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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Encontros de Jesus - 12. Maria de Betânia, irmã de Lázaro e de Marta

Encontros com Jesus - 12. Maria, irmã de Lázaro

«Uma mulher, de nome Marta, recebeu [Jesus] em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços.» (Lc 10, 38-40)

Tanto Marta como Maria parecem ser jovens mulheres solteiras, que tomaram a decisão de dedicarem a sua vida a Jesus, o Seu Amado. Assim, alguns vêem-nas como protótipo dos 2 grandes ramos de vida religiosa – Marta, numa vida mais activa, em constante serviço dos irmãos e necessitados, pondo os seus talentos a render, e Maria, tendencialmente mais orante, intercessora e contemplativa ...

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros de Jesus - 10. A mulher apanhada em adultério

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Os doutores da Lei e os fariseus trouxeram [a Jesus] certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio e disseram-Lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?» (Lc 8,3-4)

Imagino os fariseus e doutores da Lei a esfregarem as mãos e a dizerem entre si: “Está no papo! Apanhámo-Lo bem! Desta não escapa!”. Jesus só parece ter 2 opções: ou afirma que “sim, Eu concordo com o que está escrito na Lei de Moisés” e o povo que está a assistir ficará desiludido com Jesus, e assim apenas a face “julgatória” de Deus será revelada; ou, então, “provará” que não é realmente um Profeta e dirá, “não, eu discordo da Lei de Moisés”, “provando” assim que Ele não vem realmente de Deus.

A mulher, pelo contrário, não parece ter qualquer hipótese .... Parece estar condenada à morte desde o momento em que alguém a descobriu no seu pecado.

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros de Jesus - 8. A mulher da dracma perdida

Encontros com Jesus - 8. A mulher da dracma perdid

A parábola da dracma perdida surge no contexto de outras 2 parábolas contadas por Jesus, bastante mais conhecidas – a parábola da ovelha perdida e do filho pródigo. Todas estas parábolas falam-nos de bens preciosos que foram perdidos, e acerca da busca incessante de alguém para os reencontrar e resgatar. Um pormenor importante da parábola da dracma perdida, e que a distingue das outras duas, é que o bem precioso foi perdido dentro da própria casa … e o que o fez perder-se não parece ser algum acontecimento fora do comum, mas apenas as coisas aparentemente simples e banais do dia a dia, à quais tendemos a dar pouca importância ...

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros de Jesus - 6. A pecadora arrependida

Encontros com Jesus - 6. A pecadora arrependida.jp

[Jesus] entrou em casa do fariseu, e pôs-Se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás Dele e chorando, começou a banhar-Lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. (Lc 7, 36-38)

Esta mulher, apesar de pecadora, demonstra desde cedo uma enorme fé, que lhe suscita uma coragem e audácia impressionante: atreve-se a ir até à casa do fariseu Simão, a entrar na sala das refeições cheia de homens e talvez convidados ilustres, a “interromper” – de certa forma – a sua refeição e diálogo, para oferecer a Jesus um dos seus bens mais preciosos. A sua fé parece dar-lhe a capacidade de vencer a vergonha e o medo do desprezo alheio, de correr o risco de poder ser repelida como impura ou pecadora ...

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros de Jesus - 3. Ana, fiel profetisa da espera e da esperança

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Só o Evangelho segundo S. Lucas nos fala sobre a profetisa Ana. Ana tende a passar tão despercebida entre as linhas do Evangelho como também deve ter passado despercebida ao longo da sua própria vida. À semelhança de Nossa Senhora, também a vida de Ana sofreu uma grande e inesperada reviravolta quando, tragicamente, perdeu o seu amado marido, sendo ainda muito nova, após um feliz mas dolorosamente curto matrimónio. Imagino-a a pensar: E agora, o que devo fazer? Sem filhos e sem família ... Quem cuidará de mim? Quem me protegerá? Quem me amará?

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros de Jesus - 2. Isabel, mulher de fé e esperança

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Sempre que passo por uma altura na minha vida, em que Deus me pede para esperar por algo, o Senhor sabe que eu preciso de conhecer e meditar em histórias de vida que me inspirem a levar avante o meu combate diário pela virtude da paciência e da humildade. E assim, um dia, Deus falou-me ao coração através da história de Isabel, prima da Virgem Maria, esposa do sacerdote Zacarias e mãe de João Baptista. Isabel promete ser alguém muito especial, ou não fosse ela logo chamada, juntamente com o seu marido, como sendo «justa diante de Deus» (Lc 1,6), um título apenas atribuído também a São José ... 

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

As tentações de Jesus e as nossas

O início da Quaresma leva-nos, com Jesus, ao deserto.

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no Qual pus todo o Meu agrado.» Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. (Mt 3,16-17; 4,1)

O momento em que os céus se rasgaram e o Espírito Santo desceu sobre a terra, parece ter sido um momento marcante e decisivo na caminhada de Jesus, em direcção ao pleno conhecimento da vontade do Pai. Parece ter sido o momento em que Cristo recebeu uma confirmação total acerca da missão a que o Pai O chamava, assim como das suas implicações, ou seja, a redenção de toda a humanidade através do Seu sacrifício de amor na Cruz. 

Ao ler estes versículos, impressiona-me como Jesus, após um acontecimento com tanta glória e louvor, obedecendo voluntariamente à doce voz do Espírito, abandona todas as consolações e presenças humanas e Se retira sozinho para o deserto. Para aí passar pela prova de ser tentado por Satanás.

 

Fala-se cada vez menos de Satanás nos dias de hoje e isto é algo que muito lhe convêm e que ele deseja que permaneça assim. Porque, nós não tentaremos combater aquilo que desconhecemos sequer que existe. E, assim, permitimos que ele continue a manipular-nos e a manipular as nossas vidas, como tanto se observa na nossa sociedade de hoje em dia, sem haver qualquer resistência da nossa parte ...

Contudo, também não podemos cair no espectro oposto, de lhe atribuir poder e capacidades que ele, na verdade, não tem. Ele bem gosta de o fingir, para que acreditemos que ele é muito poderoso e capaz e que nós somos impotentes perante o seu aparente poder. Por exemplo, Satanás, sendo um anjo (se puderem voltem a ler este post sobre os anjos), ainda que decaído, desconhece o futuro - isso só Deus conhece - e apenas conhece o presente à mesma velocidade que nós, assistindo e vivendo o acontecer de cada coisa e acontecimento tal como nós. É verdade, ele conhece o passado, porque o viveu também, e, nesse aspecto, ele é perito em fazer-nos recordar o nosso passado - mas apenas as partes que lhe dão jeito, na sua constante tentativa de nos manipular ....

Diz-nos o Arcebispo Fulton Sheen que, enquanto Deus é pura verdade, definindo-Se a Si mesmo como "Aquele que é", a essência de Satanás é a mentira, podendo ser definido como "Aquele que não é". Ele é o tentador, o mentiroso, o enganador, o fingido por excelência. Uma das poucas capacidades que ele realmente tem é de ser extremamente perspicaz. Ele sabe identificar muito bem os nossos pontos fracos, está atento a cada uma das nossas reacções, sabe estudar bem as nossas tendências, os nossos padrões de comportamento e de pecado. Ele adapta-se astuciosamente a cada circunstância e a cada personalidade, falando-nos sempre através de meias-verdades, com declarações e sugestões parcialmente verdadeiras, mas sempre distorcidas e fraudulentas. E com que objectivo? Sempre na tentativa de nos afastar total e definitivamente do amor do Senhor e de nos arrastar com ele para o Inferno, onde ele próprio está já eternamente condenado. 

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Imagem retirada daqui

Podemos comprovar tudo isto, se acompanharmos Jesus ao ser tentado no deserto pelo Demónio. São Mateus conta-nos que "o Tentador aproximou-se" de Jesus (Mt 4,3a). A sua astúcia e capacidade de manipulação é de tal modo que Satanás tenta Jesus fingindo que O tentava ajudar a descobrir a resposta à questão, que tinha sido gerada no Seu coração e na Sua mente após ter sido Baptizado: Como poderia Ele cumprir mais perfeitamente a Sua missão de redenção entre os homens?

Tinha sido para descobrir a resposta a esta pergunta que Jesus tinha-Se retirado sozinho para o deserto, para aí jejuar e orar durante 40 dias e 40 noites, escutando a voz do Pai e deixando-Se moldar por Ele. Mas, se o problema estava em como Jesus poderia "ganhar" e converter o coração dos homens, então o Diabo tinha umas quantas sugestões a dar-Lhe.

Todas elas envolviam - adivinhem só - um espécie de bypass, um atalho, à expiação dos nossos pecados através da Cruz. Deus Pai tinha-Lhe dito, nestes 40 dias de oração no deserto, que esta era a única maneira. Satanás tenta persuadi-Lo de que não, de que há outras maneiras. Hmm, onde é que eu já vi isto acontecer? 

A serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens e disse à mulher: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» A mulher respondeu-lhe: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Nunca o deveis comer, nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis'. A serpente retorquiu à mulher: ‘Não, não morrereisporque Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal‘.» (Gn 3,1-5)

Sim, nas tentações de Jesus no deserto veremos uma repetição das tentações de Adão (e de Eva) no Jardim do Éden. Mas, enquanto os nossos primeiros pais cederam à tentação, Jesus saiu vitorioso, vencendo cada uma delas.

Recordemos: qual era o objectivo, qual era a missão primordial de Deus para Adão e Eva? Viverem e participarem plenamente no Seu reino de amor, como Seus filhos muito amados, e como colaboradores do Seu poder Criador. Tal como o Catecismo da Igreja Católica nos resume na resposta à pergunta: "Para que fomos criados? Para conhecer, amar e servir a Deus" - uma resposta aparentemente simples mas tão poderosa e transformadora, se meditarmos bem nela ...

A serpente, contudo, tenta desviá-los desse objectivo e dessa missão, à semelhança do que tentará fazer com Jesus no deserto. O Diabo tenta distraí-los. Cria e fomenta uma falsa vontade nos seus corações, uma falsa necessidade, suscitando-lhes uma curiosidade que se revelará mortífera. Ele elabora uma mentira e tenta persuadi-los de que é verdade. 

Os nossos pais acreditam nesta mentira, cedem sem aparente resistência, e pecam gravemente, rejeitando o amor de Deus e expulsando-se a si mesmos da Sua presença e do Seu reino. Grande foi a alegria de Satanás naquele dia ... 

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Imagem retirada daqui

Agora, Satanás tentará fazer o mesmo com Jesus. As suas tentações tentam distrair Jesus da Sua missão de salvação do género humano. O Diabo tenta convencer Jesus de que há outras maneiras de alcançar a desejada Redenção da humanidade. Tenta persuadi-Lo e pô-Lo a duvidar da real necessidade da Sua entrega à vontade do Pai, através do Seu sacrifício voluntário na Cruz. Em vez de ser pela dolorosa e humilhante Cruz, Satanás tenta sugerir-Lhe três outras maneiras, uma espécie de três atalhos que, aparentemente, prometiam alcançar o mesmo fim - a salvação das almas. 

 

Vendo a mulher que o fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de atraente aspecto e precioso para esclarecer a inteligência, agarrou do fruto, comeu, deu dele também a seu marido, que estava junto dela, e ele também comeu. (Gn 3,6)

Reparem: os nossos pais começaram por ver que o fruto proibido deveria ser bom para comer, repararam no seu bom e atraente aspecto e concluíram que deveria ser bastante precioso e útil para lhes esclarecer a inteligência (e, assim, tornarem-se basicamente iguais a Deus e ocuparem o Seu lugar). Se meditarmos no assunto, perceberemos que o homem tende a ser tentado e tende a pecar de uma entre três principais maneiras (ou categorias): as que estão relacionadas com os prazeres da carne (pelos pecados da gula e da luxúria), as que estão relacionadas com o desejo de posse e o amor pelas coisas do mundo (pecado da ganância e da inveja) e as que estão relacionadas com o poder e a auto-idolatria (pecado do orgulho).

Da mesma forma, e pela mesma ordem, foi Jesus tentado no deserto pelo Demónio, para nos mostrar como podemos resistir e vencer estas tentações.

Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fomeO tentador aproximou-se e disse-Lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães»  (Mt 4,1-3)

primeira tentação foi a da procura do conforto e do prazer dos sentidosQue situação mais absurda - Deus a sentir fome! Onde é que isso já se viu? Como pode tal ser possível? Se Deus alimentou miraculosamente um povo tão numeroso durante 40 anos no deserto, porque é que agora não faz surgir um banquete para Si mesmo? Porque é que o próprio Deus se permite sofrer esta humilhação e passar por esta necessidade tão humana (apenas) para redimir as Suas criaturas? Parece loucura ...

Aliás, o Diabo parece prometer e sugerir-Lhe que, se Jesus usasse o Seu poder para alimentar todos os famintos deste mundo, então Ele ganharia os seus corações e, assim, a Cruz deixaria de ser necessária. Não parece um bom negócio? 

Na verdade, Jesus recordará e passará novamente por esta tentação quando, pregado na Cruz em plena agonia, todos os que passarem por Ele Lhe disserem asperamente: «Salva-Te a Ti mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz!» (Mt 27,40) 

Respondeu-lhe Jesus: «Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.» (Mt 4,4).

Sim, Jesus passou realmente fome e sede no deserto. E, assim, uniu-Se a toda a humanidade sofredora, sedenta e faminta. Uniu-Se não só àqueles que têm falta de comida e de bebida, tão numerosos no tempo de Jesus como no nosso, mas também àqueles que têm sede e fome de Deus - e esses, sim, são muitíssimo mais numerosos hoje em dia, e encontram-se em quase todas as casas deste mundo.. O homem têm necessidades muitíssimo mais profundas do que aquelas que podem ser saciadas apenas com pão. São homens e mulheres que estão carentes duma felicidade muitíssimo maior do que ter apenas um estômago cheio. Foi para saciar tanto uma, como a outra fome, que Jesus encarnou, habitou entre nós e Se entregou, fazendo de Si mesmo e do Seu corpo o verdadeiro alimento, que nos dá a Vida Eterna.

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Imagem retirada daqui

segunda tentação foi a da procura da posse e do controlo de todas as coisas: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, que o Senhor Te sustentará» (Mt 4,6). Jesus tem perfeita noção que o caminho a que o Pai O chama terá poucos adeptos. Poucos Lhe darão ouvidos. Poucos O seguirão. Poucos se converterão. Não é um caminho fácil nem atraente aquele que Jesus nos proporá: «Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me» (Lc 9,23)

Nesta segunda tentação, o Diabo tentará persuadir Jesus a esquecer o caminho da Cruz e a substituí-lo por um caminho que demonstre chamativamente o Seu poder, que seja atractivo e cativante, a fim de tornar mais fácil que todos os homens O sigam.

Quase que oiço o Demónio a dizer-Lhe: 'Porque hás-de preferir um caminho longo e penoso, através do derramamento de sangue e de tanta dor, para converteres os homens? Porque hás-de preferir um caminho em que sejas desprezado, rejeitado e humilhado, enquanto podes escolher um caminho mais curto e eficaz se realizares um milagre vistoso e admirável? Pelo caminho da Cruz, serás como um fantoche nas mãos dos homens, farão de Ti o que eles quiseres, não poderás controlar nada - mas, se Tu quiseres, está aqui mesmo a Tua oportunidade de tomares controlo sobre tudo! Pelo caminho da Cruz, não saberás quantas pessoas conseguirás converter, mas se realizares maravilhas e feitos impossíveis prometo-Te que todos acreditarão! Se és realmente Filho de Deus, eu desafio-Te a fazeres algo heróico, para que todos possam testemunhar o Teu poder e assim acreditar!'

Então, o Diabo conduziu-O à cidade santa e, colocando-O sobre o pináculo do templo, disse-Lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: 'Dará a Teu respeito ordens aos Seus anjos; eles suster-Te-ão nas suas mãos, para que os Teus pés não se firam nalguma pedra'» Disse-lhe Jesus: «Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!» (Mt 4, 5-7)

Também mais tarde Jesus recordará esta tentação quando, à Sua volta, uma multidão se reunir exigindo-Lhe um milagre, qualquer que fosse, que provasse as Suas palavras e tornasse mais fácil para eles acreditarem plenamente. "As multidões afluíram em massa e [Jesus] começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa, [que] pede um sinal»" (Lc 11,29) 

Realmente, se Jesus realizasse esses grandes e admiráveis feitos que O coagiam a fazer, multidões de homens O seguiriam. Mas, como é que isso os beneficiaria, se o pecado permanecesse incrustrado nas suas almas? 

Responderá Jesus: «Não tentarás o Senhor teu Deus!» (Mt 4, 7). Não, não farei nada disso que Me pedem. Não farei a vossa vontade, que mal sabeis o que pedis ou o que precisais, mas farei, sim, e sempre, a vontade de Meu Pai. Só quando Me virem pregado numa Cruz se sentirão atraídos até Mim. Só através do Meu sacrifício, do pleno uso da Minha liberdade, da Minha entrega por amor é que, verdadeiramente, os homens se converterão e deixarão os seus maus caminhos.

E responderá Jesus às multidões que O tentam chantagear: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado sinal algum, a não ser o de Jonas» (Lc 11, 29). Nenhum sinal vos será dado, a não ser o sinal de Alguém que será elevado aos Céus, após ter saído e vencido as profundezas das águas do abismo e da morte...  

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Por fim, a terceira tentação foi a da procura da própria glória e louvor: «Tudo isto [reinos e poderes do mundo] Te darei, se, prostrado, me adorares» (Mt 4,9). Satanás tenta, numa última e derradeira tentativa, distrair e desviar Jesus do caminho da Cruz. Se Jesus, tal como Ele próprio o diria mais tarde, veio a este mundo para estabelecer nele o Reino de Deus, porque não escolhia Ele um caminho mais rápido para alcançar tal? Porque não Se submetia Àquele que se apresentava como Senhor deste mundo?

Levando-O a um lugar alto, o Diabo mostrou-Lhe, num instante, todos os reinos do universo e disse-Lhe: «Dar-Te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. Se Te prostrares diante de mim, tudo será Teu.» (Lc 4, 5-7) 

Será que o mundo foi-lhe realmente dado? Será que o mundo realmente lhe pertence? A contínua escolha dos homens pelo pecado parece corroborar esta afirmação. Por voto e vontade da maioria dos homens, comprovado pelas suas acções e escolhas diárias, não haveria dúvidas de que todo o mundo lhe pertencia ... em especial nos dias e na sociedade de hoje.

Mas não, isso não é verdade. Pode-nos parecer, por vezes, sim. Mas lembrem-se que Satanás é o príncipe da mentira e do fingimento! O Diabo promete que Jesus poderia ficar com tudo o que existe no mundo, desde que Ele não o tentasse mudar. Poderia ficar com os corações de toda a humanidade, desde que Ele prometesse não os tentar salvar e redimir. 

Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» (Mt 4, 10)

Jesus responder-lhe-á: 'Vai-te Satanás! Adorar-te é servir-te e servir-te é ser escravo do pecado. Foi exactamente para tornar a humanidade livre das garras do pecado que Eu vim. Eu não desejo nada deste mundo enquanto eles estiverem presos nas amarras da maldade e da culpa. Primeiro, Eu irei vencer a maldade e a conscupiscência no coração dos homens, e então depois conquistarei o mundo e serei coroado Rei de todo o Universo! Eu prefiro perder e abdicar de tudo o que existe neste mundo, do que perder uma só alma para o Reino de amor do Meu Pai!'

Então, o Diabo deixou-O e chegaram os anjos e serviram-n'O. (Mt 4,11)

 

Por agora, a vitória foi alçancada. Ao contrário do primeiro Adão, o novo e eterno Adão, Jesus, vence as grandes tentações que continuamente assaltam a humanidade. O Diabo deixa-l'O-á mas não será por muito tempo. Uns capítulos à frente, leremos como o Tentador conseguirá apoderar-se momentaneamente do coração de Pedro. Ele, o primeiro entre os discípulos a reconhecer o Messianismo de Jesus, proferindo no versículo 16 do capítulo 16: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo», dirá também logo no versículo 22 desse mesmo capítulo: «Deus Te livre, Senhor! Isso nunca Te há-de acontecer!», quando Jesus lhes anuncia que a glória da Ressurreição só é possível através do caminho humilhante e penoso da Cruz. 

 

Nos próximos posts, se Deus o permitir e me ajudar, continuaremos a caminhar com Jesus, nesse caminho de Cruz, em direção à plena obediência à vontade do Pai. Por agora, meditemos no nosso coração, acerca das tentações de Jesus, no seu significado, de como foi possível Ele vencer cada uma delas.

Foi através deste "primeiro treino" no deserto, através destes testes e provações, que Jesus Se fortaleceu para a "grande prova". Pela graça de Deus, nós estamos em plena Quaresma, nos exercícios de "treino" por excelência, para as grandes "provas" das nossas vidas. E a maior "prova" da minha vida começará dentro de pouquíssimo tempo, nesta mesma Páscoa ... 

 

Post escrito após a leitura do livro "Life of Christ" do Arcebispo Fulton Sheen, 1958, pág 59 a 69

Ana, a fiel profetisa da espera

Ao reflectir sobre o início da Quaresma deste ano, dei por mim a pensar no exemplo da profetisa Ana, que nos é dada a conhecer no relato da apresentação de Jesus Menino no Templo de Jerusalém. Ana tende a passar tão despercebida entre as linhas do Evangelho como também deve ter passado despercebida ao longo da sua própria vida. Ao rezar os Mistérios Gozosos do Terço, quantas vezes dou por mim a pensar mais em Simeão e nas suas palavras do que nas de Ana?...

"Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor. Havia uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual era de idade muito avançada. Depois de ter vivido casada sete anos, após o seu tempo de donzela, ficou viúva até aos oitenta e quatro anos". (Lc 2, 22.36-37)

À semelhança de Nossa Senhora, também a vida de Ana sofreu uma grande e inesperada reviravolta quando, tragicamente, Ana perdeu o seu amado marido, sendo ainda muito nova, após um feliz mas dolorosamente curto matrimónio. Ana terá certamente pensado: E agora, o que devo fazer? Sem filhos e sem família ... Quem cuidará de mim? Quem me protegerá? Quem me amará?

Ana, à semelhança da história do povo hebreu e à semelhança de cada um de nós em alguma altura das nossas vidas, teve de descobrir o amor carinhoso, o cuidado atencioso, a protecção segura, a firmeza da presença permanente e inabalável do Deus que nunca nos abandona e que nos acompanha em todos os instantes da nossa vida. Pela fé, Ana permitiu que Deus transformasse um acontecimento trágico, que poderia tê-la destruído interiormente, em algo belo e frutuoso - uma vida dedicada ao serviço dos irmãos e à oração pela vinda do Messias prometido, que viria resgatar para sempre todo o povo de Israel.

Talvez por o Evangelho nos falar do seu "tempo de donzela", eu tendo a imaginar Ana como uma daquelas mulheres que desenvolvem uma beleza tão única e especial, que não parece mudar com o avançar dos anos. Aquele tipo de beleza que só é possível ser desenvolvida por quem se deixa preencher, cativar e florescer pelas graças do Senhor, numa contínua relação de intimidade de amor mútuo com Deus. Imagino Ana com um espírito jovem e vivo, típico de quem aprende a falar com o Senhor como com um amigo, mas, simultaneamente, com uma alma firmemente enraizada no profundo amor e bondade do Senhor, demonstrado e comprovado em todos os dias da sua longa vida. 

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Pintura da Profetisa Ana, da autoria da maravilhosa artista protestante Elspeth Young

Ana viveu e serviu no Templo de Jerusalém durante várias décadas, após ter ficado viúva, o que lhe terá permitido ouvir repetidamente as palavras divinas da Lei e dos Profetas, as inúmeras discussões e ensinamentos dos escribas e dos fariseus, assim como observar todos os movimentos, carregados de significado e simbolismo, dos sacerdotes do Templo. Assim, Ana estaria bem familiarizada com as diversas profecias dos autores sagrados que anunciavam a vinda do Messias. Isto, associado ao cuidado amadurecimento do seu génio feminino e a uma graça especial do Senhor, fizeram dela uma das poucas profetisas nomeadas nas Sagradas Escrituras, à semelhança de Miriam, irmã de Moisés, e de Débora no Antigo Testamento. Uma profetisa é alguém que sabe interpretar os sinais dos tempos e de discernir a vontade de Deus, tal como ela o fez, de forma aparentemente tão simples, no relato da apresentação de Jesus no Templo - um acontecimento de tal forma importante que foi imortalizado para sempre, primeiro na Tradição da Igreja, depois nas páginas da Bíblia e depois ainda nos Mistérios do Santo Terço. 

[Ana] não se afastava do Templo, participando no culto noite e dia, com jejuns e orações. (Lc 2,38)

A sua presença constante no Templo, contudo, também lhe daria hipóteses de observar atentamente o comportamento dos fariseus legalistas, o domínio crescente dos vendedores, comerciantes e cambistas, assim como todas as demonstrações de hipocrisia, desrespeito e pecado, realizadas na Casa do Senhor, aquela que devia ser "casa de oração" por excelência, e não um "covil de ladrões" como se tinha tornado (cf Mt 21,13). Questiono-me se alguma vez lhe terá passado pela cabeça fazer algo parecido ao que Jesus faria, anos mais tarde, expulsando "os que vendiam e os que compravam" e "derrubando as mesas" onde se propagava a iniquidade daquele povo? (cf Mt 21,12) Quem sabe ...

 

Ana é um belo exemplo de paciência, de quem sabe esperar fielmente pelo cumprimento das promessas do Senhor. Mas, ao contrário do que o mundo nos diz, esperar no Senhor e esperar pelo cumprimento das Suas promessas, não tem nada de passivo. Ana participava na vida e nas celebrações do Templo de Jerusalém, servindo o Senhor e os irmãos e dedicando-lhes toda a sua vida. Ana era activa na sua espera, jejuando e orando frequentemente. Quem já jejuou sabe que é algo que tem pouco de passivo, é necessário uma luta interior, permanente, contra o desejo natural de saciar o nosso corpo com comida.

Ana ter-se-á dedicado a preparar-se, à semelhança das virgens prudentes (cf Mt 25,1-13), para a vinda do Messias desejado. Ana é um exemplo perfeito de quem conseguiu manter acesa dentro de si a chama da esperança, da fé nas promessas feitas pelo Deus fiel, apesar das dificuldades e das situações que a poderiam desanimar e enfraquecer. Assim, ela esperou e esperou e esperou. Atenta e vigilante aos sinais dos tempos e do Senhor. Com fé viva e expectante - durante 84 anos. 

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Imagem retirada daqui

Se Ana "não se afastava do Templo, participando no culto de noite e de dia", quem sabe se ela não terá também testemunhado os acontecimentos extraordinários que envolveram o sacerdote Zacarias no ano anterior? (cf Lc 1,5-25)

Talvez também ela terá reparado em como Zacarias se demorava no interior do Santo dos Santos. Talvez também ela terá esperado que ele de lá saísse, expectante acerca do que poderia estar a acontecer. Talvez também ela terá ficado admirada por descobrir que Zacarias "não lhes podia falar", que tinha ficado "mudo" e que só era capaz de comunicar por "sinais" a partir desse dia. Talvez também ela terá compreendido que Zacarias "tinha tido uma visão no santuário" que mudaria, não só a sua vida, mas a de toda a História. Talvez também ela terá estado presente no Templo quando, 9 meses mais tarde, a boca de Zacarias "abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe e começou a falar, bendizendo a Deus" (Lc 1,64), após o nascimento do seu filho João. Quem sabe?

Na verdade, Lucas diz-nos realmente que "por toda a montanha da Judeia se divulgaram aqueles factos" (Lc 1,65) e que "quantos os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser este menino?»" (Lc 1,66). Assim, talvez também Ana terá meditado no seu coração, à semelhança da Virgem Maria, acerca do profundo significado e das implicações de tais acontecimentos extraordinários, o que a terá colocado ainda mais atenta e vigilante na leitura e interpretação dos sinais que o Senhor dava ao seu povo amado. Afinal, não tinha cantado Zacarias que João seria "chamado profeta do Altíssimo, porque [iria] à Sua frente a preparar os Seus caminhos" (Lc 1,76) e que "o Senhor, Deus de Israel, [tinha] visitado e redimido o Seu povo, [dando-nos] um Salvador poderoso da casa de David, Seu servo"? (Lc 1,68-29)

Será que o tempo favorável tinha chegado? Será que o acontecimento mais desejado da história do povo hebreu, a vinda do Messias, o resgate de Israel, estava finalmente a acontecer, ali mesmo, à frente dos seus olhos? 

 

Por esta altura, já era difícil esconder o sorriso aberto e inexplicável na bela face de Ana, que parecia tornar-se ainda mais bela e jovem a cada novo dia de esperança renovada. Já nem lhe passava pela cabeça abandonar, por um segundo que seja, o Templo de Jerusalém, para ir dormir e descansar na sua casa. O Senhor estava perto, era preciso orar e preparar-se para O receber. 

E quanto não terá exultado de alegria, meses mais tarde, ao ouvir o testemunho dos pastores de Belém que "começaram a divulgar o que [os Anjos] lhes tinham dito a respeito daquele Menino", fazendo com que "todos os que os ouviam se admirassem"? (Lc 2,17-18). Oh sim, Ana terá certamente vivido na mais pura alegria durante os 40 dias que ainda teve de esperar até conhecer o desejado Redentor de Israel.

Assim, quando José e Maria vieram ao Templo para oferecerem o Menino ao Senhor, ela ali estava, preparada e à espera, radiante e rejubilante, junto de Simeão.

"[Ana] aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém". (Lc 2,38)

 

Sempre achei muito engraçado que Lucas nos dissesse que, após o seu encontro com o Senhor Encarnado, Ana "pôs-se ... a falar do Menino a todos". Ora aí está Deus a fazer um bom uso duma característica tendencialmente feminina: ir contar a toda a gente algo que aconteceu! Faz-me lembrar do dia da Ressurreição do Senhor, em que Maria Madalena e as outras mulheres "cheias de temor e de grande alegria, correram a dar a notícia aos discípulos" (Mt 28, 8b), dando assim um santo uso a esta capacidade feminina de propagar e partilhar um acontecimento ... 

 

Esta semana começa a Quaresma, o tempo por excelência para nos preparar-mos para receber o amor do Senhor, que é tão grande e imenso que precisa de espaço - nas nossas vidas mas especialmente dentro de nós. Aprendamos o que é viver em clima de preparação constante e vigilantes. Deixemo-nos inspirar no exemplo da profetisa Ana, sejamos activos na nossa espera e tenhamos os olhos e o coração abertos às palavras e aos sinais do Senhor. Desejo-vos uma Santa e abençoada Quaresma!