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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Vivendo e amando como Maria Madalena

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Seguimos caminho na nossa peregrinação na Terra Santa. Deixamos para trás, a muito custo da minha parte, a bela praia de Tagba... mas o Mar da Galileia, esse mar que tantas histórias presenciou da vida de Jesus, continua a acompanhar-nos. Dirigimo-nos para uma cidade que apenas aparece nos nossos mapas há um par de anos. Aliás, esta cidade, tão querida e significativa para o meu coração, foi apenas descoberta pelos arqueologos israelenses no ano de 2009....

Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e O serviram. Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Mt 27, 56-57

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Estamos na cidade de Magdala (ou Migdal), a cidade que deu o nome a uma das minhas santas favoritas e mais inspiradoras, Maria Madalena - e está tanto, oh tanto calor! 

Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-Lo. De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.

Mc 16, 1-2

No tempo de Jesus, Magdala era uma próspera cidade, bem situada ao longo duma rota comercial que passava aqui perto, chamada de Via Maris. Por isso, era uma cidade que tinha direito ao seu próprio mercado, onde era vendido cerâmica, produtos têxteis e produtos frescos, tal como as ruínas e os achados aqui encontradas nos sugerem. Neste grande mercado também eram vendidos os peixes acabadinhos de pescar, que eram colocados em instalações de condutas de água, umas autênticas pequenas "piscinas" onde os peixes eram preservados ainda vivos, até ao cliente decidir que peixe desejava levar para a sua família jantar nesse dia ... 

magdala 2.jpg

Foram também encontrados fornos para cozer pão, pátios e ruas pavimentadas e a sinagoga mais antiga alguma vez encontrada na Galileia... Oh, parece que esta cidade vai ganhando vida diante dos meus olhos, enquanto a nossa guia nos relata como seria na altura dos seus habitantes ...

 

Ah, a cidade de Santa Maria Madalena ... 

Não são muitas as passagens das Sagradas Escrituras que nos falam acerca da vida de Maria Madalena, é verdade, mas dizem-nos o suficiente - tudo aquilo que acontece a quem permite ser amado, e assim transformado, pelo imenso amor de Deus; e tudo aquilo que alguém descobre ter a coragem de fazer quando aprende a amar, profundamente, com perseverança, o Senhor e os irmãos.

Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios.

Lc 8,1-2

Maria Madalena parece ter sido uma das primeiras mulheres a ter a coragem de abandonar tudo e seguir Jesus. Não terá sido nada fácil, claro, mas quando Jesus nos liberta dos nossos sete demónios, ou seja, dos nossos sete pecados capitais - gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e orgulho - aqueles que mais poder têm para nos afastar do amor infinito e misericordioso de Deus, descobrimos que, afinal, somos capazes, sim, de deixar toda a nossa antiga vida e paixões para trás, e seguir, em frente, junto d'Aquele que tem as palavras que nos trazem vida eterna ... 

Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.

Jo 19, 25

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Aquele que o meu coração ama - post escrito em Abril de 2019

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»

Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»

Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 

Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» 

Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.

Jo 20, 1-2. 11-18

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Lendo este relato, não admira que o nosso Papa Francisco tenha declarado, em 2017, ano da Misericórdia, que a anterior Memória de Santa Maria Madalena, celebrada a 22 de Julho, fosse elevada à categoria de Festa. Afinal, Maria Madalena, que desde cedo ficou conhecida como a "Apóstola dos Apóstolos", foi a primeira a ir anunciar aos Discípulos, e a todos que a quisessem ouvir, a alegria contagiante do encontro com o Senhor Ressuscitado

 

O Advento está aí, à nossa porta. Também a nós o Senhor nos chama a irmos ao Seu encontro!

Mas primeiro, é necessário prepararmos o nosso coração, é preciso deixarmos que Jesus nos liberte dos nossos demónios. E tudo isso leva o seu tempo, se estamos realmente dispostos que o Senhor mude, radicalmente, as nossas vidas e nunca nada volte a ser o mesmo.

Que cada um de nós possa, à semelhança de Santa Maria Madalena, deixar-se purificar dos seus pecados. Que cada um de nós possa, à semelhança de Santa Maria Madalena, deixar-se desafiar por Jesus, deixando tudo o que não é importante para trás. Que cada um de nós possa, à semelhança de Santa Maria Madalena, deixar-se ser guiado, rumo ao amor ardente, infinito e misericordioso de Deus, ao longo deste Advento único e irrepetível que o Senhor nos oferece dentro de poucos dias ... Amén!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A matemática de Deus

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos uma bela manhã nesta lindíssima praia em Tagba. Está na altura de seguirmos caminho - há ainda tantas maravilhas à nossa espera na Terra Santa! - mas temos ainda tempo para ouvir o relato dum último (grande!) milagre de Jesus, que terá ocorrido não muito longe desta praia tão especial  ... 

Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos.

Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer.

Filipe respondeu-lhe: «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 

Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 

Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.»

Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram

Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer.

Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 

                                                                                                                                     Jo 6, 1-14

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Praia em Tagba, junto da Mensa Christi e do Primado de Pedro

 

Ah, a matemática de Deus ... que é tão diferente da nossa!

Na escola, facilmente aprendemos a não gostar muito das contas de subtração ou de divisão - afinal, ficamos quase sempre com menos no final da conta do que quando começámos!  Depois crescemos e, ao longo da nossa vida, também o mundo nos tenta ensinar isso mesmo ... Quantas vezes ouvimos - "Estás a dar demais! Não dês tanto ou não haverá para ti também..." ou "Dividir o que é meu contigo? Assim fico eu a perder e isso não pode ser... "

Mas Jesus veio ensinar-nos que, nas contas de Deus, quem se subtrair aqui na terra, pelo contrário, no final da equação somará bênçãos e graças infinitas no Céu! Quem dividir com os irmãos tudo o que tem, quem der e der e der - até doer - receberá mil por cada cem!

Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 

Jesus respondeu-lhes: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.»

Mt 19,27.29

Neste mundo, quanto mais damos, com menos (aparentemente) ficamos. Mas, nas contas de Deus, quanto mais damos ao outro, nosso irmão - amado, ou talvez não - mais tesouros estaremos a acumular no Céu. Dizem-nos os Santos que, para o Céu, levaremos apenas connosco, não nada daquilo que tivermos acumulado nesta terra, mas sim tudo o que tivermos oferecido, abdicado e sacrificado ao longo da nossa vida - por amor ao outro, por amor a Deus....

 

Oh, tantas e tantas vezes que Jesus nos diz nos Evangelhos: aquele que muito junta, acabará por ficar sem nada e de mãos vazias; mas aquele que divide o que tem, receberá ainda mais. Porque não O ouvimos nós?

Sim, quem desejar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem a oferecer, em sacrifício, por amor, salva-la-á e entrará no Reino dos Céus.

 

Pelas contas de Deus, vale a pena largar as noventa e nove ovelhas que estão seguras, para ir atrás daquela única que se perdeu. Dizem-nos também os Santos nossos amigos que, por cada pecador que se converte, por cada alma que é salva - quem sabe, talvez por ação da oração de alguém que vive do outro lado do planeta! - há uma festa no Céu maior do que qualquer Casamento Real aqui da terra...

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Imagem retirada daqui

Pensem no pequenino grão de mostarda - tu e eu, querido leitor - que, quando lançado à terra, se não morrer para si próprio, não poderá gerar vida e dar origem a uma árvore de tal porte magnífico que consegue acolher, debaixo dos seus ramos e folhas, outras criaturas que em si procuram abrigo...

 

À nossa volta, no mundo, vemos tanto desperdício ao todo o lado - plástico, cartão, embalagens, mobílias fora de moda, brinquedos que já não são novidade, e comida, oh tanta comida...

Mas nas contas do Senhor? Nem uma única lágrima nossa se perde! Nem um único suspiro ou prece passa despercebida! Nem um pequeno ou invisível acto ou renúncia deixa de ter o seu efeito - eterno!

 

Achas que tens pouco para oferecer ao Senhor e aos irmãos? Parece-te que tens apenas cinco pães de cevada e dois peixinhos... e pedem-te que alimentes cinco mil homens, mais as suas mulheres e filhos?....

Parece loucura, eu sei.... Sim, segundo aquilo que o mundo nos diz, é impossível...

Mas, o teu pouco, colocado nas mãos do Senhor? Abençoado pela Sua tremenda graça? Oh, a todos, sem faltar nenhum, conseguirás alimentar, nutrir e fortalecer - e ainda sobrará, abundantemente, o suficiente para ti e toda a tua família!

 

Oh, a maravilha da matemática de Deus!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O amor Agape, o amor Filia e a transformação de Pedro

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Permanecemos um pouco mais nesta praia em Tagba, no sopé do Monte das Bem-Aventuranças, para ouvirmos e meditarmos noutro episódio que os Evangelhos nos contam e que também aconteceu aqui.

 

Jesus Ressuscitado tinha aparecido aos Apóstolos nesta praia, depois duma noite de pesca infrutífera. Estavam a perder o rumo, a viver uma autêntica "noite escura da alma" - como séculos mais tarde São João da Cruz nos explicaria tão bem. Parecia que Deus os tinha abandonado e toda a esperança tinha desvanecido ... 

Jesus renova as suas forças e a sua fé oferecendo-lhes uma refeição, preparada com todo o Seu amor - tal como ainda hoje o deseja fazer, a cada um de nós, sempre que participamos na Santa Missa. Nutridos com este verdadeiro alimento - o corpo e sangue do próprio Deus - está na altura dos Apóstolos se porem a caminho; está na altura de partirem em missão; está na altura de responder com coragem à vocação a que o Senhor os chama ... 

Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro:

     «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?»

Pedro respondeu:

     «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.»

Jesus disse-lhe:

     «Apascenta as minhas ovelhas.»

                                                                                                                        Jo 21,15

                                                                                                         (versão da Bíblia dos Capuchinhos)

Simão, tu amas-Me

Também a nós Jesus faz essa pergunta ... Marisa, tu amas-Me? Mais que qualquer outra pessoa? Acima de tudo?

 

Outras traduções da Bíblia (mais correctas a meu ver) dizem-nos que a resposta de Simão Pedro foi: 

                    Sim, Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de Ti ...

Tal como Pedro, também eu desejava poder dizer - Sim, Senhor, Tu sabes que eu Te amo ... mas, na verdade, ainda só sou capaz de responder - Sim, Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de Ti ...

 

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A praia junto da Mensa Christi e do local do Primado de Pedro

 

Ao ouvir esta passagem do Evangelho de São João, na Terra Santa, lembro-me imediatamente duma homilia que tinha ouvido alguns meses antes e dum pequeno (grande!) livro de C.S. Lewis, chamado "Os quatros amores".

O Sr. Padre tinha-nos explicado que, nos textos originais dos Evangelhos, escritos em grego, o verbo utilizado na primeira pergunta de Jesus a Pedro tinha sido a conjugação do verbo Agape

Para quem não estiver familiarizado com a palavra, o amor Agape é o nome que os primeiros cristãos encontraram para nomear o infinito e imerecido amor de Deus por cada um de nós. O amor Agape é o amor mais inteiro, mais completo. É um amor absolutamente desinteressado de si próprio e livre - livre para amar e servir o outro. Aquilo que o amor Agape mais deseja - ou, melhor dizendo, a pulsão irresistível que sente, impossível de conter ou dominar - é o doar-se, totalmente, ao outro. O amor Agape é o amor que deseja dar a vida pelo outro, que dá (e dá-se) sem medida, que dá (e dá-se) sem condições. É um amor completamente desmedido e incondicional. E este é o amor que Deus tem por cada um de nós.... 

 

Pedro responde à pergunta de Jesus - Pedro, tu amas-Me - com um amor Agape? - conjugando um verbo diferente, um diferente tipo de amor - Filia

O amor Filia é o nome do amor de amizade. É o amor que "gosta muito" do outro. É um amor em que se sente grande alegria e prazer e bem-estar ao estar junto do outro, ao estar com o outro. É, contudo, um amor que exige uma cerca correspondência e reciprocidade da parte do outro. No fundo, o amor Filia é, digamos assim, um nível mais baixo, mais inferior de amor, do que o amor Agape (assumindo que este seja o amor mais completo)

 

Nós sabemos - explicou-nos o Sr. Padre - que o diálogo entre Jesus e Pedro não foi na língua grega, mas sim aramaica. Contudo, São João, como é seu hábito, não deixou passar esta oportunidade para dar uma belíssima e profundíssima lição de catequese. São João faz questão de apontar a diferença entre o amor de Jesus e o amor de Pedro. 

Jesus pergunta a Pedro - Pedro, tu amas-Me com todo o teu coração? Com um amor totalmente desinteressado, livre, desmedido, de pura auto-doação? 

E Pedro responde, sendo absolutamente franco e honesto - tal como nós já conhecemos que S. Pedro era - respondendo que amava Jesus sim, mas ainda duma forma incompleta...

 

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Praia em Tagba - Foto tirada por outro peregrino - obrigado pela partilha!

Alguém reparou que as rochas grandes desta praia pareciam que tinham o formato de corações? Oh, quão adequado!!

[Jesus] voltou a perguntar-lhe uma segunda vez:

     «Simão, filho de João, tu amas-me

Ele respondeu:

     «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo

Jesus disse-lhe:

     «Apascenta as minhas ovelhas.»

                                                                                                 Jo 21, 16

 

Pela segunda vez, Jesus pergunta a Pedro se este O ama, conjugando o verbo Agape.

Pela segunda vez, Pedro responde que sim mas empregando o verbo Filia. Pedro conhece-se - e bem! Ainda há uns meros dias atrás, Pedro tinha prometido a Jesus, à frente de todos os que quisessem ouvir, que O amava de todo o coração, que permaneceria e O seguiria para onde quer que fosse, custasse o que custasse ... para, após uma única noite de susto e medo, na noite em que Jesus foi preso e acusado, ser capaz de O negar - não uma, não duas, mas três vezes ...

Mas Pedro, agora, conhece-se e bem; a experiência da vida transformou-o e, por isso, já nem tenta responder a Jesus - quer publicamente, quer no íntimo do seu coração - com o mesmo grau de amor que Este demonstrou ter por si. As provas são evidentes. Pedro gostava muito, oh mesmo muito, de amar Jesus tal como Ele o ama a si. Mas ainda não consegue. Ainda ... 

 

Reparem também que, ao responder a Jesus, Pedro não começa a sua resposta dizendo logo - Senhor, eu gosto muito de ti ... - mas sim - Senhor, Tu sabes que eu gosto muito de ti ... 

Pedro ama Jesus com todo o amor que tem e consegue, com todo o amor que o seu finito e humano coração lhe permite. Mas aqui continuamos a observar outra transformação de Pedro - sempre tão constantes ao longo de todo o Novo Testamento como, assim o espero e desejo, as sejam na minha vida, na tua vida, na nossa vida...

Assim, Pedro diz: Tu, Senhor, conheces o meu coração. Conheces o quanto eu desejava amar-Te, mas não consigo - ainda. E a principal razão é que - Senhor, agora vejo e reconheço finalmente - todo o amor que existe, vem de Ti. Eu sou incapaz de saber apreciar este amor imenso - Agape - que Tu tens por mim. E eu sou absolutamente incapaz de amar assim, tal como Tu. Mas se Tu quiseres, Senhor, poderás transformar-me, uma vez mais. A Tua graça é suficiente. Porque Tu és a fonte de todo o amor! Porque todo o amor vem de Ti!

 

E [Jesus] perguntou-lhe, pela terceira vez:

     «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?»  (ou então - Simão, tu gostas muito de mim?)

Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: ‘Tu és deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe:

     «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!»  (ou então - Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu gosto muito de Ti)

E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.

Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» 

E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus.

Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

                                                                                                                                        Jo 21,17-23

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Disse-lhe Jesus: Alimenta, apascenta, cuida das minhas ovelhas.

Toma o teu cajado. Sê o seu pastor aqui na terra, a partir deste momento. Sê o seu primeiro Papa ...

 

À terceira vez, Jesus faz a pergunta conjugando, desta vez, o verbo Filia....

Jesus aceita "descer" ao nível do amor - actual - de Pedro. O amor Agape faz continuamente isto - sempre que for necessário, baixa a fasquia para chegar ao outro, para estar ao mesmo nível do outro, para caminhar ao ritmo do outro. O amor Agape é assim tão grande que é capaz de fazer isto - e com toda a simplicidade e naturalidade que o caracteriza. 

Jesus muda a pergunta, visto que Pedro ainda não é capaz de mudar a sua resposta. Jesus continua o Seu diálogo de amor com Pedro - e com cada um de nós - deixando de pedir um amor que Pedro ainda não é capaz de dar. Ainda...

 

Segue-Me. Acompanha-Me. Não tenhas medo. Vem comigo.

Não olhes para a fragilidade e finitude do teu coração e das tuas capacidades.

Vem, segue-Me, acompanha-Me.

Se aceitares, se tiveres coragem, tempos virão, Pedro (ou Marisa, Ana, Maria, João, António ...), onde então sim, serás capaz de amar, de amar-Me e, por conseguinte, aos irmãos - com um verdadeiro amor Agape. 

 

Que assim seja Jesus! Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A mesa que Cristo nos serve

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos a nossa viagem em Tagba, perto de Nazaré. Estamos no sopé do Monte das Bem-Aventuranças e caminhamos todos juntos até encontrarmos uma pequena igreja franciscana, conhecida como Mensa Christi - a mesa de Cristo.

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Estamos na costa noroeste do Mar da Galileia, um dos locais favoritos para os pescadores de Cafarnaum desempenharem as suas profissões, pescadores como os apóstolos Pedro e o seu irmão André. Os Evangelhos contam-nos que Jesus passou por diversas vezes, ao longo das suas viagens e pregações, por esta praia ... poderá ter sido esta a Sua praia favorita?

Olho para a beleza da praia que me rodeia, inspiro fundo até sentir o cheiro da água, fecho os olhos e continuo a ouvir os passarinhos que cantam nas árvores à nossa volta misturado com o som das ondas,  passo a mão pela água fresca, brincando com as pequenas conchas brancas e pretas que abundam por aqui e sorrio abertamente - só posso acreditar que sim!

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.

Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.»

Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.

Jo 21,1-3

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A nossa guia conta-nos que estamos naquele que se acredita ser o local onde ocorreu este episódio do Evangelho. Jesus tinha morrido na Cruz, em Jerusalém. Três dias depois, as mulheres que O seguiam tinham ido ao Seu sepulcro e tinham-no encontrado vazio. Alguns anjos disseram-lhes que o Messias tinha ressuscitado. Jesus Ressuscitado tinha aparecido a Maria Madalena, que chorava em busca d'Aquele que o seu coração mais amava. Os discípulos de Emaús tinham vindo a correr, para contar a todos que tinham encontrado Jesus Ressuscitado ao longo do caminho e no partir do pão. 

Mas os dias passavam e passavam, mais ninguém tinha visto Jesus, e os apóstolos começaram a duvidar... Loucura das loucuras ... oh, poderá mesmo algo assim acontecer, Alguém vencer a morte e ressuscitar? 

Não, o melhor é ganharmos juízo e voltarmos para as nossas vidinhas normais, simples, pacatas e seguras, de pescadores de peixes e não de homens ...

Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.»

Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» 

Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.

Jo 21,4-6

Oh, isto já tinha acontecido antes!

Sim, só existe uma Única pessoa capaz de algo assim! 

Só existe uma Única pessoa capaz de nos dizer onde podemos encontrar o verdadeiro alimento para as nossas almas! 

Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!»

Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.

Jo 21,7-8

Quando estamos apaixonados e queremos muito estar junto daquele que amamos, somos capazes de fazer qualquer loucura, como lançar-nos nas águas do desconhecido e nadar contra a maré...

Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora

Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.

Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.

Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

Jo 21,9-14

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Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo esperou que os olhos dos Seus apóstolos se abrissem e O reconhecessem.

Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo esperou, preparando uma refeição; fogueira acesa, peixinho na brasa, pão partido, a mesa posta ... 

Foi aqui, sobre estas rochas, que Cristo, verdadeiro Deus, verdadeiro Rei, os serviu e alimentou, com o Seu próprio corpo e sangue. 

 

Não tenham medo de seguir Jesus. Não tenham medo de fazer o que Ele vos propõe. 

Se se atirarem ao mar do desconhecido, nunca se afogarão. Se se afadigarem a pescar pelo reino de Deus, o Senhor nunca se deixará vencer em generosidade. Se lançarem as vossas redes e elas vos parecerem pesadas e quase a arrebentar, acreditem, tal nunca irá acontecer. 

Trazei para a mesa do Senhor o resultado do suor do vosso trabalho, por pouco ou muito que seja. Será aqui, na mesa do Senhor, no altar do Senhor, que Ele próprio Se oferecerá como alimento, como verdadeiro alimento para as nossas almas, sedentas e carentes de compreensão e de amor. 

Sim, estão mesmo todos convidados. O Senhor chama-vos para o Seu banquete, para a Santa Missa.

Vêm?

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A vida recebida no topo do Monte Nebo

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

O povo hebreu tem andado pelo deserto desde há 40 anos ... e parece que nunca mais chega à Terra Prometida. Ainda se lembram de quantas pessoas é que saíram do Egipto? 

O livro do Êxodo fala-nos em 600.000 homens, o que calculámos que fossem pelo menos 2 milhões e meio de pessoas, se contarmos com esposas e filhos. 

Durante 40 anos, depois de tirar o povo do Egipto, Deus tem tentado tirar o Egipto do coração, da mente, da alma e do corpo daquele povo que tanto amava, a fim de os tornar verdadeiramente livres.

Não tem sido tarefa fácil para o Senhor ... volta e meia (ou melhor dizendo, a cada nova página do livro do Êxodo, dos Números e do Deuteronómio) o povo revolta-se e começa a murmurar contra o Senhor e contra as circunstâncias que o próprio povo escolheu e aceitou...

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Então o povo começou a murmurar contra Moisés, inquirindo: “Que haveremos de beber?

Ex 15,24

Ali o povo teve sede de água, e murmurou contra Moisés, dizendo: «Porque nos fizeste subir do Egipto para nos fazer morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?»

Ex 17, 3

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná

Nm 11, 4b-6

Levantou-se toda a assembleia a gritar e o povo chorou toda essa noite. Murmuraram contra Moisés e contra Aarão todos os filhos de Israel, dizendo consigo toda a assembleia: «Antes tivéssemos morrido na terra do Egipto ou mesmo neste deserto. Porque nos fez sair o Senhor para esta terra a fim de nos matar à espada? As nossas mulheres e as nossas crianças serão humilhadas. Não nos seria melhor voltar para o Egipto?»

Nm 14, 1-3

Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Nm 21, 4-5

Talvez por também eu ser refilona, tendo a simpatizar com os "refilanços" do povo hebreu.

Na verdade, as suas murmurações parecem-me legítimas - passam por locais onde não há água, não há pão, não há carne nem peixe; caminham quilómetros e quilómetros com os seus filhos, as suas tendas e todos os seus pertencem às costas, sem saberem bem o caminho, nem que perigos os esperam do outro lado dos montes que vão percorrendo; passam 40 anos a comer o mesmo tipo de pão, o maná (pois claro que já não o podiam ver à frente!); passam por diversas terras onde os habitantes os tentam matar e apoderar-se das suas poucas posses ... 

Jesus dirá e ensinar-nos-á, séculos e séculos mais tarde

Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.

Lc 11, 9-10

A diferença, é que há formas e formas de pedir ...

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Todos os "filhos de Israel" que saíram do Egipto foram morrendo ao longo da sua longa peregrinação pelo deserto. Nenhum deles chegou a entrar na Terra Prometida - nem mesmo Moisés. Estes 40 anos foram importantes para que ocorresse uma nova geração neste povo, que novas crianças nascessem e crescessem, longe do poder e da influência do Egipto. Serão estas crianças, agora adultas e com as suas próprias famílias, que lutarão por chegarem, finalmente, à Terra Prometida pelo Senhor, Deus de Abrãao, de Isaac, de Jacob, de Moisés ...

 

E, tal como ao povo hebreu, também a nossa peregrinação nos leva até ao topo do Monte Nebo

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Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, todo o Neftali, o território de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras, até Soar.

O Senhor disse-lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.» 

E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do Senhor. Foi sepultado num vale da terra de Moab, defronte de Bet-Peor, mas ninguém até hoje soube do lugar da sua sepultura. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista nunca enfraqueceu e o seu vigor nunca se esgotou.

Dt 34, 1-7

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Terá sido neste vale, que se vê do cimo do Monte Nebo, que o corpo de Moisés foi sepultado, mas até hoje, por mais escavações que têm sido feitas, ninguém ainda o encontrou...

 

O Monte Nebo é o local onde Moisés pôde avistar, pela primeira e última vez, a Terra Prometida por Deus, a terra onde correria leite e mel (de tâmaras)...

A primeira igreja aqui construída terá sido por volta do séc. IV d.C., exactamente por este ter sido o local onde Moisés viu a Terra Prometida e onde pode finalmente repousar após o seu longo êxodo. Os restos desta igreja foram descobertos apenas em 1933 e têm sido lentamente recuperados pelos Franciscanos responsáveis pela Custódia da Terra Santa.

 

Logo à entrada deste local sagrado, somos recebidos por um escultura bastante peculiar. Ora, digam-me lá o que veem? O que vos parece ser?

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Conseguem ver o contorno dum rosto de homem, talvez Moisés, sim?

Mas se chegarmos mais perto, veremos que, de outra perspectiva, começa a parecer-nos um livro aberto... 

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E vemos os bustos de Abrãao, Isaac, Jacob, assim como de profetas como Isaías e Jeremias, por cima do nome de diversos livros do Antigo Testamento...

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Logo ali ao lado, encontramos uma grande rocha, em tempos usada para tapar a entrada dum túmulo aqui nas terras da Jordânia, que conseguiu permanecer inteira até aos dias de hoje. Esta rocha deverá ser bastante semelhante àquela que foi colocada à entrada do túmulo de Jesus - conseguem perceber quão grande é? É enorme! Deve ser pesadíssima ...

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Bem que ficaram todos tão espantados quando viram a pedra deslocada no terceiro dia após a morte de Jesus e o Seu túmulo vazio (que, em apenas alguns dias, também nós veríamos!!) 

 

Estava eu a imaginar a cena da descoberta do túmulo vazio, quando os meus olhos captam algo que eu não estava nada à espera de encontrar ... O que é aquilo? Parece-me ... poderá ser? Sim, é mesmo!

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Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel. 

O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.

O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente de bronze e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.

Num 21, 4-9

Mesmo quando veio sobre eles a terrível fúria das feras,

e pereciam pela mordedura das serpentes sinuosas,

a Tua ira não durou até ao fim.

Para sua correcção, foram atri­bu­­lados por pouco tempo,

mas tinham um Sinal de salvação

para lhes recordar os manda­men­tos da Tua Lei.

Quem se voltava para ela [serpente de bronze] era curado,

não pelo que via,

mas por Ti, Sal­vador de todos.

Sb 16, 5-7

 

Acreditem, eu fiquei largos minutos, de boca aberta, simplesmente a contemplar esta escultura, que tanto me falou ao coração ...

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Disse Jesus: «Ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que Nele crê tenha a vida eterna. 

Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.»

Jo 3, 13-17

Nem a história das serpentes venenosas e da serpente de bronze, nem este discurso de Jesus, se passaram exactamente neste local, mas eu fiquei absolutamente extasiada ao ver esta enorme escultura de metal - que não é propriamente bonita, eu sei, mas é tão significativa! - ao ver a maneira como o artista italiano, Giovanni Fantoni, conseguiu entrelaçar tão bem estas passagens, que sempre me falaram tanto ao coração!

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Também nós, quando nos deixamos levar pelo veneno do pecado, basta que levantemos os olhos, apesar da dor e da vergonha, e olhemos para Aquele que nos quis voluntariamente dar todo o Seu Amor e Perdão, para que nós fossemos curados e salvos e assim vivêssemos, junto d'Ele, para todo o sempre... 

 

Está na hora da missa. Jesus está mesmo ali, à nossa espera, para nos dar uma nova vida.

O Santuário, erguido sobre as ruínas da primeira igreja do séc. IV d.C., serve simultaneamente de igreja e de museu, e é ali mesmo que temos oportunidade de celebrar uma das Eucaristias mais simples mas mais bonitas e transformadoras que eu alguma vez tinha tido a oportunidade de participar ... 

Ali estávamos nós, um grupo de portugueses, a falar uma língua diferente, num canto do Santuário a celebrar a Santa Missa. E, quando damos por isso, quase todos os turistas tinham parado a meio a sua visita das descobertas arqueológicas ali expostas e tinham-se sentado nos bancos, assistindo e participando na Missa connosco! Oh, louvado seja Deus!

 

E com este compromisso terminávamos a nossa Missa

♫ Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

E sigo como ovelha que encontrou Pastor

Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

Aonde Ele vai ...

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Como posso eu resistir, ao Seu amor?

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Minha mão porei na Sua, 

Irei com Ele.... ♬

Amén! Amén! Amén!

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Aquele que o meu coração ama....

Querido leitores, 

Não consigo resistir em partilhar convosco o maravilhoso comentário ao Evangelho da passada 3ªfeira da Oitava da Páscoa, escolhido pela equipa do Evangelho Quotidiano - falou-me tanto, tanto ao coração e espero que a vocês também ... 

 

Evangelho segundo São João 20,11-18

Naquele tempo, Maria Madalena estava a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus. 

Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram». 

Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele. Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar». 

Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!». Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus».

Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito. 

 

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Comentário ao Evangelho:

"Em que estação desperta o Salvador? Diz o Cântico dos Cânticos: «Eis que o inverno passou, cessaram e desapareceram as chuvas. Apareceram as flores na nossa terra» (2,11-12). A terra está cheia de flores [...]? Chegou abril e com ele a primavera. E é nesta estação, neste primeiro mês do calendário hebraico, que se celebra a Páscoa, outrora em símbolo e agora na realidade. [...]

Um horto foi o local da sepultura do Senhor. [...] E que diz Aquele que está sepultado no horto? «Colho a minha mirra e o meu bálsamo, a mirra e o aloés dos balsameiros mais seletos» (Cant 5,1; 4,14), pois tudo isso simboliza a sepultura. Os evangelhos também dizem: «As mulheres foram ao sepulcro levando os perfumes que haviam preparado» (Lc 24,1).

[...] Porque, antes de entrar na sala de cima passando pelas portas fechadas, o Esposo e Médico das almas fora procurado por mulheres de coração forte. As santas mulheres foram ao sepulcro à procura daquele que havia ressuscitado. [...] Segundo o evangelho, Maria foi ao sepulcro, procurou-O e não O encontrou; em seguida, ouviu a mensagem dos anjos e por fim viu Cristo. Estas circunstâncias também haviam sido descritas.

Diz Maria no Cântico: «Durante a noite, no meu leito, busquei Aquele que a minha alma ama» (3,1). [...] E narra o evangelho que Maria foi ao sepulcro «logo de manhã, ainda escuro» (Jo 20,1). «Procurei-O de noite, mas não O achei»; e no evangelho: «Levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram»; é então que os anjos lhe aparecem, perguntando: «Porque buscais entre os mortos Aquele que vive?» (Lc 24,5)

[...] Maria não O reconheceu e era em seu nome que o Cântico dos Cânticos dizia: «Vistes, acaso, Aquele que a minha alma ama? Mal passara pelos guardas [que eram os dois anjos], encontrei Aquele que a minha alma ama. Agarrei-me a Ele e não O larguei mais» (3,3-4)."

 

São Cirilo de Jerusalém (313-350)
bispo de Jerusalém, doutor da Igreja
Catequese baptismal n.° 14

 

 

Porque perdemos a paz nos nossos corações?

No meu último post falei-vos acerca da batalha que Deus nos chama a travar, para mantermos sempre e em todas as circunstâncias a paz interior, que só Ele nos pode oferecer. 

 

Mas então o que fazer se nos encontrarmos num momento da nossa vida em que não conseguimos encontrar nenhuma paz interior?

Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder essa paz. Temos de procurar descobrir (ou relembrar) as razões, profundas e verdadeiras, que estão na raiz do nosso problema de falta de paz interior, e não apenas aquelas razões superficiais, que não passam de desculpas para as nossas atitudes e acções ("estou cansada", "chateei-me com alguém no trabalho", "os miúdos hoje portaram-se mal", "tive um dia difícil" ....). Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder a nossa paz interior - não apenas nos momentos importantes da nossa vida, mas em especial naqueles momentos do dia a dia em que, continua e constantemente, perdemos e perdemos e voltamos a perder a paz, por mais que a gente se "esforce" para a retomar....

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

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Uma das principais razões que nos fazem perder a paz nos nossos corações é o medo. O medo do desconhecido, o medo do incerto e da incerteza, o medo nas situações que não podemos controlar... Sentimos muito medo, ansiedade e preocupação assim que nos deparamos com situações difíceis, quer elas se apresentem imediatamente, momento presente, quer apenas algures no futuro ... Sentimos medo de falhar, de errar; temos medo que nos falte alguma coisa, que não saibamos o que é melhor fazer...

O nosso medo de perder alguma coisa - desde bens materiais, à nossa reputação, às horas (ou até apenas minutos) do nosso tempo - ou o medo de nos faltar alguma coisa importante - seja ela material ou alguma capacidade / virtude / traço de personalidade - faz-nos logo entrar num estado de agitação interior, ansiedade e preocupação, e rapidamente perdemos a paz interior (que deu tanto trabalho a Deus nos anos / meses / horas / minutos ou até segundos anteriores !....)

 

Então, o que podemos fazer?

Palavras de Jesus:

"Qual de vós, por mais que se preocupe,

pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?" (Mt 6,27)

 

A resposta é dolorosa (em especial, para o nosso orgulho) e já a partilhei convosco no post anterior. Usando apenas as nossas próprias capacidades, não podemos fazer nada que resulte. Tentando controlar ao máximo todas as variáveis / eventos / situações e pessoas na nossa vida, também não iremos conseguir. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Aliás, vou-me atrever a dizer que, a maneira mais rápida e eficaz de perdermos a nossa paz é exactamente tentarmos nós próprios resolvermos a situação, usando unicamente as nossas capacidades, as nossas decisões pessoais, ou procurando que outro resolva a situação por nós.

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

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Imagem retirada daqui

 

Para preservar a paz nos nossos corações, mesmo no meio da loucura e imprevisibilidade do nosso dia a dia, temos apenas uma solução: Confiar em Deus. Confiar na Divina Providência. Confiar totalmente e só em Deus.

E é assim que nos deparamos com outra verdade dolorosa: nós não confiamos em Deus; nós não acreditamos, plenamente, que 

 

"O vosso Pai celeste bem sabe do que necessitais" (Mt 6,32)

 

Parem para pensar um bocadinho nesta verdade ...

 

 

Quão injustificada é esta nossa falta de confiança em Deus!

Como se Ele não tivesse já dado provas mais do que suficientes para nos provar todo o Seu amor, misericórdia e providência perfeita em tantas, tantas, tantas situações - tanto na história do Povo de Deus, na vida dos Santos, na história da Igreja, na nossa própria história de vida ....

 

Porque não confias em Mim, o teu Criador? Porque contas apenas contigo? Não serei Eu leal e fiel contigo? Redimi e restaurei a humanidade através da graça proveniente do sangue do Meu único Filho e deste modo o homem pode dizer que experimentou a minha fidelidade. Mas, apesar de tudo isso, o homem ainda duvida; ainda duvida se Eu serei suficientemente poderoso para o ajudar, suficientemente forte para o defender dos seus inimigos, suficientemente sábio para iluminar a sua inteligência, ou se Eu serei suficientemente misericordioso para lhe oferecer o que for necessário para a sua própria salvação. Não serei Eu suficientemente rico para lhe oferecer um tesouro ou suficientemente belo para o embelezar; quem poderá dizer que receia não encontrar pão suficiente na Minha casa para o alimentar, ou roupa suficiente para se cobrir?

 

Diálogo de Santa Catarina de Sena com Deus, capítulo 140

(Texto original em inglês, tradução livre minha)

 

Temos de reverter esta desconfiança que nós próprios provocámos, desde a altura do Jardim do Éden. Temos de combater esta nossa tendência do pecado original, de não confiarmos nas promessas de Deus. Ao longo de toda a nossa vida, por mais longa ou breve que ela seja, é nosso dever, como cristãos e filhos muito amados de Deus, avançar sempre neste processo de recuperar a confiança perdida, através da graça do Espírito Santo - o Único capaz de nos fazer dizer novamente, de coração, Abba, Pai!

Este processo de recuperar a confiança perdida no amor de Deus não vai ser fácil, aliás, vai ser difícil, provavelmente longo e sem dúvida que doloroso por vezes. Mas é necessário - todos os Santos nos têm ensinado isso.

 

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Estamos quase no início duma nova Quaresma. Aceitemos o desafio, digamos sim ao chamamento de Deus - atrevam-se a abandonar-se, um pouquinho mais a cada dia, nas mãos de Deus. Larguem a corda, deixem de tentar controlar tudo, abandonem-se e confiem em Deus, tanto nas pequenas coisas como nas grandes...

 

Deus não permanecerá calado, Deus não ficará quieto, disso podem ter a certeza!

Deus aproveitará todas as oportunidades que vocês lhe dêem para manifestar a Sua ternura, o Seu extremo cuidado e amor com cada um de nós; Ele manifestará visivel e palpavelmente a Sua divina providência e a Sua eterna fidelidade para connosco.

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus,

daqueles que são chamados, de acordo com o Seu desígnio. 

Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?

Ele, que nem sequer poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós,

como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?" (Rom 8,28.31-32)

 

Uma abençoada Quaresma para todos! 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe

Que o vosso coração permaneça sempre em paz

Para onde quer que olhemos, seja a sociedade à nossa volta, seja a nossa própria vida, deparamo-nos com um permanente estado de agitação e de inquietude.... Ninguém está bem, ninguém se sente bem e em paz.... Há sempre tanta coisa para fazer, tanta coisa que precisa de ser feita ... As horas não esticam, o tempo não pára, a vida não abranda ... Encontramo-nos, todos nós, num completo estado de agitação, de inquietação, de frustração, de ausência de paz ...

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Mesmo aqueles que procuram seguir o caminho do Senhor, procurando tornar-se santos à Sua semelhança - eis-nos, na mesma, nesse estado de inquietação profunda e permanente. Mesmo quando procuramos amar e servir os irmãos à nossa volta - eis-nos, na mesma, nesse estado de agitação, ansiedade e incerteza ... 

 

"Reine nos vossos corações a paz de Cristo"  (Col 3,15)

 

Ai de mim, Senhor, que não o permito... não permito que a Tua paz reine no meu coração e não confio plenamente nas Tuas promessas. Ai de mim, Senhor meu ..

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Palavras de Jesus... deixemo-las ressoar dentro de nós ...

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

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Imagem retirada daqui

 

Quem penso eu que sou, para achar que consigo fazer algo de bem ou de bom, sem a ajuda do Senhor?

Não, nenhum de nós o consegue fazer....

Se queremos, verdadeiramente, viver na paz de Cristo; se queremos que essa paz reine continuamente nos nossos corações e nas nossas vidas - então, eu preciso de me convencer desta difícil mas importante verdade: todo o bem que eu consigo fazer, vem de Deus, e não de mim própria. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Jesus não disse "sem Mim, não podeis fazer muita coisa"; não, na verdade, Ele disse-nos claramente que "sem Mim, nada podeis fazer".

Nada. Nada podeis fazer.

 

Para experienciarmos esta verdade (ou para nos relembrar mais uma vez dela), Deus permite que passemos por diversas dificuldades, desafios, falhanços e humilhações nas nossas vidas. Sim, podem não parecer à primeira vista (ou à segunda, ou à terceira, ou ...), mas estes momentos difíceis são para nosso bem. Deus poupar-nos-ia deles, claro, se houvesse outra maneira de nós compreendermos. Mas eles são imensamente necessárias - só através deles conseguimos identificar e reconhecer a nossa (absoluta) incapacidade de realizar nem que seja um pouquinho de bem e de bom. 

 

Obrigado Senhor por me mostrares esta verdade; obrigado Senhor por abrires os meus olhos; obrigado Senhor pela Tua infinita misericórdia; obrigado Senhor ...

 

Mas, como posso eu mudar? Como posso ser diferente? 

Como posso permitir que a Tua graça actue livremente na minha vida?

 

Já alguma vez tiveram a oportunidade de observar a superfície dum lago ou duma pequena porção de água, que fosse capaz de refletir as formas das nuvens e o brilho do sol? (a minha casinha nova permite-me lembrar desta analogia todos os dias)

Quanto mais calma, serena e tranquila a superfície dessa água estiver, mais perfeitamente poderá reflectir a forma das nuvens e o brilho do sol. Mas se, pelo contrário, a superfície da água estiver agitada, inquieta e ondulante, já não poderá refletir a maravilhosa luz do sol.

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Imagem retirada daqui

 

O mesmo acontece com Deus e a nossa alma.

Quanto mais calma, tranquila e em paz estiver a nossa alma, melhor poderá refletir o amor de Deus, melhor se assemelhará à santidade do Senhor, melhor a Sua graça poderá actuar sobre nós.... Mas se a nossa alma se mantiver continuamente agitada e turbulenta, a graça, o amor e a misericórdia de Deus terão muitíssimo mais dificuldade em actuar em nós.

Todo o bem que fazemos provêm do Senhor. Todo o bem que realizamos só o fazemos pela graça de Deus, que se reflete nas nossas vidas. 

 

Quantas vezes, oh quantas vezes, nós nos agitamos e nos preocupamos ao tentarmos resolver tudo, todos os problemas, através da nossa própria força e capacidades - quando seria imensamente mais eficaz se permanecessemos na paz do Senhor, confiássemos Nele como as crianças pequeninas, e O permitissemos actuar em nós e nas nossas circunstâncias ... 

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

Então Deus convida-nos a sermos sossegadinhos e preguiçosos?

Claro que não!

Deus convida-nos sim, em todos os instantes e situações, a agir (às vezes, a agir mesmo muito) mas sob o impulso e graça do Espirito Santo, que é sempre gentil, suave e pacífico. E não sob um espírito de inquietude, preocupação, agitação e pressa desmedida, como tanta vez nós escolhemos fazer.... 

 

Aliás, uma das estratégias mais utilizadas pelo Maligno para nos afastar do amor de Deus é precisamente fazer-nos perder a paz nos nossos corações...

Não o podemos permitir! 

A paz e a esperança de coração são características essenciais e identificativas dum cristão e nunca devem ser perdidas - ainda mais nos dias de hoje, onde parece que somos os únicos a conseguir manter essa luz no mundo ... 

 

Comecemos já pela oração - uma das armas mais poderosas que Deus nos ofereceu...

 

Espírito Santo, amor do Pai e do Filho

Inspirai-me sempre

O que devo pensar

O que devo dizer

O que hei-de calar

O que hei-de escrever

O que hei-de fazer

Para Vossa glória

Para o bem de todas as almas

E para a minha própria santificação.

Ó meu bom Jesus, em Vós ponho toda a minha confiança!

Amém

 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe