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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Deus disse: «Faça-se luz» (o 1ºdia da Criação)

A preparação do novo ano catequético, que se inicia este fim-de-semana na minha paróquia, leva-me a ler e a desfolhar as primeiras páginas da Bíblia, acerca do relato da Criação do mundo em 7 dias. No primeiro dia a luz é criada, no segundo dia ocorre a separação das águas, no terceiro a terra seca surge no meio das águas ...

Hmm ... - dou por mim a pensar - isto parece-me familiar ... sim, isto faz-me mesmo lembrar de ...

 

Apercebo-me então que cada dia do relato da Criação parece querer prefigurar um episódio específico da vida de Jesus, da Encarnação ao Calvário. Na verdade, parece que o Divino Autor das Sagradas Escrituras tentou anunciar-nos a total restauração que Cristo nos viria oferecer, por amor, logo desde as primeiras páginas ... 

No princípio, Deus disse: «Faça-se luz.» E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia à luz, e às trevas, noite. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia. (Gn 1,3-5)

Jesus, Luz dos homens, estava presente antes de qualquer outra coisa existir. Deste modo, esta Luz tomou parte, tornou-Se parte, de todas as coisas que foram criadas depois Dela. Nada foi criado que não A possuísse, que não A tivesse em si. Esta Luz, esta Vida, estava, assim, presente em todas as coisas...

Até surgir o pecado.

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Imagem retirada daqui

No princípio existia o Verbo;
o Verbo estava em Deus;
e o Verbo era Deus.

No princípio Ele estava em Deus.
Por Ele é que tudo começou a existir;
e sem Ele nada veio à existência.

Nele é que estava a Vida
de tudo o que veio a existir.
E a Vida era a Luz dos homens.

A Luz brilhou nas trevas,
mas as trevas não A receberam.

(Jo 1,1-5)

Através do pecado, prefigurado pela história de Adão e Eva no jardim do Éden, o homem renunciou a esta Luz, a esta Vida, presente em todas as coisas criadas pelo Senhor. Ao escolher o pecado, ao escolher o amor próprio, o egoísmo, o desejo de se tornar como Deus, o homem renunciou ao amor do Senhor, que estava intrinsecamente presente em tudo o que existia, desde o primeiro dia da criação do mundo.

Deus não aceitou esta separação. Então planeou uma nova criação, uma nova humanidade, através do mistério da Redenção de Cristo Jesus.

«Eis que venho renovar todas as coisas.» (Ap 21,5a)

Foi assim o primeiro dia da Nova Criação: Deus disse «Faça-se Luz». E a luz foi feita.

«Maria, hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus»

«Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» (Lc 1,31.38)

Com o mistério da Encarnação, Jesus colocou toda a Sua divindade dentro duma célula minúscula, dentro do ventre de Maria, que a acolheu e nutriu, como ninguém alguma vez poderia ter feito. Deus, o Criador, entra assim dentro da Sua própria criação ... E se, antes, havia uma parte da Luz do Senhor em cada coisa criada, Maria tornou-se a primeira criatura a ser plena e totalmente possuída pela Luz, pela Vida, de Deus. 

O Verbo era a Luz verdadeira,
que, ao vir ao mundo,
a todo o homem ilumina.

E o Verbo fez-Se homem
e veio habitar connosco.
E nós contemplámos a Sua glória

(Jo 1,9. 14)

Ensina-me, Mãe, a deixar-me também possuir, totalmente, por essa Luz da Vida ...

O divino Jardineiro

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava.  (Jo 20,1)

Recentemente, por inspiração dum querido padre, tive a oportunidade de olhar com novos olhos para aquele que é um dos meus episódios favoritos em toda a Bíblia.

Conta-nos São João, o discípulo tão amado pelo Senhor

Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram.»
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o jardineiro, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que O tiraste, diz-me onde O puseste, que eu vou buscá-Lo.» 

Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os Meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o Meu Pai, que é vosso Pai, para o Meu Deus, que é vosso Deus.'» Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.

Jo 20, 11-18

E se Maria Madalena, na verdade, não se enganou? E se ela viu, verdadeiramente, o divino Jardineiro?

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Para perceber temos de voltar ao início, lá bem atrás no Génesis, do início da Criação, como nos mostrou tão belamente o Papa João Paulo II, ao oferecer-nos a todos o dom da revelação da Teologia do Corpo...

 

No início, Deus criou um jardim, rico em frutuosas virtudes e em belos actos de amor. Era o jardim mais bonito deste mundo - o coração unido dum homem e duma mulher. Feitos à imagem e semelhança de Deus - a Santíssima Trindade, plena comunhão de Amor - nada podia ser mais belo ou perfeito.

O homem, formado a partir da rudeza da terra, cumpria perfeitamente a sua vocação - ser aquele que providencia, que governa, que cuida e protege, que inicia o amor. A força, a firmeza e a segurança eram a sua própria essência. 

Já a mulher, formada a partir da carne e do sangue, cumpria a sua própria vocação, diferente e complementar à do homem. Ela era aquela rica em sentimentos e emoções, aquela capaz de acolher no seu seio de mulher e mãe, capaz de receber o amor de Adão e de o frutificar, ao tornar o seu próprio ser num autêntico lar. O cuidar, o acarinhar, o compadecer-se, o ajudar a crescer e fortalecer era o seu chamamento.

 

Mas a serpente era esperta e matreira, e conseguiu descobrir, no meio de tantas virtudes, uma pequena brecha onde pudesse deitar - bastou umas meras gotas - do seu veneno mortal. 

Sendo a mulher naturalmente mais notada a estar atenta aos outros e às suas necessidades - enquanto o homem tende a focar-se no dever, no trabalho, na conquista e na luta diária - e sendo ela a chave certeira para alcançar as profundezas do coração do homem, claro que a maldita serpente se dirigiu primeiramente a Eva. E assim, no coração da mulher, o diabo gerou pela primeira vez a dúvida e a suspeita....

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«E se ...» E se eu ouvir só um bocadinho, esta voz que me sussurra ao ouvido? E se aquilo que a serpente diz for verdade? Porque não deseja Deus que nós comamos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal? Estará Deus a esconder-nos alguma coisa? Se nos ama, porque não nos permite comer de todos os frutos? Porque não podemos ter tudo? E se, em vez de morrermos ao comer do fruto proibido, nos tornar-nos ainda melhores, mais sábios, mais belos, mais santos - afinal, é a árvore do conhecimento do bem e do mal ... 

A cada novo pensamento o fruto proibido se tornava mais apetitoso, apeticível, desejável ... Se eu quero, se me apetece, se está aqui mesmo à mão, que me impede de o fazer? Não serei eu, porventura, livre? (é impressionante como esta linha de pensamento tem ressoado e ecoado até aos dias de hoje ...)

 

Então a mulher toma a iniciativa - não era essa a vocação de Adão? - pega no fruto e come. E onde está Adão? Porque não está ele a cumprir a sua vocação e a proteger o seu bem mais precioso, a sua esposa e irmã, formada a partir do seu próprio coração? Oh, a ele já não era preciso que uma serpente o seduzisse e enganasse, pois ele próprio já se tinha deixado levar pelo mundo que o rodeava, focado nos seus próprios projetos de conquista de todo o mundo ....

Ambos comeram do fruto proibido, porque ambos almejavam tornar-se como deuses. E assim, os olhos de ambos, que antes apenas viam o amor sincero e verdadeiro, o bom e o belo, tornaram-se capazes de contemplar aquilo que eles próprios tinham construído - o pecado, a desconfiança, o medo, a vergonha, a maldade. 

Porque não me protegeste? Eu confiava em ti! A culpa é dele! - diz Eva a Adão e ao Senhor.

Porque me ofereceste algo que me levou à morte? Eu confiava em ti! A culpa é dela! - diz Adão a Eva e ao Senhor. 

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E assim, as nossas próprias escolhas, o nosso próprio pecado - a recusa e a desconfiança no amor que Deus e o outro tem para nos dar - levam-nos do belo jardim ao mais inóspito deserto, onde vagueamos sem cessar, à procura da verdadeira fonte de água vida e do verdadeiro maná que vem do céu ... 

É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração (Os 2,16) 

Deus é incapaz de suportar esta separação, esta divisão, este abismo enorme que nós próprios cavámos. É o próprio Deus, qual divino Jardineiro, que vem dar uma nova vida ao deserto do coração humano:

Eis que venho renovar todas as coisas (Ap 21,5)

 

Jesus, como novo Adão, demonstrou na Cruz o seu perfeito amor - livre, total, fiel e fecundo - capaz de dar a própria vida para proteger a Sua amada - cada um de nós. 

No sítio em que [Jesus] tinha sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. (Jo 19,41)

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Jesus é o divino Jardineiro, capaz de transformar o coração de cada homem e mulher dum deserto hostil e árido num autêntico jardim cheio de vida, luz e cor - a nova Jerusalém celeste, santa e imaculada, tal como nos promete o último livro da Bíblia.

Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo.

E ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia: «Esta é a morada de Deus entre os homens». (Ap 21,1-3)

Mostrou-me, depois, um rio de água viva, resplendente como cristal, que saía do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da praça da cidade e nas margens do rio está a árvore da Vida que produz doze colheitas de frutos; em cada mês o seu fruto, e as folhas da árvore servem de remédio para as nações.  (Ap 22,1-2)

Ah, Maria Madalena, a primeira a ser chamada para entrar no jardim aberto por Jesus ...

Talvez, no final das contas, Maria Madalena tenha tido razão ao identificar Jesus Ressucitado como o divino Jardineiro, que a todos traz a vida e a vida em abundância ... 

O véu que se rasga e a porta que se abre ... para sempre!

Jesus, com um grito forte, expirou. E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo (Mt 15, 38)

Com a morte de Jesus rasga-se o véu do templo de Jerusalém. Este véu localizava-se no interior do templo, à entrada do Santo dos Santos, o local mais sagrado para os judeus, onde apenas o Sumo Sacerdote podia entrar (e apenas uma só vez no ano) para estar na presença do Altíssimo e pronunciar o Seu Nome santo.

Este véu, ao contrário dos véus a que estamos habituados, não era de renda, nem de nenhum tecido fininho, transparente ou frágil. Era mais uma tapeçaria, um têxtil que apenas podia ser produzido pelo melhor artesão, sujeito a inúmeras regras, utilizando fios de lã de cor azul (simbolizando o Criador do mundo), de cor roxa (significando a realeza do Senhor dos Exércitos) e de cor escarlate (simbolizando o sangue dos sacrifícios) juntamente com fios do linho mais puro, pela pureza do Santo de Israel. Depois, tinha ainda de ser bordada a ouro, com a imagem de dois querubins, de dois anjos que guardavam, de dia e de noite, a porta que dava acesso ao Senhor. E o que se dizer das suas dimensões? Nada mais nada menos que 5m de largura, 5m de altura e 5cm de espessura de acordo com as Escrituras...

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Imagem retirada daqui

Com a morte de Jesus rasga-se o véu do templo de Jerusalém. Este véu espesso e forte, que impedia o acesso a Deus, é dividido em dois e rasgado de alto a baixo. O rosto de Deus, que sempre tinha estado, até aquele momento, escondido e velado - até mesmo de Moisés, que falava com o Senhor como se fosse um amigo - é então revelado a todos, judeus e pagãos. 

É o próprio Deus que retira o véu e que Se mostra e releva livremente, como Aquele que ama até ao fim, Aquele que ama até dar a própria vida pelo ser amado... 

O véu foi rasgado. A porta foi escancarada. O peito foi aberto. O acesso a Deus está livre!

No primeiro dia da semana, ao romper do dia, as mulheres foram ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado. Encontraram removida a pedra da porta do sepulcro e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Apareceram-lhes dois homens em trajes resplandecentes, que lhes disseram: «Porque buscais entre os mortos Aquele que vive? Não está aqui: ressuscitou!» (Lc 24, 1-3.4b.5b)

Temos o azul do céu, o roxo dos perfumes, o escarlate das marcas do sangue e o branco da mortalha e das ligaduras. À entrada, dois anjos guardam a porta que dá acesso ao Senhor e a porta está completamente aberta ... Já nada, nem mesmo o pecado nem a morte, nos pode separar do amor de Deus!

Aleluia! Aleluia! 

A Verdade

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». (Jo 14,6)

Jesus é a Verdade. Deus é a Verdade. A Verdade é Deus.

Assim, o mundo torna-se cada vez mais verdadeiro na medida em que reflectir Deus - o amor de Deus e o Deus de amor. Assim, o mundo torna-se tanto mais verdadeiro quanto mais se aproximar de Deus e do Seu Reino de verdade, vida, liberdade, amor. 

O homem torna-se cada vez mais verdadeiro, cada vez mais ele mesmo, cada vez mais parecido com o ser que deveria ser, quanto mais se conformar com o próprio Deus, quanto mais se tornar a Sua imagem e semelhança. 

Deus é a realidade que nos confere a natureza e o sentido do nosso ser. 

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Imagem retirada daqui

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. (Jo 17,37)

Dar testemunho da Verdade significa então pôr Deus em realce, dar-Lhe o primeiro lugar em todos os instantes e em todos os aspectos da nossa vida. Dar testemunho da Verdade significa estar atento, colocar-nos em atitude constante de escuta e pôr em prática a Sua vontade.

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. (Jo 17,37)

A Redenção que Cristo nos veio oferecer foi assim, de certo modo, o tornar a Verdade perfeitamente reconhecível, identificável, perceptível - para todos. 

Que é a Verdade?

«Que é a Verdade?» (Jo 18,38)

Esta é a pergunta que Pilatos faz a Jesus, já no final do seu interrogatório. Realmente, ele faz a pergunta - mas não quer ouvir a resposta. É por isso que Pilatos foge - "dito isto, foi ter de novo com os judeus" (Jo 18,39). Porque, se ouvisse a resposta, algo, depois, teria de mudar... Ninguém pode permanecer o mesmo, viver da mesma forma, agir do mesmo modo - depois de fazer uma pergunta destas Àquele que tudo criou. Não depois de ouvir a resposta ...

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Imagem retirada daqui

Jesus sabia que Pilatos não ia querer ouvir a resposta à sua própria pergunta - «Que é a Verdade?» (Jo 18,38) a pergunta que brotou espontaneamente do seu coração, sem que ele a pudesse impedir de se expressar, sem que a razão - fria, política, calculista, como era seu hábito - dominasse a questão profunda que a sua alma procurava ...

Mas foi para poder responder clara e definitivamente a esta questão - que surge não só no coração de Pilatos, mas também de cada homem, mais tarde ou mais cedo ao longo da sua vida - que Jesus encarnou, viveu, morreu e ressuscitou. É por isso que Jesus oferece a Pilatos, subtilmente, a resposta, antes mesmo de este a pronunciar em voz alta, quando ainda só o tinha feito no fundo da sua alma. E esta é a única resposta capaz de o (e de nos) saciar 

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade.

Todo aquele que vive da Verdade, escuta a Minha voz». (Jo 18,37)

A voz doce e verdadeira d'Aquele que nos diz

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». (Jo 14,6)

Fala, Senhor, que o Teu servo escuta ... 

Vivendo hoje mesmo a Vida Eterna

Assim falou Jesus, levantando os olhos para o céu, exclamando: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do Teu Filho, de modo que o Filho manifeste a Tua glória, segundo o poder que Lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que Lhe entregaste. Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste».

Jo 17,1-3

No outro dia, apercebi-me da tendência que tenho em pensar na «vida eterna» como sendo apenas a vida que começará depois da nossa morte. Oh, quando formos para o Céu! Oh, viveremos eternamente no Reino do amor de Deus! Como seremos felizes, felizes!.... 

Mas não, não é assim. Ao meditar nesta passagem de São João, apercebo-me do meu grave erro. A vida eterna não é algo que ainda vai começar. É algo que já começou!

Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.           (Jo 17,3)

A partir do momento que ocorre esta conversão no nosso coração, esta  no Senhor nosso Deus, Criador do céu e da terra, nosso Pai que tanto nos ama, ao ponto de nos enviar o Seu Filho para nos redimir de todos os pecados que nós fizémos, apenas para podermos ter a possibilidade de entrarmos novamente em plena comunhão de amor com Ele ... É aí, aí mesmo, que começa a nossa vida eterna...

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Imagem retirada daqui

Diz-nos Jesus, no relato da ressurreição do Seu querido amigo Lázaro:

«Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre.»       ( Jo 11,25-26)

Os primeiros cristãos compreenderam logo esta realidade, profunda e transformadora, que Jesus nos veio oferecer. Chamavam-lhes "os viventes", segundo nos conta o nosso Papa Bento XVI, porque tinham encontrado aquilo que todos procuravam (e que continuam, ainda hoje, a procurar): a própria vida, a vida plena, verdadeira, imperecível, invencível, contra a qual a morte não tem nenhum poder ...

Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.           (Jo 17,3)

Cada homem encontra esta vida que tanto procura, a «vida eterna», através do conhecimento de Deus, do verdadeiro e único Deus. Conhecer, segundo a linguagem bíblica, significa comunhão, intimidade, entrega, identificação plena com aquele que queremos conhecer... 

A vida eterna torna-se assim, de certa forma, numa relação do mais profundo amor com Aquele que é em Si mesmo a verdadeira fonte da vida.

 

A "Passagem" do Amor

Queridos leitores, queridos amigos

Começo a pensar que digo o mesmo todos os anos (apesar de ainda só ter vivo 6 Quaresmas na minha vida), mas digo-vos com toda a sinceridade que a Quaresma deste ano tem sido, sem qualquer sombra de dúvida, a Quaresma mais difícil e excruciante de que me lembro de viver ... As razões são mais que muitas, as consequências e implicações, então, são ainda mais numerosas. Mas a causa ... a causa é só uma, vim eu a descobrir - o meu orgulho, a minha soberba.

 

Ao ler algumas reflexões de outras pessoas sobre esta Quaresma, tão particular e única, notei que muitas partilhavam o quanto esta Quaresma lhes ensinou a ouvir - a voz do Senhor e a voz dos irmãos. Bem, para mim, tendo sido uma Quaresma que me tem ensinado não só a ouvir mas também a ver ... eu, que tão, tão cega andava ... À semelhança do cego de Betsaida, que Jesus chama de parte, tomando-o pela mão para longe da cidade, para aí conversar com ele e curá-lo através da graça que provém da Palavra da Sua boca... 

Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?». Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar». Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos, ele começou a ver e ficou curado. 

Mc 8,23-25

 

Sei que este ano a Igreja nos chama a ler o Evangelho de São Mateus, mas eu tenho sentido uma necessidade inexplicável de ler o Evangelho de São João e é sobre algumas passagens deste Evangelho que gostava de ir partilhando convosco ao longo destes dias - talvez sejam umas reflexões um pouco soltas e um pouco atrasadas em relação ao programa litúrgico, eu sei, mas sei também que para a graça actuante do Senhor não existe tarde demais ... 

 

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

Jo 13,1

A festa judaica da Páscoa celebrava a saída e libertação do povo hebraico das terras do Egipto, passando da condição de escravos para filhos livres do Senhor. Agora - sim, agora - em que vivemos o pleno cumprimento de todas as Escrituras através de Jesus, é chegada a hora da "passagem" de Jesus, a hora do amor "até ao fim". Realmente, se pensarmos bem, o amor é um processo de transformação, em que cada um é chamado a sair de si mesmo e dos seus limites humanos, para chegar até ao ente amado, ao irmão, ao Senhor. Para amarmos como Jesus, é preciso estarmos dispostos a fazer - e a sofrer, sim, porque dói - esta passagem, esta transformação...

Para que o amor pelo irmão e pelo Senhor cresça no nosso coração (e na nossa vida), é preciso fazer espaço, é preciso criar espaço dentro dos nossos corações. Como? Pois, essa é a parte dolorosa, porque a resposta é só uma - esvaziando-nos de nós próprios, esvaziando-nos do amor que temos por nós próprios, despojando-nos do nosso querer, do nosso egoísmo ...

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Imagem retirada daqui

Jesus, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.

Jo 13, 3-5

Chegou a "hora" de Jesus, a hora do amor, perfeito, total, profundo, radical; chegou a hora de passar deste mundo para o Pai. Como vive Jesus essa hora de passagem, de mudança? Em pleno serviço, em pleno despojamento de Si mesmo ... 

Por amor à ovelha perdida e presa no pecado, por amor a mim, por amor a ti, Jesus saiu de junto de Deus Pai, e desceu até nós, assumindo a nossa condição humana. Nisto consiste o amor - sair de nós mesmos para alcançar o outro que amamos, descendo o que for preciso, abaixando-nos, humilhando-nos, até chegarmos junto do ser amado. 

Num gesto completamente contrário ao de Adão no jardim do Éden (e à minha própria acção, diária, aliás, inúmeras vezes ao longo do dia...), que tentou apoderar-se do que era divino pela sua própria vontade e através das suas próprias forças, Jesus esvazia-se de Si mesmo, colocando-se na posição de escravo e servo; retirando o Seu manto, despojando-se de todo o Seu esplendor divino; Jesus ajoelha-se diante de cada um de nós, lavando e enxugando os nossos pés sujos ... 

Jesus desceu do Céu, de certa forma, sozinho. Mas já não regressará para junto de Deus Pai sozinho. Levar-nos-á, a todos, com Ele, para o Céu, para o Reino de amor que Deus tanto anseia por nos oferecer - para todo o sempre! 

 

Vivendo as Bodas de Caná

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Estamos no final do nosso 7º dia de peregrinação na Terra Santa (um dia que tinha começado lá no topo do Monte das Bem-Aventuranças, ainda se lembram?). O Padre Miguel, que nos acompanhou ao longo de toda a viagem, tinha ainda uma surpresa guardada para nós neste dia: tinha conseguido marcar uma pequena visita guiada àquela que poderá ter sido a casa da Sagrada Família em Nazaré ... Mas parece-me que Deus tinha outros planos em mente para nós nesse dia ... 

A verdade é que, no dia anterior à nossa visita, a Irmã que se tinha disponibilizado para nos abrir a porta da casa e que nos daria a tal visita guiada tinha ficado inesperadamente doente e a visita tinha sido cancelada ...

"Assim, temos ainda mais 1 ou 2 horas livres neste fim de tarde. Alguém tem alguma ideia do que possamos todos fazer? Estão muito cansados? Querem voltar já para o hotel? Querem ir às compras?" - pergunta-nos o Pe Miguel já dentro do autocarro.

 

E eu começo a sentir borbulhar dentro de mim uma ideia e um desejo que tinha tido, semanas antes, ao contemplar o mapa de Israel e ao constatar todos os locais pelos quais iríamos passar na nossa peregrinação na Terra Santa.... Caná da Galileia não aparecia no nosso guião, logo não iríamos passar por lá, para minha grande tristeza... 

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Todos os locais pelos quais passámos neste 7º dia de peregrinação na Terra Santa

Volto a olhar para o mapa: Caná da Galileia ficava mesmo no caminho de volta para o nosso hotel, em Nazaré ... Não seria possível passar por lá? Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, se for essa a vontade do Senhor, peço-te este pequeno milagre! ...

Dou por mim a levantar a mão e a propor: "Não podíamos passar por Caná? No mapa parece que fica mesmo a caminho do hotel... " 

O Pe Miguel olha para mim intrigado. Nunca tinha pensado nessa hipótese. Ele, aliás, apesar de esta ser a 7ª vez que vem à Terra Santa, nunca tinha tido a oportunidade de visitar esta cidade .... Seria possível? Ainda dava tempo?

Começamos a falar com a nossa querida guia e com o nosso solicito motorista. Sacamos dos telemóveis para tentar saber se chegaríamos a tempo antes da igreja dedicada às Bodas de Caná fechasse. Sim, parece que conseguíamos chegar a tempo!

Eu nem quero acreditar! O meu coração mal cabe dentro de mim!!

Vamos a Caná da Galileia! Vamos a Caná da Galileia!!  

 

Apanhamos trânsito até lá chegar, mas conseguimos chegar 30 minutos antes da Igreja fechar. À entrada, um casal estrangeiro, vestido de noivo e de noiva, rodeados provavelmente da sua família, preparava-se para renovar as suas promessas de Matrimónio (fiquei com a sensação que faziam 25 anos de casamento!)

Alguém pergunta ao nosso Padre, talvez inspirado pela bela imagem que testemunhávamos: "Não podíamos também nós renovarmos as nossas promessas de Matrimónio aqui?"

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Alguns dos nossos casais, em preparação para a renovação dos seus votos de casamento

Pela graça de Deus, a ideia é novamente aceite por todos. A Igreja principal está já ocupada, sim, mas uma querida Irmã indica-nos uma pequena capela, no jardim à volta desta Igreja, em que o podemos fazer ... "Rapidamente, porque estamos quase a fechar!" - avisa-nos com um sorriso.

E nós, quando damos por isso, temos 10 casais a renovar as suas promessas de casamento em plena terra de Caná da Galileia!

Uns casaram-se há apenas 3 meses, outros há mais de 40 anos ... É uma cerimónia simples, como terá sido também as Bodas de Caná, como nos conta o Evangelho de São João, e eu vou recordando no meu coração os ensinamentos que tenho aprendido e vivido ao participar no movimento das Famílias de Caná ... 

 

“Ao terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia e a Mãe de Jesus estava presente. Jesus também tinha sido convidado para esse casamento com os Seus discípulos. Faltou o vinho e a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Eles já não têm vinho». Jesus respondeu: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? A Minha hora ainda não chegou.» A Mãe de Jesus disse aos servidores: «Fazei tudo o que Ele vos disser».

Ora, havia ali 6 vasilhas de pedra de uns 100 litros cada uma, que serviam para os ritos de purificação dos judeus. Disse Jesus aos servidores: «Enchei as vasilhas de água.» Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Agora tirai e levai ao chefe de mesa». E eles assim fizeram.

O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam sabiam, pois foram eles que tinham tirado a água. Então o chefe de mesa chamou o noivo e disse-lhe: «Todos servem primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que servem o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»

Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos Seus sinais miraculosos. Ele manifestou a Sua glória e os Seus discípulos acreditaram n’Ele.”

                                                                                                                                           Jo 2,1-11 

 

O Evangelho leva-nos directamente para a intimidade duma festa de casamento judaica. Pode-nos parecer bastante estranho que este relato comece com "ao terceiro dia...", pois actualmente as nossas festas de casamento duram apenas um dia, ou ainda menos, uma tarde ou uma noite ...  Eu acho que deveriam durar muito mais tempo, tal é a alegria contagiante e transbordante que todos vivemos quando duas pessoas se decidem a entregar toda a sua vida uma à outra...

Os judeus também parecem concordar comigo e assim as suas festas de casamento têm, até aos dias de hoje, pelo menos 7 dias (as famílias que tiverem dinheiro para isso, podem prolongar a festa até 14 dias).

Desde o início do povo de Israel que o casamento era uma festa vivida em comunidade, uma festa partilhada, com toda a família e com todos os amigos e vizinhos. Eram duas pessoas as que se casavam, sim, mas a festa e a alegria era de todos!

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Igreja em Caná da Galileia, precisamente dedicada a este relato bíblico

... e a Mãe de Jesus estava presente. Jesus também tinha sido convidado para esse casamento com os Seus discípulos.     (Jo 2,2)

Sempre achei engraçado que, durante quase todo o relato, apesar de ser um casamento e de, por norma, os noivos serem a figura mais importante desse dia, quase nem se fala deles ... Na verdade, não fazemos ideia de quem era este casal, cuja família estava agora mesmo a nascer ... Mas, para convidarem Maria e Jesus, que viviam em Nazaré (a cerca de 15 km de distância), podemos assumir que eram duas pessoas muito queridas a ambos. 

E nós, será que também nos lembramos de convidar Jesus e Maria a participarem nas nossas vidas?

Não, nem sempre não ... Oh, como é importante aprender a dizer de todo o coração a Jesus, nosso Senhor, e a Maria, nossa Mãe: Venham, fiquem connosco, nas nossas vidas. Vivam-nas connosco. Estejam presentes ...

Faltou o vinho ...       (Jo 2,3a)

Ai que vergonha tão grande! A festa deveria ainda durar pelo menos mais 4 dias e já ao 3º dia faltou o vinho. E agora? Não é dum dia para o outro que se vai pisar uvas, fermentar e fazer-se vinho...

Faltar o vinho numa festa de casamento era uma grande vergonha para aquela família, porque indicaria que não se tinha preparado adequadamente para tal acontecimento, que não estavam, na verdade, prontos para o compromisso que assumiriam perante toda a comunidade ... 

A festa teria de terminar mais cedo ... e que mau presságio seria esse, para a vida em conjunto daquele casal, daquela família que agora se formava….

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Interior da Igreja dedicada às Bodas de Caná

Faltou o vinho e a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Eles já não têm vinho»              (Jo 2,3)

Mas Maria estava atenta.

Ela estava lá como convidada e por isso não tinha de se preocupar com estas coisas... Mas o coração de Nossa Senhora não consegue senão estar sempre em serviço.

Maria está, até aos dias de hoje, sempre atenta e vigilante a todas as necessidades dos seus filhos e claro que notará, talvez ainda antes de nós mesmos, que o vinho está a acabar nas nossas vidas ...

 

E que vinho é este?

Muitas vezes será o vinho do Amor; umas vezes poderá ser o vinho da ou da Esperança; por vezes será o vinho da Alegria ou então o vinho do deslumbramento pelo nosso esposo ou esposa, pelos nossos filhos, pela nossa família …

Oh, quantas vezes vemos o outro, que convive e habita connosco, como prémio da nossa conquista, que eu "mereci" receber ... Ou então, pelo contrário, como infortúnio ou fruto dum mero acaso qualquer ...  Em vez de o receber, tal como ele é, como um dom magnífico e maravilhoso de Deus na minha vida! 

 

Mas  ... e se o vinho estiver, realmente, a acabar nas nossas vidas, na nossa família? O que podemos fazer?

Nós podemos não saber muito bem o que fazer, mas Maria sabe perfeitamente e fá-lo ali mesmo: vai falar directamente com Jesus, intercedendo por nós. É Maria que nos revela onde se esconde a Fonte do verdadeiro vinho, que nos trará de novo a vida e onde poderemos voltar a encher os nossos corações, a nossa família, as nossas vidas... 

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Poço do jardim da Igreja das Bodas de Caná.

Faltou o vinho e a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Eles já não têm vinho».

Jesus respondeu: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? A Minha hora ainda não chegou.»

A Mãe de Jesus disse aos servidores: «Fazei tudo o que Ele vos disser».  (Jo 2, 3-5)

Reparem bem na fé de Maria - apesar das palavras (algo provocadoras) de Jesus, a sua fé continua inabalável! Ela sabe, ela tem a certeza que está na hora, que chegou a hora.

Então Nossa Senhora vira-se para os servos do casamento e diz-lhes algo tão simples, mas ainda assim tão difícil e desafiador: Fazei tudo o que Ele vos disser.... Maria passou a sua vida inteira a fazer exactamente isso – a fazer a vontade de Deus, a fazer tudo de acordo com o coração de Deus. Ela sabe que isso resulta e resulta sempre!

Quem melhor que ela para nos puder dizer uma coisa destas? Fazei tudo o que Ele vos disser. Eu sempre fiz assim e Ele nunca me deixou ficar mal …

Ora, havia ali 6 vasilhas de pedra de uns 100 litros cada uma, que serviam para os ritos de purificação dos judeus.

Disse Jesus aos servidores: «Enchei as vasilhas de água.»  (Jo 2,6-7)

Jesus também não faz por menos! Ele gosta muito de actuar assim: nós recorremos a Ele na nossa oração, pedimos por favor para que Ele nos dê um copinho de água e Jesus - porque nos ama assim tanto! - dá-nos nada mais nada menos que 6 vasilhas com 100L cada … ena, que fartura!

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As talhas (ou vasilhas) responsáveis por encher de água o poço do jardim da Igreja das Bodas de Caná.

Mas digam-me: É possível encher-se algo, algum recipiente, se ele já tiver cheio de outras coisas? Acham que é possível encher os nossos corações, as nossas vidas, quais grandes vasilhas, se elas já tiverem cheias com outras coisas do mundo?

Sim, é preciso esvaziarmo-nos - de nós próprios, do nosso ego, do nosso egoísmo e orgulho, das distrações deste mundo, das coisas que insistimos em acumular ... para poder acontecer este autêntico milagre de Caná, também nas nossas vidas; para poder acontecer esta enorme graça e bênção que Maria pediu por nós, e que Jesus tanto deseja realizar, dia após dia, em cada uma das nossas famílias ... 

Disse Jesus aos servidores: «Enchei as vasilhas de água.» Eles encheram-nas até cima.  (Jo 2,7-8)

Quase que oiço os servos a pensarem para si: "Ah Jesus, toda a gente sabe que o vinho não vem assim da água. É absurdo o que nos pedes … mas pronto, se Tu o dizes, e logo Tu com esse Teu olhar, firme e confiante, entao nós fazemos, então nós acreditamos …"

Por um lado, é preciso acreditarmos que o milagre acontecerá; é preciso confiarmos - com toda a confiança! - que as promessas de Deus sempre, sempre, sempre se concretizarão, mais tarde ou mais cedo ... Mas, por outro lado, é preciso também que nós próprios facilitemos a realização desse milagre; é preciso mexermo-nos, é preciso agir e enchermos as nossas vasilhas com a água que temos à mão, aqui mesmo na nossa casa, na nossa própria família, no nosso próprio estado de vida – com a água do nosso trabalho, dos nossos talentos, da nossa inteligência, da nossa criatividade, do nosso tempo, do nosso esforço, do nosso cansaço ... sim, esforço e cansaço também.

É que, com Deus, não há meias medidas. Não há meio cheio, meio vazio … ou é tudo ou é nada. Ou é cheio, bem cheio até cá acima, ou não é suficiente. Por amor a Deus e para Deus, devemos dar o nosso tudo, o nosso melhor, toda a nossa vontade … ou não é suficiente; ou não é verdadeiro amor ...

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A pequena capela na qual os nossos casais renovaram as suas promessas de Matrimónio em Caná

Então [Jesus] ordenou-lhes: «Agora tirai e levai ao chefe de mesa». E eles assim fizeram.                                                                                                                         (Jo 2,8b-9a)

Eu não faço ideia como é que chegou algum vinho sequer àquela mesa!… Se eu fosse um dos servos, as minhas pernas iriam tremer tanto, que iria derramar quase tudo pelo caminho e quase nada chegaria àquela mesa, tal era o meu medo da reacção dos convidados e dos noivos, quando eles me pedissem vinho e eu lhes trouxesse vasilhas com água...

Mas eles assim fizeram … apesar do medo, das dúvidas, do desconhecido, do não saberem o que iria acontecer … eles fizeram - tudo! - o que Jesus lhes disse.

O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam sabiam, pois foram eles que tinham tirado a água.

Então o chefe de mesa chamou o noivo e disse-lhe: «Todos servem primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que servem o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»                                                                                                              (Jo 2,9b-10)

A lógica de Deus parece ser sempre diferente da do mundo... O mundo acha que o melhor tem de vir logo primeiro, em grande quantidade e ser bem aproveitado e apreciado - e que fique com os restos quem vier a seguir.

Mas Deus guarda (quase) sempre o melhor para o fim. No final, disse-nos Jesus tantas vezes, os últimos serão os primeiros, os rejeitados terão um lugar à frente. Na lógica de Deus, o vinho melhor vem depois da provação, depois da dificuldade - e restabelecerá não só as nossas forças, como saberá ainda melhor do que se fosse tomado antes ...

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Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos. Ele manifestou a Sua glória e os Seus discípulos acreditaram n’Ele. (Jo 2,11-12)

E nós?

Deixaremos que o Senhor manifeste toda a Sua glória nas nossas vidas, tal como Ele deseja tanto fazer?

Atrevemo-nos a acreditar e a pôr em prática, tal como Maria e os Apóstolos, tudo o que Ele nos disser, todas as Suas palavras, todas as Suas promessas? 

 

No próximo Domingo, dia 1 de Março, haverá um retiro das Famílias de Caná, em Mogofores, em Aveiro, para nos ajudar a preparar esta Quaresma.

Venham, queridos leitores, queridos amigos! Venham celebrar connosco as Bodas da vida!

Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná,

Consagramos-te hoje e sempre a nossa família.

Confiamos na tua intercessão de mãe,

Para que o vinho da fé, da esperança e do amor

Nunca acabe em nossa casa.

Faz de nós servos do Senhor, como tu e S.José teu esposo,

E ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser.

Ámen!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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