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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Festa do Pai Nosso

- Esta vai ser a primeira vez que vou à missa! - disse-me uma menina na catequese deste sábado, numa voz cheia de entusiasmo

- Eu também!

- Também eu!

- E a minha também! - disseram os outros meninos e meninas, também eles cheios de entusiasmo e expectativa. Estavam empolgados com a missa do dia seguinte, porque nessa Eucaristia iríamos celebrar a Festa do Pai Nosso, dos meninos do 2º ano de catequese. 

 

Tenho de fazer um esforço para não pensar na pena e tristeza que sinto, sempre que me apercebo que a grande maioria dos 25 meninos da minha catequese não vem à missa .... nunca. Por mais que eu os convide (e aos pais e avós) todas as semanas, dentro destes 25, apenas 3 vêm regularmente à missa. Outros tantos vêm às vezes. Os restantes.... nunca vieram ao longo do ano porque, apercebi-me neste sábado, nunca vieram nas suas pequenas vidas.

 

- Quer dizer - retomou a primeira menina - a primeira vez não é, porque a minha mãe diz que houve uma no meu baptizado, mas aí eu era pequena e não me lembro de nada!... E várias vozes de concordância seguem a sua resposta.

 

Desta vez, recuso a deixar-me levar por pensamentos de derrota e de desânimo, como nas outras catequeses. Agarro-me às suas vozes de entusiasmo por irem pela primeira vez à missa. Estão realmente empolgados! 

Eu quero crer que este entusiasmo venha, não só por ser a primeira vez que vêm ou apenas porque vai ser a "sua" Festa do Pai Nosso, mas também por todas as conversas que já tivemos na catequese acerca da missa, de como é a missa e do que acontece na missa; mas, mais importante que tudo, vejo a Fé a desabrochar nos seus corações. 

 

Deviam ver também as carinhas de felicidade dos meninos que vêm regulamente à missa - esses sim, não conseguiam caber em si de contentes!! Não só por terem finalmente a companhia dos seus amigos mas também porque já sabem reconhecer a importância da Santa Missa.

 

Oh, Deus meu, que eles venham e que voltem!

Esta é uma das preces que eu mais rezo. Que eles, os Teus filhos pródigos, dispersos, cheios de dor e com tanta falta do Teu amor e misericórdia, que eles voltem para casa!

 

Penso que conhecem a velha máxima de Santo Inácio de Loyola

Trabalha, como se tudo dependesse de ti, e confia, como se tudo dependesse de Deus

 

Eu quero cativar aquelas crianças, mas principalmente os seus pais e avós, que desta vez aceitaram o meu quinquagésimo terceiro convite para virem à missa. Quero cativá-los para que voltem mais vezes!

 

Portanto mãos à obra, há uma Eucaristia para embelezar!

E que bênção é poder contar com a catequista do outro grupo do 2º ano, com a sua experiência, bom senso e abertura para novas ideias e sugestões. Conversas e conversas e conversas, emails e telefonemas, emails e telefonemas ....

Finalmente, tudo está organizado e dividido. Inacreditavelmente, em ambos os grupos, tanto os meninos como os pais, parece que todos aceitaram participar e ajudar em alguma coisa durante a missa. Glória a Deus! 

 

Voltemos ao dia de ontem, sábado de manhã, na catequese, véspera da Festa do Pai Nosso, onde decorreu aquele pequeno diálogo. Há uma grande actividade para preparar para o dia seguinte .... Shiu! Não contém a ninguém o que é! É surpresa!

 

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Eu desenhei este mega-cartaz, para colocar à frente do altar na igreja. Não sei se dá para perceber muito bem, mas é composto por 2 cartolinas. Cada grupo de catequese pintou uma metade (uma cartolina) deste cartaz, sem saber como o outro grupo pintara a sua parte. Uns usaram lápis de cor, outros lápis de cera, algumas tintas e colas brilhantes... foi uma divertida confusão, todos queriam ajudar a pintar!

 

Eu tirei esta ideia do cartaz deste blog maravilhoso, que tem montes de ideias de trabalhos manuais para a catequese (apesar de ser escrito por uma catequista da igreja Anglicana)!

Depois de os meninos terem pintado o cartaz, eu reforcei os contornos dos desenhos com marcador preto e colei sobre cartão grosso para fortificar um pouquinho ... 

 

É domingo de manhã, o despertador toca e eu salto da cama, abrindo logo a janela mais próxima. Oh não! Chuva! Chuva, chuva e mais chuva! Vai estragar tudo!

Sim, choveu e bem ... até à exacta hora em que devíamos fazer a nossa entrada pela porta principal da igreja, dois a dois, num belo comboio com quase 40 crianças, à frente do Sr Padre e dos acólitos. A igreja está cheia de pessoas, que bom! Mas ai que vergonha, estão todos a olhar para nós!

 

Inacreditavelmente, ninguém tropeça nem cai ao ajoelhar-se à frente do Sacrário, ninguém empurra nem corre. Ena, eles estão a portar-se bem! E estão a ir direitinhos para os seus lugares! Mas que bem!

A missa pareceu-me um sonho - correu tudo tão bem! Tão bem! Todas as nossas ideias resultaram! E estão todos a cantar, ena!!

Subimos todos ao altar para rezarmos de mãos dadas a maravilhosa oração do Pai Nosso, que une sempre todas as pessoas que estão presentes na missa. Não importa se vêm sempre à missa, se participam na paróquia ou se há anos que não vinham - toda a gente sabe, de coração, a oração do Pai Nosso, e apenas isso é digno de louvor e de acção de graças!

 

Já no final da missa, algumas crianças reúnem-se à frente do altar, para algumas orações finais, enquanto outras elevam cartolinas coloridas com as frases do Pai Nosso, para toda a assembleia ver:

"Jesus obrigado:

Obrigado por nos ensinares que o Teu Pai também é nosso Pai,
Obrigado por nos ensinares que o Seu nome é santo e que também nós podemos ser santos,
Obrigado por nos ensinares que também nós podemos ajudar a construir o Reino de Deus, 
Obrigado por nos ensinares a importância de fazer o bem, e que através das nossas boas acções fazemos a vontade de Deus,
Obrigado por nos ensinares que o pão é vida, por nos ensinares a pedir pão para todas as pessoas, todos os dias,
Obrigado por nos ensinares que Deus tudo perdoa,
Obrigado por nos ensinares a perdoar,
Obrigado por nos ensinares que podemos pedir forças a Deus para sermos corajosos e fortes, para não fazermos o mal, mas sim o bem,
Obrigado por nos ensinares a falar com o nosso Pai que está no Céu e em todos os nossos corações."
Catequista Maria Teresa Capela

A missa terminou com muita alegria, muitos beijinhos e abraços e sorrisos ... e com alguns chocolates também - afinal é dia de festa!

 

Oh, é verdade - querem ver como ficou o cartaz? Digam lá se não ficou bonito!

Cartaz 2.jpg

 

Cartaz 3.jpg

 

Será que resultou? Será que voltam noutro dia?

Não sei, só Deus saberá. Porque só Deus, pela sua extraordinária graça, pode mudar os corações - daqueles que aceitarem essa graça. Eu, pelo menos, vou passar o resto do dia a cantar

A Ti (a Ti), Senhor (Senhor), meu Deus (meu Deus);

A Ti (a Ti), Senhor (Senhor), meu Deus (meu Deus)!

Te dou tudo o que sou

Tudo o que sou, Senhor, a Ti, tudo Te dou.

 

Meu coração e minhas mãos
Minha pobreza, tudo te dou.
Minha ternura, minha amargura.
O pão e o vinho da minha vida.

Vocação, missão e descanso em Deus

"Fomos criados por Deus para o descanso!"

 

O quê?? Eu ouvi bem??

Mais de 100 pessoas ficam a olhar, perplexas, para o sr. Pe José Pinheiro, no passado sábado dia 2 de Março, no início do retiro quaresmal para catequistas, a nível diocesano, que decorreu no nosso belíssimo Seminário em Almada.

 

"Sim, ouviram bem, Deus criou-nos para descansarmos Nele!"

Na verdade, já Santo Agostinho afirmava

Criaste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em Vós!

 

Mas não se enganem: descansar em Deus é muito diferente de não fazer nada. Aliás, envolve até fazermos muita coisa, dizer Sim a Deus muitas e muitas e muitas vezes - quando apetece e quando não apetece, quando dá jeito e quando não dá jeito nenhum, quando posso e mesmo quando não posso...

Mas devemos fazer tudo isso, com o nosso coração em paz, nas mãos de Deus, no exacto local onde ele pertence. Só encontramos verdadeiro descanso para a nossa alma, um descanso permanente, seguro, eterno, quando encontramos Deus e a Ele oferecermos a nossa pobre alma e aceitarmos descansar Nele.

 

rest in jesus.jpg

Imagem retirada daqui

 

Existem muitas pessoas que descansam demais (quantos exemplos podemos nós encontrar nos Evangelhos... e nas nossas vidas!)... ou melhor dizendo, usam essa desculpa para permanecerem estacionários no conforto das suas vidas

Outras, pelo contrário, não conseguem ficar quietas, fazem, fazem e fazem, como autênticas Martas... mas esquecem-se ou desvalorizam aquilo que é mais importante - conhecer e amar Deus, crescer todos os dias em intimidade com Ele, deixar que Ele nos fale ao coração, que cuide das nossas feridas, que nos ensine o caminho a seguir, e que desta relação de amor transborde abundantemente o amor pelo próximo.

Não importa o quão cheia ou agitada ou preenchida a nossa vida esteja. Pelo menos um momento de oração por dia é absolutamente essencial nas nossas vidas. Essencial! Imprescindível!

Porque

«Sem Mim, nada podeis fazer»   Jo 15,5

 

Cada um de nós tem uma vocação, um chamamento por parte de Deus, para sermos santos. Santos! Conseguem imaginar-vos santos? Eu não consigo imaginar-me! Mas o olhar de Deus vai sempre mais longe que o nosso...

Esta nossa vocação tem ser descoberta - alguns mais cedo, outros mais tarde na vida. E quando a descobrimos, devemos olhá-la com verdadeiro espanto (Tu queres-me a mim, Senhor?!), com verdadeira humildade (Oh Senhor, mas eu não sou digno!) e com verdadeiro agradecimento (Se Tu queres Jesus, então eu também quero!).

A nossa vocação surge do nosso encontro pessoal com Jesus. Eu não escolho a minha vocação - Deus escolhe. E por mais que eu a negue e que tente fugir e dizer que não, a nossa vocação é incontornável. Aceitarmos a vocação de Deus é o único, único caminho que sacia completamente e que me traz felicidade verdadeira.

Ao procurarmos Jesus, descobrimos depois a nossa missão; do nosso encontro com Jesus, brota uma missão. Enquanto a vocação à santidade é universal, é para todos, a missão que Deus tem para cada um de nós é única, irrepetível, personalizada. Ninguém a poderá fazer por mim. Tenho mesmo de ser eu. Só podia ser eu a fazê-la.

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Imagem retirada daqui

 

Ser catequista faz parte da missão que Deus escolheu para mim.

Partindo sempre do meu encontro pessoal, íntimo, familiar, de pleno amor, com Deus, eu devo dar testemunho aos outros, devo apontar o caminho, devo partilhar as maravilhas que Deus continuamente faz na minha vida, devo evangelizar, sempre, em todos os momentos, em todos os lugares, não apenas na sala de catequese.

 

Sábado foi um dia muito chuvoso, com muito vento e trovoada. Na hora de meditação pessoal durante o retiro, senti-me a ser chamada numa dada direção no Seminário. Eu já devia ter adivinhado quem seria - claro que fui encontrar uma bela estátua de Nossa Senhora, bem ali, à minha espera. Fiquei toda molhada, mas nem dei conta.

Ali, no meio dos trovões, da chuva, do vento, não pude deixar de reparar num pequeno passarinho que insistia em continuar a cantar - e que bem que cantava. Quanto mais chovia, mais trovejava, mais ele cantava! Que eu assim seja também ...

 

Para terminar, queria apenas partilhar convosco algumas ideias (já antigas, ao que parece) do nosso querido Papa Francisco (mas que eu nunca tinha lido antes!) para manifestarmos visivelmente o amor de Deus durante a Quaresma (e que foram partilhadas connosco durante o retiro).

 

15 actos de caridade como manifestações concretas de amor

  • Sorrir - um cristão é sempre alegre
  • Agradecer - embora não "precise" fazê-lo
  • Lembrar o outro quanto o amamos
  • Cumprimentar com alegria as pessoas que vemos todos os dias
  • Ouvir pacientemente a história do outro, sem julgamento, com amor
  • Parar para ajudar - estar atento a quem precisa de mim
  • Animar alguém
  • Reconhecer os sucessos e as qualidades do outro
  • Separar o que não se usa e dar a quem precisa
  • Ajudar alguém, para que possa descansar
  • Corrigir com amor - não calar por medo
  • Ter pequenas delicadezas para quem está perto de nós
  • Limpar o que se suja em casa
  • Ajudar os outros a superar os seus obstáculos
  • Telefonar aos nossos pais

 

E agora, para coisas ainda mais dificeis

O melhor jejum

  • Jejum de palavras negativas e abundância de palavras bondosas
  • Jejum de descontentamento e abundância de gratidão
  • Jejum de raiva e abundância de mansidão e paciência
  • Jejum de pessimismo e abundância de esperança e optimismo
  • Jejum de preocupações e abundância de confiança em Deus
  • Jejum de queixas e abundância de agradecimento pelas coisas simples da vida
  • Jejum de tensões e abundância de orações
  • Jejum de amargura e tristeza e abundância de alegria no coração
  • Jejum de egoísmo e abundância de compaixão pelos outros
  • Jejum de falta de perdão e abundância de gestos de reconciliação
  • Jejum de palavras e abundância de silêncio para ouvir os outros

A continuação duma santa Quaresma para todos!

Ser luz

Nós somos chamados a sermos uma luz - como uma pequena chama duma velinha branca - num mundo que está cheio de luz artificial eléctrica.

Quem vive no conforto da luz artificial não consegue ver a nossa luzinha de vela; aqueles que até a conseguem ver, não percebem para que serve ou não compreendem porque insistimos em mantê-la acesa - num mundo cheio de luz artificial. Para quê? Porquê?

 

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Imagem retirada daqui

 

No meu trabalho no hospital, quando alguém descobre que eu sou catequista, não é costume ouvir nenhum comentário entusiástico nem incentivador. Não é adequado um médico ter religião ... porque pode interferir.

Os meus colegas não compreendem porquê é que eu haveria de gastar o meu tempo com essas coisas.... eu devia era sair, viajar, gastar o meu ordenado em jantares e prendas e aproveitar a vida.

A minha família pergunta-me várias vezes porque é que eu passo tanto tempo na igreja, envolvida em tantas coisas? Missas e missas e missas, reuniões, encontros, actividades, catequese, vias sacras ... para quê? perguntam-me sempre.

 

Para ser sincera, eu própria às vezes me pergunto se todas as horas que eu invisto em preparar a catequese terá algum valor ... Tantas horas a desenvolver ideias para que as catequeses sejam estimulantes, que ensinem pelo exemplo, que toquem os corações de todos os meninos, que os façam não só saber mas compreender e querer viver ...

Aqueles meninos de 7 anos nunca se vão lembrar de mim quando forem adultos. Não se vão lembrar de grande parte das coisas que eu lhes tentei ensinar. 

Que posso fazer eu, quando os pais não vêm à missa, não querem saber da igreja, e só põem os filhos na catequese como se fosse outra actividade extra-curricular como a natação ou o ballet? Ou apenas para poderem fazer a primeira comunhão? 

Que diferença farei eu nas suas vidas? Que diferença faz aquilo que eu faço?...

 

Há dias difíceis, em que me deixo engolir por essas vozes e pensamentos, em que apetece desistir de tudo. Sim, há dias assim; poucos dias, pela graça de Deus, mas existem.

Nestas alturas, Deus tem sempre o enorme carinho de me enviar um anjo, na forma duma pessoa, que me incentiva, que me anima, que me compreende e que partilha comigo situações parecidas. Ou então descubro uma reflexão de alguém no facebook ou em algum site ou num livro, que reflecte as minhas duvidas e que me ajuda a encontrar soluções.

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Imagem retirada daqui

 

Sim, aquilo que eu faço, aos olhos do mundo, não é quase nada. Não tem qualquer valor. É insignificante. É tempo mal gasto. Não me faz ganhar nada, aliás, só me faz perder....

Não consigo deixar de sorrir ao escrever este texto. As pessoas não compreendem nada! Não compreendem o que verdadeiramente tem valor!

 

"Perante um mundo fragmentado, (...) perante a experiência dolorosa da nossa própria fragilidade, torna-se necessário e urgente, atrever-me-ia mesmo a dizer imprescindível, aprofundar a oração e a adoração. Ela nos ajudará a unificar o nosso coração e nos dará «entranhas de misericórdia», para sermos homens de encontro e comunhão, que assumem como vocação própria tomarem a seu cargo a ferida do irmão (...) dando testemunho de um Deus tão próximo, tão Outro: Pai, Irmão e Espírito; Pão, Companheiro de Caminho e dador de Vida (...)

Hoje, mais do que nunca, é necessário adorar para tornar possível a "proximidade" que reclamam estes tempos de crise. Só na contemplação do mistério do Amor que vence distâncias e se torna perto encontraremos a força para não cair na tentação de seguir de longe, sem nos determos no caminho... (...)

Também nós, perante esta nova invasão pseudocultural que nos apresenta os novos rostos pagãos dos «baalins» do passado, experimentamos a desproporção de forças e a pequenez do enviado. Mas é justamente a partir da experiência da própria fragilidade que se evidencia a força do alto, a presença d'Aquele que é o nosso garante e a nossa paz.

Por isso, quero convidar-vos (...) a que reconheçais na vossa fragilidade o tesouro escondido, que confunde os soberbos e derruba os poderosos. Hoje, o Senhor convida-nos a abraçar a nossa fragilidade como fonte de um grande tesouro evangelizador. (...)

Porque só aquele que se reconhece vulnerável é capaz de uma acção solidária. Pois comovermo-nos («movermo-nos com»), compadecermo-nos («padecermos com») de quem está caído à beira do caminho são atitudes de quem sabe reconhecer no outro a sua própria imagem, mescla de terra e tesouro, e por isso não a rejeita. Pelo contrário, ama-a, aproxima-se dela e, sem o procurar, descobre que as feridas que cura no irmão são unguento para as suas. A compaixão converte-se em comunhão, em ponte que aproxima e estreita laços. (...)

Não tenhais medo de cuidar da fragilidade do irmão com a vossa própria fragilidade: a vossa dor, o vosso cansaço, as vossas perdas; Deus transforma-os em riqueza, unguento, sacramento. (...) Há uma fragmentação que permite, no gesto terno do dar, alimentar, unificar, dar sentido à vida. (...) Que possais, em oração, apresentar ao Senhor os vossos cansaços e fadigas, bem como o das pessoas que o Senhor colocou no vosso caminho e deixai que o Senhor abrace a vossa fragilidade, o vosso barro, para o transformar em força evangelizadora e em fonte de fortaleza. (....)

É na fragilidade que somos chamados a ser catequistas. A vocação não seria plena se excluísse o nosso barro, as nossas quedas, os nossos fracassos, as nossas lutas quotidianas: é nela que a vida de Jesus se manifesta e se faz anúncio salvador. Graças a ela descobrimos as dores do irmão como sendo nossas."

 

Palavras do Papa Francisco, numa carta aos catequistas da diocese de Buenos Aires, 

Agosto de 2003 (retirado do livro - O Verdadeiro Poder é Servir, da editora Nascente)

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Imagem retirada daqui

 

Não importa que ninguém veja aquilo que fazemos. Não importa se parece insignificante e sem valor. Deus vê tudo o que fazemos e vê, principalmente, o amor com que o fazemos. 

Mantenhamos a nossa pequena chama acesa, num local onde todos a possam sempre ver. Sempre que a luz artificial se apague nas vidas das outras pessoas, como tantas vezes acontece, que elas possam sempre ver e contar com a nossa pequena luz, para as iluminar e lhes dar de novo vida. 

Calendário Católico - Março de 2018

~ Mês dedicado a São José ~

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Podem fazer à vontade o download grátis do Calendário mensal católico para 2018 que eu criei.

Peço-vos apenas que, ao fazerem o download do calendário, rezem uma Avé Maria por mim - obrigado! 

 

4 de Março - 3º Domingo da Quaresma

11 de Março - 4º Domingo da Quaresma

18 de Março - 5º Domingo da Quaresma 

19 de Março (2ª feira) - Dia de São José

25 de Março - Domingo de Ramos

29 de Março - 5ª feira Santa - Ceia do Senhor

30 de Março - 6ª feira Santa - Paixão do Senhor

31 de Março - Sábado Santo - Vigília Pascal

Compreendendo o Antigo Testamento (parte 2)

Como seguimento do post anterior, deixo-vos mais algumas citações do livro Para entender o Antigo Testamento de D. Estêvão Bettencourt - de forma a suscitar o vosso interesse para o irem ler na íntegra e aprofundarem o vosso conhecimento acerca do Antigo Testamento.

 

Género literário

"Conjunto de regras de estilo e vocabulário que os homens de determinada época ou região costumavam observar quando queriam escrever sobre certo tema.

(...) Em suma, dir-se-á: todas as vezes que uma antiga sentença exegética seja comprovada falsa à luz das ciências modernas, reconheça-se que o erro estava contido, não na Sagrada Escritura, mas na interpretação que os homens davam à esta. "

 

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Imagem retirada daqui

 

Principais características de pensamento e linguagem dos autores bíblicos

"Os oradores eram escritores (...) que visavam despertar impressões vivas nos seus ouvintes e leitores. Procuravam transmitir da maneira mais penetrante possível um estado de alma. Isto faz com que uma página de literatura semita seja impregnada de movimento, variedade de pessoas e coisas que se sucedem com realismo; emoções e afectos diversos a perpassam (...) O semita recorria frequentemente a gestos, às pausas, aos artifícios da entoação da voz. O falar dos antigos judeus terá sido exuberante, teatral (...) dada a sua vivacidade, o israelita era muito dado às expressões fortes, hiperbólicas ou contrastantes."

 

  • Hipérbole muito ousada é a do rei Benadad da Síria que, desejando chamar a atenção para o seu numeroso exército, exclamava:

"Tratem-me os deuses com todo o rigor, se o pó da Samaria for suficiente

para encher as mãos dos guerreiros que me seguem"

1 Reis 20,10

 

  • Hiperbólicas são também as expressões "a terra inteira, todos os povos" que, certamente, se referem a certas regiões ou nações apenas.

Presente em Gn 41,54 e 57;  Dt 2,25  ; 2 Cron 20,29;   Atos 2,5

 

  • Visando distinguir entre "amar mais" e "amar menos", o judeu empregava os termos "amar" simplesmente e "odiar", a fim de que a oposição mais se evidenciasse 

"Jesus disse: «Se alguém vem a Mim e não odeia

pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, até mesmo a própria vida,

não pode ser meu discípulo"

Lc 14,26

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Imagem retirada daqui

  • Em vez de dizer "tomar posse, dominar", o judeu às vezes preferia a expressão "lançar a sandália sobre...", que lembrava o gesto concreto ou o cerimonial da tomada de posse 

"Sobre Edom lançarei a minha sandália,

Sobre a terra dos filisteus cantarei o meu triunfo"

Salmo 60,10

Ver também - Dt 25,9 e Jos 10,24 e Rute 4,7

 

  • A expressão "sentir-se feliz, alegre" podia ser substituída pelos dizeres "ter a alma saciada de gordura", visto a gordura ser sinal de suficiência e plenitude.

"A minha alma será saciada de gordura e de medula

E os meus lábios alegres prorromperá o teu louvor"

Salmo 63,9

 

  • Quando alguém se julgava "em perigo de vida", dizia concretamente que "trazia a sua alma nas mãos", já que "ter nas mãos" é a atitude que imediatamente precede a entrega. 

"Minha alma está sempre em minhas mãos,

Mas não me esqueço da Tua Lei" 

Salmo 119,109

Ver também - Juízes 12,3 e Job 13,14

 

  • "Expor a própria vida" ou "estar decidido a morrer" era equivalente a "tomar a própria carne entre os dentes", ou seja, morder-se 

"Tomo a minha carne entre os meus dentes

Coloco a minha vida em minhas mãos"

Job 13,14

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Imagem retirada daqui

  • A ideia abstrata de posse ou de largueza, liberalidade, era expressa pelo termo concreto "mão", já que a mão é a parte do nosso corpo que directamente apreende ou distribui. Assim lê-se em

"Se a sua mão não atingir o valor de uma ovelha"

Lev 5,7

o que quer dizer, "Se as suas posses não lhe permitirem comprar uma ovelha"

 

  • Lê-se também 

"O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo o que ela desejava.... como a mão do rei Salomão"

1 Reis 10,13

isto é, "de acordo com a opulência de um rei tal como Salomão" 

 

  • Lê-se igualmente que

"A porção de Benjamin era cinco mãos mais abundante que as porções de todos eles (seus irmãos)"

Gn 43,34

frase em que "cinco mãos" significa "cinco vezes" 

 

  • A figura de linguagem "mão curta" ou "encurtada" designava frugalidade em dar

"A mão do Senhor seria curta demais? Verás sem demora se acontecerá ou não o que te disse!"

Num 11,23

falava Javé ao anunciar as codornizes do deserto

"Não, a mão do Senhor não é curta para salvar"

Isaías 59,1

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Imagem retirada daqui

  • "Poder, força" era um conceito expresso pelo vocabulário "chifre", pois é neste que parece residir a força de muitos animais.

"Deus é meu escudo e o chifre da minha salvação"

Salmo 18,3

(=força que me salva)

"Abaterei todos os chifres dos malvados

E os chifres dos justos serão exaltados"

Salmo 75,11

 

  • A ideia da fraqueza humana (tanto moral como física) era expressa pelos termos "carne, poeira e cinzas"

Ver    Is 31,3    Gen 18,27   Jó 30,19

 

  • A fortaleza era associada à ideia de montanha ou rochedo. Por isso

"Javé é a minha montanha, é o meu rochedo" Salmo 17,3

no qual o homem se abriga encontrando amparo

Ver também Salmo 18,15 e 61,3-8

 

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Imagem retirada daqui

  • A beleza e o encanto eram significados por símbolos muito materiais - a descrição do Esposo, no Cântico dos Cânticos 5,10-16, realça 3 características/qualidades: 

. Fortaleza e virilidade - comparação dos seus membros com peças de ouro, mármore e marfim ou com os imponentes cedros do Líbano

. Graça e beleza masculina - menção de cores, elementos aromáticos ou doces (flores e árvores)

. Pureza e fidelidade - traduzidas pelas imagens da pomba, da água e do leite

 

  • Também no Cântico dos Cânticos a figura da Esposa é caracterizada por:

. Beleza feminina - sinais de flores, palmas, objectos perfumados ou doces

. Seu encanto e pureza - comparada com uma pomba

. Fecundidade - à semelhança dos cereais e animais domésticos

 

  • A índole agradável, aceitável, de uma oferta feita a Deus era simbolizada pelo imaginário perfume da oferenda

"Noé construiu um altar para o Senhor, ofereceu holocaustos e o Senhor sentiu o seu agradável odor"

Gn 8,20-21

Ver também 1 Sam 26,19 e Ap 5,8

 

  • "Homem e animais" equivalem a "todos os seres vivos"

"O rei da Babilónia virá arruinar este país, exterminando os seus homens e animais."

Jer 36,29

Presente também Jer 50,3

 

  • "Homens e mulheres, crianças e anciãos" significava "todos os habitantes, toda a população"

Passaram ao fio da es­pada todos quanto nela encontraram, ho­mens e mulheres, crianças e velhos, e os bois, as ove­lhas e os jumentos.

Jos 6,21

Também presente em Jer 51,22

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Imagem retirada daqui

  • "Alma e carne" designava "homem inteiro"
  • "Céu e a terra" significava todo o Universo

 

  • "Sair e entrar" servia para exprimir toda a actividade de um indivíduo, até mesmo as tarefas de administração régia

Moisés dirigiu estas palavras a todo o Israel: 

«Tenho cento e vinte anos; já não posso sair e entrar».

Dt 31,2     

Ver também 2 Cron 1,10     1 Sam 18     13,16      29,6    2 Sam 3,25

3 Reis 3,7    15,17     4 Reis 11,8     19,27     Is 37,28    Ez 43,11     

Salmo 120,8    Jo 10,9     At 1,21    9,28

 

"Para entender o Antigo Testamento" da autoria de D. Estêvão Bettencourt, 1956

 

Compreendendo o Antigo Testamento (parte 1)

Num post anterior, em que partilhei convosco algumas dicas para ler e estudar a Bíblia, falei-vos acerca da importância de aprofundarmos o nosso conhecimento acerca do Antigo Testamento. No site da Alexandria Católica descobri 2 livros maravilhosos que nos ensinam a compreender o pensamento e a escrita dos judeus da época do Antigo Testamento: Para entender o Antigo Testamento e Páginas Difíceis da Bíblia - que eu comecei a ler no ano passado.

 

E se nesta Quaresma se dedicassem a compreender melhor os livros do Antigo Testamento?

Aceitam o desafio?

 

Neste sentido, pensei em ir partilhando convosco algumas citações destes 2 livros, de modo a suscitar o vosso interesse para os irem ler na íntegra ;)

Introdução

"O Antigo Testamento inicia-se com a declaração de que Deus «criou do nada todas as coisas». Portanto, «tudo o que não é Deus, vem de Deus». 

É realmente difícil, para não dizer impossível, esgotar o alcance doutrinal e vital desta afirmação, não obstante, tão simples. As criaturas visíveis, em cada fibra de seu ser, em cada fase de seu operar, nas suas atitudes, provêm totalmente de Deus (...) A palavra de Deus tudo cria, a bênção de Deus tudo fecunda. Por isso, no universo tudo é belo, tudo é bom (...). 

O espetáculo da imensidão e da complexidade do universo (...) submete o homem bíblico à adoração, à admiração, ao louvor, à gratidão para com o Criador. "

 

"Páginas Difíceis da Bíblia" da autoria de E. Galbiati e A. Piazza, 1959

 

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 Imagem retirada daqui 

Tema da Sagrada Escritura 

"A Bíblia, em última análise, trata de um só objecto - as disposições da Providência em vista da salvação do homem. Apresenta-nos em suas fases sucessivas (...) o mistério de um Deus que desce até ao homem, para elevar o homem ao consórcio de Deus.

Tal descida não é só uma vinda (...) tem um carácter de adaptação da Majestade do Criador aos moldes pequeninos do pensamento e da vida da criatura.

Essa descida de Deus ao homem é também o mistério de um Amor que, embora soberano e independente, se quer dar, derramando o bem sobre os homens, mas que é, de diversos modos, mal entendido e rejeitado - não obstante, mostra-se invencível na arte de procurar o homem ingrato."

 

Escrever na Antiguidade

"Escrever era difícil na Antiguidade: o material (papiro ou pergaminho) era raro, exigia muito tempo e grande habilidade por parte do autor. Em consequência, o magistério se exercia quase unicamente por palavra viva." 

 

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Imagem retirada daqui

 

Conceito de livro inspirado por Deus

(texto com algumas adaptações minhas)

 

O conceito real de um livro inspirado pelo Altíssimo é diferente daquele que a maioria dos cristãos tem. Os hagiógrafos não entravam "em transe", escrevendo palavra por palavra todo o ditado que Deus mandava, como uns robots telecomandados. Deus sugeria-lhes ideias e pensamentos - mas quem escrevia eram homens simples, dentro do seu contexto cultural e social, com a sua forma de escrever própria, largamente influenciada por tudo o que se fazia e como se fazia e como se entendia as palavras naquela altura. Na Antiguidade, havia uma forma de falar, de contar e de entender, muito diferente da nossa actual.

Não nos devemos admirar que:

- a Escritura se assemelhe a outras obras profanas da altura

- com as hipóteses de acréscimos ou interpolações feitas ao longo dos séculos

- nem com a não veracidade exacta de partes do seu conteúdo

 

Alguns profetas escreveram profecias acerca de Jesus, que nem para eles devem ter feito sentido. Mas a maior parte não era assim - só escreviam acerca do passado e do presente que conheciam.

De facto, muitas proposições estão segundo os moldes usuais que eram utilizados entre os homens da Antiguidade.

 

Se a Bíblia fosse um ditado meramente mecânico, o livro estaria emancipado de vestígios da personalidade do autor humano. (...) Deus, pela inspiração, ilumina a inteligência do hagiógrafo,  para que este,  com a lucidez do próprio Deus, compreenda tais e tais verdades e as transmita aos leitores.

A inspiração faz que, com a clarividência de Deus, o hagiógrafo examine a veracidade das noções que ele tem na sua mente, as escolha e formule de modo a se tornarem a expressão fiel dos pensamentos do Altíssimo

- pode não implicar directamente novos conhecimentos, mas sim uma maior certeza (do próprio Deus) acerca das verdades já conhecidas

- a inspiração bíblica suscita o hagiógrafo a escrever

- suscitando-a, porém, eleva-a a um plano superior, a fim de que produza um efeito não simplesmente humano, mas humano e divino

 

Deus penetra todas as capacidades e faculdades do escritor (inteligência, vontade, potências executivas) e percorre, simultaneamente com este, as etapas necessárias para a redacção dum livro, de modo que a obra daí resultante não apenas contém a Palavra de Deus, mas é a Palavra de Deus, que tomou a face, a veste, de palavra do homem.

 

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Imagem retirada daqui

As ideias ensinadas pela obra provêm primariamente de Deus, o Autor principal; todavia a forma literária, a veste, que serve para exprimir tais ideias, é condicionada pelo hagiógrafo - fica subordinada à educação e às categorias culturais dum escritor humano.

 

Assim, as afirmações da Sagrada Escritura só gozam da absoluta veracidade da Palavra de Deus quando entendidas no mesmo sentido que o hagiógrafo, seu porta-voz humano, lhe queria atribuir.

 

Com efeito, na Escritura depreendem-se os vestígios característicos de um homem de cultura esmerada e de trato nobre, como Isaías, um dos ilustres cidadãos de Jerusalém no séc. VIII a.C.; 

as impressões de um homem dos campos, dum simples pastor, como Amós;

as de um temperamento muito sensível e vibrante, como o de Jeremias;

os cálculos harmoniosos e simétricos dum cobrador de impostos, com afecto pelos números, como São Mateus;

a vivacidade de um jovem fogoso, pouco preocupado com o estilo, como São Marcos;

a terminologia e a firmeza de espírito dum médico de formação helenista, como São Lucas. 

 

"Para entender o Antigo Testamento" da autoria de D. Estêvão Bettencourt, 1956

 

Preparando a Quaresma - a necessidade de Penitência

Hoje é Quarta-feira de Cinzas, o 1º dia da Quaresma!

O dia de hoje e os próximos dias são a altura ideal para cada um reflectir acerca da sua necessidade de (re)conversão ao amor de Deus e à plena comunhão com os nossos irmãos. Sugiro-vos começarem esta reflexão lendo a mensagem do Santo Papa para a Quaresma de 2018 e depois a mensagem quaresmal do nosso querido Bispo de Setúbal

Como irão certamente perceber, as duas mensagens falam da necessidade de realizarmos penitências durante este período de 40 dias - que pode tornar-se num período tão fértil de bênçãos, se nós assim o pedirmos humildemente ao Senhor. 

Esta vai ser apenas a 4ª Quaresma da minha vida, e portanto, ainda estou em processo de aprendizagem acerca do real valor destes dias que a Igreja nos propõe, assim como dos diversos elementos que a acompanham. As penitências, apercebi-me no outro dia, eram talvez o que eu mais ... evitava, a todo o custo, nas Quaresmas anteriores ... até eu ter a oportunidade de ouvir os 3 vídeos que se seguem! Aconselho-vos vivamente a encontrarem um tempinho para os ouvirem atentamente! 

 

A Penitência Quaresmal - Pe Paulo Ricardo

 

Formas de penitência e as suas razões - Pe Paulo Ricardo

 

Como escolher a penitência para esta Quaresma? - Pe Leonardo

 

Calendário para a Quaresma (e para a Páscoa!)

Estamos quase a entrar na Quaresma - o período de excelência para nos renovarmos, para crescermos em amor, em santidade, em generosidade, em misericórdia e em perdão - perdoando aqueles que nos magoam mas também, o que por vezes pode ser muito mais difícil, perdoarmo-nos a nós próprios...

 

Um período de 40 dias, à semelhança de Noé e da sua família, que permaneceram dentro da arca que tinham construído durante 40 dias, mesmo após já terem visto o cume das montanhas, a emergir das águas do grande dilúvio, mantendo sempre viva a esperança na promessa que Deus lhes tinha feito, até pisarem, por fim, terra firme (Génesis cap 7 e 8). 

Um período de 40 dias, à semelhança dos 40 dias e noites que Moisés passou no monte Sinai, na presença de Deus, com quem falava como com um amigo, e onde recebeu a Lei com os dez Mandamentos (Êxodo 24).

Um período de 40 dias, à semelhança dos 40 anos que o povo de Deus passou no deserto, guiado por Moisés, depois de ter saído da escravatura do Egipto e antes de chegar à terra prometida (Deuteronómio 8).

Um período de 40 dias, à semelhança dos 40 dias que o profeta Elias caminhou até chegar ao cimo do monte Horeb, fortalecido pela comida e bebida que o Senhor lhe tinha enviado pelas mãos dum anjo (1 Reis 19).

Um período de 40 dias, à semelhança dos 40 dias em que o povo de Nínive fez penitência e jejum pelos pecados que eles próprios tinham cometido, arrependendo-se, pedindo e aceitando o perdão que Deus lhes oferecia (Jonas 3).

Um período de 40 dias, à semelhança dos 40 dias que Jesus passou voluntariamente no deserto, logo depois de ter sido baptizado por João Baptista no rio Jordão e antes de ter iniciado a sua missão de evangelização, onde foi duramente tentado pelo Maligno, e de onde saiu vitorioso, cheio do Espírito Santo (Mateus 4 e Lucas 4).

 

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Imagem retirada daqui 

 

Mas 40 dias, às vezes, parece muito tempo, não parece?

Eu já aprendi por experiência que, para viver com verdadeira intencionalidade um período de tempo tão longo, eu preciso de ver os dias que passam e de ver em que zona do percurso me encontro, para não cair em desânimo por "ainda faltar tanto", nem na atitude do "ainda tenho tempo".

 

Assim, este ano pensei em fazer um calendário para a Quaresma e inspirei-me no maravilhoso calendário que a Jessica do blog Shower of Roses criou, para fazer não só um calendário para a Quaresma, mas também para a Páscoa (porque a Páscoa não é só um dia!)

 

Calendário para a Quaresma

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Podem ler como é que a Jessica fez o calendário delaEu vou descrever-vos como fiz o meu:

  • Comprei uma cartolina A3 branca (mas depois achei que o calendário iria ficar demasiado grande) e cortei-a ao meio.
  • Para o calendário da Quaresma, desenhei com marcador preto uma tabela com 7 linhas, subdivididas em 7 quadrados com 5x5cm. Para a linha superior dessa tabela, a 8ª linha, onde coloquei as etiquetas com os dias da semana, escolhi que tivesse apenas 4 cm de altura (mantendo os 5 cm de largura por cada quadrado).
  • Imprimi o título do calendário (ou aqui) e as etiquetas que desenhei (ou aqui).
  • Para cada dia da semana, comprometi-me a rezar por uma intenção em particular:

Domingo - Acção de graças por todas as bênçãos de Deus

Segunda-feira - Por todos os que sofrem

Terça-feira - Pela conversão dos pobres pecadores

Quarta-feira - Pelo nosso Papa e por todos os sacerdotes

Quinta-feira - Pela nossa família e por todas as famílias

Sexta-feira - Pelo perdão de todos os pecados no nosso mundo

Sábado - Por todos as almas no Purgatório

  • Recortei tudo e colei da forma que podem ver na 1ª imagem (iniciando deliberadamente cada semana pelo Domingo)
  • Escrevi o nº de dias da Quaresma (que não correspondem aos dias do mês, claro) e coloquei o símbolo do peixe nas 6ªfeiras (para me relembrar da maior importância desses dias)
  • Recortei 37 cruzes em cartolina roxa, com a ideia de adicionar, com bostik*, uma a uma, consoante passem os dias da Quaresma - sendo necessário ter realizado as renúncias e as penitências que me propus a fazer nesta Quaresma para poder pôr lá a respectiva cruz.
  • Pelas fotos podem ver como o calendário deve evoluir com o avançar da quaresma.

*pretendo usar bostik em vez de cola, para que possa re-utilizar o mesmo calendário para o próximo ano

 

 

Agora, passando para 

Calendário para a Páscoa

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  • Nas costas do calendário para a Quaresma, decidi fazer um 2º calendário, desta vez para seguir melhor todos os dias em que a Igreja celebra a Páscoa (até ao dia de Pentecostes).
  • Desenhei com marcador preto uma nova tabela, desta vez com 8 linhas, subdivididas em 7 "quadrados" com 4,5x5cm. No topo desta tabela, para as etiquetas dos dias da semana, desenhei uma 9º linha, subdividida em "quadrados" com 3x5cm.
  • Imprimi o título do calendário (ou aqui) e as etiquetas que desenhei (ou aqui).
  • Para cada dia da semana, comprometi-me a rezar pelas seguintes intenções: 

Domingo - Acção de graças por todas as bênçãos de Deus

Segunda-feira - Por todas as intenções de oração no mundo

Terça-feira - Pela conversão dos pobres pecadores

Quarta-feira - Pelo nosso Papa e por todos os sacerdotes

Quinta-feira - Pela nossa família e por todas as famílias

Sexta-feira - Por todos as almas no Purgatório

Sábado - Oração à Santíssima Virgem Maria

  • Recortei as etiquetas todas e colei da forma que podem ver na 1ª imagem
  • Recortei, em cartolina, 6 corações amarelos para a 1ª semana da Páscoa, 5 corações azuis para a 2ª semana da Páscoa (porque este ano a festa da anunciação do Senhor foi transferida do habitual dia 25 de Março, para o dia 9 de Abril, já depois da Quaresma) e 30 corações verdinhos para os restantes dias da Páscoa.
  • Ainda não defini muito bem o que terei de fazer para poder pôr os corações (novamente, com bostik) no calendário ... alguém tem ideias?

 

  • Por fim, colei o calendário (com a face da Quaresma) com bostik na parede do meu quarto. Quando chegarmos à Páscoa é só voltar a colar com bostik a outra face - e pronto, já está!

 

Eu demorei 3 serões à noite para completar, do início ao fim, este duplo calendário. Mas se vocês quiserem utilizar os títulos e as etiquetas que eu já criei, de certeza que irão ter muito menos trabalho e provavelmente conseguirão fazer tudo numa só tarde (ou noite, se tiverem ajuda).

Também podem simplificar todo o processo e escreverem/desenharem/colorirem os quadrados com lápis de cor ou canetas, em vez de imprimirem e depois recortarem as etiquetas. Também podem ir desenhando uma cruz/coração directamente no calendário, por cada dia, em vez de terem de desenhar, recortar e colar as cruzes e os corações em cartolina como eu fiz ...

 

Este calendário em princípio também irá comigo para a Catequese, para que os meninos possam visualizar a passagem dos dias (se 40 dias parecem muito para mim, para eles parece uma eternidade!)

 

Porque não aproveitam este Domingo, ou a terça-feira de Carnaval, ou até o dia de Quarta-feira de Cinzas, para fazer esta actividade em família?  

Uma abençoada Quaresma para todos!