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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Aquele que habita os Céus sorri

Este ano está a ser particularmente difícil e desafiante para mim ... por uma série de razões diferentes ... que, no seu conjunto, têm feito com que este ano esteja a ser muito, muito difícil para mim ...

 

Louvado seja Deus pela descoberta que fiz, há uns tempos atrás, e que me tem ajudado, em parte, a aceitar este período turbulento e incerto e que tanta dor me tem causado ...

Queria partilhar convosco o blog e em especial o podcast do querido Padre "da minha Faculdade de Medicina", o Pe António Pedro Monteiro....

 

aquele que habita os ceus sorri.jpg

 

Chama-se (tão adequadamente) Aquele que habita os Céus sorri - e não posso recomendar-vos o suficiente a escuta atenta e reflexiva deste podcast.... Vale tanto, tanto, tanto a pena!

Algumas das homilias que mais me tocaram, bem fundo, no coração, nos últimos tempos foram:

 

Jesus lifestyle - O coração de Jesus 

 

Cabem todos e a rede não se rompe

 

A tarefa de renovar todas as coisas

 

Mas eu acho sinceramente que podia ter escolhido todas as homilias que já ouvi do nosso querido Padre António Pedro Monteiro - tanto estas, disponíveis em formato electrónico, como todas aquelas que me lembro de ter ouvido ao longo dos anos de faculdade ... e que tanto impacto tiveram em mim e na minha vida.

Louvado seja Deus pela graça de podermos ouvir estas palavras, que tanto nos (re)aquecem o coração!

 

Um abençoado fim-de-semana para todos

E se se lembrarem, nem que seja por um breve momento, por favor, rezem por mim ...

No deserto com o Senhor

O Senhor levou-me ao deserto, uma vez mais. Até parece que estamos em plena Quaresma, não é? 

 

Sabem, este ano, dei por mim a desejar que a Quaresma nunca mais chegasse. Adiei e adiei e adiei até ao máximo tudo o que pudesse ter a ver com a Quaresma. Eu não queria que a Quaresma chegasse... 

Porquê? Porque a Quaresma dói, a Quaresma custa. Viver verdadeiramente uma Quaresma dói e custa. 

Quaresma é tempo de mudança, de purificação, de morte - para o nosso homem velho, pecador, orgulhoso, auto-suficiente - para que um novo homem, humilde, livre das cadeias do pecado, ardente de amor por Deus e pelo próximo, possa nascer e crescer.

 

Racionalmente, eu sabia tudo isto. Mas deixei-me levar pela voz sedutora e mentirosa do Maldito, que me assegurava e convencia do quanto uma Quaresma é exigente e dura e sofrida .... 

A graça e o amor de Deus, porém, vence tudo. E assim, após um período de arrependimento e reconciliação, deitei mãos e coração e cérebro a planear a Quaresma de 2019. Oh, ia ser perfeita - ia fazer isto e aquilo e o outro, abdicaria disto e daquilo, aprenderia a fortalecer esta e aquela virtude, venceria este e aquele vício e pecado com este e este método e ....

 

Claro, Deus - louvado seja - à primeira oportunidade, deitou os meus lindos planos pela janela e virou a minha vida do avesso. Louvado seja! Um Pai que não dá aos seus filhos aquilo que eles querem, mas sim aquilo que eles precisam e que é realmente melhor para eles.

 

Portanto, esta Quaresma, com todos os seus sacrifícios, alegrias, dores, milagres, bênçãos e graças, tem decorrido ao ritmo e ao sabor do nosso querido Salvador.

Ele é que tem escolhido as cruzes que me pede para levar - com Ele. 

Ele é que tem escolhido as lições a aprender. 

Ele é que tem escolhido as formas de eu amar o próximo.

Ele é que tem escolhido os pecados que precisam de ser redimidos e as virtudes que precisam de serem aprendidas e exercidas - aqui mesmo, neste exacto momento da minha vida, no meio desta tempestade que foge do meu controlo que tem sido a minha vida nos últimos tempos ...

 

Mas se queremos chegar à Terra Prometida, temos de passar primeiro pelo deserto. E assim Deus levou-me ao deserto, mais uma vez. Juntos, temos passado por períodos de intensa aridez; juntos, temos passado por períodos de dor - porque qualquer morte dói sempre - e esta Quaresma tem-me dado inúmeras oportunidades para o meu tremendo orgulho morrer, para a minha vontade egoísta morrer, para o meu desejo de controlar tudo à minha volta morrer, para as minhas inúmeras inseguranças e dúvidas e medos morrerem ... 

 

In The Silence Of The Heart

(Hosea 2:16-17, 21-22)

 

"In the silence of the heart
In the silence of the heart
In the silence of the heart You speak

 

Thus says the Lord, “I will allure her
I will lead her into the desert.

 

There she shall respond as in the days of her youth,
When she came up from the land of Egypt.

 

I shall espouse you to me forever,
In right and in justice, love and in mercy;
I’ll espouse you in fidelity,
And you shall know the Lord."

 

No Silêncio do Coração
(Oseias 2:16-17, 21-22)

 

"No silêncio do coração
No silêncio do coração
No silêncio do coração Tu falas

 

Assim diz o Senhor: "Eu vou seduzi-la
Eu vou levá-la para o deserto.

 

Lá ela responderá como nos dias da sua juventude,
Quando ela veio da terra do Egipto.

 

Eu vou desposar-te para sempre,
No direito e na justiça, amor e misericórdia;
Eu esposar-te-ei em fidelidade
E tu conhecerás o Senhor."

 

Não podia deixar passar a oportunidade de partilhar convosco mais uma das canções da minha cantora favorita - a Danielle Rose - cuja letra tem sido vivida tão intensamente por mim nesta Quaresma ...

 

Apesar de tudo, parece-me que simplicidade é a palavra que melhor pode definir esta Quaresma de 2019. Providencialmente, claro, tem sido uma óptima oportunidade para viver realmente o ensinamento mensal de Março das Famílias de Caná - O que está ao nosso alcance.

 

E vocês? Como tem sido a vossa Quaresma? 

O meu pecado que revejo no outro ...

Porque é que todos os meses confesso sempre o mesmo pecado - respondi mal à mãe, com impaciência e brusquidão; refilei forte e feio com a avó; murmurei palavras maldosas e cheias de veneno contra o meu pai ...??

 

O período de férias é sempre uma boa altura para reflectir - nas férias a sério, claro, quando há espaço para o silêncio tão necessário para ouvir a voz de Deus; não naquelas férias em que escolhemos esconder-nos dos problemas e enterrar a cabeça na areia das praias  ...

 

Porque é que discuto tanto e tantas vezes com as pessoas que precisamente mais amo e que mais me amam?

Porque é que é tão fácil falar com elas com menos cuidado, menos caridade, irreflectidamente, levianamente, do que faria se fosse com colegas de trabalho?

Porque é que penso que é um "direito" que eu tenho, poder chegar a casa e largar toda a frustração do dia de trabalho em cima da primeira pessoa que encontro em casa?

Porque é que é tão fácil pensar e falar acerca dos desagradáveis defeitos de cada elemento da minha família?

Porque penso assim? Porque as vejo assim? Porque faço isto?

 

É fácil, oh tão fácil, pensar - a culpa é deleseles é que são isto e aquilo e assim e assado ... eles é que me estão sempre a chatear e a “picar”; eles é que não têm paciência nenhuma comigo; eles é que não compreendem; eles é que me fazem ser assim …

 

Que pecado tão grande o meu.

 

Folha 3.JPG

 

Se tivermos realmente vontade de melhorar, de nos santificar, de crescer em amor a Deus e ao próximo … no dia em que ganharmos coragem para enfrentar de frente, com a ajuda do Espírito Santo, este nosso pecado tão grande, tão grave …. e fizermos finalmente silêncio na nossa alma, sempre tão agitada e desassossegada, então …

 

…. poderemos por fim reconhecer que, em plena verdade, deveríamos antes pensar: 

Não acontecerá que sou eu que tenho precisamente os defeitos que mais me incomodam nos outros?

Quais são os meus defeitos – que eu não quero reconhecer por falta de humildade - que me levam a falar e responder assim, a julgar os outros assim?

 

Na minha mãe revejo este e este defeito, na avó aquele e o outro, no pai revejo perfeitamente este, este e ainda este ... e, por reconhecer a presença dos meus defeitos nos outros que me rodeiam, torno-me hostil para com eles, em vez de os compreender e ter paciência ...

 

Este exercício de reflexão dói e dói muito, mesmo muito ... mas também purifica o coração, traz clareza de pensamento e torna-nos, sem dúvida, mais humildes, mais santos ...

 

"Muitos focalizam as pessoas com as lentes deformadas dos seus próprios defeitos."

São Josemaria Escrivá, Sulco n. 644

 

«Devemos sempre julgar os outros benignamente, porque o que parece aos nossos olhos negligência pode muitas vezes ser um acto de heroísmo aos olhos do Senhor. Uma irmã que tenha uma dor de cabeça ou atravesse provações espirituais cumpre mais quando faz metade do seu trabalho do que outras irmãs sadias de corpo e alma que fazem tudo bem».

 

Palavras de Santa Teresinha 

 

Reflexão feita após o início da leitura do livro "Tornar a vida amável", do Pe Francisco Faus 

De volta

O dia do exame final de Medicina veio e foi-se. O exame não me correu bem, mas parece que até vou ter uma boa nota, uma nota justa. Glória a Deus.

Agradeço, do fundo do coração, por todas as mensagens e emails e cartas de apoio que recebi ao longo destes vários meses de estudo. Deus abençoou-me de tantas maneiras, através de vocês. Obrigado 

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O pior veio depois do exame.... Logo a seguir ao exame, partimos à pressa para Lamego, para aqueles que seriam os últimos 2 dias de vida da minha avó materna, que tinha uma neoplasia no estômago e de quem já tinha falado antes aqui no blog. A minha avó morreu na 2ªfeira, dia 20 de Novembro, cerca de 1 mês depois de ter feito 76 anos. Deus tenha misericórdia da sua alma...

Estes dias têm sido muito difíceis, particularmente para a minha mãe. Assim, peço-vos novamente as vossas orações durante este período difícil ...

 

Eu pretendo retomar gradualmente os posts aqui no blog durante este mês e em princípio conseguirei continuar também durante o próximo ano. Há muito tempo que não partilho ideias, acontecimentos e descobertas na Fé que têm ocorrido na minha vida. Tenho muito para contar e partilhar convosco 

O dom de estar doente

Não faço ideia como é que o mês de Janeiro está quase no fim... No dia 2 de Janeiro comecei um novo estágio hospitalar, desta vez em Pediatria. O trabalho tem sido muito e os ponteiros do relógio não perdoam ... tic tac, tic tac ... e o tempo voa!

 

No início desta semana, fiquei doente, de cama, com uma valente amigdalite. Muita febre, arrepios e suores, muito sono e cansaço, tantas dores por todo o lado e oh, tantas dores de garganta! ... e, quase dum dia para o outro, eis que a minha voz praticamente desaparece. Para conseguir dizer uma única palavra, numa voz muito rouca e baixinha, tinha de suportar um aumento significativo nas dores de garganta e ui, como doía ....

 

Claro que me revi na situação da nossa querida Teresa Power todos os dias  

Deus fez questão que eu experimentasse em primeira mão grande parte das experiências que ela tem partilhado connosco no site das Famílias de Caná - e que experiências!!

 

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Louvado seja o Senhor pelo dom de estar doente!

Mas será que eu endoideci? 

 

Que maravilhosa experiência é poder compreender, completamente, o sofrimento dos doentes de quem cuido todos os dias.

Que dom é aceitar ser vulnerável e frágil e de precisar da ajuda de alguém.

Que lição de humildade é ter que deixar que alguém cuide de mim.

Que óptima oportunidade para oferecer este meu (gigante, a meu ver) sofrimento por uma intenção especial.

E que bom que é estar calada ...

 

Sim, estar calada, leram bem.

O pecado que eu mais repito a cada confissão há-de ser certamente as respostas tortas que eu digo aqui por casa....

Ao longo destes 6 anos em medicina, já me disseram por diversas vezes que a paciência e o carinho que eu demonstro ao lidar com os doentes será com certeza um dos meus maiores pontos fortes .... mas parece que essas capacidades se esgotam totalmente no meu local de trabalho. 

Cá por casa, exactamente para as pessoas que eu mais amo, o que se ouve mais sair da minha boca são respostas tortas e muitas, muitas, muitas declarações de cansaço e frustração ...

 

Ora, quando Deus me coloca numa situação, como a desta semana, em que cada palavra que eu quisesse pronunciar tinha de estar disposta a sofrer ... aprende-se uma bela lição, não é verdade?

Quem nos dera que fosse sempre assim. Como seria diferente a nossa postura no mundo.

Como seria diferente a minha vida, se eu me lembrasse sempre antes de falar: valerá a pena? estaria disposta a sofrer para a pronunciar?

 

Fez-me lembrar uma frase que li, algures, na internet:

think.jpg

Imagem retirada daqui

 

Antes de falar, pensa (THINK):

T - é verdade?

H - vai ajudar?

I - é inspirador?

N - é necessário?

K - é amável e gentil?

 

Nem queiram saber a paz que reinou aqui por casa nestes últimos dias ... como desejo que permaneça assim, mesmo quando a minha voz voltar.

 

Já São Paulo nos tinha exortado:

 

"Irmãos, tudo o que seja verdadeiro, tudo o que seja nobre,

tudo o que seja justo, tudo o que seja puro,

tudo o que seja amável, tudo o que seja respeitável,

tudo o que seja virtuoso e louvável,

eis o que deve ocupar os vossos pensamentos."

Carta de S.Paulo aos Filipensses 4:8

 

E eu vou acrescentar: eis o que deve sair da vossa boca ... 

 

P.s: Ao longo deste mês tenho adicionado novos links de blogs/sites na barra lateral do blog, que gosto e vos recomendo, se quiserem descobrir novas páginas católicas ...

O deserto

Eis que chegamos ao fim de Agosto. E aproximamo-nos do fim do Verão ....

Como podem ter calculado pela minha ausência aqui no blogue, estive de férias. Este ano, pela primeira vez, não fomos passar férias a lado nenhum, com excepção dum fim-de-semana, no início de Agosto, a que fomos a Lamego, à terra natal da mãe, para o casamento do meu padrinho, o irmão mais novo da minha mãe.

Assim, apesar de ter permanecido em casa, decidi afastar-me da internet, do computador e, claro, dos blogues ...

 

Talvez devesse ter-vos contado antes mas, desde o início destas férias, no princípio de Julho, que tenho experimentado algo que apenas posso expressar como um "deserto espiritual". Durante estes dois meses tenho-me sentido verdadeiramente seca e árida a nível espiritual. A minha fé parece que estagnou. Deixei de crescer. Simplesmente parei. Permaneço no mesmíssimo lugar. Aqui, no deserto …

 

Não pensem que tenho passado por uma crise de fé. Longe disso.

Começo, finalmente, a compreender que o Senhor me trouxe até aqui para puder mostrar-me alguns defeitos e alguns pecados que, continuamente, tenho repetido e repetido e repetido, sem conseguir superá-los verdadeiramente. Em troca, Deus tem-me (tentado) ensinar novas virtudes, para substituir os defeitos que tenho tentado vencer. Mas tem sido um trabalho demorado e bastante difícil … apenas porque eu sou teimosa e teimosa e teimosa, e recuso-me a deixá-los ir ….

Perdoem-me por não poder dizer mais, mas a natureza da situação é demasiado íntima para puder partilhá-la convosco…

 

Além disso, para piorar a situação, estas férias têm trazido bastantes más notícias para a nossa família e para os nossos amigos. Julho começou com uma tentativa de suicídio duma amiga da mãe. Houve idas às urgências e internamentos de outros amigos nossos. Houve, na família, a partida dum querido e desejado bebé, que o Senhor chamou para junto de Si, ainda antes de nascer. E, para terminar, na véspera do meu aniversário, ficámos a saber que a avó materna, que vive em Lamego, tem uma neoplasia do estômago pouco promissora, e que uma tia da minha mãe estava também no hospital, às portas da morte, com um tumor do ovário, já metastizado por tudo quanto seja lado … Ah, sem esquecendo, claro,  a carga física e emocional diária de ter o avô acamado e demente ...

 

Compreendem, assim, que este verão tem sido particularmente difícil, não só para mim, mas também para a minha família. Adicionalmente, Setembro promete trazer consigo inúmeras e profundas alterações nas nossas vidas, mas sobre isso talvez seja melhor falar-vos num outro post….

 

Não pretendia escrever-vos um post desanimador, como acabei por escrever. Nós estamos bem – talvez um pouco abatidos e fragilizados, sim, mas estamos bem. Porque temos a nossa Fé. 

 

A Fé Católica trouxe-nos este enorme presente: nós sabemos que, desde que haja esperança, amor e fé ... tudo se faz e tudo se supera. 

 

P.s: Tentarei voltar, ainda que aos poucos, às publicações aqui no blog, talvez já na próxima semana :)

 

Humildade e Caridade

Não há dúvida que o Senhor tem andado a trabalhar profundamente no meu coração nos últimos tempos. Ele encaminhou-me para uma fase da minha vida onde tenho tido diferentes oportunidades para praticar virtudes que ... digamos assim ... tinham sido um pouco esquecidas ultimamente.  

 

Um dia destes deparei-me com a seguinte citação:

 "Humility and charity are the two main parts of the spiritual edifice. One is the lowest and the other the highest, and all the others depend on them. Hence, we must keep ourselves well founded in these two, because the preservation of the entire edifice depends on the foundation and the roof."  (St. Francis de Sales)

 

"A Humildade e a Caridade são os dois pilares principais do edifício espiritual. Uma delas é a menor e a outra a maior, e todas as outras dependem delas. Por isso, nós devemos permanecer bem apoiados em ambas, porque a preservação de todo o edifício depende da sua fundação e do seu telhado." (São Francisco de Sales - tradução minha)

 

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Ah, uma citação bonita, certo?

Na verdade, no início não lhe liguei nenhuma .....

Contudo, nos dias seguintes, com a progressão da doença do avô e depois de ler os inspiradores comentários da Teresa, acabei por me lembrar novamente dela ....

 

Disse a Teresa num comentário ao último post:

 "Pensa no pai de Santa Teresinha, e que hoje é santo como ela, Luis Martin: morreu demente... Teresinha disse que não trocava os anos de sofrimento do pai por nada deste mundo! (…)

Sabes que os chamados "advogados do diabo" no processo de canonização de Luis Martin colocaram essa questão: Pode um santo terminar demente? Foi uma bela discussão na Igreja... E o resultado foi claríssimo: claro que sim! Haverá maior humilhação? Luis Martin, nos pequenos momentos de lucidez que tinha antes de entrar em demência profunda, disse a Teresinha, por detrás das grades: "Para agradecer a Deus o dom que me fez de chamar à vida religiosa todas as minhas filhas, ofereci-me como vítima... E Deus aceitou! Eu nunca antes tinha sido humilhado, e agora sou-o mais do que pensei ser possível..." Ah, que grande exemplo de santidade!"

 

Humildade e Caridade

Ora aí estão as duas virtudes com as quais eu me debato mais frequentemente.

Mas não são elas a base da nossa Igreja? A base do Cristianismo? A base do projecto de Deus para toda a humanidade?

 

Humildade e Caridade

As duas virtudes que Jesus mais nos exortou a seguir e a praticar nas nossas vidas….

 

Humildade e Caridade ….

.... as principais virtudes que o mundo já se esqueceu.

 

O que se chama hoje em dia a uma pessoa que tenta ser humilde??

Burra? Estúpida? Parva?

Fraca? Alguém que se deixa pisar pelos outros?

Ridícula? Retardada? Ultrapassada?

Ou alguém que suspeitamos que pretende ser dissimuladamente melhor que os outros?

 

Alguém já ouviu falar da Ladainha da Humildade? Sim? Não?

Peço-vos então que oiçam com atenção os pedidos que são feitos a Jesus nesta belíssima oração. Peço-vos que tirem os próximos 5 minutos para apreciem bem a simplicidade e a doce submissão presente na letra da oração, assim como na voz da maravilhosa cantora católica, Danielle Rose:

 

 

Litany Of Humility

 

(The Missionaries of Charity pray this litany each week. May we seek to become humble like little children.)

 

 

From the desire of being esteemed,

From the desire of being loved,

From the desire of being extolled,

From the desire of being honored,

From the desire of being praised,

From the desire of being preferred,

From the desire of being approved,

From the desire of being consulted,

 

Deliver me,

Oh deliver me,

Jesus.

 

From the fear of being humiliated,

From the fear of being despised,

From the fear of suffering rebukes,

From the fear of being calumniated,

From the fear of being forgotten,

From the fear of being wronged,

From the fear of being ridiculed,

From the fear of being suspected,

 

Deliver me,

Oh deliver me,

Jesus.

 

That others be loved more than I,

Others esteemed more than I,

Others increase and I decrease in the world’s eyes,

That others be chosen and I set aside,

Others praised and I unnoticed,

Others be preferred in everything,

That others become holier than I,

Provided that I may become as holy as I should,

 

Jesus, grant me the grace to desire it.

 

Meek and humble of heart, Jesus.

Meek and humble of heart, hear us.

Meek and humble of heart, Jesus.

 

Ladainha da Humildade

Oração tradicional que as Missionárias da Caridade rezam todas as semanas. Que procuremos tornar-nos humildes como as crianças pequenas.

 

Do desejo de ser estimado,

Do desejo de ser amado,

Do desejo de ser exaltado,

Do desejo de ser honrado,

Do desejo de ser elogiado,

Do desejo de ser preferido,

Do desejo de ser aprovado,

Do desejo de ser consultado,

 

Livra-me,

Ó livra-me,

Jesus.

 

Do medo de ser humilhado,

Do medo de ser desprezado,

Do medo de sofrer repreensões,

Do medo de ser caluniado,

Do medo de ser esquecido,

Do medo de ser injustiçado,

Do medo de ser ridicularizado,

Do medo de ser duvidado,

 

Livra-me,

Ó livra-me,

Jesus.

 

Que os outros sejam mais amados do que eu,

Que os outros sejam mais estimado do que eu,

Que os outros aumentem e que eu diminua aos olhos do mundo,

Que os outros sejam escolhidos e eu seja colocado de parte,

Que os outros sejam elogiados e eu passe despercebida,

Que os outros sejam preferidos em tudo,

Que os outros se tornem mais santos do que eu,

Desde que eu me torne tão santo quanto deveria,

 

Jesus, concede-me a graça de desejá-lo.

 

Manso e humilde de coração, Jesus.

Manso e humilde de coração, ouvi-nos.

Manso e humilde de coração, Jesus.

 

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Lágrimas chegam rapidamente aos meus olhos e facilmente deslizam pela minha face.

 

Porque choro eu?

 

Choro porque dói. E dói muito.

Dói porque estou disposta a renunciar-me.

Dói porque custa tanto, mesmo agora, e continuará a custar.

 

Mas choro também, e principalmente, por causa duma felicidade inexprimível.

Duma alegria inexplicada.

E duma certeza inabalável no infinito Amor e Misericórdia do Senhor.

 

Se Tu queres Jesus, então eu também quero.

Está bem, Jesus, eu desisto.

Está bem, Jesus, eu rendo-me.

Está bem, Jesus, eu aceito.

 

A actual situação cá por casa ...

Há algum tempo que penso em escrever este post, mas tenho vindo a adiar e adiar ... sempre na esperança de que a situação vai melhorar em breve ... mas na verdade, não vai.

 

O meu avô (aquele com quem nós vivemos) foi diagnosticado com doença de Alzheimer há cerca de 1 ano e meio. O diagnóstico não foi surpresa nenhuma para nós, já conhecíamos os sintomas-chave da doença e estavam todos presentes há algum tempo ... o facto dos diversos exames estarem (quase) normais vieram apenas confirmar este diagnostico (que é sempre de exclusão). Concomitantemente, suspeita-se que o avô tenha também uma demência vascular (que é mais frequente que a doença de Alzheimer) que basicamente acaba por ter os mesmos efeitos... só acelera ainda mais o processo ... 

 

Na semana antes de ir para a Missão País, o estado físico do avô agravou num ápice. Ele vinha a envelhecer bastante fisicamente ao longo do último ano, perdendo rapidamente a mobilidade e a força muscular, principalmente a nível dos membros inferiores. Nessa semana, ele praticamente deixou de conseguir andar. E estava a piorar tanto e tão depressa que, por alguns dias, pensávamos que ele poderia morrer a qualquer momento... Eu estive muito perto de não ir à Missão País - acabei por ir, mas com o coração bastante pesado e na promessa de voltar para casa ao menor sinal de qualquer contrariedade... 

 

O avô neste momento está acamado e continua a definhar a cada dia que passa... e nós perguntamo-nos se ele ainda estará connosco no próximo mês, para celebrarmos os seus 81 anos no dia 3 de Maio ... 

 

Esta situação tem sido especialmente difícil para a avó que, além de ser a principal enfermeira e empregada, de dia e de noite, tem também de ver o seu companheiro de há mais de 50 anos a perder-se e a esquecer-se de tudo e de todos ... e a situação piora a cada dia ... e tem sido tão, tão difícil, tanto física como mentalmente, para os quatro cá em casa, lidarmos com tudo ... É sempre preciso muita ajuda para tratar do avô. Dá imenso trabalho. E além disso, passámos a ter que fazer as imensas tarefas que a avó fazia diariamente... sim, tem sido muito, muito, muito difícil....

 

Porque escrevo eu isto? Também não sei ... 

Achei que estava na hora de vos contar porque, apesar de tentar que este blogue seja um local onde qualquer pessoa possa sair daqui a sentir-se melhor, mais alegre, com mais esperança e fé.... na verdade, esta é a minha vida real - confusa, difícil, imperfeita, dolorosa, cheia de frustrações e de dores de cabeça e de lágrimas e ....

O nosso mundo, tal como o conhecíamos, está a desabar. Já nada será como ontem. Aguarda-nos um futuro desconhecido e imprevisível e que nos mete tanto medo ... 

 

Se não fosse o Senhor... ai, se não fosse pelo Senhor....
Com certeza, todas as pessoas desta casa já tinham desabado ....

Ai se não fosse o Senhor a segurar-nos ... 

 

Louvado seja o Senhor! Louvado seja o Senhor, para sempre!

Só por acção da Divina Providência poderia acontecer que, num dia de especial dor e tristeza cá em casa, tenha literalmente chovido emails, cartas, telefonemas e mensagens de apoio inesperadas de todo o lado
Obrigado Senhor, oh, muito obrigado!