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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

Youtube - Mensagem do Papa Francisco para o II Dia Internacional dos Avós e Idosos

“Dão fruto mesmo na velhice” (Sl 92, 15)

24 de Julho de 2022

 

EXCERTO: "Muitas pessoas têm medo da velhice. Consideram-na uma espécie de doença, com a qual é melhor evitar qualquer tipo de contacto: os idosos não nos dizem respeito – pensam elas – e é conveniente que estejam o mais longe possível, talvez juntos uns com os outros, em estruturas que cuidem deles e nos livrem da obrigação de nos ocuparmos das suas penas. É a «cultura do descarte»: aquela mentalidade que, enquanto nos faz sentir diversos dos mais frágeis e alheios à sua fragilidade, permite-nos imaginar caminhos separados entre «nós» e «eles». Mas, na realidade, uma vida longa – ensina a Sagrada Escritura – é uma bênção, e os idosos não são proscritos de quem se deve estar à larga, mas sinais vivos da benevolência de Deus que efunde a vida em abundância. Bendita a casa que guarda um ancião! Bendita a família que honra os seus avós!"

 

 

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 16 a 18

Catequese 16) Catequeses finais

 

Resumo da catequese do Santo Padre: O Evangelho de São João faz-nos entrar na comovente intimidade do momento em que Jesus se despede dos seus, com palavras de consolação e com uma promessa. O tempo de vida que resta aos discípulos será marcado por fragilidades e desafios, mas também pelas bênçãos oriundas da fé na promessa do Senhor. Com a chegada da velhice, uma vez que as obras da fé não dependem mais da energia e do ímpeto característicos da juventude e da idade adulta, chega também o tempo propício para o testemunho desta espera no cumprimento da promessa, que constitui o nosso verdadeiro destino: um lugar à mesa com Deus, nos céus. A nossa vida não é feita para fechar-se em si mesma, mas está destinada – passando pela morte – a ir além, pois o “ponto de chegada” não se encontra aqui, mas junto do Senhor! A velhice, que já conhece o sentido do tempo e das limitações desta nossa vida terrena, tem credibilidade quando nos convida a alegrar-nos com a passagem do tempo, recordando que esta não é uma ameaça, mas uma promessa.

 

 

 

Catequese 17) O «Antigo de dias». A velhice tranquiliza sobre o destino para a vida que já não morre

 

Resumo da catequese do Santo Padre: As palavras da profecia de Daniel, que escutámos, são retomadas no Livro do Apocalipse para falar de Cristo Ressuscitado, que venceu a morte e vive para sempre. O eterno Filho de Deus feito homem, representado nesta figura humana de cabelos brancos, assume na sua eternidade todas as idades do ser humano e todas as dimensões do tempo. Esse encontro de Cristo com a humanidade manifesta-se admiravelmente na festa litúrgica da Apresentação do Senhor, dia 2 de fevereiro, quando os anciãos Simeão e Ana recebem Jesus no templo. Ali vê-se o Filho de Deus nos braços dum idoso que o abençoa. O gesto de Simeão é a imagem mais bela da especial vocação da velhice, que é apresentar as crianças como dom ininterrupto de Deus. É maravilhoso ver um idoso a abençoar uma criança, sem qualquer ressentimento pelas próprias debilidades. Também hoje os idosos devem repetir o gesto de Simeão e Ana, abençoando nos seus braços as crianças e introduzindo-as no mistério da vida sem fim à qual estamos destinados. É esta aliança entre idosos e crianças que salvará a família humana.

 

 

 

Catequese 18) As dores da criação. A história da criatura como mistério de gestação

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Há pouco celebramos a Assunção de Nossa Senhora aos Céus. Este mistério nos ajuda a contemplar o nosso destino eterno, pois nele vemos uma antecipação da ressurreição que nos está reservada. Segundo a fé cristã, o Ressuscitado é primogênito de muitos irmãos e irmãs. O Apóstolo Paulo nos fala, no texto que ouvimos, das “dores de parto” da criação, pois assim como um recém-nascido é o mesmo ser humano que estava no ventre materno, após a morte, quando nascermos para a Céu, para a morada de Deus, seremos os mesmos que caminhamos sobre esta terra, transfigurados. Não podemos imaginar como será esta transfiguração da nossa corporeidade mortal, mas estamos certos que manterá reconhecíveis os nossos rostos e nos consentirá permanecermos humanos no céu de Deus. Em nossa velhice, caras e caros coetâneos, o que é essencial na vida aparece-nos de modo definitivamente mais claro, e eis que essa sabedoria da idade avançada é o lugar da nossa gestação: a nossa vida inteira aparece como uma semente que deverá ser colocada na terra para que nasçam a sua flor e o seu fruto, e a nova vida no corpo ressuscitado será mil vezes mais viva de como a experimentamos nesta terra.

 

 

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 11 a 15

 

Catequese 11) Eclesiastes, a noite incerta do sentido e das coisas da vida

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Diante duma realidade que às vezes parece abrigar todos os opostos, reservando-lhes o mesmo destino, ou seja, cada um deles resulta em nada, o ser humano experimenta o desencanto, sentindo-se tentado a viver na indiferença: tudo vale o mesmo! Ao princípio, o conhecimento que nos isenta da moralidade parece fonte de liberdade, de energia, mas não tarda a transformar-se em paralisia da alma. Eclesiastes, com a sua ironia, desmascara este delírio de omnisciência que gera uma impotência da vontade, fazendo-lhe perder a paixão pela justiça e consequente luta pelo seu triunfo. A contínua oscilação entre o sentido e a falta do mesmo na existência é a representação irónica dum conhecimento da vida que se desligou da paixão pela justiça e caiu na indiferença, chegando ao desencanto de Eclesiastes: «Vaidade das vaidades, tudo é vaidade»! Tudo é nevoeiro, fumaça, vazio... No mundo atual, a passagem por esta crise – uma crise saudável – tornou-se crucial, pois uma cultura que pretenda ser a medida de tudo e manipular tudo, acaba produzindo uma desmoralização coletiva na busca do sentido da vida. O livro de Eclesiastes oferece-nos uma espécie de intuição negativa, que pode surgir em qualquer época da vida, mas não há dúvida de que a velhice torna quase inevitável o encontro com este desencanto. É, pois, decisiva a resistência dos idosos aos efeitos desmoralizadores deste desencanto: se os idosos, que já viram tudo, mantêm intacta a sua paixão pela justiça, então há esperança de amor e também de fé. Idosos cheios de sabedoria e humor fazem muito bem aos jovens. Salvam-nos dum conhecimento triste e sem sabedoria e reconduzem-nos à promessa de Jesus: «Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados».

 

 

 

Catequese 12) "Não me abandones quando meu vigor se extingue!" (Sal 71,9)

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Na leitura inicial, o ancião volta-se para Deus numa daquelas situações de abandono, fraude e prepotência, que às vezes assolam o tempo da velhice. Acontece lermos nos jornais ou ouvirmos nos noticiários casos de idosos a quem roubam as suas economias, abandonam sem cuidados ou intimidam, desprezando os seus direitos. Inclusive em ambientes familiares, vemos idosos expropriados da sua pensão de ancianidade e até mesmo da sua casa. Quem explora assim a fragilidade humana, devia sentir vergonha. É, portanto, urgente que a sociedade se dedique com seriedade a cuidar dos seus idosos, combatendo a cultura do descarte. Perguntemo-nos: por que motivo a civilização moderna e a política se mostram tão insensíveis à dignidade de conviver com os idosos e os doentes? O ancião do salmo, quando lhe fizeram ver a sua velhice como uma derrota, reencontrou a confiança em Deus, ganhando forças na oração: «Não me abandones, Senhor, quando já não tiver forças» (Sal 71, 9). Os idosos, na sua debilidade, ensinam-nos que todos temos necessidade de nos entregar a Deus; chamemos-lhe o “magistério da fragilidade”, que é capaz de abrir um horizonte decisivo para a reforma da nossa civilização. Aproveite-mo-lo!

 

 

 

Catequese 13) Nicodemos - "Como pode um homem nascer, sendo já velho?" (Jo 3,4)

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Nicodemos, um dos chefes dos Judeus, está entre as pessoas idosas mais relevantes nos Evangelhos. No seu diálogo com o divino Mestre manifesta-se o coração da Revelação de Jesus e de sua missão redentora: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Quando Jesus lhe diz que é preciso “nascer do Alto”, Nicodemos apresenta como objeção a velhice. Mas, à luz da palavra de Jesus em resposta a esta objeção, descobrimos que a velhice não é um obstáculo a este novo nascimento, e sim o tempo oportuno para entendê-lo. O “nascimento do Alto”, que nos permite entrar no reino de Deus, é uma nova geração no Espírito. A vida em nossa carne mortal é uma belíssima obra inacabada, como algumas obras de arte que, apesar de incompletas, possuem um fascínio único. Porque a nossa vida aqui na terra é iniciação, e não consumação. A fé, que acolhe o anúncio evangélico do reino de Deus ao qual estamos destinados, nos torna capazes de ver os sinais de esperança nesta nova vida em Deus. A velhice é a condição na qual o milagre do “nascimento do alto” pode ser assimilado intimamente e tornar-se sinal de credibilidade para a humanidade.

 

 

 

Catequese 14) O alegre serviço de fé que se aprende na gratidão

 

Resumo da catequese do Santo Padre: «A sogra de Simão Pedro estava de cama com febre»: ouvimos ler ao princípio. Não sabemos se a doença era grave ou não, mas, na velhice, até uma simples febre pode ser perigosa. A doença pesa sobre o idoso de modo diferente de quando se era jovem ou adulto; já não se consegue sonhar a esperança num futuro, porque este parece ter-se acabado. Mas o referido caso do Evangelho ajuda-nos a esperar. Notemos que Jesus não vai sozinho visitar aquela idosa doente, mas acompanham-No os discípulos. É a comunidade cristã que deve cuidar dos idosos; parentes e amigos devem sentir a responsabilidade de os visitar e, na sua oração, apresentá-los ao Senhor. Vendo aquela mulher doente, Jesus toma-a pela mão e levanta-a curando-a. Com este gesto de terno amor, dá a primeira lição aos discípulos: a salvação anuncia-se, ou melhor, comunica-se através da atenção prestada àquela mulher doente. Mas, se a primeira lição foi dada por Jesus, a segunda deu-a a sogra de Simão: a da gratidão que se faz serviço. «Levantou-se e começou a servi-los». É bom que os idosos cultivem a responsabilidade de servir, vencendo a tentação de ficar de lado. O Senhor não os descarta, mas restitui-lhes as forças para continuarem a servir. Se os anciãos, em vez de ser descartados e dispensados de intervir nos acontecimentos que marcam a vida da comunidade, fossem colocados no centro da atenção coletiva, sentir-se-iam encorajados a exercer o ministério da gratidão a Deus, que não Se esquece de ninguém. Esta gratidão das pessoas idosas pelos dons recebidos restitui à comunidade a alegria da convivência e confirma a fé no seu destino último.

 

 

 

Catequese 15) Pedro e João

 

Resumo da catequese do Santo Padre: Escutamos na leitura de São João, um comovente diálogo entre Jesus e Pedro, no qual transparece todo o amor de Jesus pelos seus discípulos que permite uma conversa sem rodeios, forte e livre. A dado momento, Jesus lembra a Pedro o tempo da sua juventude quando era autossuficiente, para lhe revelar que, quando for mais velho, já não será tão senhor de si e da sua vida. Na verdade, a velhice traz as marcas da fragilidade: começa-se a depender mais dos outros, até mesmo para se vestir e caminhar. São circunstâncias novas que dão à vivência da fé as feições da debilidade. Nessa altura permanece válido o convite: «tu segue-Me». O seguimento de Jesus deverá deixar-se instruir e moldar pela fragilidade, pela dependência dos outros. Claro, este novo tempo é também um tempo de provação. A começar pela tentação de manter o nosso protagonismo. «E ele?», diz Pedro, vendo o discípulo amado, que os seguia. A resposta de Jesus é franca e desabrida: «Que te importa? Tu segue-Me». Bela lição! Os idosos não deverão ter inveja dos jovens que percorrem o seu caminho, que ocupam o seu lugar, que lhes sobrevivem. A parte melhor da vida dos idosos, que nunca mais lhes será tirada, há de ser este seguimento forçadamente inativo, mas feito de comovida contemplação e extasiada escuta da Palavra do Senhor.

 

 

 

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 6 a 10

 

6) «Honra o pai e a mãe»: o amor pela vida vivida

 

Este amor especial que abre o caminho sob a forma de honra – isto é, ternura e respeito ao mesmo tempo – destinado à idade avançada é selado pelo mandamento de Deus. «Honrar pai e mãe» é um compromisso solene, o primeiro da “segunda tábua” dos dez mandamentos. Não se trata apenas do próprio pai e da própria mãe. Trata-se da geração e das gerações que precedem, cuja despedida pode também ser lenta e prolongada, criando um tempo e espaço de convivência duradouro com as outras idades da vida. Por outras palavras, trata-se da velhice da vida.

Honra é uma boa palavra para enquadrar este âmbito de restituição do amor que diz respeito à velhice. Isto é, recebemos o amor dos pais, dos avós e agora restituímos este amor a eles, aos idosos, aos avós. Hoje redescobrimos o termo “dignidade”, para indicar o valor de respeitar e cuidar da vida de todos. Dignidade, aqui, equivale essencialmente à honra: honrar pai e mãe, honrar os idosos é reconhecer a dignidade que têm.

 

 

 

A história de Rute nos fala da beleza dos laços familiares, que nascem da relação esponsal, mas que vão além desta. São laços de amor capazes de projetar esperança, mesmo nas conjunturas – por vezes dramáticas – da vida familiar. Sabemos que os lugares-comuns sobre alguns laços familiares, sobretudo aquele entre sogra e nora, possuem uma conotação negativa. Neste ponto, a Palavra de Deus se torna ainda mais preciosa, pois traz-nos um testemunho que supera os preconceitos mais comuns. Convido-vos a redescobrir o livro de Rute! Este contém um ensinamento precioso sobre a aliança entre as gerações: a juventude revela-se capaz de dar entusiasmo à idade madura, e a velhice descobre-se capaz de reabrir horizontes de futuro à juventude ferida. A fé e o amor são capazes de recompor as fraturas – aparentemente insuperáveis – geradas pelos preconceitos comuns. Se os jovens se abrirem à gratidão por tudo o que receberam e os idosos tomarem a iniciativa de repropor seu futuro, nada poderá frear o florescimento das bênçãos de Deus entre os povos! Que Ele nos conceda sermos testemunhas e mediadores destas bênçãos!

 

 

 

Catequese 8) Eleazar, a coerência da fé, herança da honra

 

Um decreto do rei Antíoco Epífanes obrigava os judeus a comer carne imolada aos ídolos. Os executores do decreto, pela amizade que nutriam por Eleázar, sugeriam-lhe fingir que a comia, mas sem realmente o fazer; deste modo teria a vida salva. Afinal – insistiam eles – era um gesto mínimo, insignificante. Não é assim! – retorquiu Eleázar. Um idoso que concordasse em considerar irrelevante a prática da fé, levaria os jovens acreditar que a fé não tem verdadeira relação com a vida, tratando-se apenas dum conjunto de atitudes e costumes que poderiam, em caso de necessidade, ser simulados ou disfarçados. Tal comportamento não honraria a fé, mesmo diante de Deus, e o efeito desta banalização seria devastador para os jovens. Uma pessoa idosa, que tivesse vivido os seus dias na coerência da fé e agora aceitasse fingir, levaria a nova geração a pensar que tal fé era uma ficção, uma cobertura externa que poderia ser abandonada com a desculpa de manter a fé dentro de si mesma. Claro, sabemos que a prática da fé pode cair numa exterioridade sem alma; mas, em si mesma, não o é. A fé merece respeito e honra: mudou a nossa vida, purificou a nossa mente, ensinou-nos a adoração a Deus e o amor ao próximo. É uma bênção para todos! Não podemos trocá-la por um punhado de dias tranquilos. Com humilde firmeza, demonstraremos, precisamente na nossa velhice, que acreditar não é «coisa de velhos». Para isso podemos contar com a ajuda do Espírito Santo, que faz novas todas as coisas.

 

 

 

Catequese 9) Judite. Uma juventude admirável, uma velhice generosa

 

Hoje temos diante dos olhos Judite, uma heroína judia, que, na última parte da sua vida, se retirou para uma propriedade que possuía na cidade de Betúlia. Dir-se-ia que tinha chegado, para ela, a hora de se aposentar. Para muitos, esse momento é desejado, porque significa um descanso merecido. Porém, acontece também que o fim do trabalho origina preocupação e apreensão, porque afeta as relações construídas, altera a função exercida na sociedade com o reconhecimento que lhe pertence, toca a satisfação de ganhar a vida. Claro que surge uma maior disponibilidade para a tarefa alegre e exigente de cuidar dos netos, transmitindo-lhes a força da ternura e o respeito pela fragilidade, mas nem sempre as circunstâncias o favorecem. Judite, por exemplo, ficou viúva muito cedo e não tinha filhos, mas isso não foi impedimento para viver a velhice em plenitude e com serenidade, correspondendo inteiramente ao chamamento e à missão que o Senhor lhe confiou. Judite não é uma aposentada que vive melancolicamente: é uma idosa apaixonada que enche de beleza o tempo que Deus lhe dá. Aproveitou a velhice para ir deixando sabedoria e ternura à família e à comunidade: uma herança de bem e não apenas uma herança de bens. Inclusive, Judite libertou a sua escrava, o que simboliza o seu olhar atento e humano. Quando se envelhece, o olhar interior torna-se capaz de ver coisas que antes escapavam. Que as nossas comunidades não desperdicem os dons de tantos idosos!

 

 

 

Catequese 10) Job. A prova da fé, a bênção da espera

 

Hoje, no nosso caminho nestas catequeses sobre a velhice, encontramos Job, testemunha da fé que não aceita uma “caricatura” de Deus, mas eleva o seu grito diante do mal até que Deus lhe responda e revele o seu rosto. Deus lhe responde, revelando-lhe a ternura que se escondia por detrás do seu silêncio. Apesar do seu impetuoso protesto, o Senhor afirma que Job expressou-se bem, por ter rejeitado aceitar que Deus fosse um “Perseguidor”. Em prêmio, Deus restitui a Job o dobro de todos os seus bens, depois de pedir-lhe que rezasse por seus amigos. A parábola do livro de Job representa de modo dramático o que pode acontecer em nossa vida: algumas pessoas são golpeadas por uma série de males que, muitas vezes, parece excessiva e injusta. Todos conhecemos pessoas assim e ficamos impressionados com o seu grito diante do sofrimento, mas ficamos também admirados diante da firmeza de sua fé e de seu amor. Os idosos que, tendo visto tantas experiências semelhantes em suas vidas, encontram o caminho do testemunho que converte o ressentimento pelas perdas em tenaz esperança nas promessas de Deus, tornam-se insubstituíveis para que a comunidade possa superar o excesso do mal.

 

 

 

Youtube - Catequeses do Papa Francisco sobre a Velhice (2022) - Catequese 1 a 5

 

Catequese 1) A graça do tempo e a aliança das idades da vida

 

A sabedoria do longo caminho que acompanha a velhice à sua despedida deve ser vivida como uma oferta de sentido para a vida, não consumida como a inércia da sua sobrevivência. Se a velhice não for restituída à dignidade de uma vida humanamente digna, está destinada a fechar-se num desânimo que rouba a todos o amor. Este desafio de humanidade e de civilização requer o nosso empenho e a ajuda de Deus. Peçamo-lo ao Espírito Santo. Com estas catequeses sobre a velhice, gostaria de encorajar todos a investirem os seus pensamentos e afetos nos dons que ela tem em si e proporciona às outras idades da vida. A velhice é um presente para todas as idades da vida. É um dom de maturidade, de sabedoria. A Palavra de Deus ajudar-nos-á a discernir o sentido e o valor da velhice; que o Espírito Santo nos conceda também os sonhos e as visões de que necessitamos.

 

 

Catequese 2) A longevidade: símbolo e oportunidade

 

Na narração bíblica das genealogias dos progenitores, impressiona-nos imediatamente a sua enorme longevidade: fala-se de séculos! Quando começa nela a velhice? Perguntamo-nos. E o que significa o facto que estes pais antigos vivem tanto tempo depois de terem gerado os filhos? Pais e filhos vivem juntos, durante séculos! Esta cadência secular do tempo, narrada em estilo ritual, confere à relação entre longevidade e genealogia um profundo significado simbólico forte, muito forte. É como se a transmissão da vida humana, tão nova no universo criado, exigisse uma iniciação lenta e prolongada. ...

 

 

Catequese 3) Ancianidade, recurso para a juventude despreocupada

 

A narração bíblica – com a linguagem simbólica da época em que foi escrita – diz-nos algo surpreendente: Deus estava tão amargurado por causa da maldade generalizada dos homens, a qual se tinha tornado um estilo normal de vida, que pensou que tivesse cometido um erro ao criá-los e decidiu eliminá-los. Uma solução radical. Poderia até ter uma paradoxal aparência de misericórdia. Mais nenhum humano, mais nenhuma história, nem julgamento, nem condenação. E muitas vítimas predestinadas da corrupção, da violência e da injustiça seriam poupadas para sempre. Não acontece por vezes também a nós – esmagados por um sentimento de impotência contra o mal ou desmoralizados pelos “profetas de desventura” – pensar que era melhor não ter nascido? ....

 

 

Catequese 4) A despedida e a herança: memória e testemunho

 

Quando Moisés pronuncia a sua profissão de fé, está no limiar da terra prometida, e também da sua despedida da vida. Tinha cento e vinte anos, lê-se na narração, «mas a sua vista nunca enfraqueceu» (Dt 34, 7). A capacidade de ver, de ver realmente, de ver até simbolicamente, como os idosos, que sabem ver as coisas, o significado mais profundo das coisas. A vitalidade do seu olhar é um dom precioso: permite-lhe transmitir a herança da sua longa experiência de vida e de fé, com a necessária lucidez. Moisés vê a história e transmite-a; os idosos veem a história e transmitem-na. Uma velhice à qual é concedida esta lucidez é um dom precioso para a geração que há de vir....

 

 

Catequese 5) A fidelidade à visita de Deus para as próximas gerações

 

Da narração de Simeão e Ana, mas também de outras histórias bíblicas da velhice sensível ao Espírito, vem uma indicação oculta que merece ser trazida à tona. Em que consiste concretamente a revelação que estimula a sensibilidade de Simeão e Ana? Consiste em reconhecer numa criança, que eles não geraram e que veem pela primeira vez, o sinal certo da visita de Deus. Eles aceitam que não são protagonistas, mas apenas testemunhas. E quando um indivíduo aceita não ser protagonista, mas se compromete como testemunha, tudo bem: aquele homem, aquela mulher, amadurece bem. Mas se tiver sempre vontade de ser protagonista, nunca amadurecerá neste caminho rumo à plenitude da velhice....