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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A matemática de Deus

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos uma bela manhã nesta lindíssima praia em Tagba. Está na altura de seguirmos caminho - há ainda tantas maravilhas à nossa espera na Terra Santa! - mas temos ainda tempo para ouvir o relato dum último (grande!) milagre de Jesus, que terá ocorrido não muito longe desta praia tão especial  ... 

Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos.

Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer.

Filipe respondeu-lhe: «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 

Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 

Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.»

Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram

Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer.

Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 

                                                                                                                                     Jo 6, 1-14

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Praia em Tagba, junto da Mensa Christi e do Primado de Pedro

 

Ah, a matemática de Deus ... que é tão diferente da nossa!

Na escola, facilmente aprendemos a não gostar muito das contas de subtração ou de divisão - afinal, ficamos quase sempre com menos no final da conta do que quando começámos!  Depois crescemos e, ao longo da nossa vida, também o mundo nos tenta ensinar isso mesmo ... Quantas vezes ouvimos - "Estás a dar demais! Não dês tanto ou não haverá para ti também..." ou "Dividir o que é meu contigo? Assim fico eu a perder e isso não pode ser... "

Mas Jesus veio ensinar-nos que, nas contas de Deus, quem se subtrair aqui na terra, pelo contrário, no final da equação somará bênçãos e graças infinitas no Céu! Quem dividir com os irmãos tudo o que tem, quem der e der e der - até doer - receberá mil por cada cem!

Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 

Jesus respondeu-lhes: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.»

Mt 19,27.29

Neste mundo, quanto mais damos, com menos (aparentemente) ficamos. Mas, nas contas de Deus, quanto mais damos ao outro, nosso irmão - amado, ou talvez não - mais tesouros estaremos a acumular no Céu. Dizem-nos os Santos que, para o Céu, levaremos apenas connosco, não nada daquilo que tivermos acumulado nesta terra, mas sim tudo o que tivermos oferecido, abdicado e sacrificado ao longo da nossa vida - por amor ao outro, por amor a Deus....

 

Oh, tantas e tantas vezes que Jesus nos diz nos Evangelhos: aquele que muito junta, acabará por ficar sem nada e de mãos vazias; mas aquele que divide o que tem, receberá ainda mais. Porque não O ouvimos nós?

Sim, quem desejar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem a oferecer, em sacrifício, por amor, salva-la-á e entrará no Reino dos Céus.

 

Pelas contas de Deus, vale a pena largar as noventa e nove ovelhas que estão seguras, para ir atrás daquela única que se perdeu. Dizem-nos também os Santos nossos amigos que, por cada pecador que se converte, por cada alma que é salva - quem sabe, talvez por ação da oração de alguém que vive do outro lado do planeta! - há uma festa no Céu maior do que qualquer Casamento Real aqui da terra...

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Imagem retirada daqui

Pensem no pequenino grão de mostarda - tu e eu, querido leitor - que, quando lançado à terra, se não morrer para si próprio, não poderá gerar vida e dar origem a uma árvore de tal porte magnífico que consegue acolher, debaixo dos seus ramos e folhas, outras criaturas que em si procuram abrigo...

 

À nossa volta, no mundo, vemos tanto desperdício ao todo o lado - plástico, cartão, embalagens, mobílias fora de moda, brinquedos que já não são novidade, e comida, oh tanta comida...

Mas nas contas do Senhor? Nem uma única lágrima nossa se perde! Nem um único suspiro ou prece passa despercebida! Nem um pequeno ou invisível acto ou renúncia deixa de ter o seu efeito - eterno!

 

Achas que tens pouco para oferecer ao Senhor e aos irmãos? Parece-te que tens apenas cinco pães de cevada e dois peixinhos... e pedem-te que alimentes cinco mil homens, mais as suas mulheres e filhos?....

Parece loucura, eu sei.... Sim, segundo aquilo que o mundo nos diz, é impossível...

Mas, o teu pouco, colocado nas mãos do Senhor? Abençoado pela Sua tremenda graça? Oh, a todos, sem faltar nenhum, conseguirás alimentar, nutrir e fortalecer - e ainda sobrará, abundantemente, o suficiente para ti e toda a tua família!

 

Oh, a maravilha da matemática de Deus!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O amor Agape, o amor Filia e a transformação de Pedro

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Permanecemos um pouco mais nesta praia em Tagba, no sopé do Monte das Bem-Aventuranças, para ouvirmos e meditarmos noutro episódio que os Evangelhos nos contam e que também aconteceu aqui.

 

Jesus Ressuscitado tinha aparecido aos Apóstolos nesta praia, depois duma noite de pesca infrutífera. Estavam a perder o rumo, a viver uma autêntica "noite escura da alma" - como séculos mais tarde São João da Cruz nos explicaria tão bem. Parecia que Deus os tinha abandonado e toda a esperança tinha desvanecido ... 

Jesus renova as suas forças e a sua fé oferecendo-lhes uma refeição, preparada com todo o Seu amor - tal como ainda hoje o deseja fazer, a cada um de nós, sempre que participamos na Santa Missa. Nutridos com este verdadeiro alimento - o corpo e sangue do próprio Deus - está na altura dos Apóstolos se porem a caminho; está na altura de partirem em missão; está na altura de responder com coragem à vocação a que o Senhor os chama ... 

Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro:

     «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?»

Pedro respondeu:

     «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.»

Jesus disse-lhe:

     «Apascenta as minhas ovelhas.»

                                                                                                                        Jo 21,15

                                                                                                         (versão da Bíblia dos Capuchinhos)

Simão, tu amas-Me

Também a nós Jesus faz essa pergunta ... Marisa, tu amas-Me? Mais que qualquer outra pessoa? Acima de tudo?

 

Outras traduções da Bíblia (mais correctas a meu ver) dizem-nos que a resposta de Simão Pedro foi: 

                    Sim, Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de Ti ...

Tal como Pedro, também eu desejava poder dizer - Sim, Senhor, Tu sabes que eu Te amo ... mas, na verdade, ainda só sou capaz de responder - Sim, Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de Ti ...

 

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A praia junto da Mensa Christi e do local do Primado de Pedro

 

Ao ouvir esta passagem do Evangelho de São João, na Terra Santa, lembro-me imediatamente duma homilia que tinha ouvido alguns meses antes e dum pequeno (grande!) livro de C.S. Lewis, chamado "Os quatros amores".

O Sr. Padre tinha-nos explicado que, nos textos originais dos Evangelhos, escritos em grego, o verbo utilizado na primeira pergunta de Jesus a Pedro tinha sido a conjugação do verbo Agape

Para quem não estiver familiarizado com a palavra, o amor Agape é o nome que os primeiros cristãos encontraram para nomear o infinito e imerecido amor de Deus por cada um de nós. O amor Agape é o amor mais inteiro, mais completo. É um amor absolutamente desinteressado de si próprio e livre - livre para amar e servir o outro. Aquilo que o amor Agape mais deseja - ou, melhor dizendo, a pulsão irresistível que sente, impossível de conter ou dominar - é o doar-se, totalmente, ao outro. O amor Agape é o amor que deseja dar a vida pelo outro, que dá (e dá-se) sem medida, que dá (e dá-se) sem condições. É um amor completamente desmedido e incondicional. E este é o amor que Deus tem por cada um de nós.... 

 

Pedro responde à pergunta de Jesus - Pedro, tu amas-Me - com um amor Agape? - conjugando um verbo diferente, um diferente tipo de amor - Filia

O amor Filia é o nome do amor de amizade. É o amor que "gosta muito" do outro. É um amor em que se sente grande alegria e prazer e bem-estar ao estar junto do outro, ao estar com o outro. É, contudo, um amor que exige uma cerca correspondência e reciprocidade da parte do outro. No fundo, o amor Filia é, digamos assim, um nível mais baixo, mais inferior de amor, do que o amor Agape (assumindo que este seja o amor mais completo)

 

Nós sabemos - explicou-nos o Sr. Padre - que o diálogo entre Jesus e Pedro não foi na língua grega, mas sim aramaica. Contudo, São João, como é seu hábito, não deixou passar esta oportunidade para dar uma belíssima e profundíssima lição de catequese. São João faz questão de apontar a diferença entre o amor de Jesus e o amor de Pedro. 

Jesus pergunta a Pedro - Pedro, tu amas-Me com todo o teu coração? Com um amor totalmente desinteressado, livre, desmedido, de pura auto-doação? 

E Pedro responde, sendo absolutamente franco e honesto - tal como nós já conhecemos que S. Pedro era - respondendo que amava Jesus sim, mas ainda duma forma incompleta...

 

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Praia em Tagba - Foto tirada por outro peregrino - obrigado pela partilha!

Alguém reparou que as rochas grandes desta praia pareciam que tinham o formato de corações? Oh, quão adequado!!

[Jesus] voltou a perguntar-lhe uma segunda vez:

     «Simão, filho de João, tu amas-me

Ele respondeu:

     «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo

Jesus disse-lhe:

     «Apascenta as minhas ovelhas.»

                                                                                                 Jo 21, 16

 

Pela segunda vez, Jesus pergunta a Pedro se este O ama, conjugando o verbo Agape.

Pela segunda vez, Pedro responde que sim mas empregando o verbo Filia. Pedro conhece-se - e bem! Ainda há uns meros dias atrás, Pedro tinha prometido a Jesus, à frente de todos os que quisessem ouvir, que O amava de todo o coração, que permaneceria e O seguiria para onde quer que fosse, custasse o que custasse ... para, após uma única noite de susto e medo, na noite em que Jesus foi preso e acusado, ser capaz de O negar - não uma, não duas, mas três vezes ...

Mas Pedro, agora, conhece-se e bem; a experiência da vida transformou-o e, por isso, já nem tenta responder a Jesus - quer publicamente, quer no íntimo do seu coração - com o mesmo grau de amor que Este demonstrou ter por si. As provas são evidentes. Pedro gostava muito, oh mesmo muito, de amar Jesus tal como Ele o ama a si. Mas ainda não consegue. Ainda ... 

 

Reparem também que, ao responder a Jesus, Pedro não começa a sua resposta dizendo logo - Senhor, eu gosto muito de ti ... - mas sim - Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de ti ... 

Pedro ama Jesus com todo o amor que tem e consegue, com todo o amor que o seu finito e humano coração lhe permite. Mas aqui continuamos a observar outra transformação de Pedro - sempre tão constantes ao longo de todo o Novo Testamento como, assim o espero e desejo, as sejam na minha vida, na tua vida, na nossa vida...

Assim, Pedro diz: Tu, Senhor, conheces o meu coração. Conheces o quanto eu desejava amar-Te, mas não consigo - ainda. E a principal razão é que - Senhor, agora vejo e reconheço finalmente - todo o amor que existe, vem de Ti. Eu sou incapaz de saber apreciar este amor imenso - Agape - que Tu tens por mim. E eu sou absolutamente incapaz de amar assim, tal como Tu. Mas se Tu quiseres, Senhor, poderás transformar-me, uma vez mais. A Tua graça é suficiente. Porque Tu és a fonte de todo o amor! Porque todo o amor vem de Ti!

 

E [Jesus] perguntou-lhe, pela terceira vez:

     «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?»  (ou então - Simão, tu gostas muito de mim?)

Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: ‘Tu és deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe:

     «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!»  (ou então - Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu gosto muito de Ti)

E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.

Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» 

E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus.

Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

                                                                                                                                        Jo 21,17-23

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Disse-lhe Jesus: Alimenta, apascenta, cuida das minhas ovelhas.

Toma o teu cajado. Sê o seu pastor aqui na terra, a partir deste momento. Sê o seu primeiro Papa ...

 

À terceira vez, Jesus faz a pergunta conjugando, desta vez, o verbo Filia....

Jesus aceita "descer" ao nível do amor - actual - de Pedro. O amor Agape faz continuamente isto - sempre que for necessário, baixa a fasquia para chegar ao outro, para estar ao mesmo nível do outro, para caminhar ao ritmo do outro. O amor Agape é assim tão grande que é capaz de fazer isto - e com toda a simplicidade e naturalidade que o caracteriza. 

Jesus muda a pergunta, visto que Pedro ainda não é capaz de mudar a sua resposta. Jesus continua o Seu diálogo de amor com Pedro - e com cada um de nós - deixando de pedir um amor que Pedro ainda não é capaz de dar. Ainda...

 

Segue-Me. Acompanha-Me. Não tenhas medo. Vem comigo.

Não olhes para a fragilidade e finitude do teu coração e das tuas capacidades.

Vem, segue-Me, acompanha-Me.

Se aceitares, se tiveres coragem, tempos virão, Pedro (ou Marisa, Ana, Maria, João, António ...), onde então sim, serás capaz de amar, de amar-Me e, por conseguinte, aos irmãos - com um verdadeiro amor Agape. 

 

Que assim seja Jesus! Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A mesa que Cristo nos serve

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos a nossa viagem em Tagba, perto de Nazaré. Estamos no sopé do Monte das Bem-Aventuranças e caminhamos todos juntos até encontrarmos uma pequena igreja franciscana, conhecida como Mensa Christi - a mesa de Cristo.

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Estamos na costa noroeste do Mar da Galileia, um dos locais favoritos para os pescadores de Cafarnaum desempenharem as suas profissões, pescadores como os apóstolos Pedro e o seu irmão André. Os Evangelhos contam-nos que Jesus passou por diversas vezes, ao longo das suas viagens e pregações, por esta praia ... poderá ter sido esta a Sua praia favorita?

Olho para a beleza da praia que me rodeia, inspiro fundo até sentir o cheiro da água, fecho os olhos e continuo a ouvir os passarinhos que cantam nas árvores à nossa volta misturado com o som das ondas,  passo a mão pela água fresca, brincando com as pequenas conchas brancas e pretas que abundam por aqui e sorrio abertamente - só posso acreditar que sim!

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.

Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.»

Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.

Jo 21,1-3

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A nossa guia conta-nos que estamos naquele que se acredita ser o local onde ocorreu este episódio do Evangelho. Jesus tinha morrido na Cruz, em Jerusalém. Três dias depois, as mulheres que O seguiam tinham ido ao Seu sepulcro e tinham-no encontrado vazio. Alguns anjos disseram-lhes que o Messias tinha ressuscitado. Jesus Ressuscitado tinha aparecido a Maria Madalena, que chorava em busca d'Aquele que o seu coração mais amava. Os discípulos de Emaús tinham vindo a correr, para contar a todos que tinham encontrado Jesus Ressuscitado ao longo do caminho e no partir do pão. 

Mas os dias passavam e passavam, mais ninguém tinha visto Jesus, e os apóstolos começaram a duvidar... Loucura das loucuras ... oh, poderá mesmo algo assim acontecer, Alguém vencer a morte e ressuscitar? 

Não, o melhor é ganharmos juízo e voltarmos para as nossas vidinhas normais, simples, pacatas e seguras, de pescadores de peixes e não de homens ...

Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.»

Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» 

Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.

Jo 21,4-6

Oh, isto já tinha acontecido antes!

Sim, só existe uma Única pessoa capaz de algo assim! 

Só existe uma Única pessoa capaz de nos dizer onde podemos encontrar o verdadeiro alimento para as nossas almas! 

Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!»

Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.

Jo 21,7-8

Quando estamos apaixonados e queremos muito estar junto daquele que amamos, somos capazes de fazer qualquer loucura, como lançar-nos nas águas do desconhecido e nadar contra a maré...

Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora

Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.

Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.

Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

Jo 21,9-14

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Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo esperou que os olhos dos Seus apóstolos se abrissem e O reconhecessem.

Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo esperou, preparando uma refeição; fogueira acesa, peixinho na brasa, pão partido, a mesa posta ... 

Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo, verdadeiro Deus, verdadeiro Rei, os serviu e alimentou, com o Seu próprio corpo e sangue. 

 

Não tenham medo de seguir Jesus. Não tenham medo de fazer o que Ele vos propõe. 

Se se atirarem ao mar do desconhecido, nunca se afogarão. Se se afadigarem a pescar pelo reino de Deus, o Senhor nunca se deixará vencer em generosidade. Se lançarem as vossas redes e elas vos parecerem pesadas e quase a arrebentar, acreditem, tal nunca irá acontecer. 

Trazei para a mesa do Senhor o resultado do suor do vosso trabalho, por pouco ou muito que seja. Será aqui, na mesa do Senhor, no altar do Senhor, que Ele próprio Se oferecerá como alimento, como verdadeiro alimento para as nossas almas, sedentas e carentes de compreensão e de amor. 

Sim, estão mesmo todos convidados. O Senhor chama-vos para o Seu banquete, para a Santa Missa.

Vêm?

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O vento novo da Galileia

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Sabem qual é uma das coisas que mais me lembro da Galileia? Do vento! Sim, do vento!

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Desde criança que eu sempre gostei muito de vento, mas o vento da Galileia parecia ser ainda mais especial ... 

Ah, só de me lembrar do vento da Galileia ....

Um vento que nos chamava a rir, ao brincar com o nosso cabelo e as nossas roupas; um vento que nos chamava a dançar, como se fosse uma criança a puxar por nós; um vento que nos refrescava o corpo cansado da viagem; um vento que nos sussurrava ao ouvido acerca do tremendo amor e misericórdia de Deus; um vento que surgia de repente, aparentemente do nada, e que "bagunçava" a nossa vida, tirando-nos do nosso conforto e comodismo, à semelhança do Espírito Santo; um vento que nos impelia a avançar, sempre, em frente ...

 

Também nós avançamos na nossa viagem, até uma linda capela ao ar livre, que parecia esperar por nós, escondida entre as árvores, as flores e as plantas - como se sempre estivesse estado ali desde o tempo de Jesus, como se aquele sempre tivesse sido o seu devido lugar ...

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

Pela graça de Deus, temos oportunidade de celebrar a Santa Missa neste preciso local - a nossa primeira Eucaristia celebrada na Terra Santa, depois de termos celebrado uma no Egipto e outra na Jordânia. Estamos a 9 de Agosto de 2019 e eu não posso deixar de sorrir e sorrir e sorrir quando me apercebo que a primeira leitura do dia é uma das minhas leituras favoritas e mais queridas do meu coração ... 

 

É assim que a vou seduzir:

ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.

Dar-lhe-ei então as suas vinhas

e o Vale de Acor será como porta de esperança.

Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude,

como nos dias em que subiu da terra do Egipto.

Naquele dia – oráculo do Senhor –

ela me chamará: «Meu marido»

e nunca mais: «Meu Baal.»

Tirarei da sua boca os nomes de Baal,

de modo que tais nomes não voltem a ser recordados.

Farei em favor dela, naquele dia,

uma aliança com os animais selvagens,

com as aves do céu e com os répteis da terra;

farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra,

e farei com que eles repousem em segurança.

Então, te desposarei para sempre;

desposar-te-ei conforme a justiça e o direito,

com amor e misericórdia.

Desposar-te-ei com fidelidade,

e tu conhecerás o Senhor.

                                      Oseias 2,16-22

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

Não consigo ler esta passagem sem me recordar sempre da belíssima música que a Danielle Rose compôs, cantou e tocou - como já tinha partilhado convosco no início deste ano. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou durante os primeiros 6 meses deste ano de 2019, uma altura da minha vida que, devido a uma grande conjugação de factores, se veio a revelar tão espiritualmente difícil para mim ... 

 

Ao trazer estas memórias de volta ao coração e ao reflectir naquilo que vivi e experienciei naquela bela manhã de Missa campal, consigo finalmente compreender uma última coisa que o Senhor desejava dizer-me, através daquele vento especial da Galileia ... É que aquele vento, novo e rejuvenescedor, era também um vento de mudança, de muitas mudanças, que se sucederiam, umas a seguir às outras, mal eu chegasse de volta a Portugal, cada uma mais bela e maravilhosa que a anterior ... 

 

Oh, louvado sejas, Senhor meu, para todo o sempre!

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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No Monte das Bem-Aventuranças

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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[Jesus] começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte.

Mt 4, 23.25; 5,1

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Estamos junto do Mar da Galileia e a nossa primeira paragem do dia é bem no topo do Monte das Bem-aventuranças em Tagba. E eu, oh, sinto-me no paraíso ... a beleza deste local é de tal grandeza que até parece que perco o fôlego! (o que fez com que quase me esquecesse de tirar fotos, perdoem-me ...)

À nossa volta, a natureza parece que permanece intocada e preservada, tal como seria no tempo de Jesus. Como é belo, Senhor, o local que Tu escolheste para anunciar um dos Teus ensinamentos mais importantes e revolucionários ...

Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte.

Depois de Se ter sentado, os discípulos aproximaram-se Dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu
                                                                                                                               Mt 5,1-3

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No topo do Monte encontramos a Igreja das Bem-Aventuranças ou das Beatitudes, desenhada pelo arquitecto Antonio Barluzzi (vão ouvir-me falar várias vezes deste arquitecto ao longo de toda a nossa peregrinação pelas terras de Israel - ele desenhou e restaurou tantos monumentos em Israel, que ficou conhecido como o "Arquitecto da Terra Santa"). É uma igreja construída de forma octogonal, ou seja, com 8 lados, à semelhança das 8 Beatitudes proclamadas por Jesus no topo deste Monte santo. 

«Felizes os que choram, porque serão consolados.»
                                                                                                         Mt 5,4

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Por fora, as paredes pretas e brancas - que nos relembram da nossa luta diária e constante, entre o bem e o mal, a luz e as trevas, a virtude e o pecado - escondem, na verdade, uma igreja incrivelmente luminosa e arejada ... 

«Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.»
                                                                                                    Mt 5,5-6

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Do altar sagrado - localizado bem no centro desta igreja, visível de todos os ângulos e lugares - a disposição dos mosaicos minúsculos - como tu e eu, as pedras vivas do Templo do Senhor, somos - fazem-nos pensar numa fonte inesgotável e perpétua de água refrescante, a única capaz de nos saciar a sede, aquela sede tão profunda de amor, um amor capaz de tudo, um amor mais forte que tudo, um amor sem fim ... 

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.»
                                                                                                                         Mt 5,7

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Ergo os olhos e sinto-me, mais uma vez, no Céu... Mais uma vez, uma série de minúsculos mosaicos, dourados e reluzentes - tantos quantos os Santos no Céu - rodeiam a "Estrela maior", azul como a cor de Nossa Senhora, aquela que é "o caminho fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Deus, na qual consiste a perfeição cristã” (TVD 152). 

Meu Deus, quanta beleza em tal simplicidade ... 

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os pacificadoresporque serão chamados filhos de Deus
                                                                                                                  Mt 5,8-9

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Rezamos por breves momentos; a igreja é demasiado pequena para receber tantos peregrinos e por isso dirigimo-nos novamente lá para fora. Sentamo-nos no chão e em rochas, provavelmente à semelhança dos Apóstolos e da multidão que seguia Jesus naquele dia, debaixo duma grande árvore, protegidos do Sol que começava a aquecer o dia. Ouvimos então o Sermão das Bem-Aventuranças, na sua totalidade, e reflectimos acerca da Sua mensagem....

«Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o Reino do Céu
                                                                                                                             Mt 5,10

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Rodeia-nos uma bela floresta - oh tão bela! - à beira do mar, cheia de flores de todas cores, de plantas e árvores e tantos, tantos passarinhos que cantam maravilhosamente para nós! Cantarão eles, como Nossa Senhora, acerca das maravilhas do Senhor?

Nem me tinha apercebido das saudades que eu tinha de ouvir cantar os passarinhos no cimo das árvores (desde que viemos de Portugal que eu não ouvia passarinhos a cantar!) e aqui há tantos e cantam tão bem...

«Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Mt 5,11-12

Até hoje me consigo lembrar do cheiro e do som do mar, mesmo ali ao nosso lado... 

Felizes, felizes sereis . . . 

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Nazaré e a vida da Sagrada Família

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David.

Lucas 1,26-27

 

Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.» Levantando-se, ele tomou o Menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel.

Advertido em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: «Ele será chamado Nazareno».

Mt 2,19-20.23

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Estamos em Nazaré, a terra natal de Maria e de José e a região onde Jesus passou a maior parte da Sua vida, desde o Seu regresso da terra do Egipto, por volta dos seus 6 a 7 anos de idade, até ter iniciado a Sua pregação (depois de ter passado pelas águas do rio Jordão), por volta dos seus 30 anos.

 

Nazaré situa-se na parte Norte do país de Israel, num vale rodeado por altas montanhas. Este vale, se o seguíssemos para Noroeste, levar-nos-ia até ao Mar Mediterrâneo; e se o seguíssemos para Sudeste, levar-nos-ia em direcção ao rio Jordão.

 

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Imagem adaptada daqui

A Sul da cidade de Nazaré, localiza-se a Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrel), que é uma zona muito fértil, cheia de campos de colheitas, de plantas, árvores e flores - ena, que contraste tão grande em relação a todas as terras áridas e desérticas pelas quais temos passado nos últimos dias! 

 

Nazaré é hoje uma cidade grande, próspera e bonita; mas no tempo de Jesus terá sido apenas uma pequena aldeia judaica, de pouca importância, com pouco mais que 20 a 30 famílias, que viveriam da agricultura, do pastoreio e do trabalho de artífices como a carpintaria de S.José. Esta aldeia estaria rodeada de olivais e de vinhas que desceriam pelas encostas dos montes. É provável que tivesse uma única sinagoga, pequena e simples, à imagem dos seus habitantes, e que talvez fosse, tal como as casas destas famílias eram, parcialmente construída à mão e parcialmente escavada na encosta dos montes. 

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A Sagrada Família viveu durante tantos anos em Nazaré e ninguém suspeitava que o próprio Deus vivesse ali, bem juntinho do Seu povo tão amado. Como é que foi possível? Oh, que mistério tão grande! 

Penso nos incontáveis Santos que povoam o Céu, já neste preciso momento, cujos nomes nós nem sequer sabemos, cujas vidas nem conhecemos; tantos Santos escondidos, silenciosos, que levaram vidas simples, humildes, sem grande alarido, sem feitos extraordinários, à semelhança da Sagrada Família, à semelhança (assim o espero e desejo) da minha vida, da tua vida, da nossa vida ... 

 

Alguém muito querido do meu coração, um dia destes perguntou-me se eu alguma vez tinha pensado que nunca na História da humanidade tinha havido, como hoje, tantos Santos e Santas, Beatos e Veneráveis, Servos e Servas de Deus, conhecidos ou não, a viver, a rezar e a interceder por todos nós no Céu ... como é que eu nunca tinha pensado nisso?! Quão maravilhoso! Louvado seja Deus!

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Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrael)

 

E como terá sido a vida quotidiana da Sagrada Família?...

Penso em Jesus como criança, a receber o início da Sua educação escolar e de Fé (só a nossa sociedade actual é que tenta separar as duas coisas ...), através dos ensinamentos e do exemplo vivo de Maria e de José; ao aprender na carpintaria a trabalhar a madeira e a pedra com as Suas mãos e instrumentos, enquanto ouvia, vezes e vezes sem conta, José a contar-Lhe toda a História do povo de Deus, até a saber de coração...

Jesus a brincar com os outros meninos e meninas da Sua idade... Jesus como menino na escola da sinagoga, a aprender a ler e a interpretar as Sagradas Escrituras ... Oh, será que Jesus chegava a pensar: Hum ... isto parece-me familiar... sim, acho que fui Eu que fiz e disse isto tudo  

 

Penso em Maria, como esposa e mãe, exercendo na perfeição todas as facetas do «génio feminino» que o Santo Papa João Paulo II nos ensinaria tantos séculos mais tarde ... Maria a lavar e a estender a roupa, a limpar a casa, a fazer as refeições, a ir buscar água aos poços e cisternas, enquanto cantava continuamente todas as maravilhas que o Senhor fez ...

Sabem, desde que me tornei catequista, dou por mim muitas vezes a imaginar (e a tentar inspirar-me) acerca de como é que Maria ensinaria e cativaria todas as meninas e meninos com os quais contactasse, ao longo da sua vida, acerca do amor, da misericórdia e da justiça de Deus ... (tento, mas garanto-vos que falho redondamente a tentar fazer o mesmo! )

 

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Durante muito tempo pensei que Maria e José tivessem dedicado as suas vidas, em exclusividade, um ao outro e a Jesus, depois de casarem. Que todas as outras facetas anteriores das suas vidas - restante família, profissão, actividades na comunidade, amizades e tarefas - tivessem sido completamente abandonadas e esquecidas e postas de parte, para que tudo girasse apenas à volta de Jesus ... o que é, bem, em parte verdade. 

Mas apenas em parte verdade. Graças aos ensinamentos das Famílias de Caná, percebi que a Sagrada Família, protótipo perfeito das Famílias-Cântaro a que somos chamados a ser, não só não terá renunciado às diversas tarefas e funções que anteriormente possuía, como as deverá ter, sim, abraçado e dedicado ainda mais intensamente, com ainda mais amor, auto-doação e sacrifício! 

Sim, claro que sim! Claro que tanto Maria como José se terão disponibilizado para servir ainda mais cada elemento das suas comunidades e das suas famílias; claro que se terão dedicado com ainda mais fervor e amor às suas profissões e tarefas; claro que terão crescido ainda mais em generosidade; claro que terão aberto as portas (e as janelas e o telhado!) da sua casa a todos os que precisassem, ou duma simples palavra amiga e dum sorriso, ou duma fatia de pão com doce de tâmaras, ou dum colo e ombro amigo para chorar, ou duma cama para passar a noite; claro que raramente haveria apenas 3 pratos e 3 copos e 3 talheres na mesa da Sagrada Família, mas sim sempre mais, sempre espaço e comida e amor para mais um (ou dois ou três ou mais!), por mais tarde que chegassem; claro que se terão oferecido e dedicado e gasto mais e mais e mais, depois da chegada de Jesus às suas vidas ...

Oh, que o mesmo aconteça na minha vida também!...

 

O nosso autocarro está quase a chegar a um dos locais que eu mais desejava ver e tocar, sentir e estar, como Jesus tantas e tantas vezes o fez - o Mar das Tiberíadas, o Mar da Galileia - oh, ei-lo em toda a sua beleza, bem aqui à nossa espera ... 

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  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Na Terra Prometida

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Não posso acreditar! Estou na Terra Santa! Estou mesmo na Terra Prometida!!

Oh, que dom tão grande de Deus!...

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A entrada em Nazaré

Reco­nhe­cei, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, que, de quantas pro­mes­sas vos fez o Senhor vosso Deus, nem uma só ficou sem efeito: todas se cumpriram, sem falhar ne­nhuma.

Josué 23,14b

 

O tempo de Deus é perfeito, absolutamente perfeito... E não existe uma única promessa que Ele tenha feito, ao longo de toda a nossa história (e História também), que Ele não tenha cumprido ou que não venha a cumprir. Não, não existe uma única que seja, por maior ou menor que tenha sido ...

Estes 6 longos dias de viagem entre as terras do Egipto e da Jordânia só conseguiram inflamar ainda mais, dentro do mim, a minha vontade de chegar à Terra Prometida, onde abundaria leite e mel, graças e bênçãos, amor e felicidade eternas ...

Apercebo-me, ao atravessarmos a última fronteira e ao entrarmos em Nazaré, enquanto as lágrimas abundantes escorrem pelo meu rosto e se misturam com o meu sorriso aberto, o quanto desejo chegar à Terra Prometida - não tanto esta, feita de terra e plantas, animais e pessoas; mas Aquela, oh, Aquela cidade maravilhosa que Deus prometeu a cada um de nós, onde viveremos, para todo o sempre, em plena comunhão de Amor ...

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Nazaré

Dei-vos uma terra que não la­vrastes, cidades que não edi­fi­castes e que agora habitais, vinhas e oliveiras que não plantas­tes e de cujos frutos vos alimentais.

Josué 24,13

Que Deus é Este, que oferece - que Se oferece - a cada um de nós, com tantas e tantas bênçãos e graças e dons, todas elas absolutamente imerecidas e inalcançáveis...

Que Deus é Este, Todo Poderoso, capaz de criar o céu e a terra, as montanhas e as flores, as células e as moléculas, o som e a luz - por amor a cada um de nós, para nos oferecer estas maravilhas, para que, através delas, O possamos conhecer e amar...

Que Deus é Este, que apesar da nossa infidelidade, ingratidão e abandono - todos os dias, a quase todo o instante - decidiu um dia tornar-Se num indefeso embrião, susceptível, dependente, necessitado, para que, talvez assim, O possamos então amar e deixar que Ele nos ame...

Que Deus é Este, mais valente e corajoso que qualquer herói desta terra ou das histórias dos livros, que arrisca tudo, que oferece tudo, que sacrifica tudo - que Se sacrifica na totalidade - apenas por amor a mim e a ti, apenas para que tu e eu possamos viver ...

Que Deus é Este, que ainda hoje, em todos os cantos desta terra, Se esconde, Se reduz, Se tritura, Se oferece, sob a forma duma pequena hóstia, simples farinha e água, para que nenhum de nós fuja com medo deste Amor tão grande e louco e forte, e para que, assim, possa entrar dentro de nós, nutrindo-nos e alimentando-nos, tornando-Se parte do nosso próprio corpo, e iniciando assim a nossa Comunhão eterna de Amor ...

 

Partilho convosco outra canção da querida Danielle Rose, que tantas vezes ressoou na minha cabeça durante esta viagem ...

A Love Song From Jesus

Based on Luke 22:14-20, and the Song of Solomon
From the perspective of Jesus the Lover

 

All I want to do is fall in love with you.
May I call you my Beloved?
You do not know how strong my love is yet.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist

 

You have never known a love like this
Do you thirst inside?
And my desire is to share this love.
My passion will never die.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist.

 

And what if you do not love me in return?
I will be standing here alone,
With my blood beating in my broken heart,
My body broken with love.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist

 

I give you my Blood.
I give you my Body.
I give you all of my love.
Will you take this gift,
Or have I not given enough?

Uma canção de amor de Jesus
Com base em Lucas 22:14-20 e no Cântico de Salomão
Do ponto de vista de Jesus, o Amado

 

Tudo o que Eu quero é apaixonar-Me por ti
Posso chamar-te minha Amada?
Tu ainda não sabes o quão forte é o Meu amor

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

Tu nunca conheceste um amor como este
Tens sede por dentro?
E o Meu desejo é partilhar este amor
A Minha paixão nunca morrerá

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

E se tu não Me amares de volta?
Eu permanecerei aqui sozinho,
Com o Meu sangue a bater dentro do Meu coração partido,
O Meu corpo partido por amor

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

Eu ofereço-te o Meu sangue
Eu ofereço-te o Meu corpo
Eu ofereço-te todo o Meu amor
Vais aceitar este presente
Ou será que não te dei o suficiente?

 

É Domingo, dia do Senhor, dia do Amor!

Venham ter com Ele, na Santa Eucaristia, e deixem que Ele vos encha com o Seu tremendo Amor ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A Jordânia bíblica

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos pouco mais que 2 dias completos na Jordânia e, como tal, não nos foi possível visitar muitos dos locais bíblicos que actualmente se situam dentro do território jordaniano. Eu não fazia a mínima ideia da quantidade de histórias bíblicas que se passaram na actual Jordânia, até a visitar e ouvir o nosso guia Luai enumerá-las...

 

Aliás, vocês deviam ter visto a minha cara de espanto, quando me apercebi que estes limites e fronteiras actuais, entre a Jordânia e Israel ...

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Imagem retirada daqui

.... foram em tempos (~850 a.C) assim:

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Imagem retirada daqui

Ou seja, muitas terras que actualmente se localizam na Jordânia, há muitos séculos atrás pertenciam ao reino de Israel. Ora, isso explica muita coisa ... 

 

Em diversas passagens da Bíblia, tinha eu reparado desde o tempo em que li a Bíblia duma ponta à outra durante pouco mais que um ano, volta e meia é-nos falado acerca de Edom e dos edomitas, de Moab e dos moabitas, de Amon e dos amonitas ... São-nos referidos durante a longa viagem do povo hebreu, que atravessa as suas terras, até chegar à Terra Prometida; são-nos referidos durante a conquista das terras do reino de Israel; são-nos referidos também por diversos Profetas, como Ezequiel (que profetiza contra os 3 povos) e Jeremias ... mas quem eram, afinal, estes povos e porque são eles tão referidos?

 

Se olharmos para o segundo mapa, seguindo o percurso do povo hebreu até à Terra prometida (portanto, de baixo para cima) deparamo-nos primeiro com as terras de Edom, à saída do grande deserto. Os habitantes dessas terras eram os descendentes de Esaú, o filho primogénito de Isaac, que vendeu o seu direito de primogenitura ao seu irmão Jacob por um simples prato de lentilhas ... Devido a esta proximidade com a origem do povo hebreu, o livro do Deuteronómio alertava-os dizendo

Não abominarás o edomita, porque ele é teu irmão (Dt 23,8)

Apesar disso, os edomitas atacaram por diversas vezes o povo israelita, sendo que tanto o Rei Saul como o Rei David lutaram contra este povo. Este povo desapareceu pouco depois da morte do rei Herodes, por volta do tempo de Jesus, tal como o Profetas Ezequiel tinha profetizado

Assim fala o Senhor Deus: «Porque Edom exerceu vingança contra a casa de Judá e se tornou culpado, vingando-se deles, por isso, diz o Senhor Deus: Eis que Eu estendo a minha mão contra Edom e vou exterminar pessoas e animais. Dele farei um deserto.

Ez 25, 12-13a

 

Depois, temos o reino de Moab, onde residiam os moabitas, que eram descendentes de Lot, sobrinho de Abrãao, que concebeu este povo através da sua filha mais velha. Este povo viveu em paz com o povo hebreu durante longos períodos. Quando penso em moabitas, lembro-me sempre da maravilhosa história de Rute, a moabita, que se tornaria na bisavó do rei David, mulher de tal maneira marcante na história do povo hebreu que por isso chega a ser mencionada na genealogia de Jesus.

Booz perguntou ao seu servo que era supervisor dos ceifei­ros: «De quem é aquela jovem?» O servo que era supervisor dos ceifei­ros respon­deu-lhe : «Esta é a jovem moabita que voltou com Noemi da terra de Moab. Pediu-nos, por fa­vor, que a dei­xás­se­­mos respigar e reco­lher espi­gas atrás dos ceifeiros. Ela veio e aqui tem fi­cado desde manhã até agora, e nem por um pouco foi a casa descansar

Rt 2, 5-7

O livro de Rute é um dos meus livros favoritos, tão pequenino mas com tantas lições para nos ensinar... 

 

Por fim, mais a Norte, encontramos os amonitas, das terras de Amon, também eles descendentes de Lot, concebidos numa relação com a sua filha mais nova. Também acerca deste povo, os hebreus são alertados, ao entrarem na Terra Prometida, de que

Irás encontrar-te em frente dos amonitas. Não os ataques nem os provoques, porque não te darei em propriedade nenhuma terra dos filhos de Amon. Foi aos filhos de Lot que a dei em propriedade.

Dt 2, 19

Deus alertou-os para não se meterem com este povo, pagão, que sacrificava bebés e mulheres grávidas em louvor dos seus deuses. O Rei Saul combateu-os, tal como o Rei David. Mesmo assim, o rei Salomão desobedeceu ao Senhor e casou com uma mulher amonita, o que o levou a adorar os seus deuses pagãos e a esquecer-se d'Aquele que tanto amor lhe tinha oferecido na sua juventude ...

 

Mas voltemos ao rio Jordão, esse rio que, se pudesse, tinha tantas histórias para nos contar...

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Apesar de Moisés ter chegado a ver com os seus próprios olhos a Terra Prometida, a partir do topo do Monte Nebo, coube a Josué, herdeiro da nova geração, a tarefa de guiar, comandar e organizar todo o povo hebreu a partir do Monte Nebo e de voltar a conquistar a terra de Canaã, dada a Abrãao pelo Senhor.

O capítulo 3 do livro de Josué conta-nos como foi, para o povo hebreu, a proeza de atravessar as águas a pé enxuto, pela segunda vez na sua história ...

Logo pela manhã, Josué levan­tou o acampamento e partiu de Chi­tim com todos os filhos de Israel. Chegados ao Jordão, aí se detive­ram antes de o atravessar. Três dias de­pois, os chefes atravessaram o acam­­pamento e deram ao povo esta or­dem: «Quando virdes a Arca da aliança do Senhor vosso Deus, conduzida pelos sacerdotes levitas, dei­xareis o vosso acampamento e pôr-vos-eis a cami­nho atrás dela.

Josué disse, então, ao povo: «San­tificai-vos, por­que ama­nhã o Senhor vai fazer coi­sas ma­ravilhosas no meio de vós.»

O Senhor disse a Josué: «Hoje começarei a exaltar-te na presença de todo o Israel, para que se saiba que, assim como estive com Moisés, assim estarei também contigo. Hás-de ordenar aos sacerdotes que le­vam a Arca da aliança: ‘Quando che­gar­des ao Jordão, deter-vos-eis junto das suas águas.’»

Então, o povo, dobrando as suas tendas, preparou-se para passar o Jordão com os sacerdotes que cami­nhavam diante dele, transportando a Arca. Quando chegaram ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que trans­portavam a Arca entraram na água da margem do rio – de facto, o Jor­dão transborda e alaga as suas mar­gens durante todo o tempo da ceifa - en­tão, as águas que vi­nham de cima pa­raram e amontoa­ram-se numa grande extensão, até perto de Adam, loca­lidade situada nas proximidades de Sartan; as águas que desciam para o mar da Arabá, o Mar Salgado, essas fica­ram completamente separadas.

E o povo atravessou o rio em frente de Jericó. Os sacerdotes que trans­por­tavam a Arca da aliança do Se­nhor conservaram-se de pé, sobre o leito seco do Jordão, e todo o Israel o atra­vessou sem se molhar. Perma­nece­ram ali até todo o povo ter aca­bado de atravessar o Jordão.

Js 3, 1-3; 5; 7-8; 14-17

Com Moisés, o povo atravessou as águas do Mar Vermelho, deixando para trás a escravatura do Egipto; com Josué, as águas do rio Jordão, deixando para trás, finalmente, a idolatria aprendida no Egipto... 

Com Moisés, a nuvem do Senhor ía à frente do povo, indicando o caminho; com Josué, é a Arca da Aliança que lhes abre o caminho através das profundas águas das dúvidas e dos medos.... 

Tais feitos extraordinários só foram possíveis através de alguém com uma Fé forte e inabalável, tal como a de Moisés, tal como a de Josué. Aliás, o livro de Josué terminará com uma das passagens mais queridas às Famílias de Caná

Eu e a minha família serviremos o Senhor (Js 24,15)

 

Alguém consegue identificar que episódio bíblico aconteceu aqui? - pergunta-nos o Luai.

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Duas pessoas a atravessar um rio ... no céu, uma carruagem puxada por cavalos, envolta em fogo... um homem de joelhos a clamar aos céus ... Oh, sim, pois claro! É o arrebatamento do Profeta Elias até ao Céu!

Acon­­­teceu que, quando o Se­nhor quis arrebatar Elias ao céu, num re­de­moinho, Elias e Eliseu par­tiram de Guilgal.

Elias disse a Eli­seu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me a Betel.» Mas Eliseu respondeu-lhe: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei.» E desce­ram am­bos a Betel. 

Elias disse a Eliseu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me a Je­ricó.» Ele respondeu: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te dei­xa­rei.» E, assim, che­ga­ram a Jericó.

Elias disse a Eliseu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me ao Jordão.» Mas Eliseu res­­pondeu: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei.» E par­tiram juntos. 

Elias tomou o seu manto, dobrou-o e bateu com ele nas águas, que se separaram de um e de outro lado, de modo que pas­­saram os dois a pé enxuto. Tendo passado, Elias disse a Eliseu: «Pede o que quiseres, antes que eu seja se­pa­­rado de ti. Que posso fazer por ti?» Eliseu respondeu: «Seja-me con­ce­dida uma porção dupla do teu espí­rito.» Elias replicou: «Pedes uma coisa difícil. No entanto, se me vires quando estiver a ser arrebatado de junto de ti, terás aquilo que pedes; mas, se não me vires, não o terás.»

Continuando o seu caminho, en­­tre­­tidos a conversar, eis que, de re­pente, um carro de fogo e uns cava­­los de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu num redemoi­nho. Eliseu viu tudo isto e excla­mou: «Meu pai, meu pai! Carro e con­dutor de Israel!» E não o voltou a ver mais.

2 Rs 2, 1-2; 4; 6; 8-12

 

Elias é conhecido como sendo o pai dos profetas, um dos primeiros sobre quem o Salmista canta

Esta é a geração dos que O procuram,

dos que buscam a face do Deus de Jacob.

Sl 24, 6

Elias foi chamado por Deus numa das (diversas) alturas em que o povo hebreu se começava a esquecer do Senhor. A sua missão não foi nada fácil. Foi chamado, tal como anos mais tarde também João Baptista, a ir falar com o Rei e a ter coragem para lhe dizer, clara e publicamente, todos os seus pecados .... o que, claro, não foi nada bem recebido.

Claro que foi perseguido, claro que o tentaram matar, claro que foi obrigado a fugir para preservar a vida ... Tal como acontece até aos dias de hoje a todos nós, cristãos e católicos; mas a "morte" que nos procuram dar, quando proclamamos aquilo que é a Verdade, hoje em dia é diferente, é de outro estilo: "morte" por difamação e, especialmente, "morte" por ridicularização ... Sejamos corajosos para a enfrentar!

 

O Profeta Elias encontrou refúgio na casa duma pobre viúva e do seu filho único, que se preparavam para tomar a sua última refeição... mas que belo hotel me encontraste, Senhor! 

Uma mãozinha de farinha, umas gotas de azeite, era tudo o que tinham e ainda assim ofereceram-no ao Senhor - que lição tão grande e rica para todos nós  ... 

 

Elias, que chega a desafiar e vencer os 450 feiticeiros mais poderosos de Baal à frente do Rei, foge logo a seguir com medo da promessa de vingança de uma única mulher, Jezabel ... Záaas! passa do orgulho à humildade, em menos de nada.

Fugindo, Elias acaba por vaguear no deserto - o mesmo deserto que o povo hebreu tinha atravessado séculos antes - chegando até ao topo do monte Sinai, o mesmo monte onde Moisés conversou com Deus como um amigo, durante 40 dias e noites, até receber as tábuas dos Mandamentos.... 

Neste monte, Elias tentará esconder-se - de si mesmo, da sua própria cobardia, ou de Deus? - numa gruta escavada na rocha, mas nem aí consegue fugir da paixão que arde no seu coração ...

Ten­do chegado ao Horeb, Elias pas­sou a noite numa caverna, onde lhe foi di­rigida a palavra do Senhor: «Que fazes aí, Elias?»

Ele respondeu: «Es­tou a arder de zelo pelo Senhor, o Deus do uni­verso, porque os filhos de Israel aban­­donaram a tua aliança, derru­ba­ram os teus altares e assas­sinaram os teus profetas. Só eu esca­pei; mas também a mim me querem matar!»

11O Senhor disse-lhe então: «Sai e mantém-te neste monte, na pre­sença do Senhor; eis que o Se­nhor vai passar.»

Nesse momento, passou diante do Senhor um vento impe­tuoso e violento, que fendia as mon­tanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. De­pois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna.

Disse-lhe, então, uma voz: «Que fazes aqui, Elias?» Ele res­pon­deu: «Ardo em zelo pelo Senhor, Deus do uni­verso, porque os filhos de Israel aban­­donaram a tua alian­ça, derru­baram os teus altares e mata­ram os teus profetas. Só eu escapei; mas agora também me querem ma­tar a mim.»

O Senhor disse-lhe: «Vai e volta pelo caminho do deser­to, em direc­ção a Damasco.

1 Rs 19, 9-15

Porque foi Elias arrebatado aos Céus num carro de fogo?

Ora, um profeta que passou toda a sua vida a arder de zelo pelo Senhor, Deus do Universo, não podia ser recebido nos Céus de outra forma que não arrebatado num carro de fogo, pois não? 

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Conseguem ver a igreja lá ao fundo? É aí que se acredita que o profeta Elias foi arrebatado até aos Céus. 

 

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que Jacob lutou durante toda a noite com o anjo do Senhor ...

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que o Rei David mandou que colocassem Urias, o hitita, em plena frente de batalha, para que morresse, e assim pudesse casar com a sua esposa, Betsa­bé ... 

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que, anos mais tarde o Rei David se refugiou, fugindo do seu próprio filho Absalão que o tentara matar ...

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que o rei Herodes mandou decapitar João Baptista, a mando dum puro capricho duma jovem ...

Também foi aqui ...

 

Oh, havia ainda tanto para contar ... 

Mas o nosso autocarro chega finalmente à fronteira com Israel. 

Está na altura de seguirmos caminho; está na altura de entrarmos na Terra Prometida ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~