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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Esperando por (e com) Deus

Ninguém gosta de esperar. 

Esperar parece uma autêntica perda de tempo. Porquê esperar? Para quê? Não seria melhor se tudo acontecesse - já?! De que serve esperar?... Ai, o desejo impaciente de passar o mais rapidamente possível da situação em que me encontro para aquela que eu queria tanto estar ou ter ou fazer ou ser - e já!

 

Mas, se pensarmos bem, todos estamos permanentemente à espera. É raro, muito raro na verdade, não estarmos numa situação de espera - seja por algo ou por alguém. Às vezes, esperamos por coisas pequeninas, como esperar que nos respondam a um email, ficar preso no trânsito e nunca mais chegarmos onde queremos, estar na fila das compras (seja para entrar na loja ou para pagar), ou então esperar que chegue a hora de sair do trabalho ... Outras vezes, esperamos ansiosamente por coisas grandes e importantes, como saber que entrámos na faculdade dos nossos sonhos, discernir uma vocação, poder tomar o primeiro passo numa decisão importante ou esperar a resposta do outro ... 

 

Há poucos dias atrás, iniciei um novo ano de vida, o meu 27º ano. Se Deus quiser, e por uma graça absolutamente imerecida, será durante o decorrer deste ano que poderei declarar o meu "sim", total e eterno, à vocação de amor a que o Senhor me chama. Apesar dos longos anos de discernimento vocacional, esperar pela vontade e pelo tempo de Deus continua a ser uma batalha perene para mim. Oh, como gostava que esse dia glorioso, em que poderei oferecer toda a minha vida e todo o meu ser, chegasse depressa - ou, melhor ainda, fosse já amanhã!

 

Mas, se Deus nos coloca, tantas vezes, em situações de espera, não seria melhor aprender a esperar e a esperar santamente

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Imagem retirada daqui

A Bíblia está cheia de histórias de pessoas à espera. Às vezes, estão à espera de certas situações, outras vezes à espera umas das outras mas, principalmente, encontramos pessoas à espera de Deus.

Tomemos como exemplo as primeiras páginas dos Evangelhos. Zacarias e Isabel estão há anos à espera de ter um filho. Maria também espera o nascimento dum Filho, mas um que nunca pensara conceber. José está permanentemente à espera que Deus lhe diga o que deve fazer. Simeão e Ana passaram toda a sua vida à espera do dia em que veriam com os próprios olhos o Messias prometido. 

Todo o Evangelho parece iniciar-se com pessoas à espera. O que inclui o próprio Deus - aliás, ninguém passou mais tempo à espera do que Ele que, desde a queda de Adão e Eva no Jardim do Éden, aguardava ardentemente o momento perfeito para revelar-Se e demonstrar todo o Seu amor e misericórdia por cada homem e mulher.

Mas, tanto Zacarias como Isabel, Maria e José, Simeão e Ana, souberam esperar santamente porque a sua espera estava fundada numa promessa e numa esperança firmes.

«Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João.» (Lc 1,13)

«Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um Filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo» (Lc 1,30-31)

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» (Mt 1,20-21)

Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor. (Lc 2,25-26)

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Zacarias, Isabel e Maria a admirarem João, o filho prometido pelo anjo do Senhor - Imagem retirada daqui

É a fé nas promessas do Senhor que permite a cada uma destas pessoas saber esperar santamente. Pela fé, acreditam desde já que possuirão, um dia, aquilo que o próprio Senhor lhes prometeu. Elas escolheram aceitar receber e aceitar acreditar nas promessas do Senhor. E, assim, aquilo que, a nós, nos parece futuro, para elas tornam-se, desde já, presente e real; torna-se, desde já, obtido. 

É como se recebessem uma semente da parte do Senhor, que crescerá e brotará na terra fértil da sua fé. São capazes de sorrir a cada novo amanhã (como é dito da mulher forte em Provérbios 31) porque sabem que, neste preciso momento em que vivem, a promessa de Deus está a ganhar forma, está a crescer, está a realizar-se. O segredo de esperar santamente é, assim, a fé de que Deus já plantou a semente, que algo já começou, de que algo está já a ocorrer. 

Esse algo está, quase sempre, escondido aos nossos olhos, sim; mas nem por isso deixa de acontecer ou ser real, porque, como nos disse Jesus: "O Meu Pai está sempre a trabalhar" (Jo 5,17)

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Imagem retirada daqui

Olhemos uma vez mais para os Evangelhos, mas agora para as últimas páginas, para a paixão e ressurreição de Jesus. Uma das palavras mais usadas para descrever o que aconteceu a Jesus é "ser entregue".

Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» (Mt 22,22-23)

Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Eles ouviram-no com satisfação e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas espreitava ocasião favorável para O entregar. (Mc 14,10-11)

Quando chegou a hora, pôs-Se à mesa e os Apóstolos com Ele. Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em memória de Mim.» (Lc 22,19)

Estas mesmas palavras serão depois usada por São Paulo, na sua carta aos Romanos, ao declarar que "[Deus] nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós" (Rom 8,32)

É impressionante reparar como, logo a seguir a ser entregue às autoridades de Jerusalém, Jesus deixa de ser Aquele que faz e submete-se humildemente a ser Aquele a quem as coisas Lhe são feitas ...  Jesus é preso por outros; é levado até ao Sumo-Sacerdote; depois é levado até Pilatos; é coroado com espinhos e, por fim, preso na cruz. Tudo Lhe é feito, sem que Ele tenha qualquer controlo

Quando Jesus finalmente diz: "Tudo está consumado" (Jo 19,30), Ele não quer dizer "Eu fiz todas as coisas que queria fazer", mas sim "Eu permiti que Me fosse feito tudo o que era preciso, de modo a cumprir plenamente a Minha vocação." Na verdade, Jesus não cumpriu a Sua missão apenas de uma forma activa, ou seja, curando os doentes, fazendo milagres, anunciando o Reino de Deus; mas também de uma forma passiva (muitíssimo mais difícil de aceitar que aconteça, na minha opinião!) durante a sua longa Paixão, sabendo esperar santamente a realização do plano de Deus Pai. 

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Imagem retirada daqui

Assim, de certa forma, a agonia de Jesus não será meramente a agonia da morte e do sofrimento, mas também a agonia de ter de esperar. É a agonia dum Deus que depende de nós para poder demonstrar a Sua divina presença entre nós; é a agonia dum Deus que, duma forma absolutamente misteriosa, permite-nos quase que decidir como Deus será Deus...

Descubro, assim, uma nova perspectiva de esperar - não apenas em esperar por Deus, mas também de participar na espera do próprio Deus ...

A Assunção de Maria

O Templo de Deus abriu-se no Céu e a Arca da Aliança foi vista no seu Templo. Apareceu no céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.   (Ap 11,19a; 12,1)

É com este relato que se inicia hoje as leituras da Santa Missa, dia da Assunção de Nossa Senhora. Não sei se têm bem noção da natureza estrondosa, absolutamente chocante, desta afirmação do Apóstolo João: "a Arca da Aliança foi vista no seu Templo".

Na altura em que este relato foi escrito, a Arca da Aliança tinha sido vista pela última vez já há mais de 500 anos atrás. Por altura do exílio do povo judeu na Babilónia, o profeta Jeremias, inspirado pelo Senhor, tinha-a escondido numa gruta algures no Monte Sinai, para não mais voltar a ser encontrada "até que Deus reúna o seu povo e use com ele de misericórdia" (2 Mac 2,7)

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Esta promessa, nunca esquecida pelo povo judeu por mais anos que passassem, realizou-se nesta visão do Apóstolo S. João. Eis a nova Arca da Aliança - Maria, mãe de Jesus, o Salvador.

 

A antiga Arca da Aliança era revestida a ouro. A nova Arca, Maria, está "revestida de sol" como nos diz São João e como nos confirmam os Pastorinhos de Fátima dizendo que "era uma Senhora mais brilhante que o sol" .

A antiga Arca continha o cajado florido de Aarão, o primeiro sumo-sacerdote instituído pelo Senhor, enquanto o ventre de Maria contém dentro de si o Sumo-Sacerdote eterno.

A antiga Arca continha as tábuas com os 10 Mandamentos da Lei de Deus, que tinham sido escritas pelo próprio dedo do Senhor. Maria, a nova Arca, contém Jesus dentro de si, o Verbo de Deus. 

Por fim, a antiga Arca continha o maná, o alimento vindo do céu durante os 40 anos da travessia do deserto do povo hebreu. A nova Arca, Maria, contém o Pão Vivo, descido dos Céus, o verdadeiro alimento que nos dá a vida eterna.

Nossa Senhora da Eucaristia - imagem retirada daqui

[A mulher] estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. (Ap 12,2)

Com esta simples frase, o Apóstolo João confirma-nos aquilo que é dogma de Fé: no final da sua vida terrena, Maria foi levada, em corpo e em alma, para junto de Deus. Em parte, como primícias de toda a Igreja, como antecipação daquilo que acreditamos que nos acontecerá no Último Dia. Mas, por outro lado, Maria foi assupta aos Céus, ou seja, foi assumida por Deus, como culminar de toda a sua vivência terrena: Maria passou toda a sua vida a conformar a sua vontade com a do Senhor, mais perfeitamente a cada novo dia, de tal modo que, por altura da sua morte, era absolutamente impossível distinguir ou separar o coração de Maria com o coração de Deus...

 

Peçamos a Maria, neste dia tão especial, que nos ensine e ajude a conformar o nosso próprio coração, sempre tão rebelde e orgulhoso, com o coração e a vontade de Deus. Amén

Nazaré e a vida da Sagrada Família

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David.

Lucas 1,26-27

 

Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.» Levantando-se, ele tomou o Menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel.

Advertido em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: «Ele será chamado Nazareno».

Mt 2,19-20.23

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Estamos em Nazaré, a terra natal de Maria e de José e a região onde Jesus passou a maior parte da Sua vida, desde o Seu regresso da terra do Egipto, por volta dos seus 6 a 7 anos de idade, até ter iniciado a Sua pregação (depois de ter passado pelas águas do rio Jordão), por volta dos seus 30 anos.

 

Nazaré situa-se na parte Norte do país de Israel, num vale rodeado por altas montanhas. Este vale, se o seguíssemos para Noroeste, levar-nos-ia até ao Mar Mediterrâneo; e se o seguíssemos para Sudeste, levar-nos-ia em direcção ao rio Jordão.

 

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Imagem adaptada daqui

A Sul da cidade de Nazaré, localiza-se a Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrel), que é uma zona muito fértil, cheia de campos de colheitas, de plantas, árvores e flores - ena, que contraste tão grande em relação a todas as terras áridas e desérticas pelas quais temos passado nos últimos dias! 

 

Nazaré é hoje uma cidade grande, próspera e bonita; mas no tempo de Jesus terá sido apenas uma pequena aldeia judaica, de pouca importância, com pouco mais que 20 a 30 famílias, que viveriam da agricultura, do pastoreio e do trabalho de artífices como a carpintaria de S.José. Esta aldeia estaria rodeada de olivais e de vinhas que desceriam pelas encostas dos montes. É provável que tivesse uma única sinagoga, pequena e simples, à imagem dos seus habitantes, e que talvez fosse, tal como as casas destas famílias eram, parcialmente construída à mão e parcialmente escavada na encosta dos montes. 

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A Sagrada Família viveu durante tantos anos em Nazaré e ninguém suspeitava que o próprio Deus vivesse ali, bem juntinho do Seu povo tão amado. Como é que foi possível? Oh, que mistério tão grande! 

Penso nos incontáveis Santos que povoam o Céu, já neste preciso momento, cujos nomes nós nem sequer sabemos, cujas vidas nem conhecemos; tantos Santos escondidos, silenciosos, que levaram vidas simples, humildes, sem grande alarido, sem feitos extraordinários, à semelhança da Sagrada Família, à semelhança (assim o espero e desejo) da minha vida, da tua vida, da nossa vida ... 

 

Alguém muito querido do meu coração, um dia destes perguntou-me se eu alguma vez tinha pensado que nunca na História da humanidade tinha havido, como hoje, tantos Santos e Santas, Beatos e Veneráveis, Servos e Servas de Deus, conhecidos ou não, a viver, a rezar e a interceder por todos nós no Céu ... como é que eu nunca tinha pensado nisso?! Quão maravilhoso! Louvado seja Deus!

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Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrael)

 

E como terá sido a vida quotidiana da Sagrada Família?...

Penso em Jesus como criança, a receber o início da Sua educação escolar e de Fé (só a nossa sociedade actual é que tenta separar as duas coisas ...), através dos ensinamentos e do exemplo vivo de Maria e de José; ao aprender na carpintaria a trabalhar a madeira e a pedra com as Suas mãos e instrumentos, enquanto ouvia, vezes e vezes sem conta, José a contar-Lhe toda a História do povo de Deus, até a saber de coração...

Jesus a brincar com os outros meninos e meninas da Sua idade... Jesus como menino na escola da sinagoga, a aprender a ler e a interpretar as Sagradas Escrituras ... Oh, será que Jesus chegava a pensar: Hum ... isto parece-me familiar... sim, acho que fui Eu que fiz e disse isto tudo  

 

Penso em Maria, como esposa e mãe, exercendo na perfeição todas as facetas do «génio feminino» que o Santo Papa João Paulo II nos ensinaria tantos séculos mais tarde ... Maria a lavar e a estender a roupa, a limpar a casa, a fazer as refeições, a ir buscar água aos poços e cisternas, enquanto cantava continuamente todas as maravilhas que o Senhor fez ...

Sabem, desde que me tornei catequista, dou por mim muitas vezes a imaginar (e a tentar inspirar-me) acerca de como é que Maria ensinaria e cativaria todas as meninas e meninos com os quais contactasse, ao longo da sua vida, acerca do amor, da misericórdia e da justiça de Deus ... (tento, mas garanto-vos que falho redondamente a tentar fazer o mesmo! )

 

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Durante muito tempo pensei que Maria e José tivessem dedicado as suas vidas, em exclusividade, um ao outro e a Jesus, depois de casarem. Que todas as outras facetas anteriores das suas vidas - restante família, profissão, actividades na comunidade, amizades e tarefas - tivessem sido completamente abandonadas e esquecidas e postas de parte, para que tudo girasse apenas à volta de Jesus ... o que é, bem, em parte verdade. 

Mas apenas em parte verdade. Graças aos ensinamentos das Famílias de Caná, percebi que a Sagrada Família, protótipo perfeito das Famílias-Cântaro a que somos chamados a ser, não só não terá renunciado às diversas tarefas e funções que anteriormente possuía, como as deverá ter, sim, abraçado e dedicado ainda mais intensamente, com ainda mais amor, auto-doação e sacrifício! 

Sim, claro que sim! Claro que tanto Maria como José se terão disponibilizado para servir ainda mais cada elemento das suas comunidades e das suas famílias; claro que se terão dedicado com ainda mais fervor e amor às suas profissões e tarefas; claro que terão crescido ainda mais em generosidade; claro que terão aberto as portas (e as janelas e o telhado!) da sua casa a todos os que precisassem, ou duma simples palavra amiga e dum sorriso, ou duma fatia de pão com doce de tâmaras, ou dum colo e ombro amigo para chorar, ou duma cama para passar a noite; claro que raramente haveria apenas 3 pratos e 3 copos e 3 talheres na mesa da Sagrada Família, mas sim sempre mais, sempre espaço e comida e amor para mais um (ou dois ou três ou mais!), por mais tarde que chegassem; claro que se terão oferecido e dedicado e gasto mais e mais e mais, depois da chegada de Jesus às suas vidas ...

Oh, que o mesmo aconteça na minha vida também!...

 

O nosso autocarro está quase a chegar a um dos locais que eu mais desejava ver e tocar, sentir e estar, como Jesus tantas e tantas vezes o fez - o Mar das Tiberíadas, o Mar da Galileia - oh, ei-lo em toda a sua beleza, bem aqui à nossa espera ... 

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  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O que terá feito Maria (e José) ao longo do primeiro Advento da História?

O Advento está aí à porta!

Preparemos os nossos corações, com a maravilhosa ajuda de um dos melhores vídeos de oração e meditação em preparação para o Advento, que eu alguma vez tive a oportunidade de vivenciar.

Não encontro palavras para vos recomendar este vídeo - mudará certamente a vossa percepção do primeiro Advento e de todos os eventos que ocorreram ao longo desse tempo de preparação para a chegada do nosso Salvador! 

 

 Um Santo Advento para todos! 

Uma Festa de Catequese Mariana ...

... ou sugestão de Festa da Catequese para celebrar o próximo dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição - se a meteorologia assim o permitir! 

 

Ora, hoje gostava de partilhar convosco a nossa Festa de início de ano da Catequese (bem atrasada, eu sei!).

Estávamos no início do mês de Outubro, num belíssimo dia de sol e portanto pudemos, pela graça de Deus, realizar a nossa grande festa, que envolveu todos os volumes de catequese (eram mais de 100 crianças e jovens!), no descampado à frente da nossa paróquia. Que bênção tem sido aquele descampado!...

Escolhemos como dia para a Festa o sábado, dia 13 de Outubro e, por isso, claro que o tema da nossa Festa só podia ser Nossa Senhora .... assim, eis como fizemos a nossa Festa Mariana:

 

Criámos 5 equipas constituídas da seguinte maneira:

  • O 1º ano com o 10º ano
  • O 2º ano com o 9º ano
  • O 3º ano com o 8º ano
  • O 4º ano com o 7º ano
  • E o 5º ano com o 6º ano

 

Criámos 5 estações, cada uma representando um Mistério Gozoso do santo Terço (visto que a Festa foi num sábado), e tentámos ir explicando os Mistérios às crianças e jovens com o auxílio de pequenas reflexões e de jogos divertidos. Nada como associar oração + alegria + convívio para fazer feliz a nossa grande Mãe!

 

Além disso, o mês de Outubro é especialmente dedicado à oração por intercessão de todas as missões e vocações no mundo e nós tentámos também incluir esse tema na nossa Festa - incentivando-os a rezarem por todos os meninos e meninas espalhados pelos cinco continentes do mundo!

Uma estação era verde e lembrava-nos de rezar pelas pessoas que vivem em África; outra estação era vermelha e lembrava-nos da América; outra estação era branca e representava a nossa Europa; outra estação era azul e fazia-nos lembrar a Oceânia e, por fim, uma estação amarela a representar o continente Asiático.

 

 

Entrada da Festa

O lema da nossa Festa foi escolhido do Evangelho de São João, do episódio das Bodas de Caná, onde Maria, como sábia mãe, nos diz:

Fazei tudo o que Ele vos disser!

 

Usámos um velho lençol branco, fizemos letras em cartolina colorida e prendemo-las com alfinetes de dama e cola ao lençol. Depois atámos os quatro cantos do lençol com fio de lã à porta principal do descampado.

Também vos apetece participar na nossa Festa?

 

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Todas as fotos que possuo da nossa Festa foram tiradas pela catequista Lourdes Messias

e gentilmente cedidas para partilhar convosco neste blog.

 

A imagem de Nossa Senhora que nos acompanhou durante a Festa foi a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Porquê? Ora, porque, por um lado, a festa de Nossa Senhora Aparecida tinha sido uns dias antes desta nossa Festa; por outro lado, um dos nossos padres é originário do Brasil; e, por fim, pareceu-nos ser a imagem mais apropriada para representar a multiculturalidade que pretendíamos difundir na nossa Festa.

 

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Juntos rezamos por todos os meninos e meninas do Mundo!

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Todas as imagens utilizadas na nossa Festa foram retiradas do site da Tia Paula.

Podem fazer o download desta imagem aqui

 

Agora, os guiões que acompanhavam cada estação ...

 

1ª Estação - 1º Mistério Gozoso - O Anjo anuncia que Jesus nascerá através de Maria

 

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Podem fazer o download da imagem desta estação (adaptada ao português) aqui

 

O Anjo Gabriel disse a Maria: “Alegra-te, ó cheia de graça! Deus ama-te muito e escolheu-te para seres a Mãe de Jesus, o nosso Salvador!” Respondeu-lhe Maria: “Eu entrego a Deus a minha vida e o meu coração. Que se faça em mim tudo o que Deus deseja!”

 

Á semelhança de Maria, também nós somos convidados a dizer "Sim!" a Deus e viver na alegria de sabermos que somos amados por Ele. Assim, devemos tentar sempre pôr em prática nas nossas vidas os ensinamentos de Jesus, para a nossa própria felicidade eterna!

Rezar não é como usar uma varinha mágica. A oração requer empenho, constância e determinação!

Vamos participar num jogo em que todos vamos ser vencedores… Vamos, em grupo, tentar colocar por ordem as diversas orações que fazem parte do Terço (Pai Nosso, Avé Maria e Glória). Tenho o cronómetro na mão ... 1,2,3 ... vamos começar!!

 

Jogo: puzzle do Pai Nosso (download aqui), Avé Maria (download aqui) e Glória (download aqui).

Basta imprimirem em papel colorido (eu escolhi papel verde, amarelo, azul, laranja e cor de rosa), recortar as peças (e se quiserem, plastificar, para durar mais tempo), baralha-las e jogar! Podem começar por jogar só com um "baralho" (uma oração para colocar por ordem) e ir aumentando a dificuldade do jogo ao adicionar duas ou até três orações! Pode ser jogado num grupo de catequese ou mesmo em casa em família. 

 

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2ª Estação - 2º Mistério Gozoso - Maria visita a sua prima Isabel

 

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Podem fazer o download da imagem desta estação (adaptada ao português) aqui

 

Logo após ter falado com o Anjo, Maria apressou-se a ir visitar a sua prima Isabel, que estava grávida com João Baptista, a fim de a ajudar. Mal se saudaram, o bebé de Isabel saltou de alegria por saber que no ventre de Maria já se encontrava Jesus, o Filho de Deus.

 

Seguindo o exemplo de Nossa Senhora, aprendemos a descobrir a alegria de servir os nossos irmãos e a oferecer-nos sem medida. Tal como Maria, também nós devemos ter pressa em partilhar o amor de Jesus com todos os nossos amigos e ajudar quem mais necessita, com carinho e alegria. Afinal, onde está Jesus, a alegria surge e torna-se contagiosa!

Nesta 2ª estação, vamos jogar um jogo onde podemos experimentar com (bastante!) alegria como é levar Jesus aos outros. Preparados? Liguem a música!

 

Jogo: da lagarta dançante

Escolhemos a música e coreografia da dança do pinguim ... e acreditem, esta tornou-se na estação que os meninos (e os graúdos!) mais gostaram! Primeiro rimo-nos uns dos outros ao tentar decorar a coreografia (e todos os erros associados) e depois dançámos e dançámos e dançámos até já a festa ter terminado! A alegria desta estação era muito contagiante! Experimentem aí em casa só uma vez e vão ver!

 

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3ª Estação - 3º Mistério Gozoso - O nascimento de Jesus em Belém

 

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Podem fazer o download da imagem desta estação (adaptada ao português) aqui

 

Jesus nasceu em Belém e Maria colocou-O sobre as palhas duma manjedoura, porque ninguém O queria receber nas suas casas. Um dia, vieram visitá-lo uns pobres pastores de ovelhas e depois os reis magos, que Lhe trouxeram tudo o que de melhor possuíam e todos O adoraram.

 

O nascimento de Jesus foi um evento tão, tão, tão importante para todo o mundo, que levou até à divisão do tempo. O nascimento de Jesus mudou a História da humanidade, de uma forma irreversível e permanente. E por isso, contamos os anos como Antes (A.C.) e Depois (D.C.) do nascimento de Cristo.

Vamos jogar um jogo que nos ajuda a perceber essa mesma mensagem - o jogo da corda!

 

Jogo: da corda

Um jogo bem velhinho mas tão bom, tão bom, que não o podiamos deixar de incluir! Prendemos um lenço vermelho no meio duma corda comprida. Imprimimos e prendemos também uma imagem do nascimento de Jesus e fizémos duas equipas, cada uma do seu lado da corda. Eu nem queria acreditar quando vi os meus meninos a agarrarem-se e a puxarem pela ponta da corda como se não houvesse amanhã ... foi um jogo tão renhido! E quem ganhou? Jesus e todos nós, pois claro!

 

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4ª Estação - 4º Mistério Gozoso - Maria e José levam Jesus ao Templo

 

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Podem fazer o download da imagem desta estação (adaptada ao português) aqui

 

Jesus ainda era pequenino quando Maria e José O levaram ao Templo. Ali rezaram, cantaram e agradeceram a Deus pelas maravilhas que Ele fez, pelo dom da vida de Jesus e pela salvação que Ele nos vinha oferecer.

 

Como Maria e José, também nós queremos, em família, ir à casa de Deus! Também nós queremos ir à Missa, rezar, cantar, agradecer e receber Jesus na Eucaristia.... por mais dificuldades que encontremos no caminho!

Assim, vamos agora empenhar-nos numa tarefa difícil: vamos tentar transportar estas bolas (que simbolizam a nossa Fé) dentro destas colheres até ao nosso destino. Será que conseguimos?

 

Jogo: dos ovos/bolas nas colheres, em estafetas.

Outro jogo bem velhinho que não podia faltar! Formámos 4 equipas (em estafetas) que tinham que transportar pequenas bolas dentro de colheres presas entre os dentes, desde a linha de partida até a um cesto, a alguns metros de distância.... Não correu assim muito bem, a maior parte das bolas caia das colheres a meio do percurso ... era do vento! diziam-me os meninos ... pois claro, do vento, não da falta de jeito e prática ... 

 

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5ª Estação - 5º Mistério Gozoso - Maria e José reencontram Jesus

 

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Podem fazer o download da imagem desta estação (adaptada ao português) aqui

 

Jesus tinha 12 anos quando, um dia, Maria e José não sabiam onde O encontrar. Tinham-n’O perdido! Procuram-n’O durante 3 dias e foram encontrá-Lo no Templo do Senhor, a rezar e a ensinar. Voltaram juntos para casa e Jesus cresceu e aprendeu a ser obediente aos pais.

 

Como Jesus, também nós queremos ser obedientes e seguir o caminho do Senhor. Maria e José, se eu também me perder, tragam-me de novo até Deus!

A nossa tarefa nesta estação é muito simples (ou assim parece!): basta levarmos esta água (que representa o nosso Baptismo como filhos de Deus) a bom porto ... se conseguirem!

 

Jogo: do copo furado (em estafetas)

Para terminar, nada como um joguinho matreiro (a vida é assim!). Os meninos acharam que esta estação ia ser bastante fácil. Foram divididos em equipas. Só temos de levar um copo de água da linha de partida até ali ao balde? Oh, isso é fácil! .... o que eles não contavam era que os copos estavam furados (a vida também é assim!) e que a água ia saindo por esses buraquinhos. Como é que eu sabia que eles estavam furados? Chiuuu, não digam a ninguém que fui eu que furei os copos, okay? 

 

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Final da Festa

No final desta nossa Festa, após termos todos passado pelas cinco estações, reunimo-nos e rezámos uma dezena do Terço (os meninos mais novos adoraram contar as Avés Marias pelos dedos!) e uma Salvé Rainha: em intercessão por cada um de nós ao longo deste ano, pela nossa paróquia, pelos nossos padres, por todas as missões de evangelização no mundo, e por todos os meninos e meninas dos cinco continentes.

 

Como recordação desta Festa, oferecemos a cada participante uma pequena pagela com a oração Salvé Regina (download aqui - basta imprimir, frente e verso, e recortar).

 

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Esta festa é facilmente adaptável a qualquer data de celebração Mariana (como o próximo sábado, dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição) ou a outra actividade catequética. Que vos parece? Experimentem e depois partilhem como correu! 

Uma Rainha diferente de todas as outras

Por causa do recente casamento real britânico, durante várias semanas (ou melhor durante meses!) quase toda a gente andou a falar de reis e rainhas, príncipes e princesas, e a discutir como seriam as suas vidas....

Como deve ser a educação duma princesa, duma futura, possível rainha?

O que deve saber, o que deve fazer, como se deve vestir, como deve falar?

Ninguém duvida que para se ser princesa ou rainha é necessária uma esmerada preparação; afinal, é um cargo de tanta importância e impacto....

 

Domingo, oração do Santo Terço.

Mistérios Gloriosos: 5° Mistério, a coroação de Nossa Senhora como Rainha do céu e da terra.....

Pai Nosso, que estais nos Céus ....

Meu Deus, que diferença tão grande! A diferença não podia ser maior!

Como a vida, a história e a pessoa de Nossa Senhora é imensamente diferente da das outras rainhas deste mundo...

 

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Avé Maria, cheia de graça ... 

Maria nasceu numa família pobre e humilde, longe de qualquer realeza ou regalias... 

Viveu grande parte da sua vida numa pequena aldeia, na escondida e esquecida Galileia ....

Segundo a Tradição da Igreja, terá recebido alguma forma de educação no Templo de Jerusalém, mas não consigo deixar de pensar que muito mais terá ela aprendido ao lado das outras mulheres simples, comuns judias, mães de famílias numerosas, que trabalhavam de sol a sol ... e não de professoras de etiqueta...

Maria terá planeado na sua juventude uma vida de serviço, consagrada unicamente a Deus ... muito longe da vida rodeada de repórteres, de curiosos e de bajuladores que a realeza deste mundo tem de viver ... 

Mas, ainda assim, Maria aceitou livremente, cheia de amor e graça, a mudança radical de vida que Deus lhe propôs, sem deixar que o medo do futuro desconhecido a dominasse um só segundo ...

A vida simples de ser esposa dum mero carpinteiro, cheia de pequenas santificações e renúncias no dia a dia, sem criados à sua volta para fazer tudo e mais alguma coisa ...

Maria que, nem sequer grávida de termo, em pleno trabalho de parto, ninguém aceitava receber nas suas casas e nos seus corações ....

Nossa Senhora que conheceu a dor de ter um esposo que, se mo permitirem dizer assim, chegou a ponderar o divórcio ... que conheceu a dor da viuvez e a dor de ver o seu único filho morrer... 

Nunca houve na sua vida nada semelhante a uma tiara de diamantes ... mas apenas uma coroa de espinhos e um coração transpassado ...

Uma Rainha, que nunca sonhou, nunca imaginou ser uma. Uma Rainha apenas coroada, com uma coroa de estrelas, após a sua morte, após ter sido levada pelos Anjos em corpo e em espírito até ao Céu ...

E assim 10 Avés-Marias ...

 

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo ...

E, apesar de ter sido coroada Rainha, ainda assim é a primeira a estender os braços a qualquer pobre e imundo pecador que lhe peça auxílio e intercessão, está sempre acessível para nos ouvir e ajudar em qualquer instante, está sempre pronta para ser nossa Mãe. 

 

Não temos só uma maravilhosa e extraordinária Rainha no Céu a rogar por nós, temos uma Mãe! 

Salvé Rainha, Mãe de misericórdia ... 

Quantos quilómetros andaram Maria e Jesus ao longo das suas vidas?

É engraçado que eu tenha passado da "menina com medo de conduzir" para aquela que mais quilómetros faz de carro por dia aqui em casa. Há 2 anos que faço (e continuarei a fazer este ano também) quase 80 km por dia, cerca de 1 hora e meia a conduzir, para ir e vir do Hospital de Setúbal. Deus é realmente curioso ...

Mas, se ao início custava um pouquinho - tanto tempo, tantos quilómetros, tantos carros, tanto trânsito, tanta confusão - hoje, já quase nem dou pelo tempo passar e Setúbal parece que é já ali. E, além disso, passar tanto tempo sozinha, dá-me a oportunidade de rezar o Terço no caminho para o trabalho e de fazer muitas outras orações e meditações no caminho de volta para casa. Que bênção tem sido!

 

Um dia destes, ao meditar no 2º Mistério Gozoso - a visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel - dei comigo a pensar quantos quilómetros seriam e quanto tempo demoraria a ir de Nazaré, da casa de Maria, até Jerusalém (onde algures seria a casa de Isabel). E este pensamento depressa escalou - quantos quilómetros seriam de Belém a Jerusalém, e daí ao Egipto .... quanto tempo demoraria? e... 

 

Claro que fui procurar respostas na internet na primeira oportunidade que tive!

Encontrei um óptimo artigo - em inglês, escrito por um pastor protestante que aparentemente dedicou a sua vida a percorrer o globo inteiro, a pé, de terra em terra, de país em país, a fim de propagar a mensagem do Evangelho. Ainda assim, é um artigo que eu recomendo todos a lerem - é muito comprido, é verdade, mas ensina-nos muitas coisas acerca de como era a vida no tempo de Jesus, em especial, acerca das suas deslocações e das suas viagens.

É com base neste artigo que escrevo o texto de hoje (principalmente para saber as distâncias entre as cidades). É preciso ter em atenção que o autor desse artigo é Protestante e que, portanto, os seus cálculos e informações não têm em conta aquilo que a Tradição da Igreja Católica nos transmite que realmente aconteceu (que eu explicarei mais à frente).

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Imagem retirada daqui

 

O meio de transporte mais usado no tempo de Jesus era, admirem-se, andar a pé!

Quem podia, viajava sobre um burro ou usava uma carroça para transportar cargas mais pesadas, mas a maior parte das viagens, e pensando especialmente no caso da Sagrada Família, eram feitas a pé. Naquela altura, os romanos ainda não tinham construído muitas estradas em Israel e assim, a maior parte dos caminhos ainda eram muito rudes e agrestes. Um percurso entre Nazaré e Belém envolvia passar por zonas montanhosas, vales, rios, zonas de deserto e até regiões mais selvagens e com poucas casas. Imaginem dias e dias a andar, sob diversas temperaturas - muito calor durante o dia e frio durante a noite. Imaginem a poeira e a sujidade. Imaginem o cansaço.... É verdade, existiam pousadas e outros locais, como celeiros e grutas, que se podiam alugar para passar a noite - mas nas zonas mais desertas, às vezes a única hipótese era montar uma tenda ou dormir ao relento. Também não havia casas de banho, nem banheiras para tomar um banho quentinho, nem restaurantes com a comida pronta. E os perigos eram abundantes, desde animais selvagens a ladrões escondidos ao longo do caminho. Eram dias difíceis na estrada, e uma viagem nunca era encarada de ânimo leve ...

 

Proponho-vos tentarmos fazer uma estimativa de quantas viagens e de quantos quilómetros percorreram Nossa Senhora e Jesus ao longo das suas vidas, com base nas informações que a Bíblia nos fornece, associadas às da Tradição da Igreja Católica (e por causa deste ponto, os meus cálculos vão ser diferentes dos cálculos do artigo que vos mencionei). Comecemos com Nossa Senhora!

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Mapa de Israel no tempo de Jesus - eu sinalizei a amarelo os locais das cidades mais importantes para os nossos cálculos.

É um óptimo mapa, aproveitem-no para localizarem outras cidades por onde Jesus passou - Caná, Bethsaida, Cesareia ...

 

Quanto andou Nossa Senhora ao longo da sua vida?

 

Maria terá nascido em Nazaré e, segundo a Tradição, terá sido entregue ao Templo de Jerusalém por volta dos 2-3 anos idade. Sendo ainda tão pequena, vou supor que alguém, a mãe ou o pai, a terá levado ao colo na maior parte da viagem, e portanto não vou incluir esta primeira viagem nos meus cálculos.

Maria terá ficado a viver no Templo de Jerusalém até aos seus 14-15 anos, altura em que terá voltado para Nazaré, tendo ficado noiva de São José. São Lucas diz-nos explicitamente que a anunciação do anjo Gabriel a Nossa Senhora ocorreu em Nazaré (Lc 1,26-27) - uma pequena cidade no norte de Israel, na região da Galileia, como podem observar no mapa. Uma viagem de Jerusalém até Nazaré (como vou explicar mais à frente) são cerca de 190 km. Considerando que uma pessoa possa andar cerca de 30km por dia, uma viagem de Jerusalém a Nazaré constituía cerca de 5-6 dias de viagem.

Logo após a Anunciação, Nossa Senhora parte, já grávida, em viagem até à casa da sua prima Isabel, a poucos quilómetros a sul da cidade de Jerusalém. Esta viagem de ida e volta até à casa de Isabel e Zacarias são cerca 390km (um total de 13 dias de viagem).

Já casada com São José, grávida de Jesus, Maria viaja novamente até Belém, para o recenseamento romano. De Nazaré até Belém são cerca de 210km. Ou seja, sabemos que Nossa Senhora andou, pelo menos, 600km grávida! Absolutamente impressionante .... 

Maria e José terão ficado a viver em Belém durante algum tempo após o nascimento de Jesus, mas foram até Jerusalém uma vez para a apresentação do Menino no Templo e uma segunda vez, 40 dias depois do parto, para a purificação ritual de Maria - o que constitui 4 viagens de 10 km, ou seja, mais 40km.

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 Imagem retirada daqui

De Belém, após um sonho de São José, partiram com o Menino para o Egipto - numa viagem de, pelo menos, 563km, ou seja, quase 19 dias até chegarem ao Egipto. Por aí ficaram a viver, escondidos, até ao dia em que José teve um novo sonho e finalmente puderam voltar para casa, em Nazaré. Do Egipto até Nazaré, utilizando a estrada mais curta, que segue o mar Mediterrâneo, são pelo menos 645 km, ou seja, quase 22 dias a caminhar com a "casa às costas"!

Tentam retomar a sua vida em Nazaré, tendo Jesus cerca de 3-5 anos. Maria viverá em Nazaré, pelo menos, até aos 30 anos de Jesus, quando Ele começa a pregar acerca do Reino de Deus.

O livro do Êxodo indica claramente que:

"Todos os homens deverão apresentar-se três vezes por ano, diante do Senhor, Deus de Israel." Êxodo 34,23

Ou seja, qualquer judeu devoto ía, pelo menos, três vezes por ano a Jerusalém, ao Templo do Senhor, celebrar as 3 maiores festas judaicas - a Páscoa, a Festa das Semanas e a Festa das Tendas ou dos Tabernáculos. Apesar disso, sabe-se que as famílias que viviam mais longe de Jerusalém, como poderá ter sido o caso da Sagrada Família em Nazaré (a quase 200km de Jerusalém), iam até ao Templo apenas na Páscoa (a celebração mais importante do ano inteiro). 

Assim, Maria terá acompanhado São José e Jesus, pelo menos, uma vez por ano até Jerusalém, ou seja, 386km de ida e volta durante 25 a 27 anos, o que dá um total de cerca 10.000km.

Durante os 3 anos do ministério de Jesus, Maria tê-lo-á acompanhado a Jerusalém todos os anos, sendo que na 3ª e última vez, Jesus foi crucificado (ou seja, 2 viagens de ida e volta de Jerusalém + 1 ida a Jerusalém = 965km). Também sabemos que Maria estava presente nas bodas de Caná (ida e volta de Nazaré a Caná são cerca de 19 km). E sabemos também que Maria esteve presente, pelo menos uma vez, em Cafarnaum (ida e volta de Nazaré a Cafarnaum são cerca 96km).

 

Tudo isto somado, dá um total de, pelo menos, 13.118km percorridos ao longo de 47 anos de vida de Nossa Senhora (até à morte de Jesus), ou seja, mais de 437 dias em viagem (o que constitui 1 ano e 2 meses).

 

Impressionante não?

Agora passemos a Jesus.

 

Quanto andou Jesus ao longo da sua vida?

 

Jesus era muito pequeno na altura da fuga de São José e de Nossa Senhora para o Egipto. Assim, começo os meus cálculos pela viagem de volta do Egipto até Nazaré, altura em que Jesus já teria entre 3 e 5 anos, e portanto, faria a maior parte da viagem a pé (pelo menos 645 km, ou seja, quase 22 dias na estrada).

Vou considerar que Jesus terá acompanhado São José nas três idas por ano ao Templo de Jerusalém, como o livro do Êxodo diz. Ou seja, até aos 30 anos de vida, Jesus terá realizado, pelo menos, 30.000km (só em viagens de ida e volta de Jerusalém) ou seja, cerca de 1.000 dias a caminhar. 

Um pormenor importante é que a distância exacta, em linha recta, entre Cafarnaum, Nazaré e Jerusalém são cerca de 144km. Contudo, para fazerem essa viagem, os judeus teriam de atravessar o território da Samaria; como havia uma rivalidade com os samaritanos, os judeus da Galileia seguiam sempre um percurso que contornava a Samaria. Além disso, este percurso, apesar de mais longo (193km), era mais fácil de atravessar (não era por terrenos tão montanhosos como seria pela Samaria) e era o que a maior parte dos judeus seguia. Eu assinalei-o no mapa para compreenderem melhor:

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 Mapa de Israel no tempo de Jesus (adaptado)

Durante os 3 anos do Ministério de Jesus, o Evangelho de São João indica-nos que Jesus esteve em Jerusalém:

  • pelo menos uma vez, para a Festa das Tendas (Jo 7,2)
  • pelo menos uma vez, na Festa da Dedicação do Templo (Jo 10,22)
  • pelo menos três vezes durante a Páscoa dos judeus (Jo 2,13 e 5,1 e 12,12)

O que dá um total de, pelo menos, cinco viagens da Galileia a Jerusalém durante esses 3 anos (3.669km). Se considerarmos ainda as outras viagens que nos são relatadas nos Evangelhos, por exemplo, as bodas em Caná, o baptismo no rio Jordão, a estadia em Cafarnaum na casa de Pedro .... totaliza-se (segundo o artigo que vos mencionei) 5.029km durante esses 3 anos de pregação (168 dias em viagem).

 

Tudo isto somado, dá um total de, pelo menos, 34.640km percorridos ao longo dos 33 anos de vida de Jesus, ou seja, mais de 1.155 dias em viagem (o que constitui mais de 3 anos e 2 meses).

 

Ainda mais impressionante, não é?

Não há um dia que passe, sem eu me admirar e espantar mais e mais, acerca de Jesus e da sua família!

 

Acho que não voltarei a refilar acerca das minhas inúmeras viagens, no conforto do meu querido carrinho ...  

 

Este texto não pretende ser um artigo científico, nem um estudo exacto - eu quis apenas fazer uma estimativa acerca de quantos quilómetros fizeram cada elemento da Sagrada Família e de quantos dias em viagem que passaram, a fim de compreender melhor as suas vidas...

Imprevistos, previstos por Deus

Os Evangelhos não nos explicam os motivos que levaram Nossa Senhora a acompanhar S. José até Belém para o recenseamento - tal como escrevi numa reflexão há dois anos atrás

 

Mais de 200km separam Nazaré de Belém. Os caminhos são rudes, por vezes muito difíceis de passar e sempre cercados de perigos. Mesmo que, segundo a Tradição, Nossa Senhora tenha feito esse caminho no dorso dum burrinho, não deixa, contudo, de ser uma dura viagem de quatro a cinco dias... Com comida simples e frugal, com algumas noites passadas ao relento, deitados no chão, quando passavam por zonas pouco habitadas...

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Imagem retirada daqui

 

A Igreja ensina-nos que uma das melhores formas de contemplarmos e de meditarmos acerca da vida de Jesus é imaginar que somos nós a viver aquelas situações relatadas - se fossemos nós, como reagiriamos? como teriamos falado? como teriamos agido? como teria sido, se fossemos nós?

 

Este tipo de pensamentos, para mim, "dá-me sempre pano para mangas" .... dá-me sempre para dias e dias de meditação - porque eu teria agido sempre duma maneira completamente diferente da que aparece nos Evangelhos. Eu e a minha natureza pecadora....

 

Por exemplo, eu facilmente manifesto frustração perante situações, por mais pequenas que sejam, em que ocorre algo que eu não tinha previsto. Ou seja, quando as coisas não acontecem à minha maneira, como eu queria, como eu tinha imaginado, como eu me tinha preparado - quando me vejo com problemas inesperados.... o resultado não costuma ser bom nem bonito. Zango-me, chateio-me, fico logo de mau humor e pobre coitado do primeiro que me aparece à frente... Há anos que tento mudar este traço horrível da minha personalidade, e ele tem vindo a suavizar-se, sem dúvida, pela graça de Deus, mas ainda continua muito vincado.

 

Este Advento dei por mim a reflectir numa enormíssima e bela virtude de Nossa Senhora (e de São José também) - a capacidade de aceitar os "imprevistos" enviados por Deus.... uma virtude que eu claramente não possuo. 

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Esta virtude aparece em todos os relatos que envolvem a Santíssima Virgem - ela esteve sempre disposta a aceitar todos os "imprevistos", previstos por Deus. Não apenas aceitar, mas inclusive abraçar estes imprevistos - o anjo Gabriel que aparece e que lhe faz uma proposta que muda toda a sua vida; a admirável notícia da gravidez de Isabel; o surgir do recenseamento e a viagem até Belém; a ausência dum lugar para ficarem; o parto num estábulo; os pastores que os descobrem e vêm visitar; os magos que vieram de longe e que trazem presentes tão estranhos; a fuga à pressa para o Egipto; a estadia num país diferente; a viagem de volta para Nazaré; a perda e o reencontro do Menino no Templo; o vinho que falta nas Bodas de Caná .... 

 

Em todos os momentos, em todas as situações, por mais caricatas ou perigosas ou estranhas ou incompreensíveis - sempre:

Seja feita a Vossa vontade.

 

Imagem retirada do Pinterest

 

Ou nas palavras da nossa querida Chiara 'Luce' Badano - Tu queres Jesus? Então eu também quero. 

 

Não existe nenhuma situação "imprevista", que não tenha sido prevista por Deus. Eu posso ser apanhada desprevenida - mas Deus nunca. A maior parte dos imprevistos, dou por mim a pensar, talvez até sejam desejados por Deus que ocorram: para que eu exercite paciência e obediência, para que eu aprenda a confiar n'Ele, para que a minha Fé cresça...

 

Que Nossa Senhora nos dê a graça de sermos cada vez mais parecidos com ela!

 

P.s: Antes que eu me volte a esquecer - este ano, eu voltei a criar um calendário mensal católico para 2018. Podem fazer o download grátis, aqui ou então aqui. Podem imprimi-lo à vontade, e podem partilhá-lo com quem quiserem. Só vos peço que, ao fazerem o download, rezem uma Avé Maria por mim, por favor. Que Deus vos abençoe!