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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem esposa e mãe católica portuguesa. Neste blog partilho a minha caminhada em busca de Deus e da santidade, através da nossa Igreja Doméstica crescente!

Deixemos os nossos ídolos e voltemos para o Senhor

Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: «Vamos! Façamos para nós um deus que caminhe à nossa frente, pois a Moisés, esse homem que nos persuadiu a sair do Egipto, não sabemos o que lhe terá acontecido.» Aarão respondeu-lhes: «Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas.» Eles tiraram as argolas que tinham nas orelhas e levaram-nas a Aarão. 

Recebeu-as das mãos deles, deitou-as num molde e fez um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: «Israel, aqui tens o teu deus, aquele que te fez sair do Egipto» Vendo isso, Aarão construiu um altar diante do ídolo, e disse em voz alta: «Amanhã haverá festa em honra do Senhor.» No dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir. (Ex 32, 1-6)

De quantas formas diferentes este episódio poderia ser reescrito, com base em circunstâncias da minha vida? Poderia começar assim: "Vendo que o Senhor Se demorava a cumprir uma das Suas promessas, a impaciente Marisa, em vez de aguardar fielmente até que chegasse o momento certo e adequado, preparado com todo o carinho por Deus, reuniu todos os seus desejos e anseios, e disse: 'Vamos! Farei para mim um ídolo que caminhe à minha frente, que eu veja e toque, no qual eu possa mandar e assim fazer tudo consoante a minha vontade ..."

 

Conforta-me saber que não é só na minha vida que acontecem estes momentos de impaciência, de insegurança, de dúvida, de esquecimento das promessas do Senhor, de falta de Fé. A Fé, que é uma «resposta ao chamamento do Senhor», mas também um «exercício de memória», como explorámos num post anterior. O povo de Israel também caiu muitas vezes, como eu, na tentação da desconfiança das promessas do Senhor. E é nessas alturas que surge algo que é absolutamente contrário à Fé: a idolatria

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Imagem retirada daqui

Algo está a acontecer, Moisés avisou-os de que o Senhor o tinha chamado a subir até ao topo do Monte Sinai, para lhe falar e ensinar as leis e os mandamentos, que trariam vida e paz a todo o povo no seu futuro na Terra Prometida. O povo a nuvem que passa a cobrir a montanha, Aarão vê a imagem do fogo no topo do Monte. Todos sabem que algo está a acontecer, naquele preciso momento das suas vidas, que Deus está a agir, que não está adormecido, nem Se esqueceu deles nem está ocupado com outra coisa... 

E ainda assim, durante o período de quarenta dias e quarenta noites que "Moisés fica a falar com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do Rosto Divino escondido, não suporta o tempo de espera". Com o passar do tempo, esquecem-se das promessas do Deus fiel, deixam que a dúvida e a suspeita comecem a entrar por entre brechas dos seus corações, como aconteceu com Adão e Eva no Éden, e tornam-se assim inseguros e impacientes. Da insegurança ao medo, acerca do presente e do futuro, é um saltinho. E o sentir medo aterroriza-os, porque leva-os a pensar e a reflectir, e sem a luz da Fé tudo parece tenebroso e incerto. Então o que fazem? Procuram a todo o custo "fazer festa", "comer e beber", "divertir-se", entreter-se, encher-se de outras coisas, para não terem que lidar com a realidade que vivem ... 

 

"Por sua natureza, a Fé pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer". É um convite ao respeito "pelo mistério próprio de um Rosto que Se pretende revelar", sim, mas apenas "no momento mais oportuno". Não conseguindo suportar este "ainda não" da parte do Senhor, o povo israelita procura não só anestesiar-se e embriagar-se com divertimentos e prazeres, mas também escolhe "adorar um ídolo cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida" porque foi feito pelas suas próprias mãos e à sua própria imagem. 

Aliás, "diante deste ídolo, não se corre o risco de uma possível chamada" que os "faça sair" do seu conforto e segurança. Na verdade, a desconfiança, as dúvidas, o medo, a falta de Fé deste povo é de tal modo que, para o fabrico deste ídolo, eles aceitam até que lhes seja "tirada" as suas posses e bens, aceitam que os seus tesouros, que eram únicos e irrepetíveis, exclusivos de cada um, sejam conjuntamente despejados num molde uniforme, perdendo assim a sua originalidade e singularidade. Porque, um ídolo "é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade", para a "adoração da obra das próprias mãos". E assim constroem altares para exaltarem a atenção própria, a exigência das suas "necessidades" e "direitos", o louvor do amor próprio...

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Imagem retirada daqui

Chama-me particularmente à atenção que o povo hebraico tenha caído neste pecado da idolatria exactamente quando já faltava tão pouco tempo para que a sua espera terminasse. Moisés já estava a caminho, já estava a preparar-se para começar a descer a montanha, e trazer-lhes as tábuas da salvação, que lhes indicaria o caminho e lhes garantiria um futuro feliz. Eles já se tinham esforçado e lutado, contra as tentações, durante tanto tempo de espera - estava quase, tão quase, só faltava um bocadinho mais ... Ah, como sou parecida com o povo hebreu.

 

Assim, "perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos". Fragmenta-se, desintegra-se. Por isso, "a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas, que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto". Deste modo, quem escolhe não "confiar-se a Deus", terá de ouvir "as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: «Confia-te a mim!»" Ininterruptamente, infindavelmente ... 

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Imagem retirada daqui

Então, o que poderemos fazer? Escolher a Fé. "A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal". Voltemos. Façamos memória, do passado e do futuro, e acreditemos "na Sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história". Deixemo-nos "incessantemente transformar" ao passo do chamamento do Senhor, que nos convida a sair do nosso egoísmo e do nosso pecado, para nos encontrar-nos com Ele. E, deste modo, iremos descobrir que, "paradoxalmente, é neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura, que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos."

Canção da inspiradora Audrey Assad - "You speak"

 

Post escrito com eenxertos da maravilhosa Carta Apóstólica Lumen FideiLuz da Fé, 

escrita pelo Papa Bento XVI e pelo Papa Francisco, publicada em 2013, 13º ponto.

Façamos memória do futuro

Eis que um novo ano tem hoje início.

Chegou - esta foi a primeira palavra que surgiu na minha mente ao acordar. A promessa do Senhor chegou, cumpriu-se, está continuamente a cumprir-se. Estou a um passo mais perto do grande dia. Chegou e continua a chegar. Eis que Ele vem. Eis que já chegou ... 

 

Se deixar de lado as dificuldades, as limitações e as lágrimas (tudo coisas que o Senhor amorosamente me enviou na tentativa de me tornar um pouquinho mais santa), dou por mim a pensar que o ano de 2020 foi o ano das promessas cumpridas (mais uma vez) na minha vida. E tudo, por obra e graça do Senhor. 

Sim, foi um ano de espera (mais uma vez), um ano para aprender a dobrar a minha vontade e a escolher a vontade do Senhor (mais uma vez), um ano com todas as possibilidades para me tornar santa (adivinhem? mais uma vez também). E essa tarefa tanto trabalho tem dado ao Senhor ...

 

2021 será um ano particularmente especial para mim. Irá mudar (literalmente) toda a minha vida e todo o meu futuro. Exactamente 10 anos depois da minha conversão, direi o meu Sim perpétuo (o meu Fiat, à semelhança da nossa Mãe, cuja solenidade hoje celebramos) à vocação de amor a que o Senhor me chamou.

Será um ano duma vida nova, sim, mas, também por isso, desconhecida. E o desconhecido, pelo menos a mim, mete-me medo. Tanta coisa pode acontecer, e se...? E se acontecer isto ou aquilo? E se eu não conseguir? E se eu falhar? 

Sim, eu irei falhar, muitas vezes. Sim, eu não vou conseguir, muitas vezes. Mas ficará tudo bem, sim, porque Deus não falha. Deus vence sempre. Deus sustenta-nos quando não conseguirmos. Deus orientar-nos-á e guiar-nos-á quando não soubermos o caminho ou não o consigamos ver.

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Imagem retirada daqui

Desde Abraão, nosso pai na Fé, que o Senhor nos diz isto continuamente. À semelhança de Abraão, também a mim, também a ti, «o Senhor nos dirige pessoalmente a Sua Palavra» e Se revela como um Deus que é capaz de tudo, para fazermos parte da Sua família, da Sua comunhão de amor. «A Fé é a nossa resposta a esta Palavra que nos interpela».

Como a Abraão, também a mim, também a ti, «a Palavra do Senhor transmite-nos um chamamento e uma promessa». Chama-nos a «sair de nós próprios», convida a abrir-nos a uma nova vida, provoca em nós um autêntico «êxodo», desde as terras da escravatura do pecado e do amor-próprio em que nos quisemos perder, e põe-nos a caminho da Terra Prometida, a terra do amor saciante, da infinita paz de espírito e de corpo, da alegria perpétua, da eterna comunhão ...

Mas como tal será possível? Parece algo tão grande e imenso, absolutamente impossível ... Na verdade, Abraão descobre, e cada um de nós é chamado também a descobrir e a experienciar, nas situações concretas das nossas vidas, que «a Fé vê na medida em que caminha». 

O Senhor chama-nos e convida-nos, nós escutamos a Sua voz, nós permitimos que Ela chegue ao nosso coração, acreditamos nas Suas promessas e tomamos o pequeno passo de nos virarmos na Sua direcção. No preciso instante deste movimento, «a Fé», transmitindo-nos a graça super-abundante do Senhor, «permite-nos ver» - o suficiente, e nada mais que isso - «para darmos o próximo passo».

E como pôde Abraão, como podemos nós, acreditar nesta Palavra, nesta promessa do Senhor? Vem, Eu estou sempre contigo! Vem, Eu sustentar-te-ei, Eu acompanhar-te-ei, Eu serei tudo para ti.

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Imagem retirada daqui

O Senhor é tão rico em provas e em promessas cumpridas, como é rico em demonstrações de amor e de misericórdia. Olhemos com atenção para a nossa vida, olhemos para a vida do povo de Israel, olhemos para a vida da nossa família, do nosso país, da nossa era. Olhemos com atenção e rapidamente veremos como o Senhor tem sido rico em provas e em demonstrações. Algumas delas serão grandes e grandiosas, outras pequenas e humildes, muitas delas serão tão íntimas que só mesmo nós conseguimos vê-las e reconhecê-las como tal. 

A Fé é uma «resposta ao chamamento do Senhor», mas é também um «exercício de memória». Lembra-te Israel, lembra-te Marisa, de tudo o que o Senhor fez e continua a fazer por ti, por amor a ti... E escuta-O, porque Ele promete-te que ainda fará mais! 

Não era preciso, tudo o que aconteceu já era mais do que suficiente. Mas o amor não conhece limites! O amor nunca diz chega! E por isso, o Senhor, na sua infinita Bondade, continua a querer fazer-nos mais promessas! A essência da Sua promessa é só uma - Eu amar-te-ei para sempre! - mas torna-se concreta e real hoje mesmo, nas circunstâncias da nossa vida presente.

Assim, a Fé de Abraão, a minha Fé, a tua Fé, torna-se não só uma «resposta a uma Palavra que nos precede e nos interpela», mas também um «acto de memória», de «memória duma promessa», de «memória dum futuro», e que por isso se torna capaz de «iluminar cada novo passo do nosso caminho». 

 

E se, como a Abraão, como a mim, este convite do Senhor vos assusta, de tão grande e belo que é, não nos esqueçamos que «a Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência» de vida de cada um de nós. «Na voz que Se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser». 

Se a promessa do Senhor vos assusta: não temais, não tenhais medo! O medo vem sempre do Maligno e a coragem de Deus! Cada um de vós foi preparado, desde o início da Criação, e tem sido continuamente moldado para poder cumprir a promessa a que o Senhor vos chama. Ele não nos faria aspirar a algo que não nos desse a Sua graça para cumprir, já Santa Teresinha nos testemunhava.

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Imagem retirada daqui

As palavras dos homens, estas mesmo que eu escrevo, são «efémeras e passageiras», fracas em si mesmo, insuficientes para cumprirem a realidade que anunciam. Mas quando esta «Palavra é pronunciada por Deus», Aquele que é fiel, «torna-se no que mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho». A Palavra do Senhor é a «rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes» e duradouros, eternos aliás. 

Não é por acaso que, tanto em hebraico como em grego como em latim, a palavra «Fé» deriva do verbo «sustentar» e é usada na Bíblia tanto para «significar a fidelidade de Deus» como a «fé do homem». Assim, «o homem fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel». Vejam bem a dignidade do cristão, «que recebe o mesmo nome de Deus: ambos são chamados fiéis» (palavras de São Cirilo de Jerusalém, Doutor da Igreja)

E outro Doutor da Igreja, Santo Agostinho, nos explica que: «O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete. O Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem».

 

É esta a minha oração, ao raiar deste dia: Ouçamos a voz do Senhor, no início deste novo ano e todos os dias da nossa vida. Ouçamos com atenção e façamos ressonância dentro de nós, façamos memória do futuro, acreditemos nas Suas promessas, sejamos corajosos, tenhamos Fé, sejamos fiéis, como Ele é fiel. 

Seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo - para sempre seja louvado com Sua Mãe, Maria Santíssima!

 

Com enxertos da maravilhosa Carta Apóstólica Lumen Fidei, Luz da Fé, escrita pelo Papa Bento XVI e pelo Papa Francisco, publicada em 2013, pontos 8 a 11.

Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça

Que este último pequeno post vos suscite a curiosidade de irem ler na íntegra esta belíssima encíclica do nosso querido Papa Francisco 

 

«Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu»

"O próprio Jesus sublinha que este caminho vai contracorrente, a ponto de nos transformar em pessoas que questionam a sociedade com a sua vida, pessoas que incomodam."

"Não pretendamos uma vida cómoda"

"A cruz, especialmente as fadigas e os sofrimentos que suportamos para viver o mandamento do amor e o caminho da justiça, é fonte de amadurecimento e santificação."

"Um santo não é uma pessoa excêntrica, distante, que se torna insuportável pela sua vaidade, negativismo e ressentimento. Não eram assim os Apóstolos de Cristo. O livro dos Atos refere, com insistência, que eles gozavam da simpatia «de todo o povo» (2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13)"

" As perseguições não são uma realidade do passado, porque hoje também as sofremos quer de forma cruenta, como tantos mártires contemporâneos, quer duma maneira mais subtil, através de calúnias e falsidades"

"Outras vezes, trata-se de zombarias que tentam desfigurar a nossa fé e fazer-nos passar por pessoas ridículas." 

Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade.

 

O culto que mais Lhe agrada

"Poder-se-ia pensar que damos glória a Deus só com o culto e a oração, ou apenas observando algumas normas éticas (é verdade que o primado pertence à relação com Deus), mas esquecemos que o critério de avaliação da nossa vida é, antes de mais nada, o que fizemos pelos outros. A oração é preciosa, se alimenta uma doação diária de amor. O nosso culto agrada a Deus, quando levamos lá os propósitos de viver com generosidade e quando deixamos que o dom lá recebido se manifeste na dedicação aos irmãos."

" Quem deseja verdadeiramente dar glória a Deus com a sua vida, quem realmente se quer santificar para que a sua existência glorifique o Santo, é chamado a obstinar-se, gastar-se e cansar-se procurando viver as obras de misericórdia"

 

Papa Francisco, encíclica Gaudate et exsultate, 90, 92-94, 104, 107

Felizes os puros de coração e felizes os pacificadores

Palavras exigentes do nosso querido Papa Francisco, mas palavras que nos dão de novo vida.... 

 

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus»

"Esta bem-aventurança diz respeito a quem tem um coração simples, puro, sem imundície, pois um coração que sabe amar não deixa entrar na sua vida algo que atente contra esse amor, algo que o enfraqueça ou coloque em risco. Na Bíblia, o coração significa as nossas verdadeiras intenções, o que realmente buscamos e desejamos"

Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade.

 

«Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus»

"Da nossa parte, é muito comum sermos causa de conflitos ou, pelo menos, de incompreensões. Por exemplo, quando ouço qualquer coisa sobre alguém e vou ter com outro e lho digo; e até faço uma segunda versão um pouco mais ampla e espalho-a. E, se o dano que consigo fazer é maior, até parece que me causa maior satisfação. O mundo das murmurações, feito por pessoas que se dedicam a criticar e destruir, não constrói a paz."

"Não é fácil construir esta paz evangélica que não exclui ninguém; antes, integra mesmo aqueles que são um pouco estranhos, as pessoas difíceis e complicadas, os que reclamam atenção, aqueles que são diferentes, aqueles que são muito fustigados pela vida, aqueles que cultivam outros interesses."

"Trata-se de ser artesãos da paz, porque construir a paz é uma arte que requer serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza." 

Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade.

 

Papa Francisco, encíclica Gaudate et exsultate, 83, 87, 89

Felizes os que choram e felizes os misericordiosos

Palavras tão diferentes daquelas que o mundo nos diz, ou melhor, que nos grita... 

 

«Felizes os que choram, porque serão consolados»

"O mundano ignora, olha para o lado, quando há problemas de doença ou aflição na família ou ao seu redor. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las."

"A pessoa que, vendo as coisas como realmente estão, se deixa trespassar pela aflição e chora no seu coração, é capaz de alcançar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz. Esta pessoa é consolada, mas com a consolação de Jesus e não com a do mundo. Assim pode ter a coragem de compartilhar o sofrimento alheio, e deixa de fugir das situações dolorosas. Desta forma, descobre que a vida tem sentido socorrendo o outro na sua aflição, compreendendo a angústia alheia, aliviando os outros. Esta pessoa sente que o outro é carne da sua carne, não teme aproximar-se até tocar a sua ferida, compadece-se até sentir que as distâncias são superadas."

Saber chorar com os outros: isto é santidade.

 

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia»

"A misericórdia tem dois aspetos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender." 

"Dar e perdoar é tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus, que dá e perdoa superabundantemente." 

"Jesus não diz «felizes os que planeiam vingança», mas chama felizes aqueles que perdoam e o fazem «setenta vezes sete» (Mt 18, 22). É necessário pensar que todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina. Se nos aproximarmos sinceramente do Senhor e ouvirmos com atenção, possivelmente uma vez ou outra escutaremos esta repreensão: «não devias também ter piedade do teu companheiro como Eu tive de ti?» (Mt 18, 33)."

Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade.

 

Papa Francisco, encíclica Gaudete et exsultate, 75-76, 80-82

 

Felizes os pobres em espírito e felizes os mansos

Deixemo-nos incomodar, profundamente, até nos fazer mudar, pelas palavras do nosso querido Papa Francisco...

 

"A palavra «feliz» ou «bem-aventurado» torna-se sinónimo de «santo», porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade."

 

"As bem-aventuranças não são, absolutamente, um compromisso leve ou superficial; pelo contrário, só as podemos viver se o Espírito Santo nos permear com toda a sua força e nos libertar da fraqueza do egoísmo, da preguiça, do orgulho.

Voltemos a escutar Jesus, com todo o amor e respeito que o Mestre merece. Permitamos-Lhe que nos fustigue com as suas palavras, que nos desafie, que nos chame a uma mudança real de vida. Caso contrário, a santidade não passará de palavras. "

 

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu»

"O Evangelho convida-nos a reconhecer a verdade do nosso coração, para ver onde colocamos a segurança da nossa vida. Normalmente, o rico sente-se seguro com as suas riquezas e, quando estas estão em risco, pensa que se desmorona todo o sentido da sua vida na terra."

" As riquezas não te dão segurança alguma. Mais ainda: quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade."

Ser pobre no coração: isto é santidade!

 

«Felizes os mansos, porque possuirão a terra»

Alguém poderia objetar: «Mas, se eu for assim manso, pensarão que sou insensato, estúpido ou frágil». Talvez seja assim, mas deixemos que os outros pensem isso. É melhor sermos sempre mansos, porque assim se realizarão as nossas maiores aspirações: os mansos «possuirão a terra», isto é, verão as promessas de Deus cumpridas na sua vida. Porque os mansos, independentemente do que possam sugerir as circunstâncias, esperam no Senhor, e aqueles que esperam no Senhor possuirão a terra e gozarão de imensa paz (cf. Sal 37/36, 9.11). Ao mesmo tempo, o Senhor confia neles: «é nos humildes de coração contrito que os meus olhos se fixam, pois escutam a minha palavra com respeito» (Is 66, 2).

Reagir com humilde mansidão: isto é santidade.

 

Papa Francisco, encíclica Gaudete et Exsultate, 64-65,67-68,74

Sede santos!

Já pararam para ler a nova encíclica do Papa Francisco, especialmente dedicada ao chamamento à santidade de cada um de nós? Eu acho que deviam parar qualquer livro que estejam a ler neste momento e lerem as inspiradoras palavras que o nosso querido Papa nos ofereceu.

Aquilo que ele nos diz incomoda tanto quanto nos incentiva a fazer melhor e a tentar novamente - com a graça de Deus.

 

Assim, pretendo partilhar convosco alguns excertos desta maravilhosa encíclica nos próximos posts, de modo a estimular a vossa curiosidade para a irem ler (e meditar) na íntegra.

 

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"O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados (...) porque o Senhor escolheu cada um de nós «para ser santo e irrepreensível na Sua presença, no amor.» (Ef 1,4)" 

 

"Uma pessoa não deve desanimar quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (1 Cor 12,7) e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele. "

 

"Isto deveria entusiasmar e animar cada um a dar o melhor de si mesmo para crescer rumo àquele projeto, único e irrepetível, que Deus quis, desde toda a eternidade, para ele: «antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei» (Jer 1, 5).

Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.

Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: «Senhor, sou um miserável! Mas Vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor»."

Papa Francisco, encíclica Gaudate et Exsultate, 1,2,11,13-15

 

Vocação, missão e descanso em Deus

"Fomos criados por Deus para o descanso!"

 

O quê?? Eu ouvi bem??

Mais de 100 pessoas ficam a olhar, perplexas, para o sr. Pe José Pinheiro, no passado sábado dia 2 de Março, no início do retiro quaresmal para catequistas, a nível diocesano, que decorreu no nosso belíssimo Seminário em Almada.

 

"Sim, ouviram bem, Deus criou-nos para descansarmos Nele!"

Na verdade, já Santo Agostinho afirmava

Criaste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em Vós!

 

Mas não se enganem: descansar em Deus é muito diferente de não fazer nada. Aliás, envolve até fazermos muita coisa, dizer Sim a Deus muitas e muitas e muitas vezes - quando apetece e quando não apetece, quando dá jeito e quando não dá jeito nenhum, quando posso e mesmo quando não posso...

Mas devemos fazer tudo isso, com o nosso coração em paz, nas mãos de Deus, no exacto local onde ele pertence. Só encontramos verdadeiro descanso para a nossa alma, um descanso permanente, seguro, eterno, quando encontramos Deus e a Ele oferecermos a nossa pobre alma e aceitarmos descansar Nele.

 

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Imagem retirada daqui

 

Existem muitas pessoas que descansam demais (quantos exemplos podemos nós encontrar nos Evangelhos... e nas nossas vidas!)... ou melhor dizendo, usam essa desculpa para permanecerem estacionários no conforto das suas vidas

Outras, pelo contrário, não conseguem ficar quietas, fazem, fazem e fazem, como autênticas Martas... mas esquecem-se ou desvalorizam aquilo que é mais importante - conhecer e amar Deus, crescer todos os dias em intimidade com Ele, deixar que Ele nos fale ao coração, que cuide das nossas feridas, que nos ensine o caminho a seguir, e que desta relação de amor transborde abundantemente o amor pelo próximo.

Não importa o quão cheia ou agitada ou preenchida a nossa vida esteja. Pelo menos um momento de oração por dia é absolutamente essencial nas nossas vidas. Essencial! Imprescindível!

Porque

«Sem Mim, nada podeis fazer»   Jo 15,5

 

Cada um de nós tem uma vocação, um chamamento por parte de Deus, para sermos santos. Santos! Conseguem imaginar-vos santos? Eu não consigo imaginar-me! Mas o olhar de Deus vai sempre mais longe que o nosso...

Esta nossa vocação tem ser descoberta - alguns mais cedo, outros mais tarde na vida. E quando a descobrimos, devemos olhá-la com verdadeiro espanto (Tu queres-me a mim, Senhor?!), com verdadeira humildade (Oh Senhor, mas eu não sou digno!) e com verdadeiro agradecimento (Se Tu queres Jesus, então eu também quero!).

A nossa vocação surge do nosso encontro pessoal com Jesus. Eu não escolho a minha vocação - Deus escolhe. E por mais que eu a negue e que tente fugir e dizer que não, a nossa vocação é incontornável. Aceitarmos a vocação de Deus é o único, único caminho que sacia completamente e que me traz felicidade verdadeira.

Ao procurarmos Jesus, descobrimos depois a nossa missão; do nosso encontro com Jesus, brota uma missão. Enquanto a vocação à santidade é universal, é para todos, a missão que Deus tem para cada um de nós é única, irrepetível, personalizada. Ninguém a poderá fazer por mim. Tenho mesmo de ser eu. Só podia ser eu a fazê-la.

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Imagem retirada daqui

 

Ser catequista faz parte da missão que Deus escolheu para mim.

Partindo sempre do meu encontro pessoal, íntimo, familiar, de pleno amor, com Deus, eu devo dar testemunho aos outros, devo apontar o caminho, devo partilhar as maravilhas que Deus continuamente faz na minha vida, devo evangelizar, sempre, em todos os momentos, em todos os lugares, não apenas na sala de catequese.

 

Sábado foi um dia muito chuvoso, com muito vento e trovoada. Na hora de meditação pessoal durante o retiro, senti-me a ser chamada numa dada direção no Seminário. Eu já devia ter adivinhado quem seria - claro que fui encontrar uma bela estátua de Nossa Senhora, bem ali, à minha espera. Fiquei toda molhada, mas nem dei conta.

Ali, no meio dos trovões, da chuva, do vento, não pude deixar de reparar num pequeno passarinho que insistia em continuar a cantar - e que bem que cantava. Quanto mais chovia, mais trovejava, mais ele cantava! Que eu assim seja também ...

 

Para terminar, queria apenas partilhar convosco algumas ideias (já antigas, ao que parece) do nosso querido Papa Francisco (mas que eu nunca tinha lido antes!) para manifestarmos visivelmente o amor de Deus durante a Quaresma (e que foram partilhadas connosco durante o retiro).

 

15 actos de caridade como manifestações concretas de amor

  • Sorrir - um cristão é sempre alegre
  • Agradecer - embora não "precise" fazê-lo
  • Lembrar o outro quanto o amamos
  • Cumprimentar com alegria as pessoas que vemos todos os dias
  • Ouvir pacientemente a história do outro, sem julgamento, com amor
  • Parar para ajudar - estar atento a quem precisa de mim
  • Animar alguém
  • Reconhecer os sucessos e as qualidades do outro
  • Separar o que não se usa e dar a quem precisa
  • Ajudar alguém, para que possa descansar
  • Corrigir com amor - não calar por medo
  • Ter pequenas delicadezas para quem está perto de nós
  • Limpar o que se suja em casa
  • Ajudar os outros a superar os seus obstáculos
  • Telefonar aos nossos pais

 

E agora, para coisas ainda mais dificeis

O melhor jejum

  • Jejum de palavras negativas e abundância de palavras bondosas
  • Jejum de descontentamento e abundância de gratidão
  • Jejum de raiva e abundância de mansidão e paciência
  • Jejum de pessimismo e abundância de esperança e optimismo
  • Jejum de preocupações e abundância de confiança em Deus
  • Jejum de queixas e abundância de agradecimento pelas coisas simples da vida
  • Jejum de tensões e abundância de orações
  • Jejum de amargura e tristeza e abundância de alegria no coração
  • Jejum de egoísmo e abundância de compaixão pelos outros
  • Jejum de falta de perdão e abundância de gestos de reconciliação
  • Jejum de palavras e abundância de silêncio para ouvir os outros

A continuação duma santa Quaresma para todos!