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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Porque perdemos a paz nos nossos corações?

No meu último post falei-vos acerca da batalha que Deus nos chama a travar, para mantermos sempre e em todas as circunstâncias a paz interior, que só Ele nos pode oferecer. 

 

Mas então o que fazer se nos encontrarmos num momento da nossa vida em que não conseguimos encontrar nenhuma paz interior?

Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder essa paz. Temos de procurar descobrir (ou relembrar) as razões, profundas e verdadeiras, que estão na raiz do nosso problema de falta de paz interior, e não apenas aquelas razões superficiais, que não passam de desculpas para as nossas atitudes e acções ("estou cansada", "chateei-me com alguém no trabalho", "os miúdos hoje portaram-se mal", "tive um dia difícil" ....). Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder a nossa paz interior - não apenas nos momentos importantes da nossa vida, mas em especial naqueles momentos do dia a dia em que, continua e constantemente, perdemos e perdemos e voltamos a perder a paz, por mais que a gente se "esforce" para a retomar....

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

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Uma das principais razões que nos fazem perder a paz nos nossos corações é o medo. O medo do desconhecido, o medo do incerto e da incerteza, o medo nas situações que não podemos controlar... Sentimos muito medo, ansiedade e preocupação assim que nos deparamos com situações difíceis, quer elas se apresentem imediatamente, momento presente, quer apenas algures no futuro ... Sentimos medo de falhar, de errar; temos medo que nos falte alguma coisa, que não saibamos o que é melhor fazer...

O nosso medo de perder alguma coisa - desde bens materiais, à nossa reputação, às horas (ou até apenas minutos) do nosso tempo - ou o medo de nos faltar alguma coisa importante - seja ela material ou alguma capacidade / virtude / traço de personalidade - faz-nos logo entrar num estado de agitação interior, ansiedade e preocupação, e rapidamente perdemos a paz interior (que deu tanto trabalho a Deus nos anos / meses / horas / minutos ou até segundos anteriores !....)

 

Então, o que podemos fazer?

Palavras de Jesus:

"Qual de vós, por mais que se preocupe,

pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?" (Mt 6,27)

 

A resposta é dolorosa (em especial, para o nosso orgulho) e já a partilhei convosco no post anterior. Usando apenas as nossas próprias capacidades, não podemos fazer nada que resulte. Tentando controlar ao máximo todas as variáveis / eventos / situações e pessoas na nossa vida, também não iremos conseguir. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Aliás, vou-me atrever a dizer que, a maneira mais rápida e eficaz de perdermos a nossa paz é exactamente tentarmos nós próprios resolvermos a situação, usando unicamente as nossas capacidades, as nossas decisões pessoais, ou procurando que outro resolva a situação por nós.

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

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Imagem retirada daqui

 

Para preservar a paz nos nossos corações, mesmo no meio da loucura e imprevisibilidade do nosso dia a dia, temos apenas uma solução: Confiar em Deus. Confiar na Divina Providência. Confiar totalmente e só em Deus.

E é assim que nos deparamos com outra verdade dolorosa: nós não confiamos em Deus; nós não acreditamos, plenamente, que 

 

"O vosso Pai celeste bem sabe do que necessitais" (Mt 6,32)

 

Parem para pensar um bocadinho nesta verdade ...

 

 

Quão injustificada é esta nossa falta de confiança em Deus!

Como se Ele não tivesse já dado provas mais do que suficientes para nos provar todo o Seu amor, misericórdia e providência perfeita em tantas, tantas, tantas situações - tanto na história do Povo de Deus, na vida dos Santos, na história da Igreja, na nossa própria história de vida ....

 

Porque não confias em Mim, o teu Criador? Porque contas apenas contigo? Não serei Eu leal e fiel contigo? Redimi e restaurei a humanidade através da graça proveniente do sangue do Meu único Filho e deste modo o homem pode dizer que experimentou a minha fidelidade. Mas, apesar de tudo isso, o homem ainda duvida; ainda duvida se Eu serei suficientemente poderoso para o ajudar, suficientemente forte para o defender dos seus inimigos, suficientemente sábio para iluminar a sua inteligência, ou se Eu serei suficientemente misericordioso para lhe oferecer o que for necessário para a sua própria salvação. Não serei Eu suficientemente rico para lhe oferecer um tesouro ou suficientemente belo para o embelezar; quem poderá dizer que receia não encontrar pão suficiente na Minha casa para o alimentar, ou roupa suficiente para se cobrir?

 

Diálogo de Santa Catarina de Sena com Deus, capítulo 140

(Texto original em inglês, tradução livre minha)

 

Temos de reverter esta desconfiança que nós próprios provocámos, desde a altura do Jardim do Éden. Temos de combater esta nossa tendência do pecado original, de não confiarmos nas promessas de Deus. Ao longo de toda a nossa vida, por mais longa ou breve que ela seja, é nosso dever, como cristãos e filhos muito amados de Deus, avançar sempre neste processo de recuperar a confiança perdida, através da graça do Espírito Santo - o Único capaz de nos fazer dizer novamente, de coração, Abba, Pai!

Este processo de recuperar a confiança perdida no amor de Deus não vai ser fácil, aliás, vai ser difícil, provavelmente longo e sem dúvida que doloroso por vezes. Mas é necessário - todos os Santos nos têm ensinado isso.

 

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Estamos quase no início duma nova Quaresma. Aceitemos o desafio, digamos sim ao chamamento de Deus - atrevam-se a abandonar-se, um pouquinho mais a cada dia, nas mãos de Deus. Larguem a corda, deixem de tentar controlar tudo, abandonem-se e confiem em Deus, tanto nas pequenas coisas como nas grandes...

 

Deus não permanecerá calado, Deus não ficará quieto, disso podem ter a certeza!

Deus aproveitará todas as oportunidades que vocês lhe dêem para manifestar a Sua ternura, o Seu extremo cuidado e amor com cada um de nós; Ele manifestará visivel e palpavelmente a Sua divina providência e a Sua eterna fidelidade para connosco.

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus,

daqueles que são chamados, de acordo com o Seu desígnio. 

Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?

Ele, que nem sequer poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós,

como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?" (Rom 8,28.31-32)

 

Uma abençoada Quaresma para todos! 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe

Que o vosso coração permaneça sempre em paz

Para onde quer que olhemos, seja a sociedade à nossa volta, seja a nossa própria vida, deparamo-nos com um permanente estado de agitação e de inquietude.... Ninguém está bem, ninguém se sente bem e em paz.... Há sempre tanta coisa para fazer, tanta coisa que precisa de ser feita ... As horas não esticam, o tempo não pára, a vida não abranda ... Encontramo-nos, todos nós, num completo estado de agitação, de inquietação, de frustração, de ausência de paz ...

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Mesmo aqueles que procuram seguir o caminho do Senhor, procurando tornar-se santos à Sua semelhança - eis-nos, na mesma, nesse estado de inquietação profunda e permanente. Mesmo quando procuramos amar e servir os irmãos à nossa volta - eis-nos, na mesma, nesse estado de agitação, ansiedade e incerteza ... 

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Ai de mim, Senhor, que não o permito... não permito que a Tua paz reine no meu coração e não confio plenamente nas Tuas promessas. Ai de mim, Senhor meu ..

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Palavras de Jesus... deixemo-las ressoar dentro de nós ...

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

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Imagem retirada daqui

 

Quem penso eu que sou, para achar que consigo fazer algo de bem ou de bom, sem a ajuda do Senhor?

Não, nenhum de nós o consegue fazer....

Se queremos, verdadeiramente, viver na paz de Cristo; se queremos que essa paz reine continuamente nos nossos corações e nas nossas vidas - então, eu preciso de me convencer desta difícil mas importante verdade: todo o bem que eu consigo fazer, vem de Deus, e não de mim própria. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Jesus não disse "sem Mim, não podeis fazer muita coisa"; não, na verdade, Ele disse-nos claramente que "sem Mim, nada podeis fazer".

Nada. Nada podeis fazer.

 

Para experienciarmos esta verdade (ou para nos relembrar mais uma vez dela), Deus permite que passemos por diversas dificuldades, desafios, falhanços e humilhações nas nossas vidas. Sim, podem não parecer à primeira vista (ou à segunda, ou à terceira, ou ...), mas estes momentos difíceis são para nosso bem. Deus poupar-nos-ia deles, claro, se houvesse outra maneira de nós compreendermos. Mas eles são imensamente necessárias - só através deles conseguimos identificar e reconhecer a nossa (absoluta) incapacidade de realizar nem que seja um pouquinho de bem e de bom. 

 

Obrigado Senhor por me mostrares esta verdade; obrigado Senhor por abrires os meus olhos; obrigado Senhor pela Tua infinita misericórdia; obrigado Senhor ...

 

Mas, como posso eu mudar? Como posso ser diferente? 

Como posso permitir que a Tua graça actue livremente na minha vida?

 

Já alguma vez tiveram a oportunidade de observar a superfície dum lago ou duma pequena porção de água, que fosse capaz de refletir as formas das nuvens e o brilho do sol? (a minha casinha nova permite-me lembrar desta analogia todos os dias)

Quanto mais calma, serena e tranquila a superfície dessa água estiver, mais perfeitamente poderá reflectir a forma das nuvens e o brilho do sol. Mas se, pelo contrário, a superfície da água estiver agitada, inquieta e ondulante, já não poderá refletir a maravilhosa luz do sol.

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Imagem retirada daqui

 

O mesmo acontece com Deus e a nossa alma.

Quanto mais calma, tranquila e em paz estiver a nossa alma, melhor poderá refletir o amor de Deus, melhor se assemelhará à santidade do Senhor, melhor a Sua graça poderá actuar sobre nós.... Mas se a nossa alma se mantiver continuamente agitada e turbulenta, a graça, o amor e a misericórdia de Deus terão muitíssimo mais dificuldade em actuar em nós.

Todo o bem que fazemos provêm do Senhor. Todo o bem que realizamos só o fazemos pela graça de Deus, que se reflete nas nossas vidas. 

 

Quantas vezes, oh quantas vezes, nós nos agitamos e nos preocupamos ao tentarmos resolver tudo, todos os problemas, através da nossa própria força e capacidades - quando seria imensamente mais eficaz se permanecessemos na paz do Senhor, confiássemos Nele como as crianças pequeninas, e O permitissemos actuar em nós e nas nossas circunstâncias ... 

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

Então Deus convida-nos a sermos sossegadinhos e preguiçosos?

Claro que não!

Deus convida-nos sim, em todos os instantes e situações, a agir (às vezes, a agir mesmo muito) mas sob o impulso e graça do Espirito Santo, que é sempre gentil, suave e pacífico. E não sob um espírito de inquietude, preocupação, agitação e pressa desmedida, como tanta vez nós escolhemos fazer.... 

 

Aliás, uma das estratégias mais utilizadas pelo Maligno para nos afastar do amor de Deus é precisamente fazer-nos perder a paz nos nossos corações...

Não o podemos permitir! 

A paz e a esperança de coração são características essenciais e identificativas dum cristão e nunca devem ser perdidas - ainda mais nos dias de hoje, onde parece que somos os únicos a conseguir manter essa luz no mundo ... 

 

Comecemos já pela oração - uma das armas mais poderosas que Deus nos ofereceu...

 

Espírito Santo, amor do Pai e do Filho

Inspirai-me sempre

O que devo pensar

O que devo dizer

O que hei-de calar

O que hei-de escrever

O que hei-de fazer

Para Vossa glória

Para o bem de todas as almas

E para a minha própria santificação.

Ó meu bom Jesus, em Vós ponho toda a minha confiança!

Amém

 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe

Lições de humildade ...

O Senhor levou-me a viver inúmeras aventuras, com Ele, neste ano de 2018, ano esse que agora termina para dar lugar a um novo ano - cheio de possibilidades, oportunidades, sonhos, conquistas e lições ....

 

Neste ano de 2018, iniciei a minha profissão como médica, passando por diversos serviços e áreas, passando da teoria abstrata, impessoal e indiferente para a prática real, imperfeita, humana, personalizada. Agora, neste ano de 2019, iniciarei a minha formação específica para me tornar médica de família, um processo que será, sem dúvida, díficil e muito trabalhoso, e que durará pelo menos 4 anos ...

Neste ano de 2018, consolidei a minha vocação como catequista na minha paróquia, oferecendo-me verdadeiramente de corpo e alma, aceitando (uns dias melhores que outros) todas as contrariedades e dificuldades que foram surgindo pelo caminho, e aceitando desafios que outrora jamais teria tido a coragem de o fazer ...

Neste ano de 2018, assumi publicamente (no meu coração, já o tinha feito há muito tempo...) o meu compromisso com o movimento das Famílias de Caná, após um (demasiado longo) período de discernimento acerca do meu papel, como leiga solteira, dentro do movimento, e assim tornei-me numa activa Jovem de Caná - à semelhança de Nossa Senhora quando ainda solteira....

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Neste ano de 2018, passei também por um intenso processo de discernimento vocacional, após ter aumentado, a passinhos de bebé (mas sempre aumentando, graças a Deus!), a minha vida de oração, e agora encontro-me num estado de maior claridade, desapego e entrega à vontade de Deus para a minha vida ...  

Por fim, neste ano de 2018, tomei a difícil e custosa decisão de sair da casa dos meus pais, para vir viver sozinha numa casinha, bem juntinho da casa de Jesus, e, com esta última decisão, as pequenas portas e janelas que ainda pudessem estar a impedir a ação do Espírito Santo, foram finalmente escancaradas e plenamente abertas às Suas infinitas Graças (até ao dia em que eu voltar a fechar alguma, novamente - convosco também é assim?)

 

Houve, sem dúvida, outros acontecimentos marcantes e significantes que podia referir, mas penso que estes servirão para explicar, pelo menos em parte, como cheguei às pequenas reflexões que hoje queria partilhar convosco. São anotações soltas que eu fui escrevendo ao longo do ano, no meu caderno espiritual. Todas elas partiram de situações difíceis, em que o meu orgulho e egoísmo desmedidos tiveram de morrer (aos bocadinhos, claro) - autênticas lições de humildade que Deus, tão carinhosa e pacientemente, me tem vindo a ensinar....

 

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O ano de 2018, para mim, podia ter perfeitamente como tema e título - "Crescer em intimidade com Deus": crescer mesmo quando custa e dói, sem medo das mudanças, das transformações, daquilo que se perde e que tem de morrer, para algo melhor e mais santo poder germinar, nascer, crescer e florir; intimidade - um dos desejos mais profundos do nosso coração - com Deus, por Deus, em Deus ...

 

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Neste ano, compreendi finalmente (de coração) que o nome que melhor revela a vocação da mulher é maternidade, é ser mãe; e que o verbo que melhor define a vocação da mulher é receber e estar sempre aberta à vida ... Esta vocação está profundamente enraizada no nosso coração, por mais que a neguemos ou tentemos fugir dela, e apenas encontraremos a felicidade verdadeira, plena, permanente, eterna e inalterável, independentemente das circunstâncias da vida, se a aceitarmos de braços abertos - à semelhança de Maria.

 

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Neste ano, descobri que um dos maiores desejos do meu coração é receber Aquele que mais quero amar, Aquele que mais me ama, Aquele que é o amor, Aquele que é o meu Amado ...

Receber é uma palavra maravilhosa e divina, mas também é uma palavra difícil e muito exigente. Para eu poder receber, tenho de estar disposta a ser e estar vulnerável - oh, a vulnerabilidade de receber! - tenho de admitir e aceitar que tenho uma necessidade, que algo me falta, de que preciso de algo que não tenho e que não sou capaz ... Admitir e aceitar isto, pode ser assustador ao princípio, pode deixar-nos com medo e fazer-nos sentir ansiedade - e o mundo de hoje tem tantas formas apelativas de nos afastar desta realidade e de nos fazer esquecer estes sentimentos que, ao contrário do que popular e socialmente se propaga, não nos faz mal nenhum, antes pelo contrário - dá-nos vida e felicidade!

 

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O que significa intimidade, Senhor? O que significa ser íntimo de alguém, mas especialmente de Ti?

É sentir-se plenamente "em casa" na presença de alguém. É aceitar ser-se perfeita, total e completamente conhecida tal como sou - cheia de vícios, defeitos e pecados, cheia de feridas abertas e outras em resolução, "cheia" de espaços vazios e de pedaços que faltam - e, ainda assim, aceitar ser-se amada ... por aquele Amor louco e infinito de Deus que, tal como um dilúvio, é capaz de nos encher até transbordar, de inundar completamente todos os buracos e espaços vazios, de limpar todas as feridas, de remover todas as minhas manchas e sujidades e de santificar e purificar todos os meus desejos ... Intimidade significa eu poder ser, livremente, quem sou - sem máscaras, sem medos, sem sentir necessidade de ser aprovada, nem de conseguir ser ou fazer algo ... para ser amada.

 

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Mas, como se chega a essa intimidade - conTigo? Como podemos nos tornar íntimos?

Para se ser íntimo, é necessário confiar no outro. Em que se baseia a confiança?

Em promessas realizadas. Num amor que tenha sido comprovado e testado, que tenha sido posto à prova no fogo, por diversas vezes, e ainda assim subsistir - e até aumentar de intensidade - apenas um amor assim pode chegar a esse nível de intimidade que eu tanto desejo .... E, na minha vida, Deus já me deu mais do que provas suficientes do Seu amor....

 

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É realmente um dos desejos mais profundos do nosso coração ser-se conhecido e amado: é alguém conhecer toda a nossa história de vida, todo o nosso ser e, ainda assim, aceitar-nos e amar-nos. 

 

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Se tivermos a coragem de olhar para o mais profundo do nosso coração, descobriremos que desejamos ser intimamente conhecidos; que desejamos permitir que possamos ser vistos, conhecidos e admirados; que desejamos permitir ser acarinhados e amados....

O maior desejo de Jesus (por inúmeras vezes e por inúmeras vozes Ele nos disse isto!) é oferecer-nos o Seu amor, é satisfazer e realizar todos estes nossos desejos mais profundos ... porque não O permitimos de vez?

Porque ainda tento eu fazer coisas, ser assim ou assado e, desta forma, "provar" a Deus que mereço o Seu amor...? Quem penso eu que sou? Merecer o amor de Deus? Como se fosse possível ... que heresia! Que pecado tão grande! Afinal, quem é para mim Jesus?....

 

~

 

 

Olho para Jesus na cruz - um dia, li algures que a cruz é o leito matrimonial de Jesus. Sim, leito matrimonial ...

Ali, Jesus encontra-se nu e sem qualquer proteção. Nada possui. Está completamente vulnerável e sem qualquer segurança a que se agarrar. Ali está Jesus - pregado, aberto, indefeso, vulnerável ... 

E o Seu maior desejo é tornar-se Um connosco. É abraçar os nossos medos, inseguranças, traumas e dores. É amar-nos completa e infinitamente....

Jesus, na cruz, não se preocupa em proteger-se a Si mesmo - o que apenas deseja é oferecer-se a Si mesmo, é entregar-se - por nós ...

 

Amar ~ Oferecer ~ Receber ~ Confiar ~ Amar

 

 

"Bendiz o Senhor, ó minha alma.

A minha única alegria encontra-se no Senhor.

Ao Senhor, glória eterna! Aleluia!"

Salmo 103

 

Um abençoado ano novo para todos! Que aceitem o convite de Deus, para crescerem em intimidade com Ele, ao longo deste ano ...

O meu pecado que revejo no outro ...

Porque é que todos os meses confesso sempre o mesmo pecado - respondi mal à mãe, com impaciência e brusquidão; refilei forte e feio com a avó; murmurei palavras maldosas e cheias de veneno contra o meu pai ...??

 

O período de férias é sempre uma boa altura para reflectir - nas férias a sério, claro, quando há espaço para o silêncio tão necessário para ouvir a voz de Deus; não naquelas férias em que escolhemos esconder-nos dos problemas e enterrar a cabeça na areia das praias  ...

 

Porque é que discuto tanto e tantas vezes com as pessoas que precisamente mais amo e que mais me amam?

Porque é que é tão fácil falar com elas com menos cuidado, menos caridade, irreflectidamente, levianamente, do que faria se fosse com colegas de trabalho?

Porque é que penso que é um "direito" que eu tenho, poder chegar a casa e largar toda a frustração do dia de trabalho em cima da primeira pessoa que encontro em casa?

Porque é que é tão fácil pensar e falar acerca dos desagradáveis defeitos de cada elemento da minha família?

Porque penso assim? Porque as vejo assim? Porque faço isto?

 

É fácil, oh tão fácil, pensar - a culpa é deleseles é que são isto e aquilo e assim e assado ... eles é que me estão sempre a chatear e a “picar”; eles é que não têm paciência nenhuma comigo; eles é que não compreendem; eles é que me fazem ser assim …

 

Que pecado tão grande o meu.

 

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Se tivermos realmente vontade de melhorar, de nos santificar, de crescer em amor a Deus e ao próximo … no dia em que ganharmos coragem para enfrentar de frente, com a ajuda do Espírito Santo, este nosso pecado tão grande, tão grave …. e fizermos finalmente silêncio na nossa alma, sempre tão agitada e desassossegada, então …

 

…. poderemos por fim reconhecer que, em plena verdade, deveríamos antes pensar: 

Não acontecerá que sou eu que tenho precisamente os defeitos que mais me incomodam nos outros?

Quais são os meus defeitos – que eu não quero reconhecer por falta de humildade - que me levam a falar e responder assim, a julgar os outros assim?

 

Na minha mãe revejo este e este defeito, na avó aquele e o outro, no pai revejo perfeitamente este, este e ainda este ... e, por reconhecer a presença dos meus defeitos nos outros que me rodeiam, torno-me hostil para com eles, em vez de os compreender e ter paciência ...

 

Este exercício de reflexão dói e dói muito, mesmo muito ... mas também purifica o coração, traz clareza de pensamento e torna-nos, sem dúvida, mais humildes, mais santos ...

 

"Muitos focalizam as pessoas com as lentes deformadas dos seus próprios defeitos."

São Josemaria Escrivá, Sulco n. 644

 

«Devemos sempre julgar os outros benignamente, porque o que parece aos nossos olhos negligência pode muitas vezes ser um acto de heroísmo aos olhos do Senhor. Uma irmã que tenha uma dor de cabeça ou atravesse provações espirituais cumpre mais quando faz metade do seu trabalho do que outras irmãs sadias de corpo e alma que fazem tudo bem».

 

Palavras de Santa Teresinha 

 

Reflexão feita após o início da leitura do livro "Tornar a vida amável", do Pe Francisco Faus 

Vai

Estávamos a poucos dias do fim da Quaresma, a poucos dias da Semana Santa.

No Evangelho de São Marcos, capítulo 10, leio que Jesus dirigia-se em subida para Jerusalém, a Cidade Santa, para aquela que seria a Páscoa da Sua cruz e ressurreição. Na berma da estrada estava sentado um mendigo, cego, chamado Bartimeu. Ao saber que Jesus se encontrava perto, ele põe-se a gritar: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!», sem cessar. Jesus convida-o a aproximar-se. O cego suplica-Lhe «Mestre, que eu veja!» e Jesus responde «Vai, a tua fé te salvou!». Bartimeu recuperou a vista «e seguiu Jesus pelo caminho» (Mc 10, 47-52)

 

Vai.

Escolham um Evangelho para ler e analisem as palavras de Jesus a cada pessoa que se encontrava com Ele pelo caminho. Vão encontrar quase sempre esta resposta de Jesus - Vai. Agora que já te encontraste Comigo, agora que já Me conheceste - Vai.

 

Não é possível ter um verdadeiro encontro com Jesus e permanecer na mesma. É impossível que a nossa vida permaneça na mesma. Se permanecer, quer apenas dizer que afinal não O encontrámos realmente, que não O chegámos a conhecer. 

Vai, mexe-te. Vai e conta a toda a gente acerca de Mim, da Minha misericórdia, do Meu infinito amor. Vai e vive a tua nova vida que Eu te dei. Vai, por Mim. Vai, Comigo.

 

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Imagem retirada daqui

 

Quem tenta seguir Jesus mas sem querer perder nada deste mundo, desta sociedade ... na verdade, está a perder tudo, porque não está a seguir Jesus. É simplesmente impossível ter as duas coisas. É preciso escolher. E todas as escolhas, todas, implicam perdas. Ao escolhermos algo, estamos a dizer não a tudo o resto. 

 

É difícil? É...Vai.

Vêm poucas pessoas por este caminho?  Sim .... Vai.

Vais ter de desistir de muita coisa? Sim.... Vai

Jesus precisa de ti. Sim, de ti! Vai!

 

Tenho sede, Senhor!

Este será o último post do ano 2016.

 

Apesar da minha falta de investimento no blog durante este ano, parece que, apesar disso, e para minha grande surpresa, ele foi ganhando alguma notoriedade nesta infindável internet ... e, como acontece com frequência quando expomos pontos de vista diferentes do que a sociedade actual dita e manda, somos quase apedrejados com duras palavras, quase sempre provenientes de corajosos anónimos ...

É difícil voltar a mostrar vulnerabilidade, quando o fizemos anteriormente e saímos magoados. É particularmente difícil voltar a mostrar vulnerabilidade a total desconhecidos, como acontece maioritariamente aqui no blog.

 

Mas Jesus ensinou-nos a «dar a outra face» a quem nos bate e a «perdoar setenta vezes sete» ... por isso, lá tentarei novamente. Se algum post, alguma vez escrito neste blog, tiver levado alguém um pouquinho mais longe no seu amor a Deus, então esta minha (pobre e fraquinha) tentativa de evangelização terá valido a pena - e glória a Deus! 

 

Para celebrar o início do 4ºano de evangelização deste blog, quero partilhar convosco o meu poema favorito, aquele que mais me fala ao coração, aquele com que sempre me emociono, e que dou por mim, às vezes, a tentar recitar ... e que, curiosamente, não sei quem o escreveu! (Alguém sabe??) Descobri-o numa das orações da Liturgia das Horas no Natal de 2015, e apontei-o exactamente como aqui o transcrevo...

 

Tenho sede ...

 

Tenho sede de Ti, meu doce Amado,

Sede de ver a Tua formosura,

Sede de ter-Te em mim Sacramentado,

Sede de amor, de cruz e vida pura;

 

Sede de ver-Te conhecido e honrado,

De a Ti trazer, Deus meu, toda a criatura;

Sede do Céu, sede de dar-Te agrado,

Sede de sede, e sede de fartura ...

 

Tenho sede ... mas ah! que nada acalma,

Nem Tu, meu Deus, pois, quando fartas a alma,

A sede aumenta a par da saciedade ...

 

Não, não me fartes! Dá-me a cada dia

Mais sede - dessa sede que inebria ...

A fartura será na eternidade.

 

14-4-1915

Satiabor cum apparuerit gloria tua

(Eu ficarei saciado quando a Tua Glória aparecer)

Ps XVI, 15

 

Por fim, deixo-vos também uma prenda de Natal*  como já começa a ser tradição ... Mais uma vez, neste verão, fiz um Calendário Católico mensal de 2017 (ou aqui). Podem fazer o download grátis à vontade, à semelhança dos anos anteriores (calendário do ano 2015 e calendário do ano 2016). O calendário pode parecer desfocado na pré-visualização do Scribd, mas quando fizerem o download (clicando na setinha vertical, à esquerda do ícone da impressora) vão ver que afinal não está 

Peço-vos apenas que, ao fazerem o download do calendário, rezem uma Avé Maria por mim - obrigado! 

 

*Não se esqueçam que o Natal celebra-se até ao dia do Baptimo de Jesus! 

Vencendo os nossos medos

Hoje quero contar-vos uma história... Uma história que me é difícil de contar, pela intimidade das emoções que descrevo, mas que ainda assim vos conto, na esperança de ajudar alguém que esteja numa situação parecida.

 

No Verão entre os meus 17 e 18 anos, ou seja, entre a saída da escola secundária e a entrada na faculdade de medicina, eu decidi tirar a carta de condução. E porquê?

Ora, porque os meus avós paternos queriam oferecer-ma como prenda dos meus 18 anos e porque, principalmente, eu queria ser a primeira pessoa do nosso círculo de amigos a tirar a carta... Esta era a principal razão - eu queria, como sempre tinha acontecido até essa altura, ser a primeira. 

Correu tudo muito bem e eu tirei a carta em 4 meses, passando tanto na prova de código como na de condução à primeira, sem problemas nenhuns...

 

Contudo, pouco tempo depois, ía eu um dia a conduzir com o meu pai ao lado, quando tive um (quase) acidente ... bastante estúpido e embaraçoso.

Eu parei numa passadeira, numa rua bastante inclinada, e depois ... simplesmente não consegui subir com o carro. Deixei o carro ir a baixo pelo menos 5 vezes. E de cada vez que tentava voltar a ligar o carro e arrancar, fazia um barulho alto e deixava-o cair para trás, mais e mais, cada vez mais para trás, quase batendo no carro que seguia atrás. Os outros carros já apitavam e gritavam. As pessoas que estavam no café ao lado vieram cá para fora, para ver e comentar. Eu tremia por todo o lado e chorava. E o meu pai gritava comigo, talvez pela 3ª vez em toda a minha vida, que eu estava quase a bater ...

Não me lembro de como consegui eventualmente subir a rua. Só me lembro de pisar a fundo o acelerador e do carro fazer novamente um barulho muitíssimo alto .... mas lá subi.

 

Nesse dia, jurei que nunca mais voltava a pegar no carro. Nunca, nunca mais!

Durante os 5 anos seguintes, ganhei um medo crescente de conduzir e de andar de carro. Fazia de tudo para o evitar. Tive pesadelos frequentes comigo a conduzir e a ter vários acidentes... travões a falharem, pessoas a morrerem ... Nunca mais consegui estar dentro dum carro e subir uma rua inclinada, mesmo não sendo eu a conduzir, sem começar a suar e a tremer, fechando os olhos com força e rezando para que o carro não caia para trás, por favor, que não caia para trás, por favor .... 

 

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Dizer que eu tinha medo de conduzir era um verdadeiro eufemismo! Eu tinha um autêntico pavor!!

A maior parte das mulheres na minha família têm carta de condução mas não conduzem. A minha mãe conduz e é uma excepção, apesar de ter estado alguns anos sem conduzir antes de eu ter nascido. A minha situação era portanto perfeitamente "normal" e aceitável no seio da minha família.... ainda assim, eu sentia uma enorme vergonha de não conseguir conduzir. Principalmente, quando ao longo destes anos fui vendo os meus colegas a tirarem também a carta e a conduzir até à faculdade ... se alguém me perguntasse se eu tinha carta, eu mentia e dizia que não, só para não ter que dar satisfações ... e a vergonha da situação aumentava a cada dia.

 

Acho que já o disse várias vezes aqui no blog, mas eu entrei para Medicina para um dia vir a ser médica de família. Esse sempre foi o meu maior sonho, ser médica de família, e até hoje, estando prestes a terminar a faculdade, nunca encontrei outra especialidade que me fascinasse e interessasse mais ... 

Ora, penso que conseguirão imaginar como eu me senti quando, um dia, descobri que para se ser médica de família é necessário ter carta de condução e conduzir ... Faz parte das funções duma médica de família visitar os doentes a casa, quando estes não se podem deslocar ao centro de saúde (aquilo a que chamamos fazer domicílios).

Além disso, estava a tornar-se cada vez mais difícil encontrar transportes públicos para chegar aos diversos hospitais de Lisboa onde tinha aulas ....

 

E agora, o que é que eu faço?

 

Deus, como querido e atencioso Pai, enviou-me dois autênticos anjos para se tornarem meus amigos na dura e difícil vida na faculdade de medicina. Esses dois anjos, a quem eu estarei eternamente agradecida, transformaram aos poucos a minha vida, em diversos aspectos. Um deles, foi em relação ao meu medo de conduzir. 

Durante o último ano, estes dois amigos (curiosamente, um casal de namorados católico) foram falando comigo acerca deste medo e incentivaram-me progressivamente a voltar a pegar no carro e conduzir. Todos os dias me diziam uma nova razão para conduzir: visitar os meus (futuros) doentes a casa; ir à igreja e à missa quando me apetecesse, não ter que estar sempre a pedir favores para me levarem aqui ou além, transportar crianças... enfim, servir o próximo.

Assim, durante o último ano rezei quase diariamente para que Deus me ajudasse a voltar a conseguir conduzir e a superar este medo que me paralisava e me impedia de ajudar aqueles que precisavam de mim ...

 

Quando soube que iria (como realmente vou) passar o próximo ano no Hospital de S.Bernardo em Setúbal, achei que tinha chegado a hora. Estava na altura de vencer os meus (vários) medos, e voltar a conduzir seria o primeiro. Estava na altura de crescer.

 

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Assim, este verão decidi tirar algumas aulas numa escola de condução... e então consegui! Voltei a conduzir!!

 

Há dias em que me esqueço como era a minha vida antes de me (re)converter ao Catolicismo.... oh tão, tão diferente da vida que hoje tenho. Da vida que o Senhor me deu. 

Só quando comecei a tentar vencer este medo de conduzir e procurei o porquê das razões que me tinham levado a desistir é que me dei conta da enorme diferença que existia também neste aspecto da minha vida. Antes, eu queria conduzir para ser a primeira, para ser importante, para ser admirada ... por orgulho! 

Agora, imensamente ajudada por Deus, quero conduzir para poder servir o próximo. Oh, só o Senhor para provocar uma mudança tão grande neste meu coração, orgulhoso e egoísta ...

 

Não foi nada fácil voltar a conduzir, claro ... foi uma autêntica batalha ... mas Deus escolheu um instrutor com a voz mais baixa e calma que eu alguma vez ouvi, e com a maior paciência do mundo, que me ensinou a ter confiança em mim mesma. Deus ofereceu-me inúmeras oportunidades, durante o verão, para conduzir o nosso carro, inicialmente com a mãe e depois com o pai.

Neste momento, já conduzi várias horas sozinha, de dia e de noite, sem trânsito e com trânsito. Já atravessei a Ponte 25 de Abril e passei por Lisboa. No último fim-de-semana, o Senhor deu-me a oportunidade de ir a conduzir até ao retiro das Famílias de Caná, a 250km daqui. E daqui por uns dias, passarei a ir de carro até ao Hospital de Setúbal, sozinha, todos os dias.

 

Ainda faço asneiras, claro. Continuo a ter algum receio de subidas inclinadas. Há dias em que ainda deixo o carro ir a baixo. Acontece, pronto. Mas, com calma, consigo.

Não há problema se falhar à primeira. Tenho sempre uma nova oportunidade .... a misericórdia infinita de Deus assim nos concede.

Conduzir, parece-me, assemelha-se muito ao ensinamento acerca da ginástica da nossa querida Teresa:

 

 

É preciso ter força para agarrar e coragem para largar ...

 

 

Nós Jesus, vamos de carro até ali.

Nós Jesus, vamos conduzir em segurança.

Nós Jesus, Tu e eu....