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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A Consagração surpresa

«Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo

e é também por ela que deve reinar no mundo.» (TVD 1)

 

Ontem foi sem dúvida um dos dias mais felizes da minha vida!

Consagrei-me a Nossa Senhora!

Para sempre!

consagração.jpg

 

E eu que tinha pensado que ía fazer tudo em segredo, sem ninguém saber ... Aparentemente Nossa Senhora tinha outros planos! 

O dia começou com a belíssima missa de celebração do Centenário das Aparições de Fátima e da canonização dos dois pastorinhos, Santa Jacinta e São Francisco Marto! Uma lindíssima celebração, com o nosso querido Papa Francisco. Eu tentei "colei-me" à transmissão pelo Youtube o máximo que consegui, mas ontem era dia para oferecer vários sacrifícios - e portanto, o escritório tinha de ser todo limpo. E ui! que sacrifício foi para mim ... 

Não fui a única que chorei durante toda a celebração, pois não? Oh, quanta beleza! E que coro maravilhoso!

 

 À tarde, fui confessar-me e falar com o nosso pároco acerca do tributo que decidi oferecer a Nossa Senhora (parece que terei óptimas notícias para vos contar em breve!). E foi então que surgiu a grande surpresa!

Ainda se lembram do que escrevi acerca da minha história com a Consagração acerca do grupo de consagrados da minha paróquia? Aqueles que me inspiraram a consagrar-me também?

Pois adivinhem só! Algumas dessas pessoas tinham previamente combinado renovar a sua consagração nesse mesmo dia, 13 de Maio! Assim, no final da missa, eu consagrei-me a Nossa Senhora, rodeada do sr. padre e desse grupo de pessoas que renovavam a sua consagração! Todos juntos!

Oh, quanta alegria!!! O coração queria sair-me do peito! Eu não conseguia parar de sorrir e sorrir e sorrir! Oh, que dia maravilhoso! Quantas graças, quantas bênçãos!

 

Glória a Jesus em Maria!

Glória a Maria em Jesus!

Glória a Deus somente!

(TVD 265)

 

Para quem quiser ficar a saber mais acerca da consagração a Nossa Senhora através deste método, o livro - Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem de São Luís Maria Grignion de Montfort - é relativamente fácil de encontrar nas livrarias (admirem-se! mesmo não católicas!) - a Editora Paulus tem e a Wook também e muitas outras livrarias/editoras também o vendem. 

Também podem fazer o download do pdf do livro aqui ou então aqui. Ou até podem ouvir o audiobook (em brasileiro, mas belissimamente bem feito).

 

Devoção 2.jpg

Eu comprei o meu livro na minha paróquia. É uma edição da Editora Caminhos Romanos, que está muito bem escrita e que tem uma gráfica muito agradável. 

«A leitura deste livro marcou na minha vida uma reviravolta decisiva (...) a devoção da minha infância e também da minha adolescência para com a Mãe de Cristo foi substituída por um novo comportamento, uma devoção surgida do mais profundo da minha fé, como do próprio coração da realidade Trinitária e Cristológica.»

Santo Papa João Paulo II

Que, durante toda a sua vida, tinha sempre o Tratado na sua mesinha de cabeceira

 

Depois, se ainda tiverem dúvidas, ou se pretenderem também consagrar-se por este método, o melhor site que vos posso indicar e que vos ajudará muitíssimo é o Blog da Canção Nova, especialmente dedicado à Consagração. Explorem bem a barra lateral direita deste site - TEM MONTANHAS DE COISAS acerca desta Consagração!!!

Além disso, deixo-vos uma série de vídeos com algumas das dúvidas mais comuns acerca da Consagração, da autoria da Ana Paula Barros do blog Salus in Caritate

 

 

Se alguém se sentir chamado a realizar esta Consagração, não pense que, por já termos passado o dia 13 de Maio, já não poderá consagrar-se este ano. São Luís diz-nos que devemos escolher um dia de consagração em que seja também um dia de festa Mariana. Ora, existem inúmeras festas em honra de Nossa Senhora ao longo do ano. As próximas datas são:

Maio

24 – Nossa Senhora Auxiliadora

26 – Nossa Senhora de Caravaggio

31 – Nossa Senhora da Visitação

31 – Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças

 

Junho

24 – Nossa Senhora Rainha da Paz

27 – Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

 

Julho

8 – Nossa Senhora das Graças

13 – Nossa Senhora da Rosa Mística

16 – Nossa Senhora do Carmo

 

Agosto

2 – Nossa Senhora dos Anjos

5 – Nossa Senhora das Neves

15 – Nossa Senhora da Assunção

15 – Nossa Senhora Desatadora dos Nós

16 – Nossa Senhora do Amparo

22 – Nossa Senhora Rainha

 

Eu dediquei cerca de um mês e meio de estudo e meditação do Tratado, tentando descobrir as respostas a todas as dúvidas que tinha e fortalecendo o meu desejo de me consagrar. Depois, seguiram-se os 30 dias de exercícios preparatórios que são propostos por São Luís. 

 

Não tenham receio!

Independentemente do método que escolherem usar - consagrem-se a Nossa Senhora!

Consagrem-se ao seu Imaculado Coração, tal como ela nos veio expressamente pedir em Fátima, há 100 anos atrás. 

Não tenham medo. Esqueçam as vossas dúvidas. 

Não se sentem dignos? Ora, é exactamente por isso que se devem consagrar! 

Nossa Senhora levar-vos-á pela mão, pelo caminho da santidade!

Confiem no seu coração de Mãe!

 

O Grande Milagre

Em pleno espírito de Páscoa, hoje quero partilhar convosco um filme maravilhoso que descobri recentemente. É um filme mexicano (realizado por Dos Corazones Films - com legendas em português), que se chama "O Grande Milagre" e explica-nos de forma belíssima o que acontece na missa e na confissão, assim como outros aspectos da fé católica.

O filme conta a história de 3 personagens que, por diferentes razões, se encontram em fases muito difíceis das suas vidas: a Mónica, uma jovem viúva, mãe dum menino de 9 anos, que faz tudo o que pode para sustentar sozinha o seu filho, tentando seguir em frente após a morte inesperada do marido. O Sr. Chema, o motorista dum autocarro, que recebe inesperadamente a notícia de que o seu filho corre perigo de vida. E a Sra. Cata, uma idosa que se prepara para o fim da sua vida. 

Com um "empurrãozinho" dos seus Anjos da Guarda, as 3 personagens acabam por ir parar ao mesmo tempo a uma missa (numa igreja lindíssima!). E essa missa irá mudar as suas vidas para sempre!

Este filme ilustra a luta constante, nas nossas vidas e em todas as nossas acções, entre o bem e o mal, entre o desespero, o medo e as dificuldades do dia-a-dia e a fé, a esperança e a misericórdia que só o Senhor nos pode dar 

 

É um filme de animação, é verdade, e pode ser visto em família, mas é especialmente direccionado para adolescentes e adultos. Este filme não é bom, É MUITISSIMO BOM! É maravilhoso e extraordinário! É, sem dúvida nenhuma, um dos melhores filmes que já vi!! Recomendo-o vivamente a todos! 

 

 

Um abençoado Domingo da Divina Misericórdia para todos! 

A mensagem mais importante do Natal

Não faço a mínima ideia como é possível que dentro de poucos dias estejamos a celebrar o Natal!

Para mim, o Advento passou a correr! Não tive tempo, com muita pena minha, para grandes preparações meditativas ou espirituais, aliás, não tive tempo para quase nada do que costumava fazer .... Além do facto destas últimas semanas terem sido bastante atípicas e não pelas melhores razões... 

 

De qualquer das formas, o Senhor assegurou-Se que eu me mantinha bastante ocupada a fazer minúsculos, (aparentemente) infinitos e (quase) insignificantes mini-mini-mini actos de amor e de sacrifício, que Ele lá me ía pedindo ...  muitos "quase nadas", muitas "coisinhas pequeninas", bastante mascaradas e disfarçadas mas ... ainda assim, actos de amor e de sacrifício, feitos com todo o coração. Não tenho dúvidas que o Senhor esteve atento a todas elas, como está sempre em relação ao que cada um de nós faz.

 

No meio disto tudo, ontem acabei por me lembrar dum texto que escrevi no Natal passado - precisamente acerca de não me sentir preparada para receber Jesus como Ele merecia. Reler aquele texto ajudou-me bastante a aceitar a minha situação e as minhas limitações neste período da minha vida, e espero que vos ajude um pouco também. 

 

Quando temos pouco tempo, temos de escolher o que é mais importante.

Existem inúmeros temas acerca dos quais se pode reflectir durante o Advento e nas celebrações do Natal que se avizinham. Mas, este ano, escolho focar-me apenas no essencial - na mensagem mais importante, mais profunda e primordial por detrás do Natal, belissímamente apresentada pelo nosso querido Pe. Paulo Ricardo (vídeo do Natal de 2015).

 

 

A todos os meus amigos e leitores, 

 

* Um Santo e Feliz Natal! *

Superando, aos poucos, o deserto

Nossa Senhora faz realmente milagres.

Se, nos últimos dias, tenho conseguido avançar um pouquinho neste deserto espiritual, de que vos falei no último post, o mérito é, sem dúvida, de Nossa Senhora! Tem sido com Ela e através Dela que comecei a ver finalmente um luzinha, no fundo deste túnel imenso … Tem sido o Seu exemplo de vida, infinito em graças e bênçãos, que me tem ensinado várias lições e me tem oferecido algumas respostas que eu procurava ....  E tudo graças a um pequeno livrinho, escrito há muito tempo atrás e que já transformou tantas pessoas antes de mim ... 

 

Adicionalmente, no início desta semana, já nem me lembro bem como, descobri um site com gravações de homilias dum padre americano, que me têm feito também, oh, tão bem à alma! Estas homilias estão em inglês, é verdade, e não tenho formas das vos traduzir, mas ainda assim espero que a sua partilha consiga, talvez, ajudar alguém, como me tem ajudado tanto a mim …

 

Podem ouvir todas as homilias aqui no site Luke 11:28.

Mas gostava de partilhar convosco algumas daquelas que mais me marcaram...

 

Homilia Mariana #1: Maria como nosso modelo de vida

O que especificamente nos pode ensinar Nossa Senhora nas nossas vidas? E como? Ora, não há melhor professora nesta vida do que a maior e melhor das Mães ...

 

Homilia Mariana #2: Nós seremos sempre filhos de Maria

O caminho da santidade não é fácil, tem sempre muitos obstáculos e barreiras a ultrapassar ... mas podemos contar sempre com o auxílio de Nossa Senhora, em todos os passos do nosso caminho, como só uma Mãe nos poderia ajudar...

 

 

Fazer a vontade de Deus não é nada fácil

O Evangelho diz-nos para amarmos os nossos inimigos, para abraçarmos o sofrimento, para obedecermos às autoridades na nossa vida .... mas isso não é nada fácil, como todos já pudemos comprovar, duma maneira ou de outra. Como poderemos então superar os nossos obstáculos e fazermos a vontade de Deus? A resposta foi já encontrada há muito tempo .... 

 

 

Defendendo o nosso castelo

Ao lutarmos contra os nossos pecados é extremamente fácil cairmos na armadilha, astutamente colocada pelo Maligno, de acreditar que podemos vencê-los com as nossas próprias forças, se estivermos no controlo das situações e de tudo o que acontece ... mas assim acabamos simplesmente por cair noutra tentação. Qual é então a solução?

 

 

 

Queria também agradecer a todos vós, queridos leitores e queridos amigos, pelas vossas inúmeras palavras de apoio! Obrigado 

Por que voltamos a cair nos pecados já confessados?

Neste 4ªDomingo da Quaresma, queria partilhar convosco um texto que tive a oportunidade de ler nesta semana, e que me tocou profundamente….

Já fiz tantas vezes esta pergunta que já perdi a conta - Porque volto eu a cair nos mesmos pecados que já confessei (tantas vezes!) ??

 

O sr. padre Juan Ávila Estrada, um fantástico sacerdote colombiano, especializado na área do Matrimónio e da Família - cujos alguns dos seus artigos podem ser lidos aqui – responde-nos maravilhosamente a esta pergunta: 

Porque cometemos uma e outra vez os mesmos pecados, apesar de já os termos confessado? Porque costuma ser tão difícil a nossa conversão?

Primeiro, porque ela é uma graça de Deus; segundo, porque a conversão não é uma meta, mas um caminho; terceiro, porque a utilizamos de forma errada.

 

A compreensão geral que se costuma dar à palavra conversão remete-nos para a correcção que tentamos dar à nossa vida e que nos leva a deixar de fazer o mal, a fim de nos agarrarmos ao bem. Mas isto, que parece tão fácil de dizer, é na prática um exercício cujos resultados nem sempre são os esperados ou desejados.

 

Partamos do facto de que a conversão não é simplesmente o cessar dos nossos pecados - que neste caso chamarei de “frutos da árvore” - mas é sim o pretender alcançar o fim do Pecado.

 

Utilizei o termo Pecado com a letra P maiúscula, para que compreendamos que os pecados (as acções quotidianas que deterioram a nossa relação com Deus e que nos levam a ferir a Sua Lei) são a expressão de uma realidade interior que demonstra o quão alterada e danificada está a estrutura da nossa personalidade, o que é visível através das nossas emoções, afectos, entendimento, vontade e liberdade.

O Pecado, atrevo-me a dizer, é aquilo que impulsiona o homem para que, a pouco e pouco, se afaste do plano de Deus e que se faça de si mesmo o arquitecto do seu destino.

 

Desta maneira, quando pretendemos iniciar um caminho seguro de conversão, as nossas acções tendem apenas a corrigir ou a curar os sintomas duma realidade que está deteriorada desde o interior da suaestrutura. Quando arrancamos os frutos de má qualidade duma árvore, mas não fazemos nada para corrigir a doença que essa planta tem, o resultado desta acção é que continuaremos a colher novos frutos de má qualidade no futuro.

 

É por isso que costuma acontecer que, na confissão, quando fazemos o nosso exame de consciência, ficamo-nos apenas pelos nossos próprios actos, sem irmos à raiz daquilo que os gerou. Assim, o que fazemos é simplesmente uma poda. Confissão após confissão, repetimos os mesmos pecados uma e outra vez, pecados estes que são produzidos por uma árvore que não pode gerar outra coisa diferente, uma vez que existe uma doença que a afecta desde o seu interior.

 

A acção curativa e redentora de Cristo no Sacramento da Reconciliação não é apenas capaz de arrancar os frutos de má qualidade – ela é capaz de curar a própria origem do mal. Para isso é necessário que nós reconheçamos o que é que gera as mesmas acções. Toda a acção tem a sua origem numa atitude e “os pecados” têm na verdade a sua génese no “Pecado”.

 

Jesus vem para destruir o “Pecado” do mundo, Pecado este que se apodera dos indivíduos na forma de “pequenos pecados”. Mas nós não compreendemos isto. Assim, não é estranho que aconteça que confessemos continuamente os frutos duma vida que vem a inclinar-se para o mal há muito tempo, sem deixarmos que a luz da Graça de Deus chegue até à raiz do problema. Se os sacerdotes e os penitentes continuarem apenas a arrancar os maus frutos, o Inimigo voltará a regar a planta que simplesmente brotará igual.

 

Perante Jesus, não basta expormos os nossos pecados, mas sim o mais íntimo da nossa consciência e da nossa vontade rebelde, que só quer fazer o que mais lhe agrada. A teimosia do nosso coração e o “endeusamento” que fazemos de nós mesmo, fazem-nos esquecer que dependemos completamente do Ser Absoluto que é Deus. Tentamos dar a vida a nós mesmos quando, na verdade, o que nos estamos a dar é apenas a morte.

 

A minha proposta diante desta realidade é que o exame de consciência que façamos aponte para a análise da origem de todos esses males que cometemos, para assim podermos buscar em Cristo a cura total das nossas doenças, e não só a analgesia para os seus sintomas.

A exposição da nossa vontade rebelde perante o Senhor, fará finalmente que Ele não arranque apenas os maus frutos, mas que inicie um processo de restituição da planta inteira.

 

Este texto é da autoria do padre Juan Ávila Estrada. Texto originalmente publicado no dia 8 de Agosto de 2013 no portal Aleteia. Eu tomei a liberdade de adaptar/modificar algumas expressões para estarem mais de acordo com o português de Portugal. 

 

Semana de Oração pelas Vocações

Teve início no Domingo passado mais uma Semana de Oração pelas Vocações. Entre os dias 10 e 17 de Abril, a Igreja une-se em oração, pedindo de forma especial ao Senhor que crie novas Vocações nos jovens dos dias de hoje.

 

A Diocese de Leiria-Fátima criou especialmente para as actividades desta semana um blog, onde podem encontrar inúmeros recursos para celebrarem esta semana:

 

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Fonte: SAV Leiria-Fátima

 

Como já falei antes, a vida consagrada é um assunto que me é muito querido. Desde que escrevi esse post, Deus tem-me oferecido inúmeras oportunidades para contactar com outros jovens que ponderam seriamente a vida consagrada, como eu. É sempre tão reconfortante identificar no outro as mesmas dúvidas que eu tenho, os mesmos "se" ou "então".... Oh, como é verdadeiramente inspirador conhecer jovens da minha idade que já discerniram a sua vocação e que já começaram o seu caminho seguindo a vontade de Deus!

 

Acerca deste tema, a SIC realizou recentemente uma belíssima entrevista a alguns jovens seminaristas de Braga (podem ver aqui o vídeo com cerca de 4 min).

Há uns tempos atrás, também a TVI fez uma reportagem fenomenal sobre a escolha da Vida Consagrada no nosso país, entitulada "O Chamamento". Entrevistaram várias jovens freiras e padres, tendo cada um partilhado o seu testemunho maravilhoso, único e incrivelmente inspirador! Podem ver aqui esta fabulosa reportagem (com cerca de 30 min). 

 

Oh, Senhor, dai-nos muitas e santas vocações!

 

O Valor da Vida

Um destes dias, ainda a propósito do dia de Todos os Santos e do dia dos Fiéis Defuntos, o sr. novo padre (lembram-se dele?) disse-nos algo que me pôs a pensar muito.

Até há pouco tempo, a nossa sociedade tinha um grande tabu: a sexualidade. Felizmente, hoje esse tabu desapareceu. Contudo, no seu lugar surgiu outro: a morte e a vida depois da morte. Ninguém quer falar no assunto! Que mau agoiro! Que maus pensamentos! Que ideias horríveis! Não é saudável pensar nisso! Deixem-se disso!

 

Bem, eu penso bastante na morte. Talvez porque é algo que começa a fazer parte do meu dia a dia, com muita pena minha. Não foi para lutar contra a morte que eu entrei em Medicina, foi precisamente para lutar pela vida

 

A propósito da morte, hoje gostava de partilhar convosco uma carta. Uma carta muito especial e muito comovente. 

 

Brittany Maynard.png

Fonte da imagem

 

Sabem quem é (ou foi) a Brittany Maynard, certo? Aquela jovem americana a quem foi diagnosticado um volumoso glioblastoma multiforme, um tumor cerebral comum, muito agressivo, mas bastante raro para a sua idade? Aquela jovem americana de 29 anos, que tinha acabado de casar, cheia de vida e cheia de sonhos? Aquela jovem americana a quem foi dado pelos médicos 6 meses de vida? Aquela jovem americana que se mudou para um outro Estado para poder realizar suicídio assistido? Aquela jovem americana que se matou no passado fim de semana? 

Eu, infelizmente, só fiquei a saber da sua história depois de ela morrer. Fiquei muito perturbada com ela. Tocou-me e levou-me a reflectir bastante. Mas, apesar de tudo, não consigo, de forma nenhuma, concordar com a decisão que tomou. 

 

Eu não aceito o suicídio assistido. Por questões religiosas. Por convicções pessoais. Pelo juramento de Hipócrates que fiz ao entrar na faculdade: 

 

"Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade."

 

A minha principal missão como cristã, como pessoa e como médica é valorizar, defender, proteger e preservar a vida, de todas as formas possíveis.

 

Os americanos estão a tentar popularizar que o nome para estes casos seja death-with-dignity (morte com dignidade). Um belo eufemismo na minha opinião, que pretende alterar a juízo das pessoas quanto a este assunto, criando uma falsa áurea de honra e de respeito à volta do suicídio. Estão assim a tentar que o termo Suicídio Assistido deixe de ser utilizado. Não soa bem, dizem eles. Talvez porque soa a verdade, suponho.

 

O suicídio não possui nada de dignificante nem de nobre! Centenas de grupos, instituições, especialistas, governos, todos desenvolvem ideias, iniciativas e apoios contra o suicídio. O suicídio é quase considerado hoje como uma epidemia. Olhem para as notícias, pais a matarem as famílias e a si próprios, jovens a assassinarem colegas e professores nas escolas e depois a si próprios, ….

O suicídio é algo que se deve combater. Não defender! Quer este seja ASSISTIDO ou não.

 

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Andava eu nesta revolta interior, a lamentar mais uma alma que se perdia e mais umas quantas cabeças que se deixavam levar por este ponto de vista, quando descobri uma carta, escrita por um jovem seminarista americano, também ele com uma neoplasia cerebral em estadio terminal (neoplasia diferente da que teve a jovem americana, mas também ela muito agressiva).

Esta carta foi escrita por Philip G. Johnson a 22 de Outubro (ou seja, dias antes da Brittany se suicidar) e pretendia responder ao apelo que a jovem lançou ao mundo.

 

Leiam-na, por favor. E dêem-na a ler a todos os que conhecem. Ajudem a combater esta onda de pensamento, que só conduzirá a mais dor, a mais sofrimento e a mais tristeza no mundo.

Fonte da imagem

 

"Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de Mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perde a própria vida? O que um homem poderia dar em troca da própria vida?" Marcos 8:35-37

Como nos vestir para ir ao banquete do rei

Um destes dias, leu-se na missa uma passagem longa (e complexa a meu ver) do Evangelho segundo São Mateus 22:1-14. Nesta passagem, Jesus fala-nos acerca do reino dos Céus e de como poderemos um dia lá entrar. Como sempre, conta-nos isto através duma parábola.

Um rei preparou um grande banquete nupcial para o seu único filho. Preparou tudo pessoalmente e com a ajuda dos seus servos: o banquete foi servido com o melhor de tudo o que existia, a mesa tinha a melhor decoração, tudo estava iluminado e preparado para receber os convidados. Estava tudo pronto. Esta seria a festa de casamento do filho do rei! Que alegria deve ter sentido este pai!

 

O rei mandou os seus servos irem chamar e convidar várias pessoas para a sua festa. Enviou vários servos a diferentes convidados. Contudo, ninguém quis vir à festa. Todos recusaram. Todos estavam demasiado ocupados com as suas vidas, com os seus afazeres, com os seus problemas e trabalhos, e não tinham tempo para virem festejar com o rei.

Reparem que esta não seria uma refeição qualquer! Seria um banquete para celebrar a união entre o filho do rei e a sua esposa!

 

Na parábola o rei parece que quase suplica pela presença destes convidados, ficando muito triste quando estes o recusaram. Não ficariam vocês, depois de tanto trabalho, de tanta dedicação? E assim o rei viu que os seus primeiros convidados não eram dignos da sua festa. 

 

Contudo, ele não baixou os braços, e voltou a enviar os seus servos. Desta vez convidava todas as pessoas do reino. O rei abriu agora as portas do seu castelo para todos, querendo que todos os homens venham e se juntem a ele, na celebração.

Os servos, diz-nos a passagem, reuniram todos os que encontraram, maus ou bons. Então a sala do banquete encheu-se de vida, de alegria! Que ambiente de festa!

 

O rei porém reparou num homem. Esse homem não estava correctamente vestido para a festa, não tinha o seu fato nupcial como todos os outros. O rei perguntou-lhe porquê, e ele não lhe respondeu, talvez porque não soubesse a resposta.

O rei disse então algo que, admito-vos, eu não estava à espera de ouvir da primeira vez:

 

"Amarrai os pés e as mãos deste homem e lançai-o fora na escuridão; aí haverá choro e ranger de dentes". Porque muitos são os chamados e poucos são os escolhidos».

 

Esta passagem foi lida numa das primeiras missas do sr. novo padre na nossa paróquia. Eu já tinha lido esta parábola sozinha. Achava que tinha compreendido tudo. Mas quando cheguei a esta parte, já no fim, admito-vos que me causou algum medo e incerteza. Talvez porque não compreendia o que significava.

O sr. padre na missa, uma das questões que nos explicou foi acerca do fato nupcial. Que fato tão importante, tão essencial, tão especial, era este, que fez o rei dizer tal coisa?

 

Este fato, explicou-nos o sr. padre, pode representar muita coisa. Segundo São Gregório este fato nupcial representa a e a Caridade. Sem estes dois, não será possível para nós entrarmos no reino dos Céus.

"Cada um de vós, portanto, que, na Igreja, tendes fé em Deus, já tomeis parte do banquete nupcial, mas não podeis afirmar ter a veste nupcial se não preservais a graça da Caridade" (Homilia 38, 9: PL 76, 1287).

 

A leva-nos ao banquete. Pela , somos convidados para a celebração, aceitamos o convite e pudemos entrar no castelo, na sala da festa.

Mas isso não chega, é preciso estarmos vestidos a rigor para podermos participar realmente. É necessário praticarmos também a Caridade, o Amor. Tanto o amor a Deus como o amor ao próximo. Estão são os frutos que nascem da , e através dos quais seremos verdadeiros convidados, mas também participantes na celebração, na festa final do Senhor. 

 

Nós precisamos de agir concretamente neste mundo. Precisamos de exercer um amor prático, uma amor real, um amor visível. Assim como Jesus o fez, ao morrer na Cruz por todos nós. Todos nós: primeiros convidados que recusaram ou os segundos convidados que aceitaram, quer estes sejam bons ou maus.

Mas apesar de todos serem convidados, nem todos poderão um dia participar na festa do Filho de Deus. 

 

Foi graças ao sr. padre que percebi, que o homem que não usa o fato nupcial é o homem que se recusa a amar. Ele está lá, no banquete, mas está só a assistir. Não está a participar. E é por causa disso que o rei lhe diz tais palavras:

 

"Amarrai os pés e as mãos deste homem e lançai-o fora na escuridão; aí haverá choro e ranger de dentes".

 

Que triste me senti por agora ter compreendido. Que triste pensar que algo assim acontecerá às pessoas. São Domingos de Gusmão parece que passava horas na igreja a chorar e a perguntar 'Senhor, o que será dos pecadores?'. Há dias, como hoje, quando finalmente compreendo, que também eu o pergunto e choro.

Acreditemos na misericórdia infinita de Deus.