Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

O véu que se rasga e a porta que se abre ... para sempre!

Jesus, com um grito forte, expirou. E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo (Mt 15, 38)

Com a morte de Jesus rasga-se o véu do templo de Jerusalém. Este véu localizava-se no interior do templo, à entrada do Santo dos Santos, o local mais sagrado para os judeus, onde apenas o Sumo Sacerdote podia entrar (e apenas uma só vez no ano) para estar na presença do Altíssimo e pronunciar o Seu Nome santo.

Este véu, ao contrário dos véus a que estamos habituados, não era de renda, nem de nenhum tecido fininho, transparente ou frágil. Era mais uma tapeçaria, um têxtil que apenas podia ser produzido pelo melhor artesão, sujeito a inúmeras regras, utilizando fios de lã de cor azul (simbolizando o Criador do mundo), de cor roxa (significando a realeza do Senhor dos Exércitos) e de cor escarlate (simbolizando o sangue dos sacrifícios) juntamente com fios do linho mais puro, pela pureza do Santo de Israel. Depois, tinha ainda de ser bordada a ouro, com a imagem de dois querubins, de dois anjos que guardavam, de dia e de noite, a porta que dava acesso ao Senhor. E o que se dizer das suas dimensões? Nada mais nada menos que 5m de largura, 5m de altura e 5cm de espessura de acordo com as Escrituras...

veil temple torn.jpeg

Imagem retirada daqui

Com a morte de Jesus rasga-se o véu do templo de Jerusalém. Este véu espesso e forte, que impedia o acesso a Deus, é dividido em dois e rasgado de alto a baixo. O rosto de Deus, que sempre tinha estado, até aquele momento, escondido e velado - até mesmo de Moisés, que falava com o Senhor como se fosse um amigo - é então revelado a todos, judeus e pagãos. 

É o próprio Deus que retira o véu e que Se mostra e releva livremente, como Aquele que ama até ao fim, Aquele que ama até dar a própria vida pelo ser amado... 

O véu foi rasgado. A porta foi escancarada. O peito foi aberto. O acesso a Deus está livre!

No primeiro dia da semana, ao romper do dia, as mulheres foram ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado. Encontraram removida a pedra da porta do sepulcro e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Apareceram-lhes dois homens em trajes resplandecentes, que lhes disseram: «Porque buscais entre os mortos Aquele que vive? Não está aqui: ressuscitou!» (Lc 24, 1-3.4b.5b)

Temos o azul do céu, o roxo dos perfumes, o escarlate das marcas do sangue e o branco da mortalha e das ligaduras. À entrada, dois anjos guardam a porta que dá acesso ao Senhor e a porta está completamente aberta ... Já nada, nem mesmo o pecado nem a morte, nos pode separar do amor de Deus!

Aleluia! Aleluia! 

A Verdade

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». (Jo 14,6)

Jesus é a Verdade. Deus é a Verdade. A Verdade é Deus.

Assim, o mundo torna-se cada vez mais verdadeiro na medida em que reflectir Deus - o amor de Deus e o Deus de amor. Assim, o mundo torna-se tanto mais verdadeiro quanto mais se aproximar de Deus e do Seu Reino de verdade, vida, liberdade, amor. 

O homem torna-se cada vez mais verdadeiro, cada vez mais ele mesmo, cada vez mais parecido com o ser que deveria ser, quanto mais se conformar com o próprio Deus, quanto mais se tornar a Sua imagem e semelhança. 

Deus é a realidade que nos confere a natureza e o sentido do nosso ser. 

image and likeness of god.jpg

Imagem retirada daqui

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. (Jo 17,37)

Dar testemunho da Verdade significa então pôr Deus em realce, dar-Lhe o primeiro lugar em todos os instantes e em todos os aspectos da nossa vida. Dar testemunho da Verdade significa estar atento, colocar-nos em atitude constante de escuta e pôr em prática a Sua vontade.

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. (Jo 17,37)

A Redenção que Cristo nos veio oferecer foi assim, de certo modo, o tornar a Verdade perfeitamente reconhecível, identificável, perceptível - para todos. 

Que é a Verdade?

«Que é a Verdade?» (Jo 18,38)

Esta é a pergunta que Pilatos faz a Jesus, já no final do seu interrogatório. Realmente, ele faz a pergunta - mas não quer ouvir a resposta. É por isso que Pilatos foge - "dito isto, foi ter de novo com os judeus" (Jo 18,39). Porque, se ouvisse a resposta, algo, depois, teria de mudar... Ninguém pode permanecer o mesmo, viver da mesma forma, agir do mesmo modo - depois de fazer uma pergunta destas Àquele que tudo criou. Não depois de ouvir a resposta ...

jesus-pilate.jpg

Imagem retirada daqui

Jesus sabia que Pilatos não ia querer ouvir a resposta à sua própria pergunta - «Que é a Verdade?» (Jo 18,38) a pergunta que brotou espontaneamente do seu coração, sem que ele a pudesse impedir de se expressar, sem que a razão - fria, política, calculista, como era seu hábito - dominasse a questão profunda que a sua alma procurava ...

Mas foi para poder responder clara e definitivamente a esta questão - que surge não só no coração de Pilatos, mas também de cada homem, mais tarde ou mais cedo ao longo da sua vida - que Jesus encarnou, viveu, morreu e ressuscitou. É por isso que Jesus oferece a Pilatos, subtilmente, a resposta, antes mesmo de este a pronunciar em voz alta, quando ainda só o tinha feito no fundo da sua alma. E esta é a única resposta capaz de o (e de nos) saciar 

«Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade.

Todo aquele que vive da Verdade, escuta a Minha voz». (Jo 18,37)

A voz doce e verdadeira d'Aquele que nos diz

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». (Jo 14,6)

Fala, Senhor, que o Teu servo escuta ... 

Vivendo hoje mesmo a Vida Eterna

Assim falou Jesus, levantando os olhos para o céu, exclamando: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do Teu Filho, de modo que o Filho manifeste a Tua glória, segundo o poder que Lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que Lhe entregaste. Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste».

Jo 17,1-3

No outro dia, apercebi-me da tendência que tenho em pensar na «vida eterna» como sendo apenas a vida que começará depois da nossa morte. Oh, quando formos para o Céu! Oh, viveremos eternamente no Reino do amor de Deus! Como seremos felizes, felizes!.... 

Mas não, não é assim. Ao meditar nesta passagem de São João, apercebo-me do meu grave erro. A vida eterna não é algo que ainda vai começar. É algo que já começou!

Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.           (Jo 17,3)

A partir do momento que ocorre esta conversão no nosso coração, esta  no Senhor nosso Deus, Criador do céu e da terra, nosso Pai que tanto nos ama, ao ponto de nos enviar o Seu Filho para nos redimir de todos os pecados que nós fizémos, apenas para podermos ter a possibilidade de entrarmos novamente em plena comunhão de amor com Ele ... É aí, aí mesmo, que começa a nossa vida eterna...

hand-offering-for-help.jpg

Imagem retirada daqui

Diz-nos Jesus, no relato da ressurreição do Seu querido amigo Lázaro:

«Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre.»       ( Jo 11,25-26)

Os primeiros cristãos compreenderam logo esta realidade, profunda e transformadora, que Jesus nos veio oferecer. Chamavam-lhes "os viventes", segundo nos conta o nosso Papa Bento XVI, porque tinham encontrado aquilo que todos procuravam (e que continuam, ainda hoje, a procurar): a própria vida, a vida plena, verdadeira, imperecível, invencível, contra a qual a morte não tem nenhum poder ...

Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste.           (Jo 17,3)

Cada homem encontra esta vida que tanto procura, a «vida eterna», através do conhecimento de Deus, do verdadeiro e único Deus. Conhecer, segundo a linguagem bíblica, significa comunhão, intimidade, entrega, identificação plena com aquele que queremos conhecer... 

A vida eterna torna-se assim, de certa forma, numa relação do mais profundo amor com Aquele que é em Si mesmo a verdadeira fonte da vida.

 

A "Passagem" do Amor

Queridos leitores, queridos amigos

Começo a pensar que digo o mesmo todos os anos (apesar de ainda só ter vivo 6 Quaresmas na minha vida), mas digo-vos com toda a sinceridade que a Quaresma deste ano tem sido, sem qualquer sombra de dúvida, a Quaresma mais difícil e excruciante de que me lembro de viver ... As razões são mais que muitas, as consequências e implicações, então, são ainda mais numerosas. Mas a causa ... a causa é só uma, vim eu a descobrir - o meu orgulho, a minha soberba.

 

Ao ler algumas reflexões de outras pessoas sobre esta Quaresma, tão particular e única, notei que muitas partilhavam o quanto esta Quaresma lhes ensinou a ouvir - a voz do Senhor e a voz dos irmãos. Bem, para mim, tendo sido uma Quaresma que me tem ensinado não só a ouvir mas também a ver ... eu, que tão, tão cega andava ... À semelhança do cego de Betsaida, que Jesus chama de parte, tomando-o pela mão para longe da cidade, para aí conversar com ele e curá-lo através da graça que provém da Palavra da Sua boca... 

Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?». Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar». Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos, ele começou a ver e ficou curado. 

Mc 8,23-25

 

Sei que este ano a Igreja nos chama a ler o Evangelho de São Mateus, mas eu tenho sentido uma necessidade inexplicável de ler o Evangelho de São João e é sobre algumas passagens deste Evangelho que gostava de ir partilhando convosco ao longo destes dias - talvez sejam umas reflexões um pouco soltas e um pouco atrasadas em relação ao programa litúrgico, eu sei, mas sei também que para a graça actuante do Senhor não existe tarde demais ... 

 

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

Jo 13,1

A festa judaica da Páscoa celebrava a saída e libertação do povo hebraico das terras do Egipto, passando da condição de escravos para filhos livres do Senhor. Agora - sim, agora - em que vivemos o pleno cumprimento de todas as Escrituras através de Jesus, é chegada a hora da "passagem" de Jesus, a hora do amor "até ao fim". Realmente, se pensarmos bem, o amor é um processo de transformação, em que cada um é chamado a sair de si mesmo e dos seus limites humanos, para chegar até ao ente amado, ao irmão, ao Senhor. Para amarmos como Jesus, é preciso estarmos dispostos a fazer - e a sofrer, sim, porque dói - esta passagem, esta transformação...

Para que o amor pelo irmão e pelo Senhor cresça no nosso coração (e na nossa vida), é preciso fazer espaço, é preciso criar espaço dentro dos nossos corações. Como? Pois, essa é a parte dolorosa, porque a resposta é só uma - esvaziando-nos de nós próprios, esvaziando-nos do amor que temos por nós próprios, despojando-nos do nosso querer, do nosso egoísmo ...

lava-pes.jpg

Imagem retirada daqui

Jesus, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.

Jo 13, 3-5

Chegou a "hora" de Jesus, a hora do amor, perfeito, total, profundo, radical; chegou a hora de passar deste mundo para o Pai. Como vive Jesus essa hora de passagem, de mudança? Em pleno serviço, em pleno despojamento de Si mesmo ... 

Por amor à ovelha perdida e presa no pecado, por amor a mim, por amor a ti, Jesus saiu de junto de Deus Pai, e desceu até nós, assumindo a nossa condição humana. Nisto consiste o amor - sair de nós mesmos para alcançar o outro que amamos, descendo o que for preciso, abaixando-nos, humilhando-nos, até chegarmos junto do ser amado. 

Num gesto completamente contrário ao de Adão no jardim do Éden (e à minha própria acção, diária, aliás, inúmeras vezes ao longo do dia...), que tentou apoderar-se do que era divino pela sua própria vontade e através das suas próprias forças, Jesus esvazia-se de Si mesmo, colocando-se na posição de escravo e servo; retirando o Seu manto, despojando-se de todo o Seu esplendor divino; Jesus ajoelha-se diante de cada um de nós, lavando e enxugando os nossos pés sujos ... 

Jesus desceu do Céu, de certa forma, sozinho. Mas já não regressará para junto de Deus Pai sozinho. Levar-nos-á, a todos, com Ele, para o Céu, para o Reino de amor que Deus tanto anseia por nos oferecer - para todo o sempre! 

 

Via Sacra com o Papa Bento

Estamos em plena Semana Maior ... e eu sinto-me cada vez mais pequenina e ferida ...

Captura_de_ecrã_040620_125805_PM.jpg

 

Hoje, queria apenas partilhar convosco e desafiar-vos a uma das Vias Sacras mais difíceis que eu alguma vez rezei e vivi, escrita pela nosso querido Papa Emérito Bento XVI e que descobri graças ao site do Rumo à Santidade.

Não houve uma só Estação desta Via Sacra que não me tivesse falado direitinho ao coração, fazendo-me reconhecer plenamente os meus pecados mais profundos, sem me deixar dizer qualquer desculpa ou tentativa de esconder ... E assim, com as feridas expostas, o Divino Médico poderá então curá-las ... 

Pó da terra

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar 

É assim que começa cada Quaresma ... 

Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó da terra e nada mais que isso. Lembra-te que tu, por ti mesmo, és apenas pó, frágil e minúsculo, susceptível a seres simplesmente levado com o vento. Lembra-te que és pó e que foi o Senhor que te deu a vida, como fez a Adão, usando o pó da terra transformado em barro, para formar e moldar o teu corpo, e finalmente dar-te a vida ao insuflar dentro de ti o Seu sopro, o Seu Espírito ...

 

Mistérios dolorosos, Jesus em agonia no Getsémani

Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.»

Mateus 26,37-39

Por três vezes, contam-nos os Evangelhos, Jesus reza intensamente, caindo com o rosto por terra ... Terra, pó da terra, tu e eu ... No Getsémani, Jesus recebe-nos a cada um de nós, voluntariamente, ao acolher na Sua face o pó da terra... Ele toma sobre Si e sobre o Seu rosto, os nossos pecados e as nossas enfermidades, nesta noite escura de oração - Que seja feita a Tua vontade, Pai ...

po da terra.jpg

Imagem retirada daqui

 

Mais tarde, ao rezarmos a Via Sacra, somos chamados a, voluntariamente, acompanhar, acolher e receber Jesus, a caminho do Calvário, no caminho do verdadeiro amor.... Também aí, por três vezes nos é dito que Jesus cai com o rosto por terra, sob o peso da cruz ... Também aí Jesus rebaixa-se até ao chão, até à nossa altura, tomando novamente sobre a Sua face o pó da terra, tu e eu ... Também aí, Jesus volta a receber-nos e a acolher-nos, fracos e frágeis como somos, mero pó da terra, que qualquer vento pode levar ... 

Com este gesto, tão simples e profundo, Ele leva-nos Consigo e permite-nos caminhar junto d'Ele, bem coladinhos à sua Santa face, misturados com o sangue, suor e lágrimas do Seu rosto, que nos darão, momentos depois, a possibilidade de entrarmos no Céu, a possibilidade da Vida Eterna ... Pó da terra misturado com sangue, suor e lágrimas ... agora sim, estamos preparados para uma nova Vida, uma nova Criação, que começa graças ao amor de Cristo Jesus ...

Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar ...

Amén

Sejamos luz, sejamos sal, sejamos fermento

Queridos leitores, queridos amigos

Este texto é um rascunho, um texto em construção, escrito à pressa e saído do coração. Escrevo-vos estas palavras, em parte, como médica de família que sou - mas, principalmente e acima de tudo, como cristã

Temos vivido dias difíceis e turbulentos, tanto aqui em Portugal, como por todo o mundo. Existe uma ameaça que a todos nós poderá afectar e sobre a qual sabemos muito pouco... Vive-se por todo o lado um clima de perigo, de medo, de ansiedade, de incerteza ... que parece estar a ser muitíssimo mais contagiante na nossa sociedade do que o próprio vírus. 

Não posso deixar de reparar que toda esta situação tem surgido, pelo menos aqui na Europa, em plena época Quaresmal, em que Deus, através da Igreja, nos convida a crescer em santidade, a arrependermo-nos dos nossos pecados, a crescer em amor pelos irmãos e pelo Senhor, ao deixarmo-nos amar pelo próprio Amor. Não podia acontecer numa altura mais adequada ... - dou por mim a pensar.

E assim, no meio deste caos, deste medo, desta ansiedade, desta incerteza toda que nos rodeia, escrevo-vos esta pequena exortação, este pequeno apelo - para que nos atrevamos a ser luz e sal e fermento neste mundo, como Jesus nos pediu. 

subida jerusalem.jpg

 

O Senhor não podia usar uma situação mais perfeita do que esta para nos incentivar ao exercício das virtudes cristãs! Ao longo da Quaresma, somos chamados a ter o jejum, a esmola e a oração como "companheiros desta nossa viagem" (como o Papa Francisco nos disse) de conversão, de mudança de coração.

Exerçamos a virtude da paciência (esmola): tenhamos paciência uns com os outros, com os da nossa casa, com a nossa família, com os nossos vizinhos, com os nossos colegas, com as pessoas com que contactamos na rua e no trabalho. Tenhamos paciência com todos os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, investigadores - nenhum de nós tem, neste momento, as respostas a todas as perguntas que nos inquietam o coração ... Ninguém sabe o porquê, nem o como, nem o onde, nem o quando, nem o quanto - para a maioria das perguntas que nos fazem constantemente. Nós não sabemos ... É excruciantemente difícil viver nesta incerteza, eu sei, eu sei muito bem... Mas somos cristãos, nós sabemos em Quem pomos a nossa esperança, a nossa segurança, a nossa confiança - transmitamos isso, no dia a dia, a todos os que nos rodeiam. 

Exerçamos a virtude da obediência (jejum): cumpramos rigorosamente todas (TODAS!) as recomendações que as autoridades nos façam, por mais pequenas ou maiores que sejam. Sejamos obedientes e não rebeldes: mesmo que não compreendamos porquê, mesmo que não concordemos, mesmo que nos pareça desnecessário - cumpram! Façam esse esforço e incentivem os outros a fazerem o mesmo.

Exerçamos a virtude da correção fraterna (esmola): aceitemos ser corrigidos e ajudados, uns pelos outros. Utilizemos esta oportunidade para aprendermos a corrigir os irmãos com simpatia, com delicadeza, com respeito, mas nunca deixando de corrigir se algo está mal.

Exerçamos a virtude da caridade pelo próximo (jejum e esmola): estejamos dispostos a fazer pequenos (ou grandes) sacrifícios, pelo bem e segurança dum maior número de pessoas. Sim, mesmo se acharmos que elas não merecem! Pensemos na nossa família, sim, e tentemos protegê-la tanto quanto conseguirmos; mas pensem também nas outras famílias e nas outras pessoas. 

Mais importante que tudo - rezem! Oh, por favor, rezem!! Intercedam por nós, que tentamos combater e controlar este perigo. Intercedam por todas as pessoas e famílias afectadas pelo vírus, mas sem nunca esquecer todas as outras pessoas e famílias que têm outras doenças, muito mais numerosas, a quem nem sempre estamos a dar tanta atenção e dedicação como deveríamos... Rezem por todas as pessoas que têm a difícil tarefa de tomar decisões em nome de todos, para que as façam inspirados pelo Espírito Santo. Rezem por paciência, por sabedoria, por discernimento - para todos! Peçam, incessantemente, a paz do Senhor, a confiança, a esperança, a fé, o amor - que nós não temos, a não ser que o Senhor nos ofereça - porque tudo (TUDO!) o que há de bom neste mundo vem Dele, única e exclusivamente Dele.

Atrevamo-nos a ser cristãos no meio desta sociedade, que parece estar desnorteada com tanto medo. Somos todos chamados, sem excepção: peguemos na nossa Bíblia e no nosso Terço e atrevamo-nos a ser luz, a ser sal, a ser fermento....