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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Se ao menos eu Lhe tocar ...

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Continuamos a explorar a líndissima igreja recém terminada na cidade de Magdala, uma cidade com tanta importância nas Sagradas Escrituras para nós, mas que esteve perdida e escondida debaixo da areia durante séculos e séculos ...

O nome desta Igreja, em latim, 'Duc In Altum', consagrada em 2014 pelo Patriarca de Jerusalém, foi inspirado nas palavras que Jesus disse aos Seus primeiros Apóstolos, entre eles Simão Pedro, após uma noite de pesca infrutífera. Depois de ter ensinado uma multidão inteira, Jesus diz-lhes 

"Lançai [as redes] para as profundezas"   

ou "Duc in altum"                                                   (Lc 5,4)

E eles assim fizeram, eles assim obedeceram, apesar de algo hesitantes. O resultado? Bem, nada menos que uma rede de pesca quase a rasgar-se com o peso de tal pescaria extraordinária ... 

Na verdade, toda a construção desta bela igreja (cujas fotos partilhei já convosco no post anterior) serve para nos relembrar e inspirar a não ter medo de confiar nestas palavras de Jesus, nosso Mestre, que nos incentiva a lançar-nos nas profundezas do Seu tremendo e infinito amor... Ouçamos, confiemos, obedeçamos e lancemo-nos - sem qualquer medo ou receio. Jesus estará lá - sempre - connosco e Ele promete-nos que os frutos de tal acto de coragem serão - sempre - imensamente numerosos ...

 

Nós avançamos também, explorando esta bela e ampla igreja, construída para receber multidões de peregrinos ... mas quase só estamos aqui nós, os 40 peregrinos vindos de Portugal. E eu lembro-me das outras palavras de Jesus

Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida,

e como são poucos os que o encontram!

                                                                                               Mt 7,14

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Encontramo-nos sob o manto de Nossa Senhora de Guadalupe (cuja festa celebramos esta semana, a 12 de Dez!), pintado no tecto da igreja - e que nos faz sentir quase como se, também nós, à semelhança de Jesus neste período de Advento, estivéssemos dentro do ventre desta querida Mãe, que nos acolhe e protege com a sua perpétua oração e intercessão...

A nossa guia indica-nos que devemos seguir através duma porta estreita. Porque sorris tanto Marisa? - perguntam-me os outros peregrinos. Oh, Deus tem cá um sentido de humor! . 

Esta porta estreita leva-nos, tão adequadamente, até às profundezas desta igreja e, bem, até às profundezas do meu coração quando, através dum quadro nesta modesta e simples capela, chamada Capela do Encontro, sem qualquer aviso, Jesus me leva às lágrimas...

 

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[Havia uma ] certa mulher, vítima de um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de muitos médicos e gastara todos os seus bens sem encontrar nenhum alívio, antes piorava cada vez mais ...

                                                                                                                          Mc 5, 25-26

Começo eu a recitar esta parábola de Jesus que, talvez, mais que qualquer outra, eu sei quase de cor, de tantas e tantas vezes que a li e reli e reli ... E de tantas vez que a cantei - graças a uma das minhas músicas favoritas da Danielle Rose - If I touch Him (se eu Lhe tocar).

Estava escrito no livro do Levítico que

«Quando uma mulher tiver o fluxo de sangue que corre do seu corpo, permanecerá durante sete dias na sua impureza. Quem a tocar ficará impuro até à tarde. Todo o objecto sobre o qual ela se deitar, durante a sua impureza, ficará impuro; tudo aquilo em que se sentar, ficará impuro. Quem tocar no seu leito, deverá lavar as vestes, banhar-se-á em água e ficará impuro até à tarde. Quem tocar em qualquer objecto em que ela tenha estado sentada lavará as vestes, banhar-se-á em água e ficará impuro até à tarde. Quem tocar nalguma coisa que estiver sobre a cama ou sobre o móvel em que ela se sentou, ficará impuro até à tarde. Se um homem coabitar com ela e a sua impureza o atingir, ficará impuro durante sete dias, e todo o leito em que se deitar ficará impuro.

Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue durante vários dias, fora do tempo normal de impureza, isto é, se o fluxo se prolongar para além do tempo da sua impureza, ficará impura durante todo o tempo desse fluxo, como no tempo da sua impureza. Durante todo o tempo desse fluxo, todo o leito em que se deitar será para ela como o leito em que se deitava durante a sua impureza; qualquer móvel sobre o qual se sentar ficará impuro, como no tempo da sua impureza; quem os tocar ficará impuro; deverá lavar as suas vestes, banhar-se-á em água e ficará impuro até à tarde. Quando terminar o fluxo de sangue, contará sete dias e, depois, ficará pura.»

Lev 15, 19-28

Conseguem imaginar o profundo e intenso sofrimento desta mulher, que há 12 anos mantinha este fluxo de sangue?

Há 12 anos que não podia tocar em ninguém, nem ninguém lhe podia tocar. Teria ela uma família, um marido e filhos? Meu Deus, imaginar 12 anos sem lhes poder tocar... Oh, quanto desejava fazê-lo ... Mas ela sabia que, se o fizesse, os tornaria impuros ... E o amor de mãe e o amor de esposa é muitíssimo maior que este desejo - então, por amor aos outros, lutando contra os desejos do seu próprio coração, mantinha-se firme na resolução de não tornar os outros impuros, de não levar os outros a pecar ... 

Ela tinha procurado ajuda em tudo quanto fosse lugar, tinha gasto tudo o que tinha, tinha-se colocado nas mãos de todos os que eram chamados de sábios e de médicos ... e nada, absolutamente nada, era capaz de sarar aquela ferida aberta, aquela profunda ferida aberta, que lentamente, gota por gota, lhe retirava toda a vida ... 

Até que surgiu Jesus. É sempre assim, também nas nossas vidas - chega Jesus e nunca nada é o mesmo!

Tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-lhe, por detrás, nas vestes, pois dizia: «Se ao menos tocar nem que seja as Suas vestes, ficarei curada.» 

                                                                                                                        Mc 5, 27-28

Ela tinha-se tentado esconder por entre a multidão. Já estava tão habituada a isso ... Durante anos tinha vivido com intensos sentimentos de vergonha e de culpa. Durante anos tinha-se sentido suja .... Terá sido, muito provavelmente, expulsa de muitos locais pela sua situação. Oh, o que aconteceria se alguém a reconhesse? Oh, se alguém descobrisse que ela se tinha atrevido a estar no meio duma multidão! ...

Pela primeira vez, ao fim de tantos e tantos anos, um sentimento mais forte que a culpa e a vergonha tinha surgido na sua vida - a Fé. Sim, apenas Ele a poderia salvar, oferecendo-lhe o amor misericordioso que ela tanto procurava. A que tem origem no amor de Deus torna-nos corajosos e audazes...

♫ Se ao menos eu Lhe tocar, Ele curará o meu coração que sangra

Se eu Lhe tocar, Ele dar-me-á tudo o que eu preciso

Se apenas esticar a minha mão e Lhe tocar na orla das Suas vestes

Eu acredito que serei tornada inteira novamente ... ♪

                                                                        (refrão da música da Danielle Rose - If I touch Him)

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Apreciem bem todo o realismo desta pintura belíssima do artista Daniel Cariola ...

De facto, no mesmo instante se estancou o fluxo de sangue, e sentiu no corpo que estava curada do seu mal. Imediatamente Jesus, sentindo que saíra Dele uma força, voltou-se para a multidão e perguntou: «Quem tocou as minhas vestes?» 

Os discípulos responderam: «Vês que a multidão te comprime de todos os lados, e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’» Mas Ele continuava a olhar em volta, para ver aquela que tinha feito isso. 

                                                                                                                    Mc 5, 29-32

Oh, o poder dum simples toque ...

Jesus tinha acabado de ser chamado, à pressa, para ir acudir a filha de Jairo, uma menina de 12 anos, que estava à beira da morte ... Também esta mulher tinha estado a morrer, esvaindo-se em sangue que brotava do seu corpo e da profunda ferida aberta da sua alma, nos últimos 12 anos .... 

À filha de Jairo, Jesus segurará na sua mão e ressuscita-la-á dos mortos ... Também a esta mulher bastará um simples toque, único e especial, incomparável a qualquer outro, para a trazer de novo à vida ... 

Num instante toda a vergonha, toda a culpa, toda a imundice, toda a solidão, toda a dor, oh tão forte e profunda, desapareceu ... terminou ... para sempre!

Então, a mulher, cheia de medo e a tremer, sabendo o que lhe tinha acontecido, foi prostrar-se diante Dele e disse toda a verdade. 

Disse-lhe Ele: «Filha, a tua fé salvou-te; vai em paz e sê curada do teu mal.»

                                                                                                                           Mc 5, 33-34

 

Como é grande o amor de Deus por nós! Tão grande e belo e imenso, que nos tira o fôlego e faz tremer o nosso corpo com toda a Sua intensidade! Que nos leva a desejar colocar-nos de joelhos diante d'Aquele que nos dá uma nova vida ...

Então a criança dentro da minha alma, que eu pensava que tinha morrido há tanto tempo atrás

Foi ressuscitada de novo à vida e eu senti uma alegria até nos meus ossos. 

Então eu fui a correr contar - aos cegos, aos coxos, aos que andavam de coração partido, aos que sentiam vergonha

Aos ricos, aos pobres, aos jovens, aos velhos - a verdade que precisa de ser proclamada! ♪

♪ Se tu Lhe tocares, Ele curará o teu coração que sangra,

Se tu Lhe tocares, Ele te dará tudo o que tu precisas,

Se tu ao menos esticares as tuas mãos e tocares no Pão do Céu,

Acreditas que Ele será capaz de te tornar inteiro novamente? ♫

                                                                                (estrofe e refrão final da música da Danielle Rose - If I touch Him)

E tu? Agora que também foste curado, tens coragem para ir proclamar todas as maravilhas que Deus fez na tua vida?

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O Baptismo de Jesus no rio Jordão

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Partimos do Monte Nebo e chegamos a Betânia da Jordânia - e está tanto, tanto calor!

É preciso deixarmos para trás o conforto do ar condicionado do nosso autocarro, respirar fundo uma última vez e mergulhar na onda de calor. Ao fim de 6 dias de peregrinação, continuo sem me conseguir habituar ao calor tão intenso e sufocante (duvido muito que alguma vez consiga). Mas estamos em Betânia da Jordânia! E tantas coisas importantes aconteceram aqui ...

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Naqueles dias, apareceu João, o Baptista, a pregar no deserto da Judeia. Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»  Iam ter com ele os de Jerusalém, os de toda a Judeia e os da região do Jordão, e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados.

Disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo

Mt 3,  1-2; 5-6; 11

 

Disseram [a João]: «Quem és tu, para podermos dar uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?». Ele declarou:

‘«Eu sou a voz de quem grita no deserto:
Rectificai o caminho do Senhor’,
como disse o profeta Isaías.»

Ora, havia enviados dos fariseus que lhe perguntaram: «Então porque baptizas, se tu não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo com água, mas no meio de vós está Quem vós não conheceis. É Aquele que vem depois de mim, a Quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias.» 

Isto passou-se em Betânia, na margem além do Jordão, onde João estava a baptizar.

Jo 1, 22-28

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Foi aqui, aqui mesmo, neste lado da margem do rio Jordão que agora pertence à Jordânia, que São João começou a baptizar o povo de Deus. Em tempos, as águas do rio Jordão chegavam até aqui; agora, temos de andar largos minutos a partir deste local, até chegarmos perto da água do rio... 

A foto de cima mostra as ruínas de uma das primeiras igrejas aqui construídas, inicialmente sobre as águas do rio. Desde cedo, peregrinos de todo o mundo vieram até este local, a fim de serem baptizados nas águas do rio Jordão, e assim foram sendo construídas diversas igrejas perto destas águas, tal como o mosaico da foto de baixo nos mostra.

Ainda hoje, muitos cristãos vêm aqui de propósito para se baptizarem nas águas do rio Jordão - como, aliás, estava a acontecer, no lado israelense do rio Jordão, quando aqui chegámos. Quase que me apetecia gritar-lhes: Pessoal, enganaram-se! Leiam lá bem a Bíblia - foi deste lado do rio, não desse ...

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Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

Mt 3, 13-17

No dia seguinte, ao ver Jesus, que se dirigia para ele [João], exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É Aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um Homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.’ Eu não O conhecia bem; mas foi para Ele se manifestar a Israel que eu vim baptizar com água.» 

E João testemunhou: «Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele. E eu não O conhecia, mas Quem me enviou a baptizar com água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer o Espírito e poisar sobre Ele, é o que baptiza com o Espírito Santo’. Pois bem: eu vi e dou testemunho de que Este é o Filho de Deus

Jo 1, 29-34

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Tenho de ser sincera convosco e admitir que fiquei um pouco desiludida quando finalmente vi o rio Jordão - a água era verde e suja e não cheirava propriamente bem ... mas a Igreja diz-nos que se trata de água abençoada e portanto toca a benzer-nos com ela!

Fez-me lembrar do meu processo de aceitação do Mistério da Sagrada Eucaristia - a hóstia consagrada não parece nada ser o corpo de Jesus, mas Jesus (e por isso a Igreja também) disse-nos que é, mesmo, realmente, apesar dos nossos olhos não verem nada de diferente naquela pequena hóstia ...

 

"Padre Miguel, podemos renovar as nossas promessas de Baptismo aqui?" - pergunto eu.

"Não!" - é a resposta bem enfática. Por esta é que eu não esperava ... 

Na verdade, iríamos sim renovar as nossas promessas de Baptismo, uns dias mais tarde, na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, junto do local onde Jesus foi crucificado e junto do local onde Ele ressuscitou.

Mas porquê???... Estava na altura de mais uma catequese 

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Ora, o baptismo que João realizava no rio Jordão era um baptismo de conversão, de arrependimento, de penitência. Quando alguém desejava e aceitava ser baptizado por João, estava a reconhecer os seus pecados perante Deus (e também publicamente). A água do baptismo de João pretendia representar a lavagem das nossas impurezas e a preparação para uma vida nova, um novo nascimento ...

Este baptismo foi importante, sim, porque serviu como preparação para o verdadeiro Baptismo, que Jesus nos ofereceria mais tarde. Este baptismo pretendia ser um sinal para algo maior e mais profundo que iria acontecer em breve.

 

João, como protótipo dos fiéis que tentam sempre escutar e fazer a vontade de Deus, sabia disto tudo e é por esta razão que fica bastante atordoado quando vê Jesus na fila dos que se querem baptizar, na fila dos pecadores. É por isso que João tenta opor-se a baptizar Jesus naquelas águas. Então, diz ele, «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» - oh, quantas e quantas vezes ficamos também nós atordoados com a humildade de Deus ...

 

Não se baralhem, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, jamais pecou. Em tudo Ele foi semelhante a nós na Sua vida terrena, em absolutamente tudo - excepto no pecado. Assim, é óbvio que Ele não precisava de passar por um baptismo de conversão e arrependimento ...

Mas, ainda assim, fê-lo. Porquê? Pelo menos, por duas razões.

 

Quando Jesus aceitou tornar-se homem, Ele assumiu, voluntariamente, a nossa carne, a nossa natureza humana, a nossa natureza pecadora. Assim, pergunto-vos, quando Jesus foi imergido nas águas do rio Jordão, quem é que afinal foi baptizado naquela altura? Ele ou nós, o homem velho, o velho Adão, ou seja, toda a humanidade? 

Este baptismo simbolizava a preparação para o início duma nova vida, lembram-se? E foi apenas depois de ter sido baptizado por João, que Jesus iniciou o Seu ministério, a Sua pregação, a Sua missão - e, assim, o início da nossa nova vida.

Além disso, foi depois de Jesus ser baptizado que o Espírito Santo se manifestou e a voz do Pai se fez ouvir, «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado».

 

Então, quando é que o Sacramento do Baptismo foi instituído?

Na Cruz!

Quando, do coração aberto de Jesus, foi derramado sangue e água. Esse é o verdadeiro Baptismo, que não só nos purifica totalmente dos nossos pecados como (que grande mistério este!) nos torna verdadeiros filhos de Deus! 

 

Como não podia deixar de ser, as canções da minha querida Danielle Rose acompanharam-me em toda esta peregrinação à Terra Santa. Assim, partilho convosco a canção que ela compôs para o 1º Mistério Luminoso do Terço, o baptismo de Jesus no rio Jordão.

Behold the Lamb of God

From the perspective of John the Baptist

(Matthew 3:13-17, Mark1:9-11, Luke 3:21-22, John 1:19-34, 4:29-30)

 

It is I who need you, and yet you come to me.
I must grow smaller, so you will increase.
God said, “This is my Beloved Son, with whom I am well pleased.”
So this joy of mine has been made complete.

I was buried with you in the water, but I rose again gasping to take a new breath.
Drowned by your grace on the altar, I drink of your cup, I drink of your death.

Behold the Lamb of God.
Behold the Lamb of God,
Who takes away the sin of the world. Behold the Lamb of God.

The veil shrouding heaven was torn from my eyes, 
Then a waterfall of grace tumbled down from the sky. 
The Spirit swirled ‘round with wings white as a dove,
Descending upon the Father’s Beloved.

We were buried with you in the water, but we rose again gasping to take a new breath.
Drowned by your grace on the altar, we drink of your cup, we drink of your death.

I am not worthy.
I am not worthy to touch your feet.
I am not worthy to receive you,
But only say the word and I shall be healed!

Eis o Cordeiro de Deus

A partir da perspectiva de João Baptista

(Mt 3:13-17, Mc 1:9-11, Lc 3:21-22, Jo 1:19-34, 4:29-30)

 

Sou eu que preciso de Ti e, no entanto, és Tu que vens até mim
Eu devo decrescer, de modo a que Tu aumentes.
Deus disse: “Este é o meu Filho Amado, em Quem Eu muito Me comprazo”.
Então esta minha alegria ficou completa.

Fui enterrado conTigo na água, mas levantei-me desejoso dum novo fôlego
Imergido pela Tua graça no altar, eu bebo do Teu cálice, eu bebo da Tua morte.

Eis o Cordeiro de Deus.
Eis o Cordeiro de Deus
Que tira o pecado do mundo. Eis o Cordeiro de Deus.

O véu que cobria o céu foi arrancado dos meus olhos, 
E assim uma cascata de graças desceu dos Céus. 
O Espírito Santo girou com umas asas brancas como uma pomba,
Descendo sobre o Amado do Pai.

Nós fomos enterrados conTigo na água, mas levantamo-nos desejosos dum novo fôlego
Imergidos pela Tua graça no altar, nós bebemos do Teu cálice, nós bebemos da Tua morte.

Eu não sou digno.
Eu não sou digno de tocar nos Teus pés.
Eu não sou digno de Te receber
Mas dizei apenas uma palavra e eu serei salvo!

 

Louvado seja Deus, para sempre!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A queda dos poderosos

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Estamos no início da nossa peregrinação

Para trás de nós ficou o acordar às 5 ou 6 horas da manhã do dia 3 de Agosto, o check-in demorado em Lisboa, as primeiras 6 horas da viagem de avião até Istambul, a espera (aparentemente) interminável pelo 2º voo até ao Cairo, com início bem perto da meia noite e a chegada ao nosso primeiro hotel pelas 5 horas da manhã já do dia 4 de Agosto. Quem conseguiu, pode ainda dormir 30 minutos, antes de partirmos de autocarro para a nossa primeira paragem no Egipto...

Afinal, estamos em plena peregrinação e não numa viagem de férias e descanso; e a nossa Fé dá-nos a força para seguirmos caminho. Dentro dos nossos corações trazemos inúmeras intenções de oração, muitos pedidos de ajuda e de súplica, sim, mas ainda mais orações de agradecimento e louvor por todas as graças e bênçãos que cada um de nós recebeu, ao longo das nossas vidas. 

 

A nossa primeira paragem é na antiga cidade de Mênfis, onde (para minha inicial desilusão) começamos por visitar a gigantesca estátua do Faraó Ramessés II, que eu não faço ideia quem seja .... porque é que viemos aqui? não podíamos ter dormido um pouquinho mais??

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O nosso querido guia egípcio, Samuel Gabala, começa a contar-nos a história deste grande Faraó: terá nascido provavelmente no ano 1290 a.C. e teve um dos mais longos reinados egípcios, morrendo apenas aos 94 ou 97 anos de idade. Ao longo da sua vida, casou com 40 mulheres e teve pelo menos 250 filhos e filhas. Viveu diversas guerras mas reinou também durante muitos anos de paz e prosperidade, tendo tido a possibilidade de terminar várias obras dos seus antecessores e de erguer algumas obras só suas.

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Nomeadamente, mandou erguer 2 enormes estátuas de si mesmo (a que pudémos observar era a única que, ao fim destes 3.000 anos, ainda se encontra inteira), cada uma com mais de 80 toneladas e 13 metros de altura, esculpidas a partir duma única rocha, e que foram colocadas na entrada da cidade de Mênfis.

Desde o topo da cabeça até aos pés, todos os pormenores desta estátua pretendiam demonstrar o enorme poder do seu reinado. Qual o inimigo que se atreveria a enfrentar tal potência? Além disso, não nos esqueçamos que os egípcios acreditavam que os faraós eram deuses e tratavam-nos como tal... Quem se atreveria a combater os próprios deuses?

 

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade ....

Ainda nos dias de hoje, na nossa sociedade, se erguem tantas destas "estátuas" (talvez nunca se tenha erguido tantas como hoje!) - imagens de poder, de domínio, de controlo absoluto sobre tudo à nossa volta, de auto-suficiência, de orgulho sem fim ... que não passam de imagens falsas e perecíveis, que também um dia acabarão por ruir e cair....

Oh, também eu, na minha vida, por vezes, me atrevo a erguer estas "estátuas" ... louvado seja Deus, que não se cansa de nos deitar a baixo todas as nossas "torres de Babel" ... 

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Mas qual a relevância, afinal, deste faraó na nossa peregrinação?

É que este poderá ter sido o Faraó da época de Moisés e do êxodo do povo de Deus. Por exemplo, encontraram escrito no seu túmulo que tinha perdido 12 dos seus filhos primogénitos no mesmo dia, e existem algumas evidências que indicam que terá vivenciado as 10 pragas que o livro do Êxodo nos relata ....

 

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Oh Faraó dum império rico, próspero e aparentemente indestrutível; achava que o reinado da sua família continuaria por todo o sempre; nada de mal jamais lhe aconteceria ... 

A verdade é que o grande Império do Egípcio acabou por cair e morrer. Depois veio o Império da Assíria, que conquistou muitas e muitas terras; também esse acabou por cair e morrer às mãos duma nova potência militar, o Império Babilónico comandado pelo rei Nabucodonosor ... império após império, Persa, Grego, Sírio e por fim o grande Império Romano, já no tempo de Jesus; cada novo Império reclamava para si um poder ainda maior que o anterior e todos pensavam ser indestrutíveis e eternos...

 

O nosso guia vai relatando esta história, que se repete vezes e vezes sem conta ... e quando dou por isso, o meu coração começa a cantar o Magnificat, o canto de alegria e louvor da Santíssima Virgem Maria...

 

A minha alma glorifica o Senhor 
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: 
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: 
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração 
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço 
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos 
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens 
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, 
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, 
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho 
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, 
Agora e sempre. Amén

(Lc 1,46-55)

 

Louvado seja o Senhor por todo o sempre!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Lições de humildade ...

O Senhor levou-me a viver inúmeras aventuras, com Ele, neste ano de 2018, ano esse que agora termina para dar lugar a um novo ano - cheio de possibilidades, oportunidades, sonhos, conquistas e lições ....

 

Neste ano de 2018, iniciei a minha profissão como médica, passando por diversos serviços e áreas, passando da teoria abstrata, impessoal e indiferente para a prática real, imperfeita, humana, personalizada. Agora, neste ano de 2019, iniciarei a minha formação específica para me tornar médica de família, um processo que será, sem dúvida, díficil e muito trabalhoso, e que durará pelo menos 4 anos ...

Neste ano de 2018, consolidei a minha vocação como catequista na minha paróquia, oferecendo-me verdadeiramente de corpo e alma, aceitando (uns dias melhores que outros) todas as contrariedades e dificuldades que foram surgindo pelo caminho, e aceitando desafios que outrora jamais teria tido a coragem de o fazer ...

Neste ano de 2018, assumi publicamente (no meu coração, já o tinha feito há muito tempo...) o meu compromisso com o movimento das Famílias de Caná, após um (demasiado longo) período de discernimento acerca do meu papel, como leiga solteira, dentro do movimento, e assim tornei-me numa activa Jovem de Caná - à semelhança de Nossa Senhora quando ainda solteira....

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Neste ano de 2018, passei também por um intenso processo de discernimento vocacional, após ter aumentado, a passinhos de bebé (mas sempre aumentando, graças a Deus!), a minha vida de oração, e agora encontro-me num estado de maior claridade, desapego e entrega à vontade de Deus para a minha vida ...  

Por fim, neste ano de 2018, tomei a difícil e custosa decisão de sair da casa dos meus pais, para vir viver sozinha numa casinha, bem juntinho da casa de Jesus, e, com esta última decisão, as pequenas portas e janelas que ainda pudessem estar a impedir a ação do Espírito Santo, foram finalmente escancaradas e plenamente abertas às Suas infinitas Graças (até ao dia em que eu voltar a fechar alguma, novamente - convosco também é assim?)

 

Houve, sem dúvida, outros acontecimentos marcantes e significantes que podia referir, mas penso que estes servirão para explicar, pelo menos em parte, como cheguei às pequenas reflexões que hoje queria partilhar convosco. São anotações soltas que eu fui escrevendo ao longo do ano, no meu caderno espiritual. Todas elas partiram de situações difíceis, em que o meu orgulho e egoísmo desmedidos tiveram de morrer (aos bocadinhos, claro) - autênticas lições de humildade que Deus, tão carinhosa e pacientemente, me tem vindo a ensinar....

 

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O ano de 2018, para mim, podia ter perfeitamente como tema e título - "Crescer em intimidade com Deus": crescer mesmo quando custa e dói, sem medo das mudanças, das transformações, daquilo que se perde e que tem de morrer, para algo melhor e mais santo poder germinar, nascer, crescer e florir; intimidade - um dos desejos mais profundos do nosso coração - com Deus, por Deus, em Deus ...

 

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Neste ano, compreendi finalmente (de coração) que o nome que melhor revela a vocação da mulher é maternidade, é ser mãe; e que o verbo que melhor define a vocação da mulher é receber e estar sempre aberta à vida ... Esta vocação está profundamente enraizada no nosso coração, por mais que a neguemos ou tentemos fugir dela, e apenas encontraremos a felicidade verdadeira, plena, permanente, eterna e inalterável, independentemente das circunstâncias da vida, se a aceitarmos de braços abertos - à semelhança de Maria.

 

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Neste ano, descobri que um dos maiores desejos do meu coração é receber Aquele que mais quero amar, Aquele que mais me ama, Aquele que é o amor, Aquele que é o meu Amado ...

Receber é uma palavra maravilhosa e divina, mas também é uma palavra difícil e muito exigente. Para eu poder receber, tenho de estar disposta a ser e estar vulnerável - oh, a vulnerabilidade de receber! - tenho de admitir e aceitar que tenho uma necessidade, que algo me falta, de que preciso de algo que não tenho e que não sou capaz ... Admitir e aceitar isto, pode ser assustador ao princípio, pode deixar-nos com medo e fazer-nos sentir ansiedade - e o mundo de hoje tem tantas formas apelativas de nos afastar desta realidade e de nos fazer esquecer estes sentimentos que, ao contrário do que popular e socialmente se propaga, não nos faz mal nenhum, antes pelo contrário - dá-nos vida e felicidade!

 

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O que significa intimidade, Senhor? O que significa ser íntimo de alguém, mas especialmente de Ti?

É sentir-se plenamente "em casa" na presença de alguém. É aceitar ser-se perfeita, total e completamente conhecida tal como sou - cheia de vícios, defeitos e pecados, cheia de feridas abertas e outras em resolução, "cheia" de espaços vazios e de pedaços que faltam - e, ainda assim, aceitar ser-se amada ... por aquele Amor louco e infinito de Deus que, tal como um dilúvio, é capaz de nos encher até transbordar, de inundar completamente todos os buracos e espaços vazios, de limpar todas as feridas, de remover todas as minhas manchas e sujidades e de santificar e purificar todos os meus desejos ... Intimidade significa eu poder ser, livremente, quem sou - sem máscaras, sem medos, sem sentir necessidade de ser aprovada, nem de conseguir ser ou fazer algo ... para ser amada.

 

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Mas, como se chega a essa intimidade - conTigo? Como podemos nos tornar íntimos?

Para se ser íntimo, é necessário confiar no outro. Em que se baseia a confiança?

Em promessas realizadas. Num amor que tenha sido comprovado e testado, que tenha sido posto à prova no fogo, por diversas vezes, e ainda assim subsistir - e até aumentar de intensidade - apenas um amor assim pode chegar a esse nível de intimidade que eu tanto desejo .... E, na minha vida, Deus já me deu mais do que provas suficientes do Seu amor....

 

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É realmente um dos desejos mais profundos do nosso coração ser-se conhecido e amado: é alguém conhecer toda a nossa história de vida, todo o nosso ser e, ainda assim, aceitar-nos e amar-nos. 

 

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Se tivermos a coragem de olhar para o mais profundo do nosso coração, descobriremos que desejamos ser intimamente conhecidos; que desejamos permitir que possamos ser vistos, conhecidos e admirados; que desejamos permitir ser acarinhados e amados....

O maior desejo de Jesus (por inúmeras vezes e por inúmeras vozes Ele nos disse isto!) é oferecer-nos o Seu amor, é satisfazer e realizar todos estes nossos desejos mais profundos ... porque não O permitimos de vez?

Porque ainda tento eu fazer coisas, ser assim ou assado e, desta forma, "provar" a Deus que mereço o Seu amor...? Quem penso eu que sou? Merecer o amor de Deus? Como se fosse possível ... que heresia! Que pecado tão grande! Afinal, quem é para mim Jesus?....

 

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Olho para Jesus na cruz - um dia, li algures que a cruz é o leito matrimonial de Jesus. Sim, leito matrimonial ...

Ali, Jesus encontra-se nu e sem qualquer proteção. Nada possui. Está completamente vulnerável e sem qualquer segurança a que se agarrar. Ali está Jesus - pregado, aberto, indefeso, vulnerável ... 

E o Seu maior desejo é tornar-se Um connosco. É abraçar os nossos medos, inseguranças, traumas e dores. É amar-nos completa e infinitamente....

Jesus, na cruz, não se preocupa em proteger-se a Si mesmo - o que apenas deseja é oferecer-se a Si mesmo, é entregar-se - por nós ...

 

Amar ~ Oferecer ~ Receber ~ Confiar ~ Amar

 

 

"Bendiz o Senhor, ó minha alma.

A minha única alegria encontra-se no Senhor.

Ao Senhor, glória eterna! Aleluia!"

Salmo 103

 

Um abençoado ano novo para todos! Que aceitem o convite de Deus, para crescerem em intimidade com Ele, ao longo deste ano ...

O meu pecado que revejo no outro ...

Porque é que todos os meses confesso sempre o mesmo pecado - respondi mal à mãe, com impaciência e brusquidão; refilei forte e feio com a avó; murmurei palavras maldosas e cheias de veneno contra o meu pai ...??

 

O período de férias é sempre uma boa altura para reflectir - nas férias a sério, claro, quando há espaço para o silêncio tão necessário para ouvir a voz de Deus; não naquelas férias em que escolhemos esconder-nos dos problemas e enterrar a cabeça na areia das praias  ...

 

Porque é que discuto tanto e tantas vezes com as pessoas que precisamente mais amo e que mais me amam?

Porque é que é tão fácil falar com elas com menos cuidado, menos caridade, irreflectidamente, levianamente, do que faria se fosse com colegas de trabalho?

Porque é que penso que é um "direito" que eu tenho, poder chegar a casa e largar toda a frustração do dia de trabalho em cima da primeira pessoa que encontro em casa?

Porque é que é tão fácil pensar e falar acerca dos desagradáveis defeitos de cada elemento da minha família?

Porque penso assim? Porque as vejo assim? Porque faço isto?

 

É fácil, oh tão fácil, pensar - a culpa é deleseles é que são isto e aquilo e assim e assado ... eles é que me estão sempre a chatear e a “picar”; eles é que não têm paciência nenhuma comigo; eles é que não compreendem; eles é que me fazem ser assim …

 

Que pecado tão grande o meu.

 

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Se tivermos realmente vontade de melhorar, de nos santificar, de crescer em amor a Deus e ao próximo … no dia em que ganharmos coragem para enfrentar de frente, com a ajuda do Espírito Santo, este nosso pecado tão grande, tão grave …. e fizermos finalmente silêncio na nossa alma, sempre tão agitada e desassossegada, então …

 

…. poderemos por fim reconhecer que, em plena verdade, deveríamos antes pensar: 

Não acontecerá que sou eu que tenho precisamente os defeitos que mais me incomodam nos outros?

Quais são os meus defeitos – que eu não quero reconhecer por falta de humildade - que me levam a falar e responder assim, a julgar os outros assim?

 

Na minha mãe revejo este e este defeito, na avó aquele e o outro, no pai revejo perfeitamente este, este e ainda este ... e, por reconhecer a presença dos meus defeitos nos outros que me rodeiam, torno-me hostil para com eles, em vez de os compreender e ter paciência ...

 

Este exercício de reflexão dói e dói muito, mesmo muito ... mas também purifica o coração, traz clareza de pensamento e torna-nos, sem dúvida, mais humildes, mais santos ...

 

"Muitos focalizam as pessoas com as lentes deformadas dos seus próprios defeitos."

São Josemaria Escrivá, Sulco n. 644

 

«Devemos sempre julgar os outros benignamente, porque o que parece aos nossos olhos negligência pode muitas vezes ser um acto de heroísmo aos olhos do Senhor. Uma irmã que tenha uma dor de cabeça ou atravesse provações espirituais cumpre mais quando faz metade do seu trabalho do que outras irmãs sadias de corpo e alma que fazem tudo bem».

 

Palavras de Santa Teresinha 

 

Reflexão feita após o início da leitura do livro "Tornar a vida amável", do Pe Francisco Faus 

Ainda sobre o pecado da preguiça ...

Em seguimento do post anterior - sobre o pecado da preguiça - lembrei-me de partilhar convosco alguns pequenos vídeos que tive a oportunidade de ver pela primeira vez há cerca de 1 ano, onde se fala e explica um pouco mais acerca deste pecado, das suas consequência e, mais importante de tudo, como combatê-lo!!

 

Acídia: Desânimo, Preguiça e Tédio

- Ana Paula Barros, do blog Salus in Caritate

 

O que é a Acídia - Padre Paulo Ricardo

 

Acedia: The Noonday Devil - Fr. Mike Schmitz

 

Aproveitem o fim-de-semana para reflectirem bem!

 

O pecado da preguiça

Estes dias têm sido difíceis, espiritualmente difíceis e de grande aridez... mas a única pessoa responsável e culpada por isso sou eu própria, que me deixei levar, mais uma vez, pelo meu terrível, aliciante e destruidor egoísmo...

Então, este fim de semana, levei finalmente uma bela tareia - através da leitura dum pequeno livro do Pe Francisco Faus, da Opus Dei - que me mostrou finalmente a profundidade e a gravidade do meu enorme pecado - a preguiça.

 

Acham que a preguiça é apenas ir adiando coisas para se fazer mais tarde? Acham que é só a falta de vontade de sair do sofá e de fazer o que deveríamos estar a fazer?

Ora pensem melhor, pensem mais fundo, reflictam bem acerca deste grave pecado, que duma forma muito subtil e sorrateira, se intromete nas nossas vidas, separando-nos completamente do amor a Deus e ao próximo...

 

Sugiro-vos a leitura deste pequeno livro do Pe Francisco Faus, acerca do pecado da Preguiça e do modo como devemos combatê-la através da virtude da Diligência. Deixo-vos alguns excertos desta obra maravilhosa, que nos fala directamente ao coração, corrigindo-nos e ensinando-nos por vezes de forma muito dura e dolorosa, mas sempre com muito amor, como só um bom pai com 85 anos de experiência de vida o poderia fazer ...

 

 

Uma definição muito simples da preguiça poderá ser (...) a resistência ao esforço e ao sacrifício. 

Com muito acerto escreveu um filósofo cristão dos nossos dias que “a preguiça significa, antes de mais nada, que o homem renuncia à altura da sua dignidade: não quer ser aquilo que Deus quer que seja”. E, nesta dolorosa renúncia, se destrói. Desistir dos ideais é desistir de sermos “nós mesmos.

 

[Alguns poderiam dizer] “Eu, preguiçoso? Mas se não tenho nem um minuto livre, se trabalho sem folga nem férias... Precisaria, em todo o caso, é de um pouco mais de descanso...” Uma pessoa pode ser ocupadíssima... e ter uma profunda preguiça! (...) 

Sempre paira sobre os cristãos mornos o que alguém denominou “o perigo das coisas boas”: deixar-nos embalar pela satisfação de umas tantas coisas boas que já fazemos, para acobertar o vazio de outras tantas coisas boas que não fazemos, e deveríamos fazer. 

 

Uma das características dessa subtil preguiça é a sua rara habilidade – verdadeiro “engenho e arte” – para se desculpar ou se justificar. A preguiça mostra-se uma artista consumada no uso de diversas máscaras, com as quais se disfarça, apresentando por fora o rosto do dever cumprido, da laboriosidade ou da responsabilidade. Vale a pena, por isso, passar a examinar algumas das máscaras mais comuns de que a preguiça costuma valer-se. 

 

A máscara da actividade: Um homem deu uma grande ceia e convidou a muitos. A parábola começa com uma clara luz: Deus é esse “homem”, que prepara um grande convite de Amor – uma vida de Amor na terra e depois na eternidade –, e chama à porta dos corações dos homens: Vinde, tudo já está preparado. Está pronto o plano que preparei para ti, a missão que te proponho realizar no mundo. Mas o convite do Amor não obtém resposta. (...) Deus não aceita as nossas desculpas, e isto porque o não-posso, a maior parte das vezes, significa simplesmente um não-quero. 

 

A máscara do cansaço: O cansaço é uma coisa muito especializada. Sempre que se pensa nele, é muito conveniente perguntar: “Cansaço, para que coisas?”. Porque todos somos especialistas em determinados cansaços – cansaço “para” rezar, estudar, atender os desejos dos outros, responder cartas, etc. –, que não passam de máscaras da preguiça. (...) A fadiga da alma – é o cansaço que invade os que cumprem os deveres de má vontade, sem amor; é o cansaço dos que vivem reclamando por tudo e por nada, sonhando sempre com situações ideais que jamais irão dar-se; dos que não querem sacrificar-se; dos preguiçosos, em suma, daqueles a quem o bem, o amor e o dever enfastiam, porque exigem sacrifício. 

 

A máscara dos desejos: O desejo-máscara é mais um truque da preguiça para enganar a consciência. Aos imperativos da consciência – deves fazer, deves dar mais, deves enfrentar isto ou aquilo –, a preguiça responde, com aparente sinceridade: “Sim, é mesmo, eu desejaria tanto fazer isso tudo...” (...) Em primeiro lugar, o bom desejo esbarra com a chamada “falta de jeito”. (...) Todos temos “jeito” – ou podemos ganhar “jeito” – para as virtudes, para o bem, para as coisas que pessoalmente Deus nos pede. Nesta matéria, pode-se dizer também que a função cria o órgão. Basta começar, basta iniciar sinceramente o esforço, e a capacidade aparece. Será maior ou menor, mas sempre será útil e eficaz. Principalmente porque Deus não deixa nunca de auxiliar a quem se esforça com boa vontade. (...) Em segundo lugar, tão perigosa como a “falta de jeito” é a desculpa de quem sempre espera pela situação, a época ou as circunstâncias ideais para levar à prática os seus bons desejos. Esse afirma com convicta persuasão que quer, que quer mesmo. Agora, porém, não é o momento propício para levar à prática o desejo. Quando mudarem as circunstâncias e houver condições favoráveis, então sim. “Agora – diz o preguiçoso – estou com tantos problemas na cabeça, que se pegasse num livro de formação cristã, com o propósito de dedicar todas as noites quinze minutos à sua leitura, não aproveitaria nada. Quando esta azáfama acalmar, então...”. “Agora – afirma outro –, ainda não me sinto em condições de fazer uma boa confissão. Deixe que eu amadureça, fortaleça as minhas resoluções, que ganhe mais certeza de não reincidir, e então... " “Agora? – perguntará um terceiro –. Será que não percebe que estou sob a pressão do cursinho e os apertos do vestibular? Vamos deixar para o ano que vem, porque agora não conseguiria levar a sério a tarefa que me propõe..." (...)

“Amanhã! Algumas vezes, é prudência; muitas vezes, é o advérbio dos vencidos”  

 

Diligência: Dizíamos que a acédia – a preguiça – é o contrário do amor, pelo fato de sentir aversão e tristeza por aquilo mesmo que atrai e alegra o amor: o bem, mesmo que seja árduo e difícil. Em confronto com a preguiça, a virtude da diligência consiste no carinho, alegria e prontidão (coisa diferente da pressa) com que pensamos no bem e nos prontificamos a realizá-lo da melhor maneira possível.

 

Pe Francisco Faus, A preguiça 

 

Inspiração Quaresmal #1

Queridos leitores,

Mais uma vez, encontro-me numa altura da minha vida em que tenho pouquíssimo tempo para escrever aqui no blog. Estou actualmente a fazer o meu estágio de Cirurgia Geral. A tese (graças a Deus!!) já está mais de metade feita. E o estudo para o exame final de Medicina está bem encaminhado.

 

Assim, apenas terei a oportunidade de ir partilhando convosco alguns pedacinhos da minha caminhada Quaresmal de 2017 - que, em meros 5 dias, já me ensinou ui! tanta coisa .... oh, há tantas, tantas coisas que precisam de ser trabalhadas no meu coração. Coisas pequeninas e coisas grandes ... que o Senhor me dê a graça de as ir descobrindo a cada dia e a coragem para as mudar. 

 

Esta semana, recebi num email com o Evangelho Diário (uma maravilhosa dica que a nossa querida Olivia partilhou connosco recentemente no seu blog) um extraordinário comentário para o Evangelho do dia, que gostava muito de partilhar convosco:

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Imagem retirada do Pinterest 

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

 

Na Cruz, Cristo chama com grandes brados. Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 


Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

 

Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês
Cântico do Amor, 32

Desejo-vos a todos uma abençoada semana!