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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade e o meu encontro com o amor misericordioso do Senhor. Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a alegria do Evangelho!

O reerguer da mulher encurvada

Nas primeiras vezes que fui visitar a minha filha recém-nascida à Neonatologia tive de ser levada numa cadeira de rodas. Durante vários dias, só conseguia andar devagarinho, com uma mão na barriga e outra apoiada na parede, por curtas distâncias de cada vez, curvada sobre mim mesma, impossibilitada de me erguer, por causa das dores e das limitações físicas causadas pela cesariana. 

Nesses dias, lembrei-me da história da mulher encurvada, que nos é contada no Evangelho de S. Lucas:

"Num dia de sábado, ensinava Jesus numa sinagoga. Estava lá certa mulher doente por causa de um espírito, há 18 anos: andava curvada e não podia endireitar-se completamente. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade.» E impôs-lhe as mãos. No mesmo instante, ela endireitou-se e começou a dar glória a Deus.

Mas o chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus fazia uma cura ao sábado, disse à multidão: «Seis dias há, durante os quais se deve trabalhar. Vinde, pois, nesses dias, para serdes curados e não em dia de sábado.» 

Replicou-lhe o Senhor: «Hipócritas, não solta cada um de vós, ao sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura e o leva a beber? E esta mulher, que é filha de Abraão, presa por Satanás há 18 anos, não devia libertar-se desse laço, a um sábado?» Dizendo isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava.". (Lc 13, 10-17)

 

Não sei se sabiam mas, no tempo de Jesus, as mulheres tinham de ficar na parte de trás das sinagogas, separadas dos homens por uma vedação ou gradeamento (tal como acontecia com os gentios, que também não podiam ter acesso às zonas restritas e mais sagradas dos judeus, no interior do Templo ou das sinagogas). Elas só podiam, caso assim quisessem, ouvir a leitura e o estudo das Sagradas Escrituras se permanecessem sentadas lá atrás, bem no fundo do grande salão.

Assim, neste dia de Sábado, lá atrás na sinagoga, encontrava-se uma mulher - que não só era mulher e tinha de estar lá atrás, como, ainda por cima, era encurvada, o que a tornava ainda menos visível. Esta mulher, diz-nos o Evangelho, estava doente por causa dum “espírito de enfermidade” ou dum “espírito de fraqueza” (dependendo das traduções), que a obrigava a viver encurvada desde há 18 anos. Uma vez, explicaram-me que a palavra grega usada neste texto significava que esta mulher vivia “dobrada sobre si mesma” e “impedida de erguer a cabeça”.

Apesar de tudo isto, Jesus vê-a. Para Ele não há barreiras nem separações. Na Sua presença, todas as grades, reais ou simbólicas, caem por terra. 

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Imagem retirada daqui

O Evangelho não especifica se Jesus a chamou até junto de Si ou se foi ter com ela. Mas Jesus interpela-a directamente, coloca as Suas mãos sobre o dorso da mulher e declara-lhe: “Mulher, estás livres da tua enfermidade”, ou “Mulher, estás livre dos laços da tua fraqueza” noutras traduções. E ela imediatamente endireitou-se e começou a dar glória a Deus.

Esta mulher vivia encurvada sobre si mesma, ou seja, os outros olha-la-iam – tanto de forma literal como figurativa – de cima para baixo. O próprio olhar desta mulher estava preso no chão. O seu olhar estava limitado. Os seus horizontes eram estreitos, sujos, pedregosos - como o solo que constantemente fitava. 

Jesus é a primeira pessoa, na vida naquela mulher, que não a olha de cima para baixo; antes, a eleva, até Si, permitindo-lhe olhar, olhos nos olhos, com o próprio Deus, contemplando-a e permitindo que ela O contemplasse também, alargando os horizontes do seu olhar e, assim, da sua vida.  

 

Na sociedade do tempo de Jesus (tal como vemos retratado noutros episódios evangélicos), as pessoas acreditavam que as doenças mais graves e debilitantes - como a condição desta mulher - eram uma forma de castigo divino, por alguma culpa ou pecado grave cometido, ou por si ou por familiares próximos. Assim, quanta vergonha não sentiria esta mulher, de cada vez que necessitava de aparecer em público, para comprar comida ou rezar ao Deus de Israel na sinagoga, naquele estado físico, que dava tanto nas vistas ...

Esta mulher tinha um corpo imperfeito, doente, permanentemente dobrado e encurvado sobre si mesmo, que lhe roubaria toda a auto-estima e amor próprio. Talvez até a fizesse viver numa profunda tristeza e solidão. Mas foi com este mesmo corpo, imperfeito e deformado, que ela se permitiu ser olhada, chamada e tocada por Jesus. Sem sentir qualquer vergonha ou medo, talvez pela primeira vez na sua vida. Ao endireita-la, ao levantá-la, Jesus devolve-lhe toda a dignidade que anteriormente tinha perdido.

Jesus identifica-nos claramente que o “espírito de enfermidade” ou o “espírito de fraqueza”, que a impedia de se manter direita, provinha da acção de Satanás, o Adversário, o Inimigo da humanidade desde o Génesis. Assim, fica claro que a condição desta mulher era muitíssimo mais profunda do que só uma maleita física.

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Imagem retirada daqui


No final deste milagre, o chefe da sinagoga critica Jesus por o ter realizado em dia de sábado, dia em que não seria suposto realizar-se qualquer tipo de trabalho, segundo os costumes judaicos. É curioso reparar como todas as curas sabáticas de Jesus, descritas nos Evangelhos, têm algo em comum: nenhuma dessas curas foi “solicitada” a Jesus; em nenhuma delas veio alguém, ou algum intermediário, ter com Jesus, pedindo ou implorando a sua cura ou a cura de outrem. Aliás, se repararmos com atenção, todos os milagres de Jesus em dia de sábado partiram da Sua própria iniciativa, foram voluntariamente concedidos por Si, sem que o doente Lho tenha pedido – como é o caso do milagre desta mulher encurvada.

Assim se manifesta claramente a iniciativa de Deus em nos salvar, Ele que é o “Senhor do Sábado”. Desta forma, Cristo relembra-nos a intenção primordial, o propósito, do dia de sábado, o Shabat, o dia de descanso do Senhor: este seria o dia da semana dedicado e consagrado ao encontro, a nível pessoal, familiar e comunitário, com o Senhor; em que o povo deveria permitir-se descansar e usufruir da Obra da Criação; em que os judeus deveriam relembrar e comemorar a libertação da escravatura do Egipto e da vitória do grande Êxodo, e assim louvar a Deus por todos os Seus dons e bênçãos.

 

Jesus usa palavras duras e chama-lhes de hipócritas. Se os judeus podiam soltar os seus animais, no dia de sábado, para os levar a beber, quão mais adequado não seria que esta mulher bebesse da verdadeira Água Viva, no dia do Senhor, e assim readquirisse a sua dignidade perdida de filha de Deus? Aquela mulher foi reerguida através do seu encontro com Jesus e imediatamente se pôs a louvar o Deus que a tinha salvo - cumpriu-se na perfeição o propósito do dia do Shabat ....

 

Para ouvir esta ou outras catequeses, sobre os encontros de Jesus com algumas das mulheres dos Evangelhos,

basta clicarem no Podcast - Encontros com Jesus.

Encontros com Jesus - 12. Maria de Betânia, irmã de Lázaro e de Marta

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«Uma mulher, de nome Marta, recebeu [Jesus] em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços.» (Lc 10, 38-40)

Tanto Marta como Maria parecem ser jovens mulheres solteiras, que tomaram a decisão de dedicarem a sua vida a Jesus, o Seu Amado. Assim, alguns vêem-nas como protótipo dos 2 grandes ramos de vida religiosa – Marta, numa vida mais activa, em constante serviço dos irmãos e necessitados, pondo os seus talentos a render, e Maria, tendencialmente mais orante, intercessora e contemplativa ...

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros com Jesus - 10. A mulher apanhada em adultério

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Os doutores da Lei e os fariseus trouxeram [a Jesus] certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio e disseram-Lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?» (Lc 8,3-4)

Imagino os fariseus e doutores da Lei a esfregarem as mãos e a dizerem entre si: “Está no papo! Apanhámo-Lo bem! Desta não escapa!”. Jesus só parece ter 2 opções: ou afirma que “sim, Eu concordo com o que está escrito na Lei de Moisés” e o povo que está a assistir ficará desiludido com Jesus, e assim apenas a face “julgatória” de Deus será revelada; ou, então, “provará” que não é realmente um Profeta e dirá, “não, eu discordo da Lei de Moisés”, “provando” assim que Ele não vem realmente de Deus.

A mulher, pelo contrário, não parece ter qualquer hipótese .... Parece estar condenada à morte desde o momento em que alguém a descobriu no seu pecado.

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros com Jesus - 9. A mulher samaritana

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"Nisto chegaram os Seus discípulos e ficaram admirados de Ele estar a falar com uma mulher". (Jo 4, 27)

Jesus transgride vários costumes em vigor naquela época: ousa falar a uma mulher, a sós, num lugar público, e ainda por cima uma mulher samaritana (e não judia) e além disso pecadora afamada. Tudo isto seriam razões suficientes para alguém ficar espantado com o comportamento de Jesus. Mas, do ponto de vista dos discípulos, esta não era nem a primeira vez, nem viria a ser a última vez, que viam o seu Mestre a falar com uma mulher pecadora. Porque então se mostram tão admirados, tão em choque com o que veem, como até o texto salienta?

Porque, aquilo que eles veem – Jesus sentado à beira dum poço, o poço de Jacob, em terra estrangeira, a sós com uma mulher – parecia a cena dum pedido de casamento!

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros com Jesus - 7. A mulher encurvada

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O milagre da cura da mulher encurvada encontra-se descrito apenas no Evangelho segundo S. Lucas e é um dos 7 milagres e curas que Jesus se "atreveu" a realizar durante o dia de Sábado. Todas as curas sabáticas de Jesus descritas nos Evangelhos têm algo muito importante em comum: nenhuma dessas curas foi “pedida” a Jesus, em nenhuma delas veio alguém ou algum intermediário ter com Jesus, pedindo ou solicitando a sua cura ou a cura de outrem. Aliás, se repararmos com atenção, todos os milagres de Jesus em dia de sábado partiram da Sua própria iniciativa, foram voluntariamente concedidos por Si, sem que o doente Lho tenha pedido. Assim se manifesta claramente a iniciativa de Deus, o “Senhor do Sábado”, que vem salvar e libertar o seu povo ... 

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros com Jesus - 6. A pecadora arrependida

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[Jesus] entrou em casa do fariseu, e pôs-Se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás Dele e chorando, começou a banhar-Lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. (Lc 7, 36-38)

Esta mulher, apesar de pecadora, demonstra desde cedo uma enorme fé, que lhe suscita uma coragem e audácia impressionante: atreve-se a ir até à casa do fariseu Simão, a entrar na sala das refeições cheia de homens e talvez convidados ilustres, a “interromper” – de certa forma – a sua refeição e diálogo, para oferecer a Jesus um dos seus bens mais preciosos. A sua fé parece dar-lhe a capacidade de vencer a vergonha e o medo do desprezo alheio, de correr o risco de poder ser repelida como impura ou pecadora ...

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

Encontros com Jesus - 3. A profetisa Ana

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Só o Evangelho segundo S. Lucas nos fala sobre a profetisa Ana. Ana tende a passar tão despercebida entre as linhas do Evangelho como também deve ter passado despercebida ao longo da sua própria vida. À semelhança de Nossa Senhora, também a vida de Ana sofreu uma grande e inesperada reviravolta quando, tragicamente, perdeu o seu amado marido, sendo ainda muito nova, após um feliz mas dolorosamente curto matrimónio. Imagino-a a pensar: E agora, o que devo fazer? Sem filhos e sem família ... Quem cuidará de mim? Quem me protegerá? Quem me amará?

Para outras meditações: Canal Sede Sal, Sede Luz

A verdadeira hipocrisia dos fariseus

Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino dos Céus: vós não entrais nem deixais entrar os que o desejam.

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque devorais as casas das viúvas, com o pretexto de prolongadas orações. Por isso, sereis mais rigorosamente julgados.

Ai de vós, guias cegos, que dizeis: "Quem jurar pelo santuário a nada se obriga; mas quem jurar pelo ouro do santuário tem de cumprir". Insensatos e cegos! Que vale mais: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?" (Mt 23, 13-14. 16-17)

Ao longo desta 21ª Semana do Tempo Comum, se acompanharmos as leituras do Evangelho, veremos Jesus a reprovar, repetidas vezes, os fariseus e os escribas, acusando-os de hipocrisia. Jesus utiliza palavras e imagens muito fortes, (excessivamente?) duras até. Chama-lhes hipócritas, insensatos, devoradores de viúvas, cheios de maldade, autênticos cegos que provocam também a cegueira de outros homens. Compara-os a sepulcros caiados, belos por fora mas podres por dentro, e a pedras de tropeço, causadores de quedas irrecuperáveis para muitos.

"Oh pobres fariseus e escribas" - penso eu, tantas vezes, suspirando e revirando os olhos - "sempre tão arrogantes e convencidos ... " Mas será realmente assim, Marisa? Terão sido eles sempre assim? Será que era apenas esse - a arrogância, a hipocrisia, a cegueira - o problema que Jesus lhes apontava? Será que Jesus queria apenas apontar-lhes o dedo, nomeando os seus pecados?

Mas o Senhor alguma vez quererá apenas isso? Alguma vez Deus desejaria apenas criticar, apontar o dedo, denunciar, tornar público o pecado pessoal de cada um deles? Para que serviria isso, Marisa? Qual o bem disso? Acaso Deus comportar-se-ia como um mero denunciador - "Vejam todos como eles são maus!"? Acaso Deus não é amor? Acaso poderá ter havido algum instante da vida de Jesus - Ele que é verdadeiramente Deus, verdadeiramente Homem - em que Ele, falando ou agindo, não estaria a amar a pessoa à Sua frente, a obra das Suas mãos? 

 

Talvez Marisa, a questão seja mais profunda do que te parece à primeira vista.

Lembra-te do que ouviste recentemente numa homilia: os escribas eram autênticos guardiões da Lei e dos Escritos Sagrados, copiando-os cuidadosa e rigorosamente, garantindo que nenhum erro se propagasse nem que se perdesse no tempo uma só palavra de Deus; já os fariseus eram um grupo recente na altura de Jesus, formados pela necessidade de reavivar o judaísmo daquela altura e impedir que se perdesse a beleza das Escrituras, da cultura e da religião judaica ou que o povo fosse corrompido pelos pensamentos, filosofia e estilos de vida pagãos, tanto da parte dos gregos como dos romanos. 

Permitam-me o atrevimento de dizer: Jesus era muito parecido com os fariseus. Eles conheciam a Lei e os Profetas de trás para a frente, como se fosse a palma das suas mãos, tal como Jesus conhecia. Eles dedicavam todo seu tempo, toda a sua vida, à leitura, ao conhecimento, à interpretação e à propagação da beleza da Lei e dos Profetas, tal como Jesus o fez também. Eles eram praticantes exemplares da Lei, tal como Jesus o era. Eles eram amantes da Palavra de Deus, tal como Jesus a amava. 

O problema dos fariseus foi que rapidamente caíram na tentação do poder e da auto-suficiência. Deixaram-se sucumbir em escrúpulos. Quiseram tornar-se donos da Lei e dos Profetas, autoridades irrepreensíveis, acima de qualquer outra - até acima de Deus. E esqueceram-se que eram meros homens, pó da terra, servos do Senhor. ..

Pobres fariseus - o bom e o belo que poderíeis ter sido, que o Senhor desejava que vos tivésseis tornado, que Deus vos chamava a ser ... 

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Imagem retirada daqui

Em vez disso, escolheram esconder as suas misérias - até de si mesmos - e colocar máscaras para outros verem. Desejaram ser admirados e assim escolheram fingir - ser mais e melhor do que, realmente, eram. 

Escolheram fingir, esconder as suas misérias, fugir de si mesmos. E assim impedir deliberadamente que a graça santificante de Deus possa actuar nas suas almas. Fingindo, escondendo-se, fugindo - impediram assim que Deus os habitasse, os renovasse, os curasse, os perdoasse. Talvez seja por isso que Jesus não tolera a sua hipocrisia. 

Além disso, é como se declarassem explicitamente que Deus não os criou correctamente, que não os gerou bem, que eles deveriam ser diferentes do que são. No fundo, que Deus errou e fez algo mal - mas que eles fariam melhor. 

 

Pobres escribas e fariseus - que por vezes sou eu mesma. Tão amantes e zelosos da Palavra de Deus, que tentavam tornar-se seus donos e senhores. Tentavam almejar uma perfeição diferente daquela a que Deus os (e nos) chama e convida. Lembrem-se quem são, de quem são, donde vieram, para onde querem ir. Reconheçam as vossas misérias. Não as tentem esconder - de si mesmos e de Deus. Não fujam - de vocês próprios nem da misericórdia do Senhor. Não tentem fingir ser o que não são - o Senhor ama-vos. E vós, aceitais o Seu amor? Aceitais ser amados? 

 

Que o Senhor possa dizer de mim, um dia, tal como disse do Apóstolo Bartolomeu

«Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento. Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.» (Mt 23, 47. 51)