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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Em aventuras com Deus

Nesta Quaresma, Deus levou-me até uma série de situações bastante atípicas, fora do meu "normal", tal como vos tinha falado num post anterior. Mas, como relembro a mim mesma todos os dias, Deus deseja a nossa santidade e não o nosso conforto ou comodidade.... 

Eu devia ter suposto que Deus não iria ficar só por ali ... Deus quer sempre mais, Deus quer tudo, Deus quer-nos (sim, a nós!) por inteiro. 

 

O meu discernimento vocacional tem tido os seus altos e baixos - às vezes parece que sei exactamente qual o caminho a que o Senhor me chama a percorrer e a viver; noutras alturas, tenho dúvidas, muitas dúvidas, sinto medo e receio pelo futuro desconhecido, pelas consequências de escolher um caminho em detrimento de outro ...

Oh Senhor, qual é afinal a minha vocação? O que é que Tu desejas que eu seja? 

Queres que me santifique através do Sacramento do Matrimónio? Ou como leiga consagrada, entregando-me plenamente aos meus doentes e à minha paróquia? Ou será que me chamas a ser Tua esposa?

Oh, se algum anjo descesse do Céu e me viesse dizer claramente qual o caminho que Tu desejas que eu escolha! 

 

Não desejaríamos todos que fosse assim - simples e directo?

Oh, mas assim perderíamos todas as bênçãos, graças e virtudes que recebemos e que aprendemos a cultivar enquanto percorremos este caminho de discernimento vocacional.

E como são numerosas essas bênçãos e graças que Deus nos oferece! Como são numerosos esses sacrifícios que aprendemos a fazer, de livre vontade, alegremente! E como são numerosas as virtudes que aprendemos a conquistar e a alcançar! A principal é sem dúvida a Paciência - que, ui ui, como é difícil de conquistar!

 

Pertencer ao movimento das Famílias de Caná tem-me ensinado bastante acerca do Matrimónio e da vida familiar. Mas acerca dos 2 outros caminhos de vida que a Igreja Católica nos apresenta - vida religiosa e vida leiga consagrada - bem, eu já tinha lido bastante e reflectido acerca de ... mas ... ainda não tinha conhecido pessoalmente ninguém que as vivesse!

 

É realmente verdade, tal como os Santos nos dizem, que se tivermos o coração aberto, receptivo a ouvir a voz do Senhor e a aceitar, sem medo, os desafios e as oportunidades que Ele nos lança ... acontecem coisas maravilhosas!

Retiro de Pascoa 2018.png

 

A minha primeira experiência com a vida religiosa aconteceu neste Tríduo Pascal, quando tive a oportunidade de passar 3 dias na Casa de Oração de Santa Rafaela Maria, em Palmela, junto das irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus - eu e outros 60 jovens, vindos de todas as partes do país - Lisboa, Coimbra, Porto e até das Ilhas! 

Durante 3 dias, vivemos intensamente os momentos mais importantes da vida de Jesus - a Sua última ceia e a instituição da Eucaristia, a noite de oração no Horto das Oliveiras, todos os momentos da Sua Paixão, o deserto, a espera e a esperança dos discípulos e de Maria, e por fim a gloriosa Vigília Pascal, onde pudemos celebrar num só coração a alegria renovadora da Ressurreição de Cristo!

Este foi, sem dúvida, um Tríduo Pascal que eu nunca esquecerei! Quantas bênçãos, quantas graças, quanto impacto teve na minha vida ....

 

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No passado Domingo, no 3º Domingo da Páscoa, no dia em que celebrámos a visita de Jesus ressuscitado à primeira comunidade cristã, Deus ofereceu-me a graça de passar algumas horas a conversar com uma leiga consagrada!

Tudo começou num simples convite de boleia para a missa - estava a chover e eu sabia que uma amiga, mãe duma maravilhosa e inspiradora família da nossa paróquia, ía a pé até à igreja com os filhos, então perguntei-lhe se queria boleia. Quando dei por mim, já estávamos a marcar um cafezinho e uma conversa para depois da missa. E como as famílias católicas, à semelhança de Jesus, não costumam deixar-se ganhar em generosidade ... o convite alargou-se e quando dei conta, Deus tinha-me dado a graça de almoçar com essa família - a mim e a uma das irmãs do nosso novo pároco, que é leiga consagrada, da Ordem das Virgens (e que, vejam bem, também trabalha num hospital!)

E eu não encontro palavras para vos expressar todas as bênçãos que recebi nesse belo Domingo de Páscoa ...

 

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Ser luz

Nós somos chamados a sermos uma luz - como uma pequena chama duma velinha branca - num mundo que está cheio de luz artificial eléctrica.

Quem vive no conforto da luz artificial não consegue ver a nossa luzinha de vela; aqueles que até a conseguem ver, não percebem para que serve ou não compreendem porque insistimos em mantê-la acesa - num mundo cheio de luz artificial. Para quê? Porquê?

 

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Imagem retirada daqui

 

No meu trabalho no hospital, quando alguém descobre que eu sou catequista, não é costume ouvir nenhum comentário entusiástico nem incentivador. Não é adequado um médico ter religião ... porque pode interferir.

Os meus colegas não compreendem porquê é que eu haveria de gastar o meu tempo com essas coisas.... eu devia era sair, viajar, gastar o meu ordenado em jantares e prendas e aproveitar a vida.

A minha família pergunta-me várias vezes porque é que eu passo tanto tempo na igreja, envolvida em tantas coisas? Missas e missas e missas, reuniões, encontros, actividades, catequese, vias sacras ... para quê? perguntam-me sempre.

 

Para ser sincera, eu própria às vezes me pergunto se todas as horas que eu invisto em preparar a catequese terá algum valor ... Tantas horas a desenvolver ideias para que as catequeses sejam estimulantes, que ensinem pelo exemplo, que toquem os corações de todos os meninos, que os façam não só saber mas compreender e querer viver ...

Aqueles meninos de 7 anos nunca se vão lembrar de mim quando forem adultos. Não se vão lembrar de grande parte das coisas que eu lhes tentei ensinar. 

Que posso fazer eu, quando os pais não vêm à missa, não querem saber da igreja, e só põem os filhos na catequese como se fosse outra actividade extra-curricular como a natação ou o ballet? Ou apenas para poderem fazer a primeira comunhão? 

Que diferença farei eu nas suas vidas? Que diferença faz aquilo que eu faço?...

 

Há dias difíceis, em que me deixo engolir por essas vozes e pensamentos, em que apetece desistir de tudo. Sim, há dias assim; poucos dias, pela graça de Deus, mas existem.

Nestas alturas, Deus tem sempre o enorme carinho de me enviar um anjo, na forma duma pessoa, que me incentiva, que me anima, que me compreende e que partilha comigo situações parecidas. Ou então descubro uma reflexão de alguém no facebook ou em algum site ou num livro, que reflecte as minhas duvidas e que me ajuda a encontrar soluções.

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Imagem retirada daqui

 

Sim, aquilo que eu faço, aos olhos do mundo, não é quase nada. Não tem qualquer valor. É insignificante. É tempo mal gasto. Não me faz ganhar nada, aliás, só me faz perder....

Não consigo deixar de sorrir ao escrever este texto. As pessoas não compreendem nada! Não compreendem o que verdadeiramente tem valor!

 

"Perante um mundo fragmentado, (...) perante a experiência dolorosa da nossa própria fragilidade, torna-se necessário e urgente, atrever-me-ia mesmo a dizer imprescindível, aprofundar a oração e a adoração. Ela nos ajudará a unificar o nosso coração e nos dará «entranhas de misericórdia», para sermos homens de encontro e comunhão, que assumem como vocação própria tomarem a seu cargo a ferida do irmão (...) dando testemunho de um Deus tão próximo, tão Outro: Pai, Irmão e Espírito; Pão, Companheiro de Caminho e dador de Vida (...)

Hoje, mais do que nunca, é necessário adorar para tornar possível a "proximidade" que reclamam estes tempos de crise. Só na contemplação do mistério do Amor que vence distâncias e se torna perto encontraremos a força para não cair na tentação de seguir de longe, sem nos determos no caminho... (...)

Também nós, perante esta nova invasão pseudocultural que nos apresenta os novos rostos pagãos dos «baalins» do passado, experimentamos a desproporção de forças e a pequenez do enviado. Mas é justamente a partir da experiência da própria fragilidade que se evidencia a força do alto, a presença d'Aquele que é o nosso garante e a nossa paz.

Por isso, quero convidar-vos (...) a que reconheçais na vossa fragilidade o tesouro escondido, que confunde os soberbos e derruba os poderosos. Hoje, o Senhor convida-nos a abraçar a nossa fragilidade como fonte de um grande tesouro evangelizador. (...)

Porque só aquele que se reconhece vulnerável é capaz de uma acção solidária. Pois comovermo-nos («movermo-nos com»), compadecermo-nos («padecermos com») de quem está caído à beira do caminho são atitudes de quem sabe reconhecer no outro a sua própria imagem, mescla de terra e tesouro, e por isso não a rejeita. Pelo contrário, ama-a, aproxima-se dela e, sem o procurar, descobre que as feridas que cura no irmão são unguento para as suas. A compaixão converte-se em comunhão, em ponte que aproxima e estreita laços. (...)

Não tenhais medo de cuidar da fragilidade do irmão com a vossa própria fragilidade: a vossa dor, o vosso cansaço, as vossas perdas; Deus transforma-os em riqueza, unguento, sacramento. (...) Há uma fragmentação que permite, no gesto terno do dar, alimentar, unificar, dar sentido à vida. (...) Que possais, em oração, apresentar ao Senhor os vossos cansaços e fadigas, bem como o das pessoas que o Senhor colocou no vosso caminho e deixai que o Senhor abrace a vossa fragilidade, o vosso barro, para o transformar em força evangelizadora e em fonte de fortaleza. (....)

É na fragilidade que somos chamados a ser catequistas. A vocação não seria plena se excluísse o nosso barro, as nossas quedas, os nossos fracassos, as nossas lutas quotidianas: é nela que a vida de Jesus se manifesta e se faz anúncio salvador. Graças a ela descobrimos as dores do irmão como sendo nossas."

 

Palavras do Papa Francisco, numa carta aos catequistas da diocese de Buenos Aires, 

Agosto de 2003 (retirado do livro - O Verdadeiro Poder é Servir, da editora Nascente)

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Imagem retirada daqui

 

Não importa que ninguém veja aquilo que fazemos. Não importa se parece insignificante e sem valor. Deus vê tudo o que fazemos e vê, principalmente, o amor com que o fazemos. 

Mantenhamos a nossa pequena chama acesa, num local onde todos a possam sempre ver. Sempre que a luz artificial se apague nas vidas das outras pessoas, como tantas vezes acontece, que elas possam sempre ver e contar com a nossa pequena luz, para as iluminar e lhes dar de novo vida. 

Inspiração Quaresmal #1

Queridos leitores,

Mais uma vez, encontro-me numa altura da minha vida em que tenho pouquíssimo tempo para escrever aqui no blog. Estou actualmente a fazer o meu estágio de Cirurgia Geral. A tese (graças a Deus!!) já está mais de metade feita. E o estudo para o exame final de Medicina está bem encaminhado.

 

Assim, apenas terei a oportunidade de ir partilhando convosco alguns pedacinhos da minha caminhada Quaresmal de 2017 - que, em meros 5 dias, já me ensinou ui! tanta coisa .... oh, há tantas, tantas coisas que precisam de ser trabalhadas no meu coração. Coisas pequeninas e coisas grandes ... que o Senhor me dê a graça de as ir descobrindo a cada dia e a coragem para as mudar. 

 

Esta semana, recebi num email com o Evangelho Diário (uma maravilhosa dica que a nossa querida Olivia partilhou connosco recentemente no seu blog) um extraordinário comentário para o Evangelho do dia, que gostava muito de partilhar convosco:

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Imagem retirada do Pinterest 

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

 

Na Cruz, Cristo chama com grandes brados. Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 


Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

 

Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês
Cântico do Amor, 32

Desejo-vos a todos uma abençoada semana!

A Felicidade numa Família

Como já tinha contado anteriormente, o mês de Maio é muito importante para a nossa família. E Deus tem-nos dado tantas outras oportunidades diferentes para celebrarmos e festejarmos a nossa família e cada um dos seus elementos!

 

A Diocese de Aveiro, como a Teresa anunciou no seu blog esta semana, irá também celebrar neste domingo o Jubileu das Famílias

 

Providencialmente, no início desta semana, descobri um documentário maravilhoso e incrivelmente inspirador, realizado pela Opus Dei, e intitulado "Take a Chance on Happiness", onde inúmeras famílias inglesas, escocesas e irlandesas dão o seu testemunho sobre os desafios da vida familiar, mas também da oportunidade que receberam de se santificarem através desse abençoado caminho. O documentário tem um total de 25 minutos, tem legendas, e apresenta também várias gravações de palestras dadas por São Josemaria Escrivá, apelidado de "santo do quotidiano" pelo papa Bento XVI, com vários conselhos, muito práticos, às mães e pais de famílias. Aproveitem o fim-de-semana para o verem!  

 

 

 

A Alegria de Jesus

Qual é a primeira palavra que se forma na vossa mente quando pensam em Jesus?

Instantaneamente. A primeira palavra. Apenas uma palavra.

 

Talvez seja – Messias, Senhor, Salvador, Graça, Luz, Amigo, Rei, Amor, Paz, Misericórdia, Justo, Poderoso, Santo, Fiel, Glorioso?

Acertei em alguma?

 

Sem dúvida alguma que Jesus é tudo isso e infinitamente mais.

 

Mas, e que tal Alegre? Contente? Feliz?

E que tal Brincalhão?

Quando foi a última vez que associaram essas palavras à pessoa de Jesus?

Quantas vezes já O imaginaram a sorrir? Quantas vezes já O imaginaram a rir? A rir à gargalhada?

Quantas vezes O imaginaram a brincar com alguém? Com a Sua Mãe, por exemplo – alguma vez O imaginaram a fazer cócegas à Sua Querida Mãe Maria?

 

Às vezes, noto que retracto Jesus na minha mente com uma face semelhante à maioria das imagens e das pinturas que já vi Dele – com um rosto austero e sério.

No entanto, quando penso bem no assunto, chego à conclusão que Jesus não podia ter tido um rosto assim – pelo menos, não na maior parte do tempo. Não, não acredito que Ele pudesse ter um ar grave e pesado.

Jesus foi um homem real, verdadeiro, vivo, completo, que respirava e que possuía emoções e sentimentos tão como vocês e eu. E apesar de tudo isso, Ele foi perfeito.  

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Cada sentimento, cada emoção, cada alegria, cada gargalhada, cada lágrima, cada pequena gota de raiva ou de paixão, cada menor e maior dor – Jesus sentiu-as a todas, tal como vocês e eu as sentem na nossa vida. Claro, os Seus sentimentos e emoções eram perfeitos e sempre correctos. Mas Ele sentiu-os. A todos.

 

Quanto mais aprendo acerca de Jesus, o nosso grande Salvador, mais Deus me mostra como o Seu Amado Filho só podia ser (vou-me atrever a dizer) o homem mais feliz que já esteve neste mundo. Jesus só pode ter sido o homem mais alegre do mundo inteiro!

 

Jesus deve ter rido muito, deve ter sorriso abundantemente e deve ter dado as gargalhadas mais maravilhosas que a terra alguma vez ouviu… Oh, quantas vezes imagino como terá sido a gargalhada de Jesus – só pode ter sido a gargalhada mais pura, cristalina e melodiosa de todo o sempre!

Imagem retirada daqui

E penso também que Jesus deve ter sido um grande brincalhão! O facto das crianças se sentirem tão atraídas por Ele deve ser o melhor exemplo disso.

 

São Mateus [Mt 10:13-15] conta-nos exactamente que:

 

“Apresentaram-Lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os haviam trazido. Vendo isto, Jesus indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos”

 

Jesus abraçou aquelas crianças!

Conseguem mesmo imaginar um homem de rosto firme e severo e com uma voz grossa e forte a dizer às crianças: “Venham até Mim”

 

Claro que não!

 

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Imagem retirada daqui

 

Ele deve ter-Se ajoelhado no chão, com o maior sorriso do mundo, de braços bem abertos e dizendo alegremente: "Deixai vir a Mim os pequeninos!"

Conseguem imaginá-las? Conseguem imaginar um grupo de crianças a correr à gargalhada e de braços abertos em direcção a Jesus? A saltarem sobre Ele, rindo, gritando, fazendo uma autêntica festa? Todas tão felizes por abraçar o Seu grande Amigo?

 

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Todas estas imagens maravilhosas são do artista Jean Keaton

 

Esta é a imagem que eu escolho de Jesus – um Homem capaz de tocar profundamente desde o coração das crianças mais pequenas ao coração dos mais sábios dos sábios. Um Homem capaz de mostrar a cada um o verdadeiro rosto – alegre, amoroso, misericordioso – de Deus-Pai e, duma forma simples e humilde, mudar as suas vidas para sempre.

 

Humildade e Caridade

Não há dúvida que o Senhor tem andado a trabalhar profundamente no meu coração nos últimos tempos. Ele encaminhou-me para uma fase da minha vida onde tenho tido diferentes oportunidades para praticar virtudes que ... digamos assim ... tinham sido um pouco esquecidas ultimamente.  

 

Um dia destes deparei-me com a seguinte citação:

 "Humility and charity are the two main parts of the spiritual edifice. One is the lowest and the other the highest, and all the others depend on them. Hence, we must keep ourselves well founded in these two, because the preservation of the entire edifice depends on the foundation and the roof."  (St. Francis de Sales)

 

"A Humildade e a Caridade são os dois pilares principais do edifício espiritual. Uma delas é a menor e a outra a maior, e todas as outras dependem delas. Por isso, nós devemos permanecer bem apoiados em ambas, porque a preservação de todo o edifício depende da sua fundação e do seu telhado." (São Francisco de Sales - tradução minha)

 

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Ah, uma citação bonita, certo?

Na verdade, no início não lhe liguei nenhuma .....

Contudo, nos dias seguintes, com a progressão da doença do avô e depois de ler os inspiradores comentários da Teresa, acabei por me lembrar novamente dela ....

 

Disse a Teresa num comentário ao último post:

 "Pensa no pai de Santa Teresinha, e que hoje é santo como ela, Luis Martin: morreu demente... Teresinha disse que não trocava os anos de sofrimento do pai por nada deste mundo! (…)

Sabes que os chamados "advogados do diabo" no processo de canonização de Luis Martin colocaram essa questão: Pode um santo terminar demente? Foi uma bela discussão na Igreja... E o resultado foi claríssimo: claro que sim! Haverá maior humilhação? Luis Martin, nos pequenos momentos de lucidez que tinha antes de entrar em demência profunda, disse a Teresinha, por detrás das grades: "Para agradecer a Deus o dom que me fez de chamar à vida religiosa todas as minhas filhas, ofereci-me como vítima... E Deus aceitou! Eu nunca antes tinha sido humilhado, e agora sou-o mais do que pensei ser possível..." Ah, que grande exemplo de santidade!"

 

Humildade e Caridade

Ora aí estão as duas virtudes com as quais eu me debato mais frequentemente.

Mas não são elas a base da nossa Igreja? A base do Cristianismo? A base do projecto de Deus para toda a humanidade?

 

Humildade e Caridade

As duas virtudes que Jesus mais nos exortou a seguir e a praticar nas nossas vidas….

 

Humildade e Caridade ….

.... as principais virtudes que o mundo já se esqueceu.

 

O que se chama hoje em dia a uma pessoa que tenta ser humilde??

Burra? Estúpida? Parva?

Fraca? Alguém que se deixa pisar pelos outros?

Ridícula? Retardada? Ultrapassada?

Ou alguém que suspeitamos que pretende ser dissimuladamente melhor que os outros?

 

Alguém já ouviu falar da Ladainha da Humildade? Sim? Não?

Peço-vos então que oiçam com atenção os pedidos que são feitos a Jesus nesta belíssima oração. Peço-vos que tirem os próximos 5 minutos para apreciem bem a simplicidade e a doce submissão presente na letra da oração, assim como na voz da maravilhosa cantora católica, Danielle Rose:

 

 

Litany Of Humility

 

(The Missionaries of Charity pray this litany each week. May we seek to become humble like little children.)

 

 

From the desire of being esteemed,

From the desire of being loved,

From the desire of being extolled,

From the desire of being honored,

From the desire of being praised,

From the desire of being preferred,

From the desire of being approved,

From the desire of being consulted,

 

Deliver me,

Oh deliver me,

Jesus.

 

From the fear of being humiliated,

From the fear of being despised,

From the fear of suffering rebukes,

From the fear of being calumniated,

From the fear of being forgotten,

From the fear of being wronged,

From the fear of being ridiculed,

From the fear of being suspected,

 

Deliver me,

Oh deliver me,

Jesus.

 

That others be loved more than I,

Others esteemed more than I,

Others increase and I decrease in the world’s eyes,

That others be chosen and I set aside,

Others praised and I unnoticed,

Others be preferred in everything,

That others become holier than I,

Provided that I may become as holy as I should,

 

Jesus, grant me the grace to desire it.

 

Meek and humble of heart, Jesus.

Meek and humble of heart, hear us.

Meek and humble of heart, Jesus.

 

Ladainha da Humildade

Oração tradicional que as Missionárias da Caridade rezam todas as semanas. Que procuremos tornar-nos humildes como as crianças pequenas.

 

Do desejo de ser estimado,

Do desejo de ser amado,

Do desejo de ser exaltado,

Do desejo de ser honrado,

Do desejo de ser elogiado,

Do desejo de ser preferido,

Do desejo de ser aprovado,

Do desejo de ser consultado,

 

Livra-me,

Ó livra-me,

Jesus.

 

Do medo de ser humilhado,

Do medo de ser desprezado,

Do medo de sofrer repreensões,

Do medo de ser caluniado,

Do medo de ser esquecido,

Do medo de ser injustiçado,

Do medo de ser ridicularizado,

Do medo de ser duvidado,

 

Livra-me,

Ó livra-me,

Jesus.

 

Que os outros sejam mais amados do que eu,

Que os outros sejam mais estimado do que eu,

Que os outros aumentem e que eu diminua aos olhos do mundo,

Que os outros sejam escolhidos e eu seja colocado de parte,

Que os outros sejam elogiados e eu passe despercebida,

Que os outros sejam preferidos em tudo,

Que os outros se tornem mais santos do que eu,

Desde que eu me torne tão santo quanto deveria,

 

Jesus, concede-me a graça de desejá-lo.

 

Manso e humilde de coração, Jesus.

Manso e humilde de coração, ouvi-nos.

Manso e humilde de coração, Jesus.

 

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Lágrimas chegam rapidamente aos meus olhos e facilmente deslizam pela minha face.

 

Porque choro eu?

 

Choro porque dói. E dói muito.

Dói porque estou disposta a renunciar-me.

Dói porque custa tanto, mesmo agora, e continuará a custar.

 

Mas choro também, e principalmente, por causa duma felicidade inexprimível.

Duma alegria inexplicada.

E duma certeza inabalável no infinito Amor e Misericórdia do Senhor.

 

Se Tu queres Jesus, então eu também quero.

Está bem, Jesus, eu desisto.

Está bem, Jesus, eu rendo-me.

Está bem, Jesus, eu aceito.

 

No fim, é o Amor que Salva

  Missão País 2016 - 8ºdia (2ªparte)  

 

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Foto de todos os participantes na Missão País 2016 na Chamusca.

 

Conclusão da Parábola do Filho Pródigo

Como vimos ao longo da "viagem" que foi esta série de posts, a Parábola do Filho Pródigo é uma história extremamente rica e cheia de diferentes sentidos, significados, imagens e analogias. 

Em apenas algumas frases, com base numa pequena história, Jesus resume toda a Boa Nova que Ele nos veio trazer, todo o Evangelho e até, atrevo-me a dizer, toda a mensagem da Bíblia....

 

Jesus mostra-nos, por um lado, o rosto dum Pai misericordioso, bondoso e compassivo, sempre capaz de perdoar e de aceitar de volta todos os seus filhos perdidos. 

E, por outro, mostra-nos as duas formas principais pelas quais cada um de nós se pode afastar do amor do Pai.

 

Em algumas fases da nossa vida, podemo-nos comportar como o Filho mais novo: procurando uma vida fisicamente longe da casa do Pai; perdendo-nos numa busca desenfreada do prazer, do excesso material, do desperdício e da insensatez; e desperdiçando toda a “herança” que nos foi dada gratuitamente pelo nosso Pai.

Mas, incrivelmente, todos estes pecados são carinhosamente perdoados pelo nosso misericordioso Pai.

 

Contudo, talvez na maior parte da nossa vida católica, acabamos por nos comportar como o Filho mais velho. Nas palavras do Papa Francisco:

“Temos uma atitude “justiceira”, ou seja, presumimos que pelos nossos méritos somos justos e que, por causa desse facto, temos a autoridade para julgarmos o outro. Julgamos até Deus, porque pensamos que Ele deveria castigar os pecadores e condená-los à morte. E não somos capazes de aceitar a atitude misericordiosa do Pai para com um irmão.

Desta forma, corremos um enorme risco de permanecermos fora da casa do Pai, como Irmão mais velho. Se no nosso coração não há misericórdia e não há a alegria do perdão, então não estamos em comunhão com Deus, ainda que observemos todos os Seus preceitos – porque é o amor que salva, e não a prática dos preceitos. É o amor a Deus e ao próximo que dá cumprimento pleno a todos os mandamentos.”

Papa Francisco, no Angelus do dia 15 de Setembro de 2013

 

Na verdade, os dois Filhos desta Parábola são Filhos Pródigos, porque ambos são exemplos da negação e da rejeição do amor de Deus que conduz ao pecado. É necessário apercebermo-nos da nossa própria condição, da nossa pobreza e do nosso nada sem o amor de Deus, para finalmente encontrarmos o acolhimento, a reconciliação, a ternura, a alegria e a misericórdia do nosso Pai!

 

Para terminar, partilho convosco um vídeo feito por uma colega/missionária da nossa missão, em que cada um de nós tenta explicar o que é a Missão País:

 

 

 

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016 

 

O Filho Mais Novo Volta Para o Pai

   Missão País 2016 - 6ºdia  

 

Uma das maiores surpresas que tive na Missão País foi a quantidade de tempo dedicada à oração de que dispúnhamos, ou seja, em Missão Pessoal e Interna!

Eu pensava inicialmente que iríamos passar os dias a fazer voluntariado - o que foi verdade! - mas não estava à espera que praticamente metade do nosso dia fosse passado na nossa pequena Capela, em oração!!

E estou mesmo a falar a sério: entre a(s) hora(s) de oração da manhã e oração da noite diárias, a Missa e o Terço também diários, e a oportunidade que tivemos de estar em Adoração ao Santíssimo durante uma noite inteira ... nós acabámos por estar o mesmo número de horas em Missão Interna (ou seja, em oração) como em Missão Externa (ou seja, em serviço na comunidade)! O que foi pra lá de mega-maravilhoso!!!! :)

 

Foi num destes momentos de oração e silêncio que, no 6ºdia da nossa Missão, ao continuarmos o estudo da Parábola do Filho Pródigo nos versículos 17 a 20, me dei conta dum pormenor:

 

"E, caindo em si, disse:

‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!

Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe:

Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;

trata-me como um dos teus jornaleiros.’

E, levantando-se, foi ter com o pai."

Lucas 15:17-20

 

O Filho mais novo só deu conta do seu pecado e da sua miséria quando, finalmente, ficou sozinho e em silêncio pela primeira vez na sua vida!

O silêncio não é, como o mundo nos diz, algo passivo. Não é ausência de comunicação. Não é sinal de fraqueza. Não significa indiferença da nossa parte. Não quer dizer: "Desisti ... "

 

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O silêncio é, vim eu a descobrir nesta semana, uma atitude bastante activa. Já experimentaram? Eu achei bastante difícil estar em silêncio por tanto tempo - sim, até mesmo para alguém que é naturalmente calada como eu!

Mas, também vim a descobrir, é no silêncio da nossa voz, da nossa mente e do nosso coração que, aos poucos, vai surgindo um voz suave e leve, doce e meiga, que me canta e que me fala até ao mais profundo do meu ser…

 

Quando regressei a casa, li na primeira página do mini-jornal da nossa paróquia, as seguintes palavras do nosso Prior:

 

"Num mundo que fala, que grita (...) é cada vez mais imperioso que se faça silêncio. É necessário fazer silêncio. É necessário ouvirmos Jesus, que diz: «quando não tens nada de bom a dizer, cala-te». Cala-te!

A Quaresma é isto, o silêncio de Deus que fala no meu silêncio. Sem silêncio não há Quaresma, não há Deus, não há conversão, não há perdão."

 

Oh, sem dúvida!

Tal como o Filho mais novo descobriu, sem silêncio não há conversão; sem silêncio não ouvimos a voz de Deus; sem silêncio não podemos encontrar a misericórdia e o perdão que o Nosso Querido Pai, a todos, quer tanto oferecer!

  

 † ALEGRA-TE, FOSTE ENCONTRADO! † 

 Missão País 2016