Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Esperando por (e com) Deus

Ninguém gosta de esperar. 

Esperar parece uma autêntica perda de tempo. Porquê esperar? Para quê? Não seria melhor se tudo acontecesse - já?! De que serve esperar?... Ai, o desejo impaciente de passar o mais rapidamente possível da situação em que me encontro para aquela que eu queria tanto estar ou ter ou fazer ou ser - e já!

 

Mas, se pensarmos bem, todos estamos permanentemente à espera. É raro, muito raro na verdade, não estarmos numa situação de espera - seja por algo ou por alguém. Às vezes, esperamos por coisas pequeninas, como esperar que nos respondam a um email, ficar preso no trânsito e nunca mais chegarmos onde queremos, estar na fila das compras (seja para entrar na loja ou para pagar), ou então esperar que chegue a hora de sair do trabalho ... Outras vezes, esperamos ansiosamente por coisas grandes e importantes, como saber que entrámos na faculdade dos nossos sonhos, discernir uma vocação, poder tomar o primeiro passo numa decisão importante ou esperar a resposta do outro ... 

 

Há poucos dias atrás, iniciei um novo ano de vida, o meu 27º ano. Se Deus quiser, e por uma graça absolutamente imerecida, será durante o decorrer deste ano que poderei declarar o meu "sim", total e eterno, à vocação de amor a que o Senhor me chama. Apesar dos longos anos de discernimento vocacional, esperar pela vontade e pelo tempo de Deus continua a ser uma batalha perene para mim. Oh, como gostava que esse dia glorioso, em que poderei oferecer toda a minha vida e todo o meu ser, chegasse depressa - ou, melhor ainda, fosse já amanhã!

 

Mas, se Deus nos coloca, tantas vezes, em situações de espera, não seria melhor aprender a esperar e a esperar santamente

waiting for god.jpg

Imagem retirada daqui

A Bíblia está cheia de histórias de pessoas à espera. Às vezes, estão à espera de certas situações, outras vezes à espera umas das outras mas, principalmente, encontramos pessoas à espera de Deus.

Tomemos como exemplo as primeiras páginas dos Evangelhos. Zacarias e Isabel estão há anos à espera de ter um filho. Maria também espera o nascimento dum Filho, mas um que nunca pensara conceber. José está permanentemente à espera que Deus lhe diga o que deve fazer. Simeão e Ana passaram toda a sua vida à espera do dia em que veriam com os próprios olhos o Messias prometido. 

Todo o Evangelho parece iniciar-se com pessoas à espera. O que inclui o próprio Deus - aliás, ninguém passou mais tempo à espera do que Ele que, desde a queda de Adão e Eva no Jardim do Éden, aguardava ardentemente o momento perfeito para revelar-Se e demonstrar todo o Seu amor e misericórdia por cada homem e mulher.

Mas, tanto Zacarias como Isabel, Maria e José, Simeão e Ana, souberam esperar santamente porque a sua espera estava fundada numa promessa e numa esperança firmes.

«Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João.» (Lc 1,13)

«Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um Filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo» (Lc 1,30-31)

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» (Mt 1,20-21)

Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor. (Lc 2,25-26)

Zacarias e Isabel 2.jpg

Zacarias, Isabel e Maria a admirarem João, o filho prometido pelo anjo do Senhor - Imagem retirada daqui

É a fé nas promessas do Senhor que permite a cada uma destas pessoas saber esperar santamente. Pela fé, acreditam desde já que possuirão, um dia, aquilo que o próprio Senhor lhes prometeu. Elas escolheram aceitar receber e aceitar acreditar nas promessas do Senhor. E, assim, aquilo que, a nós, nos parece futuro, para elas tornam-se, desde já, presente e real; torna-se, desde já, obtido. 

É como se recebessem uma semente da parte do Senhor, que crescerá e brotará na terra fértil da sua fé. São capazes de sorrir a cada novo amanhã (como é dito da mulher forte em Provérbios 31) porque sabem que, neste preciso momento em que vivem, a promessa de Deus está a ganhar forma, está a crescer, está a realizar-se. O segredo de esperar santamente é, assim, a fé de que Deus já plantou a semente, que algo já começou, de que algo está já a ocorrer. 

Esse algo está, quase sempre, escondido aos nossos olhos, sim; mas nem por isso deixa de acontecer ou ser real, porque, como nos disse Jesus: "O Meu Pai está sempre a trabalhar" (Jo 5,17)

god the sower.jpg

Imagem retirada daqui

Olhemos uma vez mais para os Evangelhos, mas agora para as últimas páginas, para a paixão e ressurreição de Jesus. Uma das palavras mais usadas para descrever o que aconteceu a Jesus é "ser entregue".

Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» (Mt 22,22-23)

Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Eles ouviram-no com satisfação e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas espreitava ocasião favorável para O entregar. (Mc 14,10-11)

Quando chegou a hora, pôs-Se à mesa e os Apóstolos com Ele. Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em memória de Mim.» (Lc 22,19)

Estas mesmas palavras serão depois usada por São Paulo, na sua carta aos Romanos, ao declarar que "[Deus] nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós" (Rom 8,32)

É impressionante reparar como, logo a seguir a ser entregue às autoridades de Jerusalém, Jesus deixa de ser Aquele que faz e submete-se humildemente a ser Aquele a quem as coisas Lhe são feitas ...  Jesus é preso por outros; é levado até ao Sumo-Sacerdote; depois é levado até Pilatos; é coroado com espinhos e, por fim, preso na cruz. Tudo Lhe é feito, sem que Ele tenha qualquer controlo

Quando Jesus finalmente diz: "Tudo está consumado" (Jo 19,30), Ele não quer dizer "Eu fiz todas as coisas que queria fazer", mas sim "Eu permiti que Me fosse feito tudo o que era preciso, de modo a cumprir plenamente a Minha vocação." Na verdade, Jesus não cumpriu a Sua missão apenas de uma forma activa, ou seja, curando os doentes, fazendo milagres, anunciando o Reino de Deus; mas também de uma forma passiva (muitíssimo mais difícil de aceitar que aconteça, na minha opinião!) durante a sua longa Paixão, sabendo esperar santamente a realização do plano de Deus Pai. 

jesus passion.jpg

Imagem retirada daqui

Assim, de certa forma, a agonia de Jesus não será meramente a agonia da morte e do sofrimento, mas também a agonia de ter de esperar. É a agonia dum Deus que depende de nós para poder demonstrar a Sua divina presença entre nós; é a agonia dum Deus que, duma forma absolutamente misteriosa, permite-nos quase que decidir como Deus será Deus...

Descubro, assim, uma nova perspectiva de esperar - não apenas em esperar por Deus, mas também de participar na espera do próprio Deus ...

Meditando na parábola do trigo e do joio

Tenho andado a passar por um período de insónias e, assim, a Bíblia tem-me acompanhado ainda mais do que o costume. Nestes dias, a Igreja tem-nos levado a meditar em diversas parábolas de Jesus, transmitidas até aos dias de hoje através do Evangelho segundo São Mateus. 

Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se Dele, disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» (Mt 13,36)

Também eu, na solidão do meu quarto, longe das confusões e preocupações que me enchem os dias, me tento aproximar de Jesus, pedindo-Lhe incessantemente: Senhor, explica-me  ... 

«O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.

Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?' 

'Foi algum inimigo meu que fez isto' - respondeu ele. 

Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?' 

Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.'»  (Mt 13, 24-30)

trigo e joio.jpg

Imagem retirada daqui

 

Estarei eu atenta aquilo que vai crescendo dentro de mim, no campo que o Senhor semeou, no meu coração, na minha vida?

As sementes do Senhor são abundantes e numerosas. Como é que eu as tenho recebido? Como as tenho nutrido? Estarei a ter o cuidado de continuamente enriquecer o solo do meu campo, com a virtude da humildade (que tem origem na palavra "humus" - solo), ou estarei eu a deixar que ele se endureça de orgulho? 

 

Que tipo de sementes tenho eu permitido que criem raízes em mim? Sementes geradoras de vida, de trigo frutuoso, de trigo que se deixe arrancar e moer, para assim se tornar farinha e depois pão, a fim de dar vida aqueles que me rodeiam? Ou serão sementes ocas e vazias, que apenas ocupam espaço e tempo, impedindo que as boas sementes cresçam e se desenvolvam em pleno esplendor?


Contudo, é necessário aprender a esperar pelo tempo certo do Senhor. Se me deparar com algo que me pareça joio na minha vida, posso, num acto colérico, querer arrancá-lo imediatamente e assim tratar do assunto (à minha maneira, claro). Mas a verdade é que eu percebo pouco de "agricultura" ... saberei eu distinguir, realmente, o trigo do joio? Não, o Senhor não deseja que nenhum trigo se perca ou seja arrancado precocemente; e eu sei, por experiência, que percebo muito pouco de "agricultura" ... Na minha ânsia, posso estar a arrancar de forma irremediável algo que, na verdade, seja bom e traga o bem. É preciso ter paciência e esperar pela ordem interior que o Senhor nos dá - "Sim, é agora, é isso mesmo" ou "Não, ainda não, espera Marisa ...".

 

Pior ainda - posso cair na tentação de querer ir arrancar aquilo que me parece joio na vida do outro que me rodeia. Deixa-me que "te ajude", penso eu. Ah, que tentação frequente ... Não, apenas ao Senhor, e unicamente a Ele, pertence a ceifa e a colheita ... 

 

A pressa na passagem das contas do rosário

Sempre me maravilhou a forma como Deus consegue ensinar-nos grandes lições a partir de coisas pequenas do dia a dia...

Já sei muito bem que a luta contra a impaciência e o combate pela virtude da paciência e da temperança acompanhar-me-ão todos os dias da minha vida aqui na terra. Um dia destes, estava eu a rezar o Terço, como o faço diariamente, e dei por mim a reparar na forma como passava as contas do rosário. Pela primeira vez, apercebi-me que, ainda que eu estivesse a rezar as palavras do meio dum Pai Nosso ou Avé Maria, os meus dedos se apressavam a alcançar o início da conta seguinte, uma e outra e outra vez... Caramba Marisa, até aqui se expressa a tua impaciência! 

A impaciência costuma ser facilmente visível em pequenos comportamentos do nosso dia a dia, em casa, no trabalho, no trânsito, nas relações com os outros, na comunicação - e, pelos vistos, até na nossa forma de rezar! Mas esses comportamentos são, na verdade, expressões duma realidade mais profunda dentro de nós. Não sabemos esperar pelos outros, nem pelo próprio Deus. Não sabemos esperar pelo tempo ou os caminhos do Senhor. Achamos que sabemos mais e melhor, que sabemos fazer tudo da forma mais rápida e eficaz. Temos pressa, nem sei bem de quê nem para quê, de passar à tarefa seguinte, à actividade seguinte, à etapa seguinte. Somos descontentes e ingratos pelo momento presente, que os outros e o Senhor nos oferecem, e que desejam viver connosco. E, dou por mim a pensar, se reflectirmos com atenção, a impaciência, muitas vezes, mais não é do que soberba disfarçada...

IMG_20200705_105027.jpg

Assim, desde esse dia, fiz um firme propósito (por mais tolo que pareça) de apenas mexer os meus dedos para alcançar a conta seguinte apenas quando terminasse, realmente, a oração do Pai Nosso, da Avé Maria, do Glória ... Não foi um hábito fácil de adquirir, e de vez enquanto ainda caio no meu comportamento anterior mas ...

É meramente um sinal, que expressa um propósito mais profundo e importante: a luta constante contra a minha soberba e impaciência, a minha rebeldia e pecado; a humildade de saber esperar pelo tempo e os caminhos de Deus, sempre mais perfeitos e maravilhosos do que tudo o que eu possa imaginar; o permanecer em paz e quietude de espírito, sabendo que Deus tem tudo no Seu divino controlo, que não existe nada que aconteça sem a Sua vontade ou consentimento; o aceitar que "para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu" (Ecl 3,1) ou que, nas palavras de Jesus

«Não se vendem dois passarinhos por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! Não temais, pois valeis mais do que todos os passarinhos» (Mt 10, 29-31)

Fala, Senhor, que o Teu servo escuta ...

Shekina - a presença visível de Deus que connosco habita

Pentecostes - a Solenidade gloriosa em que celebramos de forma muito especial a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Deus Espírito Santo!

Durante muito tempo (aliás, até ter iniciado a leitura dum maravilhoso livro acerca da Santa Missa, da autoria do Pe James Luke Maegher), sempre tinha associado a presença do Espírito Santo à imagem corpórea de uma pomba, ao pensar, por exemplo, no episódio do baptismo de Jesus nas margens do rio Jordão

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado.» (Mt 3,16-17)

Ou então, associava a presença do Espírito Santo até junto de nós pensando na imagem das línguas de fogo, capazes de irromper através dos nossos muros defensivos e das nossas portas fechadas por medo, para nos vir abrasar o coração, como nos é relatado no episódio dos Atos dos Apóstolos que ouvimos neste Domingo

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. (At 2,1-4)

Mas ... alguma vez pensaram na presença de Deus Espírito Santo através da imagem duma nuvem?

shekina 1.jpg

Em pleno Pentecostes: conseguem ver a nuvem com a forma duma asa de pomba?

«Shekina» foi, segundo o livro do Pe James Luke Maegher, a palavra hebraica que os primeiros judeus escolheram para tentar descrever Aquele que, muitos séculos mais tarde, Jesus nos veio apresentar como Espírito Santo. «Shekina» significa uma «presença visível», uma «presença que habita connosco» - a Presença Divina, Deus Espírito Santo. 

No princípio, Deus criou os céus e a terra e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. (Gn 1,1b)

Logo nos primeiros versículos das Sagradas Escrituras é-nos apresentado esta Presença Divina, que se movia sobre as águas, tal qual uma nuvem, e que quis habitar com Adão e Eva na sua casa, o jardim do Éden. Deparamo-nos novamente com esta palavra, «Shekina», quando Deus fala com Noé para construir a arca, como um sopro de vento, e depois no chamamento de Abraão desde Ur dos Caldeus até à Terra Prometida.

Um Deus que se move sobre, que habita com, que chama pelo nosso nome e que sussurra ao nosso ouvido ... assim é Deus Espírito Santo!

Quatrocentos anos de silêncio mais tarde, esta Presença Divina volta a aparecer na Bíblia, chamando Moisés a libertar o povo judeu cativo no Egipto, através duma sarça ardente. É também esta a palavra usada para descrever a Presença de Deus que habitava junto do povo hebreu sob a forma duma nuvem ao longo da sua travessia do Mar Vermelho e depois nos 40 anos no deserto ...

O Senhor caminhava diante deles; durante o dia, numa coluna de nuvem para os conduzir na estrada, e de noite, numa coluna de fogo para os iluminar, para que pudessem caminhar de dia e de noite. (Ex 13,21)

E aconteceu que, na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e de nuvem, para o acampamento dos egípcios, e lançou a confusão no acampamento dos egípcios. (Ex 14,24)

O Senhor disse a Moisés: «Eis que Eu venho ter contigo no coração duma nuvem, para que o povo oiça quando Eu falar contigo e também acredite em ti para sempre.» (Ex 19,9)

E eis que, no terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos e uma nuvem pesada sobre a montanha, e um som muito forte de trombeta, e todo o povo que estava no acampamento tremia. (Ex 19,26)

O povo manteve-se à distância e Moisés aproximou-se da nuvem escura, onde estava Deus. (Ex 20,21)

A glória do Senhor permaneceu sobre a montanha do Sinai, e a nuvem envolveu-o durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou por Moisés do meio da nuvem. Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve Moisés durante quarenta dias e quarenta noites. (Ex 24,16.18)

Uma nuvem foi a imagem que Deus Espírito Santo escolheu para poder falar com Moisés, tanto lá em cima no topo do Monte Sinai, para lhe ensinar os 10 Mandamentos do Amor; como também cá em baixo, dentro da Tenda da Reunião, para poder guiar todo o povo judeu até à abundância da Terra Prometida. Uma nuvem que fala e guia, uma sombra que cobre e protege ... donde me lembro eu de ter lido isto?

Ah, sim, na Anunciação do Anjo Gabriel a Maria ...

Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.»

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso, Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. (Lc 1,30-31.34-35)

E depois, também, na Transfiguração de Jesus no topo do Monte Tabor ...

Ainda [Jesus] estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado. Escutai-O.» (Mt 17,5)

Ah, sim, e também na Ascenção de Jesus aos Céus ...

Disse-lhes Jesus: «Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos. (At 1,9)

Ena, como é que eu nunca tinha reparado antes?

shekina 2.jpg

Digam lá se não é mesmo uma nuvem coma forma duma asa? Ah, as maravilhas de Deus ... 

Eu sempre gostei muito de contemplar as nuvens no céu e de brincar com elas, tentando imaginar as formas, figuras, animais, pessoas ou histórias que os seus formatos - sempre dinâmicos, sempre a mudar e nunca iguais - me faziam lembrar e imaginar. Agora compreendo porquê - as nuvens foram uma das imagens que Deus Espírito Santo escolheu para se tornar visível, para habitar connosco e Se dar a conhecer ...

É maravilhoso pensar como as nuvens se mostram, ao mesmo tempo que velam o seu interior. Apesar de as vermos, permanecem um mistério. Não é possível delinear com exatidão os seus limites. Encontram-se numa transformação contínua das suas formas e formatos, apesar de nunca perderem a sua essência e de deixarem de ser quem são. Representam uma certa leveza de espírito e jovialidade da alma. São capazes de nos proteger dos raios quentes do sol. E a sua presença promete-nos a vinda duma chuva fecunda e geradora de vida...

Assim é, se me permitirem dizer, de certa forma também Deus Espírito Santo ... 

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do Vosso amor.
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado,
e renovareis a face da terra. Amén!

Pó da terra

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar 

É assim que começa cada Quaresma ... 

Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó da terra e nada mais que isso. Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó, frágil e minúsculo, susceptível a seres simplesmente levado com o vento. Lembra-te que és pó e que foi o Senhor que te deu a vida, como fez a Adão, usando o pó da terra transformado em barro, para formar e moldar o teu corpo, e finalmente dar-te a vida ao insuflar dentro de ti o Seu sopro, o Seu Espírito ...

 

Mistérios dolorosos, Jesus em agonia no Getsémani

Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.»

Mateus 26,37-39

Por três vezes, contam-nos os Evangelhos, Jesus reza intensamente, caindo com o rosto por terra ... Terra, pó da terra, tu e eu ... No Getsémani, Jesus recebe-nos a cada um de nós, voluntariamente, ao acolher na Sua face o pó da terra... Ele toma sobre Si e sobre o Seu rosto, os nossos pecados e as nossas enfermidades, nesta noite escura de oração - Que seja feita a Tua vontade, Pai ...

po da terra.jpg

Imagem retirada daqui

 

Mais tarde, ao rezarmos a Via Sacra, somos chamados a, voluntariamente, acompanhar, acolher e receber Jesus, a caminho do Calvário, no caminho do verdadeiro amor.... Também aí, por três vezes nos é dito que Jesus cai com o rosto por terra, sob o peso da cruz ... Também aí Jesus rebaixa-se até ao chão, até à nossa altura, tomando novamente sobre a Sua face o pó da terra, tu e eu ... Também aí, Jesus volta a receber-nos e a acolher-nos, fracos e frágeis como somos, mero pó da terra, que qualquer vento pode levar ... 

Com este gesto, tão simples e profundo, Ele leva-nos Consigo e permite-nos caminhar junto d'Ele, bem coladinhos à sua Santa face, misturados com o sangue, suor e lágrimas do Seu rosto, que nos darão, momentos depois, a possibilidade de entrarmos no Céu, a possibilidade da Vida Eterna ... Pó da terra misturado com sangue, suor e lágrimas ... agora sim, estamos preparados para uma nova Vida, uma nova Criação, que começa graças ao amor de Cristo Jesus ...

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar ...

Amén

Com Jesus em Cafarnaúm

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar.

Mt 4,12-13

Cafarnaum 1.jpg

Estamos em Cafarnaúm, a cidade no Norte da Galileia onde Jesus passou a maior parte dos seus três anos de pregação pública e realizou alguns dos Seus milagres mais conhecidos. 

Foi aqui, nesta cidade, que o evangelista S. Mateus, o antigo cobrador de impostos e o autor desta 1ª passagem do Novo Testamento referente a esta cidade, ouviu o chamamento de Jesus, como ele próprio nos relata:

Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-Me!» E ele levantou-se e seguiu-O

Mt 9,9

Quanta simplicidade ... Imagino Mateus, sentado no seu posto de cobrança, a contar as moedas que deveria entregar aos romanos naquela semana. É bem provável que algumas destas moedas caíssem, assim por acaso, para dentro do seu colo, das suas vestes, dos seus bolsos, uma e outra vez ...

Ah, tal não deverá ter sido a sua cara de vergonha, quando se apercebeu da presença duma sombra sobre a sua mesa e, levantando os olhos, encontrou os de Jesus. Nunca ninguém o tinha olhado assim, com tanto amor e misericórdia, apesar do seu pecado evidente...

Imagino a transformação que ocorreu na alma de Mateus, o arrependimento sobrepondo-se à culpa e à vergonha; o acreditar em ser possível começar de novo, em deixar a sua velha e triste vida para trás, tão cheia de ganância e egoísmo; e a confiança numa nova vida, purificada e generosa, a desabrochar no seu coração, após aquele olhar tão cheio de amor e misericórdia de Jesus ... 

Segue-Me, diz-lhe o Senhor ... Como Lhe poderia dizer que não? 

E assim, seguro do amor de Deus, Mateus pôs-se de pé, abandonou para sempre o seu passado e caminhou atrás de Jesus ... 

 

Cafarnaum 8.jpg

Foi aqui, nesta cidade, talvez quem sabe numa destas ruas entre as ruínas das casas que os meus olhos veem e que a minha imaginação reconstrói de novo à vida, que Jesus curou o servo do Centurião romano que humildemente pediu o Seu auxílio, como também S. Mateus nos conta:

Entrando em Cafarnaúm, aproximou-se [de Jesus] um centurião, suplicando nestes termos: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.» Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo.» 

Respondeu-Lhe o centurião: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.»

Jesus, ao ouvi-lo, admirou-Se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé!» 

Disse, então, Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma hora, o servo ficou curado.

Mt 8,5-10.13

Lembrai-me-ei eu, sempre, de toda esta história, quando repito as mesmas palavras que o Centurião - Senhor, eu não sou digna de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e eu serei salva! - durante a Santa Missa? 

Porque é realmente verdade - todos os Santos nos afirmam e confirmam - se tivermos verdadeiramente Fé, se acreditarmos firmemente que a Palavra de Deus, que nos é lida e proclamada e partilhada em cada Eucaristia, é capaz de nos vivificar e purificar, também nós seremos salvos, uma e outra vez, vezes e vezes sem conta ... 

 

Cafarnaum 7.jpg

Foi aqui, nesta cidade, talvez nesta mesma sinagoga (a 2ª maior sinagoga dos primeiros séculos alguma vez encontrada até hoje!), que Jesus realizou outro dos Seus grandes milagres, a cura dum homem possesso por um espírito maligno - ali mesmo, em plena sinagoga, à vista de todos, em pleno Sábado.

[Jesus e os Seus discípulos] entraram em Cafarnaúm. Chegado o Sábado, [Jesus] veio à sinagoga e começou a ensinar. E maravilhavam-se com o Seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei.

Na sinagoga encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.»

Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 

Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Mc 1, 21-28

As palavras «que entreis em minha morada» continuam a ressoar no meu coração, ao ouvir outro peregrino ler esta passagem nas ruínas desta antiga sinagoga. Parece-me que quase que oiço Jesus dizer claramente àquele demónio: «Sai imediatamente da Minha morada! A alma, o corpo e o coração desse homem são a morada que Eu mais desejo, aquela que o Meu Pai preparou para Mim! Sai! Deixa-o! Ele pertence-Me!»

Realmente, um pouco mais tarde, Jesus dir-nos-á de forma bastante clara:

«Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e o Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos a Nossa morada»                                                                     Jo 14,23

Vem, Senhor, vem!

Expulsa de dentro de mim tudo o que esteja impuro e maligno, com a força da Tua Palavra! 

Vem, Senhor, vem e faz de mim Tua morada ... 

Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

No barco com São Pedro

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos a nossa visita pela recém descoberta cidade de Magdala... e continuamos a seguir, quase linha por linha, os relatos dos Evangelhos. Tanto São Mateus, como São Marcos e São João nos contam que, logo após ter alimentado a multidão de 5000 famílias, perto da praia de Tagba, mostrando, uma vez mais, o quanto a matemática de Deus é diferente da nossa, Jesus realizou outro grande milagre, igualmente cheio de simbolismo e tão, tão cheio de ensinamentos profundos para a nossa vida ... 

Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali

Mt 14, 22-23

Bolas, Jesus! - parece que oiço o apóstolo Pedro a refilar (ou serei eu própria?) 

Fazes um milagre absolutamente incrível, alimentas mais de 5.000 homens a partir de 5 pãezinhos de cevada e 2 peixes ... e em vez de ficares connosco e de nos explicares o simbolismo deste Teu acto, mandas-nos para o outro lado da margem do Mar das Tiberíades....

Fogo Jesus, aquilo que eu mais queria era ficar, agorinha mesmo, bem aqui, perto de Ti - e Tu pedes-me para seguir caminho, para avançar e ir para a outra margem ... Não era bem isso que eu tinha em mente, sabes? Era mais uma noite descansada, connosco sentados na praia à Tua volta, a ouvir-Te falar a cada um dos nossos corações ... Jesus, tem mesmo de ser?

 

Sim, Pedro, tem. Sim, Marisa, tem. 

Jesus estava bastante magoado, tinha acabado de receber a notícia da morte de João Baptista. Mal teve tempo de chorar a sua morte e de sentir a sua falta ... e logo uma grande multidão O tinha procurado, implorando pela Sua ajuda. Jesus esquece-se de Si mesmo e da Sua dor, e ensina-nos que é ao doarmo-nos aos outros que, por vezes, acabamos por curar as nossas próprias feridas....

O dia estava já no fim e Jesus estava tão cansado - não apenas aquele cansaço do corpo, depois dum dia longo de trabalho; mas aquele cansaço da alma, que só Deus pode aliviar. E Jesus dá-nos o exemplo do que devemos, sempre, fazer - encontrarmos um momento para estarmos a sós com Deus e falar-Lhe de coração aberto, agradecendo as Suas incontáveis bênçãos e graças, e pedindo o auxílio e a perseverança para levar a bom porto aquilo que Ele nos pede para fazer a seguir....

 

magdala 11.jpg

Igreja na cidade de Magdala - sim, o altar tem mesmo o feitio dum barco! Não é absolutamente lindíssimo?

 

A custo, lá vencemos a nossa vontade e cumprimos a Tua ordem, Jesus. Pomo-nos no barco e avançamos mar adentro. Pode ser que a noite seja calma ... 

O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.

Mt 14, 24

A sério, Jesus? Estamos a cumprir aquilo que Tu nos disseste para fazer - não é suposto dar sempre tudo certo? Donde vem este vento contrário? Porquê esta tempestade, porquê esta dificuldade tão grande? Tem mesmo de ser assim tão difícil e custoso?

 

Na verdade, este vento de que nos fala os Evangelhos tanto pode representar as dificuldades que encontramos sempre que tentamos fazer a vontade do Senhor e as Suas obras; como pode, também, representar a força dos nossos próprios medos e dúvidas ... Ouvimos as palavras de Deus no nosso coração, confiamos em Jesus, arregaçamos as mangas e atiramo-nos às tarefas que nos são pedidas - em casa, no trabalho, na escola, na paróquia, na rua - mas, quando damos por isso, os problemas e as dificuldades parecem abanar o nosso barco por todos os lados, os nossos medos e dúvidas paralisam-nos e, quase sem darmos conta, permitimos que a água comece a entrar para dentro do nosso barco e comece a afundar-nos ...

 

Senhor, Senhor, onde estás Tu? Porque nos abandonaste?

De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 

Ao verem-n'O caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. 

No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» 

Mt 14, 25-27

magdala 12.jpg

 

É verdade Jesus ... como pude eu esquecer-me? Tempestade nenhuma, por mais terrível ou assustadora que pareça, Te poderá afastar de mim ... Por mais poderosas que pareçam as águas do mar, Tu consegues, sempre, abrir um caminho até mim. Tu vens, sempre, até mim. Tu vens, sempre, socorrer-me. Por mais que eu me tenha afastado da margem segura. Por mais afastado que eu  esteja de Ti... Tu vens, Jesus, até junto de mim - sempre.

É verdade, Senhor, eu nem sempre reconheço os Teus passos. Eu nem sempre consigo perceber que és Tu que estás a vir na minha direção, em meu auxílio, quando me encontro em plena noite escura da minha alma ...

Mas, ainda assim, Tu vens até mim - sempre. 

Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter conTigo sobre as águas.» 

«Vem» - disse-lhe Jesus.

Mt 14, 28

Sim, ver o amor que Jesus nos tem, capaz de enfrentar qualquer vento contrário, qualquer noite escura, faz-nos ganhar coragem. Faz-nos aumentar a nossa Fé. Faz-nos acreditar que, sim, conseguimos.

E Jesus convida-nos a irmos ao Seu encontro. Vem, não tenhas medo, vem! Pode parecer impossível, Eu sei, mas acredita, a Minha graça será suficiente. A Minha graça é, realmente, tudo o que tu precisas ...

Se acreditares nas Minhas palavras, então verás o poder do Meu amor; então verás todas as coisas impossíveis que o Meu amor será capaz de fazer na tua vida ...

Vem, até Mim, e Eu guiar-te-ei, Eu cuidarei de ti, Eu suportar-te-ei, Eu serei a tua força ... 

E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. 

Mt 14, 29

Tu chamas-me, Senhor? Então eu vou!

Agarro-me à proa do barco. Ponho uma perna de fora e depois a outra. Os meus companheiros olham para mim e pensam que estou louco. O vento não pára de soprar. O mar não pára quieto. É tudo tão instável e inseguro...

Mas eu olho para Ti, Jesus, olho bem nos Teus olhos, e recebo, de Ti, a coragem que necessito. Abandono todos os meus medos e inseguranças, e confio - em Ti e nas Tuas promessas.

Confiante no Teu eterno amor, sou capaz de largar tudo o que eu achava que possuía e controlava... Sim, a Tua graça será suficiente!

magdala 8.jpg

Igreja em Magdala

Mas, sentindo a violência do vento, [Pedro] teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» 

Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 

E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»

Mt 14, 30-33

Ah, maldito vento! 

O vento parece ser tão forte e eu tão fraco. Esta noite escura, interminável, parece tão aterradora e eu apercebo-me que tenho tanto medo. As águas das dúvidas e dos medos, dos problemas e das dificuldades, querem-me engolir .... oh, que me poderá acontecer? 

 

Mas agora eu sei o que devo fazer. E, com toda a confiança, clamo por Ti - Jesus!

Com alta voz chamo por Ti - Vem Senhor Jesus! Vem e salva-me! Só Tu o podes fazer! Só Tu!

 

E Tu, sem qualquer demora, estendes a Tua forte mão para me ajudar. Tu desces até mim, até às profundezas onde me encontro, e elevas-me à Tua altura. Com todo o Teu poder, libertas-me das águas opressoras. 

E, nos Teus braços, descubro que a tempestade acalmou ... Oh, Tu que és, realmente, o Filho de Deus!

Nada te perturbe, minha querida e frágil alma, pois a Deus, nada é impossível....

 

E tu? O que te impede de segurares na mão que Ele te estende?

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A matemática de Deus

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos uma bela manhã nesta lindíssima praia em Tagba. Está na altura de seguirmos caminho - há ainda tantas maravilhas à nossa espera na Terra Santa! - mas temos ainda tempo para ouvir o relato dum último (grande!) milagre de Jesus, que terá ocorrido não muito longe desta praia tão especial  ... 

Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos.

Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer.

Filipe respondeu-lhe: «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 

Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 

Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.»

Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram

Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer.

Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 

                                                                                                                                     Jo 6, 1-14

multiplicação 1.jpg

Praia em Tagba, junto da Mensa Christi e do Primado de Pedro

 

Ah, a matemática de Deus ... que é tão diferente da nossa!

Na escola, facilmente aprendemos a não gostar muito das contas de subtração ou de divisão - afinal, ficamos quase sempre com menos no final da conta do que quando começámos!  Depois crescemos e, ao longo da nossa vida, também o mundo nos tenta ensinar isso mesmo ... Quantas vezes ouvimos - "Estás a dar demais! Não dês tanto ou não haverá para ti também..." ou "Dividir o que é meu contigo? Assim fico eu a perder e isso não pode ser... "

Mas Jesus veio ensinar-nos que, nas contas de Deus, quem se subtrair aqui na terra, pelo contrário, no final da equação somará bênçãos e graças infinitas no Céu! Quem dividir com os irmãos tudo o que tem, quem der e der e der - até doer - receberá mil por cada cem!

Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 

Jesus respondeu-lhes: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.»

Mt 19,27.29

Neste mundo, quanto mais damos, com menos (aparentemente) ficamos. Mas, nas contas de Deus, quanto mais damos ao outro, nosso irmão - amado, ou talvez não - mais tesouros estaremos a acumular no Céu. Dizem-nos os Santos que, para o Céu, levaremos apenas connosco, não nada daquilo que tivermos acumulado nesta terra, mas sim tudo o que tivermos oferecido, abdicado e sacrificado ao longo da nossa vida - por amor ao outro, por amor a Deus....

 

Oh, tantas e tantas vezes que Jesus nos diz nos Evangelhos: aquele que muito junta, acabará por ficar sem nada e de mãos vazias; mas aquele que divide o que tem, receberá ainda mais. Porque não O ouvimos nós?

Sim, quem desejar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem a oferecer, em sacrifício, por amor, salva-la-á e entrará no Reino dos Céus.

 

Pelas contas de Deus, vale a pena largar as noventa e nove ovelhas que estão seguras, para ir atrás daquela única que se perdeu. Dizem-nos também os Santos nossos amigos que, por cada pecador que se converte, por cada alma que é salva - quem sabe, talvez por ação da oração de alguém que vive do outro lado do planeta! - há uma festa no Céu maior do que qualquer Casamento Real aqui da terra...

Grao-de-mostarda-in-tile.jpg

Imagem retirada daqui

Pensem no pequenino grão de mostarda - tu e eu, querido leitor - que, quando lançado à terra, se não morrer para si próprio, não poderá gerar vida e dar origem a uma árvore de tal porte magnífico que consegue acolher, debaixo dos seus ramos e folhas, outras criaturas que em si procuram abrigo...

 

À nossa volta, no mundo, vemos tanto desperdício ao todo o lado - plástico, cartão, embalagens, mobílias fora de moda, brinquedos que já não são novidade, e comida, oh tanta comida...

Mas nas contas do Senhor? Nem uma única lágrima nossa se perde! Nem um único suspiro ou prece passa despercebida! Nem um pequeno ou invisível acto ou renúncia deixa de ter o seu efeito - eterno!

 

Achas que tens pouco para oferecer ao Senhor e aos irmãos? Parece-te que tens apenas cinco pães de cevada e dois peixinhos... e pedem-te que alimentes cinco mil homens, mais as suas mulheres e filhos?....

Parece loucura, eu sei.... Sim, segundo aquilo que o mundo nos diz, é impossível...

Mas, o teu pouco, colocado nas mãos do Senhor? Abençoado pela Sua tremenda graça? Oh, a todos, sem faltar nenhum, conseguirás alimentar, nutrir e fortalecer - e ainda sobrará, abundantemente, o suficiente para ti e toda a tua família!

 

Oh, a maravilha da matemática de Deus!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~