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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Na presença do sol, da lua e das estrelas (ainda o 4º dia da Criação)

Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; fez também as estrelasDeus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a Terra, para presidirem ao dia e à noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia. (Gn 1,14-19)

A narração do 4º dia da Criação leva-me a pensar em todos os episódios das Escrituras em que vemos simultaneamente presente o sol, Jesus, e a lua, Maria, mas também as diversas estrelas que os acompanham.

 

Penso na Anunciação do anjo Gabriel, a primeira estrela luminosa a aparecer no céu da Nova Criação, e no primeiro encontro terreno entre este sol e esta lua, fruto do "sim" humano mais importante na nossa História.

Penso na Visitação de Nossa Senhora, em Isabel e Zacarias, autênticas estrelas cintilantes de esperança, e na canção de louvor que brotou do coração de Maria, magnificando de forma incomparável a luz do Senhor.

Penso no nascimento de Jesus em Belém e no mistério da Encarnação. Deus que Se fez Homem, num corpo pequenino e frágil dum bebé, para que a Sua luz, tão forte e resplandecente, que facilmente seria capaz de nos cegar pela Sua grandeza, não nos assustasse nem por um segundo. Antes, fez-Se débil e vulnerável, de forma a nos atrair até junto de Si, para que pudéssemos ver, mais de perto, como é maravilhosa a luz que a lua, Maria, reflecte tão admiravelmente desde essa noite. E quantas estrelas não se juntaram no céu da Nova Criação nesse momento? José, o silencioso guia e protector da Sagrada Família; os humildes pastores, os últimos que se tornam em primeiros, e que tanto se alegraram com a glória do Senhor; os sábios magos, prudentes e conhecedores, tanto da direcção dos planos de Deus como das intenções do coração humano...

Sol, lua e estrelas.jpg

Imagem retirada daqui

Penso na Apresentação de Jesus no Templo, na luz proveniente deste pequeno sol, feito Menino de colo, a ser reflectido e espelhado na face de Sua Mãe, permitindo que Simeão e Ana, quais estrelas puras e expectantes, soubessem exactamente o caminho até bem junto de Deus.

Penso na Fuga repentina da Sagrada Família para o Egipto, na tentativa dos homens deste mundo de exterminarem qualquer raio de luz de amor ou misericórdia que possam vislumbrar. Como é verdade que, pensando no protector São José, é na noite mais escura, que melhor se vê a luz das estrelas...

Penso na Perda e no Reencontro de Jesus no Templo e em todas as vezes em que eu própria perdi de vista a luz e o calor do Senhor, para O reencontrar sempre no mesmo lugar em que O deixei, sozinho e para trás. Se ao menos eu, como a lua, Maria, demonstrou nesse dia, vivesse a mesma ânsia e angústia pela terrível separação com a sua primordial fonte de luz e vida ... Benditas sejam as estrelas, como São José, que nos acompanham nessa busca de novo pelo nosso sol perdido.

Penso nas Bodas de Caná, naquele que é talvez o exemplo mais perfeito para se compreender o papel do sol, Jesus, fonte de vida, a lua, Maria, conhecedora e reflectora da luz do Senhor, e das estrelas, como os Apóstolos, que começaram a acreditar no messianismo de Jesus a partir daquele dia, e assim começaram a ganhar coragem para difundirem a sua própria luz, oferecida pelo Senhor. 

Penso, por fim, no Calvário, no supremo e total derramamento do amor e misericórdia do Senhor, que a todos dá uma nova vida. Penso na Sua ternura, ao pedir a cada um de nós, Suas estrelas, para que cuidassemos da sua lua, a nossa professora exemplar na arte de magnificar e reflectir a luz do sol.

 

Não houve um só episódio em que o sol, Jesus, e a lua, Maria, estivessem juntos, sem estarem também presentes outras estrelas, numa maravilhosa escola de santidade para cada um de nós. E Deus desejou que assim fosse, desde o início da Criação ... 

O Sol e a Lua (o 4º dia da Criação)

Deus disse: «Haja luzeiros no firmamento dos céus, para separar o dia da noite e servirem de sinais, determinando as estações, os dias e os anos; servirão também de luzeiros no firmamento dos céus, para iluminarem a Terra.» E assim aconteceu. 

Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a Terra, para presidirem ao dia e à noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia. (Gn 1,14-19)

Um grande luzeiro, maior que qualquer outro, para presidir e guiar o nosso dia, para iluminar toda a terra e a separar das trevas ...

Se pensarmos no Senhor como o sol, podemos começar a delinear uma frutuosa analogia a partir destas palavras do livro do Génesis acerca do 4º dia da Criação. É em redor do sol que todos os planetas, asteróides e cometas giram. O sol encontra-se bem no centro do nosso Sistema Solar, chegando a dar-lhe um nome - Solar - e, assim, uma filiação e identidade única. Também o Senhor deseja encontrar-se no centro das nossas vidas, em redor do Qual nós nos movimentamos e direccionamos, de tal modo que possamos ser chamados de Seus filhos muito amados

É pela vontade do Senhor, à semelhança da energia que provém do sol, que tudo se move e ganha vida à Sua volta. Cristo é a verdadeira fonte de luz, através da Qual nós podemos ver todas as coisas exactamente como elas são, em vez de estarmos cegos na escuridão. Ele é a origem de toda a nossa vida. Tal como, sem a luz e o calor do sol, não poderia haver uma vida fértil e frutuosa na terra, assim também, sem o amor e a misericórdia do Senhor, não poderia haver tantos frutos e graças na nossa vida. 

Mesmo quando a terra se tenta esconder da luz do sol, virando-lhe as costas e abraçando a escuridão que a rodeia, mesmo assim a luz deste sol continua a brilhar, tão quente e acolhedora como sempre. Nós até podemos - e tentamos muitas vezes - esconder-nos desta luz, mas ela irá permanecer sempre lá, pronta para nos acolher no novo amanhecer do perdão.

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Imagem retirada daqui

Por outro lado, podemos pensar na lua como representando Maria. A lua parece ser um astro muito brilhante durante a noite, mas isto apenas ocorre porque ela reflecte, de forma extraordinária, a luz que lhe é transmitida pelo sol. Assim, à semelhança da lua, também Nossa Senhora reflecte, de forma extraordinária, a luz que irradia do seu Filho.

Apesar de a lua parecer que brilha intensamente - mais que qualquer outro astro - durante a noite, nem por isso rouba, por um só segundo sequer, o brilho da luz que provém do grande e belo sol, que ilumina o nosso dia e a nossa vida. O mesmo acontece com Maria e Jesus. 

Na verdade, se a lua não tivesse esta capacidade de reflectir tão perfeitamente a luz que lhe é oferecida pelo sol, não passaria de outro astro qualquer, sem especial valor. Mas é exactamente esta capacidade de reflectir, de magnificar, de glorificar a luz do Senhor, que distingue a Virgem Maria de qualquer outra estrela, de qualquer outro santo ou santa ... 

Tal como a lua passa todos os momentos da sua existência a girar à volta da terra, assim também Nossa Senhora aceitou dedicar-se por completo aos filhos que recebeu, das mãos de Jesus, junto à Cruz. Ela acompanha-nos em todas as etapas da nossa viagem em direção ao sol. Ela rodeia-nos, em todos os instantes, com carinhos e cuidados, preces e intercessões. 

Por fim, tal como a lua nos ajuda a regular a passagem das semanas, a compreender a melhor altura de plantar e de colher, a orientar a nossa migração e a acolher o movimento das marés, também Nossa Senhora nos ajuda e ensina a regular a nossa vida à imagem de Deus, a procurar a verdadeira sabedoria e a acolher as adversidades como oportunidades para crescermos em amor e santidade.

 

Sê, Senhor, o sol da minha vida, que tudo salva e vivifica.

E ensina-me, minha Mãe, a reflectir, a magnificar, a luz do amor do Senhor.

Amén!

As tentações no deserto (ainda o 3º dia da Criação)

O início do 3º dia da Criação relembra-nos a travessia do Mar Vermelho a pé enxuto pelo povo hebreu, fugindo da escravatura do Egipto e dirigindo-se para o grande deserto a que o Senhor os chamava a atravessar. 

"Recorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer durante quarenta anos pelo deserto, a fim de te tornar humilde, para te experimentar, para conhecer o teu coração" (Dt 8,2)

Também Jesus, após ter sido baptizado nas margens do rio Jordão, foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto - para nos mostrar a Sua humildade, para nos mostrar a pureza do Seu coração - como estava prefigurado na segunda parte do relato do 3º dia da Criação

Deus disse: «Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem fruto sobre a terra, segundo as suas espécies, e contendo semente.» E assim aconteceu. A terra produziu verdura, erva com semente, segundo a sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com a respectiva semente. Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia. (Gn 1,11-13)

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Imagem retirada daqui

Foram 3 os tipos de plantas que Deus fez brotar da terra seca recém criada, à semelhança das 3 tentações pelas quais Cristo passou nos 40 dias e 40 noites em que jejuou no deserto. Por 3 vezes, Satanás tentou que Jesus cedesse e se afastasse da Sua missão de Redenção da humanidade. Por 3 vezes, Satanás tentou reproduzir, na vida e figura de Jesus, a falta de confiança demonstrada neste deserto pelo povo hebreu, na Providência Divina e nas promessas do Senhor.

A primeira tentação foi a da procura do conforto e do prazer dos sentidos: «Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães» (Mt 4,3) - à semelhança do povo hebreu que murmurou contra Moisés e, assim, contra o Senhor, com medo de morrerem à fome no deserto. Mas Jesus relembra-nos que «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4).

A segunda tentação foi a da procura do poder e do controlo: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, que o Senhor Te sustentará» (Mt 4,6) - relembrando a ocasião em que o povo israelita, mais uma vez, duvidou das promessas do Senhor e exigiu um milagre, uma prova, do Seu amor e do Seu cuidado paternal. Mas não teria Deus já dado provas suficientes? Quão curta pode ser a nossa memória?

Por fim, a terceira tentação foi a da procura da própria glória e louvor: «Tudo isto [reinos e poderes do mundo] Te darei, se, prostrado, me adorares» (Mt 4,9) - Ah, a procura incessante do ser humano em ser adorado, admirado e glorificado. Como parece que queremos ser, sempre, fortes, grandes e importantes. Jesus, pelo contrário, aceitou tornar-se pequeno e humano, para chegar até junto de nós. Aceitou tornar-se escravo por amor, cordeiro sacrificial para nos salvar. «Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» (Mt 4,10) Tudo o que somos, tudo o que possuímos, tudo o que conseguimos, tudo isto é por graça e amor do Senhor.

Também nós, no nosso Baptismo, à semelhança de Cristo, somos chamados a renunciar a estas 3 tentações: ao conforto da nossa Carne, ao desejo de controlo sobre o Mundo e ao orgulho favorecido pelo Diabo

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Imagem retirada daqui

No deserto, o povo israelita deixou-se vencer pelo seu pecado e pela sua concupiscência, escolhendo esquecer-se e afastar-se do amor do Senhor. Jesus, pela Sua humildade, conseguiu restituir a infidelidade cometida, por mim e por ti, ao amor oferecido por Deus. E Jesus venceu, sem fazer nenhum feito extraordinário, sem fazer nenhum milagre. Ele venceu todas as tentações puramente através da sua humanidade, recitando de memória as promessas que o próprio Senhor tinha feito, ao longo dos tempos, ao seu povo escolhido e muito amado.

A vitória de Jesus sobre as tentações no deserto antecipa, desde já, a Sua vitória também na Paixão, o mais supremo acto de obediência ao amor do Pai.