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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Para maior glória de Deus

(Em jeito de continuação do post anterior e em plena sintonia com a nossa querida Teresa Power - meditação para o V Domingo da Páscoa).

 

O tempo de Deus é perfeito.

Sim, o tempo de Deus é perfeito, mesmo que pareça um enorme mistério, mesmo que eu, agora, não o compreenda ... 

Deus nunca se adianta nem se precipita, nem nunca faz algo atrasado ou demasiado tarde.

O tempo de Deus é perfeito.

 

(Aproveito para vos dar a conhecer outra das minhas cantoras católicas favoritas, a Sarah Kroger)

Your time - Sarah Kroger


Your time is not my time, it's a mystery to me
Patience, not my virtue but I'm trying to let it be
You who wrote the hours, made these moments in my days
Know it's getting harder for my heart to trust His way

Lord, Your time is perfect
Lord, so perfect is Your time
Lord, Your time is perfect
So above and beyond mine

Like a newborn bird just waiting for the chance to fly
Still without its wings and all it ever sees is sky
Father, I am waiting for the day when I can go
Your ways are a ballad so I'll wait 'til You say so

Lord, Your time is perfect
Lord, so perfect is Your time
Lord, Your time is perfect
So above and beyond mine

Your time, Your time
Your time, ooh-ooooh, oo-ooh
Your time is not my time but I'm trying to let it be

O Teu tempo - Sarah Kroger (tradução livre minha)


O Teu tempo não é o meu tempo, é um mistério para mim
A paciência não é uma virtude minha, mas estou a tentar que seja
Tu escreveste as horas, criaste estes momentos dos meus dias
Sabe que está a ficar cada vez mais difícil para o meu coração confiar no Teu caminho

Senhor, o Teu tempo é perfeito
Senhor, tão perfeito é o Teu tempo
Senhor, o Teu tempo é perfeito
Tão acima e além do meu

Como um passarinho pequeno que aguarda pela oportunidade de poder voar
Ainda sem as suas asas e tudo o que vê é o céu
Pai, estou à espera do dia em que eu possa ir
Os teus caminhos são como uma balada, então eu esperarei até Tu me dizeres para ir 

Senhor, o Teu tempo é perfeito
Senhor, tão perfeito é o Teu tempo
Senhor, o Teu tempo é perfeito
Tão acima e além do meu

O Teu tempo, o Teu tempo
O Teu tempo, ooh-ooooh, oo-ooh
O Teu tempo não é o meu tempo, mas eu estou a tentar que seja 

 

Eu não sou a primeira nem a única pessoa a debater-me com a diferença entre o tempo de Deus e o "meu" tempo; entre a velocidade da manifestação da vontade e das acções do Senhor e a evolução que eu gostava tanto que estivesse a acontecer. Não, nem eu sou a primeira ou a única, nem nenhum de vocês o é. 

Esta dificuldade, este desafio, está visivelmente presente desde o princípio da nossa história, desde o princípio da história do povo de Deus. 

 

Peguemos no livro do Êxodo, e comecemos a ler a partir do versículo 22 do capítulo 15, em diante. Os israelitas caminham desde o Egipto, pelo deserto, em direcção à Terra Prometida ... e demoraram 40 anos a lá chegar... 40 anos! 

Contudo, tal como muitos saberão, se virmos num mapa a distância entre o Egipto e a Terra Prometida .... parece absolutamente absurdo que o povo de Deus tenha demorado tanto tempo até lá chegar e que tenha andado durante tanto tempo às "voltinhas" pelo deserto, seguindo aquela que seria a vontade de Deus....

Havia claramente um caminho directo, mais curto, mais fácil. Mas o Senhor não os levou por aí.

Porque não o fizeste Senhor?

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Imagem retirada daqui

 

... Oh, se a minha vida não parece por vezes esta viagem interminável do povo de Deus, às voltas e voltinhas pelo deserto adentro, sem qualquer deslumbre da Terra Prometida ... 

 

Mas porque o quiseste assim Senhor? Porquê tanto tempo até lá chegar? Porquê tão difícil? Não havia outra maneira?

Não, não havia. Sim, foi mesmo preciso assim tanto tempo.

Sim, era mesmo necessário ser daquela maneira. 

Porque só assim foi possível transformar o coração de pedra daquele povo num coração de carne. Só assim foi possível crescerem em virtudes - fé, esperança, amor ... Só assim puderam crescer todos em paciência, em fortaleza, em mansidão, em entrega plena e total nas mãos de Deus Pai Criador ... 

Porque só assim a glória do Senhor pôde ser manifestada e visível para todos.

 

Os pequenos comentários que acompanham a minha Bíblia dizem-me que, no capítulo 14 do Livro do Êxodo, foi a primeira vez em que, nas Sagradas Escrituras, se falou na glória de Deus.

O povo de Deus está entre a espada e a parede - entre o Mar Vermelho e os soldados do Faraó - e não há por onde fugir. E eis que a glória de Deus se manifesta pela primeira vez - através da de Moisés, as águas do Mar Vermelho separam-se momentaneamente, o que era impossível acontece e torna-se verdadeiro, e o povo de Deus avança em segurança até ao outro lado da margem. Eis a primeira vez que os israelitas se apercebem da imensa glória de Deus .... (claro que já deveriam ter-se apercebido antes, nas incontáveis bênçãos e milagres que o Senhor tinha feito ao longo de tantas gerações anteriores - mas os israelitas, tal como nós próprios, eram um povo de "pouca fé" e de "compreensão lenta" - como Jesus nos disse tantas e tantas vezes....)

 

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Imagem retirada daqui

 

Sim, a glória de Deus é bem visível na vitória das batalhas, mas é precisamente no meio das batalhas mais difíceis e ferozes que a Sua glória resplandece, incomparavelmente. 

O mesmo acontece, hoje, nas nossas vidas - é no meio das nossas lutas e batalhas que a glória de Deus pode (e deve) ser mais visível. Permita-lo-ei eu?

Na minha vida, ao atravessar este deserto de espera, estarei eu a permitir que a glória de Deus seja ainda mais visível e experienciada?

Neste momento da minha vida, em que estou numa fase do caminho que eu não desejaria estar, mas que Deus deseja que eu esteja - estarei eu a permitir que a minha vida O glorique?

Que aponte na Sua direção (oh, hei-Lo, o Autor e Sustento da minha vida -  venham e conheçam-n'O)?

Estarei eu a testemunhar todas as coisas boas e maravilhosas que Ele está a fazer na minha vida, mesmo neste pleno deserto?

 

Continuem a ler o livro do Êxodo, e deparar-se-ão com inúmeras batalhas impossíveis que o Senhor ganhou e venceu pelos israelitas, e assim a Sua glória pôde manifestar-se duma forma incomparável nas Suas vidas. 

 

Eis então a resposta - conseguir olhar para a minha vida, para esta espera no deserto, através desta perspectiva -  em vez de me focar em tudo aquilo que eu desejava e não tenho. Se eu conseguir aperceber-me de todas as coisas boas que Deus está a realizar, mesmo ao longo destes anos de deserto, isso fará então a minha vida mais alegre e mais grata.

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Imagem retirada daqui

 

Se a vossa vida parecer que está, também, parada entre a espada e a parede, entre as águas profundas do Mar Vermelho (que não parece nada que se irá abrir para nos dar passagem) e os assustadores soldados do Faraó que continuam a dirigir-se na vossa direcção, lembrem-se, vocês não estão sozinhos. Não oiçam a voz sedutora do Príncipe das mentiras.

 

Lembremo-nos que temos um Pai que nos ama infinitamente e que tem guardadas para nós tantas coisas maravilhosas. Pensemos em tudo aquilo que Deus está a fazer, neste momento, nas nossas vidas - e não pensemos em tudo o que desejaríamos que Ele estivesse a fazer. Escolham focar-se nas inúmeras bênçãos e graças que Ele nos tem oferecido nas nossas vidas.

Sejamos gratos. Recuperem a vossa fé na bondade do Senhor, nosso Pai.

Tudo o resto, coloquemos nas Suas mãos; ofereçamos-Lhe - tudo - e Ele cuidará - de tudo.

 

Sim, estamos realmente, neste preciso momento das nossas vidas, no exacto lugar e situação que Deus deseja que nós estejamos; na exacta fase do caminho que fará de nós santos ... os santos que só cada um de nós poderá ser.

 

O esforço do nosso "Sim" diário à vontade de Deus

Nos últimos anos, tenho vivido um intenso processo de discernimento vocacional que, pela transbordante e imprescindível graça de Deus, parece que chegou finalmente a um único caminho. Assim, neste último ano, tenho vivido com a certeza da minha vocação, após anos e anos de oração, aconselhamento e exploração das diversas vocações que a Igreja nos oferece. Mas o tempo passa e passa e passa e ... nada acontece.

 

Porque é que esta minha vocação não se concretiza, finalmente, Senhor?

Senhor, se me chamas tão fortemente por este caminho, por esta vocação, porque é que nada acontece, porque é que ela não se realiza?

Se Tu colocaste este desejo tão grande e profundo no meu coração, porque não o cumpres? Porque é que não o completas? 

 

À minha volta, vejo diariamente as vocações das outras pessoas a serem cumpridas; vejo-as a serem chamadas e a dizerem o seu "sim", visível e definitivo, à sua vocação e à vontade de Deus nas suas vidas. Eu também o queria fazer. Eu também o desejava fazer....  

E facilmente (oh tão facilmente!...) caio na tentação de pensar: Senhor, acaso esqueceste-Te de mim?

 

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Oh, a cruz de não vivermos (ainda) a nossa vocação em pleno ...

Oh, a cruz de vivermos uma vida que desejaríamos tanto que fosse diferente.

 

O Tentador, contudo, não perde uma única oportunidade. Mal abrimos esta pequena fresta no nosso coração - Senhor, acaso esqueceste-Te de mim? - e ele fará de tudo para que continuemos a cair, para que nos afastemos do amor de Deus. Quando mal damos por isso, já caímos na tentação de duvidar do imenso amor de Deus por nós - Se me chamas a esta vocação e ela não se realiza, é porque não me amas Senhor ... 

 

O Maligno é o príncipe da sedução e ele, mais que ninguém, sabe exactamente como nos seduzir com as suas mentiras - Porque me mostras, Senhor, tantos bons exemplos de vocações a serem cumpridas e realizadas, e a minha não? Porque me mostras tanto ouro na vida dos outros, e na minha nem sequer um pouco de ferro parece existir? Porque é que não permites que aconteça? Porque é que o impedes de acontecer? 

 

Oh, poderá Deus, alguma vez, impedir que se cumpra aquilo que Ele próprio mais deseja, mais ainda que qualquer um de nós - o cumprimento pleno da nossa vocação, através da qual nos santificaremos e assim viveremos para todo o sempre em profunda comunhão de amor com Ele ... 

 

Oh, que pecado tão grande o meu!

Não, não é assim que deve ser a minha postura perante esta situação. Não, não é assim que eu devo responder por este caminho que o Senhor me leva, que eu não compreendo e que eu não concordo que seja mesmo por aqui ... (Não podia ser mais rápido, Senhor? Tem mesmo de demorar assim tanto tempo a acontecer?)

 

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Noutros dias (numa nova tentativa do Príncipe da mentira e da discórdia), dou por mim a escolher evitar a todo o custo pensar sequer na minha vocação, não permitindo que este meu desejo profundo se manifeste no meu dia a dia. Escolho ignorá-lo, escolho escondê-lo, escolho evitá-lo, chegando até a negá-lo, chegando até a fingir que não o conheço e que ele não existe ... 

Oh, esta é um tipo de resposta muito fácil, muito confortável, que muitos escolhem.

Mas não, esta também não é a atitude correta...

 

Então, o que devo fazer? 

Aceita a Cruz. Aceita essa luta, diária. Aceita esses desejos, tão profundos, tão entranhados no teu coração; aceita-os, recebe-os, acolhe-os ... E aceita o facto de eles ainda não se terem cumpridos, de ainda não terem sido plenamente satisfeitos ou realizados.

Aceita esta tua necessidade, esta tua incompletude, aceita esta falta que tens - e permite que seja o próprio Deus a preencher e completar esse espaço (aparentemente) vazio.

Dói o peito? Chama o Senhor e pede-Lhe que te cure e alivie. 

Não aguentas mais? Pede a Deus pela fortaleza que não possuis.

Não sentes mais nada do que um enorme vazio? Oferece-o, vá, oferece-o ao Senhor, se é tudo o que pensas possuir....

 

Lembra-te, Marisa, das lições que Deus tão carinhosamente já te ensinou nestes anos. Se sentes tão fortemente este desejo, se hoje é um daqueles dias em que a não realização da tua vocação te custa tanto, se dói tanto que chega a arder no peito - então sabes (lembra-te!) que Deus está neste preciso momento a tentar dizer-te: Está na altura de passarmos algum tempo juntos, tu e Eu. Não, esta sede insaciável não é pela tua vocação; esta sede só Eu próprio posso saciar. Vem Comigo, então beberás e comerás e ficarás saciada ... 

 

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Sim, é uma cruz não vivermos (ainda) a nossa vocação em pleno ... - é libertador poder reconhecer esta verdade....

Sim, é uma luta e uma cruz, diária - a liberdade que surge ao admiti-lo....

É um caminho, cheio de bênçãos e graças mas também de muitas dores e lágrimas.

Sim, é uma luta dura e contínua, esta de viver com um desejo tão grande e tão forte no nosso coração que ainda não foi satisfeito.

Sim, é uma cruz que eu tenho de aceitar levar comigo todos os dias, em todos os instantes da minha vida.

Se é este o cálice que desejas que eu beba, Senhor, seja feita a Tua vontade - eu continuarei a beber diariamente deste cálice, eu escolho continuar a beber dele ... 

 

Mas sem dúvidas que há dias mais fáceis que outros. Há dias em que este cálice não parece ser tão amargo e insuportável como parece noutros dias... 

 

Para que serve, então, este tempo de espera? Este tempo em que nada parece acontecer?

Para poderes crescer em virtudes. Para poderes aprender e treinar todas aquelas virtudes que precisarás, diariamente, a partir do dia em que o Senhor te chamar a viver (concretamente) a tua vocação - fortaleza, mansidão, paciência, temperança, auto-doação total e voluntária, saber sofrer com alegria, saber oferecer todos os nossos sacrifícios por mais pequenos que aparentes ser, aprender a dizer "sim"s e "não"s pequeninos (mas ainda assim custosos e dolorosos) - para quando chegar o dia, em que o Senhor te perguntar: aceitas - completa e eternamente - este caminho? - então poderes dizer um verdadeiro e autêntico "sim".

 

Então eu escolho dizer-Te que sim, meu Deus e meu Senhor, neste preciso instante, àquela pequena coisa que me queres oferecer. Eu escolho acolher a Tua vontade, eu escolho acolher-Te. Eu escolho fazer a Tua vontade, neste momento. E daqui por uns instantes, meros segundos ou minutos, eu escolherei, novamente, dizer-te que sim, e depois e depois e depois ... 

 

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E se, pela graça de Deus, conseguirmos permanecer nesta atitude de acolhimento, de aceitação, com o coração aberto e disponível a ouvir a palavra e os desejos d'Aquele que mais nos ama, então conseguiremos compreender que viver este período de espera é exactamente o melhor plano de vida que Deus tem para nós. É a nossa melhor oportunidade para vivermos e crescermos em santidade.

A santidade é, afinal, a nossa vocação universal, aquela a que todos somos chamados. E estar, neste momento, neste período de espera, faz parte da minha vocação à santidade. Esta espera servirá para me tornar mais santa. Esta espera é o melhor caminho que a minha vida poderia assumir para me poder tornar santa

Passar por este período de espera fará de mim mais santa, duma forma mais rápida e eficaz, do que se já estivesse a viver em pleno a minha vocação. Deus assim o promete. 

 

Sim, eu estou, neste preciso momento da minha vida, no exacto lugar e situação que Deus deseja que eu esteja; na exacta fase do caminho que fará de mim santa ... a santa que só eu posso ser.

 

Porque perdemos a paz nos nossos corações?

No meu último post falei-vos acerca da batalha que Deus nos chama a travar, para mantermos sempre e em todas as circunstâncias a paz interior, que só Ele nos pode oferecer. 

 

Mas então o que fazer se nos encontrarmos num momento da nossa vida em que não conseguimos encontrar nenhuma paz interior?

Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder essa paz. Temos de procurar descobrir (ou relembrar) as razões, profundas e verdadeiras, que estão na raiz do nosso problema de falta de paz interior, e não apenas aquelas razões superficiais, que não passam de desculpas para as nossas atitudes e acções ("estou cansada", "chateei-me com alguém no trabalho", "os miúdos hoje portaram-se mal", "tive um dia difícil" ....). Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder a nossa paz interior - não apenas nos momentos importantes da nossa vida, mas em especial naqueles momentos do dia a dia em que, continua e constantemente, perdemos e perdemos e voltamos a perder a paz, por mais que a gente se "esforce" para a retomar....

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

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Uma das principais razões que nos fazem perder a paz nos nossos corações é o medo. O medo do desconhecido, o medo do incerto e da incerteza, o medo nas situações que não podemos controlar... Sentimos muito medo, ansiedade e preocupação assim que nos deparamos com situações difíceis, quer elas se apresentem imediatamente, momento presente, quer apenas algures no futuro ... Sentimos medo de falhar, de errar; temos medo que nos falte alguma coisa, que não saibamos o que é melhor fazer...

O nosso medo de perder alguma coisa - desde bens materiais, à nossa reputação, às horas (ou até apenas minutos) do nosso tempo - ou o medo de nos faltar alguma coisa importante - seja ela material ou alguma capacidade / virtude / traço de personalidade - faz-nos logo entrar num estado de agitação interior, ansiedade e preocupação, e rapidamente perdemos a paz interior (que deu tanto trabalho a Deus nos anos / meses / horas / minutos ou até segundos anteriores !....)

 

Então, o que podemos fazer?

Palavras de Jesus:

"Qual de vós, por mais que se preocupe,

pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?" (Mt 6,27)

 

A resposta é dolorosa (em especial, para o nosso orgulho) e já a partilhei convosco no post anterior. Usando apenas as nossas próprias capacidades, não podemos fazer nada que resulte. Tentando controlar ao máximo todas as variáveis / eventos / situações e pessoas na nossa vida, também não iremos conseguir. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Aliás, vou-me atrever a dizer que, a maneira mais rápida e eficaz de perdermos a nossa paz é exactamente tentarmos nós próprios resolvermos a situação, usando unicamente as nossas capacidades, as nossas decisões pessoais, ou procurando que outro resolva a situação por nós.

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

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Imagem retirada daqui

 

Para preservar a paz nos nossos corações, mesmo no meio da loucura e imprevisibilidade do nosso dia a dia, temos apenas uma solução: Confiar em Deus. Confiar na Divina Providência. Confiar totalmente e só em Deus.

E é assim que nos deparamos com outra verdade dolorosa: nós não confiamos em Deus; nós não acreditamos, plenamente, que 

 

"O vosso Pai celeste bem sabe do que necessitais" (Mt 6,32)

 

Parem para pensar um bocadinho nesta verdade ...

 

 

Quão injustificada é esta nossa falta de confiança em Deus!

Como se Ele não tivesse já dado provas mais do que suficientes para nos provar todo o Seu amor, misericórdia e providência perfeita em tantas, tantas, tantas situações - tanto na história do Povo de Deus, na vida dos Santos, na história da Igreja, na nossa própria história de vida ....

 

Porque não confias em Mim, o teu Criador? Porque contas apenas contigo? Não serei Eu leal e fiel contigo? Redimi e restaurei a humanidade através da graça proveniente do sangue do Meu único Filho e deste modo o homem pode dizer que experimentou a minha fidelidade. Mas, apesar de tudo isso, o homem ainda duvida; ainda duvida se Eu serei suficientemente poderoso para o ajudar, suficientemente forte para o defender dos seus inimigos, suficientemente sábio para iluminar a sua inteligência, ou se Eu serei suficientemente misericordioso para lhe oferecer o que for necessário para a sua própria salvação. Não serei Eu suficientemente rico para lhe oferecer um tesouro ou suficientemente belo para o embelezar; quem poderá dizer que receia não encontrar pão suficiente na Minha casa para o alimentar, ou roupa suficiente para se cobrir?

 

Diálogo de Santa Catarina de Sena com Deus, capítulo 140

(Texto original em inglês, tradução livre minha)

 

Temos de reverter esta desconfiança que nós próprios provocámos, desde a altura do Jardim do Éden. Temos de combater esta nossa tendência do pecado original, de não confiarmos nas promessas de Deus. Ao longo de toda a nossa vida, por mais longa ou breve que ela seja, é nosso dever, como cristãos e filhos muito amados de Deus, avançar sempre neste processo de recuperar a confiança perdida, através da graça do Espírito Santo - o Único capaz de nos fazer dizer novamente, de coração, Abba, Pai!

Este processo de recuperar a confiança perdida no amor de Deus não vai ser fácil, aliás, vai ser difícil, provavelmente longo e sem dúvida que doloroso por vezes. Mas é necessário - todos os Santos nos têm ensinado isso.

 

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Estamos quase no início duma nova Quaresma. Aceitemos o desafio, digamos sim ao chamamento de Deus - atrevam-se a abandonar-se, um pouquinho mais a cada dia, nas mãos de Deus. Larguem a corda, deixem de tentar controlar tudo, abandonem-se e confiem em Deus, tanto nas pequenas coisas como nas grandes...

 

Deus não permanecerá calado, Deus não ficará quieto, disso podem ter a certeza!

Deus aproveitará todas as oportunidades que vocês lhe dêem para manifestar a Sua ternura, o Seu extremo cuidado e amor com cada um de nós; Ele manifestará visivel e palpavelmente a Sua divina providência e a Sua eterna fidelidade para connosco.

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus,

daqueles que são chamados, de acordo com o Seu desígnio. 

Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?

Ele, que nem sequer poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós,

como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?" (Rom 8,28.31-32)

 

Uma abençoada Quaresma para todos! 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe

Que o vosso coração permaneça sempre em paz

Para onde quer que olhemos, seja a sociedade à nossa volta, seja a nossa própria vida, deparamo-nos com um permanente estado de agitação e de inquietude.... Ninguém está bem, ninguém se sente bem e em paz.... Há sempre tanta coisa para fazer, tanta coisa que precisa de ser feita ... As horas não esticam, o tempo não pára, a vida não abranda ... Encontramo-nos, todos nós, num completo estado de agitação, de inquietação, de frustração, de ausência de paz ...

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Mesmo aqueles que procuram seguir o caminho do Senhor, procurando tornar-se santos à Sua semelhança - eis-nos, na mesma, nesse estado de inquietação profunda e permanente. Mesmo quando procuramos amar e servir os irmãos à nossa volta - eis-nos, na mesma, nesse estado de agitação, ansiedade e incerteza ... 

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Ai de mim, Senhor, que não o permito... não permito que a Tua paz reine no meu coração e não confio plenamente nas Tuas promessas. Ai de mim, Senhor meu ..

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Palavras de Jesus... deixemo-las ressoar dentro de nós ...

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

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Imagem retirada daqui

 

Quem penso eu que sou, para achar que consigo fazer algo de bem ou de bom, sem a ajuda do Senhor?

Não, nenhum de nós o consegue fazer....

Se queremos, verdadeiramente, viver na paz de Cristo; se queremos que essa paz reine continuamente nos nossos corações e nas nossas vidas - então, eu preciso de me convencer desta difícil mas importante verdade: todo o bem que eu consigo fazer, vem de Deus, e não de mim própria. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Jesus não disse "sem Mim, não podeis fazer muita coisa"; não, na verdade, Ele disse-nos claramente que "sem Mim, nada podeis fazer".

Nada. Nada podeis fazer.

 

Para experienciarmos esta verdade (ou para nos relembrar mais uma vez dela), Deus permite que passemos por diversas dificuldades, desafios, falhanços e humilhações nas nossas vidas. Sim, podem não parecer à primeira vista (ou à segunda, ou à terceira, ou ...), mas estes momentos difíceis são para nosso bem. Deus poupar-nos-ia deles, claro, se houvesse outra maneira de nós compreendermos. Mas eles são imensamente necessárias - só através deles conseguimos identificar e reconhecer a nossa (absoluta) incapacidade de realizar nem que seja um pouquinho de bem e de bom. 

 

Obrigado Senhor por me mostrares esta verdade; obrigado Senhor por abrires os meus olhos; obrigado Senhor pela Tua infinita misericórdia; obrigado Senhor ...

 

Mas, como posso eu mudar? Como posso ser diferente? 

Como posso permitir que a Tua graça actue livremente na minha vida?

 

Já alguma vez tiveram a oportunidade de observar a superfície dum lago ou duma pequena porção de água, que fosse capaz de refletir as formas das nuvens e o brilho do sol? (a minha casinha nova permite-me lembrar desta analogia todos os dias)

Quanto mais calma, serena e tranquila a superfície dessa água estiver, mais perfeitamente poderá reflectir a forma das nuvens e o brilho do sol. Mas se, pelo contrário, a superfície da água estiver agitada, inquieta e ondulante, já não poderá refletir a maravilhosa luz do sol.

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Imagem retirada daqui

 

O mesmo acontece com Deus e a nossa alma.

Quanto mais calma, tranquila e em paz estiver a nossa alma, melhor poderá refletir o amor de Deus, melhor se assemelhará à santidade do Senhor, melhor a Sua graça poderá actuar sobre nós.... Mas se a nossa alma se mantiver continuamente agitada e turbulenta, a graça, o amor e a misericórdia de Deus terão muitíssimo mais dificuldade em actuar em nós.

Todo o bem que fazemos provêm do Senhor. Todo o bem que realizamos só o fazemos pela graça de Deus, que se reflete nas nossas vidas. 

 

Quantas vezes, oh quantas vezes, nós nos agitamos e nos preocupamos ao tentarmos resolver tudo, todos os problemas, através da nossa própria força e capacidades - quando seria imensamente mais eficaz se permanecessemos na paz do Senhor, confiássemos Nele como as crianças pequeninas, e O permitissemos actuar em nós e nas nossas circunstâncias ... 

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

Então Deus convida-nos a sermos sossegadinhos e preguiçosos?

Claro que não!

Deus convida-nos sim, em todos os instantes e situações, a agir (às vezes, a agir mesmo muito) mas sob o impulso e graça do Espirito Santo, que é sempre gentil, suave e pacífico. E não sob um espírito de inquietude, preocupação, agitação e pressa desmedida, como tanta vez nós escolhemos fazer.... 

 

Aliás, uma das estratégias mais utilizadas pelo Maligno para nos afastar do amor de Deus é precisamente fazer-nos perder a paz nos nossos corações...

Não o podemos permitir! 

A paz e a esperança de coração são características essenciais e identificativas dum cristão e nunca devem ser perdidas - ainda mais nos dias de hoje, onde parece que somos os únicos a conseguir manter essa luz no mundo ... 

 

Comecemos já pela oração - uma das armas mais poderosas que Deus nos ofereceu...

 

Espírito Santo, amor do Pai e do Filho

Inspirai-me sempre

O que devo pensar

O que devo dizer

O que hei-de calar

O que hei-de escrever

O que hei-de fazer

Para Vossa glória

Para o bem de todas as almas

E para a minha própria santificação.

Ó meu bom Jesus, em Vós ponho toda a minha confiança!

Amém

 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe

Lições de humildade ...

O Senhor levou-me a viver inúmeras aventuras, com Ele, neste ano de 2018, ano esse que agora termina para dar lugar a um novo ano - cheio de possibilidades, oportunidades, sonhos, conquistas e lições ....

 

Neste ano de 2018, iniciei a minha profissão como médica, passando por diversos serviços e áreas, passando da teoria abstrata, impessoal e indiferente para a prática real, imperfeita, humana, personalizada. Agora, neste ano de 2019, iniciarei a minha formação específica para me tornar médica de família, um processo que será, sem dúvida, díficil e muito trabalhoso, e que durará pelo menos 4 anos ...

Neste ano de 2018, consolidei a minha vocação como catequista na minha paróquia, oferecendo-me verdadeiramente de corpo e alma, aceitando (uns dias melhores que outros) todas as contrariedades e dificuldades que foram surgindo pelo caminho, e aceitando desafios que outrora jamais teria tido a coragem de o fazer ...

Neste ano de 2018, assumi publicamente (no meu coração, já o tinha feito há muito tempo...) o meu compromisso com o movimento das Famílias de Caná, após um (demasiado longo) período de discernimento acerca do meu papel, como leiga solteira, dentro do movimento, e assim tornei-me numa activa Jovem de Caná - à semelhança de Nossa Senhora quando ainda solteira....

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Neste ano de 2018, passei também por um intenso processo de discernimento vocacional, após ter aumentado, a passinhos de bebé (mas sempre aumentando, graças a Deus!), a minha vida de oração, e agora encontro-me num estado de maior claridade, desapego e entrega à vontade de Deus para a minha vida ...  

Por fim, neste ano de 2018, tomei a difícil e custosa decisão de sair da casa dos meus pais, para vir viver sozinha numa casinha, bem juntinho da casa de Jesus, e, com esta última decisão, as pequenas portas e janelas que ainda pudessem estar a impedir a ação do Espírito Santo, foram finalmente escancaradas e plenamente abertas às Suas infinitas Graças (até ao dia em que eu voltar a fechar alguma, novamente - convosco também é assim?)

 

Houve, sem dúvida, outros acontecimentos marcantes e significantes que podia referir, mas penso que estes servirão para explicar, pelo menos em parte, como cheguei às pequenas reflexões que hoje queria partilhar convosco. São anotações soltas que eu fui escrevendo ao longo do ano, no meu caderno espiritual. Todas elas partiram de situações difíceis, em que o meu orgulho e egoísmo desmedidos tiveram de morrer (aos bocadinhos, claro) - autênticas lições de humildade que Deus, tão carinhosa e pacientemente, me tem vindo a ensinar....

 

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O ano de 2018, para mim, podia ter perfeitamente como tema e título - "Crescer em intimidade com Deus": crescer mesmo quando custa e dói, sem medo das mudanças, das transformações, daquilo que se perde e que tem de morrer, para algo melhor e mais santo poder germinar, nascer, crescer e florir; intimidade - um dos desejos mais profundos do nosso coração - com Deus, por Deus, em Deus ...

 

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Neste ano, compreendi finalmente (de coração) que o nome que melhor revela a vocação da mulher é maternidade, é ser mãe; e que o verbo que melhor define a vocação da mulher é receber e estar sempre aberta à vida ... Esta vocação está profundamente enraizada no nosso coração, por mais que a neguemos ou tentemos fugir dela, e apenas encontraremos a felicidade verdadeira, plena, permanente, eterna e inalterável, independentemente das circunstâncias da vida, se a aceitarmos de braços abertos - à semelhança de Maria.

 

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Neste ano, descobri que um dos maiores desejos do meu coração é receber Aquele que mais quero amar, Aquele que mais me ama, Aquele que é o amor, Aquele que é o meu Amado ...

Receber é uma palavra maravilhosa e divina, mas também é uma palavra difícil e muito exigente. Para eu poder receber, tenho de estar disposta a ser e estar vulnerável - oh, a vulnerabilidade de receber! - tenho de admitir e aceitar que tenho uma necessidade, que algo me falta, de que preciso de algo que não tenho e que não sou capaz ... Admitir e aceitar isto, pode ser assustador ao princípio, pode deixar-nos com medo e fazer-nos sentir ansiedade - e o mundo de hoje tem tantas formas apelativas de nos afastar desta realidade e de nos fazer esquecer estes sentimentos que, ao contrário do que popular e socialmente se propaga, não nos faz mal nenhum, antes pelo contrário - dá-nos vida e felicidade!

 

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O que significa intimidade, Senhor? O que significa ser íntimo de alguém, mas especialmente de Ti?

É sentir-se plenamente "em casa" na presença de alguém. É aceitar ser-se perfeita, total e completamente conhecida tal como sou - cheia de vícios, defeitos e pecados, cheia de feridas abertas e outras em resolução, "cheia" de espaços vazios e de pedaços que faltam - e, ainda assim, aceitar ser-se amada ... por aquele Amor louco e infinito de Deus que, tal como um dilúvio, é capaz de nos encher até transbordar, de inundar completamente todos os buracos e espaços vazios, de limpar todas as feridas, de remover todas as minhas manchas e sujidades e de santificar e purificar todos os meus desejos ... Intimidade significa eu poder ser, livremente, quem sou - sem máscaras, sem medos, sem sentir necessidade de ser aprovada, nem de conseguir ser ou fazer algo ... para ser amada.

 

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Mas, como se chega a essa intimidade - conTigo? Como podemos nos tornar íntimos?

Para se ser íntimo, é necessário confiar no outro. Em que se baseia a confiança?

Em promessas realizadas. Num amor que tenha sido comprovado e testado, que tenha sido posto à prova no fogo, por diversas vezes, e ainda assim subsistir - e até aumentar de intensidade - apenas um amor assim pode chegar a esse nível de intimidade que eu tanto desejo .... E, na minha vida, Deus já me deu mais do que provas suficientes do Seu amor....

 

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É realmente um dos desejos mais profundos do nosso coração ser-se conhecido e amado: é alguém conhecer toda a nossa história de vida, todo o nosso ser e, ainda assim, aceitar-nos e amar-nos. 

 

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Se tivermos a coragem de olhar para o mais profundo do nosso coração, descobriremos que desejamos ser intimamente conhecidos; que desejamos permitir que possamos ser vistos, conhecidos e admirados; que desejamos permitir ser acarinhados e amados....

O maior desejo de Jesus (por inúmeras vezes e por inúmeras vozes Ele nos disse isto!) é oferecer-nos o Seu amor, é satisfazer e realizar todos estes nossos desejos mais profundos ... porque não O permitimos de vez?

Porque ainda tento eu fazer coisas, ser assim ou assado e, desta forma, "provar" a Deus que mereço o Seu amor...? Quem penso eu que sou? Merecer o amor de Deus? Como se fosse possível ... que heresia! Que pecado tão grande! Afinal, quem é para mim Jesus?....

 

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Olho para Jesus na cruz - um dia, li algures que a cruz é o leito matrimonial de Jesus. Sim, leito matrimonial ...

Ali, Jesus encontra-se nu e sem qualquer proteção. Nada possui. Está completamente vulnerável e sem qualquer segurança a que se agarrar. Ali está Jesus - pregado, aberto, indefeso, vulnerável ... 

E o Seu maior desejo é tornar-se Um connosco. É abraçar os nossos medos, inseguranças, traumas e dores. É amar-nos completa e infinitamente....

Jesus, na cruz, não se preocupa em proteger-se a Si mesmo - o que apenas deseja é oferecer-se a Si mesmo, é entregar-se - por nós ...

 

Amar ~ Oferecer ~ Receber ~ Confiar ~ Amar

 

 

"Bendiz o Senhor, ó minha alma.

A minha única alegria encontra-se no Senhor.

Ao Senhor, glória eterna! Aleluia!"

Salmo 103

 

Um abençoado ano novo para todos! Que aceitem o convite de Deus, para crescerem em intimidade com Ele, ao longo deste ano ...

Ser luz

Nós somos chamados a sermos uma luz - como uma pequena chama duma velinha branca - num mundo que está cheio de luz artificial eléctrica.

Quem vive no conforto da luz artificial não consegue ver a nossa luzinha de vela; aqueles que até a conseguem ver, não percebem para que serve ou não compreendem porque insistimos em mantê-la acesa - num mundo cheio de luz artificial. Para quê? Porquê?

 

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Imagem retirada daqui

 

No meu trabalho no hospital, quando alguém descobre que eu sou catequista, não é costume ouvir nenhum comentário entusiástico nem incentivador. Não é adequado um médico ter religião ... porque pode interferir.

Os meus colegas não compreendem porquê é que eu haveria de gastar o meu tempo com essas coisas.... eu devia era sair, viajar, gastar o meu ordenado em jantares e prendas e aproveitar a vida.

A minha família pergunta-me várias vezes porque é que eu passo tanto tempo na igreja, envolvida em tantas coisas? Missas e missas e missas, reuniões, encontros, actividades, catequese, vias sacras ... para quê? perguntam-me sempre.

 

Para ser sincera, eu própria às vezes me pergunto se todas as horas que eu invisto em preparar a catequese terá algum valor ... Tantas horas a desenvolver ideias para que as catequeses sejam estimulantes, que ensinem pelo exemplo, que toquem os corações de todos os meninos, que os façam não só saber mas compreender e querer viver ...

Aqueles meninos de 7 anos nunca se vão lembrar de mim quando forem adultos. Não se vão lembrar de grande parte das coisas que eu lhes tentei ensinar. 

Que posso fazer eu, quando os pais não vêm à missa, não querem saber da igreja, e só põem os filhos na catequese como se fosse outra actividade extra-curricular como a natação ou o ballet? Ou apenas para poderem fazer a primeira comunhão? 

Que diferença farei eu nas suas vidas? Que diferença faz aquilo que eu faço?...

 

Há dias difíceis, em que me deixo engolir por essas vozes e pensamentos, em que apetece desistir de tudo. Sim, há dias assim; poucos dias, pela graça de Deus, mas existem.

Nestas alturas, Deus tem sempre o enorme carinho de me enviar um anjo, na forma duma pessoa, que me incentiva, que me anima, que me compreende e que partilha comigo situações parecidas. Ou então descubro uma reflexão de alguém no facebook ou em algum site ou num livro, que reflecte as minhas duvidas e que me ajuda a encontrar soluções.

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Imagem retirada daqui

 

Sim, aquilo que eu faço, aos olhos do mundo, não é quase nada. Não tem qualquer valor. É insignificante. É tempo mal gasto. Não me faz ganhar nada, aliás, só me faz perder....

Não consigo deixar de sorrir ao escrever este texto. As pessoas não compreendem nada! Não compreendem o que verdadeiramente tem valor!

 

"Perante um mundo fragmentado, (...) perante a experiência dolorosa da nossa própria fragilidade, torna-se necessário e urgente, atrever-me-ia mesmo a dizer imprescindível, aprofundar a oração e a adoração. Ela nos ajudará a unificar o nosso coração e nos dará «entranhas de misericórdia», para sermos homens de encontro e comunhão, que assumem como vocação própria tomarem a seu cargo a ferida do irmão (...) dando testemunho de um Deus tão próximo, tão Outro: Pai, Irmão e Espírito; Pão, Companheiro de Caminho e dador de Vida (...)

Hoje, mais do que nunca, é necessário adorar para tornar possível a "proximidade" que reclamam estes tempos de crise. Só na contemplação do mistério do Amor que vence distâncias e se torna perto encontraremos a força para não cair na tentação de seguir de longe, sem nos determos no caminho... (...)

Também nós, perante esta nova invasão pseudocultural que nos apresenta os novos rostos pagãos dos «baalins» do passado, experimentamos a desproporção de forças e a pequenez do enviado. Mas é justamente a partir da experiência da própria fragilidade que se evidencia a força do alto, a presença d'Aquele que é o nosso garante e a nossa paz.

Por isso, quero convidar-vos (...) a que reconheçais na vossa fragilidade o tesouro escondido, que confunde os soberbos e derruba os poderosos. Hoje, o Senhor convida-nos a abraçar a nossa fragilidade como fonte de um grande tesouro evangelizador. (...)

Porque só aquele que se reconhece vulnerável é capaz de uma acção solidária. Pois comovermo-nos («movermo-nos com»), compadecermo-nos («padecermos com») de quem está caído à beira do caminho são atitudes de quem sabe reconhecer no outro a sua própria imagem, mescla de terra e tesouro, e por isso não a rejeita. Pelo contrário, ama-a, aproxima-se dela e, sem o procurar, descobre que as feridas que cura no irmão são unguento para as suas. A compaixão converte-se em comunhão, em ponte que aproxima e estreita laços. (...)

Não tenhais medo de cuidar da fragilidade do irmão com a vossa própria fragilidade: a vossa dor, o vosso cansaço, as vossas perdas; Deus transforma-os em riqueza, unguento, sacramento. (...) Há uma fragmentação que permite, no gesto terno do dar, alimentar, unificar, dar sentido à vida. (...) Que possais, em oração, apresentar ao Senhor os vossos cansaços e fadigas, bem como o das pessoas que o Senhor colocou no vosso caminho e deixai que o Senhor abrace a vossa fragilidade, o vosso barro, para o transformar em força evangelizadora e em fonte de fortaleza. (....)

É na fragilidade que somos chamados a ser catequistas. A vocação não seria plena se excluísse o nosso barro, as nossas quedas, os nossos fracassos, as nossas lutas quotidianas: é nela que a vida de Jesus se manifesta e se faz anúncio salvador. Graças a ela descobrimos as dores do irmão como sendo nossas."

 

Palavras do Papa Francisco, numa carta aos catequistas da diocese de Buenos Aires, 

Agosto de 2003 (retirado do livro - O Verdadeiro Poder é Servir, da editora Nascente)

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Imagem retirada daqui

 

Não importa que ninguém veja aquilo que fazemos. Não importa se parece insignificante e sem valor. Deus vê tudo o que fazemos e vê, principalmente, o amor com que o fazemos. 

Mantenhamos a nossa pequena chama acesa, num local onde todos a possam sempre ver. Sempre que a luz artificial se apague nas vidas das outras pessoas, como tantas vezes acontece, que elas possam sempre ver e contar com a nossa pequena luz, para as iluminar e lhes dar de novo vida. 

Bênçãos

Uma maratona nunca é fácil. Uma maratona requer um esforço contínuo, constante no tempo e na intensidade, requer vontade e determinação, requer confiança, requer esperança ... 

Realizar uma preparação de cerca de 1 ano e meio para o exame mais importante da minha vida também não foi fácil. Aliás, foi uma autêntica maratona - e os últimos 6 meses foram particularmente difíceis e intensos.

 

É aqui que entram os amigos.

Eu perdi a maioria dos meus amigos quando entrei para a faculdade (como contei antes) e durante anos rezei e rezei para que Deus me trouxesse novos amigos, verdadeiros amigos - de acordo com a minha nova vida cristã. O Senhor, como sempre, ouviu as minhas preces. E quando dei por mim, novas e maravilhosas amizades foram florescendo, um pouco por todo o lado. Glória a Deus! Como Deus é bom!

 

Este Verão foi difícil e extenuante, sim. Mas também serviu para me aperceber da bênção que é ter amigos que te enviam mensagens de apoio pela internet, pelo telemóvel ou até por carta.

Serviu para me aperceber da bênção que é ter amigos com quem posso rir e dar gargalhadas, mesmo nas situações mais difíceis.

Serviu para me aperceber da bênção que são os nossos vizinhos, que te deixam todas as semanas uma flor nova no portão da nossa casa, apenas para te alegrar.

Serviu para me aperceber da bênção que é ter uma amiga com quem pude enviar e receber passagens bíblicas de apoio e esperança, quase diariamente durante meses (mesmo ela não sendo católica)!

Serviu para me aperceber da bênção que é alguém alegremente se oferecer para te substituir numa tarefa importante, quando a tua vida dá voltas inesperadas, como foi a morte da minha avó.

E serviu principalmente para me aperceber da enorme bênção que é a minha família, com todos os seus elementos, que Deus especialmente escolheu para mim...

Obrigado Senhor, por tantas bênçãos!

 

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Quando, no dia do exame, quinta-feira dia 16 de Novembro de 2017, eu liguei o telemóvel para ler as leituras da missa diária ao pequeno-almoço e me deparei com o seguinte:

 

Quinta-feira da 32ª semana do Tempo Comum

Dia de Santa Margarida, rainha da Escócia, +1093 (que eu tinha "conhecido" apenas semanas antes)

e dia de S. José Moscati, médico, +1927 (médico!!!!)


1ª Leitura 

"Na Sabedoria há um espírito inteligente, santo, único, multiforme, subtil, veloz, perspicaz, sem mancha; um espírito lúcido, inalterável, amigo do bem; penetrante, irreprimível, amigo dos homens; firme, seguro, sereno; tudo pode, tudo abrange e tudo penetra. Ela é o sopro do poder de Deus."

Sabedoria 7:22-23,25

 

... só podia correr tudo bem. E assim foi 

O deserto

Eis que chegamos ao fim de Agosto. E aproximamo-nos do fim do Verão ....

Como podem ter calculado pela minha ausência aqui no blogue, estive de férias. Este ano, pela primeira vez, não fomos passar férias a lado nenhum, com excepção dum fim-de-semana, no início de Agosto, a que fomos a Lamego, à terra natal da mãe, para o casamento do meu padrinho, o irmão mais novo da minha mãe.

Assim, apesar de ter permanecido em casa, decidi afastar-me da internet, do computador e, claro, dos blogues ...

 

Talvez devesse ter-vos contado antes mas, desde o início destas férias, no princípio de Julho, que tenho experimentado algo que apenas posso expressar como um "deserto espiritual". Durante estes dois meses tenho-me sentido verdadeiramente seca e árida a nível espiritual. A minha fé parece que estagnou. Deixei de crescer. Simplesmente parei. Permaneço no mesmíssimo lugar. Aqui, no deserto …

 

Não pensem que tenho passado por uma crise de fé. Longe disso.

Começo, finalmente, a compreender que o Senhor me trouxe até aqui para puder mostrar-me alguns defeitos e alguns pecados que, continuamente, tenho repetido e repetido e repetido, sem conseguir superá-los verdadeiramente. Em troca, Deus tem-me (tentado) ensinar novas virtudes, para substituir os defeitos que tenho tentado vencer. Mas tem sido um trabalho demorado e bastante difícil … apenas porque eu sou teimosa e teimosa e teimosa, e recuso-me a deixá-los ir ….

Perdoem-me por não poder dizer mais, mas a natureza da situação é demasiado íntima para puder partilhá-la convosco…

 

Além disso, para piorar a situação, estas férias têm trazido bastantes más notícias para a nossa família e para os nossos amigos. Julho começou com uma tentativa de suicídio duma amiga da mãe. Houve idas às urgências e internamentos de outros amigos nossos. Houve, na família, a partida dum querido e desejado bebé, que o Senhor chamou para junto de Si, ainda antes de nascer. E, para terminar, na véspera do meu aniversário, ficámos a saber que a avó materna, que vive em Lamego, tem uma neoplasia do estômago pouco promissora, e que uma tia da minha mãe estava também no hospital, às portas da morte, com um tumor do ovário, já metastizado por tudo quanto seja lado … Ah, sem esquecendo, claro,  a carga física e emocional diária de ter o avô acamado e demente ...

 

Compreendem, assim, que este verão tem sido particularmente difícil, não só para mim, mas também para a minha família. Adicionalmente, Setembro promete trazer consigo inúmeras e profundas alterações nas nossas vidas, mas sobre isso talvez seja melhor falar-vos num outro post….

 

Não pretendia escrever-vos um post desanimador, como acabei por escrever. Nós estamos bem – talvez um pouco abatidos e fragilizados, sim, mas estamos bem. Porque temos a nossa Fé. 

 

A Fé Católica trouxe-nos este enorme presente: nós sabemos que, desde que haja esperança, amor e fé ... tudo se faz e tudo se supera. 

 

P.s: Tentarei voltar, ainda que aos poucos, às publicações aqui no blog, talvez já na próxima semana :)