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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 11 a 15

 

Catequese 11) Eclesiastes, a noite incerta do sentido e das coisas da vida

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Diante duma realidade que às vezes parece abrigar todos os opostos, reservando-lhes o mesmo destino, ou seja, cada um deles resulta em nada, o ser humano experimenta o desencanto, sentindo-se tentado a viver na indiferença: tudo vale o mesmo! Ao princípio, o conhecimento que nos isenta da moralidade parece fonte de liberdade, de energia, mas não tarda a transformar-se em paralisia da alma. Eclesiastes, com a sua ironia, desmascara este delírio de omnisciência que gera uma impotência da vontade, fazendo-lhe perder a paixão pela justiça e consequente luta pelo seu triunfo. A contínua oscilação entre o sentido e a falta do mesmo na existência é a representação irónica dum conhecimento da vida que se desligou da paixão pela justiça e caiu na indiferença, chegando ao desencanto de Eclesiastes: «Vaidade das vaidades, tudo é vaidade»! Tudo é nevoeiro, fumaça, vazio... No mundo atual, a passagem por esta crise – uma crise saudável – tornou-se crucial, pois uma cultura que pretenda ser a medida de tudo e manipular tudo, acaba produzindo uma desmoralização coletiva na busca do sentido da vida. O livro de Eclesiastes oferece-nos uma espécie de intuição negativa, que pode surgir em qualquer época da vida, mas não há dúvida de que a velhice torna quase inevitável o encontro com este desencanto. É, pois, decisiva a resistência dos idosos aos efeitos desmoralizadores deste desencanto: se os idosos, que já viram tudo, mantêm intacta a sua paixão pela justiça, então há esperança de amor e também de fé. Idosos cheios de sabedoria e humor fazem muito bem aos jovens. Salvam-nos dum conhecimento triste e sem sabedoria e reconduzem-nos à promessa de Jesus: «Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados».

 

 

 

Catequese 12 - "Não me abandones quando meu vigor se extingue!" (Sal 71,9)

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Na leitura inicial, o ancião volta-se para Deus numa daquelas situações de abandono, fraude e prepotência, que às vezes assolam o tempo da velhice. Acontece lermos nos jornais ou ouvirmos nos noticiários casos de idosos a quem roubam as suas economias, abandonam sem cuidados ou intimidam, desprezando os seus direitos. Inclusive em ambientes familiares, vemos idosos expropriados da sua pensão de ancianidade e até mesmo da sua casa. Quem explora assim a fragilidade humana, devia sentir vergonha. É, portanto, urgente que a sociedade se dedique com seriedade a cuidar dos seus idosos, combatendo a cultura do descarte. Perguntemo-nos: por que motivo a civilização moderna e a política se mostram tão insensíveis à dignidade de conviver com os idosos e os doentes? O ancião do salmo, quando lhe fizeram ver a sua velhice como uma derrota, reencontrou a confiança em Deus, ganhando forças na oração: «Não me abandones, Senhor, quando já não tiver forças» (Sal 71, 9). Os idosos, na sua debilidade, ensinam-nos que todos temos necessidade de nos entregar a Deus; chamemos-lhe o “magistério da fragilidade”, que é capaz de abrir um horizonte decisivo para a reforma da nossa civilização. Aproveite-mo-lo!

 

 

 

Catequese 13 - Nicodemos - "Como pode um homem nascer, sendo já velho?" (Jo 3,4)

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Nicodemos, um dos chefes dos Judeus, está entre as pessoas idosas mais relevantes nos Evangelhos. No seu diálogo com o divino Mestre manifesta-se o coração da Revelação de Jesus e de sua missão redentora: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Quando Jesus lhe diz que é preciso “nascer do Alto”, Nicodemos apresenta como objeção a velhice. Mas, à luz da palavra de Jesus em resposta a esta objeção, descobrimos que a velhice não é um obstáculo a este novo nascimento, e sim o tempo oportuno para entendê-lo. O “nascimento do Alto”, que nos permite entrar no reino de Deus, é uma nova geração no Espírito. A vida em nossa carne mortal é uma belíssima obra inacabada, como algumas obras de arte que, apesar de incompletas, possuem um fascínio único. Porque a nossa vida aqui na terra é iniciação, e não consumação. A fé, que acolhe o anúncio evangélico do reino de Deus ao qual estamos destinados, nos torna capazes de ver os sinais de esperança nesta nova vida em Deus. A velhice é a condição na qual o milagre do “nascimento do alto” pode ser assimilado intimamente e tornar-se sinal de credibilidade para a humanidade.

 

 

 

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 6 a 10

 

6) «Honra o pai e a mãe»: o amor pela vida vivida

 

Este amor especial que abre o caminho sob a forma de honra – isto é, ternura e respeito ao mesmo tempo – destinado à idade avançada é selado pelo mandamento de Deus. «Honrar pai e mãe» é um compromisso solene, o primeiro da “segunda tábua” dos dez mandamentos. Não se trata apenas do próprio pai e da própria mãe. Trata-se da geração e das gerações que precedem, cuja despedida pode também ser lenta e prolongada, criando um tempo e espaço de convivência duradouro com as outras idades da vida. Por outras palavras, trata-se da velhice da vida.

Honra é uma boa palavra para enquadrar este âmbito de restituição do amor que diz respeito à velhice. Isto é, recebemos o amor dos pais, dos avós e agora restituímos este amor a eles, aos idosos, aos avós. Hoje redescobrimos o termo “dignidade”, para indicar o valor de respeitar e cuidar da vida de todos. Dignidade, aqui, equivale essencialmente à honra: honrar pai e mãe, honrar os idosos é reconhecer a dignidade que têm.

 

 

 

A história de Rute nos fala da beleza dos laços familiares, que nascem da relação esponsal, mas que vão além desta. São laços de amor capazes de projetar esperança, mesmo nas conjunturas – por vezes dramáticas – da vida familiar. Sabemos que os lugares-comuns sobre alguns laços familiares, sobretudo aquele entre sogra e nora, possuem uma conotação negativa. Neste ponto, a Palavra de Deus se torna ainda mais preciosa, pois traz-nos um testemunho que supera os preconceitos mais comuns. Convido-vos a redescobrir o livro de Rute! Este contém um ensinamento precioso sobre a aliança entre as gerações: a juventude revela-se capaz de dar entusiasmo à idade madura, e a velhice descobre-se capaz de reabrir horizontes de futuro à juventude ferida. A fé e o amor são capazes de recompor as fraturas – aparentemente insuperáveis – geradas pelos preconceitos comuns. Se os jovens se abrirem à gratidão por tudo o que receberam e os idosos tomarem a iniciativa de repropor seu futuro, nada poderá frear o florescimento das bênçãos de Deus entre os povos! Que Ele nos conceda sermos testemunhas e mediadores destas bênçãos!

 

 

 

Catequese 8) Eleazar, a coerência da fé, herança da honra

 

Um decreto do rei Antíoco Epífanes obrigava os judeus a comer carne imolada aos ídolos. Os executores do decreto, pela amizade que nutriam por Eleázar, sugeriam-lhe fingir que a comia, mas sem realmente o fazer; deste modo teria a vida salva. Afinal – insistiam eles – era um gesto mínimo, insignificante. Não é assim! – retorquiu Eleázar. Um idoso que concordasse em considerar irrelevante a prática da fé, levaria os jovens acreditar que a fé não tem verdadeira relação com a vida, tratando-se apenas dum conjunto de atitudes e costumes que poderiam, em caso de necessidade, ser simulados ou disfarçados. Tal comportamento não honraria a fé, mesmo diante de Deus, e o efeito desta banalização seria devastador para os jovens. Uma pessoa idosa, que tivesse vivido os seus dias na coerência da fé e agora aceitasse fingir, levaria a nova geração a pensar que tal fé era uma ficção, uma cobertura externa que poderia ser abandonada com a desculpa de manter a fé dentro de si mesma. Claro, sabemos que a prática da fé pode cair numa exterioridade sem alma; mas, em si mesma, não o é. A fé merece respeito e honra: mudou a nossa vida, purificou a nossa mente, ensinou-nos a adoração a Deus e o amor ao próximo. É uma bênção para todos! Não podemos trocá-la por um punhado de dias tranquilos. Com humilde firmeza, demonstraremos, precisamente na nossa velhice, que acreditar não é «coisa de velhos». Para isso podemos contar com a ajuda do Espírito Santo, que faz novas todas as coisas.

 

 

 

Catequese 9) Judite. Uma juventude admirável, uma velhice generosa

 

Hoje temos diante dos olhos Judite, uma heroína judia, que, na última parte da sua vida, se retirou para uma propriedade que possuía na cidade de Betúlia. Dir-se-ia que tinha chegado, para ela, a hora de se aposentar. Para muitos, esse momento é desejado, porque significa um descanso merecido. Porém, acontece também que o fim do trabalho origina preocupação e apreensão, porque afeta as relações construídas, altera a função exercida na sociedade com o reconhecimento que lhe pertence, toca a satisfação de ganhar a vida. Claro que surge uma maior disponibilidade para a tarefa alegre e exigente de cuidar dos netos, transmitindo-lhes a força da ternura e o respeito pela fragilidade, mas nem sempre as circunstâncias o favorecem. Judite, por exemplo, ficou viúva muito cedo e não tinha filhos, mas isso não foi impedimento para viver a velhice em plenitude e com serenidade, correspondendo inteiramente ao chamamento e à missão que o Senhor lhe confiou. Judite não é uma aposentada que vive melancolicamente: é uma idosa apaixonada que enche de beleza o tempo que Deus lhe dá. Aproveitou a velhice para ir deixando sabedoria e ternura à família e à comunidade: uma herança de bem e não apenas uma herança de bens. Inclusive, Judite libertou a sua escrava, o que simboliza o seu olhar atento e humano. Quando se envelhece, o olhar interior torna-se capaz de ver coisas que antes escapavam. Que as nossas comunidades não desperdicem os dons de tantos idosos!

 

 

 

Catequese 10) Job. A prova da fé, a bênção da espera

 

Hoje, no nosso caminho nestas catequeses sobre a velhice, encontramos Job, testemunha da fé que não aceita uma “caricatura” de Deus, mas eleva o seu grito diante do mal até que Deus lhe responda e revele o seu rosto. Deus lhe responde, revelando-lhe a ternura que se escondia por detrás do seu silêncio. Apesar do seu impetuoso protesto, o Senhor afirma que Job expressou-se bem, por ter rejeitado aceitar que Deus fosse um “Perseguidor”. Em prêmio, Deus restitui a Job o dobro de todos os seus bens, depois de pedir-lhe que rezasse por seus amigos. A parábola do livro de Job representa de modo dramático o que pode acontecer em nossa vida: algumas pessoas são golpeadas por uma série de males que, muitas vezes, parece excessiva e injusta. Todos conhecemos pessoas assim e ficamos impressionados com o seu grito diante do sofrimento, mas ficamos também admirados diante da firmeza de sua fé e de seu amor. Os idosos que, tendo visto tantas experiências semelhantes em suas vidas, encontram o caminho do testemunho que converte o ressentimento pelas perdas em tenaz esperança nas promessas de Deus, tornam-se insubstituíveis para que a comunidade possa superar o excesso do mal.