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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

«Façamo-lo à Nossa imagem» (o 6º dia da Criação)

Deus disse: «Façamos o ser humano à Nossa imagem, à Nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.» Deus criou o ser humano à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» E assim aconteceu. Deus, vendo toda a Sua obra, considerou-a muito boa. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. (Gn 1, 26-28.31)

 

Eis que chegamos, por fim, ao 6º dia da história da Criação do mundo, o dia em que Deus se admirou da belíssima e maravilhosa obra das Suas mãos - o homem e a mulher - e a considerou não apenas boa, mas muito, muito boa... Uma maravilha de tal ordem que até aos dias de hoje nos cativa e fascina ...

Ao longo do ano de 2020, Deus levou-me a meditar largamente sobre os acontecimentos deste dia. Deste modo, deixo-vos o resumo de 3 destes textos meditativos, caso queiram ler para 1ª vez ou reler uma vez mais ... 

 

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Meditando sobre Adão, Eva e o desejo de semelhança com Deus

(Agosto de 2020)

No Jardim do Éden, Adão ensina-nos, com a sua confiança e abandono à vontade Divina, a tudo receber das mãos de Deus. A imagem da Santíssima Trindade revelada, desde o início, pela comunhão de amor entre Adão e Eva. O desejo intenso, presente em cada homem e em cada mulher, de se tornar semelhante a Deus, que corre o risco de se tornar em vontade de domínio e de posse sobre o outro ...

 

O divino Jardineiro

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(Maio de 2020)

A vocação de Adão, chamado a ser aquele que providencia, que governa, que cuida e protege, que inicia o amor. A vocação de Eva, chamada a acolher no seu seio, de receber o amor de Adão e de o frutificar, ao tornar o seu próprio ser num autêntico lar. A dúvida e a suspeita levantada pela serpente. A acusação mútua entre Adão e Eva. O divino Jardineiro, reconhecido por Maria Madalena às portas do túmulo de Jesus, que vem dar uma nova vida ao deserto do coração humano ...

 

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Pó da terra

(Março 2020)

No início de cada Quaresma, somos relembrados da nossa condição frágil, dependente, típica de seres criador por Outrem a partir do pó da terra, moldado em barro... O mesmo pó da terra que Jesus quis que cobrisse o Seu rosto durante toda a Sua paixão, redentora da humanidade caída, e assim a eleva-se Consigo, até ao Reino dos Céus ... 

 

As criaturas das águas e as criaturas do céu (5º dia da Criação)

Deus disse: «Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que por cima da terra voem aves, sob o firmamento dos céus.» Deus criou, segundo as suas espécies, os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom. Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar e multipliquem-se as aves sobre a terra.» Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia. (Gn 1, 20-23)

A narração do 5º dia da Criação convida-nos a reflectir de novo na dicotomia do povo judeu sobre as águas do mar em oposição ao céu. Como já explorámos anteriormente, para o povo judeu as águas do mar representavam o local da morte e de julgamento do homem.

Em pleno mar, todos os homens, sem excepção, estavam sujeitos às mesmas forças e ao mesmo juízo das ondas e do vento. Os pescadores lançavam-se ao mar, mal a madrugada começava, estando ainda tudo escuro à sua volta. Decidiam quando iam; mas nunca poderiam saber se voltariam para as suas casas com vida.

Hoje, estamos habituados a ver o fundo do mar como um local colorido, cheio de formas estranhas, de peixes curiosos, de formas de vida surpreendentes. Mas, se perguntassem a um judeu, como pensava que era o fundo do mar, certamente que receberiam como resposta - "Como sabes tu que o mar tem fundo? Quem lá se aventurou, nunca voltou para contar o que viu ... Deve ser um autêntico vazio de morte, sem absolutamente nada ..."

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Imagem retirada daqui

Assim, as águas eram vistas como instáveis e traiçoeiras, insondáveis e perigosas, e os animais que lá viviam não eram olhados de forma diferente. Afinal, as criaturas do mar habitavam num local onde a escuridão parecia dominar e onde forças invisíveis pareciam comandar tudo o que acontecia. 

Penso no profeta Jonas, que tentou fugir do chamamento do Senhor e que acabou por ser lançado ao mar e engolido por uma baleia, uma criatura proveniente destas águas obscuras e malignas. A sua história serve-nos de aviso, acerca do que sempre nos acontecerá quando fugimos deliberadamente da vontade de Deus. Ao escolhermos fugir da terra, preparada para nós para ser um local sólido e seguro, ao virarmos as costas à vontade do Senhor, estamos a escolher lançar-nos nas águas do Abismo, ficando à mercê do maligno e das suas criaturas. Na verdade, Jonas só foi libertado do buraco escuro onde tinha aceitado esconder-se, após confessar o seu pecado, implorando a misericórdia de Deus e abrindo-se de novo à graça do Senhor, que o trouxe em segurança para terra firme. Agora sim, depois de viver este episódio marcante e reestruturante, Jonas estava preparado para anunciar, a todos os habitantes da cidade de Nínive, o quão Deus estava próximo de cada um deles ...

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Imagem retirada daqui

Em contraste com as perigosas e traiçoeiras criaturas do mar, são-nos apresentadas as aves do céu: livres como uma alma recém Baptizada, leves como uma alma recém Confessada, pequenas e humildes como Jesus nos incentiva a tornar-nos para conseguirmos entrar no Reino dos Céus ... 

Os pássaros passam as suas vidas a voar no céu aberto, que representa a morada eterna de Deus, aquela que os nossos corações tanto desejam alcançar. E, talvez por isso, tenhamos associado a imagem dos Anjos à destes seres alados e voadores, que habitam continuamente na presença de Deus.

Sempre achei fascinante como as aves conseguem parecer, simultaneamente, frágeis e fortes: frágeis pela sua constituição delicada; fortes por serem capazes de enfrentar vento e chuva, continuando a voar e a cantar ...

Pensar em aves do céu faz-me logo lembrar da representação do Espírito Santo na forma duma pomba, pura e branca, como nos é relatado no episódio do Baptismo de Jesus, ao sair das águas do rio Jordão. Lembro-me também do convite de Jesus, a abandonar as nossas preocupações e inquietações e a confiarmos na Providência Divina, que cuida de tudo nas nossas vidas com tanto amor e delicadeza, atenta a cada pequeno pormenor

Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? (Mt 6,26)

 

Agora, percebo melhor porque é que o Apóstolo João, ao terminar as suas visões sobre o fim do mundo e o Juízo Final, nos descreve que:

"Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia." (Ap 21,1)

Na vida eterna, na Jerusalém celeste, onde serão recebidos todos os que amam o Senhor, haverá uma nova terra e um novo céu, renovadas e purificadas para nos acolher; mas o mar, esse local de morte e castigo, jamais existirá no Reino dos Céus, jamais voltará a ser visto ou sequer lembrado... 

Maranata, vem Senhor Jesus!