Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem rapariga católica. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia e do amor incondicional ao próximo. Espero que este blog vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Inspiração Quaresmal #1

Queridos leitores,

Mais uma vez, encontro-me numa altura da minha vida em que tenho pouquíssimo tempo para escrever aqui no blog. Estou actualmente a fazer o meu estágio de Cirurgia Geral. A tese (graças a Deus!!) já está mais de metade feita. E o estudo para o exame final de Medicina está bem encaminhado.

 

Assim, apenas terei a oportunidade de ir partilhando convosco alguns pedacinhos da minha caminhada Quaresmal de 2017 - que, em meros 5 dias, já me ensinou ui! tanta coisa .... oh, há tantas, tantas coisas que precisam de ser trabalhadas no meu coração. Coisas pequeninas e coisas grandes ... que o Senhor me dê a graça de as ir descobrindo a cada dia e a coragem para as mudar. 

 

Esta semana, recebi num email com o Evangelho Diário (uma maravilhosa dica que a nossa querida Olivia partilhou connosco recentemente no seu blog) um extraordinário comentário para o Evangelho do dia, que gostava muito de partilhar convosco:

Her choice.jpg

Imagem retirada do Pinterest 

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

 

Na Cruz, Cristo chama com grandes brados. Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 


Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

 

Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês
Cântico do Amor, 32

Desejo-vos a todos uma abençoada semana!

Tenho sede, Senhor!

Este será o último post do ano 2016.

 

Apesar da minha falta de investimento no blog durante este ano, parece que, apesar disso, e para minha grande surpresa, ele foi ganhando alguma notoriedade nesta infindável internet ... e, como acontece com frequência quando expomos pontos de vista diferentes do que a sociedade actual dita e manda, somos quase apedrejados com duras palavras, quase sempre provenientes de corajosos anónimos ...

É difícil voltar a mostrar vulnerabilidade, quando o fizemos anteriormente e saímos magoados. É particularmente difícil voltar a mostrar vulnerabilidade a total desconhecidos, como acontece maioritariamente aqui no blog.

 

Mas Jesus ensinou-nos a «dar a outra face» a quem nos bate e a «perdoar setenta vezes sete» ... por isso, lá tentarei novamente. Se algum post, alguma vez escrito neste blog, tiver levado alguém um pouquinho mais longe no seu amor a Deus, então esta minha (pobre e fraquinha) tentativa de evangelização terá valido a pena - e glória a Deus! 

 

Para celebrar o início do 4ºano de evangelização deste blog, quero partilhar convosco o meu poema favorito, aquele que mais me fala ao coração, aquele com que sempre me emociono, e que dou por mim, às vezes, a tentar recitar ... e que, curiosamente, não sei quem o escreveu! (Alguém sabe??) Descobri-o numa das orações da Liturgia das Horas no Natal de 2015, e apontei-o exactamente como aqui o transcrevo...

 

Tenho sede ...

 

Tenho sede de Ti, meu doce Amado,

Sede de ver a Tua formosura,

Sede de ter-Te em mim Sacramentado,

Sede de amor, de cruz e vida pura;

 

Sede de ver-Te conhecido e honrado,

De a Ti trazer, Deus meu, toda a criatura;

Sede do Céu, sede de dar-Te agrado,

Sede de sede, e sede de fartura ...

 

Tenho sede ... mas ah! que nada acalma,

Nem Tu, meu Deus, pois, quando fartas a alma,

A sede aumenta a par da saciedade ...

 

Não, não me fartes! Dá-me a cada dia

Mais sede - dessa sede que inebria ...

A fartura será na eternidade.

 

14-4-1915

Satiabor cum apparuerit gloria tua

(Eu ficarei saciado quando a Tua Glória aparecer)

Ps XVI, 15

 

Por fim, deixo-vos também uma prenda de Natal*  como já começa a ser tradição ... Mais uma vez, neste verão, fiz um Calendário Católico mensal de 2017 (ou aqui). Podem fazer o download grátis à vontade, à semelhança dos anos anteriores (calendário do ano 2015 e calendário do ano 2016). O calendário pode parecer desfocado na pré-visualização do Scribd, mas quando fizerem o download (clicando na setinha vertical, à esquerda do ícone da impressora) vão ver que afinal não está 

Peço-vos apenas que, ao fazerem o download do calendário, rezem uma Avé Maria por mim - obrigado! 

 

*Não se esqueçam que o Natal celebra-se até ao dia do Baptimo de Jesus! 

Por que voltamos a cair nos pecados já confessados?

Neste 4ªDomingo da Quaresma, queria partilhar convosco um texto que tive a oportunidade de ler nesta semana, e que me tocou profundamente….

Já fiz tantas vezes esta pergunta que já perdi a conta - Porque volto eu a cair nos mesmos pecados que já confessei (tantas vezes!) ??

 

O sr. padre Juan Ávila Estrada, um fantástico sacerdote colombiano, especializado na área do Matrimónio e da Família - cujos alguns dos seus artigos podem ser lidos aqui – responde-nos maravilhosamente a esta pergunta: 

Porque cometemos uma e outra vez os mesmos pecados, apesar de já os termos confessado? Porque costuma ser tão difícil a nossa conversão?

Primeiro, porque ela é uma graça de Deus; segundo, porque a conversão não é uma meta, mas um caminho; terceiro, porque a utilizamos de forma errada.

 

A compreensão geral que se costuma dar à palavra conversão remete-nos para a correcção que tentamos dar à nossa vida e que nos leva a deixar de fazer o mal, a fim de nos agarrarmos ao bem. Mas isto, que parece tão fácil de dizer, é na prática um exercício cujos resultados nem sempre são os esperados ou desejados.

 

Partamos do facto de que a conversão não é simplesmente o cessar dos nossos pecados - que neste caso chamarei de “frutos da árvore” - mas é sim o pretender alcançar o fim do Pecado.

 

Utilizei o termo Pecado com a letra P maiúscula, para que compreendamos que os pecados (as acções quotidianas que deterioram a nossa relação com Deus e que nos levam a ferir a Sua Lei) são a expressão de uma realidade interior que demonstra o quão alterada e danificada está a estrutura da nossa personalidade, o que é visível através das nossas emoções, afectos, entendimento, vontade e liberdade.

O Pecado, atrevo-me a dizer, é aquilo que impulsiona o homem para que, a pouco e pouco, se afaste do plano de Deus e que se faça de si mesmo o arquitecto do seu destino.

 

Desta maneira, quando pretendemos iniciar um caminho seguro de conversão, as nossas acções tendem apenas a corrigir ou a curar os sintomas duma realidade que está deteriorada desde o interior da suaestrutura. Quando arrancamos os frutos de má qualidade duma árvore, mas não fazemos nada para corrigir a doença que essa planta tem, o resultado desta acção é que continuaremos a colher novos frutos de má qualidade no futuro.

 

É por isso que costuma acontecer que, na confissão, quando fazemos o nosso exame de consciência, ficamo-nos apenas pelos nossos próprios actos, sem irmos à raiz daquilo que os gerou. Assim, o que fazemos é simplesmente uma poda. Confissão após confissão, repetimos os mesmos pecados uma e outra vez, pecados estes que são produzidos por uma árvore que não pode gerar outra coisa diferente, uma vez que existe uma doença que a afecta desde o seu interior.

 

A acção curativa e redentora de Cristo no Sacramento da Reconciliação não é apenas capaz de arrancar os frutos de má qualidade – ela é capaz de curar a própria origem do mal. Para isso é necessário que nós reconheçamos o que é que gera as mesmas acções. Toda a acção tem a sua origem numa atitude e “os pecados” têm na verdade a sua génese no “Pecado”.

 

Jesus vem para destruir o “Pecado” do mundo, Pecado este que se apodera dos indivíduos na forma de “pequenos pecados”. Mas nós não compreendemos isto. Assim, não é estranho que aconteça que confessemos continuamente os frutos duma vida que vem a inclinar-se para o mal há muito tempo, sem deixarmos que a luz da Graça de Deus chegue até à raiz do problema. Se os sacerdotes e os penitentes continuarem apenas a arrancar os maus frutos, o Inimigo voltará a regar a planta que simplesmente brotará igual.

 

Perante Jesus, não basta expormos os nossos pecados, mas sim o mais íntimo da nossa consciência e da nossa vontade rebelde, que só quer fazer o que mais lhe agrada. A teimosia do nosso coração e o “endeusamento” que fazemos de nós mesmo, fazem-nos esquecer que dependemos completamente do Ser Absoluto que é Deus. Tentamos dar a vida a nós mesmos quando, na verdade, o que nos estamos a dar é apenas a morte.

 

A minha proposta diante desta realidade é que o exame de consciência que façamos aponte para a análise da origem de todos esses males que cometemos, para assim podermos buscar em Cristo a cura total das nossas doenças, e não só a analgesia para os seus sintomas.

A exposição da nossa vontade rebelde perante o Senhor, fará finalmente que Ele não arranque apenas os maus frutos, mas que inicie um processo de restituição da planta inteira.

 

Este texto é da autoria do padre Juan Ávila Estrada. Texto originalmente publicado no dia 8 de Agosto de 2013 no portal Aleteia. Eu tomei a liberdade de adaptar/modificar algumas expressões para estarem mais de acordo com o português de Portugal. 

 

O Filho Mais Velho Também Estava Perdido

   Missão País 2016 - 8ºdia (1ªparte)  

 

Hoje terminamos o estudo da Parábola do Filho Pródigo, com os versículos que, a meu ver, são os mais surpreendentes e desconcertantes:

 

"Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’

Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’

O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»”

Lucas 15:25-32

 

O Filho mais velho também se afastou ...

Ao lermos atentamente estes versículos, acabamos por constatar que, apesar de sempre ter vivido na casa do seu Pai, o Filho mais velho também se sentia longe dela ...

Ele vê-se como sendo um filho fiel e exemplar, que sempre cumpriu todos os seus deveres e que sempre seguiu todas as ordens do seu Pai. E, por causa disso, dos seus méritos e acções (aparentemente) exemplares, pensa que devia ser recompensado.

Mas, apercebemo-nos depois, o Filho mais velho, na verdade, não se comportava como verdadeiro filho, mas sim como um escravo obediente. O Filho mais velho demonstra ser capaz de fidelidade, sem dúvida, mas também demonstra uma incapacidade em amar e deixar-se ser amado. 

É por esta razão, simultaneamente tão simples mas tão decisiva, que o Filho mais velho não consegue compreender o amor que perdoa manifestado pelo Pai.

Para ele, o mais importante é o mérito prático, os sacrifícios públicos e visíveis, e as formalidades rígidas e indiferentes - o que muito me lembra o comportamento dos fariseus descritos nos Evangelhos e que Jesus tanto criticava ....

Para ele, não existe lugar para a solidariedade, nem para a gratuidade, muito menos para a caridade ou o amor desinteressado….

Na verdade, o Filho mais velho estava tão afastado do Pai tanto quanto o Irmão mais novo...

 

Rembrandt - Return of the Prodigal Son

 O Regresso do Filho Pródigo (1668) - Rembrandt

 

O Filho mais velho também estava perdido ...

Nestes versículos, vemos o Filho mais velho a acusar o Pai de cegueira e de injustiça. De notar que, ao falar, ele usa expressões como "esse teu filho" e "os teus bens", demonstrando uma frieza, um isolamento, uma separação, um afastamento e um sentimento de não pertença na sua família.

Assim, verifica-se que ocorreu com o Filho mais velho o mesmo que com o seu irmão, ou seja, também ele estava perdido e precisava voltar...

Porém, o seu regresso, ao contrário do irmão, ainda não aconteceu. Ele encontra-se ainda perdido, no interior da própria cada do seu Pai. Também ele é o Filho Pródigo... 

 

 

O Filho mais velho também foi encontrado pelo Pai...

O Pai que, momentos antes saíra da sua casa ao encontro do Filho mais novo, parte agora em busca do Mais velho. Pede-lhe, suplicando, que participe da sua alegria, que só será completa quando houver verdadeira comunhão entre todos os filhos. Vemos um Pai que anseia por uma completa união e reconciliação da sua família.

Portanto, «é preciso» que também o Filho mais velho "caia em si", reconhecendo os seus erros e experimentando também ele o perdão do Pai. 

Na verdade, ao rivalizar com o irmão, o Filho mais velho não se apercebe que o amor do Pai não tem preferências nem predilecções; e é tão grande que chega para todos…

 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo é Encontrado

  Missão País 2016 - 7ºdia  

 

Ao lermos a Parábola do Filho Pródigo, quase inconscientemente achamos que o Filho Mais Novo é a personagem principal - porque é a personagem mais falada e acerca da qual a parábola parece girar. Mas, finalmente, nos versos 20 a 24, apercebemo-nos que o Pai, uma personagem quase secundária até aqui, é na verdade a personagem mais importante.

 

"Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou."

Lucas 15:20-24

 

O Pai, representando Deus, espera durante muito tempo pelo regresso do seu Filho mais novo a casa. E, quando o vê, corre de braços abertos para o receber! Quando o recebe, não lhe pergunta por onde andou nem o que fez, mas dá-lhe, simplesmente, de volta toda a dignidade de filho que se arrependeu.

Por muitos pecados que possamos ter cometido, Deus espera-nos sempre e está pronto a acolher-nos e a festejar connosco e por nós! Deus nunca se esquece de nenhum de nós. Deus nunca nos abandona. Ele é um Pai infinitamente paciente, que nos espera sempre!

 

Porque, como disse o Papa Francisco, "Deus nunca se cansa de nos perdoar! ... nós é que nos podemos cansar de Lhe pedirmos perdão."

 

Crucifixo HPV

Disse também o Sumo Pontífice, no Angelus, a 15 de Setembro de 2013:

"Se vivermos segundo a lei do «olho por olho, dente por dente», jamais sairemos da espiral do mal. O Maligno é astuto e ilude-nos que, com a nossa justiça humana, podemos salvar-nos a nós mesmos e ao mundo...

Na realidade, só a justiça de Deus nos pode salvar! E a justiça de Deus revelou-se na Cruz: a Cruz é o juízo de Deus sobre este mundo. 

Mas como nos julga Deus? Dando a vida por nós!

Eis o gesto supremo de justiça, que derrotou de uma vez por todas o Príncipe deste mundo. E este gesto supremo de justiça é também, precisamente, o gesto supremo de misericórdia. Jesus chama a todos nós a seguir este caminho: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6:36)

 

Realço também que, apesar de não ser dito directamente, pode-se inferir que é só neste momento que o Filho mais novo se apercebe que a verdadeira herança do Pai não era a posse material, mas o sim Seu amor!

 

O nosso Deus é um Pai que espera.

O nosso Deus é um Pai alegre - e a Sua alegria é perdoar!

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Volta Para o Pai

   Missão País 2016 - 6ºdia  

 

Uma das maiores surpresas que tive na Missão País foi a quantidade de tempo dedicada à oração de que dispúnhamos, ou seja, em Missão Pessoal e Interna!

Eu pensava inicialmente que iríamos passar os dias a fazer voluntariado - o que foi verdade! - mas não estava à espera que praticamente metade do nosso dia fosse passado na nossa pequena Capela, em oração!!

E estou mesmo a falar a sério: entre a(s) hora(s) de oração da manhã e oração da noite diárias, a Missa e o Terço também diários, e a oportunidade que tivemos de estar em Adoração ao Santíssimo durante uma noite inteira ... nós acabámos por estar o mesmo número de horas em Missão Interna (ou seja, em oração) como em Missão Externa (ou seja, em serviço na comunidade)! O que foi pra lá de mega-maravilhoso!!!! :)

 

Foi num destes momentos de oração e silêncio que, no 6ºdia da nossa Missão, ao continuarmos o estudo da Parábola do Filho Pródigo nos versículos 17 a 20, me dei conta dum pormenor:

 

"E, caindo em si, disse:

‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!

Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe:

Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;

trata-me como um dos teus jornaleiros.’

E, levantando-se, foi ter com o pai."

Lucas 15:17-20

 

O Filho mais novo só deu conta do seu pecado e da sua miséria quando, finalmente, ficou sozinho e em silêncio pela primeira vez na sua vida!

O silêncio não é, como o mundo nos diz, algo passivo. Não é ausência de comunicação. Não é sinal de fraqueza. Não significa indiferença da nossa parte. Não quer dizer: "Desisti ... "

 

Luz.jpg

 

O silêncio é, vim eu a descobrir nesta semana, uma atitude bastante activa. Já experimentaram? Eu achei bastante difícil estar em silêncio por tanto tempo - sim, até mesmo para alguém que é naturalmente calada como eu!

Mas, também vim a descobrir, é no silêncio da nossa voz, da nossa mente e do nosso coração que, aos poucos, vai surgindo um voz suave e leve, doce e meiga, que me canta e que me fala até ao mais profundo do meu ser…

 

Quando regressei a casa, li na primeira página do mini-jornal da nossa paróquia, as seguintes palavras do nosso Prior:

 

"Num mundo que fala, que grita (...) é cada vez mais imperioso que se faça silêncio. É necessário fazer silêncio. É necessário ouvirmos Jesus, que diz: «quando não tens nada de bom a dizer, cala-te». Cala-te!

A Quaresma é isto, o silêncio de Deus que fala no meu silêncio. Sem silêncio não há Quaresma, não há Deus, não há conversão, não há perdão."

 

Oh, sem dúvida!

Tal como o Filho mais novo descobriu, sem silêncio não há conversão; sem silêncio não ouvimos a voz de Deus; sem silêncio não podemos encontrar a misericórdia e o perdão que o Nosso Querido Pai, a todos, quer tanto oferecer!

  

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Vai-se Embora

  Missão País 2016 - 4ºdia  

 

No 4ºdia da nossa Missão, reflectimos no versículo 13 da Parábola do Filho Pródigo:

 

"Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua

e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada."

Lucas 15:13

 

Lendo os versículos anteriores (v.11 e 12) juntamente com este, não sei se vocês repararam num pormenor. Eu não tinha reparado e só me dei conta dele quando os chefes de oração da minha Missão o apontaram:

 

O Pai alguma vez disse ao Filho mais novo para se ir embora?

 

Quando o Filho mais novo pediu ao Pai a parte dos bens que lhe pertencia como herança, o Pai não o mandou embora. Não lhe disse que tinha de ir embora, para longe de casa, para receber a herança. 

O Pai deu-lha, sem reservas, sem condições, sem "se" ou "então". Na verdade, o Filho mais novo podia ter recebido a herança que queria e permanecido em casa, junto do Pai.

 

Mas o Filho mais novo quis ir-se embora. Ele, tal como nós o fazemos tantas e tantas vezes, decidiu virar as costas a Quem tudo lhe ofereceu.

Logo ao ter formulado o seu pedido - Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde - o Filho mais novo afirmava o seu "eu" e excluía o Pai. Quase que podia ter acrescentado: Eu não preciso de ti....

 

Capela HSM.jpg

Capela do Hospital de Santa Maria

 

Atrever-me-ei a dizer que, mais grave e mais importante do que o Filho mais novo ter ido para longe de casa, ter esbanjado o dinheiro todo, e ter tido uma vida desregrada, o maior pecado que ele cometeu foi aqui, logo no princípio, ao excluir o Pai da sua vida.

É esta a fonte de todo o mal e de todos os pecados - o tentarmos viver sem Deus!

É este o drama de todos os humanos - a facilidade com que nos afastamos do Amor de Deus!

 

Volta.

Volta, sussurra o Nosso Pai a todos nós.

Estou aqui, à tua espera, de braços abertos.

Não importa que vás e que fujas de Mim, setenta vezes sete vezes.

Podes sempre voltar para casa, meu Filho.
Volta.

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

Nós, o pecado e Jesus Cristo

É simplesmente incrível a velocidade a que passam os dias de férias este ano.

Apesar de estar de férias da faculdade, entre as horas diárias do estágio médico extra, as "lições domésticas" cá em casa e o simples passar tempo com a família (actividade, infelizmente, bastante posta de lado durante o ano lectivo), não me tem restado muito tempo para blogs nem para escrever.

Além disso, e talvez seja esta a razão principal por não ter escrito nada no blog nas últimas semanas, quando acabei os exames e fiz um balanço do ano que terminara, apercebi-me que tinha cometido um grave pecado. E, por causa do primeiro, ainda cometi outro, também ele grave.

Depois de muita reflexão, e de muito me chatear comigo própria e de pedir perdão a Deus, dirigi-me à confissão, no horário habitual a que costumava ir. Contudo, descobri que um dos nossos dois padres entrou de férias, e o outro, para assumir as responsabilidades diárias dos dois, limitou o horário das confissões para um determinado dia a uma determinada hora. O problema, é que a essa hora eu ainda estou no estágio. Bonito! E agora?

 

É raro eu discutir ou ficar zangada com outra pessoa. Mas, quando tal acontece, costuma ser alguém que eu amo muito, como a mãe ou a avó. Cada segundo que passa estando nós chateadas é um autêntico tormento. Dói, a sério. Dói porque me sinto magoada, mas dói mais ainda por pensar que magoei a outra pessoa. E tento logo fazer as pazes.

Da mesma forma, quando, horrorizada, apercebo-me que cometi um pecado grave contra Deus, tento confessar-me o mais depressa possível. Não suporto, de forma nenhuma, que Deus continue magoado comigo por vários dias ou semanas. Quero pedir-Lhe o meu mais sincero perdão e fazer as pazes JÁ! 

 

Mas a verdade, é que não tive oportunidade de me confessar durante 2 semanas. Foi horrível...

 

A meio da semana passada lembrei-me que eu e a mãe tínhamos combinado ir ao Santuário de Fátima no dia 18, sábado. E foi aí que me lembrei dum post da Teresa. Fez-se luz! Eu posso confessar-me em Fátima! 

 

20140906_122925.jpg

 Fátima 2014 - Este ano, esquecemo-nos de tirar fotos! Mas o tempo estava parecido, acreditem ....

 

Assim foi. Começámos a manhã com a via sacra dos pastorinhos. Com chuva! Em pleno Julho! Quem diria ....

DSCN6886.JPG

DSCN6894.JPG

DSCN6892.JPG

DSCN6897.JPG

DSCN6898.JPG

DSCN6903.JPG

 Fátima 2014 - Este ano, esquecemo-nos de tirar fotos! Mas o tempo estava parecido....

 

Depois, seguimos para o confessionário!

Incrivelmente, tive uma experiência muito parecida com aquela que a Teresa descreveu no post. Para me confessar, tive que descer uma escadaria até às profundezas do edifício, entrar numa câmara escura e, esperando pela minha vez, procurar bem no meu coração todos os pecados que tinha cometido. O confessionário é, sem duvida, uma experiência humilhante. Nunca é fácil para mim, orgulhosa como sou, ajoelhar-me e nomear todos os erros, todos os pensamentos maldosos, todas as acções contrárias aos ensinamentos de Jesus que cometi. Nunca é fácil para mim admitir o quanto errei, o quanto feri os outros e o quanto feri Deus. 

 

Mas, é então que o nosso amoroso Pai nos estende a mão, levanta-nos mais uma vez, e nos diz que estamos perdoados, que estamos limpos e puros novamente. E tudo, por causa do sangue que Jesus derramou por nós. E então, tudo fica bem novamente.

 

Oh! A felicidade que senti em deparar-me com a água límpida da fonte e com as pombas brancas, tal como a Teresa descreveu!! E a intensíssima felicidade de subir de novo a escadaria, em direcção à luz encadeante do sol!!

 

Alguma vez tiveram dificuldade em perceber o que acontece no sacramento da reconciliação? Ainda não percebem bem o que Jesus fez por nós na Cruz? Ora tomem atenção a este vídeo, que demonstra de forma muito simples e clara, exactamente aquilo que Jesus Cristo nos ofereceu, ao sacrificar-se por nós no Calvário:

 

 

"Tem compaixão de mim, ó Deus, pela Tua bondade; pela Tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.

Lava-me de toda a iniquidade; e purifica-me do meu pecado.

Purifica-me com o hissope e ficarei puro, lava-me e ficarei mais branco do que a neve.

Desvia o Teu rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas culpas.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro."

Salmo 51:3-4, 9, 11-12

 

 

P.s: A minha admiração a ler o post desta 2ªfeira da Teresa - a família Power foi-se confessar no mesmo dia que eu! Ha ha!