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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

As criaturas das águas e as criaturas do céu (5º dia da Criação)

Deus disse: «Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que por cima da terra voem aves, sob o firmamento dos céus.» Deus criou, segundo as suas espécies, os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom. Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar e multipliquem-se as aves sobre a terra.» Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia. (Gn 1, 20-23)

A narração do 5º dia da Criação convida-nos a reflectir de novo na dicotomia do povo judeu sobre as águas do mar em oposição ao céu. Como já explorámos anteriormente, para o povo judeu as águas do mar representavam o local da morte e de julgamento do homem.

Em pleno mar, todos os homens, sem excepção, estavam sujeitos às mesmas forças e ao mesmo juízo das ondas e do vento. Os pescadores lançavam-se ao mar, mal a madrugada começava, estando ainda tudo escuro à sua volta. Decidiam quando iam; mas nunca poderiam saber se voltariam para as suas casas com vida.

Hoje, estamos habituados a ver o fundo do mar como um local colorido, cheio de formas estranhas, de peixes curiosos, de formas de vida surpreendentes. Mas, se perguntassem a um judeu, como pensava que era o fundo do mar, certamente que receberiam como resposta - "Como sabes tu que o mar tem fundo? Quem lá se aventurou, nunca voltou para contar o que viu ... Deve ser um autêntico vazio de morte, sem absolutamente nada ..."

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Imagem retirada daqui

Assim, as águas eram vistas como instáveis e traiçoeiras, insondáveis e perigosas, e os animais que lá viviam não eram olhados de forma diferente. Afinal, as criaturas do mar habitavam num local onde a escuridão parecia dominar e onde forças invisíveis pareciam comandar tudo o que acontecia. 

Penso no profeta Jonas, que tentou fugir do chamamento do Senhor e que acabou por ser lançado ao mar e engolido por uma baleia, uma criatura proveniente destas águas obscuras e malignas. A sua história serve-nos de aviso, acerca do que sempre nos acontecerá quando fugimos deliberadamente da vontade de Deus. Ao escolhermos fugir da terra, preparada para nós para ser um local sólido e seguro, ao virarmos as costas à vontade do Senhor, estamos a escolher lançar-nos nas águas do Abismo, ficando à mercê do maligno e das suas criaturas. Na verdade, Jonas só foi libertado do buraco escuro onde tinha aceitado esconder-se, após confessar o seu pecado, implorando a misericórdia de Deus e abrindo-se de novo à graça do Senhor, que o trouxe em segurança para terra firme. Agora sim, depois de viver este episódio marcante e reestruturante, Jonas estava preparado para anunciar, a todos os habitantes da cidade de Nínive, o quão Deus estava próximo de cada um deles ...

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Imagem retirada daqui

Em contraste com as perigosas e traiçoeiras criaturas do mar, são-nos apresentadas as aves do céu: livres como uma alma recém Baptizada, leves como uma alma recém Confessada, pequenas e humildes como Jesus nos incentiva a tornar-nos para conseguirmos entrar no Reino dos Céus ... 

Os pássaros passam as suas vidas a voar no céu aberto, que representa a morada eterna de Deus, aquela que os nossos corações tanto desejam alcançar. E, talvez por isso, tenhamos associado a imagem dos Anjos à destes seres alados e voadores, que habitam continuamente na presença de Deus.

Sempre achei fascinante como as aves conseguem parecer, simultaneamente, frágeis e fortes: frágeis pela sua constituição delicada; fortes por serem capazes de enfrentar vento e chuva, continuando a voar e a cantar ...

Pensar em aves do céu faz-me logo lembrar da representação do Espírito Santo na forma duma pomba, pura e branca, como nos é relatado no episódio do Baptismo de Jesus, ao sair das águas do rio Jordão. Lembro-me também do convite de Jesus, a abandonar as nossas preocupações e inquietações e a confiarmos na Providência Divina, que cuida de tudo nas nossas vidas com tanto amor e delicadeza, atenta a cada pequeno pormenor

Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós muito mais do que elas? (Mt 6,26)

 

Agora, percebo melhor porque é que o Apóstolo João, ao terminar as suas visões sobre o fim do mundo e o Juízo Final, nos descreve que:

"Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia." (Ap 21,1)

Na vida eterna, na Jerusalém celeste, onde serão recebidos todos os que amam o Senhor, haverá uma nova terra e um novo céu, renovadas e purificadas para nos acolher; mas o mar, esse local de morte e castigo, jamais existirá no Reino dos Céus, jamais voltará a ser visto ou sequer lembrado... 

Maranata, vem Senhor Jesus!

As tentações no deserto (ainda o 3º dia da Criação)

O início do 3º dia da Criação relembra-nos a travessia do Mar Vermelho a pé enxuto pelo povo hebreu, fugindo da escravatura do Egipto e dirigindo-se para o grande deserto a que o Senhor os chamava a atravessar. 

"Recorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer durante quarenta anos pelo deserto, a fim de te tornar humilde, para te experimentar, para conhecer o teu coração" (Dt 8,2)

Também Jesus, após ter sido baptizado nas margens do rio Jordão, foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto - para nos mostrar a Sua humildade, para nos mostrar a pureza do Seu coração - como estava prefigurado na segunda parte do relato do 3º dia da Criação

Deus disse: «Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem fruto sobre a terra, segundo as suas espécies, e contendo semente.» E assim aconteceu. A terra produziu verdura, erva com semente, segundo a sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com a respectiva semente. Deus viu que isto era bom. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia. (Gn 1,11-13)

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Imagem retirada daqui

Foram 3 os tipos de plantas que Deus fez brotar da terra seca recém criada, à semelhança das 3 tentações pelas quais Cristo passou nos 40 dias e 40 noites em que jejuou no deserto. Por 3 vezes, Satanás tentou que Jesus cedesse e se afastasse da Sua missão de Redenção da humanidade. Por 3 vezes, Satanás tentou reproduzir, na vida e figura de Jesus, a falta de confiança demonstrada neste deserto pelo povo hebreu, na Providência Divina e nas promessas do Senhor.

A primeira tentação foi a da procura do conforto e do prazer dos sentidos: «Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães» (Mt 4,3) - à semelhança do povo hebreu que murmurou contra Moisés e, assim, contra o Senhor, com medo de morrerem à fome no deserto. Mas Jesus relembra-nos que «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4).

A segunda tentação foi a da procura do poder e do controlo: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, que o Senhor Te sustentará» (Mt 4,6) - relembrando a ocasião em que o povo israelita, mais uma vez, duvidou das promessas do Senhor e exigiu um milagre, uma prova, do Seu amor e do Seu cuidado paternal. Mas não teria Deus já dado provas suficientes? Quão curta pode ser a nossa memória?

Por fim, a terceira tentação foi a da procura da própria glória e louvor: «Tudo isto [reinos e poderes do mundo] Te darei, se, prostrado, me adorares» (Mt 4,9) - Ah, a procura incessante do ser humano em ser adorado, admirado e glorificado. Como parece que queremos ser, sempre, fortes, grandes e importantes. Jesus, pelo contrário, aceitou tornar-se pequeno e humano, para chegar até junto de nós. Aceitou tornar-se escravo por amor, cordeiro sacrificial para nos salvar. «Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» (Mt 4,10) Tudo o que somos, tudo o que possuímos, tudo o que conseguimos, tudo isto é por graça e amor do Senhor.

Também nós, no nosso Baptismo, à semelhança de Cristo, somos chamados a renunciar a estas 3 tentações: ao conforto da nossa Carne, ao desejo de controlo sobre o Mundo e ao orgulho favorecido pelo Diabo

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Imagem retirada daqui

No deserto, o povo israelita deixou-se vencer pelo seu pecado e pela sua concupiscência, escolhendo esquecer-se e afastar-se do amor do Senhor. Jesus, pela Sua humildade, conseguiu restituir a infidelidade cometida, por mim e por ti, ao amor oferecido por Deus. E Jesus venceu, sem fazer nenhum feito extraordinário, sem fazer nenhum milagre. Ele venceu todas as tentações puramente através da sua humanidade, recitando de memória as promessas que o próprio Senhor tinha feito, ao longo dos tempos, ao seu povo escolhido e muito amado.

A vitória de Jesus sobre as tentações no deserto antecipa, desde já, a Sua vitória também na Paixão, o mais supremo acto de obediência ao amor do Pai.

Saindo das águas e entrando no Céu (ainda o 2º dia da Criação)

Meditar no 2º dia do relato da Criação permite-nos também compreender melhor o significado do Baptismo de Jesus.

Veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por Ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.
Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. 
E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado.» (Mt 3,13-17)

Jesus é baptizado no rio Jordão, o rio cujo nome significa "Aquele que desce" em hebraico. Lembrando a analogia do último post, não me parece ser um acaso que este rio nasça no topo dum monte, o monte Hérmon, em Cesareia de Filipe no norte de Israel. Na verdade, o monte Hérmon é um monte tão alto -  e assim tão perto da morada de Deus - que permanece coberto de neve durante a maior parte do ano.

Foi bem aqui em cima, em Cesareia de Filipe, perto da nascente do rio Jordão, que Jesus deu a Pedro as chaves do Reino dos Céus, representando a sua união íntima com o coração do Senhor.

Desde a sua origem no norte de Israel, o rio Jordão vai descendo continuamente, atravessando Israel, até por fim desaguar no ponto mais baixo de toda a terra, no mar Morto. Podendo ter escolhido qualquer ponto do comprimento do rio, o Senhor chamou João Baptista a baptizar o povo judeu no local imediatamente antes deste rio chegar às águas estéreis e inóspitas do mar Morto.

Foi bem aqui em baixo, perto do ponto de entrada no mar Morto, que Jesus escolheu também ser baptizado por João. Jesus vai-nos buscar, independentemente do quão fundo o nosso pecado nos arrastar, não desistindo de nós e de nos salvar até ao último instante da nossa vida, antes de nos perdermos completamente no Inferno...

 

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Imagem retirada daqui

Mas vamos voltar ao simbolismo do 2º dia do relato da Criação. Com o Seu Baptismo, Jesus entra dentro das águas de baixo, das águas do abismo, assim como depois entrará nas águas do sofrimento e da Sua morte. Ele ergue-se destas águas, tal como virá depois a erguer-se da morada dos mortos, ao ressuscitar. Os Céus rasgam-se; a barreira, a divisão, existente entre Deus e o homem, desde o 2º dia da Criação, que impedia que o homem se unisse plenamente ao seu Criador, desaparece. Os Céus abrem-se, a Vida Eterna torna-se possível ao homem, de tal forma que o Espírito Santo desce, sob a forma duma pomba, tal como fará mais tarde no dia do Pentecostes, para anunciar através de Jesus, a todos os homens, o quanto cada um de nós é, também, o Seu filho muito amado ... 

 

O Baptismo de Jesus destrói assim a barreira que nos separava de Deus e abre-nos as portas do Céu ... 

Esperando por (e com) Deus

Ninguém gosta de esperar. 

Esperar parece uma autêntica perda de tempo. Porquê esperar? Para quê? Não seria melhor se tudo acontecesse - já?! De que serve esperar?... Ai, o desejo impaciente de passar o mais rapidamente possível da situação em que me encontro para aquela que eu queria tanto estar ou ter ou fazer ou ser - e já!

 

Mas, se pensarmos bem, todos estamos permanentemente à espera. É raro, muito raro na verdade, não estarmos numa situação de espera - seja por algo ou por alguém. Às vezes, esperamos por coisas pequeninas, como esperar que nos respondam a um email, ficar preso no trânsito e nunca mais chegarmos onde queremos, estar na fila das compras (seja para entrar na loja ou para pagar), ou então esperar que chegue a hora de sair do trabalho ... Outras vezes, esperamos ansiosamente por coisas grandes e importantes, como saber que entrámos na faculdade dos nossos sonhos, discernir uma vocação, poder tomar o primeiro passo numa decisão importante ou esperar a resposta do outro ... 

 

Há poucos dias atrás, iniciei um novo ano de vida, o meu 27º ano. Se Deus quiser, e por uma graça absolutamente imerecida, será durante o decorrer deste ano que poderei declarar o meu "sim", total e eterno, à vocação de amor a que o Senhor me chama. Apesar dos longos anos de discernimento vocacional, esperar pela vontade e pelo tempo de Deus continua a ser uma batalha perene para mim. Oh, como gostava que esse dia glorioso, em que poderei oferecer toda a minha vida e todo o meu ser, chegasse depressa - ou, melhor ainda, fosse já amanhã!

 

Mas, se Deus nos coloca, tantas vezes, em situações de espera, não seria melhor aprender a esperar e a esperar santamente

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Imagem retirada daqui

A Bíblia está cheia de histórias de pessoas à espera. Às vezes, estão à espera de certas situações, outras vezes à espera umas das outras mas, principalmente, encontramos pessoas à espera de Deus.

Tomemos como exemplo as primeiras páginas dos Evangelhos. Zacarias e Isabel estão há anos à espera de ter um filho. Maria também espera o nascimento dum Filho, mas um que nunca pensara conceber. José está permanentemente à espera que Deus lhe diga o que deve fazer. Simeão e Ana passaram toda a sua vida à espera do dia em que veriam com os próprios olhos o Messias prometido. 

Todo o Evangelho parece iniciar-se com pessoas à espera. O que inclui o próprio Deus - aliás, ninguém passou mais tempo à espera do que Ele que, desde a queda de Adão e Eva no Jardim do Éden, aguardava ardentemente o momento perfeito para revelar-Se e demonstrar todo o Seu amor e misericórdia por cada homem e mulher.

Mas, tanto Zacarias como Isabel, Maria e José, Simeão e Ana, souberam esperar santamente porque a sua espera estava fundada numa promessa e numa esperança firmes.

«Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João.» (Lc 1,13)

«Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um Filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo» (Lc 1,30-31)

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» (Mt 1,20-21)

Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor. (Lc 2,25-26)

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Zacarias, Isabel e Maria a admirarem João, o filho prometido pelo anjo do Senhor - Imagem retirada daqui

É a fé nas promessas do Senhor que permite a cada uma destas pessoas saber esperar santamente. Pela fé, acreditam desde já que possuirão, um dia, aquilo que o próprio Senhor lhes prometeu. Elas escolheram aceitar receber e aceitar acreditar nas promessas do Senhor. E, assim, aquilo que, a nós, nos parece futuro, para elas tornam-se, desde já, presente e real; torna-se, desde já, obtido. 

É como se recebessem uma semente da parte do Senhor, que crescerá e brotará na terra fértil da sua fé. São capazes de sorrir a cada novo amanhã (como é dito da mulher forte em Provérbios 31) porque sabem que, neste preciso momento em que vivem, a promessa de Deus está a ganhar forma, está a crescer, está a realizar-se. O segredo de esperar santamente é, assim, a fé de que Deus já plantou a semente, que algo já começou, de que algo está já a ocorrer. 

Esse algo está, quase sempre, escondido aos nossos olhos, sim; mas nem por isso deixa de acontecer ou ser real, porque, como nos disse Jesus: "O Meu Pai está sempre a trabalhar" (Jo 5,17)

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Imagem retirada daqui

Olhemos uma vez mais para os Evangelhos, mas agora para as últimas páginas, para a paixão e ressurreição de Jesus. Uma das palavras mais usadas para descrever o que aconteceu a Jesus é "ser entregue".

Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» (Mt 22,22-23)

Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Eles ouviram-no com satisfação e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas espreitava ocasião favorável para O entregar. (Mc 14,10-11)

Quando chegou a hora, pôs-Se à mesa e os Apóstolos com Ele. Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em memória de Mim.» (Lc 22,19)

Estas mesmas palavras serão depois usada por São Paulo, na sua carta aos Romanos, ao declarar que "[Deus] nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós" (Rom 8,32)

É impressionante reparar como, logo a seguir a ser entregue às autoridades de Jerusalém, Jesus deixa de ser Aquele que faz e submete-se humildemente a ser Aquele a quem as coisas Lhe são feitas ...  Jesus é preso por outros; é levado até ao Sumo-Sacerdote; depois é levado até Pilatos; é coroado com espinhos e, por fim, preso na cruz. Tudo Lhe é feito, sem que Ele tenha qualquer controlo

Quando Jesus finalmente diz: "Tudo está consumado" (Jo 19,30), Ele não quer dizer "Eu fiz todas as coisas que queria fazer", mas sim "Eu permiti que Me fosse feito tudo o que era preciso, de modo a cumprir plenamente a Minha vocação." Na verdade, Jesus não cumpriu a Sua missão apenas de uma forma activa, ou seja, curando os doentes, fazendo milagres, anunciando o Reino de Deus; mas também de uma forma passiva (muitíssimo mais difícil de aceitar que aconteça, na minha opinião!) durante a sua longa Paixão, sabendo esperar santamente a realização do plano de Deus Pai. 

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Imagem retirada daqui

Assim, de certa forma, a agonia de Jesus não será meramente a agonia da morte e do sofrimento, mas também a agonia de ter de esperar. É a agonia dum Deus que depende de nós para poder demonstrar a Sua divina presença entre nós; é a agonia dum Deus que, duma forma absolutamente misteriosa, permite-nos quase que decidir como Deus será Deus...

Descubro, assim, uma nova perspectiva de esperar - não apenas em esperar por Deus, mas também de participar na espera do próprio Deus ...

Meditando na parábola do trigo e do joio

Tenho andado a passar por um período de insónias e, assim, a Bíblia tem-me acompanhado ainda mais do que o costume. Nestes dias, a Igreja tem-nos levado a meditar em diversas parábolas de Jesus, transmitidas até aos dias de hoje através do Evangelho segundo São Mateus. 

Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se Dele, disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» (Mt 13,36)

Também eu, na solidão do meu quarto, longe das confusões e preocupações que me enchem os dias, me tento aproximar de Jesus, pedindo-Lhe incessantemente: Senhor, explica-me  ... 

«O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.

Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?' 

'Foi algum inimigo meu que fez isto' - respondeu ele. 

Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?' 

Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.'»  (Mt 13, 24-30)

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Imagem retirada daqui

 

Estarei eu atenta aquilo que vai crescendo dentro de mim, no campo que o Senhor semeou, no meu coração, na minha vida?

As sementes do Senhor são abundantes e numerosas. Como é que eu as tenho recebido? Como as tenho nutrido? Estarei a ter o cuidado de continuamente enriquecer o solo do meu campo, com a virtude da humildade (que tem origem na palavra "humus" - solo), ou estarei eu a deixar que ele se endureça de orgulho? 

 

Que tipo de sementes tenho eu permitido que criem raízes em mim? Sementes geradoras de vida, de trigo frutuoso, de trigo que se deixe arrancar e moer, para assim se tornar farinha e depois pão, a fim de dar vida aqueles que me rodeiam? Ou serão sementes ocas e vazias, que apenas ocupam espaço e tempo, impedindo que as boas sementes cresçam e se desenvolvam em pleno esplendor?


Contudo, é necessário aprender a esperar pelo tempo certo do Senhor. Se me deparar com algo que me pareça joio na minha vida, posso, num acto colérico, querer arrancá-lo imediatamente e assim tratar do assunto (à minha maneira, claro). Mas a verdade é que eu percebo pouco de "agricultura" ... saberei eu distinguir, realmente, o trigo do joio? Não, o Senhor não deseja que nenhum trigo se perca ou seja arrancado precocemente; e eu sei, por experiência, que percebo muito pouco de "agricultura" ... Na minha ânsia, posso estar a arrancar de forma irremediável algo que, na verdade, seja bom e traga o bem. É preciso ter paciência e esperar pela ordem interior que o Senhor nos dá - "Sim, é agora, é isso mesmo" ou "Não, ainda não, espera Marisa ...".

 

Pior ainda - posso cair na tentação de querer ir arrancar aquilo que me parece joio na vida do outro que me rodeia. Deixa-me que "te ajude", penso eu. Ah, que tentação frequente ... Não, apenas ao Senhor, e unicamente a Ele, pertence a ceifa e a colheita ... 

 

A pressa na passagem das contas do rosário

Sempre me maravilhou a forma como Deus consegue ensinar-nos grandes lições a partir de coisas pequenas do dia a dia...

Já sei muito bem que a luta contra a impaciência e o combate pela virtude da paciência e da temperança acompanhar-me-ão todos os dias da minha vida aqui na terra. Um dia destes, estava eu a rezar o Terço, como o faço diariamente, e dei por mim a reparar na forma como passava as contas do rosário. Pela primeira vez, apercebi-me que, ainda que eu estivesse a rezar as palavras do meio dum Pai Nosso ou Avé Maria, os meus dedos se apressavam a alcançar o início da conta seguinte, uma e outra e outra vez... Caramba Marisa, até aqui se expressa a tua impaciência! 

A impaciência costuma ser facilmente visível em pequenos comportamentos do nosso dia a dia, em casa, no trabalho, no trânsito, nas relações com os outros, na comunicação - e, pelos vistos, até na nossa forma de rezar! Mas esses comportamentos são, na verdade, expressões duma realidade mais profunda dentro de nós. Não sabemos esperar pelos outros, nem pelo próprio Deus. Não sabemos esperar pelo tempo ou os caminhos do Senhor. Achamos que sabemos mais e melhor, que sabemos fazer tudo da forma mais rápida e eficaz. Temos pressa, nem sei bem de quê nem para quê, de passar à tarefa seguinte, à actividade seguinte, à etapa seguinte. Somos descontentes e ingratos pelo momento presente, que os outros e o Senhor nos oferecem, e que desejam viver connosco. E, dou por mim a pensar, se reflectirmos com atenção, a impaciência, muitas vezes, mais não é do que soberba disfarçada...

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Assim, desde esse dia, fiz um firme propósito (por mais tolo que pareça) de apenas mexer os meus dedos para alcançar a conta seguinte apenas quando terminasse, realmente, a oração do Pai Nosso, da Avé Maria, do Glória ... Não foi um hábito fácil de adquirir, e de vez enquanto ainda caio no meu comportamento anterior mas ...

É meramente um sinal, que expressa um propósito mais profundo e importante: a luta constante contra a minha soberba e impaciência, a minha rebeldia e pecado; a humildade de saber esperar pelo tempo e os caminhos de Deus, sempre mais perfeitos e maravilhosos do que tudo o que eu possa imaginar; o permanecer em paz e quietude de espírito, sabendo que Deus tem tudo no Seu divino controlo, que não existe nada que aconteça sem a Sua vontade ou consentimento; o aceitar que "para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu" (Ecl 3,1) ou que, nas palavras de Jesus

«Não se vendem dois passarinhos por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! Não temais, pois valeis mais do que todos os passarinhos» (Mt 10, 29-31)

Fala, Senhor, que o Teu servo escuta ...

Shekina - a presença visível de Deus que connosco habita

Pentecostes - a Solenidade gloriosa em que celebramos de forma muito especial a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Deus Espírito Santo!

Durante muito tempo (aliás, até ter iniciado a leitura dum maravilhoso livro acerca da Santa Missa, da autoria do Pe James Luke Maegher), sempre tinha associado a presença do Espírito Santo à imagem corpórea de uma pomba, ao pensar, por exemplo, no episódio do baptismo de Jesus nas margens do rio Jordão

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado.» (Mt 3,16-17)

Ou então, associava a presença do Espírito Santo até junto de nós pensando na imagem das línguas de fogo, capazes de irromper através dos nossos muros defensivos e das nossas portas fechadas por medo, para nos vir abrasar o coração, como nos é relatado no episódio dos Atos dos Apóstolos que ouvimos neste Domingo

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. (At 2,1-4)

Mas ... alguma vez pensaram na presença de Deus Espírito Santo através da imagem duma nuvem?

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Em pleno Pentecostes: conseguem ver a nuvem com a forma duma asa de pomba?

«Shekina» foi, segundo o livro do Pe James Luke Maegher, a palavra hebraica que os primeiros judeus escolheram para tentar descrever Aquele que, muitos séculos mais tarde, Jesus nos veio apresentar como Espírito Santo. «Shekina» significa uma «presença visível», uma «presença que habita connosco» - a Presença Divina, Deus Espírito Santo. 

No princípio, Deus criou os céus e a terra e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. (Gn 1,1b)

Logo nos primeiros versículos das Sagradas Escrituras é-nos apresentado esta Presença Divina, que se movia sobre as águas, tal qual uma nuvem, e que quis habitar com Adão e Eva na sua casa, o jardim do Éden. Deparamo-nos novamente com esta palavra, «Shekina», quando Deus fala com Noé para construir a arca, como um sopro de vento, e depois no chamamento de Abraão desde Ur dos Caldeus até à Terra Prometida.

Um Deus que se move sobre, que habita com, que chama pelo nosso nome e que sussurra ao nosso ouvido ... assim é Deus Espírito Santo!

Quatrocentos anos de silêncio mais tarde, esta Presença Divina volta a aparecer na Bíblia, chamando Moisés a libertar o povo judeu cativo no Egipto, através duma sarça ardente. É também esta a palavra usada para descrever a Presença de Deus que habitava junto do povo hebreu sob a forma duma nuvem ao longo da sua travessia do Mar Vermelho e depois nos 40 anos no deserto ...

O Senhor caminhava diante deles; durante o dia, numa coluna de nuvem para os conduzir na estrada, e de noite, numa coluna de fogo para os iluminar, para que pudessem caminhar de dia e de noite. (Ex 13,21)

E aconteceu que, na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e de nuvem, para o acampamento dos egípcios, e lançou a confusão no acampamento dos egípcios. (Ex 14,24)

O Senhor disse a Moisés: «Eis que Eu venho ter contigo no coração duma nuvem, para que o povo oiça quando Eu falar contigo e também acredite em ti para sempre.» (Ex 19,9)

E eis que, no terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos e uma nuvem pesada sobre a montanha, e um som muito forte de trombeta, e todo o povo que estava no acampamento tremia. (Ex 19,26)

O povo manteve-se à distância e Moisés aproximou-se da nuvem escura, onde estava Deus. (Ex 20,21)

A glória do Senhor permaneceu sobre a montanha do Sinai, e a nuvem envolveu-o durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou por Moisés do meio da nuvem. Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve Moisés durante quarenta dias e quarenta noites. (Ex 24,16.18)

Uma nuvem foi a imagem que Deus Espírito Santo escolheu para poder falar com Moisés, tanto lá em cima no topo do Monte Sinai, para lhe ensinar os 10 Mandamentos do Amor; como também cá em baixo, dentro da Tenda da Reunião, para poder guiar todo o povo judeu até à abundância da Terra Prometida. Uma nuvem que fala e guia, uma sombra que cobre e protege ... donde me lembro eu de ter lido isto?

Ah, sim, na Anunciação do Anjo Gabriel a Maria ...

Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.»

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso, Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. (Lc 1,30-31.34-35)

E depois, também, na Transfiguração de Jesus no topo do Monte Tabor ...

Ainda [Jesus] estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado. Escutai-O.» (Mt 17,5)

Ah, sim, e também na Ascenção de Jesus aos Céus ...

Disse-lhes Jesus: «Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos. (At 1,9)

Ena, como é que eu nunca tinha reparado antes?

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Digam lá se não é mesmo uma nuvem coma forma duma asa? Ah, as maravilhas de Deus ... 

Eu sempre gostei muito de contemplar as nuvens no céu e de brincar com elas, tentando imaginar as formas, figuras, animais, pessoas ou histórias que os seus formatos - sempre dinâmicos, sempre a mudar e nunca iguais - me faziam lembrar e imaginar. Agora compreendo porquê - as nuvens foram uma das imagens que Deus Espírito Santo escolheu para se tornar visível, para habitar connosco e Se dar a conhecer ...

É maravilhoso pensar como as nuvens se mostram, ao mesmo tempo que velam o seu interior. Apesar de as vermos, permanecem um mistério. Não é possível delinear com exatidão os seus limites. Encontram-se numa transformação contínua das suas formas e formatos, apesar de nunca perderem a sua essência e de deixarem de ser quem são. Representam uma certa leveza de espírito e jovialidade da alma. São capazes de nos proteger dos raios quentes do sol. E a sua presença promete-nos a vinda duma chuva fecunda e geradora de vida...

Assim é, se me permitirem dizer, de certa forma também Deus Espírito Santo ... 

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do Vosso amor.
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado,
e renovareis a face da terra. Amén!

Pó da terra

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar 

É assim que começa cada Quaresma ... 

Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó da terra e nada mais que isso. Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó, frágil e minúsculo, susceptível a seres simplesmente levado com o vento. Lembra-te que és pó e que foi o Senhor que te deu a vida, como fez a Adão, usando o pó da terra transformado em barro, para formar e moldar o teu corpo, e finalmente dar-te a vida ao insuflar dentro de ti o Seu sopro, o Seu Espírito ...

 

Mistérios dolorosos, Jesus em agonia no Getsémani

Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.»

Mateus 26,37-39

Por três vezes, contam-nos os Evangelhos, Jesus reza intensamente, caindo com o rosto por terra ... Terra, pó da terra, tu e eu ... No Getsémani, Jesus recebe-nos a cada um de nós, voluntariamente, ao acolher na Sua face o pó da terra... Ele toma sobre Si e sobre o Seu rosto, os nossos pecados e as nossas enfermidades, nesta noite escura de oração - Que seja feita a Tua vontade, Pai ...

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Imagem retirada daqui

 

Mais tarde, ao rezarmos a Via Sacra, somos chamados a, voluntariamente, acompanhar, acolher e receber Jesus, a caminho do Calvário, no caminho do verdadeiro amor.... Também aí, por três vezes nos é dito que Jesus cai com o rosto por terra, sob o peso da cruz ... Também aí Jesus rebaixa-se até ao chão, até à nossa altura, tomando novamente sobre a Sua face o pó da terra, tu e eu ... Também aí, Jesus volta a receber-nos e a acolher-nos, fracos e frágeis como somos, mero pó da terra, que qualquer vento pode levar ... 

Com este gesto, tão simples e profundo, Ele leva-nos Consigo e permite-nos caminhar junto d'Ele, bem coladinhos à sua Santa face, misturados com o sangue, suor e lágrimas do Seu rosto, que nos darão, momentos depois, a possibilidade de entrarmos no Céu, a possibilidade da Vida Eterna ... Pó da terra misturado com sangue, suor e lágrimas ... agora sim, estamos preparados para uma nova Vida, uma nova Criação, que começa graças ao amor de Cristo Jesus ...

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar ...

Amén