígidas e indiferentes - o que muito me lembra o comportamento dos fariseus descritos nos Evangelhos e que Jesus tanto criticava ....

Para ele, não existe lugar para a solidariedade, nem para a gratuidade, muito menos para a caridade ou o amor desinteressado….

Na verdade, o Filho mais velho estava tão afastado do Pai tanto quanto o Irmão mais novo...

 

Rembrandt - Return of the Prodigal Son

 O Regresso do Filho Pródigo (1668) - Rembrandt

 

O Filho mais velho também estava perdido ...

Nestes versículos, vemos o Filho mais velho a acusar o Pai de cegueira e de injustiça. De notar que, ao falar, ele usa expressões como "esse teu filho" e "os teus bens", demonstrando uma frieza, um isolamento, uma separação, um afastamento e um sentimento de não pertença na sua família.

Assim, verifica-se que ocorreu com o Filho mais velho o mesmo que com o seu irmão, ou seja, também ele estava perdido e precisava voltar...

Porém, o seu regresso, ao contrário do irmão, ainda não aconteceu. Ele encontra-se ainda perdido, no interior da própria cada do seu Pai. Também ele é o Filho Pródigo... 

 

 

O Filho mais velho também foi encontrado pelo Pai...

O Pai que, momentos antes saíra da sua casa ao encontro do Filho mais novo, parte agora em busca do Mais velho. Pede-lhe, suplicando, que participe da sua alegria, que só será completa quando houver verdadeira comunhão entre todos os filhos. Vemos um Pai que anseia por uma completa união e reconciliação da sua família.

Portanto, «é preciso» que também o Filho mais velho "caia em si", reconhecendo os seus erros e experimentando também ele o perdão do Pai. 

Na verdade, ao rivalizar com o irmão, o Filho mais velho não se apercebe que o amor do Pai não tem preferências nem predilecções; e é tão grande que chega para todos…

 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo é Encontrado

  Missão País 2016 - 7ºdia  

 

Ao lermos a Parábola do Filho Pródigo, quase inconscientemente achamos que o Filho Mais Novo é a personagem principal - porque é a personagem mais falada e acerca da qual a parábola parece girar. Mas, finalmente, nos versos 20 a 24, apercebemo-nos que o Pai, uma personagem quase secundária até aqui, é na verdade a personagem mais importante.

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou."

Lucas 15:20-24

 

O Pai, representando Deus, espera durante muito tempo pelo regresso do seu Filho mais novo a casa. E, quando o vê, corre de braços abertos para o receber! Quando o recebe, não lhe pergunta por onde andou nem o que fez, mas dá-lhe, simplesmente, de volta toda a dignidade de filho que se arrependeu.

Por muitos pecados que possamos ter cometido, Deus espera-nos sempre e está pronto a acolher-nos e a festejar connosco e por nós! Deus nunca se esquece de nenhum de nós. Deus nunca nos abandona. Ele é um Pai infinitamente paciente, que nos espera sempre!

 

Porque, como disse o Papa Francisco, "Deus nunca se cansa de nos perdoar! ... nós é que nos podemos cansar de Lhe pedirmos perdão."

 

Crucifixo HPV

Disse também o Sumo Pontífice, no Angelus, a 15 de Setembro de 2013:

"Se vivermos segundo a lei do «olho por olho, dente por dente», jamais sairemos da espiral do mal. O Maligno é astuto e ilude-nos que, com a nossa justiça humana, podemos salvar-nos a nós mesmos e ao mundo...

Na realidade, só a justiça de Deus nos pode salvar! E a justiça de Deus revelou-se na Cruz: a Cruz é o juízo de Deus sobre este mundo. 

Mas como nos julga Deus? Dando a vida por nós!

Eis o gesto supremo de justiça, que derrotou de uma vez por todas o Príncipe deste mundo. E este gesto supremo de justiça é também, precisamente, o gesto supremo de misericórdia. Jesus chama a todos nós a seguir este caminho: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6:36)

 

Realço também que, apesar de não ser dito directamente, pode-se inferir que é só neste momento que o Filho mais novo se apercebe que a verdadeira herança do Pai não era a posse material, mas o sim Seu amor!

 

O nosso Deus é um Pai que espera.

O nosso Deus é um Pai alegre - e a Sua alegria é perdoar!

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Volta Para o Pai

   Missão País 2016 - 6ºdia  

 

Uma das maiores surpresas que tive na Missão País foi a quantidade de tempo dedicada à oração de que dispúnhamos, ou seja, em Missão Pessoal e Interna!

Eu pensava inicialmente que iríamos passar os dias a fazer voluntariado - o que foi verdade! - mas não estava à espera que praticamente metade do nosso dia fosse passado na nossa pequena Capela, em oração!!

E estou mesmo a falar a sério: entre a(s) hora(s) de oração da manhã e oração da noite diárias, a Missa e o Terço também diários, e a oportunidade que tivemos de estar em Adoração ao Santíssimo durante uma noite inteira ... nós acabámos por estar o mesmo número de horas em Missão Interna (ou seja, em oração) como em Missão Externa (ou seja, em serviço na comunidade)! O que foi pra lá de mega-maravilhoso!!!! :)

 

Foi num destes momentos de oração e silêncio que, no 6ºdia da nossa Missão, ao continuarmos o estudo da Parábola do Filho Pródigo nos versículos 17 a 20, me dei conta dum pormenor:

 

"E, caindo em si, disse:

‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!

Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe:

Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;

trata-me como um dos teus jornaleiros.’

E, levantando-se, foi ter com o pai."

Lucas 15:17-20

 

O Filho mais novo só deu conta do seu pecado e da sua miséria quando, finalmente, ficou sozinho e em silêncio pela primeira vez na sua vida!

O silêncio não é, como o mundo nos diz, algo passivo. Não é ausência de comunicação. Não é sinal de fraqueza. Não significa indiferença da nossa parte. Não quer dizer: "Desisti ... "

 

Luz.jpg

 

O silêncio é, vim eu a descobrir nesta semana, uma atitude bastante activa. Já experimentaram? Eu achei bastante difícil estar em silêncio por tanto tempo - sim, até mesmo para alguém que é naturalmente calada como eu!

Mas, também vim a descobrir, é no silêncio da nossa voz, da nossa mente e do nosso coração que, aos poucos, vai surgindo um voz suave e leve, doce e meiga, que me canta e que me fala até ao mais profundo do meu ser…

 

Quando regressei a casa, li na primeira página do mini-jornal da nossa paróquia, as seguintes palavras do nosso Prior:

 

"Num mundo que fala, que grita (...) é cada vez mais imperioso que se faça silêncio. É necessário fazer silêncio. É necessário ouvirmos Jesus, que diz: «quando não tens nada de bom a dizer, cala-te». Cala-te!

A Quaresma é isto, o silêncio de Deus que fala no meu silêncio. Sem silêncio não há Quaresma, não há Deus, não há conversão, não há perdão."

 

Oh, sem dúvida!

Tal como o Filho mais novo descobriu, sem silêncio não há conversão; sem silêncio não ouvimos a voz de Deus; sem silêncio não podemos encontrar a misericórdia e o perdão que o Nosso Querido Pai, a todos, quer tanto oferecer!

  

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Está Perdido

  Missão País 2016 - 5ºdia  

 

No 5°dia da nossa Missão, reflectimos acerca dos versículos 14 a 16 da Parábola do Filho Pródigo:

 

“Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.

Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra,

o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.

Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam,

mas ninguém lhas dava.”

Lucas 15:14-16

 

Nesta passagem vemos o Filho mais novo perdido e na miséria.

Tal como falei nos dois posts anteriores, também nós, volta e meia, nos perdemos. Também nós nos encontramos repetidamente, ao longo da nossa vida, neste estado de miséria que só o nosso pecado nos pode colocar.

Perante esta situação temos duas opções - ou permanecemos nesse estado ou fazemos qualquer coisa para o alterar. Deus chama-nos continuamente a escolhermos a segunda opção.

E Deus pede-nos, incessantemente, que olhemos para nós próprios e para a nossa situação com o mesmo olhar que Ele - repleto de Misericórdia.

 

Nós não somos as nossas misérias. Os nossos pecados não nos definem. Nós não fomos criados para viver nas nossas misérias nem para elas.

 

O Senhor, na Sua Sabedoria Infinita, concede-nos sempre a chance de usarmos os nossos erros e os nossos pecados como novas “janelas de oportunidade” - para O amarmos cada vez mais e, assim, amarmo-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos.

E as Missões Externas que realizámos na Chamusca permitiu-nos concretizar isso mesmo.

 

Missão País 2016.jpg

Adivinhem? Sou novamente a rapariga do casaco vermelho ... 

 

As Missões Externas eram um dos três componentes-chave da Missão País, onde tínhamos a oportunidade de estar em serviço directo à população da cidade. Basicamente, o que fizemos foi dividir-nos em 6 grupos e cada um esteve encarregue duma área/forma de serviço:

  • Um grupo esteve encarregue da creche, brincando com as crianças e ajudando em tudo o que era necessário.
  • Outro grupo esteve na escola primária, onde também através da brincadeira tentaram evangelizar as crianças. Esta actividade foi um autêntico sucesso, como podem ver pelas fotos aqui, aqui e ainda aqui)
  • Outro grupo foi responsável por dar as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica na escola básica e secundária – o que foi outro sucesso gigantesco! Nem imaginam a quantidade de jovens que se interessaram imenso pelas aulas que os meus colegas deram!! Oh, quantos corações se incendiaram!
  • Outro grupo esteve encarregue de alegrar e animar o lar de idosos (onde eu estive). Não foi fácil lidar com tantas histórias de vida complicadas e cheias de sofrimento. Também não foi fácil animar as pessoas que nos diziam que desejavam morrer. Foi uma experiência que me ensinou muitas coisas …
  • Outro grupo esteve na unidade de cuidados continuados, também na tentativa de acompanhar, conversar e animar os doentes
  • Por fim, o 6º grupo esteve responsável por encenar um teatro evangelizador, que foi apresentado aos habitantes no último dia de Missão e que teve um êxito tremendo! (podem ver fotos desta actividade aqui)

 

Além desta componente, também fazia parte das nossas Missões Externas o Porta-a-Porta, em que (literalmente) batíamos à porta e visitávamos a casa de cada habitante, à procura daquelas que se sentiam mais sós e desamparadas. O nosso serviço foi, na realidade, muito simples – conversar, escutar, sorrir, animar e alegrar, fazer companhia, apoiar, perceber, estimar, ou dar uma pequena ajuda no que fosse preciso. Coisas tão simples mas frequentemente esquecidas, e que podem fazem toda a diferença na vida das pessoas….

                                                                                       

E de todas estas diferentes e pequenas formas, tentámos ser, o mais humildemente possível, as mãos, os pés e a boca de Jesus para cada habitante da Chamusca.

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Vai-se Embora

  Missão País 2016 - 4ºdia  

 

No 4ºdia da nossa Missão, reflectimos no versículo 13 da Parábola do Filho Pródigo:

 

"Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua

e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada."

Lucas 15:13

 

Lendo os versículos anteriores (v.11 e 12) juntamente com este, não sei se vocês repararam num pormenor. Eu não tinha reparado e só me dei conta dele quando os chefes de oração da minha Missão o apontaram:

 

O Pai alguma vez disse ao Filho mais novo para se ir embora?

 

Quando o Filho mais novo pediu ao Pai a parte dos bens que lhe pertencia como herança, o Pai não o mandou embora. Não lhe disse que tinha de ir embora, para longe de casa, para receber a herança. 

O Pai deu-lha, sem reservas, sem condições, sem "se" ou "então". Na verdade, o Filho mais novo podia ter recebido a herança que queria e permanecido em casa, junto do Pai.

 

Mas o Filho mais novo quis ir-se embora. Ele, tal como nós o fazemos tantas e tantas vezes, decidiu virar as costas a Quem tudo lhe ofereceu.

Logo ao ter formulado o seu pedido - Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde - o Filho mais novo afirmava o seu "eu" e excluía o Pai. Quase que podia ter acrescentado: Eu não preciso de ti....

 

Capela HSM.jpg

Capela do Hospital de Santa Maria

 

Atrever-me-ei a dizer que, mais grave e mais importante do que o Filho mais novo ter ido para longe de casa, ter esbanjado o dinheiro todo, e ter tido uma vida desregrada, o maior pecado que ele cometeu foi aqui, logo no princípio, ao excluir o Pai da sua vida.

É esta a fonte de todo o mal e de todos os pecados - o tentarmos viver sem Deus!

É este o drama de todos os humanos - a facilidade com que nos afastamos do Amor de Deus!

 

Volta.

Volta, sussurra o Nosso Pai a todos nós.

Estou aqui, à tua espera, de braços abertos.

Não importa que vás e que fujas de Mim, setenta vezes sete vezes.

Podes sempre voltar para casa, meu Filho.
Volta.

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Pede a Herança

  Missão País 2016 - 3ºdia  

 

No 3ºdia da nossa Missão, iniciámos o estudo mais pormenorizado da Parábola do Filho Pródigo, pelos dois primeiros versículos:

 

"Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.

O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’

E o pai repartiu os bens entre os dois."

Lucas 15:11-12

 

Apesar dos meus esforços diários, na verdade, volta e meia, eu coloco-me nesta mesma posição ante o Senhor. Se olhar com atenção, dia sim dia não, lá estou eu novamente a querer, a pedir, a exigir alguma coisa de Deus! Como se aquilo que já recebi, gratuitamente e sem me ter sido exigido que retribuísse, não fosse suficiente para glorificar Deus a toda a hora!...

Mas a cruz é pesada e dói. E eu canso-me com facilidade. Desisto. E deixo de me entregar totalmente à vontade do Senhor. Deixo de olhar apenas para Jesus, à minha frente, e olho para o lado, para os outros, comparando e tentando ser ou ter igual. 

 

Às vezes, acho que à minha maneira as coisas aconteciam mais depressa, seriam melhores e mais eficazes.... e tento fazer as coisas sozinha, sem ajudas. E Deus, como o Pai da parábola, permite-nos ser livres e escolher, permite-nos que seja feita a nossa vontade...

Ah .... a (aparente) independência e autonomia, que o mundo hoje proclama como bem supremo e último, é um falácia tão matreira e sedutora.... e eu que caio nela tantas vezes.

 

Cruz e rosa.jpg

 

Deus sim, podia ser, se quisesse, totalmente independente e autónomo de todas as Suas obras, de todas as formas de vida que Ele criou, de tudo! Mas, pelo contrário, Ele QUIS ser DEPENDENTE de nós!

Ele QUIS a nossa participação na Criação. Ele QUIS o nosso envolvimento na história do mundo. Ele QUIS que nós fossemos co-administradores das Suas obras e bençãos. Ele QUIS que a Salvação de toda a humanidade dependesse da resposta duma simples e jovem virgem. Ele QUIS ser DEPENDENTE de nós, exactamente para nos mostrar que NÓS também o DEVEMOS SER!

 

Não há nenhum problema em dependermos uns dos outros. Não há vergonha nenhuma em aceitar ajuda. Não é humilhação nenhuma pedir ajuda. Não é fraqueza aceitarmos algo de alguém, quer seja uma pequena palavra ou gesto ou algo grande e importante, mesmo sem termos forma de retribuir.

 

Chama-se Generosidade. E por definição, deve ser gratuita e sem esperar nada em troca.

Deus pratica-a connosco a todo o momento. Pela Sua Graça, somos abençoados infinitamente a todo o instante. Mesmo sem nos apercebermos. Mesmo sem retribuirmos. Ele fá-lo exactamente sem esperar nada em troca.

Porque Ele nos ama - infinita, completa e incondicionalmente!

 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

A Parábola e a Pintura

  Missão País 2016 - 2ºdia  

 

Como já tinha partilhado convosco, o lema das Missões deste ano foi baseado no Evangelho de São Lucas, capítulo 15, versículo 11 a 32 - ou seja, a Parábola do Filho Pródigo - ideal para o Ano Extraordinário da Misericórdia!

Esta parábola foi sendo explorada ao longo da nossa semana, auxiliados pelo estudo duma pintura alusiva à história, da autoria de Rembrandt. Este pintor viveu na sua vida a sua própria parábola do filho pródigo, o que é perceptível tanto pela beleza do quadro que criou, como pelos inúmeros pormenores e seus significados.

 

Rembrandt_Harmensz_van_Rijn_-_Return_of_the_Prodig

O Regresso do Filho Pródigo (1668) - Rembrandt

 

Pequena Reflexão acerca das Personagens deste Quadro:

  • Filho mais novo

Personagem principal no quadro, bem iluminada, juntamente com o Pai.

Mostra-se exausto e sem forças. Está joelhado, sendo amparado pelo Pai. Tem a cabeça rapada, como um escravo. A sua roupa está suja e rota, reflectindo a sua condição - perdido, destruído, humilhado.

O seu pé esquerdo está descalço, mostrando uma cicatriz e denunciando o seu sofrimento. No pé direito, o que resta do sapato mal se aguenta, o que ilustra a miséria deste filho.

Está desposado de tudo, excepto duma pequena espada no seu lado direito, que simboliza a origem nobre concebida pelo Pai. O Filho mais novo vendeu tudo o que tinha, menos aquilo que lhe conferia um sinal de dignidade e de pertença.

Tem o rosto desviado, pois sente-se culpado e não é capaz de olhar directamente nos olhos do seu Pai.

 

  • Pai

Outra personagem principal no quadro, também ela bem iluminada.

É um homem velho, de barba e cabelos brancos, de costas curvadas, como quem viveu e esperou muito tempo. Possui um manto vermelho e luxuoso, mostrando a sua nobreza e dignidade.

O seu rosto demonstra tanto um sentimento de sofrimento como de simultânea alegria, ao abraçar e amparar o seu Filho mais novo que regressa.

O pormenor das mãos é muito significativo: a sua mão direita parece uma mão feminina, fina e elegante, lembrando uma mão de mãe, que consola e que expressa simultaneamente ternura. Já a mão esquerda parece uma mão de pai, larga e forte, que tenta proteger e fortalecer, dando segurança e sustento.

 

  • Filho mais velho

Personagem apenas parcialmente iluminada.

Está de pé e afastado da cena principal. Está fechado sobre si próprio, com as mãos juntas ao corpo, aparentemente insensível ao regresso do seu Irmão mais novo e à misericórdia e perdão demonstrado pelo Pai.

Olha o abraço de reconciliação com um olhar frio e distante, ilustrando o facto de, apesar de perto fisicamente da casa do Pai, o seu coração estar tão afastado Deste como esteve o do seu Irmão mais novo.

 

  • Outras personagens

Colector de Impostos: Imediatamente à direita do Irmão mais velho, encontra-se uma personagem também parcialmente obscurecida. Está ricamente vestida, mostrando a sua importância social (é possivelmente um colector de impostos), estando atento e comovido pelo abraço de reconciliação.

 

Servo: Figura obscurecida e com pouca visibilidade, no centro do quadro. Encontra-se meio escondido, tem roupas simples (é possivelmente um servo da casa do Pai) que não consegue desviar o olhar deste momento de reconciliação entre o Pai e o Filho mais novo.

 

Mãe: No canto superior esquerdo da pintura, encontra-se a figura duma senhora, pelos seus cabelos compridos. É possivelmente a Mãe dos dois irmãos, que aguardava este regresso e este abraço. Talvez represente Nossa Senhora que, mais do ninguém, deseja ardentemente o nosso encontro com o Pai.  

 

 

Curiosamente, a minha madrinha de Crisma tinha-me oferecido há uns meses um livro com o mesmo nome, "O Regresso do Filho Pródigo", do padre Henri Nouwen, que explora de forma progressiva e bastante profunda a parábola do filho pródigo a partir do estudo desta pintura. (podem ler um excerto deste livro aqui).

Na altura, li apenas 2 capítulos do livro mas achei-o logo extraordinário!! Infelizmente, vieram os exames da faculdade e tive de o pôr de lado por uns tempos... Contudo, pensei logo em lê-lo durante esta Quaresma - e é o que farei! 

Ao longo do livro, ao mesmo tempo que o autor avalia o quadro e a parábola, reflecte também acerca da sua própria caminhada como cristão, e de ter passado de filho pródigo, afastado do Pai; a filho mais velho, junto do Pai mas longe Dele na mesma; até à sua verdadeira vocação (e a de todos nós!), ou seja, ser como o Pai, sendo capaz de acolher, perdoar e alegrar-se com o regresso de todos os seus filhos.

É um livro que eu vos recomendo vivamente a lerem! É relativamente barato, incrivelmente belo, rico e profundo, apesar de escrito de forma simples e clara. É uma companhia ideal para a longa jornada da Quaresma em que nos encontramos! 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

 

P.s: Como já devem ter reparado, mudei as cores do blog! Que tal? Já não parece um blog só para raparigas, pois não? Pois, a verdade é que só recentemente me apercebi que há alguns rapazes que lêem o blog. Sim, só agora ...