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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

O vento novo da Galileia

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Sabem qual é uma das coisas que mais me lembro da Galileia? Do vento! Sim, do vento!

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Desde criança que eu sempre gostei muito de vento, mas o vento da Galileia parecia ser ainda mais especial ... 

Ah, só de me lembrar do vento da Galileia ....

Um vento que nos chamava a rir, ao brincar com o nosso cabelo e as nossas roupas; um vento que nos chamava a dançar, como se fosse uma criança a puxar por nós; um vento que nos refrescava o corpo cansado da viagem; um vento que nos sussurrava ao ouvido acerca do tremendo amor e misericórdia de Deus; um vento que surgia de repente, aparentemente do nada, e que "bagunçava" a nossa vida, tirando-nos do nosso conforto e comodismo, à semelhança do Espírito Santo; um vento que nos impelia a avançar, sempre, em frente ...

 

Também nós avançamos na nossa viagem, até uma linda capela ao ar livre, que parecia esperar por nós, escondida entre as árvores, as flores e as plantas - como se sempre estivesse estado ali desde o tempo de Jesus, como se aquele sempre tivesse sido o seu devido lugar ...

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

Pela graça de Deus, temos oportunidade de celebrar a Santa Missa neste preciso local - a nossa primeira Eucaristia celebrada na Terra Santa, depois de termos celebrado uma no Egipto e outra na Jordânia. Estamos a 9 de Agosto de 2019 e eu não posso deixar de sorrir e sorrir e sorrir quando me apercebo que a primeira leitura do dia é uma das minhas leituras favoritas e mais queridas do meu coração ... 

 

É assim que a vou seduzir:

ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.

Dar-lhe-ei então as suas vinhas

e o Vale de Acor será como porta de esperança.

Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude,

como nos dias em que subiu da terra do Egipto.

Naquele dia – oráculo do Senhor –

ela me chamará: «Meu marido»

e nunca mais: «Meu Baal.»

Tirarei da sua boca os nomes de Baal,

de modo que tais nomes não voltem a ser recordados.

Farei em favor dela, naquele dia,

uma aliança com os animais selvagens,

com as aves do céu e com os répteis da terra;

farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra,

e farei com que eles repousem em segurança.

Então, te desposarei para sempre;

desposar-te-ei conforme a justiça e o direito,

com amor e misericórdia.

Desposar-te-ei com fidelidade,

e tu conhecerás o Senhor.

                                      Oseias 2,16-22

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

Não consigo ler esta passagem sem me recordar sempre da belíssima música que a Danielle Rose compôs, cantou e tocou - como já tinha partilhado convosco no início deste ano. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou durante os primeiros 6 meses deste ano de 2019, uma altura da minha vida que, devido a uma grande conjugação de factores, se veio a revelar tão espiritualmente difícil para mim ... 

 

Ao trazer estas memórias de volta ao coração e ao reflectir naquilo que vivi e experienciei naquela bela manhã de Missa campal, consigo finalmente compreender uma última coisa que o Senhor desejava dizer-me, através daquele vento especial da Galileia ... É que aquele vento, novo e rejuvenescedor, era também um vento de mudança, de muitas mudanças, que se sucederiam, umas a seguir às outras, mal eu chegasse de volta a Portugal, cada uma mais bela e maravilhosa que a anterior ... 

 

Oh, louvado sejas, Senhor meu, para todo o sempre!

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Foto tirada por outro peregrino na nossa viagem - obrigado pela partilha!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

No Monte das Bem-Aventuranças

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

[Jesus] começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.

E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte.

Mt 4, 23.25; 5,1

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Estamos junto do Mar da Galileia e a nossa primeira paragem do dia é bem no topo do Monte das Bem-aventuranças em Tagba. E eu, oh, sinto-me no paraíso ... a beleza deste local é de tal grandeza que até parece que perco o fôlego! (o que fez com que quase me esquecesse de tirar fotos, perdoem-me ...)

À nossa volta, a natureza parece que permanece intocada e preservada, tal como seria no tempo de Jesus. Como é belo, Senhor, o local que Tu escolheste para anunciar um dos Teus ensinamentos mais importantes e revolucionários ...

Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte.

Depois de Se ter sentado, os discípulos aproximaram-se Dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu
                                                                                                                               Mt 5,1-3

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No topo do Monte encontramos a Igreja das Bem-Aventuranças ou das Beatitudes, desenhada pelo arquitecto Antonio Barluzzi (vão ouvir-me falar várias vezes deste arquitecto ao longo de toda a nossa peregrinação pelas terras de Israel - ele desenhou e restaurou tantos monumentos em Israel, que ficou conhecido como o "Arquitecto da Terra Santa"). É uma igreja construída de forma octogonal, ou seja, com 8 lados, à semelhança das 8 Beatitudes proclamadas por Jesus no topo deste Monte santo. 

«Felizes os que choram, porque serão consolados.»
                                                                                                         Mt 5,4

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Por fora, as paredes pretas e brancas - que nos relembram da nossa luta diária e constante, entre o bem e o mal, a luz e as trevas, a virtude e o pecado - escondem, na verdade, uma igreja incrivelmente luminosa e arejada ... 

«Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.»
                                                                                                    Mt 5,5-6

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Do altar sagrado - localizado bem no centro desta igreja, visível de todos os ângulos e lugares - a disposição dos mosaicos minúsculos - como tu e eu, as pedras vivas do Templo do Senhor, somos - fazem-nos pensar numa fonte inesgotável e perpétua de água refrescante, a única capaz de nos saciar a sede, aquela sede tão profunda de amor, um amor capaz de tudo, um amor mais forte que tudo, um amor sem fim ... 

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.»
                                                                                                                         Mt 5,7

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Ergo os olhos e sinto-me, mais uma vez, no Céu... Mais uma vez, uma série de minúsculos mosaicos, dourados e reluzentes - tantos quantos os Santos no Céu - rodeiam a "Estrela maior", azul como a cor de Nossa Senhora, aquela que é "o caminho fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Deus, na qual consiste a perfeição cristã” (TVD 152). 

Meu Deus, quanta beleza em tal simplicidade ... 

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os pacificadoresporque serão chamados filhos de Deus
                                                                                                                  Mt 5,8-9

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Rezamos por breves momentos; a igreja é demasiado pequena para receber tantos peregrinos e por isso dirigimo-nos novamente lá para fora. Sentamo-nos no chão e em rochas, provavelmente à semelhança dos Apóstolos e da multidão que seguia Jesus naquele dia, debaixo duma grande árvore, protegidos do Sol que começava a aquecer o dia. Ouvimos então o Sermão das Bem-Aventuranças, na sua totalidade, e reflectimos acerca da Sua mensagem....

«Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o Reino do Céu
                                                                                                                             Mt 5,10

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Rodeia-nos uma bela floresta - oh tão bela! - à beira do mar, cheia de flores de todas cores, de plantas e árvores e tantos, tantos passarinhos que cantam maravilhosamente para nós! Cantarão eles, como Nossa Senhora, acerca das maravilhas do Senhor?

Nem me tinha apercebido das saudades que eu tinha de ouvir cantar os passarinhos no cimo das árvores (desde que viemos de Portugal que eu não ouvia passarinhos a cantar!) e aqui há tantos e cantam tão bem...

«Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Mt 5,11-12

Até hoje me consigo lembrar do cheiro e do som do mar, mesmo ali ao nosso lado... 

Felizes, felizes sereis . . . 

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Nazaré e a vida da Sagrada Família

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David.

Lucas 1,26-27

 

Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.» Levantando-se, ele tomou o Menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel.

Advertido em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: «Ele será chamado Nazareno».

Mt 2,19-20.23

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Estamos em Nazaré, a terra natal de Maria e de José e a região onde Jesus passou a maior parte da Sua vida, desde o Seu regresso da terra do Egipto, por volta dos seus 6 a 7 anos de idade, até ter iniciado a Sua pregação (depois de ter passado pelas águas do rio Jordão), por volta dos seus 30 anos.

 

Nazaré situa-se na parte Norte do país de Israel, num vale rodeado por altas montanhas. Este vale, se o seguíssemos para Noroeste, levar-nos-ia até ao Mar Mediterrâneo; e se o seguíssemos para Sudeste, levar-nos-ia em direcção ao rio Jordão.

 

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Imagem adaptada daqui

A Sul da cidade de Nazaré, localiza-se a Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrel), que é uma zona muito fértil, cheia de campos de colheitas, de plantas, árvores e flores - ena, que contraste tão grande em relação a todas as terras áridas e desérticas pelas quais temos passado nos últimos dias! 

 

Nazaré é hoje uma cidade grande, próspera e bonita; mas no tempo de Jesus terá sido apenas uma pequena aldeia judaica, de pouca importância, com pouco mais que 20 a 30 famílias, que viveriam da agricultura, do pastoreio e do trabalho de artífices como a carpintaria de S.José. Esta aldeia estaria rodeada de olivais e de vinhas que desceriam pelas encostas dos montes. É provável que tivesse uma única sinagoga, pequena e simples, à imagem dos seus habitantes, e que talvez fosse, tal como as casas destas famílias eram, parcialmente construída à mão e parcialmente escavada na encosta dos montes. 

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A Sagrada Família viveu durante tantos anos em Nazaré e ninguém suspeitava que o próprio Deus vivesse ali, bem juntinho do Seu povo tão amado. Como é que foi possível? Oh, que mistério tão grande! 

Penso nos incontáveis Santos que povoam o Céu, já neste preciso momento, cujos nomes nós nem sequer sabemos, cujas vidas nem conhecemos; tantos Santos escondidos, silenciosos, que levaram vidas simples, humildes, sem grande alarido, sem feitos extraordinários, à semelhança da Sagrada Família, à semelhança (assim o espero e desejo) da minha vida, da tua vida, da nossa vida ... 

 

Alguém muito querido do meu coração, um dia destes perguntou-me se eu alguma vez tinha pensado que nunca na História da humanidade tinha havido, como hoje, tantos Santos e Santas, Beatos e Veneráveis, Servos e Servas de Deus, conhecidos ou não, a viver, a rezar e a interceder por todos nós no Céu ... como é que eu nunca tinha pensado nisso?! Quão maravilhoso! Louvado seja Deus!

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Planície de Esdrelão (ou Vale de Jezrael)

 

E como terá sido a vida quotidiana da Sagrada Família?...

Penso em Jesus como criança, a receber o início da Sua educação escolar e de Fé (só a nossa sociedade actual é que tenta separar as duas coisas ...), através dos ensinamentos e do exemplo vivo de Maria e de José; ao aprender na carpintaria a trabalhar a madeira e a pedra com as Suas mãos e instrumentos, enquanto ouvia, vezes e vezes sem conta, José a contar-Lhe toda a História do povo de Deus, até a saber de coração...

Jesus a brincar com os outros meninos e meninas da Sua idade... Jesus como menino na escola da sinagoga, a aprender a ler e a interpretar as Sagradas Escrituras ... Oh, será que Jesus chegava a pensar: Hum ... isto parece-me familiar... sim, acho que fui Eu que fiz e disse isto tudo  

 

Penso em Maria, como esposa e mãe, exercendo na perfeição todas as facetas do «génio feminino» que o Santo Papa João Paulo II nos ensinaria tantos séculos mais tarde ... Maria a lavar e a estender a roupa, a limpar a casa, a fazer as refeições, a ir buscar água aos poços e cisternas, enquanto cantava continuamente todas as maravilhas que o Senhor fez ...

Sabem, desde que me tornei catequista, dou por mim muitas vezes a imaginar (e a tentar inspirar-me) acerca de como é que Maria ensinaria e cativaria todas as meninas e meninos com os quais contactasse, ao longo da sua vida, acerca do amor, da misericórdia e da justiça de Deus ... (tento, mas garanto-vos que falho redondamente a tentar fazer o mesmo! )

 

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Durante muito tempo pensei que Maria e José tivessem dedicado as suas vidas, em exclusividade, um ao outro e a Jesus, depois de casarem. Que todas as outras facetas anteriores das suas vidas - restante família, profissão, actividades na comunidade, amizades e tarefas - tivessem sido completamente abandonadas e esquecidas e postas de parte, para que tudo girasse apenas à volta de Jesus ... o que é, bem, em parte verdade. 

Mas apenas em parte verdade. Graças aos ensinamentos das Famílias de Caná, percebi que a Sagrada Família, protótipo perfeito das Famílias-Cântaro a que somos chamados a ser, não só não terá renunciado às diversas tarefas e funções que anteriormente possuía, como as deverá ter, sim, abraçado e dedicado ainda mais intensamente, com ainda mais amor, auto-doação e sacrifício! 

Sim, claro que sim! Claro que tanto Maria como José se terão disponibilizado para servir ainda mais cada elemento das suas comunidades e das suas famílias; claro que se terão dedicado com ainda mais fervor e amor às suas profissões e tarefas; claro que terão crescido ainda mais em generosidade; claro que terão aberto as portas (e as janelas e o telhado!) da sua casa a todos os que precisassem, ou duma simples palavra amiga e dum sorriso, ou duma fatia de pão com doce de tâmaras, ou dum colo e ombro amigo para chorar, ou duma cama para passar a noite; claro que raramente haveria apenas 3 pratos e 3 copos e 3 talheres na mesa da Sagrada Família, mas sim sempre mais, sempre espaço e comida e amor para mais um (ou dois ou três ou mais!), por mais tarde que chegassem; claro que se terão oferecido e dedicado e gasto mais e mais e mais, depois da chegada de Jesus às suas vidas ...

Oh, que o mesmo aconteça na minha vida também!...

 

O nosso autocarro está quase a chegar a um dos locais que eu mais desejava ver e tocar, sentir e estar, como Jesus tantas e tantas vezes o fez - o Mar das Tiberíadas, o Mar da Galileia - oh, ei-lo em toda a sua beleza, bem aqui à nossa espera ... 

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  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Na Terra Prometida

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Não posso acreditar! Estou na Terra Santa! Estou mesmo na Terra Prometida!!

Oh, que dom tão grande de Deus!...

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A entrada em Nazaré

Reco­nhe­cei, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, que, de quantas pro­mes­sas vos fez o Senhor vosso Deus, nem uma só ficou sem efeito: todas se cumpriram, sem falhar ne­nhuma.

Josué 23,14b

 

O tempo de Deus é perfeito, absolutamente perfeito... E não existe uma única promessa que Ele tenha feito, ao longo de toda a nossa história (e História também), que Ele não tenha cumprido ou que não venha a cumprir. Não, não existe uma única que seja, por maior ou menor que tenha sido ...

Estes 6 longos dias de viagem entre as terras do Egipto e da Jordânia só conseguiram inflamar ainda mais, dentro do mim, a minha vontade de chegar à Terra Prometida, onde abundaria leite e mel, graças e bênçãos, amor e felicidade eternas ...

Apercebo-me, ao atravessarmos a última fronteira e ao entrarmos em Nazaré, enquanto as lágrimas abundantes escorrem pelo meu rosto e se misturam com o meu sorriso aberto, o quanto desejo chegar à Terra Prometida - não tanto esta, feita de terra e plantas, animais e pessoas; mas Aquela, oh, Aquela cidade maravilhosa que Deus prometeu a cada um de nós, onde viveremos, para todo o sempre, em plena comunhão de Amor ...

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Nazaré

Dei-vos uma terra que não la­vrastes, cidades que não edi­fi­castes e que agora habitais, vinhas e oliveiras que não plantas­tes e de cujos frutos vos alimentais.

Josué 24,13

Que Deus é Este, que oferece - que Se oferece - a cada um de nós, com tantas e tantas bênçãos e graças e dons, todas elas absolutamente imerecidas e inalcançáveis...

Que Deus é Este, Todo Poderoso, capaz de criar o céu e a terra, as montanhas e as flores, as células e as moléculas, o som e a luz - por amor a cada um de nós, para nos oferecer estas maravilhas, para que, através delas, O possamos conhecer e amar...

Que Deus é Este, que apesar da nossa infidelidade, ingratidão e abandono - todos os dias, a quase todo o instante - decidiu um dia tornar-Se num indefeso embrião, susceptível, dependente, necessitado, para que, talvez assim, O possamos então amar e deixar que Ele nos ame...

Que Deus é Este, mais valente e corajoso que qualquer herói desta terra ou das histórias dos livros, que arrisca tudo, que oferece tudo, que sacrifica tudo - que Se sacrifica na totalidade - apenas por amor a mim e a ti, apenas para que tu e eu possamos viver ...

Que Deus é Este, que ainda hoje, em todos os cantos desta terra, Se esconde, Se reduz, Se tritura, Se oferece, sob a forma duma pequena hóstia, simples farinha e água, para que nenhum de nós fuja com medo deste Amor tão grande e louco e forte, e para que, assim, possa entrar dentro de nós, nutrindo-nos e alimentando-nos, tornando-Se parte do nosso próprio corpo, e iniciando assim a nossa Comunhão eterna de Amor ...

 

Partilho convosco outra canção da querida Danielle Rose, que tantas vezes ressoou na minha cabeça durante esta viagem ...

A Love Song From Jesus

Based on Luke 22:14-20, and the Song of Solomon
From the perspective of Jesus the Lover

 

All I want to do is fall in love with you.
May I call you my Beloved?
You do not know how strong my love is yet.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist

 

You have never known a love like this
Do you thirst inside?
And my desire is to share this love.
My passion will never die.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist.

 

And what if you do not love me in return?
I will be standing here alone,
With my blood beating in my broken heart,
My body broken with love.

Hold me in your hands.
Kiss me with your lips.
Enter into love’s communion

In this Eucharist

 

I give you my Blood.
I give you my Body.
I give you all of my love.
Will you take this gift,
Or have I not given enough?

Uma canção de amor de Jesus
Com base em Lucas 22:14-20 e no Cântico de Salomão
Do ponto de vista de Jesus, o Amado

 

Tudo o que Eu quero é apaixonar-Me por ti
Posso chamar-te minha Amada?
Tu ainda não sabes o quão forte é o Meu amor

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

Tu nunca conheceste um amor como este
Tens sede por dentro?
E o Meu desejo é partilhar este amor
A Minha paixão nunca morrerá

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

E se tu não Me amares de volta?
Eu permanecerei aqui sozinho,
Com o Meu sangue a bater dentro do Meu coração partido,
O Meu corpo partido por amor

Segura-Me nas tuas mãos
Beija-Me com os teu lábios
Entra nesta comunhão de amor

Nesta Eucaristia

 

Eu ofereço-te o Meu sangue
Eu ofereço-te o Meu corpo
Eu ofereço-te todo o Meu amor
Vais aceitar este presente
Ou será que não te dei o suficiente?

 

É Domingo, dia do Senhor, dia do Amor!

Venham ter com Ele, na Santa Eucaristia, e deixem que Ele vos encha com o Seu tremendo Amor ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A Jordânia bíblica

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos pouco mais que 2 dias completos na Jordânia e, como tal, não nos foi possível visitar muitos dos locais bíblicos que actualmente se situam dentro do território jordaniano. Eu não fazia a mínima ideia da quantidade de histórias bíblicas que se passaram na actual Jordânia, até a visitar e ouvir o nosso guia Luai enumerá-las...

 

Aliás, vocês deviam ter visto a minha cara de espanto, quando me apercebi que estes limites e fronteiras actuais, entre a Jordânia e Israel ...

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Imagem retirada daqui

.... foram em tempos (~850 a.C) assim:

reinos israel e jordania 1.png

Imagem retirada daqui

Ou seja, muitas terras que actualmente se localizam na Jordânia, há muitos séculos atrás pertenciam ao reino de Israel. Ora, isso explica muita coisa ... 

 

Em diversas passagens da Bíblia, tinha eu reparado desde o tempo em que li a Bíblia duma ponta à outra durante pouco mais que um ano, volta e meia é-nos falado acerca de Edom e dos edomitas, de Moab e dos moabitas, de Amon e dos amonitas ... São-nos referidos durante a longa viagem do povo hebreu, que atravessa as suas terras, até chegar à Terra Prometida; são-nos referidos durante a conquista das terras do reino de Israel; são-nos referidos também por diversos Profetas, como Ezequiel (que profetiza contra os 3 povos) e Jeremias ... mas quem eram, afinal, estes povos e porque são eles tão referidos?

 

Se olharmos para o segundo mapa, seguindo o percurso do povo hebreu até à Terra prometida (portanto, de baixo para cima) deparamo-nos primeiro com as terras de Edom, à saída do grande deserto. Os habitantes dessas terras eram os descendentes de Esaú, o filho primogénito de Isaac, que vendeu o seu direito de primogenitura ao seu irmão Jacob por um simples prato de lentilhas ... Devido a esta proximidade com a origem do povo hebreu, o livro do Deuteronómio alertava-os dizendo

Não abominarás o edomita, porque ele é teu irmão (Dt 23,8)

Apesar disso, os edomitas atacaram por diversas vezes o povo israelita, sendo que tanto o Rei Saul como o Rei David lutaram contra este povo. Este povo desapareceu pouco depois da morte do rei Herodes, por volta do tempo de Jesus, tal como o Profetas Ezequiel tinha profetizado

Assim fala o Senhor Deus: «Porque Edom exerceu vingança contra a casa de Judá e se tornou culpado, vingando-se deles, por isso, diz o Senhor Deus: Eis que Eu estendo a minha mão contra Edom e vou exterminar pessoas e animais. Dele farei um deserto.

Ez 25, 12-13a

 

Depois, temos o reino de Moab, onde residiam os moabitas, que eram descendentes de Lot, sobrinho de Abrãao, que concebeu este povo através da sua filha mais velha. Este povo viveu em paz com o povo hebreu durante longos períodos. Quando penso em moabitas, lembro-me sempre da maravilhosa história de Rute, a moabita, que se tornaria na bisavó do rei David, mulher de tal maneira marcante na história do povo hebreu que por isso chega a ser mencionada na genealogia de Jesus.

Booz perguntou ao seu servo que era supervisor dos ceifei­ros: «De quem é aquela jovem?» O servo que era supervisor dos ceifei­ros respon­deu-lhe : «Esta é a jovem moabita que voltou com Noemi da terra de Moab. Pediu-nos, por fa­vor, que a dei­xás­se­­mos respigar e reco­lher espi­gas atrás dos ceifeiros. Ela veio e aqui tem fi­cado desde manhã até agora, e nem por um pouco foi a casa descansar

Rt 2, 5-7

O livro de Rute é um dos meus livros favoritos, tão pequenino mas com tantas lições para nos ensinar... 

 

Por fim, mais a Norte, encontramos os amonitas, das terras de Amon, também eles descendentes de Lot, concebidos numa relação com a sua filha mais nova. Também acerca deste povo, os hebreus são alertados, ao entrarem na Terra Prometida, de que

Irás encontrar-te em frente dos amonitas. Não os ataques nem os provoques, porque não te darei em propriedade nenhuma terra dos filhos de Amon. Foi aos filhos de Lot que a dei em propriedade.

Dt 2, 19

Deus alertou-os para não se meterem com este povo, pagão, que sacrificava bebés e mulheres grávidas em louvor dos seus deuses. O Rei Saul combateu-os, tal como o Rei David. Mesmo assim, o rei Salomão desobedeceu ao Senhor e casou com uma mulher amonita, o que o levou a adorar os seus deuses pagãos e a esquecer-se d'Aquele que tanto amor lhe tinha oferecido na sua juventude ...

 

Mas voltemos ao rio Jordão, esse rio que, se pudesse, tinha tantas histórias para nos contar...

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Apesar de Moisés ter chegado a ver com os seus próprios olhos a Terra Prometida, a partir do topo do Monte Nebo, coube a Josué, herdeiro da nova geração, a tarefa de guiar, comandar e organizar todo o povo hebreu a partir do Monte Nebo e de voltar a conquistar a terra de Canaã, dada a Abrãao pelo Senhor.

O capítulo 3 do livro de Josué conta-nos como foi, para o povo hebreu, a proeza de atravessar as águas a pé enxuto, pela segunda vez na sua história ...

Logo pela manhã, Josué levan­tou o acampamento e partiu de Chi­tim com todos os filhos de Israel. Chegados ao Jordão, aí se detive­ram antes de o atravessar. Três dias de­pois, os chefes atravessaram o acam­­pamento e deram ao povo esta or­dem: «Quando virdes a Arca da aliança do Senhor vosso Deus, conduzida pelos sacerdotes levitas, dei­xareis o vosso acampamento e pôr-vos-eis a cami­nho atrás dela.

Josué disse, então, ao povo: «San­tificai-vos, por­que ama­nhã o Senhor vai fazer coi­sas ma­ravilhosas no meio de vós.»

O Senhor disse a Josué: «Hoje começarei a exaltar-te na presença de todo o Israel, para que se saiba que, assim como estive com Moisés, assim estarei também contigo. Hás-de ordenar aos sacerdotes que le­vam a Arca da aliança: ‘Quando che­gar­des ao Jordão, deter-vos-eis junto das suas águas.’»

Então, o povo, dobrando as suas tendas, preparou-se para passar o Jordão com os sacerdotes que cami­nhavam diante dele, transportando a Arca. Quando chegaram ao Jordão, e os pés dos sacerdotes que trans­portavam a Arca entraram na água da margem do rio – de facto, o Jor­dão transborda e alaga as suas mar­gens durante todo o tempo da ceifa - en­tão, as águas que vi­nham de cima pa­raram e amontoa­ram-se numa grande extensão, até perto de Adam, loca­lidade situada nas proximidades de Sartan; as águas que desciam para o mar da Arabá, o Mar Salgado, essas fica­ram completamente separadas.

E o povo atravessou o rio em frente de Jericó. Os sacerdotes que trans­por­tavam a Arca da aliança do Se­nhor conservaram-se de pé, sobre o leito seco do Jordão, e todo o Israel o atra­vessou sem se molhar. Perma­nece­ram ali até todo o povo ter aca­bado de atravessar o Jordão.

Js 3, 1-3; 5; 7-8; 14-17

Com Moisés, o povo atravessou as águas do Mar Vermelho, deixando para trás a escravatura do Egipto; com Josué, as águas do rio Jordão, deixando para trás, finalmente, a idolatria aprendida no Egipto... 

Com Moisés, a nuvem do Senhor ía à frente do povo, indicando o caminho; com Josué, é a Arca da Aliança que lhes abre o caminho através das profundas águas das dúvidas e dos medos.... 

Tais feitos extraordinários só foram possíveis através de alguém com uma Fé forte e inabalável, tal como a de Moisés, tal como a de Josué. Aliás, o livro de Josué terminará com uma das passagens mais queridas às Famílias de Caná

Eu e a minha família serviremos o Senhor (Js 24,15)

 

Alguém consegue identificar que episódio bíblico aconteceu aqui? - pergunta-nos o Luai.

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Duas pessoas a atravessar um rio ... no céu, uma carruagem puxada por cavalos, envolta em fogo... um homem de joelhos a clamar aos céus ... Oh, sim, pois claro! É o arrebatamento do Profeta Elias até ao Céu!

Acon­­­teceu que, quando o Se­nhor quis arrebatar Elias ao céu, num re­de­moinho, Elias e Eliseu par­tiram de Guilgal.

Elias disse a Eli­seu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me a Betel.» Mas Eliseu respondeu-lhe: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei.» E desce­ram am­bos a Betel. 

Elias disse a Eliseu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me a Je­ricó.» Ele respondeu: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te dei­xa­rei.» E, assim, che­ga­ram a Jericó.

Elias disse a Eliseu: «Fica aqui porque o Senhor envia-me ao Jordão.» Mas Eliseu res­­pondeu: «Pelo Deus vivo e pela tua vida, juro que não te deixarei.» E par­tiram juntos. 

Elias tomou o seu manto, dobrou-o e bateu com ele nas águas, que se separaram de um e de outro lado, de modo que pas­­saram os dois a pé enxuto. Tendo passado, Elias disse a Eliseu: «Pede o que quiseres, antes que eu seja se­pa­­rado de ti. Que posso fazer por ti?» Eliseu respondeu: «Seja-me con­ce­dida uma porção dupla do teu espí­rito.» Elias replicou: «Pedes uma coisa difícil. No entanto, se me vires quando estiver a ser arrebatado de junto de ti, terás aquilo que pedes; mas, se não me vires, não o terás.»

Continuando o seu caminho, en­­tre­­tidos a conversar, eis que, de re­pente, um carro de fogo e uns cava­­los de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu num redemoi­nho. Eliseu viu tudo isto e excla­mou: «Meu pai, meu pai! Carro e con­dutor de Israel!» E não o voltou a ver mais.

2 Rs 2, 1-2; 4; 6; 8-12

 

Elias é conhecido como sendo o pai dos profetas, um dos primeiros sobre quem o Salmista canta

Esta é a geração dos que O procuram,

dos que buscam a face do Deus de Jacob.

Sl 24, 6

Elias foi chamado por Deus numa das (diversas) alturas em que o povo hebreu se começava a esquecer do Senhor. A sua missão não foi nada fácil. Foi chamado, tal como anos mais tarde também João Baptista, a ir falar com o Rei e a ter coragem para lhe dizer, clara e publicamente, todos os seus pecados .... o que, claro, não foi nada bem recebido.

Claro que foi perseguido, claro que o tentaram matar, claro que foi obrigado a fugir para preservar a vida ... Tal como acontece até aos dias de hoje a todos nós, cristãos e católicos; mas a "morte" que nos procuram dar, quando proclamamos aquilo que é a Verdade, hoje em dia é diferente, é de outro estilo: "morte" por difamação e, especialmente, "morte" por ridicularização ... Sejamos corajosos para a enfrentar!

 

O Profeta Elias encontrou refúgio na casa duma pobre viúva e do seu filho único, que se preparavam para tomar a sua última refeição... mas que belo hotel me encontraste, Senhor! 

Uma mãozinha de farinha, umas gotas de azeite, era tudo o que tinham e ainda assim ofereceram-no ao Senhor - que lição tão grande e rica para todos nós  ... 

 

Elias, que chega a desafiar e vencer os 450 feiticeiros mais poderosos de Baal à frente do Rei, foge logo a seguir com medo da promessa de vingança de uma única mulher, Jezabel ... Záaas! passa do orgulho à humildade, em menos de nada.

Fugindo, Elias acaba por vaguear no deserto - o mesmo deserto que o povo hebreu tinha atravessado séculos antes - chegando até ao topo do monte Sinai, o mesmo monte onde Moisés conversou com Deus como um amigo, durante 40 dias e noites, até receber as tábuas dos Mandamentos.... 

Neste monte, Elias tentará esconder-se - de si mesmo, da sua própria cobardia, ou de Deus? - numa gruta escavada na rocha, mas nem aí consegue fugir da paixão que arde no seu coração ...

Ten­do chegado ao Horeb, Elias pas­sou a noite numa caverna, onde lhe foi di­rigida a palavra do Senhor: «Que fazes aí, Elias?»

Ele respondeu: «Es­tou a arder de zelo pelo Senhor, o Deus do uni­verso, porque os filhos de Israel aban­­donaram a tua aliança, derru­ba­ram os teus altares e assas­sinaram os teus profetas. Só eu esca­pei; mas também a mim me querem matar!»

11O Senhor disse-lhe então: «Sai e mantém-te neste monte, na pre­sença do Senhor; eis que o Se­nhor vai passar.»

Nesse momento, passou diante do Senhor um vento impe­tuoso e violento, que fendia as mon­tanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. De­pois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna.

Disse-lhe, então, uma voz: «Que fazes aqui, Elias?» Ele res­pon­deu: «Ardo em zelo pelo Senhor, Deus do uni­verso, porque os filhos de Israel aban­­donaram a tua alian­ça, derru­baram os teus altares e mata­ram os teus profetas. Só eu escapei; mas agora também me querem ma­tar a mim.»

O Senhor disse-lhe: «Vai e volta pelo caminho do deser­to, em direc­ção a Damasco.

1 Rs 19, 9-15

Porque foi Elias arrebatado aos Céus num carro de fogo?

Ora, um profeta que passou toda a sua vida a arder de zelo pelo Senhor, Deus do Universo, não podia ser recebido nos Céus de outra forma que não arrebatado num carro de fogo, pois não? 

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Conseguem ver a igreja lá ao fundo? É aí que se acredita que o profeta Elias foi arrebatado até aos Céus. 

 

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que Jacob lutou durante toda a noite com o anjo do Senhor ...

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que o Rei David mandou que colocassem Urias, o hitita, em plena frente de batalha, para que morresse, e assim pudesse casar com a sua esposa, Betsa­bé ... 

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que, anos mais tarde o Rei David se refugiou, fugindo do seu próprio filho Absalão que o tentara matar ...

Também foi aqui, nas terras da Jordânia, que o rei Herodes mandou decapitar João Baptista, a mando dum puro capricho duma jovem ...

Também foi aqui ...

 

Oh, havia ainda tanto para contar ... 

Mas o nosso autocarro chega finalmente à fronteira com Israel. 

Está na altura de seguirmos caminho; está na altura de entrarmos na Terra Prometida ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

O Baptismo de Jesus no rio Jordão

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Partimos do Monte Nebo e chegamos a Betânia da Jordânia - e está tanto, tanto calor!

É preciso deixarmos para trás o conforto do ar condicionado do nosso autocarro, respirar fundo uma última vez e mergulhar na onda de calor. Ao fim de 6 dias de peregrinação, continuo sem me conseguir habituar ao calor tão intenso e sufocante (duvido muito que alguma vez consiga). Mas estamos em Betânia da Jordânia! E tantas coisas importantes aconteceram aqui ...

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Naqueles dias, apareceu João, o Baptista, a pregar no deserto da Judeia. Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»  Iam ter com ele os de Jerusalém, os de toda a Judeia e os da região do Jordão, e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados.

Disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo

Mt 3,  1-2; 5-6; 11

 

Disseram [a João]: «Quem és tu, para podermos dar uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?». Ele declarou:

‘«Eu sou a voz de quem grita no deserto:
Rectificai o caminho do Senhor’,
como disse o profeta Isaías.»

Ora, havia enviados dos fariseus que lhe perguntaram: «Então porque baptizas, se tu não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo com água, mas no meio de vós está Quem vós não conheceis. É Aquele que vem depois de mim, a Quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias.» 

Isto passou-se em Betânia, na margem além do Jordão, onde João estava a baptizar.

Jo 1, 22-28

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Foi aqui, aqui mesmo, neste lado da margem do rio Jordão que agora pertence à Jordânia, que São João começou a baptizar o povo de Deus. Em tempos, as águas do rio Jordão chegavam até aqui; agora, temos de andar largos minutos a partir deste local, até chegarmos perto da água do rio... 

A foto de cima mostra as ruínas de uma das primeiras igrejas aqui construídas, inicialmente sobre as águas do rio. Desde cedo, peregrinos de todo o mundo vieram até este local, a fim de serem baptizados nas águas do rio Jordão, e assim foram sendo construídas diversas igrejas perto destas águas, tal como o mosaico da foto de baixo nos mostra.

Ainda hoje, muitos cristãos vêm aqui de propósito para se baptizarem nas águas do rio Jordão - como, aliás, estava a acontecer, no lado israelense do rio Jordão, quando aqui chegámos. Quase que me apetecia gritar-lhes: Pessoal, enganaram-se! Leiam lá bem a Bíblia - foi deste lado do rio, não desse ...

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Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.

Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

Mt 3, 13-17

No dia seguinte, ao ver Jesus, que se dirigia para ele [João], exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É Aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um Homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.’ Eu não O conhecia bem; mas foi para Ele se manifestar a Israel que eu vim baptizar com água.» 

E João testemunhou: «Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele. E eu não O conhecia, mas Quem me enviou a baptizar com água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer o Espírito e poisar sobre Ele, é o que baptiza com o Espírito Santo’. Pois bem: eu vi e dou testemunho de que Este é o Filho de Deus

Jo 1, 29-34

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Tenho de ser sincera convosco e admitir que fiquei um pouco desiludida quando finalmente vi o rio Jordão - a água era verde e suja e não cheirava propriamente bem ... mas a Igreja diz-nos que se trata de água abençoada e portanto toca a benzer-nos com ela!

Fez-me lembrar do meu processo de aceitação do Mistério da Sagrada Eucaristia - a hóstia consagrada não parece nada ser o corpo de Jesus, mas Jesus (e por isso a Igreja também) disse-nos que é, mesmo, realmente, apesar dos nossos olhos não verem nada de diferente naquela pequena hóstia ...

 

"Padre Miguel, podemos renovar as nossas promessas de Baptismo aqui?" - pergunto eu.

"Não!" - é a resposta bem enfática. Por esta é que eu não esperava ... 

Na verdade, iríamos sim renovar as nossas promessas de Baptismo, uns dias mais tarde, na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, junto do local onde Jesus foi crucificado e junto do local onde Ele ressuscitou.

Mas porquê???... Estava na altura de mais uma catequese 

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Ora, o baptismo que João realizava no rio Jordão era um baptismo de conversão, de arrependimento, de penitência. Quando alguém desejava e aceitava ser baptizado por João, estava a reconhecer os seus pecados perante Deus (e também publicamente). A água do baptismo de João pretendia representar a lavagem das nossas impurezas e a preparação para uma vida nova, um novo nascimento ...

Este baptismo foi importante, sim, porque serviu como preparação para o verdadeiro Baptismo, que Jesus nos ofereceria mais tarde. Este baptismo pretendia ser um sinal para algo maior e mais profundo que iria acontecer em breve.

 

João, como protótipo dos fiéis que tentam sempre escutar e fazer a vontade de Deus, sabia disto tudo e é por esta razão que fica bastante atordoado quando vê Jesus na fila dos que se querem baptizar, na fila dos pecadores. É por isso que João tenta opor-se a baptizar Jesus naquelas águas. Então, diz ele, «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» - oh, quantas e quantas vezes ficamos também nós atordoados com a humildade de Deus ...

 

Não se baralhem, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, jamais pecou. Em tudo Ele foi semelhante a nós na Sua vida terrena, em absolutamente tudo - excepto no pecado. Assim, é óbvio que Ele não precisava de passar por um baptismo de conversão e arrependimento ...

Mas, ainda assim, fê-lo. Porquê? Pelo menos, por duas razões.

 

Quando Jesus aceitou tornar-se homem, Ele assumiu, voluntariamente, a nossa carne, a nossa natureza humana, a nossa natureza pecadora. Assim, pergunto-vos, quando Jesus foi imergido nas águas do rio Jordão, quem é que afinal foi baptizado naquela altura? Ele ou nós, o homem velho, o velho Adão, ou seja, toda a humanidade? 

Este baptismo simbolizava a preparação para o início duma nova vida, lembram-se? E foi apenas depois de ter sido baptizado por João, que Jesus iniciou o Seu ministério, a Sua pregação, a Sua missão - e, assim, o início da nossa nova vida.

Além disso, foi depois de Jesus ser baptizado que o Espírito Santo se manifestou e a voz do Pai se fez ouvir, «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado».

 

Então, quando é que o Sacramento do Baptismo foi instituído?

Na Cruz!

Quando, do coração aberto de Jesus, foi derramado sangue e água. Esse é o verdadeiro Baptismo, que não só nos purifica totalmente dos nossos pecados como (que grande mistério este!) nos torna verdadeiros filhos de Deus! 

 

Como não podia deixar de ser, as canções da minha querida Danielle Rose acompanharam-me em toda esta peregrinação à Terra Santa. Assim, partilho convosco a canção que ela compôs para o 1º Mistério Luminoso do Terço, o baptismo de Jesus no rio Jordão.

Behold the Lamb of God

From the perspective of John the Baptist

(Matthew 3:13-17, Mark1:9-11, Luke 3:21-22, John 1:19-34, 4:29-30)

 

It is I who need you, and yet you come to me.
I must grow smaller, so you will increase.
God said, “This is my Beloved Son, with whom I am well pleased.”
So this joy of mine has been made complete.

I was buried with you in the water, but I rose again gasping to take a new breath.
Drowned by your grace on the altar, I drink of your cup, I drink of your death.

Behold the Lamb of God.
Behold the Lamb of God,
Who takes away the sin of the world. Behold the Lamb of God.

The veil shrouding heaven was torn from my eyes, 
Then a waterfall of grace tumbled down from the sky. 
The Spirit swirled ‘round with wings white as a dove,
Descending upon the Father’s Beloved.

We were buried with you in the water, but we rose again gasping to take a new breath.
Drowned by your grace on the altar, we drink of your cup, we drink of your death.

I am not worthy.
I am not worthy to touch your feet.
I am not worthy to receive you,
But only say the word and I shall be healed!

Eis o Cordeiro de Deus

A partir da perspectiva de João Baptista

(Mt 3:13-17, Mc 1:9-11, Lc 3:21-22, Jo 1:19-34, 4:29-30)

 

Sou eu que preciso de Ti e, no entanto, és Tu que vens até mim
Eu devo decrescer, de modo a que Tu aumentes.
Deus disse: “Este é o meu Filho Amado, em Quem Eu muito Me comprazo”.
Então esta minha alegria ficou completa.

Fui enterrado conTigo na água, mas levantei-me desejoso dum novo fôlego
Imergido pela Tua graça no altar, eu bebo do Teu cálice, eu bebo da Tua morte.

Eis o Cordeiro de Deus.
Eis o Cordeiro de Deus
Que tira o pecado do mundo. Eis o Cordeiro de Deus.

O véu que cobria o céu foi arrancado dos meus olhos, 
E assim uma cascata de graças desceu dos Céus. 
O Espírito Santo girou com umas asas brancas como uma pomba,
Descendo sobre o Amado do Pai.

Nós fomos enterrados conTigo na água, mas levantamo-nos desejosos dum novo fôlego
Imergidos pela Tua graça no altar, nós bebemos do Teu cálice, nós bebemos da Tua morte.

Eu não sou digno.
Eu não sou digno de tocar nos Teus pés.
Eu não sou digno de Te receber
Mas dizei apenas uma palavra e eu serei salvo!

 

Louvado seja Deus, para sempre!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A vida recebida no topo do Monte Nebo

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

O povo hebreu tem andado pelo deserto desde há 40 anos ... e parece que nunca mais chega à Terra Prometida. Ainda se lembram de quantas pessoas é que saíram do Egipto? 

O livro do Êxodo fala-nos em 600.000 homens, o que calculámos que fossem pelo menos 2 milhões e meio de pessoas, se contarmos com esposas e filhos. 

Durante 40 anos, depois de tirar o povo do Egipto, Deus tem tentado tirar o Egipto do coração, da mente, da alma e do corpo daquele povo que tanto amava, a fim de os tornar verdadeiramente livres.

Não tem sido tarefa fácil para o Senhor ... volta e meia (ou melhor dizendo, a cada nova página do livro do Êxodo, dos Números e do Deuteronómio) o povo revolta-se e começa a murmurar contra o Senhor e contra as circunstâncias que o próprio povo escolheu e aceitou...

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Então o povo começou a murmurar contra Moisés, inquirindo: “Que haveremos de beber?

Ex 15,24

Ali o povo teve sede de água, e murmurou contra Moisés, dizendo: «Porque nos fizeste subir do Egipto para nos fazer morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?»

Ex 17, 3

Os filhos de Israel puseram-se a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná

Nm 11, 4b-6

Levantou-se toda a assembleia a gritar e o povo chorou toda essa noite. Murmuraram contra Moisés e contra Aarão todos os filhos de Israel, dizendo consigo toda a assembleia: «Antes tivéssemos morrido na terra do Egipto ou mesmo neste deserto. Porque nos fez sair o Senhor para esta terra a fim de nos matar à espada? As nossas mulheres e as nossas crianças serão humilhadas. Não nos seria melhor voltar para o Egipto?»

Nm 14, 1-3

Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Nm 21, 4-5

Talvez por também eu ser refilona, tendo a simpatizar com os "refilanços" do povo hebreu.

Na verdade, as suas murmurações parecem-me legítimas - passam por locais onde não há água, não há pão, não há carne nem peixe; caminham quilómetros e quilómetros com os seus filhos, as suas tendas e todos os seus pertencem às costas, sem saberem bem o caminho, nem que perigos os esperam do outro lado dos montes que vão percorrendo; passam 40 anos a comer o mesmo tipo de pão, o maná (pois claro que já não o podiam ver à frente!); passam por diversas terras onde os habitantes os tentam matar e apoderar-se das suas poucas posses ... 

Jesus dirá e ensinar-nos-á, séculos e séculos mais tarde

Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.

Lc 11, 9-10

A diferença, é que há formas e formas de pedir ...

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Todos os "filhos de Israel" que saíram do Egipto foram morrendo ao longo da sua longa peregrinação pelo deserto. Nenhum deles chegou a entrar na Terra Prometida - nem mesmo Moisés. Estes 40 anos foram importantes para que ocorresse uma nova geração neste povo, que novas crianças nascessem e crescessem, longe do poder e da influência do Egipto. Serão estas crianças, agora adultas e com as suas próprias famílias, que lutarão por chegarem, finalmente, à Terra Prometida pelo Senhor, Deus de Abrãao, de Isaac, de Jacob, de Moisés ...

 

E, tal como ao povo hebreu, também a nossa peregrinação nos leva até ao topo do Monte Nebo

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Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, todo o Neftali, o território de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras, até Soar.

O Senhor disse-lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.» 

E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do Senhor. Foi sepultado num vale da terra de Moab, defronte de Bet-Peor, mas ninguém até hoje soube do lugar da sua sepultura. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista nunca enfraqueceu e o seu vigor nunca se esgotou.

Dt 34, 1-7

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Terá sido neste vale, que se vê do cimo do Monte Nebo, que o corpo de Moisés foi sepultado, mas até hoje, por mais escavações que têm sido feitas, ninguém ainda o encontrou...

 

O Monte Nebo é o local onde Moisés pôde avistar, pela primeira e última vez, a Terra Prometida por Deus, a terra onde correria leite e mel (de tâmaras)...

A primeira igreja aqui construída terá sido por volta do séc. IV d.C., exactamente por este ter sido o local onde Moisés viu a Terra Prometida e onde pode finalmente repousar após o seu longo êxodo. Os restos desta igreja foram descobertos apenas em 1933 e têm sido lentamente recuperados pelos Franciscanos responsáveis pela Custódia da Terra Santa.

 

Logo à entrada deste local sagrado, somos recebidos por um escultura bastante peculiar. Ora, digam-me lá o que veem? O que vos parece ser?

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Conseguem ver o contorno dum rosto de homem, talvez Moisés, sim?

Mas se chegarmos mais perto, veremos que, de outra perspectiva, começa a parecer-nos um livro aberto... 

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E vemos os bustos de Abrãao, Isaac, Jacob, assim como de profetas como Isaías e Jeremias, por cima do nome de diversos livros do Antigo Testamento...

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Logo ali ao lado, encontramos uma grande rocha, em tempos usada para tapar a entrada dum túmulo aqui nas terras da Jordânia, que conseguiu permanecer inteira até aos dias de hoje. Esta rocha deverá ser bastante semelhante àquela que foi colocada à entrada do túmulo de Jesus - conseguem perceber quão grande é? É enorme! Deve ser pesadíssima ...

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Bem que ficaram todos tão espantados quando viram a pedra deslocada no terceiro dia após a morte de Jesus e o Seu túmulo vazio (que, em apenas alguns dias, também nós veríamos!!) 

 

Estava eu a imaginar a cena da descoberta do túmulo vazio, quando os meus olhos captam algo que eu não estava nada à espera de encontrar ... O que é aquilo? Parece-me ... poderá ser? Sim, é mesmo!

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Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada. O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes subir do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»

Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel. 

O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.

O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente de bronze e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.

Num 21, 4-9

Mesmo quando veio sobre eles a terrível fúria das feras,

e pereciam pela mordedura das serpentes sinuosas,

a Tua ira não durou até ao fim.

Para sua correcção, foram atri­bu­­lados por pouco tempo,

mas tinham um Sinal de salvação

para lhes recordar os manda­men­tos da Tua Lei.

Quem se voltava para ela [serpente de bronze] era curado,

não pelo que via,

mas por Ti, Sal­vador de todos.

Sb 16, 5-7

 

Acreditem, eu fiquei largos minutos, de boca aberta, simplesmente a contemplar esta escultura, que tanto me falou ao coração ...

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Disse Jesus: «Ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que Nele crê tenha a vida eterna. 

Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que Nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.»

Jo 3, 13-17

Nem a história das serpentes venenosas e da serpente de bronze, nem este discurso de Jesus, se passaram exactamente neste local, mas eu fiquei absolutamente extasiada ao ver esta enorme escultura de metal - que não é propriamente bonita, eu sei, mas é tão significativa! - ao ver a maneira como o artista italiano, Giovanni Fantoni, conseguiu entrelaçar tão bem estas passagens, que sempre me falaram tanto ao coração!

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Também nós, quando nos deixamos levar pelo veneno do pecado, basta que levantemos os olhos, apesar da dor e da vergonha, e olhemos para Aquele que nos quis voluntariamente dar todo o Seu Amor e Perdão, para que nós fossemos curados e salvos e assim vivêssemos, junto d'Ele, para todo o sempre... 

 

Está na hora da missa. Jesus está mesmo ali, à nossa espera, para nos dar uma nova vida.

O Santuário, erguido sobre as ruínas da primeira igreja do séc. IV d.C., serve simultaneamente de igreja e de museu, e é ali mesmo que temos oportunidade de celebrar uma das Eucaristias mais simples mas mais bonitas e transformadoras que eu alguma vez tinha tido a oportunidade de participar ... 

Ali estávamos nós, um grupo de portugueses, a falar uma língua diferente, num canto do Santuário a celebrar a Santa Missa. E, quando damos por isso, quase todos os turistas tinham parado a meio a sua visita das descobertas arqueológicas ali expostas e tinham-se sentado nos bancos, assistindo e participando na Missa connosco! Oh, louvado seja Deus!

 

E com este compromisso terminávamos a nossa Missa

♫ Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

E sigo como ovelha que encontrou Pastor

Guiado pela mão, com Jesus, eu vou

Aonde Ele vai ...

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Como posso eu resistir, ao Seu amor?

Se Jesus me diz: "Amigo,

Deixa tudo e vem Comigo"

Minha mão porei na Sua, 

Irei com Ele.... ♬

Amén! Amén! Amén!

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Jordânia, a terra que nos lembra de rezar

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Tanto o nosso 4º como 5º dia de peregrinação estão bastante enublados na minha memória, principalmente devido à valente gastroenterite que nos assolou ... Foram os dias em que saímos do Egipto, atravessámos a fronteira e entrámos na Jordânia. Eu sinceramente só me lembro das náuseas, do mal estar geral, das cólicas intensas, da diarreia interminável e do calor, oh o calor húmido, tão intenso e difícil de suportar, que quase não nos permitia respirar ... Sim, foram dias bem difíceis... 

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Apesar disso, na Jordânia, fomos calorosamente recebidos pelo nosso novo guia jordaniano, Luai, que tinha um maravilhoso sentido de humor. Oh, Deus abençoou-nos muito com todos os guias que escolheu para a nossa peregrinação!

Ao longo dos dias e das viagens, o Luai, além de partilhar muito do seu conhecimento arqueológico, histórico, cultural e político, foi-nos abrindo aos poucos o seu coração e contando a sua história de vida.

Ele nasceu numa família muçulmana praticante mas a sua juventude levou-o a afastar-se bastante da sua religião ... o que não correu nada bem, claro. Com a idade (e com as dificuldades da vida), aos poucos o Luai foi-se aproximando de novo do Deus a que ele chama Alá e da religião dos seus pais e irmãos, o Islão, que hoje vive em pleno.

 

Sabem, eu nunca tinha ouvido um muçulmano falar de Jesus. Não estava, de todo, preparada para o enorme respeito e admiração com que o Luai nos falaria de Jesus - um dos Profetas mais importantes no Islamismo, pelo o que ele nos contou - e muito menos de Maria! Sim, pelos vistos, as mães são muitíssimo valorizadas na religião Islã, e a Mãe de um dos principais Profetas não é excepção... 

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Com a ajuda e as explicações do Luai, foi possível aprender e compreender bastante acerca do Islão - que é talvez uma das poucas religiões que eu não tinha explorado na minha própria juventude...

 

Mas, apesar de tudo, parece-me que o Islão, tal como o Judaísmo, é daquelas religiões que apenas percebeu uma parte da mensagem de Deus à humanidade por Ele criada e tão, tão amada ... Sim, parece que não a compreenderam por completo, em pleno, na totalidade... Deixaram "escapar" muitas coisas importantes e uma delas, parece-me, é que Deus não deseja ser conhecido como o Deus da Vitória, nem do Poder, nem do Sucesso, nem da Glória, nem da Vingança ... mas quer, sim, ser conhecido (intimamente conhecido, por cada um de nós) como o Deus que é Amor, Misericórdia, Bondade,  Humildade, Perdão ...

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Uma das coisas que eu ouvia os outros peregrinos a comentarem, ao longo da nossa viagem, era o quanto lhes incomodava ouvirem, cinco vezes ao longo do dia, o bem audível chamamento religioso das mesquitas locais (o Salat)...

Até hoje, continuo sem saber dizer bem se vi mais mesquitas no Egipto ou na Jordânia (a meu ver, havia uma em cada esquina em ambos!), mas nestes dois países, este longo e audível chamamento estava sempre presente, onde quer que fossemos, aonde quer que tivéssemos...

 

O primeiro chamamento do dia ocorria bem antes do sol nascer, o que, nestes países, acontecia por volta das quatro e meia da manhã e depois às cinco e meia (e garanto-vos que acordava toda a gente!). O segundo, ao meio dia; o terceiro, por volta das quatro da tarde; o quarto pelas dezoito ou dezanove horas e o último, uma hora e meia depois do pôr do sol, ou seja, por volta das vinte e duas horas. 

 

Para mim, este chamamento era bastante bem-vindo - porque lembrava-me sempre da principal razão da minha peregrinação - rezar!

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Mar Morto, lado jordaniano

 

A minha maior admiração foi, contudo, descobrir que a maioria dos peregrinos não fazia ideia que também nós, católicos, somos chamados a rezar várias vezes por dia, seguindo a Liturgia das Horas (ou Ofício Divino). Sim, é mesmo verdade: também nós somos chamados a largar, por breves momentos, a nossa cama quentinha e fofa, o nosso trabalho diário, as nossas refeições, as nossas tarefas, a nossa noite; e elevar o nosso coração, nem que por breves instantes, até junto de Deus, agradecendo-Lhe e louvando-O por todas as bênçãos que continuamente recebemos, e pedindo-Lhe o auxílio necessário para fazermos santamente todas as actividades da nossa vida - tal como vemos acontecer logo no livro dos Actos dos Apóstolos!

 

Chamam-se Laudes - a primeira oração da manhã, em que oferecemos o nosso novo dia ao Senhor; Hora Intermédia - a oração a meio do nosso dia de trabalho, para nos fazer lembrar da verdadeira razão pela qual fazemos tudo; Vésperas - a oração do final da tarde, em que agradecemos ao Senhor pelo nosso dia; e, por fim, Completas - a oração da noite, antes mesmo de ir para a cama, fazendo o nosso exame de consciência.

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Mar Morto, lado jordaniano

Também estas devem ser orações públicas e comunitárias, tal como ainda hoje acontece nos conventos, nos mosteiros e em diversas igrejas, tanto grandes como pequeninas, espalhadas pelo mundo ... mas, como isso raramente é possível nas nossas vidas agitadas, a Igreja permite-nos que façamos estas orações duma forma mais isolada e interiormente. 

 

E as orações que somos convidados a ir fazendo ao longo do dia, têm de ser sempre fixas e estruturadas e lidas dum livro? Oh, claro que não!

Pode ser qualquer oração que o vosso coração faça ou precise, naquele momento; pode ser um cântico; pode ser um pequeno Nós, Jesus... ou um Senhor, obrigado ... um Por Ti, meu Deus ... um Senhor ofereço-te ... um Jesus ajuda-me ... um Espírito Santo inspira-me ... um Maria, sê minha mãe também ... 

Como sabem, as Famílias de Caná são peritas neste tipo de mini-orações 

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Mar Morto, lado jordaniano

 

É verdade, podemos não ter exactamente alguém a cantar ao microfone às horas certinhas e altifalantes espalhados pela cidade (como os países muçulmanos têm), ou então belos sinos a tocar (como nos conventos) que nos relembrem de parar e rezar.

Mas temos sim, se o nosso coração estiver disposto a ouvir, outros tipos de "chamamentos" - o despertador a tocar, as buzinas dos carros no trânsito ou o apito do comboio ou metro, a campainha da escola, a pausa do almoço, o filho que quer insistentemente lanchar, a fila no supermercado, a campainha do microondas ou do forno a dizer-nos que o jantar está pronto, o suspiro ao deitar finalmente a cabeça na almofada, o choro do bebé que nos vai acordando ao longo da noite ... que nos lembram de parar e rezar ....

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Mar Morto, lado jordaniano

 

Talvez uma das perguntas que mais me fazem no trabalho, quando descobrem que eu sou uma médica católica, é perguntar: porque é que vocês católicos rezam tanto?

Ora, eu desafio-vos a escolherem um Evangelho, a abrirem uma página ao calhas e a tentarem descobrir uma única página onde não exista uma referência de Jesus a rezar ou a dizer-nos insistentemente para o fazer! 

Vá, tentem lá descobrir, se conseguirem, e eu até vos dou um rebuçado! 

 

Para nós, cristãos e católicos, rezar devia ser tão essencial e presente como respirar ...

 

Para quem quiser aprender um pouco mais sobre a Liturgia das Horas, pode ler aqui.

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

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