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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Deixemos os nossos ídolos e voltemos para o Senhor

Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: «Vamos! Façamos para nós um deus que caminhe à nossa frente, pois a Moisés, esse homem que nos persuadiu a sair do Egipto, não sabemos o que lhe terá acontecido.» Aarão respondeu-lhes: «Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas.» Eles tiraram as argolas que tinham nas orelhas e levaram-nas a Aarão. 

Recebeu-as das mãos deles, deitou-as num molde e fez um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: «Israel, aqui tens o teu deus, aquele que te fez sair do Egipto» Vendo isso, Aarão construiu um altar diante do ídolo, e disse em voz alta: «Amanhã haverá festa em honra do Senhor.» No dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir. (Ex 32, 1-6)

De quantas formas diferentes este episódio poderia ser reescrito, com base em circunstâncias da minha vida? Poderia começar assim: "Vendo que o Senhor Se demorava a cumprir uma das Suas promessas, a impaciente Marisa, em vez de aguardar fielmente até que chegasse o momento certo e adequado, preparado com todo o carinho por Deus, reuniu todos os seus desejos e anseios, e disse: 'Vamos! Farei para mim um ídolo que caminhe à minha frente, que eu veja e toque, no qual eu possa mandar e assim fazer tudo consoante a minha vontade ..."

 

Conforta-me saber que não é só na minha vida que acontecem estes momentos de impaciência, de insegurança, de dúvida, de esquecimento das promessas do Senhor, de falta de Fé. A Fé, que é uma «resposta ao chamamento do Senhor», mas também um «exercício de memória», como explorámos num post anterior. O povo de Israel também caiu muitas vezes, como eu, na tentação da desconfiança das promessas do Senhor. E é nessas alturas que surge algo que é absolutamente contrário à Fé: a idolatria

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Imagem retirada daqui

Algo está a acontecer, Moisés avisou-os de que o Senhor o tinha chamado a subir até ao topo do Monte Sinai, para lhe falar e ensinar as leis e os mandamentos, que trariam vida e paz a todo o povo no seu futuro na Terra Prometida. O povo a nuvem que passa a cobrir a montanha, Aarão vê a imagem do fogo no topo do Monte. Todos sabem que algo está a acontecer, naquele preciso momento das suas vidas, que Deus está a agir, que não está adormecido, nem Se esqueceu deles nem está ocupado com outra coisa... 

E ainda assim, durante o período de quarenta dias e quarenta noites que "Moisés fica a falar com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do Rosto Divino escondido, não suporta o tempo de espera". Com o passar do tempo, esquecem-se das promessas do Deus fiel, deixam que a dúvida e a suspeita comecem a entrar por entre brechas dos seus corações, como aconteceu com Adão e Eva no Éden, e tornam-se assim inseguros e impacientes. Da insegurança ao medo, acerca do presente e do futuro, é um saltinho. E o sentir medo aterroriza-os, porque leva-os a pensar e a reflectir, e sem a luz da Fé tudo parece tenebroso e incerto. Então o que fazem? Procuram a todo o custo "fazer festa", "comer e beber", "divertir-se", entreter-se, encher-se de outras coisas, para não terem que lidar com a realidade que vivem ... 

 

"Por sua natureza, a Fé pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer". É um convite ao respeito "pelo mistério próprio de um Rosto que Se pretende revelar", sim, mas apenas "no momento mais oportuno". Não conseguindo suportar este "ainda não" da parte do Senhor, o povo israelita procura não só anestesiar-se e embriagar-se com divertimentos e prazeres, mas também escolhe "adorar um ídolo cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida" porque foi feito pelas suas próprias mãos e à sua própria imagem. 

Aliás, "diante deste ídolo, não se corre o risco de uma possível chamada" que os "faça sair" do seu conforto e segurança. Na verdade, a desconfiança, as dúvidas, o medo, a falta de Fé deste povo é de tal modo que, para o fabrico deste ídolo, eles aceitam até que lhes seja "tirada" as suas posses e bens, aceitam que os seus tesouros, que eram únicos e irrepetíveis, exclusivos de cada um, sejam conjuntamente despejados num molde uniforme, perdendo assim a sua originalidade e singularidade. Porque, um ídolo "é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade", para a "adoração da obra das próprias mãos". E assim constroem altares para exaltarem a atenção própria, a exigência das suas "necessidades" e "direitos", o louvor do amor próprio...

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Imagem retirada daqui

Chama-me particularmente à atenção que o povo hebraico tenha caído neste pecado da idolatria exactamente quando já faltava tão pouco tempo para que a sua espera terminasse. Moisés já estava a caminho, já estava a preparar-se para começar a descer a montanha, e trazer-lhes as tábuas da salvação, que lhes indicaria o caminho e lhes garantiria um futuro feliz. Eles já se tinham esforçado e lutado, contra as tentações, durante tanto tempo de espera - estava quase, tão quase, só faltava um bocadinho mais ... Ah, como sou parecida com o povo hebreu.

 

Assim, "perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos". Fragmenta-se, desintegra-se. Por isso, "a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas, que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto". Deste modo, quem escolhe não "confiar-se a Deus", terá de ouvir "as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: «Confia-te a mim!»" Ininterruptamente, infindavelmente ... 

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Imagem retirada daqui

Então, o que poderemos fazer? Escolher a Fé. "A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal". Voltemos. Façamos memória, do passado e do futuro, e acreditemos "na Sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história". Deixemo-nos "incessantemente transformar" ao passo do chamamento do Senhor, que nos convida a sair do nosso egoísmo e do nosso pecado, para nos encontrar-nos com Ele. E, deste modo, iremos descobrir que, "paradoxalmente, é neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura, que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos."

Canção da inspiradora Audrey Assad - "You speak"

 

Post escrito com eenxertos da maravilhosa Carta Apóstólica Lumen FideiLuz da Fé, 

escrita pelo Papa Bento XVI e pelo Papa Francisco, publicada em 2013, 13º ponto.

A divisão das águas e a travessia da terra seca (o 3º dia da Criação)

Primeiro trevas, depois uma luz brilhante proveniente do Senhor, o sopro do vento sobre as águas, a terra seca a surgir enquanto as águas se separam ... Estarei eu a falar do 3º dia da Criação, ou do episódio da divisão do Mar Vermelho? 

Bem, de ambos, na verdade.

Deus disse: «Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus, num único lugar, a fim de aparecer a terra seca.» E assim aconteceu. Deus chamou terra à parte sólida, e mar, ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom. (Gn 1,9-10)

A imagem da divisão das águas - que representava o local do julgamento e da morte do homem - e do surgimento da terra seca - local seguro e estável, onde o homem poderia construir uma casa temporária, antes de chegar à sua Morada Eterna, no Reino dos Céus - foi uma imagem que permaneceu com o povo judeu durante muito tempo.

O povo hebreu não só viu, como experienciou na sua própria vida, esta imagem tão forte - a divisão das águas, inseguras e traiçoeiras, pelo poder do Senhor, e o surgir da terra seca, sólida e confiável. A indicação do caminho a seguir, preparado com a ternura dum Pai antes de todos os séculos ... 

Moisés estendeu a sua mão sobre o mar e o Senhor fez recuar o mar com um vento forte do oriente toda a noite, e pôs o mar a seco. As águas dividiram-se, e os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, por terra seca, e as águas eram para eles um muro à sua direita e à sua esquerda. (Ex 14,21-22)

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Imagem retirada daqui

Eis uma nova criação: um povo especialmente escolhido pelo Senhor. Cada hebreu recebeu um convite da parte do Senhor, um chamamento pessoal e único, para deixar o Egipto, a terra da escravatura, e a passar, através das águas do Mar Vermelho, pelo deserto das provações da vida, até chegar finalmente à Terra Prometida, onde então correria o mais puro leite e mel...

Neste deserto, Deus guiou e instruiu, alimentou e hidratou, curou e sarou o seu povo escolhido, dia após dia, tentando maravilhar e cativar os seus corações, durante 40 anos. O Senhor esforçou-se, enviando-lhes mil oportunidades por dia, para que o tempo passado no deserto, que as escolhas feitas por cada membro do Seu povo, lhes servissem para estabelecer qual o local da sua morada eterna - o Céu ou o Inferno. 

 

Também hoje, na minha vida, o Senhor tenta proteger-me das águas enganadoras do pecado, levando-me por um caminho seguro, nesta passagem temporária pela terra, guiando-me e instruindo-me, alimentando-me e hidratando-me, curando-me e sarando-me, dia após dia. Também a mim, não me faltam oportunidades, todos os dias, a todo o instante, para me abrir à graça e ao amor de Deus, para me deixar moldar à Sua imagem e semelhança, para escolher o local da minha morada eterna - o Céu ou o Inferno. 

Confinamento - à Luz da História do Povo de Deus

Na sexta-feira passada, tive a enorme graça de poder ouvir uma catequese maravilhosa, como há muito não ouvia, do nosso querido bispo de Setúbal, D. José Ornelas, no 1º Encontro Formativo da Pastoral Familiar de Setúbal.

Falou-se de 'confinamento' nos dias de hoje, nas nossas famílias, na nossa sociedade, mas através duma perspectiva diferente - trazendo à memória, e tornando vivas novamente, várias histórias do Povo de Deus, relatadas ao longo das Escrituras. Nunca antes me tinha apercebido de tantos paralelismos entre o passado do Povo de Deus, o nosso presente e as lições para o nosso futuro ... 

Começando pelo relato da 1ª Páscoa judaica, quando o povo hebreu se refugiou nas suas casas, para proteger os seus filhos e se distinguir dos egípcios, ao exílio na Babilónia exigido pelo rei Nabucodonosor, passando pelo distanciamento necessário entre Abrãao e o seu sobrinho Lot, até chegar ao 'desconfinamento' trazido por Jesus. Uma catequese que nos leva (e muito!) a reflectir, sempre à luz da Bíblia e da História do Povo de Deus. Absolutamente imperdível! 

 

Haverá mais catequeses ao longo do ano! Estejam atentos à página da Pastoral Familiar de Setúbal.

A divisão entre as águas (o 2º dia da Criação)

Deus disse: «Haja um firmamento entre as águas, para as manter separadas umas das outras.» E assim aconteceu. Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento. Deus chamou céus ao firmamento. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia. (Gn 1,6-8)

No 2º dia da Criação, diz-nos o autor do Génesis que Deus criou as águas. As águas de cima seriam os Céus, onde Deus escolheu ser a Sua morada. Já as águas de baixo seriam a morada do homem. Entre elas, uma barreira, uma divisão, um firmamento, que separava o homem de Deus.

Em todo o relato da Criação, o 2º dia é o único dia que o Senhor não chama "bom". Deus não quer que o homem esteja separado Dele, mesmo que o homem insista em fazê-lo, escolhendo continuamente o pecado em vez do Seu amor. Deste modo, o 2º dia da Criação parece querer representar o mundo antes da vinda de Jesus.

 

Para o povo judaico, as águas do mar, profundas e insondáveis, representavam um local de morte e de julgamento para o homem. Foi nas águas do mar que a humanidade corrupta foi submergida, no dia do grande Dilúvio, enquanto Noé e a sua família, permanecendo sobre as águas do mar, dentro da arca, foram protegidos contra a morte. Foi nas águas do rio Nilo que o Faraó mandou afogar todos os bebés hebreus, enquanto apenas Moisés pôde ser protegido da morte, ao permanecer sobre as águas do rio, dentro duma cesta de vime. Foi também nas águas do mar Vermelho que os soldados do Egipto foram engolidos pela morte, que eles próprios provocaram, enquanto o povo hebreu atravessou as águas, sem que qualquer mal lhes acontecesse. 

 

Se, para os judeus, quanto mais fundo descermos nas águas, mais nos aproximaremos da morte, também é verdade que, quanto mais alto subirmos, mais perto estaremos de Deus, mais amiga e íntima será a nossa relação com o Senhor. Assim aconteceu com Moisés e depois com Elias, que encontraram o Senhor após subirem até ao topo da montanha. Também as alianças entre Deus e o seu povo realizaram-se sempre nos sítios mais altos.

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Imagem retirada daqui

Mas "perto de" não quer dizer "junto de" ou "unido a". Se as águas de baixo representam a morada terrena do homem e, quanto mais fundo, mais perto da morte; se as águas de cima representam os céus e a morada eterna do homem, que ele almeja alcançar; e se existe uma barreira, uma divisão entre ambos, como poderá o homem ultrapassar essa barreira e chegar, por fim, até junto de Deus, unindo-se Àquele que a sua alma mais ama, o Único capaz de saciar os desejos do seu coração?

 

«Eu sou o Caminho», diz-nos Jesus.

Realmente, Jesus é a única via através da qual poderemos vir a alcançar o Céu e, assim, o amor eterno e abundante do Senhor. Foi Ele que nos abriu o caminho até ao Céu, foi Ele que restituiu a união primordial entre Deus e o homem, que havia antes do nosso pecado. Fê-lo na Sua Transfiguração, no cimo do Monte Tabor; fê-lo na Sua Crucificação, no topo do Calvário; fê-lo através da Sua Ascenção aos Céus, deixando o caminho aberto, desde o Monte das Oliveiras, para cada um de nós ...

Shekina - a presença visível de Deus que connosco habita

Pentecostes - a Solenidade gloriosa em que celebramos de forma muito especial a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Deus Espírito Santo!

Durante muito tempo (aliás, até ter iniciado a leitura dum maravilhoso livro acerca da Santa Missa, da autoria do Pe James Luke Maegher), sempre tinha associado a presença do Espírito Santo à imagem corpórea de uma pomba, ao pensar, por exemplo, no episódio do baptismo de Jesus nas margens do rio Jordão

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado.» (Mt 3,16-17)

Ou então, associava a presença do Espírito Santo até junto de nós pensando na imagem das línguas de fogo, capazes de irromper através dos nossos muros defensivos e das nossas portas fechadas por medo, para nos vir abrasar o coração, como nos é relatado no episódio dos Atos dos Apóstolos que ouvimos neste Domingo

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. (At 2,1-4)

Mas ... alguma vez pensaram na presença de Deus Espírito Santo através da imagem duma nuvem?

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Em pleno Pentecostes: conseguem ver a nuvem com a forma duma asa de pomba?

«Shekina» foi, segundo o livro do Pe James Luke Maegher, a palavra hebraica que os primeiros judeus escolheram para tentar descrever Aquele que, muitos séculos mais tarde, Jesus nos veio apresentar como Espírito Santo. «Shekina» significa uma «presença visível», uma «presença que habita connosco» - a Presença Divina, Deus Espírito Santo. 

No princípio, Deus criou os céus e a terra e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. (Gn 1,1b)

Logo nos primeiros versículos das Sagradas Escrituras é-nos apresentado esta Presença Divina, que se movia sobre as águas, tal qual uma nuvem, e que quis habitar com Adão e Eva na sua casa, o jardim do Éden. Deparamo-nos novamente com esta palavra, «Shekina», quando Deus fala com Noé para construir a arca, como um sopro de vento, e depois no chamamento de Abraão desde Ur dos Caldeus até à Terra Prometida.

Um Deus que se move sobre, que habita com, que chama pelo nosso nome e que sussurra ao nosso ouvido ... assim é Deus Espírito Santo!

Quatrocentos anos de silêncio mais tarde, esta Presença Divina volta a aparecer na Bíblia, chamando Moisés a libertar o povo judeu cativo no Egipto, através duma sarça ardente. É também esta a palavra usada para descrever a Presença de Deus que habitava junto do povo hebreu sob a forma duma nuvem ao longo da sua travessia do Mar Vermelho e depois nos 40 anos no deserto ...

O Senhor caminhava diante deles; durante o dia, numa coluna de nuvem para os conduzir na estrada, e de noite, numa coluna de fogo para os iluminar, para que pudessem caminhar de dia e de noite. (Ex 13,21)

E aconteceu que, na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e de nuvem, para o acampamento dos egípcios, e lançou a confusão no acampamento dos egípcios. (Ex 14,24)

O Senhor disse a Moisés: «Eis que Eu venho ter contigo no coração duma nuvem, para que o povo oiça quando Eu falar contigo e também acredite em ti para sempre.» (Ex 19,9)

E eis que, no terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos e uma nuvem pesada sobre a montanha, e um som muito forte de trombeta, e todo o povo que estava no acampamento tremia. (Ex 19,26)

O povo manteve-se à distância e Moisés aproximou-se da nuvem escura, onde estava Deus. (Ex 20,21)

A glória do Senhor permaneceu sobre a montanha do Sinai, e a nuvem envolveu-o durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou por Moisés do meio da nuvem. Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve Moisés durante quarenta dias e quarenta noites. (Ex 24,16.18)

Uma nuvem foi a imagem que Deus Espírito Santo escolheu para poder falar com Moisés, tanto lá em cima no topo do Monte Sinai, para lhe ensinar os 10 Mandamentos do Amor; como também cá em baixo, dentro da Tenda da Reunião, para poder guiar todo o povo judeu até à abundância da Terra Prometida. Uma nuvem que fala e guia, uma sombra que cobre e protege ... donde me lembro eu de ter lido isto?

Ah, sim, na Anunciação do Anjo Gabriel a Maria ...

Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.»

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso, Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. (Lc 1,30-31.34-35)

E depois, também, na Transfiguração de Jesus no topo do Monte Tabor ...

Ainda [Jesus] estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado. Escutai-O.» (Mt 17,5)

Ah, sim, e também na Ascenção de Jesus aos Céus ...

Disse-lhes Jesus: «Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos. (At 1,9)

Ena, como é que eu nunca tinha reparado antes?

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Digam lá se não é mesmo uma nuvem coma forma duma asa? Ah, as maravilhas de Deus ... 

Eu sempre gostei muito de contemplar as nuvens no céu e de brincar com elas, tentando imaginar as formas, figuras, animais, pessoas ou histórias que os seus formatos - sempre dinâmicos, sempre a mudar e nunca iguais - me faziam lembrar e imaginar. Agora compreendo porquê - as nuvens foram uma das imagens que Deus Espírito Santo escolheu para se tornar visível, para habitar connosco e Se dar a conhecer ...

É maravilhoso pensar como as nuvens se mostram, ao mesmo tempo que velam o seu interior. Apesar de as vermos, permanecem um mistério. Não é possível delinear com exatidão os seus limites. Encontram-se numa transformação contínua das suas formas e formatos, apesar de nunca perderem a sua essência e de deixarem de ser quem são. Representam uma certa leveza de espírito e jovialidade da alma. São capazes de nos proteger dos raios quentes do sol. E a sua presença promete-nos a vinda duma chuva fecunda e geradora de vida...

Assim é, se me permitirem dizer, de certa forma também Deus Espírito Santo ... 

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do Vosso amor.
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado,
e renovareis a face da terra. Amén!

A vida recebida no topo do Monte Nebo

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

O povo hebreu tem andado pelo deserto desde há 40 anos ... e parece que nunca mais chega à Terra Prometida. Ainda se lembram de quantas pessoas é que saíram do Egipto? 

O livro do Êxodo fala-nos em 600.000 homens, o que calculámos que fossem pelo menos 2 milhões e meio de pessoas, se contarmos com esposas e filhos. 

Durante 40 anos, depois de tirar o povo do Egipto, Deus tem tentado tirar o Egipto do coração, da mente, da alma e do corpo daquele povo que tanto amava, a fim de os tornar verdadeiramente livres.

Não tem sido tarefa fácil para o Senhor ... volta e meia (ou melhor dizendo, a cada nova página do livro do Êxodo, dos Números e do Deuteronómio) o povo revolta-se e começa a murmurar contra o Senhor e contra as circunstâncias que o próprio povo escolheu e aceitou...

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Então o povo começou a murmurar contra Moisés, inquirindo: “Que haveremos de beber?

Ex 15,24

Ali o povo teve sede de água, e murmurou contra Moisés, dizendo: «Porque nos fizeste subir do Egipto para nos fazer morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?»

Ex 17, 3

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná

Nm 11, 4b-6

Levantou-se toda a assembleia a gritar e o povo chorou toda essa noite. Murmuraram contra Moisés e contra Aarão todos os filhos de Israel, dizendo consigo toda a assembleia: «Antes tivéssemos morrido na terra do Egipto ou mesmo neste deserto. Porque nos fez sair o Senhor para esta terra a fim de nos matar à espada? As nossas mulheres e as nossas crianças serão humilhadas. Não nos seria melhor voltar para o Egipto?»

Nm 14, 1-3

Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Nm 21, 4-5

Talvez por também eu ser refilona, tendo a simpatizar com os "refilanços" do povo hebreu.

Na verdade, as suas murmurações parecem-me legítimas - passam por locais onde não há água, não há pão, não há carne nem peixe; caminham quilómetros e quilómetros com os seus filhos, as suas tendas e todos os seus pertencem às costas, sem saberem bem o caminho, nem que perigos os esperam do outro lado dos montes que vão percorrendo; passam 40 anos a comer o mesmo tipo de pão, o maná (pois claro que já não o podiam ver à frente!); passam por diversas terras onde os habitantes os tentam matar e apoderar-se das suas poucas posses ... 

Jesus dirá e ensinar-nos-á, séculos e séculos mais tarde

Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.

Lc 11, 9-10

A diferença, é que há formas e formas de pedir ...

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Todos os "filhos de Israel" que saíram do Egipto foram morrendo ao longo da sua longa peregrinação pelo deserto. Nenhum deles chegou a entrar na Terra Prometida - nem mesmo Moisés. Estes 40 anos foram importantes para que ocorresse uma nova geração neste povo, que novas crianças nascessem e crescessem, longe do poder e da influência do Egipto. Serão estas crianças, agora adultas e com as suas próprias famílias, que lutarão por chegarem, finalmente, à Terra Prometida pelo Senhor, Deus de Abrãao, de Isaac, de Jacob, de Moisés ...

 

E, tal como ao povo hebreu, também a nossa peregrinação nos leva até ao topo do Monte Nebo

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Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, todo o Neftali, o território de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras, até Soar.

O Senhor disse-lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.» 

E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do Senhor. Foi sepultado num vale da terra de Moab, defronte de Bet-Peor, mas ninguém até hoje soube do lugar da sua sepultura. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista nunca enfraqueceu e o seu vigor nunca se esgotou.

Dt 34, 1-7

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Terá sido neste vale, que se vê do cimo do Monte Nebo, que o corpo de Moisés foi sepultado, mas até hoje, por mais escavações que têm sido feitas, ninguém ainda o encontrou...

 

O Monte Nebo é o local onde Moisés pôde avistar, pela primeira e última vez, a Terra Prometida por Deus, a terra onde correria leite e mel (de tâmaras)...

A primeira igreja aqui construída terá sido por volta do séc. IV d.C., exactamente por este ter sido o local onde Moisés viu a Terra Prometida e onde pode finalmente repousar após o seu longo êxodo. Os restos desta igreja foram descobertos apenas em 1933 e têm sido lentamente recuperados pelos Franciscanos responsáveis pela Custódia da Terra Santa.

 

Logo à entrada deste local sagrado, somos recebidos por um escultura bastante peculiar. Ora, digam-me lá o que veem? O que vos parece ser?

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Conseguem ver o contorno dum rosto de homem, talvez Moisés, sim?

Mas se chegarmos mais perto, veremos que, de outra perspectiva, começa a parecer-nos um livro aberto... 

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E vemos os bustos de Abrãao, Isaac, Jacob, assim como de profetas como Isaías e Jeremias, por cima do nome de diversos livros do Antigo Testamento...

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Logo ali ao lado, encontramos uma grande rocha, em tempos usada para tapar a entrada dum túmulo aqui nas terras da Jordânia, que conseguiu permanecer inteira até aos dias de hoje. Esta rocha deverá ser bastante semelhante àquela que foi colocada à entrada do túmulo de Jesus - conseguem perceber quão grande é? É enorme! Deve ser pesadíssima ...

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Bem que ficaram todos tão espantados quando viram a pedra deslocada no terceiro dia após a morte de Jesus e o Seu túmulo vazio (que, em apenas alguns dias, também nós veríamos!!) 

 

Estava eu a imaginar a cena da descoberta do túmulo vazio, quando os meus olhos captam algo que eu não estava nada à espera de encontrar ... O que é aquilo? Parece-me ... poderá ser? Sim, é mesmo!

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Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel. 

O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.

O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente de bronze e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.

Num 21, 4-9

Mesmo quando veio sobre eles a terrível fúria das feras,

e pereciam pela mordedura das serpentes sinuosas,

a Tua ira não durou até ao fim.

Para sua correcção, foram atri­bu­­lados por pouco tempo,

mas tinham um Sinal de salvação

para lhes recordar os manda­men­tos da Tua Lei.

Quem se voltava para ela [serpente de bronze] era curado,

não pelo que via,

mas por Ti, Sal­vador de todos.

Sb 16, 5-7

 

Acreditem, eu fiquei largos minutos, de boca aberta, simplesmente a contemplar esta escultura, que tanto me falou ao coração ...

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Disse Jesus: «Ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que Nele crê tenha a vida eterna. 

Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.»

Jo 3, 13-17

Nem a história das serpentes venenosas e da serpente de bronze, nem este discurso de Jesus, se passaram exactamente neste local, mas eu fiquei absolutamente extasiada ao ver esta enorme escultura de metal - que não é propriamente bonita, eu sei, mas é tão significativa! - ao ver a maneira como o artista italiano, Giovanni Fantoni, conseguiu entrelaçar tão bem estas passagens, que sempre me falaram tanto ao coração!

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Também nós, quando nos deixamos levar pelo veneno do pecado, basta que levantemos os olhos, apesar da dor e da vergonha, e olhemos para Aquele que nos quis voluntariamente dar todo o Seu Amor e Perdão, para que nós fossemos curados e salvos e assim vivêssemos, junto d'Ele, para todo o sempre... 

 

Está na hora da missa. Jesus está mesmo ali, à nossa espera, para nos dar uma nova vida.

O Santuário, erguido sobre as ruínas da primeira igreja do séc. IV d.C., serve simultaneamente de igreja e de museu, e é ali mesmo que temos oportunidade de celebrar uma das Eucaristias mais simples mas mais bonitas e transformadoras que eu alguma vez tinha tido a oportunidade de participar ... 

Ali estávamos nós, um grupo de portugueses, a falar uma língua diferente, num canto do Santuário a celebrar a Santa Missa. E, quando damos por isso, quase todos os turistas tinham parado a meio a sua visita das descobertas arqueológicas ali expostas e tinham-se sentado nos bancos, assistindo e participando na Missa connosco! Oh, louvado seja Deus!

 

E com este compromisso terminávamos a nossa Missa

♫ Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

E sigo como ovelha que encontrou Pastor

Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

Aonde Ele vai ...

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Como posso eu resistir, ao Seu amor?

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Minha mão porei na Sua, 

Irei com Ele.... ♬

Amén! Amén! Amén!

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A subida até ao topo do Monte Sinai

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Chegamos, bem ao final da tardinha, a Santa Catarina, no Sinai. E ninguém consegue esconder o seu sorriso bem aberto. Chegámos ao Monte Sinai! Chegámos ao Monte Sinai! 

Na terceira Lua-nova depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egipto, naquele mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai. Partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto. Israel acampou lá, diante da montanha.

Ex 19, 1-2

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Mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai

 

Este local é tão importante que tem até diversos nomes - Monte Sinai, Monte Horeb, Jebel Musa, Monte ou Montanha de Moisés - tudo sinónimos para a mesma localização geográfica.

Aliás, o Sinai não é apenas um só monte, mas sim um conjunto de montanhas. A mais alta delas todas é chamada de Montanha de Santa Catarina (com cerca 2.600m de altura - é o ponto mais alto de todo o Egipto). A 2ª montanha mais alta é conhecida como a Montanha de Moisés (com cerca de 2.200m de altura) e é a esta que damos maior relevância. Mas porquê tanto alarido em relação a este Monte?

 

Bem, por um lado, o povo hebreu passou mais de 1 ano nesta região (como nos é dito em Nm 10, 11) durante a sua travessia do deserto. A partir do capítulo 19 até ao final do livro do Êxodo, todos os acontecimentos relatados passaram-se aqui. E qual o acontecimento mais importante?

A Aliança que o nosso Deus fez com o Seu povo escolhido, através de Moisés e dos Dez Mandamentos.

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Chegámos aqui mais tarde que o previsto (por causa do nosso banho no Mar Vermelho), já passa da hora de jantar e por isso temos apenas alguns minutos para apreciar este local ainda sob a luz do dia. Falamos pouco, estamos todos com fome e muito cansados da longa viagem de autocarro....

 

Mas eu só tentava olhar em todas as direcções, tentando captar na minha memória todas as imagens que conseguisse. Foi aqui! Foi mesmo aqui! Quem é que consegue pensar em comida? Pessoal, será que ninguém compreende a importância deste local?

Claro que sim, claro que compreendem, mas somos meros humanos e estamos muito, muito cansados da viagem ...

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Moisés subiu até junto de Deus. Da montanha o Senhor chamou-o, dizendo: «Assim dirás à casa de Jacob e declararás aos filhos de Israel:

'Vós vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. E agora, se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para Mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é Minha a terra inteira. Vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.’

Estas são as palavras que transmitirás aos filhos de Israel.»

Moisés veio e chamou os anciãos do povo e pôs diante deles todas estas palavras, como o Senhor lhe tinha ordenado.

Ex 19, 3-7

Tal como ao povo hebreu, também a nós é feita um proposta: alguém quer subir, durante a noite, até ao topo do Monte Sinai? Até ao preciso local onde Moisés recebeu as tábuas com as Leis de Deus?

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Partiríamos por volta da meia noite, com um guia beduíno (porque sozinhos facilmente nos perderíamos) e lanternas nas mãos. Seriam cerca de 3h e meia a pé, sempre, sempre, sempre a subir, por terreno irregular, por vezes encostas, por vezes degraus improvisados, por vezes praticamente a escalar. Subiríamos 2.200 metros em altura mas andaríamos pelo menos 7km até lá chegar. Lá em cima, o ar tornar-se-ia mais rarefeito e seria mais difícil respirar. Quando estivéssemos quase bem lá em cima, no local onde Aarão e os 70 sábios esperaram por Moisés, esperar-nos-ia ainda mais 750 degraus, feitos pelos monges que em tempos ali viveram. E assim por fim chegaríamos ao topo da Montanha de Moisés.

Depois, bem, tínhamos de descer tudo outra vez, outras 3 horas de caminho e escalada, enquanto o novo dia estivesse a raiar. Quando finalmente chegássemos cá abaixo, seria altura de tomar o pequeno-almoço e seguir a nossa preenchida peregrinação, em direcção à Jordânia. 

Quem estiver interessado, que compareça à hora marcada na entrada do hotel...

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É loucura, dizem quase todos... Estamos demasiado cansados! 

É loucura sim ... 

Moisés subiu com Aarão, Nadab e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel.

O Senhor disse a Moisés: «Sobe até Mim, ao alto da montanha; e fica ali para que Eu te dê as tábuas de pedra, com as leis e os mandamentos que nelas escrevi, para lhos ensinares.» 

 

Moisés partiu com Josué, seu servidor, e subiu ao monte de Deus. E aos anciãos ele disse: «Esperai aqui por nós até regressarmos para junto de vós. Eis que Aarão e Hur ficam convosco.»

E Moisés subiu à montanha. A nuvem cobria a montanha, e a glória do Senhor permaneceu sobre a montanha do Sinai, e a nuvem envolveu-o durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou por Moisés do meio da nuvem. Aos olhos dos filhos de Israel, a majestade do Senhor tinha o aspecto de um fogo devorador no cimo da montanha.

Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve Moisés durante quarenta dias e quarenta noites.

Ex 24, 9; 12-14; 15-18

À hora marcada, aparecemos 6 peregrinos, sorrisos nervosos na cara, casacos vestidos que a noite prometia ser fria, lanternas e telemóveis na mão para nos guiar no caminho. E o mais importante? O coração cheio de orações...

E foi tudo exactamente como nos descreveram ... 

 

Para mim, mais parecia a subida do Calvário. Foi difícil, foi verdadeiramente difícil. Durante a subida, cada um de nós desejou desistir em algum momento - não é possível, já não consigo mais - mas uns minutinhos de descanso, muitas palavras de alento, espírito de equipa bem aceso, por vezes até uma anedota ou duas, e toca a continuar, todos juntos!

Durante a subida, ouvia-se da nossa boca algumas orações curtas (à boa moda das Famílias de Caná, pensei eu), intercortadas pela respiração forte e pelo esforço: Senhor, ajuda-me... Senhor ajuda-nos ... Jesus ... manso e humilde de coração ... tende piedade de nós pecadores ... e de todo o mundo ... Oh minha Mãe ... 

Eu rezava interiormente o Terço e tentava expressar todas as incontáveis intenções de oração que levava no coração, pedindo a intercessão de todos os Santos e Santas que conhecia ....

 

E a noite passou... Quando demos por isso, estávamos lá em cima no topo do Monte Sinai!

Oh, as expressões de louvor, as orações espontâneas, os cânticos ... e por fim o silêncio, oh o silêncio de quem tem o coração cheio de Deus e nada mais é necessário....

Aquilo que me lembro mais é do céu estrelado, um céu estrelado como eu nunca tinha visto, e de tantas, tantas estrelas cadentes ... Como Deus é bom!

Depois de ter acabado de falar a Moisés no monte Sinai, Deus entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas com o Seu dedo.

Ex 31, 18

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Mas aquilo que é bom, realmente bom, termina depressa e é altura de começarmos a nossa descida ... 

Moisés desceu do monte Sinai, trazendo na mão as duas tábuas do testemunho.

Não sabia, enquanto descia o monte, que a pele do seu rosto resplandecia, depois de ter falado com Deus.

Ex 34, 29

Ao descermos, alegres e contentes, reanimados pelo Espírito Santo, encontramos outros grupos de peregrinos de outros países a subirem, com os rostos desfigurados pelo esforço e sofrimento.

E eu vou repetindo vezes e vezes sem conta: You are almost there! You can do it! May God bless you! You are almost there! You can do it!

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♪ Porque toda a Vida vem de Ti. Em Tua Luz, vejo a Luz!

Porque toda a Vida vem de Ti. E Tua Luz, faz-me ver a Luz! ♫

 

Ao descer, ainda temos tempo para um chá improvisado, contemplando o maravilhoso amanhecer que floresce à nossa frente, tal como as promessas de Deus a Moisés ... e também para uma imperiosa ida à casa de banho (o início daquela que seria a grande "praga" da nossa peregrinação, a valente gastroenterite que afectaria quase todo o nosso grupo de peregrinos durante o resto da nossa viagem ....) 

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O Senhor é a minha força, ao Senhor o meu canto.

Ele é nosso Salvador, n'Ele eu confio e nada temo

N'Ele eu confio e nada temo ♪

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♪ Deus precisa de mim

Muito mais que possas imaginar (bis)

Precisa de mim, muito mais que a terra

Precisa de mim, muito mais que o mar

Precisa de mim, muito mais que os astros

Precisa de mim (bis)

Deus precisa de ti .... 

Deus precisa de nós .... ♫

 

Olhem, pessoal, o que é aquilo? Eu só posso estar a sonhar! Estarei a ver bem?

Nem consigo acreditar, são mesmo codornizes!

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná.»

Levantou-se, entretanto, um vento enviado pelo Senhor, vindo do mar e trouxe codornizes. Todo o povo naquele dia e naquela noite e em todo o dia seguinte se pôs a apanhar codornizes.

Nm 11, 4-6;  31a;  32a

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Não fui a tempo de fotografar as codornizes, perdoem-me ... 

♫ Amor tão grande, profundo e sublime,

Esse é o Amor do meu Criador

Não há nada no mundo,

Que possa igualar-se

Ao terno Amor do meu Bom Jesus

 

Deus de Amor (Deus de Amor)

Oh, Deus de Amor (oh, Deus de Amor)

Tu és o único (Tu és o único)

Ó Deus de Amor.

Não há outro Deus (não, não há)

Fora de Ti (fora de Ti)

Fora de Ti (para mim) para mim (para mim)

Não há Amor! 

 

E querem saber uma coisa muito engraçada, que nenhum de nós tinha reparado no dia anterior?

O Monte Sinai é cor de rosa!! Sim, é mesmo cor de rosa!!

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Esta foto não captou bem a tonalidade do Monte Sinai, mas basta procurarem no google - é mesmo cor de rosa!

 

No sopé da montanha, o mundo começava a acordar, devagarinho ... e nós com tanto para contar!!!

Mas talvez seja uma boa ideia dormir no autocarro - só desta vez ... 

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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As acácias e as águas de Mara

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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Continuamos o nosso caminho pelo deserto em direcção ao Monte Sinai. Já atravessámos o Mar Vermelho, tal como o povo hebreu; e para traz de nós ficaram os cavalos e os cavaleiros do Egipto. A parte mais fácil do trabalho de Deus - tirar o povo hebreu do Egipto - já está feita.

Agora sim vem a parte mais complicada e mais demorada desta tarefa a que Deus se propõe - tirar o Egipto de dentro do coração, da mente, da alma e do corpo do povo hebreu... Isto sim, dará imenso trabalho! Não demorará apenas alguns meses, como foi para tirar o povo hebreu do Egipto ... Deus Todo Poderoso, que criou o Céu e a Terra em apenas 6 dias, precisará de levar aquele povo - "de dura cerviz", como o próprio Moisés confessa - através do deserto durante 40 anos para tal conseguir .... 

 

Moisés fez partir Israel do Mar dos Juncos, e saíram para o deserto de Chur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água. Chegaram a Mara, mas não puderam beber a água de Mara, porque era amarga. Por isso se chamou àquele lugar Mara.

O povo murmurou contra Moisés, dizendo: «Que beberemos?»

E ele clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um tronco que ele lançou à água; e a água tornou-se doce

Ex 15, 22-25

Chegamos a Mara, local onde ocorreu este pequeno episódio bíblico. Este pequeno relato facilmente passa despercebido quando seguimos a história do povo hebreu ao longo do livro do Êxodo - eu não me lembrava de alguma vez o ter lido até este dia!

O povo hebreu e todo o seu rebanho está cheio de sede. Andaram 3 dias pelo deserto sem encontrar nenhuma fonte de água. Toda a água que traziam, tirada do Mar dos Juncos, ou seja, do Mar Vermelho, esgotou-se. E agora, o que fazer? Voltar para trás? Continuar caminho? Morreremos todos à sede?

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Eis que vislumbram um autêntico oásis: água, um poço de água! Rápido, venham todos beber!

Mas oh, que decepção! Que água tão amarga, impossível de beber....

O povo hebreu vira-se para um homem, à procura duma solução. O sábio Moisés sabe bem melhor para Quem se deve virar para pedir ajuda - Aquele que tudo pode, Aquele que prometera que estaria sempre com eles.

 

Deus pede a Moisés que jogue o tronco duma árvore para dentro do poço. Que pedido mais estranho! Estamos em pleno deserto, porque é que Deus não pediu a Moisés que jogasse uma pedra? Pedras há muitas por aqui ...

As árvores são tão raras aqui no deserto. Na periferia do deserto ainda era possível encontrar-se tamareiras; mas aqui, no meio do deserto, apenas é possível encontrar algumas acácias.... E, o mais provável, é que tenha sido essa a espécie de árvore que Moisés atirou para dentro do poço, tornando a água amarga em doce.

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Conseguem acreditar que não me lembrei de tirar uma única foto duma acácia ao longo da peregrinação? Foto retirada daqui

 

As acácias foram quase sempre árvores pouco valorizadas por todos os povos que alguma vez aqui habitaram, no deserto. Sempre foram árvores desprezadas.... Crescem apenas nos lugares mais áridos e decididamente que não são árvores bonitas; são finas e tortuosas, cheias de nós e de espinhos - tudo características que as tornam imensamente difíceis de trabalhar e de fazer seja o que for com a sua madeira. Os Egípcios nunca gostaram de trabalhar com a madeira das acácias, preferiam mais os cedros do Líbano....

Apesar disso, se avançarmos no livro do Êxodo e se lermos com atenção as ordens do Senhor para a construção da Arca da Aliança e dos principais objectos da Tenda da Reunião (e posteriormente do Templo do Senhor) iremos reparar, com frequência, num pormenor muito curioso:

O Senhor falou a Moisés, dizendo-lhe: «Fala aos filhos de Israel. Fareis o santuário e todos os seus utensílios, de acordo com os modelos que vou mostrar-vos. Fareis uma Arca de madeira de acáciaMandarás fazer varais de madeira de acácia revestidos de ouro; introduzirás os varais nas argolas, ao longo dos lados da Arca, a fim de servirem para a transportar.

Construirás em seguida uma mesa de madeira de acácia. Farás para a mesa quatro argolas de ouro e prendê-las-ás nas quatro extremidades, formadas pelos seus quatro pés. Estas argolas estarão colocadas frente a frente e por elas passarão varais destinados ao transporte da mesa. Farás os varais de madeira de acácia revestidos de ouro e servirão para transportar a mesaColocarás sobre esta mesa os pães da oferenda, que estarão permanentemente diante de mim.

Ex 25, 1; 9-10; 13; 23; 26-28; 30

Farás também para o santuário pranchas verticais de madeira de acácia. Assim construirás o santuário, conforme a norma que te mostrei neste monte. 

Ex 26, 15; 30

Farás o altar de madeira de acácia. Farás, para o altar, varais de madeira de acácia, revestidos de cobre. 

Ex 27, 1; 6

Também construirás um altar para queimar perfumes, e fá-lo-ás de madeira de acácia

Ex 30,1

Deus pede ao povo hebreu que faça alguns dos objectos mais importantes da Tenda da Reunião usando a madeira da acácia, nomeadamente a própria Arca da Aliança, que conterá as sagradas tábuas com os 10 Mandamentos da Lei do Senhor.

Mas com Deus é sempre assim: tudo aquilo que tiver sido desprezado pelo mundo, Ele reconhece o seu devido valor e ainda o eleva acima das outras coisas ... Servimos um Deus tão bom, tão bom...

 

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Foto retirada daqui

 

Para utilizar a madeira da acácia era preciso, primeiro, cortar os ramos em segmentos de pequeno tamanho (porque os ramos são tortuosos e pouco práticos de utilizar); depois, colocar os ramos em água, para ser possível retirar a sua casca; a seguir era preciso cortar os nós e os espinhos e tentar "endireitar" as angulações naturais destes ramos; e finalmente obtém-se um pedaço de madeira mais ou menos direitinho, mais ou menos pronto a ser usado para construir alguma coisa. Por fim, para que pudesse servir a construção da Arca da Aliança ou dos outros objectos da Tenda da Reunião, era ainda preciso revestir a madeira com uma camada de ouro ou de bronze ... quanta trabalheira!

Mas sabem que mais? A madeira da acácia, uma árvore capaz de resistir à vida difícil do deserto, quando assim trabalhada, torna-se numa das madeiras mais resistentes que se pode encontrar...

 

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Foto retirada daqui

 

Na realidade, se pararmos para pensar um pouco, apercebemo-nos que nós próprios somos muito parecidos com as acácias ... Todos nós temos muitos "espinhos" e "nós" e "angulações", muitos erros e falhas e defeitos e características difíceis de lidar. Para trabalhar com a madeira duma acácia é necessário que se faça um longo e paciente processo de limpeza e tratamento, tentando endireitar ou suavizar ao máximo estes espinhos e nós. Também em nós o Senhor precisa fazer um longo e paciente processo de "limpeza e tratamento" a fim de nos tornar santos.

O primeiro passo neste processo consiste em mergulhar os ramos da acácia dentro de água, a fim de lhes retirar a casca; também nós precisamos de passar, primeiro e logo desde o princípio, pelas águas do Baptismo, a fim de nos retirar a carapaça do pecado original e assim podermos ser trabalhados pelas mãos do Santo dos Santos. 

Mas o processo ainda não está completo; é ainda preciso que sejamos revestidos pelo Espírito Santo, tal como acontece no nosso Crisma - e agora sim, o pecado jamais conseguirá aceder e estragar definitivamente o íntimo da nossa natureza, o íntimo da nossa alma. Conseguirá sim, fazer uns riscos ou umas moças, sujar-nos e deixar-nos com algumas manchas ao longo das nossas vidas - mas nada disso será capaz de chegar até ao fundo do nosso coração, se trabalhado desta maneira por Deus. Esse precioso núcleo estará sempre protegido pelas próprias mãos do Senhor, estará sempre a salvo ...

 

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Poço de Mara

Voltemos ao poço das águas de Mara e aos nossos poços, onde acumulamos os nossos problemas, medos, dúvidas, erros e asneiras. Por vezes parecem que estão cheios de água até cá acima, sim, mas cheios duma água amarga, incapaz de dar a vida a quem dela beba ...

 

Claro que não foi a árvore jogada dentro do poço que purificou aquela água; foi sim todo o trabalho que o povo hebreu teve ao tratar e transformar aquele tronco; foi a cruz de aceitar ter todo aquele trabalho; foi, em última instância, o trabalho que Deus teve no coração de cada um deles, em cada um de nós ... 

 

Oh Senhor, trabalha em mim e no meu coração tanto quanto seja preciso! Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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