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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A queda dos poderosos

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Estamos no início da nossa peregrinação

Para trás de nós ficou o acordar às 5 ou 6 horas da manhã do dia 3 de Agosto, o check-in demorado em Lisboa, as primeiras 6 horas da viagem de avião até Istambul, a espera (aparentemente) interminável pelo 2º voo até ao Cairo, com início bem perto da meia noite e a chegada ao nosso primeiro hotel pelas 5 horas da manhã já do dia 4 de Agosto. Quem conseguiu, pode ainda dormir 30 minutos, antes de partirmos de autocarro para a nossa primeira paragem no Egipto...

Afinal, estamos em plena peregrinação e não numa viagem de férias e descanso; e a nossa Fé dá-nos a força para seguirmos caminho. Dentro dos nossos corações trazemos inúmeras intenções de oração, muitos pedidos de ajuda e de súplica, sim, mas ainda mais orações de agradecimento e louvor por todas as graças e bênçãos que cada um de nós recebeu, ao longo das nossas vidas. 

 

A nossa primeira paragem é na antiga cidade de Mênfis, onde (para minha inicial desilusão) começamos por visitar a gigantesca estátua do Faraó Ramessés II, que eu não faço ideia quem seja .... porque é que viemos aqui? não podíamos ter dormido um pouquinho mais??

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O nosso querido guia egípcio, Samuel Gabala, começa a contar-nos a história deste grande Faraó: terá nascido provavelmente no ano 1290 a.C. e teve um dos mais longos reinados egípcios, morrendo apenas aos 94 ou 97 anos de idade. Ao longo da sua vida, casou com 40 mulheres e teve pelo menos 250 filhos e filhas. Viveu diversas guerras mas reinou também durante muitos anos de paz e prosperidade, tendo tido a possibilidade de terminar várias obras dos seus antecessores e de erguer algumas obras só suas.

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Nomeadamente, mandou erguer 2 enormes estátuas de si mesmo (a que pudémos observar era a única que, ao fim destes 3.000 anos, ainda se encontra inteira), cada uma com mais de 80 toneladas e 13 metros de altura, esculpidas a partir duma única rocha, e que foram colocadas na entrada da cidade de Mênfis.

Desde o topo da cabeça até aos pés, todos os pormenores desta estátua pretendiam demonstrar o enorme poder do seu reinado. Qual o inimigo que se atreveria a enfrentar tal potência? Além disso, não nos esqueçamos que os egípcios acreditavam que os faraós eram deuses e tratavam-nos como tal... Quem se atreveria a combater os próprios deuses?

 

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade ....

Ainda nos dias de hoje, na nossa sociedade, se erguem tantas destas "estátuas" (talvez nunca se tenha erguido tantas como hoje!) - imagens de poder, de domínio, de controlo absoluto sobre tudo à nossa volta, de auto-suficiência, de orgulho sem fim ... que não passam de imagens falsas e perecíveis, que também um dia acabarão por ruir e cair....

Oh, também eu, na minha vida, por vezes, me atrevo a erguer estas "estátuas" ... louvado seja Deus, que não se cansa de nos deitar a baixo todas as nossas "torres de Babel" ... 

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Mas qual a relevância, afinal, deste faraó na nossa peregrinação?

É que este poderá ter sido o Faraó da época de Moisés e do êxodo do povo de Deus. Por exemplo, encontraram escrito no seu túmulo que tinha perdido 12 dos seus filhos primogénitos no mesmo dia, e existem algumas evidências que indicam que terá vivenciado as 10 pragas que o livro do Êxodo nos relata ....

 

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Oh Faraó dum império rico, próspero e aparentemente indestrutível; achava que o reinado da sua família continuaria por todo o sempre; nada de mal jamais lhe aconteceria ... 

A verdade é que o grande Império do Egípcio acabou por cair e morrer. Depois veio o Império da Assíria, que conquistou muitas e muitas terras; também esse acabou por cair e morrer às mãos duma nova potência militar, o Império Babilónico comandado pelo rei Nabucodonosor ... império após império, Persa, Grego, Sírio e por fim o grande Império Romano, já no tempo de Jesus; cada novo Império reclamava para si um poder ainda maior que o anterior e todos pensavam ser indestrutíveis e eternos...

 

O nosso guia vai relatando esta história, que se repete vezes e vezes sem conta ... e quando dou por isso, o meu coração começa a cantar o Magnificat, o canto de alegria e louvor da Santíssima Virgem Maria...

 

A minha alma glorifica o Senhor 
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: 
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: 
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração 
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço 
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos 
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens 
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, 
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, 
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho 
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, 
Agora e sempre. Amén

(Lc 1,46-55)

 

Louvado seja o Senhor por todo o sempre!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Lições de humildade ...

O Senhor levou-me a viver inúmeras aventuras, com Ele, neste ano de 2018, ano esse que agora termina para dar lugar a um novo ano - cheio de possibilidades, oportunidades, sonhos, conquistas e lições ....

 

Neste ano de 2018, iniciei a minha profissão como médica, passando por diversos serviços e áreas, passando da teoria abstrata, impessoal e indiferente para a prática real, imperfeita, humana, personalizada. Agora, neste ano de 2019, iniciarei a minha formação específica para me tornar médica de família, um processo que será, sem dúvida, díficil e muito trabalhoso, e que durará pelo menos 4 anos ...

Neste ano de 2018, consolidei a minha vocação como catequista na minha paróquia, oferecendo-me verdadeiramente de corpo e alma, aceitando (uns dias melhores que outros) todas as contrariedades e dificuldades que foram surgindo pelo caminho, e aceitando desafios que outrora jamais teria tido a coragem de o fazer ...

Neste ano de 2018, assumi publicamente (no meu coração, já o tinha feito há muito tempo...) o meu compromisso com o movimento das Famílias de Caná, após um (demasiado longo) período de discernimento acerca do meu papel, como leiga solteira, dentro do movimento, e assim tornei-me numa activa Jovem de Caná - à semelhança de Nossa Senhora quando ainda solteira....

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Neste ano de 2018, passei também por um intenso processo de discernimento vocacional, após ter aumentado, a passinhos de bebé (mas sempre aumentando, graças a Deus!), a minha vida de oração, e agora encontro-me num estado de maior claridade, desapego e entrega à vontade de Deus para a minha vida ...  

Por fim, neste ano de 2018, tomei a difícil e custosa decisão de sair da casa dos meus pais, para vir viver sozinha numa casinha, bem juntinho da casa de Jesus, e, com esta última decisão, as pequenas portas e janelas que ainda pudessem estar a impedir a ação do Espírito Santo, foram finalmente escancaradas e plenamente abertas às Suas infinitas Graças (até ao dia em que eu voltar a fechar alguma, novamente - convosco também é assim?)

 

Houve, sem dúvida, outros acontecimentos marcantes e significantes que podia referir, mas penso que estes servirão para explicar, pelo menos em parte, como cheguei às pequenas reflexões que hoje queria partilhar convosco. São anotações soltas que eu fui escrevendo ao longo do ano, no meu caderno espiritual. Todas elas partiram de situações difíceis, em que o meu orgulho e egoísmo desmedidos tiveram de morrer (aos bocadinhos, claro) - autênticas lições de humildade que Deus, tão carinhosa e pacientemente, me tem vindo a ensinar....

 

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O ano de 2018, para mim, podia ter perfeitamente como tema e título - "Crescer em intimidade com Deus": crescer mesmo quando custa e dói, sem medo das mudanças, das transformações, daquilo que se perde e que tem de morrer, para algo melhor e mais santo poder germinar, nascer, crescer e florir; intimidade - um dos desejos mais profundos do nosso coração - com Deus, por Deus, em Deus ...

 

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Neste ano, compreendi finalmente (de coração) que o nome que melhor revela a vocação da mulher é maternidade, é ser mãe; e que o verbo que melhor define a vocação da mulher é receber e estar sempre aberta à vida ... Esta vocação está profundamente enraizada no nosso coração, por mais que a neguemos ou tentemos fugir dela, e apenas encontraremos a felicidade verdadeira, plena, permanente, eterna e inalterável, independentemente das circunstâncias da vida, se a aceitarmos de braços abertos - à semelhança de Maria.

 

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Neste ano, descobri que um dos maiores desejos do meu coração é receber Aquele que mais quero amar, Aquele que mais me ama, Aquele que é o amor, Aquele que é o meu Amado ...

Receber é uma palavra maravilhosa e divina, mas também é uma palavra difícil e muito exigente. Para eu poder receber, tenho de estar disposta a ser e estar vulnerável - oh, a vulnerabilidade de receber! - tenho de admitir e aceitar que tenho uma necessidade, que algo me falta, de que preciso de algo que não tenho e que não sou capaz ... Admitir e aceitar isto, pode ser assustador ao princípio, pode deixar-nos com medo e fazer-nos sentir ansiedade - e o mundo de hoje tem tantas formas apelativas de nos afastar desta realidade e de nos fazer esquecer estes sentimentos que, ao contrário do que popular e socialmente se propaga, não nos faz mal nenhum, antes pelo contrário - dá-nos vida e felicidade!

 

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O que significa intimidade, Senhor? O que significa ser íntimo de alguém, mas especialmente de Ti?

É sentir-se plenamente "em casa" na presença de alguém. É aceitar ser-se perfeita, total e completamente conhecida tal como sou - cheia de vícios, defeitos e pecados, cheia de feridas abertas e outras em resolução, "cheia" de espaços vazios e de pedaços que faltam - e, ainda assim, aceitar ser-se amada ... por aquele Amor louco e infinito de Deus que, tal como um dilúvio, é capaz de nos encher até transbordar, de inundar completamente todos os buracos e espaços vazios, de limpar todas as feridas, de remover todas as minhas manchas e sujidades e de santificar e purificar todos os meus desejos ... Intimidade significa eu poder ser, livremente, quem sou - sem máscaras, sem medos, sem sentir necessidade de ser aprovada, nem de conseguir ser ou fazer algo ... para ser amada.

 

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Mas, como se chega a essa intimidade - conTigo? Como podemos nos tornar íntimos?

Para se ser íntimo, é necessário confiar no outro. Em que se baseia a confiança?

Em promessas realizadas. Num amor que tenha sido comprovado e testado, que tenha sido posto à prova no fogo, por diversas vezes, e ainda assim subsistir - e até aumentar de intensidade - apenas um amor assim pode chegar a esse nível de intimidade que eu tanto desejo .... E, na minha vida, Deus já me deu mais do que provas suficientes do Seu amor....

 

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É realmente um dos desejos mais profundos do nosso coração ser-se conhecido e amado: é alguém conhecer toda a nossa história de vida, todo o nosso ser e, ainda assim, aceitar-nos e amar-nos. 

 

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Se tivermos a coragem de olhar para o mais profundo do nosso coração, descobriremos que desejamos ser intimamente conhecidos; que desejamos permitir que possamos ser vistos, conhecidos e admirados; que desejamos permitir ser acarinhados e amados....

O maior desejo de Jesus (por inúmeras vezes e por inúmeras vozes Ele nos disse isto!) é oferecer-nos o Seu amor, é satisfazer e realizar todos estes nossos desejos mais profundos ... porque não O permitimos de vez?

Porque ainda tento eu fazer coisas, ser assim ou assado e, desta forma, "provar" a Deus que mereço o Seu amor...? Quem penso eu que sou? Merecer o amor de Deus? Como se fosse possível ... que heresia! Que pecado tão grande! Afinal, quem é para mim Jesus?....

 

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Olho para Jesus na cruz - um dia, li algures que a cruz é o leito matrimonial de Jesus. Sim, leito matrimonial ...

Ali, Jesus encontra-se nu e sem qualquer proteção. Nada possui. Está completamente vulnerável e sem qualquer segurança a que se agarrar. Ali está Jesus - pregado, aberto, indefeso, vulnerável ... 

E o Seu maior desejo é tornar-se Um connosco. É abraçar os nossos medos, inseguranças, traumas e dores. É amar-nos completa e infinitamente....

Jesus, na cruz, não se preocupa em proteger-se a Si mesmo - o que apenas deseja é oferecer-se a Si mesmo, é entregar-se - por nós ...

 

Amar ~ Oferecer ~ Receber ~ Confiar ~ Amar

 

 

"Bendiz o Senhor, ó minha alma.

A minha única alegria encontra-se no Senhor.

Ao Senhor, glória eterna! Aleluia!"

Salmo 103

 

Um abençoado ano novo para todos! Que aceitem o convite de Deus, para crescerem em intimidade com Ele, ao longo deste ano ...

O meu pecado que revejo no outro ...

Porque é que todos os meses confesso sempre o mesmo pecado - respondi mal à mãe, com impaciência e brusquidão; refilei forte e feio com a avó; murmurei palavras maldosas e cheias de veneno contra o meu pai ...??

 

O período de férias é sempre uma boa altura para reflectir - nas férias a sério, claro, quando há espaço para o silêncio tão necessário para ouvir a voz de Deus; não naquelas férias em que escolhemos esconder-nos dos problemas e enterrar a cabeça na areia das praias  ...

 

Porque é que discuto tanto e tantas vezes com as pessoas que precisamente mais amo e que mais me amam?

Porque é que é tão fácil falar com elas com menos cuidado, menos caridade, irreflectidamente, levianamente, do que faria se fosse com colegas de trabalho?

Porque é que penso que é um "direito" que eu tenho, poder chegar a casa e largar toda a frustração do dia de trabalho em cima da primeira pessoa que encontro em casa?

Porque é que é tão fácil pensar e falar acerca dos desagradáveis defeitos de cada elemento da minha família?

Porque penso assim? Porque as vejo assim? Porque faço isto?

 

É fácil, oh tão fácil, pensar - a culpa é deleseles é que são isto e aquilo e assim e assado ... eles é que me estão sempre a chatear e a “picar”; eles é que não têm paciência nenhuma comigo; eles é que não compreendem; eles é que me fazem ser assim …

 

Que pecado tão grande o meu.

 

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Se tivermos realmente vontade de melhorar, de nos santificar, de crescer em amor a Deus e ao próximo … no dia em que ganharmos coragem para enfrentar de frente, com a ajuda do Espírito Santo, este nosso pecado tão grande, tão grave …. e fizermos finalmente silêncio na nossa alma, sempre tão agitada e desassossegada, então …

 

…. poderemos por fim reconhecer que, em plena verdade, deveríamos antes pensar: 

Não acontecerá que sou eu que tenho precisamente os defeitos que mais me incomodam nos outros?

Quais são os meus defeitos – que eu não quero reconhecer por falta de humildade - que me levam a falar e responder assim, a julgar os outros assim?

 

Na minha mãe revejo este e este defeito, na avó aquele e o outro, no pai revejo perfeitamente este, este e ainda este ... e, por reconhecer a presença dos meus defeitos nos outros que me rodeiam, torno-me hostil para com eles, em vez de os compreender e ter paciência ...

 

Este exercício de reflexão dói e dói muito, mesmo muito ... mas também purifica o coração, traz clareza de pensamento e torna-nos, sem dúvida, mais humildes, mais santos ...

 

"Muitos focalizam as pessoas com as lentes deformadas dos seus próprios defeitos."

São Josemaria Escrivá, Sulco n. 644

 

«Devemos sempre julgar os outros benignamente, porque o que parece aos nossos olhos negligência pode muitas vezes ser um acto de heroísmo aos olhos do Senhor. Uma irmã que tenha uma dor de cabeça ou atravesse provações espirituais cumpre mais quando faz metade do seu trabalho do que outras irmãs sadias de corpo e alma que fazem tudo bem».

 

Palavras de Santa Teresinha 

 

Reflexão feita após o início da leitura do livro "Tornar a vida amável", do Pe Francisco Faus 

Ainda sobre o pecado da preguiça ...

Em seguimento do post anterior - sobre o pecado da preguiça - lembrei-me de partilhar convosco alguns pequenos vídeos que tive a oportunidade de ver pela primeira vez há cerca de 1 ano, onde se fala e explica um pouco mais acerca deste pecado, das suas consequência e, mais importante de tudo, como combatê-lo!!

 

Acídia: Desânimo, Preguiça e Tédio

- Ana Paula Barros, do blog Salus in Caritate

 

O que é a Acídia - Padre Paulo Ricardo

 

Acedia: The Noonday Devil - Fr. Mike Schmitz

 

Aproveitem o fim-de-semana para reflectirem bem!

 

O pecado da preguiça

Estes dias têm sido difíceis, espiritualmente difíceis e de grande aridez... mas a única pessoa responsável e culpada por isso sou eu própria, que me deixei levar, mais uma vez, pelo meu terrível, aliciante e destruidor egoísmo...

Então, este fim de semana, levei finalmente uma bela tareia - através da leitura dum pequeno livro do Pe Francisco Faus, da Opus Dei - que me mostrou finalmente a profundidade e a gravidade do meu enorme pecado - a preguiça.

 

Acham que a preguiça é apenas ir adiando coisas para se fazer mais tarde? Acham que é só a falta de vontade de sair do sofá e de fazer o que deveríamos estar a fazer?

Ora pensem melhor, pensem mais fundo, reflictam bem acerca deste grave pecado, que duma forma muito subtil e sorrateira, se intromete nas nossas vidas, separando-nos completamente do amor a Deus e ao próximo...

 

Sugiro-vos a leitura deste pequeno livro do Pe Francisco Faus, acerca do pecado da Preguiça e do modo como devemos combatê-la através da virtude da Diligência. Deixo-vos alguns excertos desta obra maravilhosa, que nos fala directamente ao coração, corrigindo-nos e ensinando-nos por vezes de forma muito dura e dolorosa, mas sempre com muito amor, como só um bom pai com 85 anos de experiência de vida o poderia fazer ...

 

 

Uma definição muito simples da preguiça poderá ser (...) a resistência ao esforço e ao sacrifício. 

Com muito acerto escreveu um filósofo cristão dos nossos dias que “a preguiça significa, antes de mais nada, que o homem renuncia à altura da sua dignidade: não quer ser aquilo que Deus quer que seja”. E, nesta dolorosa renúncia, se destrói. Desistir dos ideais é desistir de sermos “nós mesmos.

 

[Alguns poderiam dizer] “Eu, preguiçoso? Mas se não tenho nem um minuto livre, se trabalho sem folga nem férias... Precisaria, em todo o caso, é de um pouco mais de descanso...” Uma pessoa pode ser ocupadíssima... e ter uma profunda preguiça! (...) 

Sempre paira sobre os cristãos mornos o que alguém denominou “o perigo das coisas boas”: deixar-nos embalar pela satisfação de umas tantas coisas boas que já fazemos, para acobertar o vazio de outras tantas coisas boas que não fazemos, e deveríamos fazer. 

 

Uma das características dessa subtil preguiça é a sua rara habilidade – verdadeiro “engenho e arte” – para se desculpar ou se justificar. A preguiça mostra-se uma artista consumada no uso de diversas máscaras, com as quais se disfarça, apresentando por fora o rosto do dever cumprido, da laboriosidade ou da responsabilidade. Vale a pena, por isso, passar a examinar algumas das máscaras mais comuns de que a preguiça costuma valer-se. 

 

A máscara da actividade: Um homem deu uma grande ceia e convidou a muitos. A parábola começa com uma clara luz: Deus é esse “homem”, que prepara um grande convite de Amor – uma vida de Amor na terra e depois na eternidade –, e chama à porta dos corações dos homens: Vinde, tudo já está preparado. Está pronto o plano que preparei para ti, a missão que te proponho realizar no mundo. Mas o convite do Amor não obtém resposta. (...) Deus não aceita as nossas desculpas, e isto porque o não-posso, a maior parte das vezes, significa simplesmente um não-quero. 

 

A máscara do cansaço: O cansaço é uma coisa muito especializada. Sempre que se pensa nele, é muito conveniente perguntar: “Cansaço, para que coisas?”. Porque todos somos especialistas em determinados cansaços – cansaço “para” rezar, estudar, atender os desejos dos outros, responder cartas, etc. –, que não passam de máscaras da preguiça. (...) A fadiga da alma – é o cansaço que invade os que cumprem os deveres de má vontade, sem amor; é o cansaço dos que vivem reclamando por tudo e por nada, sonhando sempre com situações ideais que jamais irão dar-se; dos que não querem sacrificar-se; dos preguiçosos, em suma, daqueles a quem o bem, o amor e o dever enfastiam, porque exigem sacrifício. 

 

A máscara dos desejos: O desejo-máscara é mais um truque da preguiça para enganar a consciência. Aos imperativos da consciência – deves fazer, deves dar mais, deves enfrentar isto ou aquilo –, a preguiça responde, com aparente sinceridade: “Sim, é mesmo, eu desejaria tanto fazer isso tudo...” (...) Em primeiro lugar, o bom desejo esbarra com a chamada “falta de jeito”. (...) Todos temos “jeito” – ou podemos ganhar “jeito” – para as virtudes, para o bem, para as coisas que pessoalmente Deus nos pede. Nesta matéria, pode-se dizer também que a função cria o órgão. Basta começar, basta iniciar sinceramente o esforço, e a capacidade aparece. Será maior ou menor, mas sempre será útil e eficaz. Principalmente porque Deus não deixa nunca de auxiliar a quem se esforça com boa vontade. (...) Em segundo lugar, tão perigosa como a “falta de jeito” é a desculpa de quem sempre espera pela situação, a época ou as circunstâncias ideais para levar à prática os seus bons desejos. Esse afirma com convicta persuasão que quer, que quer mesmo. Agora, porém, não é o momento propício para levar à prática o desejo. Quando mudarem as circunstâncias e houver condições favoráveis, então sim. “Agora – diz o preguiçoso – estou com tantos problemas na cabeça, que se pegasse num livro de formação cristã, com o propósito de dedicar todas as noites quinze minutos à sua leitura, não aproveitaria nada. Quando esta azáfama acalmar, então...”. “Agora – afirma outro –, ainda não me sinto em condições de fazer uma boa confissão. Deixe que eu amadureça, fortaleça as minhas resoluções, que ganhe mais certeza de não reincidir, e então... " “Agora? – perguntará um terceiro –. Será que não percebe que estou sob a pressão do cursinho e os apertos do vestibular? Vamos deixar para o ano que vem, porque agora não conseguiria levar a sério a tarefa que me propõe..." (...)

“Amanhã! Algumas vezes, é prudência; muitas vezes, é o advérbio dos vencidos”  

 

Diligência: Dizíamos que a acédia – a preguiça – é o contrário do amor, pelo fato de sentir aversão e tristeza por aquilo mesmo que atrai e alegra o amor: o bem, mesmo que seja árduo e difícil. Em confronto com a preguiça, a virtude da diligência consiste no carinho, alegria e prontidão (coisa diferente da pressa) com que pensamos no bem e nos prontificamos a realizá-lo da melhor maneira possível.

 

Pe Francisco Faus, A preguiça 

 

Inspiração Quaresmal #1

Queridos leitores,

Mais uma vez, encontro-me numa altura da minha vida em que tenho pouquíssimo tempo para escrever aqui no blog. Estou actualmente a fazer o meu estágio de Cirurgia Geral. A tese (graças a Deus!!) já está mais de metade feita. E o estudo para o exame final de Medicina está bem encaminhado.

 

Assim, apenas terei a oportunidade de ir partilhando convosco alguns pedacinhos da minha caminhada Quaresmal de 2017 - que, em meros 5 dias, já me ensinou ui! tanta coisa .... oh, há tantas, tantas coisas que precisam de ser trabalhadas no meu coração. Coisas pequeninas e coisas grandes ... que o Senhor me dê a graça de as ir descobrindo a cada dia e a coragem para as mudar. 

 

Esta semana, recebi num email com o Evangelho Diário (uma maravilhosa dica que a nossa querida Olivia partilhou connosco recentemente no seu blog) um extraordinário comentário para o Evangelho do dia, que gostava muito de partilhar convosco:

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Imagem retirada do Pinterest 

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

 

Na Cruz, Cristo chama com grandes brados. Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 


Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

 

Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês
Cântico do Amor, 32

Desejo-vos a todos uma abençoada semana!

O dom de estar doente

Não faço ideia como é que o mês de Janeiro está quase no fim... No dia 2 de Janeiro comecei um novo estágio hospitalar, desta vez em Pediatria. O trabalho tem sido muito e os ponteiros do relógio não perdoam ... tic tac, tic tac ... e o tempo voa!

 

No início desta semana, fiquei doente, de cama, com uma valente amigdalite. Muita febre, arrepios e suores, muito sono e cansaço, tantas dores por todo o lado e oh, tantas dores de garganta! ... e, quase dum dia para o outro, eis que a minha voz praticamente desaparece. Para conseguir dizer uma única palavra, numa voz muito rouca e baixinha, tinha de suportar um aumento significativo nas dores de garganta e ui, como doía ....

 

Claro que me revi na situação da nossa querida Teresa Power todos os dias  

Deus fez questão que eu experimentasse em primeira mão grande parte das experiências que ela tem partilhado connosco no site das Famílias de Caná - e que experiências!!

 

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Louvado seja o Senhor pelo dom de estar doente!

Mas será que eu endoideci? 

 

Que maravilhosa experiência é poder compreender, completamente, o sofrimento dos doentes de quem cuido todos os dias.

Que dom é aceitar ser vulnerável e frágil e de precisar da ajuda de alguém.

Que lição de humildade é ter que deixar que alguém cuide de mim.

Que óptima oportunidade para oferecer este meu (gigante, a meu ver) sofrimento por uma intenção especial.

E que bom que é estar calada ...

 

Sim, estar calada, leram bem.

O pecado que eu mais repito a cada confissão há-de ser certamente as respostas tortas que eu digo aqui por casa....

Ao longo destes 6 anos em medicina, já me disseram por diversas vezes que a paciência e o carinho que eu demonstro ao lidar com os doentes será com certeza um dos meus maiores pontos fortes .... mas parece que essas capacidades se esgotam totalmente no meu local de trabalho. 

Cá por casa, exactamente para as pessoas que eu mais amo, o que se ouve mais sair da minha boca são respostas tortas e muitas, muitas, muitas declarações de cansaço e frustração ...

 

Ora, quando Deus me coloca numa situação, como a desta semana, em que cada palavra que eu quisesse pronunciar tinha de estar disposta a sofrer ... aprende-se uma bela lição, não é verdade?

Quem nos dera que fosse sempre assim. Como seria diferente a nossa postura no mundo.

Como seria diferente a minha vida, se eu me lembrasse sempre antes de falar: valerá a pena? estaria disposta a sofrer para a pronunciar?

 

Fez-me lembrar uma frase que li, algures, na internet:

think.jpg

Imagem retirada daqui

 

Antes de falar, pensa (THINK):

T - é verdade?

H - vai ajudar?

I - é inspirador?

N - é necessário?

K - é amável e gentil?

 

Nem queiram saber a paz que reinou aqui por casa nestes últimos dias ... como desejo que permaneça assim, mesmo quando a minha voz voltar.

 

Já São Paulo nos tinha exortado:

 

"Irmãos, tudo o que seja verdadeiro, tudo o que seja nobre,

tudo o que seja justo, tudo o que seja puro,

tudo o que seja amável, tudo o que seja respeitável,

tudo o que seja virtuoso e louvável,

eis o que deve ocupar os vossos pensamentos."

Carta de S.Paulo aos Filipensses 4:8

 

E eu vou acrescentar: eis o que deve sair da vossa boca ... 

 

P.s: Ao longo deste mês tenho adicionado novos links de blogs/sites na barra lateral do blog, que gosto e vos recomendo, se quiserem descobrir novas páginas católicas ...

Superando, aos poucos, o deserto

Nossa Senhora faz realmente milagres.

Se, nos últimos dias, tenho conseguido avançar um pouquinho neste deserto espiritual, de que vos falei no último post, o mérito é, sem dúvida, de Nossa Senhora! Tem sido com Ela e através Dela que comecei a ver finalmente um luzinha, no fundo deste túnel imenso … Tem sido o Seu exemplo de vida, infinito em graças e bênçãos, que me tem ensinado várias lições e me tem oferecido algumas respostas que eu procurava ....  E tudo graças a um pequeno livrinho, escrito há muito tempo atrás e que já transformou tantas pessoas antes de mim ... 

 

Adicionalmente, no início desta semana, já nem me lembro bem como, descobri um site com gravações de homilias dum padre americano, que me têm feito também, oh, tão bem à alma! Estas homilias estão em inglês, é verdade, e não tenho formas das vos traduzir, mas ainda assim espero que a sua partilha consiga, talvez, ajudar alguém, como me tem ajudado tanto a mim …

 

Podem ouvir todas as homilias aqui no site Luke 11:28.

Mas gostava de partilhar convosco algumas daquelas que mais me marcaram...

 

Homilia Mariana #1: Maria como nosso modelo de vida

O que especificamente nos pode ensinar Nossa Senhora nas nossas vidas? E como? Ora, não há melhor professora nesta vida do que a maior e melhor das Mães ...

 

Homilia Mariana #2: Nós seremos sempre filhos de Maria

O caminho da santidade não é fácil, tem sempre muitos obstáculos e barreiras a ultrapassar ... mas podemos contar sempre com o auxílio de Nossa Senhora, em todos os passos do nosso caminho, como só uma Mãe nos poderia ajudar...

 

 

Fazer a vontade de Deus não é nada fácil

O Evangelho diz-nos para amarmos os nossos inimigos, para abraçarmos o sofrimento, para obedecermos às autoridades na nossa vida .... mas isso não é nada fácil, como todos já pudemos comprovar, duma maneira ou de outra. Como poderemos então superar os nossos obstáculos e fazermos a vontade de Deus? A resposta foi já encontrada há muito tempo .... 

 

 

Defendendo o nosso castelo

Ao lutarmos contra os nossos pecados é extremamente fácil cairmos na armadilha, astutamente colocada pelo Maligno, de acreditar que podemos vencê-los com as nossas próprias forças, se estivermos no controlo das situações e de tudo o que acontece ... mas assim acabamos simplesmente por cair noutra tentação. Qual é então a solução?

 

 

 

Queria também agradecer a todos vós, queridos leitores e queridos amigos, pelas vossas inúmeras palavras de apoio! Obrigado