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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A vida recebida no topo do Monte Nebo

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

O povo hebreu tem andado pelo deserto desde há 40 anos ... e parece que nunca mais chega à Terra Prometida. Ainda se lembram de quantas pessoas é que saíram do Egipto? 

O livro do Êxodo fala-nos em 600.000 homens, o que calculámos que fossem pelo menos 2 milhões e meio de pessoas, se contarmos com esposas e filhos. 

Durante 40 anos, depois de tirar o povo do Egipto, Deus tem tentado tirar o Egipto do coração, da mente, da alma e do corpo daquele povo que tanto amava, a fim de os tornar verdadeiramente livres.

Não tem sido tarefa fácil para o Senhor ... volta e meia (ou melhor dizendo, a cada nova página do livro do Êxodo, dos Números e do Deuteronómio) o povo revolta-se e começa a murmurar contra o Senhor e contra as circunstâncias que o próprio povo escolheu e aceitou...

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Então o povo começou a murmurar contra Moisés, inquirindo: “Que haveremos de beber?

Ex 15,24

Ali o povo teve sede de água, e murmurou contra Moisés, dizendo: «Porque nos fizeste subir do Egipto para nos fazer morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?»

Ex 17, 3

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná

Nm 11, 4b-6

Levantou-se toda a assembleia a gritar e o povo chorou toda essa noite. Murmuraram contra Moisés e contra Aarão todos os filhos de Israel, dizendo consigo toda a assembleia: «Antes tivéssemos morrido na terra do Egipto ou mesmo neste deserto. Porque nos fez sair o Senhor para esta terra a fim de nos matar à espada? As nossas mulheres e as nossas crianças serão humilhadas. Não nos seria melhor voltar para o Egipto?»

Nm 14, 1-3

Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Nm 21, 4-5

Talvez por também eu ser refilona, tendo a simpatizar com os "refilanços" do povo hebreu.

Na verdade, as suas murmurações parecem-me legítimas - passam por locais onde não há água, não há pão, não há carne nem peixe; caminham quilómetros e quilómetros com os seus filhos, as suas tendas e todos os seus pertencem às costas, sem saberem bem o caminho, nem que perigos os esperam do outro lado dos montes que vão percorrendo; passam 40 anos a comer o mesmo tipo de pão, o maná (pois claro que já não o podiam ver à frente!); passam por diversas terras onde os habitantes os tentam matar e apoderar-se das suas poucas posses ... 

Jesus dirá e ensinar-nos-á, séculos e séculos mais tarde

Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.

Lc 11, 9-10

A diferença, é que há formas e formas de pedir ...

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Todos os "filhos de Israel" que saíram do Egipto foram morrendo ao longo da sua longa peregrinação pelo deserto. Nenhum deles chegou a entrar na Terra Prometida - nem mesmo Moisés. Estes 40 anos foram importantes para que ocorresse uma nova geração neste povo, que novas crianças nascessem e crescessem, longe do poder e da influência do Egipto. Serão estas crianças, agora adultas e com as suas próprias famílias, que lutarão por chegarem, finalmente, à Terra Prometida pelo Senhor, Deus de Abrãao, de Isaac, de Jacob, de Moisés ...

 

E, tal como ao povo hebreu, também a nossa peregrinação nos leva até ao topo do Monte Nebo

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Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, todo o Neftali, o território de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras, até Soar.

O Senhor disse-lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.» 

E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do Senhor. Foi sepultado num vale da terra de Moab, defronte de Bet-Peor, mas ninguém até hoje soube do lugar da sua sepultura. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista nunca enfraqueceu e o seu vigor nunca se esgotou.

Dt 34, 1-7

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Terá sido neste vale, que se vê do cimo do Monte Nebo, que o corpo de Moisés foi sepultado, mas até hoje, por mais escavações que têm sido feitas, ninguém ainda o encontrou...

 

O Monte Nebo é o local onde Moisés pôde avistar, pela primeira e última vez, a Terra Prometida por Deus, a terra onde correria leite e mel (de tâmaras)...

A primeira igreja aqui construída terá sido por volta do séc. IV d.C., exactamente por este ter sido o local onde Moisés viu a Terra Prometida e onde pode finalmente repousar após o seu longo êxodo. Os restos desta igreja foram descobertos apenas em 1933 e têm sido lentamente recuperados pelos Franciscanos responsáveis pela Custódia da Terra Santa.

 

Logo à entrada deste local sagrado, somos recebidos por um escultura bastante peculiar. Ora, digam-me lá o que veem? O que vos parece ser?

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Conseguem ver o contorno dum rosto de homem, talvez Moisés, sim?

Mas se chegarmos mais perto, veremos que, de outra perspectiva, começa a parecer-nos um livro aberto... 

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E vemos os bustos de Abrãao, Isaac, Jacob, assim como de profetas como Isaías e Jeremias, por cima do nome de diversos livros do Antigo Testamento...

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Logo ali ao lado, encontramos uma grande rocha, em tempos usada para tapar a entrada dum túmulo aqui nas terras da Jordânia, que conseguiu permanecer inteira até aos dias de hoje. Esta rocha deverá ser bastante semelhante àquela que foi colocada à entrada do túmulo de Jesus - conseguem perceber quão grande é? É enorme! Deve ser pesadíssima ...

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Bem que ficaram todos tão espantados quando viram a pedra deslocada no terceiro dia após a morte de Jesus e o Seu túmulo vazio (que, em apenas alguns dias, também nós veríamos!!) 

 

Estava eu a imaginar a cena da descoberta do túmulo vazio, quando os meus olhos captam algo que eu não estava nada à espera de encontrar ... O que é aquilo? Parece-me ... poderá ser? Sim, é mesmo!

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Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel. 

O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.

O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente de bronze e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.

Num 21, 4-9

Mesmo quando veio sobre eles a terrível fúria das feras,

e pereciam pela mordedura das serpentes sinuosas,

a Tua ira não durou até ao fim.

Para sua correcção, foram atri­bu­­lados por pouco tempo,

mas tinham um Sinal de salvação

para lhes recordar os manda­men­tos da Tua Lei.

Quem se voltava para ela [serpente de bronze] era curado,

não pelo que via,

mas por Ti, Sal­vador de todos.

Sb 16, 5-7

 

Acreditem, eu fiquei largos minutos, de boca aberta, simplesmente a contemplar esta escultura, que tanto me falou ao coração ...

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Disse Jesus: «Ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que Nele crê tenha a vida eterna. 

Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.»

Jo 3, 13-17

Nem a história das serpentes venenosas e da serpente de bronze, nem este discurso de Jesus, se passaram exactamente neste local, mas eu fiquei absolutamente extasiada ao ver esta enorme escultura de metal - que não é propriamente bonita, eu sei, mas é tão significativa! - ao ver a maneira como o artista italiano, Giovanni Fantoni, conseguiu entrelaçar tão bem estas passagens, que sempre me falaram tanto ao coração!

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Também nós, quando nos deixamos levar pelo veneno do pecado, basta que levantemos os olhos, apesar da dor e da vergonha, e olhemos para Aquele que nos quis voluntariamente dar todo o Seu Amor e Perdão, para que nós fossemos curados e salvos e assim vivêssemos, junto d'Ele, para todo o sempre... 

 

Está na hora da missa. Jesus está mesmo ali, à nossa espera, para nos dar uma nova vida.

O Santuário, erguido sobre as ruínas da primeira igreja do séc. IV d.C., serve simultaneamente de igreja e de museu, e é ali mesmo que temos oportunidade de celebrar uma das Eucaristias mais simples mas mais bonitas e transformadoras que eu alguma vez tinha tido a oportunidade de participar ... 

Ali estávamos nós, um grupo de portugueses, a falar uma língua diferente, num canto do Santuário a celebrar a Santa Missa. E, quando damos por isso, quase todos os turistas tinham parado a meio a sua visita das descobertas arqueológicas ali expostas e tinham-se sentado nos bancos, assistindo e participando na Missa connosco! Oh, louvado seja Deus!

 

E com este compromisso terminávamos a nossa Missa

♫ Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

E sigo como ovelha que encontrou Pastor

Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

Aonde Ele vai ...

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Como posso eu resistir, ao Seu amor?

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Minha mão porei na Sua, 

Irei com Ele.... ♬

Amén! Amén! Amén!

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A subida até ao topo do Monte Sinai

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Chegamos, bem ao final da tardinha, a Santa Catarina, no Sinai. E ninguém consegue esconder o seu sorriso bem aberto. Chegámos ao Monte Sinai! Chegámos ao Monte Sinai! 

Na terceira Lua-nova depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egipto, naquele mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai. Partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto. Israel acampou lá, diante da montanha.

Ex 19, 1-2

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Mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai

 

Este local é tão importante que tem até diversos nomes - Monte Sinai, Monte Horeb, Jebel Musa, Monte ou Montanha de Moisés - tudo sinónimos para a mesma localização geográfica.

Aliás, o Sinai não é apenas um só monte, mas sim um conjunto de montanhas. A mais alta delas todas é chamada de Montanha de Santa Catarina (com cerca 2.600m de altura - é o ponto mais alto de todo o Egipto). A 2ª montanha mais alta é conhecida como a Montanha de Moisés (com cerca de 2.200m de altura) e é a esta que damos maior relevância. Mas porquê tanto alarido em relação a este Monte?

 

Bem, por um lado, o povo hebreu passou mais de 1 ano nesta região (como nos é dito em Nm 10, 11) durante a sua travessia do deserto. A partir do capítulo 19 até ao final do livro do Êxodo, todos os acontecimentos relatados passaram-se aqui. E qual o acontecimento mais importante?

A Aliança que o nosso Deus fez com o Seu povo escolhido, através de Moisés e dos Dez Mandamentos.

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Chegámos aqui mais tarde que o previsto (por causa do nosso banho no Mar Vermelho), já passa da hora de jantar e por isso temos apenas alguns minutos para apreciar este local ainda sob a luz do dia. Falamos pouco, estamos todos com fome e muito cansados da longa viagem de autocarro....

 

Mas eu só tentava olhar em todas as direcções, tentando captar na minha memória todas as imagens que conseguisse. Foi aqui! Foi mesmo aqui! Quem é que consegue pensar em comida? Pessoal, será que ninguém compreende a importância deste local?

Claro que sim, claro que compreendem, mas somos meros humanos e estamos muito, muito cansados da viagem ...

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Moisés subiu até junto de Deus. Da montanha o Senhor chamou-o, dizendo: «Assim dirás à casa de Jacob e declararás aos filhos de Israel:

'Vós vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. E agora, se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para Mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é Minha a terra inteira. Vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.’

Estas são as palavras que transmitirás aos filhos de Israel.»

Moisés veio e chamou os anciãos do povo e pôs diante deles todas estas palavras, como o Senhor lhe tinha ordenado.

Ex 19, 3-7

Tal como ao povo hebreu, também a nós é feita um proposta: alguém quer subir, durante a noite, até ao topo do Monte Sinai? Até ao preciso local onde Moisés recebeu as tábuas com as Leis de Deus?

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Partiríamos por volta da meia noite, com um guia beduíno (porque sozinhos facilmente nos perderíamos) e lanternas nas mãos. Seriam cerca de 3h e meia a pé, sempre, sempre, sempre a subir, por terreno irregular, por vezes encostas, por vezes degraus improvisados, por vezes praticamente a escalar. Subiríamos 2.200 metros em altura mas andaríamos pelo menos 7km até lá chegar. Lá em cima, o ar tornar-se-ia mais rarefeito e seria mais difícil respirar. Quando estivéssemos quase bem lá em cima, no local onde Aarão e os 70 sábios esperaram por Moisés, esperar-nos-ia ainda mais 750 degraus, feitos pelos monges que em tempos ali viveram. E assim por fim chegaríamos ao topo da Montanha de Moisés.

Depois, bem, tínhamos de descer tudo outra vez, outras 3 horas de caminho e escalada, enquanto o novo dia estivesse a raiar. Quando finalmente chegássemos cá abaixo, seria altura de tomar o pequeno-almoço e seguir a nossa preenchida peregrinação, em direcção à Jordânia. 

Quem estiver interessado, que compareça à hora marcada na entrada do hotel...

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É loucura, dizem quase todos... Estamos demasiado cansados! 

É loucura sim ... 

Moisés subiu com Aarão, Nadab e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel.

O Senhor disse a Moisés: «Sobe até Mim, ao alto da montanha; e fica ali para que Eu te dê as tábuas de pedra, com as leis e os mandamentos que nelas escrevi, para lhos ensinares.» 

 

Moisés partiu com Josué, seu servidor, e subiu ao monte de Deus. E aos anciãos ele disse: «Esperai aqui por nós até regressarmos para junto de vós. Eis que Aarão e Hur ficam convosco.»

E Moisés subiu à montanha. A nuvem cobria a montanha, e a glória do Senhor permaneceu sobre a montanha do Sinai, e a nuvem envolveu-o durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou por Moisés do meio da nuvem. Aos olhos dos filhos de Israel, a majestade do Senhor tinha o aspecto de um fogo devorador no cimo da montanha.

Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve Moisés durante quarenta dias e quarenta noites.

Ex 24, 9; 12-14; 15-18

À hora marcada, aparecemos 6 peregrinos, sorrisos nervosos na cara, casacos vestidos que a noite prometia ser fria, lanternas e telemóveis na mão para nos guiar no caminho. E o mais importante? O coração cheio de orações...

E foi tudo exactamente como nos descreveram ... 

 

Para mim, mais parecia a subida do Calvário. Foi difícil, foi verdadeiramente difícil. Durante a subida, cada um de nós desejou desistir em algum momento - não é possível, já não consigo mais - mas uns minutinhos de descanso, muitas palavras de alento, espírito de equipa bem aceso, por vezes até uma anedota ou duas, e toca a continuar, todos juntos!

Durante a subida, ouvia-se da nossa boca algumas orações curtas (à boa moda das Famílias de Caná, pensei eu), intercortadas pela respiração forte e pelo esforço: Senhor, ajuda-me... Senhor ajuda-nos ... Jesus ... manso e humilde de coração ... tende piedade de nós pecadores ... e de todo o mundo ... Oh minha Mãe ... 

Eu rezava interiormente o Terço e tentava expressar todas as incontáveis intenções de oração que levava no coração, pedindo a intercessão de todos os Santos e Santas que conhecia ....

 

E a noite passou... Quando demos por isso, estávamos lá em cima no topo do Monte Sinai!

Oh, as expressões de louvor, as orações espontâneas, os cânticos ... e por fim o silêncio, oh o silêncio de quem tem o coração cheio de Deus e nada mais é necessário....

Aquilo que me lembro mais é do céu estrelado, um céu estrelado como eu nunca tinha visto, e de tantas, tantas estrelas cadentes ... Como Deus é bom!

Depois de ter acabado de falar a Moisés no monte Sinai, Deus entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas com o Seu dedo.

Ex 31, 18

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Mas aquilo que é bom, realmente bom, termina depressa e é altura de começarmos a nossa descida ... 

Moisés desceu do monte Sinai, trazendo na mão as duas tábuas do testemunho.

Não sabia, enquanto descia o monte, que a pele do seu rosto resplandecia, depois de ter falado com Deus.

Ex 34, 29

Ao descermos, alegres e contentes, reanimados pelo Espírito Santo, encontramos outros grupos de peregrinos de outros países a subirem, com os rostos desfigurados pelo esforço e sofrimento.

E eu vou repetindo vezes e vezes sem conta: You are almost there! You can do it! May God bless you! You are almost there! You can do it!

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♪ Porque toda a Vida vem de Ti. Em Tua Luz, vejo a Luz!

Porque toda a Vida vem de Ti. E Tua Luz, faz-me ver a Luz! ♫

 

Ao descer, ainda temos tempo para um chá improvisado, contemplando o maravilhoso amanhecer que floresce à nossa frente, tal como as promessas de Deus a Moisés ... e também para uma imperiosa ida à casa de banho (o início daquela que seria a grande "praga" da nossa peregrinação, a valente gastroenterite que afectaria quase todo o nosso grupo de peregrinos durante o resto da nossa viagem ....) 

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O Senhor é a minha força, ao Senhor o meu canto.

Ele é nosso Salvador, n'Ele eu confio e nada temo

N'Ele eu confio e nada temo ♪

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♪ Deus precisa de mim

Muito mais que possas imaginar (bis)

Precisa de mim, muito mais que a terra

Precisa de mim, muito mais que o mar

Precisa de mim, muito mais que os astros

Precisa de mim (bis)

Deus precisa de ti .... 

Deus precisa de nós .... ♫

 

Olhem, pessoal, o que é aquilo? Eu só posso estar a sonhar! Estarei a ver bem?

Nem consigo acreditar, são mesmo codornizes!

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná.»

Levantou-se, entretanto, um vento enviado pelo Senhor, vindo do mar e trouxe codornizes. Todo o povo naquele dia e naquela noite e em todo o dia seguinte se pôs a apanhar codornizes.

Nm 11, 4-6;  31a;  32a

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Não fui a tempo de fotografar as codornizes, perdoem-me ... 

♫ Amor tão grande, profundo e sublime,

Esse é o Amor do meu Criador

Não há nada no mundo,

Que possa igualar-se

Ao terno Amor do meu Bom Jesus

 

Deus de Amor (Deus de Amor)

Oh, Deus de Amor (oh, Deus de Amor)

Tu és o único (Tu és o único)

Ó Deus de Amor.

Não há outro Deus (não, não há)

Fora de Ti (fora de Ti)

Fora de Ti (para mim) para mim (para mim)

Não há Amor! 

 

E querem saber uma coisa muito engraçada, que nenhum de nós tinha reparado no dia anterior?

O Monte Sinai é cor de rosa!! Sim, é mesmo cor de rosa!!

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Esta foto não captou bem a tonalidade do Monte Sinai, mas basta procurarem no google - é mesmo cor de rosa!

 

No sopé da montanha, o mundo começava a acordar, devagarinho ... e nós com tanto para contar!!!

Mas talvez seja uma boa ideia dormir no autocarro - só desta vez ... 

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

As acácias e as águas de Mara

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos o nosso caminho pelo deserto em direcção ao Monte Sinai. Já atravessámos o Mar Vermelho, tal como o povo hebreu; e para traz de nós ficaram os cavalos e os cavaleiros do Egipto. A parte mais fácil do trabalho de Deus - tirar o povo hebreu do Egipto - já está feita.

Agora sim vem a parte mais complicada e mais demorada desta tarefa a que Deus se propõe - tirar o Egipto de dentro do coração, da mente, da alma e do corpo do povo hebreu... Isto sim, dará imenso trabalho! Não demorará apenas alguns meses, como foi para tirar o povo hebreu do Egipto ... Deus Todo Poderoso, que criou o Céu e a Terra em apenas 6 dias, precisará de levar aquele povo - "de dura cerviz", como o próprio Moisés confessa - através do deserto durante 40 anos para tal conseguir .... 

 

Moisés fez partir Israel do Mar dos Juncos, e saíram para o deserto de Chur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água. Chegaram a Mara, mas não puderam beber a água de Mara, porque era amarga. Por isso se chamou àquele lugar Mara.

O povo murmurou contra Moisés, dizendo: «Que beberemos?»

E ele clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um tronco que ele lançou à água; e a água tornou-se doce

Ex 15, 22-25

Chegamos a Mara, local onde ocorreu este pequeno episódio bíblico. Este pequeno relato facilmente passa despercebido quando seguimos a história do povo hebreu ao longo do livro do Êxodo - eu não me lembrava de alguma vez o ter lido até este dia!

O povo hebreu e todo o seu rebanho está cheio de sede. Andaram 3 dias pelo deserto sem encontrar nenhuma fonte de água. Toda a água que traziam, tirada do Mar dos Juncos, ou seja, do Mar Vermelho, esgotou-se. E agora, o que fazer? Voltar para trás? Continuar caminho? Morreremos todos à sede?

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Eis que vislumbram um autêntico oásis: água, um poço de água! Rápido, venham todos beber!

Mas oh, que decepção! Que água tão amarga, impossível de beber....

O povo hebreu vira-se para um homem, à procura duma solução. O sábio Moisés sabe bem melhor para Quem se deve virar para pedir ajuda - Aquele que tudo pode, Aquele que prometera que estaria sempre com eles.

 

Deus pede a Moisés que jogue o tronco duma árvore para dentro do poço. Que pedido mais estranho! Estamos em pleno deserto, porque é que Deus não pediu a Moisés que jogasse uma pedra? Pedras há muitas por aqui ...

As árvores são tão raras aqui no deserto. Na periferia do deserto ainda era possível encontrar-se tamareiras; mas aqui, no meio do deserto, apenas é possível encontrar algumas acácias.... E, o mais provável, é que tenha sido essa a espécie de árvore que Moisés atirou para dentro do poço, tornando a água amarga em doce.

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Conseguem acreditar que não me lembrei de tirar uma única foto duma acácia ao longo da peregrinação? Foto retirada daqui

 

As acácias foram quase sempre árvores pouco valorizadas por todos os povos que alguma vez aqui habitaram, no deserto. Sempre foram árvores desprezadas.... Crescem apenas nos lugares mais áridos e decididamente que não são árvores bonitas; são finas e tortuosas, cheias de nós e de espinhos - tudo características que as tornam imensamente difíceis de trabalhar e de fazer seja o que for com a sua madeira. Os Egípcios nunca gostaram de trabalhar com a madeira das acácias, preferiam mais os cedros do Líbano....

Apesar disso, se avançarmos no livro do Êxodo e se lermos com atenção as ordens do Senhor para a construção da Arca da Aliança e dos principais objectos da Tenda da Reunião (e posteriormente do Templo do Senhor) iremos reparar, com frequência, num pormenor muito curioso:

O Senhor falou a Moisés, dizendo-lhe: «Fala aos filhos de Israel. Fareis o santuário e todos os seus utensílios, de acordo com os modelos que vou mostrar-vos. Fareis uma Arca de madeira de acáciaMandarás fazer varais de madeira de acácia revestidos de ouro; introduzirás os varais nas argolas, ao longo dos lados da Arca, a fim de servirem para a transportar.

Construirás em seguida uma mesa de madeira de acácia. Farás para a mesa quatro argolas de ouro e prendê-las-ás nas quatro extremidades, formadas pelos seus quatro pés. Estas argolas estarão colocadas frente a frente e por elas passarão varais destinados ao transporte da mesa. Farás os varais de madeira de acácia revestidos de ouro e servirão para transportar a mesaColocarás sobre esta mesa os pães da oferenda, que estarão permanentemente diante de mim.

Ex 25, 1; 9-10; 13; 23; 26-28; 30

Farás também para o santuário pranchas verticais de madeira de acácia. Assim construirás o santuário, conforme a norma que te mostrei neste monte. 

Ex 26, 15; 30

Farás o altar de madeira de acácia. Farás, para o altar, varais de madeira de acácia, revestidos de cobre. 

Ex 27, 1; 6

Também construirás um altar para queimar perfumes, e fá-lo-ás de madeira de acácia

Ex 30,1

Deus pede ao povo hebreu que faça alguns dos objectos mais importantes da Tenda da Reunião usando a madeira da acácia, nomeadamente a própria Arca da Aliança, que conterá as sagradas tábuas com os 10 Mandamentos da Lei do Senhor.

Mas com Deus é sempre assim: tudo aquilo que tiver sido desprezado pelo mundo, Ele reconhece o seu devido valor e ainda o eleva acima das outras coisas ... Servimos um Deus tão bom, tão bom...

 

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Foto retirada daqui

 

Para utilizar a madeira da acácia era preciso, primeiro, cortar os ramos em segmentos de pequeno tamanho (porque os ramos são tortuosos e pouco práticos de utilizar); depois, colocar os ramos em água, para ser possível retirar a sua casca; a seguir era preciso cortar os nós e os espinhos e tentar "endireitar" as angulações naturais destes ramos; e finalmente obtém-se um pedaço de madeira mais ou menos direitinho, mais ou menos pronto a ser usado para construir alguma coisa. Por fim, para que pudesse servir a construção da Arca da Aliança ou dos outros objectos da Tenda da Reunião, era ainda preciso revestir a madeira com uma camada de ouro ou de bronze ... quanta trabalheira!

Mas sabem que mais? A madeira da acácia, uma árvore capaz de resistir à vida difícil do deserto, quando assim trabalhada, torna-se numa das madeiras mais resistentes que se pode encontrar...

 

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Foto retirada daqui

 

Na realidade, se pararmos para pensar um pouco, apercebemo-nos que nós próprios somos muito parecidos com as acácias ... Todos nós temos muitos "espinhos" e "nós" e "angulações", muitos erros e falhas e defeitos e características difíceis de lidar. Para trabalhar com a madeira duma acácia é necessário que se faça um longo e paciente processo de limpeza e tratamento, tentando endireitar ou suavizar ao máximo estes espinhos e nós. Também em nós o Senhor precisa fazer um longo e paciente processo de "limpeza e tratamento" a fim de nos tornar santos.

O primeiro passo neste processo consiste em mergulhar os ramos da acácia dentro de água, a fim de lhes retirar a casca; também nós precisamos de passar, primeiro e logo desde o princípio, pelas águas do Baptismo, a fim de nos retirar a carapaça do pecado original e assim podermos ser trabalhados pelas mãos do Santo dos Santos. 

Mas o processo ainda não está completo; é ainda preciso que sejamos revestidos pelo Espírito Santo, tal como acontece no nosso Crisma - e agora sim, o pecado jamais conseguirá aceder e estragar definitivamente o íntimo da nossa natureza, o íntimo da nossa alma. Conseguirá sim, fazer uns riscos ou umas moças, sujar-nos e deixar-nos com algumas manchas ao longo das nossas vidas - mas nada disso será capaz de chegar até ao fundo do nosso coração, se trabalhado desta maneira por Deus. Esse precioso núcleo estará sempre protegido pelas próprias mãos do Senhor, estará sempre a salvo ...

 

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Poço de Mara

Voltemos ao poço das águas de Mara e aos nossos poços, onde acumulamos os nossos problemas, medos, dúvidas, erros e asneiras. Por vezes parecem que estão cheios de água até cá acima, sim, mas cheios duma água amarga, incapaz de dar a vida a quem dela beba ...

 

Claro que não foi a árvore jogada dentro do poço que purificou aquela água; foi sim todo o trabalho que o povo hebreu teve ao tratar e transformar aquele tronco; foi a cruz de aceitar ter todo aquele trabalho; foi, em última instância, o trabalho que Deus teve no coração de cada um deles, em cada um de nós ... 

 

Oh Senhor, trabalha em mim e no meu coração tanto quanto seja preciso! Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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A vida de Moisés e a nossa vida

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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Continuamos o nosso caminho em direcção ao Monte Sinai - o local onde Moisés recebeu as tábuas com as leis de Deus. Espera-nos ainda algumas horas de viagem e, por isso, o Samuel, o nosso guia egípcio, aproveita este tempo para nos falar um pouco mais de Moisés e de nos ler a sua história nas Sagradas Escrituras. O Samuel é capaz de falar sobre Moisés como se falasse acerca dum querido amigo seu ...

(E falar sobre Jesus então? Quanta ternura e quanto conhecimento! Os cristãos coptas do Egipto, que correspondem apenas a uma pequena percentagem da população egípcia, têm sido perseguidos pela sua Fé quase desde a altura em que São Marcos veio evangelizar este território, por volta do ano 67 d.C. Apesar disso - ou será melhor dizer, devido a isso - eles têm-se mantido firmes e fortes na Fé, na propagação do Evangelho e na partilha generosa de todas as bênçãos e graças que recebem do Senhor. Estas famílias levam tão a sério o seu comprometimento cristão que fazem questão de tatuar uma pequena cruz na face interna do punho de todos os seus bebés, logo ao nascer!) 

 

É impressionante como a história de vida de Moisés pode assemelhar-se à história de vida de qualquer um de nós. Abençoado desde a nascença, rodeado de cuidados, protecção e riquezas, que reflectiam o amor e carinho de Deus por Moisés. Apesar de tudo isso, deixa-se levar pelo pecado (de tal modo que chega a cometer um assassínio) e é obrigado a fugir para o deserto, onde, arduamente e ao fim de longos anos, aprende a ser um homem bom. Bom, mas ainda não santo. E assim, a sua história não acaba aqui: Deus dá-Se a conhecer intimamente a Moisés e Moisés descobre que, sim, devemos amar a Deus acima de todas as coisas, mas também o próximo como a nós mesmos... e isso, bem, digamos assim, às vezes dá algum trabalho - como por exemplo guiar, ensinar e proteger mais de 2 milhões de pessoas, desde o Egipto, de volta à terra de Canaã. Coisinha pouca, claro 

 

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O livro do Êxodo indica-nos claramente que a vida de Moisés passou por estas 3 fases diferentes, cada uma delas levando cerca de 40 anos - ei, afinal não somos só nós que demoramos a aprender as lições de Deus, ahn? 

 

Um homem da casa de Levi tomou por esposa uma filha de Levi. A mulher concebeu e deu à luz um filho. Viu que era belo, e escondeu-o durante três meses. Não podendo mantê-lo escondido por mais tempo, arranjou-lhe uma cesta de papiro, calafetou-a com betume e pez, colocou nela o menino, e foi pô-la nos juncos da margem do rio. A irmã dele colocou-se a uma certa distância para saber o que lhe sucederia.

Ora a filha do faraó desceu ao rio para tomar banho, enquanto as suas jovens acompanhantes caminhavam ao longo do rio. Viu a cesta no meio dos juncos e enviou a sua serva para a trazer. Abriu-a e viu a criança: era um menino que chorava. Compadeceu-se dele e disse: «Este é um dos filhos dos hebreus.»

Então a irmã dele disse à filha do faraó: «Queres que te vá chamar uma ama entre as mulheres dos hebreus, para te amamentar o menino?» «Vai», disse-lhe a filha do faraó. E a jovem foi chamar a mãe do menino. A filha do faraó disse-lhe: «Leva este menino e amamenta-mo, e dar-te-ei o teu salário.» A mulher levou o menino e amamentou-o.

O menino cresceu, e ela devolveu-o à filha do faraó. Foi para ela como um filho, e deu-lhe o nome de Moisés, dizendo: «Porque o tirei das águas.»

Ex 2, 1-10

O nascimento daquela criança era a última coisa que aquela família precisava ... Era o pior que podia ter acontecido. Quão inconveniente! Em quantos trabalhos os colocou! Já sob o jugo de trabalhos diários tão difíceis, vidas previamente já complicadas, dificultadas pela opressão do Faraó, que desejava diminuir a todo o custo aquele povo hebreu, que parecia ser cada vez mais numeroso (o mundo sempre teve medo das famílias grandes...) E nascer logo um rapaz ... pior era impossível. Ainda se fosse uma rapariga, o Faraó permitia que vivesse, mas um rapaz ... O nascimento daquela criança colocava aquela família em sério risco de vida. Se fossem descobertos, o que aconteceria?

O menino crescia, dia após dia, e já não era possível mais escondê-lo... Mas crescer para quê? Para que vivesse também ele uma vida de miséria? Viver assim não é viver, dizem ... Para viver assim, mais valia que morresse já ... 

Mais de 3.000 anos separam-nos desta história, mas o raciocínio de pensamento parece que se mantém o mesmo na nossa sociedade ... Se uma vida promete ser difícil de viver, então não vale a pena... Se for diferente daquela que a gente pensa ser a ideal, então não vale a pena viver.... 

 

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Uma última mamada e Moisés adormece no seu cestinho de papiro. O rio Nilo sempre foi conhecido pela sua abundância de crocodilos e de hipopótamos. Talvez, assim adormecido, não sinta sequer nada ... 

A dor daquela mãe, daquela família, é real. É horrivelmente grande e real. É absurdamente grande, capaz de rasgar o peito e a alma ... O que poderia ter tornado as coisas diferentes? Talvez apenas fosse preciso uma mão de alguém, um gesto de apoio, um ombro amigo - em que desse não só para chorar, sim, mas também para pôr aquele bebé a arrotar ou para ajudar a carregar os pesados tijolos de barro, que diariamente tinham de ser feitos sob um sol abrasador ... 

 

A irmã de Móises, Miriam, apesar de ser ainda criança, sabe que aquilo não está certo... Poderá não saber exactamente porquê, mas as crianças sabem muitíssimo bem discernir o que está certo e o que está errado, com uma clareza que é capaz de superar a de muitos adultos ...

 

A primeira filha do Faraó Ramessés II era infértil, o que significava que o poder do próximo reinado poderia passar para as mãos de outro ramo da família. A adopção daquele bebé foi uma enorme bênção para a família real. Deus é assim - em todas as circunstância, transforma o mal em bem. A (aparente) desgraça numa família muitas vezes corresponde à resposta das orações e súplicas mais intensas de outra família ... 

E Deus oferece uma nova oportunidade àquela mãe, provavelmente já arrependida do que fez, talvez em estado de puro desespero e arrependimento, talvez já odiando-se profundamente pelo que tinha feito ... E Deus, não só perdoa, não só dá uma nova oportunidade, como ainda abençoa aquela mãe - que deve ser a única mulher na história da humanidade que foi paga para poder ficar em casa a cuidar do próprio filho! E esta, ah? Oh, quantas mulheres conheço que desejariam o mesmo ... 

 

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É provável que Moisés, sendo príncipe do Egipto, tenha sido enviado para as escolas da cidade de Mênfis, a famosa "cidade dos sábios", para estudar e aprender tudo o que precisava para se tornar, um dia, num grande líder. Mal ele imaginava o quanto as capacidades que aprenderia nesta fase da sua vida ser-lhe-iam tão úteis e necessárias no futuro ... 

 

Entretanto, Moisés cresceu, foi ao encontro dos seus irmãos e viu os seus carregamentos. Viu também um egípcio que açoitava um dos seus irmãos hebreus.

Olhando para todos os lados e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio e enterrou-o na areia.

Ex 2, 11-12

Caramba, Moisés devia ter um feitio terrível! Que exagero! Que reação desmedida! 

Moisés escolhe uma solução absolutamente desproporcional às circunstâncias, mesmo após passar anos e anos na escola dos sábios de Mênfis, mesmo após aprender tanta "sabedoria" ... Pode ter aprendido muitas coisas, mas de certeza que não aprendeu o que é realmente importante ... Afinal, nem consegue sequer resolver coisas simples, como um mero conflito entre duas pessoas - como é suposto que saiba governar uma nação inteira? Oh, como eu por vezes me revejo nesta faceta de Moisés... 

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E Deus, querendo falar-lhe ao coração, leva-o então ao deserto, como faz também com cada um de nós ... 

O faraó ouviu falar deste assunto e procurou matar Moisés. Mas Moisés fugiu da presença do faraó, foi residir na terra de Madian

Ex 2, 15

Passar pelo deserto é sempre difícil. Custa sempre - e muito, mesmo muito.

Mas é o local da escola Divina por excelência...

Moisés estava a apascentar o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madian. Conduziu o rebanho para além do deserto, e chegou à montanha de Deus, ao Horeb.

O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada. E Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!» E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus.

O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel. E agora, vai; Eu te envio ao faraó, e faz sair do Egipto o meu povo, os filhos de Israel.»

Moisés disse a Deus: «Quem sou eu para ir ter com o faraó e fazer sair os filhos de Israel do Egipto?»

Ex 3, 1-2; 4; 6-8; 10-11

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Moisés foge, do Egipto para o deserto, por volta dos seus 40 anos de idade (o que quer representar apenas a sua juventude e inicio na idade adulta). É necessário que viva outros 40 anos (que representa o seu amadurecimento) até aprender, verdadeiramente, a virtude da humildade - aqui tão bem representada nesta resposta «Quem sou eu para ...?» 

Anos mais tarde, os descendentes de Moisés escreverão acerca dele, dizendo que

Na realidade, Moisés era um homem muito humilde, mais que todos os homens que há sobre a face da terra

Nm 12,3

Outras versões da Bíblia dizem que "Moisés era um homem muito paciente" ou "muito manso". Pois, é que o deserto é também um óptimo local para desenvolver a virtude da paciência (que claramente Moisés não possuía, pelo seu comportamente explosivo no conflito entre o egípcio e o hebreu). Quem viu Moisés na sua juventude e quem o vir agora, perto dos 80 anos, ou seja, como adulto amadurecido e experienciado - quem diria que poderia vir a acontecer tal tranformação? Oh, só o Senhor pode operar milagres destes ... 

Sim, a todos nós, seja apenas uma única vez, ou muitas vezes, Deus levar-nos-á ao deserto, para nos falar ao coração e para fazer de nós pessoas mais pacientes, mais humildes, mais resistentes, mais santas ... 

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Após este longo processo de amadurecimento, Moisés está pronto para uma nova fase, um novo desafio, uma nova aventura. Deus chama-o a guiar, organizar, pacificar e preocupar-se com a vida de mais de 2 milhões de pessoas ... como será tal possível? 

Moisés disse a Deus: «Quem sou eu para ir ter com o faraó e fazer sair os filhos de Israel do Egipto?»

O Senhor disse: «Eu estarei contigo».

Ex 3, 11-12

E isso é tudo - tudo! - o que é necessário ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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Saindo do Egipto e entrando no deserto

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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Não passámos mais que 30 horas na grande cidade do Cairo, mas foram de tal forma intensas e preenchidas que mais parecia que já ali estávamos há anos e anos! 

Tínhamos visto a faceta gloriosa do Egipto, a imponência das Pirâmides, os grandes palácios, os hotéis revestidos de mármore, as cores vivas, as pedras preciosas abundantes .... 

Mas também tínhamos já visto a outra face do Egipto, muitíssimo mais abundante - a do caos, a da "lei do mais forte", a do "salve-se quem puder", a da pobreza, às vezes de tal modo extrema que tinha obrigado milhares de famílias a viverem dentro dos cemitérios, dentro dos túmulos de pedra que aí existem, na chamada Cidade dos Mortos ... 

 

Está na altura de continuarmos a nossa peregrinação. Está na altura de fazermos exactamente aquilo a que nos propusemos nesta peregrinação - a seguir as pegadas do êxodo do povo hebreu, fazendo caminho com eles, deixando para trás a "Cidade dos Mortos" e seguindo em direcção à "Cidade da Vida", onde abundará leite e mel, tal como nos promete o Senhor.

Está na altura de sair do Egipto e de entrar no deserto

 

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Quando o faraó se aproximou, os filhos de Israel ergueram os olhos, e eis que os egípcios acampavam atrás deles, e os filhos de Israel tiveram muito medo e clamaram ao Senhor. Disseram a Moisés: «Foi por falta de túmulos no Egipto que nos trouxeste para morrermos no deserto? O que é isto que nos fizeste, fazendo-nos sair do Egipto? Não foi isto que te dissemos no Egipto, quando dizíamos: ‘Deixa-nos! Queremos estar ao serviço do Egipto, porque é melhor para nós servir o Egipto do que morrer no deserto’?» 

Moisés disse ao povo: «Não tenhais medo. Permanecei firmes e vede a salvação que o Senhor fará para vós hoje. Pois vós vistes os egípcios hoje, mas nunca mais os tornareis a ver. O Senhor combaterá por vós. E vós ficai tranquilos!»

Gn 14, 10-14

 

Saímos do Cairo em direcção ao Monte Sinai (que é ainda dentro do território egípcio), um percurso que fazemos em pouco mais de 6 horas de autocarro. O povo hebreu demorou 50 dias, cerca de 7 semanas, a fazer este mesmo percurso ... 

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Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez recuar o mar com um vento forte de oriente, toda a noite, e pôs o mar a seco. As águas dividiram-se, e os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, por terra seca, e as águas eram para eles um muro à sua direita e à sua esquerda. Os egípcios perseguiram-nos, e todos os cavalos do faraó, os seus carros de guerra e os seus cavaleiros, entraram atrás deles para o meio do mar.

O Senhor disse a Moisés: «Estende a tua mão sobre o mar, e que as águas voltem sobre os egípcios, sobre os seus carros de guerra e sobre os seus cavaleiros.» Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar voltou ao seu leito normal, ao raiar da manhã.

As águas voltaram e cobriram os carros de guerra e os cavaleiros; de todo o exército do faraó que entrou atrás deles no mar, não ficou nenhum. 

O Senhor salvou, naquele dia, Israel da mão do Egipto.

Gn 14, 21-23; 26-28; 30

 

Tal como eles, também nós atravessámos o Mar Vermelho - e a pé enxuto, também! Mas, enquanto eles atravessaram literalmente pelo Mar Vermelho adentro, nós ... fizemos um pouquinho de batota e atravessámos por baixo do Mar Vermelho (através dum túnel construído recentemente) - mas, oh, deviam ter visto a alegria e a euforia dentro do autocarro quando chegámos ao outro lado da margem!! Atravessámos o Mar Vermelho!!

 

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Um dos possíveis percursos que o povo de Deus seguiu durante os 40 anos em que esteve no deserto, até chegar à Terra Santa.

 

Quando Jacob e toda a sua família desceram de Canaã até ao Egipto, para ficarem a viver junto de José, trazendo consigo tudo quanto possuíam, desde os objectos da casa até aos rebanhos, eram apenas 70 pessoas, tal como nos dizem as Sagradas Escrituras:

 

Israel partiu com tudo o que lhe pertencia e chegou a Bercheba. Deus falou a Israel numa visão, durante a noite, e disse-lhe: «Jacob! Jacob!» Ele respondeu: «Eis-me aqui.» E Deus prosseguiu: «Eu sou o Deus de teu pai: não hesites em descer ao Egipto, porque tornar-te-ei ali uma grande nação. Eu mesmo descerei contigo ao Egipto; e Eu mesmo far-te-ei voltar de lá.»

Jacob partiu de Bercheba. Os filhos de Israel fizeram subir Jacob, seu pai, assim como as suas mulheres e os seus filhos, para os carros enviados pelo faraó para os transportar. Tomaram os seus rebanhos e os bens que tinham adquirido no país de Canaã e foram para o Egipto, Jacob e toda a família. 

E todas as pessoas da família de Jacob e seus descendentes, que entraram no Egipto, além das mulheres dos filhos de Jacob, foram ao todo sessenta e seis pessoas. Depois, os filhos de José, que nasceram no Egipto: duas pessoas. Total das pessoas da casa de Jacob que foram para o Egipto: setenta pessoas.

Gn 46, 1-6; 26-27

 

Deus promete a Abrãao (e a Isaac e a Jacob) que fará do seu povo uma grande nação. Ora 70 pessoas é pouco mais que uma aldeia ... Contudo, ao fim dos 430 anos em que o povo hebreu permaneceu no Egipto, fazem ideia de quantas pessoas seguiram Moisés em direcção à Terra Prometida?

Os filhos de Israel partiram de Ramessés para Sucot, cerca de seiscentos mil a pé, só os homens fortes, sem contar as crianças. Também uma turba numerosa partiu com eles, juntamente com ovelhas, bois e gado em grande quantidade.

Ex 12, 37-38

Ora 600.000 homens, sem contar com mulheres e crianças. Fazendo uma pequena estimativa, e assumindo que todos os homens eram casados e que tinham no mínimo 2 filhos por casal (vocês sabem perfeitamente que a maioria deveria ter bastante mais!) .... isto dá cerca de 2.400.000 pessoas, 2 milhões e meio de descendentes de Jacob!... Bem que Deus tinha dito a Abrãao para tentar contar as estrelas do Céu ou os grãos de areia da praia, porque a sua descendência iria ser assim tão numerosa (e nós vamos apenas no início da história do povo de Deus!)

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É verdade, acho que ainda não vos tinha contado, mas nós somos exactamente 40 peregrinos. Nem 1 a mais, nem 1 a menos; exactamente 40 peregrinos. Quão adequado, não?  

Eu falei-vos da importância do número 40 há uns tempos atrás, mas, basicamente, ao longo de toda a Bíblia, sempre que é referido o número 40 quer dizer que algo ou alguém foi posto à prova e que, de seguida, algo de extraordinário ou decisivo irá acontecer.

Cada um de nós tem uma história, única e irrepetível, frequentemente difícil e cheia de adversidades, de cruzes pesadas, sim, mas também de muitas bênçãos, graças e milagres, que vamos tendo a oportunidade de partilhar entre nós ao longo desta peregrinação. O Senhor é realmente bom e compassivo! O amor de Deus é realmente eterno e inesgotável! Oh, como o Senhor é bom!

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Areia e areia, rochas e rochas ... Estamos a chegar ao local onde iremos almoçar, no meio do deserto, segundo nos dizem. Pela janela do autocarro, a paisagem tem vindo a mudar e começaram a surgir plantas e alguma vegetação rasteira ...

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O céu está mesmo bonito hoje, não é Senhor? Olha-me bem para estas cores!...

Isto começa a fazer-me lembrar das praias da Costa da Caparica ... Acho que estou com saudades de casa ... Espera!! O que é aquilo que eu vejo lá ao fundo?? Acho que estou a ver uma miragem ...

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Água! O Mar Vermelho, afinal, continua a acompanhar-nos ... O quê? Vamos mesmo almoçar aqui?! Ai que bom!! 

E que surpresa foi para todos, poder almoçar bem juntinho do Mar Vermelho. Já não me lembro sequer o que foi o almoço, só me lembro que todos almoçámos o mais depressa que conseguimos a fim de termos ainda alguns minutinhos na praia do Mar Vermelho. Vejam bem esta maravilha que o Senhor fez ...

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Sei que não conseguem ver bem nas fotos, mas havia muitos peixinhos pequeninos a nadarem connosco no Mar Vermelho ... 

Estão a ver esse homem que nada como um atleta olímpico? Sim, é o nosso querido Padre Miguel, que nos acompanhou ao longo da peregrinação

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos o rochedo da nossa salvação.
Vamos à Sua presença com hinos de louvor,
saudemo-Lo com cânticos jubilosos.
Pois grande Deus é o Senhor,
é um Rei poderoso, mais que todos os deuses.
Na Sua mão estão as profundezas da terra
e pertencem-Lhe os cimos das montanhas.
Dele é o mar, pois foi Ele quem o formou;
a terra firme é obra das Suas mãos.
Vinde, prostremo-nos por terra,
ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou.
Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo,
as ovelhas por Ele conduzidas.

Salmo 95

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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A queda dos poderosos

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Estamos no início da nossa peregrinação

Para trás de nós ficou o acordar às 5 ou 6 horas da manhã do dia 3 de Agosto, o check-in demorado em Lisboa, as primeiras 6 horas da viagem de avião até Istambul, a espera (aparentemente) interminável pelo 2º voo até ao Cairo, com início bem perto da meia noite e a chegada ao nosso primeiro hotel pelas 5 horas da manhã já do dia 4 de Agosto. Quem conseguiu, pode ainda dormir 30 minutos, antes de partirmos de autocarro para a nossa primeira paragem no Egipto...

Afinal, estamos em plena peregrinação e não numa viagem de férias e descanso; e a nossa Fé dá-nos a força para seguirmos caminho. Dentro dos nossos corações trazemos inúmeras intenções de oração, muitos pedidos de ajuda e de súplica, sim, mas ainda mais orações de agradecimento e louvor por todas as graças e bênçãos que cada um de nós recebeu, ao longo das nossas vidas. 

 

A nossa primeira paragem é na antiga cidade de Mênfis, onde (para minha inicial desilusão) começamos por visitar a gigantesca estátua do Faraó Ramessés II, que eu não faço ideia quem seja .... porque é que viemos aqui? não podíamos ter dormido um pouquinho mais??

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O nosso querido guia egípcio, Samuel Gabala, começa a contar-nos a história deste grande Faraó: terá nascido provavelmente no ano 1290 a.C. e teve um dos mais longos reinados egípcios, morrendo apenas aos 94 ou 97 anos de idade. Ao longo da sua vida, casou com 40 mulheres e teve pelo menos 250 filhos e filhas. Viveu diversas guerras mas reinou também durante muitos anos de paz e prosperidade, tendo tido a possibilidade de terminar várias obras dos seus antecessores e de erguer algumas obras só suas.

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Nomeadamente, mandou erguer 2 enormes estátuas de si mesmo (a que pudémos observar era a única que, ao fim destes 3.000 anos, ainda se encontra inteira), cada uma com mais de 80 toneladas e 13 metros de altura, esculpidas a partir duma única rocha, e que foram colocadas na entrada da cidade de Mênfis.

Desde o topo da cabeça até aos pés, todos os pormenores desta estátua pretendiam demonstrar o enorme poder do seu reinado. Qual o inimigo que se atreveria a enfrentar tal potência? Além disso, não nos esqueçamos que os egípcios acreditavam que os faraós eram deuses e tratavam-nos como tal... Quem se atreveria a combater os próprios deuses?

 

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade ....

Ainda nos dias de hoje, na nossa sociedade, se erguem tantas destas "estátuas" (talvez nunca se tenha erguido tantas como hoje!) - imagens de poder, de domínio, de controlo absoluto sobre tudo à nossa volta, de auto-suficiência, de orgulho sem fim ... que não passam de imagens falsas e perecíveis, que também um dia acabarão por ruir e cair....

Oh, também eu, na minha vida, por vezes, me atrevo a erguer estas "estátuas" ... louvado seja Deus, que não se cansa de nos deitar a baixo todas as nossas "torres de Babel" ... 

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Mas qual a relevância, afinal, deste faraó na nossa peregrinação?

É que este poderá ter sido o Faraó da época de Moisés e do êxodo do povo de Deus. Por exemplo, encontraram escrito no seu túmulo que tinha perdido 12 dos seus filhos primogénitos no mesmo dia, e existem algumas evidências que indicam que terá vivenciado as 10 pragas que o livro do Êxodo nos relata ....

 

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Oh Faraó dum império rico, próspero e aparentemente indestrutível; achava que o reinado da sua família continuaria por todo o sempre; nada de mal jamais lhe aconteceria ... 

A verdade é que o grande Império do Egípcio acabou por cair e morrer. Depois veio o Império da Assíria, que conquistou muitas e muitas terras; também esse acabou por cair e morrer às mãos duma nova potência militar, o Império Babilónico comandado pelo rei Nabucodonosor ... império após império, Persa, Grego, Sírio e por fim o grande Império Romano, já no tempo de Jesus; cada novo Império reclamava para si um poder ainda maior que o anterior e todos pensavam ser indestrutíveis e eternos...

 

O nosso guia vai relatando esta história, que se repete vezes e vezes sem conta ... e quando dou por isso, o meu coração começa a cantar o Magnificat, o canto de alegria e louvor da Santíssima Virgem Maria...

 

A minha alma glorifica o Senhor 
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: 
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: 
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração 
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço 
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos 
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens 
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, 
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, 
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho 
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, 
Agora e sempre. Amén

(Lc 1,46-55)

 

Louvado seja o Senhor por todo o sempre!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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O início duma grande aventura

Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do Seu nome, 
celebrai os Seus louvores,
dizei a Deus: «Maravilhosas são as Vossas obras».

Vinde contemplar as obras de Deus, 
admirável na Sua ação pelos homens.
Bendizei, ó povos, o nosso Deus, 
fazei ressoar a voz do Seu louvor.

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi, 
vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Salmo 66

 

Salmo da Eucaristia de hoje, dia 14 de Agosto .... que não podia ser mais apropriado!

Aliás, todas as leituras deste Tempo Comum do ano C, desde o Pentecostes, têm sido muitíssimo adequadas para a preparação do meu coração e da minha vida para a aventura a que Deus me chamava...

Alguém tem acompanhado as leituras da missa diária? Ao longo destas longas semanas, a Igreja tem-nos ajudado a relembrar as nossas origens, o princípio da nossa Fé, o início da história de amor de Deus por cada um de nós ...

Acompanhámos a bela e longa história de Abraão, do seu enamoramento por Deus, da sua Fé firme e contagiante no único Deus verdadeiro. Acompanhámos a história do seu filho tão amado, Isaac, e depois do seu neto, Jacob, que, de tantas e tantas formas, prefiguram Jesus. Acompanhámos a fantástica história de José, duramente incompreendido e acusado falsamente, mas que acaba por salvar todo o povo hebreu.

E acompanhámos, até às leituras do dia de hoje, a entusiasmante história de Moisés, aquele que falava longamente com o Senhor, face a face, como o seu melhor amigo e que, graças a este profundo enraizamento no amor de Deus, foi capaz de realizar feitos extraordinários - como vencer um Império aparentemente indestrutível e chefiar sabiamente um dos maiores êxodos da história da humanidade!

Enquanto isto, as leituras dos Evangelhos têm-nos vindo a contar os milagres, as curas e principalmente os ensinamentos (tão ousados e radicais naquela cultura e contexto) de Jesus ... 

Oh, nada melhor para me ajudar a preparar para o que iria ver e viver no início deste mês de Agosto, tão aguardado e desejado.

 

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Amigos, alegrem-se comigo - cheguei ontem da Terra Santa. Sim, da Terra Santa!  

Pela graça sempre tão abundante de Deus, tive a oportunidade de poder peregrinar durante 10 dias desde o Egipto até à Terra Santa, seguindo exatamente o percurso e a história do povo de Deus, até chegar à Terra Prometida! 

Mas, ainda mais maravilhoso que tudo, foi poder estar e tocar e ver alguns dos locais mais importantes durante a vida de Jesus aqui na nossa Terra. Lugares em que aconteceram factos de tal importância, como a Anunciação do Anjo Gabriel a Nossa Senhora, o nascimento de Jesus em Belém, a instituição da Eucaristia e do nosso primeiro Papa Simão Pedro, a morte de Jesus no Calvário, a sua esplendorosa Ressurreição, o fulgor, a alegria e a vida após o Pentecostes ... 

 

Oh, tenho tanto para vos contar! Tanto para partilhar! Tanto!

Aos pouquinhos, assim o farei nos próximos posts ... 

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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