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Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

Uma Jovem Católica

Sou uma jovem católica portuguesa.Neste blog partilho a minha caminhada em busca da santidade, da fé, da misericórdia, da caridade, do amor a Deus e ao próximo.Espero que ele vos possa ajudar a encontrar a Alegria do Evangelho!

A matemática de Deus

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Passámos uma bela manhã nesta lindíssima praia em Tagba. Está na altura de seguirmos caminho - há ainda tantas maravilhas à nossa espera na Terra Santa! - mas temos ainda tempo para ouvir o relato dum último (grande!) milagre de Jesus, que terá ocorrido não muito longe desta praia tão especial  ... 

Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos.

Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer.

Filipe respondeu-lhe: «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 

Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 

Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.»

Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram

Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer.

Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 

                                                                                                                                     Jo 6, 1-14

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Praia em Tagba, junto da Mensa Christi e do Primado de Pedro

 

Ah, a matemática de Deus ... que é tão diferente da nossa!

Na escola, facilmente aprendemos a não gostar muito das contas de subtração ou de divisão - afinal, ficamos quase sempre com menos no final da conta do que quando começámos!  Depois crescemos e, ao longo da nossa vida, também o mundo nos tenta ensinar isso mesmo ... Quantas vezes ouvimos - "Estás a dar demais! Não dês tanto ou não haverá para ti também..." ou "Dividir o que é meu contigo? Assim fico eu a perder e isso não pode ser... "

Mas Jesus veio ensinar-nos que, nas contas de Deus, quem se subtrair aqui na terra, pelo contrário, no final da equação somará bênçãos e graças infinitas no Céu! Quem dividir com os irmãos tudo o que tem, quem der e der e der - até doer - receberá mil por cada cem!

Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 

Jesus respondeu-lhes: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.»

Mt 19,27.29

Neste mundo, quanto mais damos, com menos (aparentemente) ficamos. Mas, nas contas de Deus, quanto mais damos ao outro, nosso irmão - amado, ou talvez não - mais tesouros estaremos a acumular no Céu. Dizem-nos os Santos que, para o Céu, levaremos apenas connosco, não nada daquilo que tivermos acumulado nesta terra, mas sim tudo o que tivermos oferecido, abdicado e sacrificado ao longo da nossa vida - por amor ao outro, por amor a Deus....

 

Oh, tantas e tantas vezes que Jesus nos diz nos Evangelhos: aquele que muito junta, acabará por ficar sem nada e de mãos vazias; mas aquele que divide o que tem, receberá ainda mais. Porque não O ouvimos nós?

Sim, quem desejar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas quem a oferecer, em sacrifício, por amor, salva-la-á e entrará no Reino dos Céus.

 

Pelas contas de Deus, vale a pena largar as noventa e nove ovelhas que estão seguras, para ir atrás daquela única que se perdeu. Dizem-nos também os Santos nossos amigos que, por cada pecador que se converte, por cada alma que é salva - quem sabe, talvez por ação da oração de alguém que vive do outro lado do planeta! - há uma festa no Céu maior do que qualquer Casamento Real aqui da terra...

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Imagem retirada daqui

Pensem no pequenino grão de mostarda - tu e eu, querido leitor - que, quando lançado à terra, se não morrer para si próprio, não poderá gerar vida e dar origem a uma árvore de tal porte magnífico que consegue acolher, debaixo dos seus ramos e folhas, outras criaturas que em si procuram abrigo...

 

À nossa volta, no mundo, vemos tanto desperdício ao todo o lado - plástico, cartão, embalagens, mobílias fora de moda, brinquedos que já não são novidade, e comida, oh tanta comida...

Mas nas contas do Senhor? Nem uma única lágrima nossa se perde! Nem um único suspiro ou prece passa despercebida! Nem um pequeno ou invisível acto ou renúncia deixa de ter o seu efeito - eterno!

 

Achas que tens pouco para oferecer ao Senhor e aos irmãos? Parece-te que tens apenas cinco pães de cevada e dois peixinhos... e pedem-te que alimentes cinco mil homens, mais as suas mulheres e filhos?....

Parece loucura, eu sei.... Sim, segundo aquilo que o mundo nos diz, é impossível...

Mas, o teu pouco, colocado nas mãos do Senhor? Abençoado pela Sua tremenda graça? Oh, a todos, sem faltar nenhum, conseguirás alimentar, nutrir e fortalecer - e ainda sobrará, abundantemente, o suficiente para ti e toda a tua família!

 

Oh, a maravilha da matemática de Deus!

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

As acácias e as águas de Mara

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos o nosso caminho pelo deserto em direcção ao Monte Sinai. Já atravessámos o Mar Vermelho, tal como o povo hebreu; e para traz de nós ficaram os cavalos e os cavaleiros do Egipto. A parte mais fácil do trabalho de Deus - tirar o povo hebreu do Egipto - já está feita.

Agora sim vem a parte mais complicada e mais demorada desta tarefa a que Deus se propõe - tirar o Egipto de dentro do coração, da mente, da alma e do corpo do povo hebreu... Isto sim, dará imenso trabalho! Não demorará apenas alguns meses, como foi para tirar o povo hebreu do Egipto ... Deus Todo Poderoso, que criou o Céu e a Terra em apenas 6 dias, precisará de levar aquele povo - "de dura cerviz", como o próprio Moisés confessa - através do deserto durante 40 anos para tal conseguir .... 

 

Moisés fez partir Israel do Mar dos Juncos, e saíram para o deserto de Chur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água. Chegaram a Mara, mas não puderam beber a água de Mara, porque era amarga. Por isso se chamou àquele lugar Mara.

O povo murmurou contra Moisés, dizendo: «Que beberemos?»

E ele clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um tronco que ele lançou à água; e a água tornou-se doce

Ex 15, 22-25

Chegamos a Mara, local onde ocorreu este pequeno episódio bíblico. Este pequeno relato facilmente passa despercebido quando seguimos a história do povo hebreu ao longo do livro do Êxodo - eu não me lembrava de alguma vez o ter lido até este dia!

O povo hebreu e todo o seu rebanho está cheio de sede. Andaram 3 dias pelo deserto sem encontrar nenhuma fonte de água. Toda a água que traziam, tirada do Mar dos Juncos, ou seja, do Mar Vermelho, esgotou-se. E agora, o que fazer? Voltar para trás? Continuar caminho? Morreremos todos à sede?

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Eis que vislumbram um autêntico oásis: água, um poço de água! Rápido, venham todos beber!

Mas oh, que decepção! Que água tão amarga, impossível de beber....

O povo hebreu vira-se para um homem, à procura duma solução. O sábio Moisés sabe bem melhor para Quem se deve virar para pedir ajuda - Aquele que tudo pode, Aquele que prometera que estaria sempre com eles.

 

Deus pede a Moisés que jogue o tronco duma árvore para dentro do poço. Que pedido mais estranho! Estamos em pleno deserto, porque é que Deus não pediu a Moisés que jogasse uma pedra? Pedras há muitas por aqui ...

As árvores são tão raras aqui no deserto. Na periferia do deserto ainda era possível encontrar-se tamareiras; mas aqui, no meio do deserto, apenas é possível encontrar algumas acácias.... E, o mais provável, é que tenha sido essa a espécie de árvore que Moisés atirou para dentro do poço, tornando a água amarga em doce.

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Conseguem acreditar que não me lembrei de tirar uma única foto duma acácia ao longo da peregrinação? Foto retirada daqui

 

As acácias foram quase sempre árvores pouco valorizadas por todos os povos que alguma vez aqui habitaram, no deserto. Sempre foram árvores desprezadas.... Crescem apenas nos lugares mais áridos e decididamente que não são árvores bonitas; são finas e tortuosas, cheias de nós e de espinhos - tudo características que as tornam imensamente difíceis de trabalhar e de fazer seja o que for com a sua madeira. Os Egípcios nunca gostaram de trabalhar com a madeira das acácias, preferiam mais os cedros do Líbano....

Apesar disso, se avançarmos no livro do Êxodo e se lermos com atenção as ordens do Senhor para a construção da Arca da Aliança e dos principais objectos da Tenda da Reunião (e posteriormente do Templo do Senhor) iremos reparar, com frequência, num pormenor muito curioso:

O Senhor falou a Moisés, dizendo-lhe: «Fala aos filhos de Israel. Fareis o santuário e todos os seus utensílios, de acordo com os modelos que vou mostrar-vos. Fareis uma Arca de madeira de acáciaMandarás fazer varais de madeira de acácia revestidos de ouro; introduzirás os varais nas argolas, ao longo dos lados da Arca, a fim de servirem para a transportar.

Construirás em seguida uma mesa de madeira de acácia. Farás para a mesa quatro argolas de ouro e prendê-las-ás nas quatro extremidades, formadas pelos seus quatro pés. Estas argolas estarão colocadas frente a frente e por elas passarão varais destinados ao transporte da mesa. Farás os varais de madeira de acácia revestidos de ouro e servirão para transportar a mesaColocarás sobre esta mesa os pães da oferenda, que estarão permanentemente diante de mim.

Ex 25, 1; 9-10; 13; 23; 26-28; 30

Farás também para o santuário pranchas verticais de madeira de acácia. Assim construirás o santuário, conforme a norma que te mostrei neste monte. 

Ex 26, 15; 30

Farás o altar de madeira de acácia. Farás, para o altar, varais de madeira de acácia, revestidos de cobre. 

Ex 27, 1; 6

Também construirás um altar para queimar perfumes, e fá-lo-ás de madeira de acácia

Ex 30,1

Deus pede ao povo hebreu que faça alguns dos objectos mais importantes da Tenda da Reunião usando a madeira da acácia, nomeadamente a própria Arca da Aliança, que conterá as sagradas tábuas com os 10 Mandamentos da Lei do Senhor.

Mas com Deus é sempre assim: tudo aquilo que tiver sido desprezado pelo mundo, Ele reconhece o seu devido valor e ainda o eleva acima das outras coisas ... Servimos um Deus tão bom, tão bom...

 

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Foto retirada daqui

 

Para utilizar a madeira da acácia era preciso, primeiro, cortar os ramos em segmentos de pequeno tamanho (porque os ramos são tortuosos e pouco práticos de utilizar); depois, colocar os ramos em água, para ser possível retirar a sua casca; a seguir era preciso cortar os nós e os espinhos e tentar "endireitar" as angulações naturais destes ramos; e finalmente obtém-se um pedaço de madeira mais ou menos direitinho, mais ou menos pronto a ser usado para construir alguma coisa. Por fim, para que pudesse servir a construção da Arca da Aliança ou dos outros objectos da Tenda da Reunião, era ainda preciso revestir a madeira com uma camada de ouro ou de bronze ... quanta trabalheira!

Mas sabem que mais? A madeira da acácia, uma árvore capaz de resistir à vida difícil do deserto, quando assim trabalhada, torna-se numa das madeiras mais resistentes que se pode encontrar...

 

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Foto retirada daqui

 

Na realidade, se pararmos para pensar um pouco, apercebemo-nos que nós próprios somos muito parecidos com as acácias ... Todos nós temos muitos "espinhos" e "nós" e "angulações", muitos erros e falhas e defeitos e características difíceis de lidar. Para trabalhar com a madeira duma acácia é necessário que se faça um longo e paciente processo de limpeza e tratamento, tentando endireitar ou suavizar ao máximo estes espinhos e nós. Também em nós o Senhor precisa fazer um longo e paciente processo de "limpeza e tratamento" a fim de nos tornar santos.

O primeiro passo neste processo consiste em mergulhar os ramos da acácia dentro de água, a fim de lhes retirar a casca; também nós precisamos de passar, primeiro e logo desde o princípio, pelas águas do Baptismo, a fim de nos retirar a carapaça do pecado original e assim podermos ser trabalhados pelas mãos do Santo dos Santos. 

Mas o processo ainda não está completo; é ainda preciso que sejamos revestidos pelo Espírito Santo, tal como acontece no nosso Crisma - e agora sim, o pecado jamais conseguirá aceder e estragar definitivamente o íntimo da nossa natureza, o íntimo da nossa alma. Conseguirá sim, fazer uns riscos ou umas moças, sujar-nos e deixar-nos com algumas manchas ao longo das nossas vidas - mas nada disso será capaz de chegar até ao fundo do nosso coração, se trabalhado desta maneira por Deus. Esse precioso núcleo estará sempre protegido pelas próprias mãos do Senhor, estará sempre a salvo ...

 

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Poço de Mara

Voltemos ao poço das águas de Mara e aos nossos poços, onde acumulamos os nossos problemas, medos, dúvidas, erros e asneiras. Por vezes parecem que estão cheios de água até cá acima, sim, mas cheios duma água amarga, incapaz de dar a vida a quem dela beba ...

 

Claro que não foi a árvore jogada dentro do poço que purificou aquela água; foi sim todo o trabalho que o povo hebreu teve ao tratar e transformar aquele tronco; foi a cruz de aceitar ter todo aquele trabalho; foi, em última instância, o trabalho que Deus teve no coração de cada um deles, em cada um de nós ... 

 

Oh Senhor, trabalha em mim e no meu coração tanto quanto seja preciso! Amén

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

A vida de Moisés e a nossa vida

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

 

Continuamos o nosso caminho em direcção ao Monte Sinai - o local onde Moisés recebeu as tábuas com as leis de Deus. Espera-nos ainda algumas horas de viagem e, por isso, o Samuel, o nosso guia egípcio, aproveita este tempo para nos falar um pouco mais de Moisés e de nos ler a sua história nas Sagradas Escrituras. O Samuel é capaz de falar sobre Moisés como se falasse acerca dum querido amigo seu ...

(E falar sobre Jesus então? Quanta ternura e quanto conhecimento! Os cristãos coptas do Egipto, que correspondem apenas a uma pequena percentagem da população egípcia, têm sido perseguidos pela sua Fé quase desde a altura em que São Marcos veio evangelizar este território, por volta do ano 67 d.C. Apesar disso - ou será melhor dizer, devido a isso - eles têm-se mantido firmes e fortes na Fé, na propagação do Evangelho e na partilha generosa de todas as bênçãos e graças que recebem do Senhor. Estas famílias levam tão a sério o seu comprometimento cristão que fazem questão de tatuar uma pequena cruz na face interna do punho de todos os seus bebés, logo ao nascer!) 

 

É impressionante como a história de vida de Moisés pode assemelhar-se à história de vida de qualquer um de nós. Abençoado desde a nascença, rodeado de cuidados, protecção e riquezas, que reflectiam o amor e carinho de Deus por Moisés. Apesar de tudo isso, deixa-se levar pelo pecado (de tal modo que chega a cometer um assassínio) e é obrigado a fugir para o deserto, onde, arduamente e ao fim de longos anos, aprende a ser um homem bom. Bom, mas ainda não santo. E assim, a sua história não acaba aqui: Deus dá-Se a conhecer intimamente a Moisés e Moisés descobre que, sim, devemos amar a Deus acima de todas as coisas, mas também o próximo como a nós mesmos... e isso, bem, digamos assim, às vezes dá algum trabalho - como por exemplo guiar, ensinar e proteger mais de 2 milhões de pessoas, desde o Egipto, de volta à terra de Canaã. Coisinha pouca, claro 

 

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O livro do Êxodo indica-nos claramente que a vida de Moisés passou por estas 3 fases diferentes, cada uma delas levando cerca de 40 anos - ei, afinal não somos só nós que demoramos a aprender as lições de Deus, ahn? 

 

Um homem da casa de Levi tomou por esposa uma filha de Levi. A mulher concebeu e deu à luz um filho. Viu que era belo, e escondeu-o durante três meses. Não podendo mantê-lo escondido por mais tempo, arranjou-lhe uma cesta de papiro, calafetou-a com betume e pez, colocou nela o menino, e foi pô-la nos juncos da margem do rio. A irmã dele colocou-se a uma certa distância para saber o que lhe sucederia.

Ora a filha do faraó desceu ao rio para tomar banho, enquanto as suas jovens acompanhantes caminhavam ao longo do rio. Viu a cesta no meio dos juncos e enviou a sua serva para a trazer. Abriu-a e viu a criança: era um menino que chorava. Compadeceu-se dele e disse: «Este é um dos filhos dos hebreus.»

Então a irmã dele disse à filha do faraó: «Queres que te vá chamar uma ama entre as mulheres dos hebreus, para te amamentar o menino?» «Vai», disse-lhe a filha do faraó. E a jovem foi chamar a mãe do menino. A filha do faraó disse-lhe: «Leva este menino e amamenta-mo, e dar-te-ei o teu salário.» A mulher levou o menino e amamentou-o.

O menino cresceu, e ela devolveu-o à filha do faraó. Foi para ela como um filho, e deu-lhe o nome de Moisés, dizendo: «Porque o tirei das águas.»

Ex 2, 1-10

O nascimento daquela criança era a última coisa que aquela família precisava ... Era o pior que podia ter acontecido. Quão inconveniente! Em quantos trabalhos os colocou! Já sob o jugo de trabalhos diários tão difíceis, vidas previamente já complicadas, dificultadas pela opressão do Faraó, que desejava diminuir a todo o custo aquele povo hebreu, que parecia ser cada vez mais numeroso (o mundo sempre teve medo das famílias grandes...) E nascer logo um rapaz ... pior era impossível. Ainda se fosse uma rapariga, o Faraó permitia que vivesse, mas um rapaz ... O nascimento daquela criança colocava aquela família em sério risco de vida. Se fossem descobertos, o que aconteceria?

O menino crescia, dia após dia, e já não era possível mais escondê-lo... Mas crescer para quê? Para que vivesse também ele uma vida de miséria? Viver assim não é viver, dizem ... Para viver assim, mais valia que morresse já ... 

Mais de 3.000 anos separam-nos desta história, mas o raciocínio de pensamento parece que se mantém o mesmo na nossa sociedade ... Se uma vida promete ser difícil de viver, então não vale a pena... Se for diferente daquela que a gente pensa ser a ideal, então não vale a pena viver.... 

 

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Uma última mamada e Moisés adormece no seu cestinho de papiro. O rio Nilo sempre foi conhecido pela sua abundância de crocodilos e de hipopótamos. Talvez, assim adormecido, não sinta sequer nada ... 

A dor daquela mãe, daquela família, é real. É horrivelmente grande e real. É absurdamente grande, capaz de rasgar o peito e a alma ... O que poderia ter tornado as coisas diferentes? Talvez apenas fosse preciso uma mão de alguém, um gesto de apoio, um ombro amigo - em que desse não só para chorar, sim, mas também para pôr aquele bebé a arrotar ou para ajudar a carregar os pesados tijolos de barro, que diariamente tinham de ser feitos sob um sol abrasador ... 

 

A irmã de Móises, Miriam, apesar de ser ainda criança, sabe que aquilo não está certo... Poderá não saber exactamente porquê, mas as crianças sabem muitíssimo bem discernir o que está certo e o que está errado, com uma clareza que é capaz de superar a de muitos adultos ...

 

A primeira filha do Faraó Ramessés II era infértil, o que significava que o poder do próximo reinado poderia passar para as mãos de outro ramo da família. A adopção daquele bebé foi uma enorme bênção para a família real. Deus é assim - em todas as circunstância, transforma o mal em bem. A (aparente) desgraça numa família muitas vezes corresponde à resposta das orações e súplicas mais intensas de outra família ... 

E Deus oferece uma nova oportunidade àquela mãe, provavelmente já arrependida do que fez, talvez em estado de puro desespero e arrependimento, talvez já odiando-se profundamente pelo que tinha feito ... E Deus, não só perdoa, não só dá uma nova oportunidade, como ainda abençoa aquela mãe - que deve ser a única mulher na história da humanidade que foi paga para poder ficar em casa a cuidar do próprio filho! E esta, ah? Oh, quantas mulheres conheço que desejariam o mesmo ... 

 

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É provável que Moisés, sendo príncipe do Egipto, tenha sido enviado para as escolas da cidade de Mênfis, a famosa "cidade dos sábios", para estudar e aprender tudo o que precisava para se tornar, um dia, num grande líder. Mal ele imaginava o quanto as capacidades que aprenderia nesta fase da sua vida ser-lhe-iam tão úteis e necessárias no futuro ... 

 

Entretanto, Moisés cresceu, foi ao encontro dos seus irmãos e viu os seus carregamentos. Viu também um egípcio que açoitava um dos seus irmãos hebreus.

Olhando para todos os lados e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio e enterrou-o na areia.

Ex 2, 11-12

Caramba, Moisés devia ter um feitio terrível! Que exagero! Que reação desmedida! 

Moisés escolhe uma solução absolutamente desproporcional às circunstâncias, mesmo após passar anos e anos na escola dos sábios de Mênfis, mesmo após aprender tanta "sabedoria" ... Pode ter aprendido muitas coisas, mas de certeza que não aprendeu o que é realmente importante ... Afinal, nem consegue sequer resolver coisas simples, como um mero conflito entre duas pessoas - como é suposto que saiba governar uma nação inteira? Oh, como eu por vezes me revejo nesta faceta de Moisés... 

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E Deus, querendo falar-lhe ao coração, leva-o então ao deserto, como faz também com cada um de nós ... 

O faraó ouviu falar deste assunto e procurou matar Moisés. Mas Moisés fugiu da presença do faraó, foi residir na terra de Madian

Ex 2, 15

Passar pelo deserto é sempre difícil. Custa sempre - e muito, mesmo muito.

Mas é o local da escola Divina por excelência...

Moisés estava a apascentar o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madian. Conduziu o rebanho para além do deserto, e chegou à montanha de Deus, ao Horeb.

O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada. E Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!» E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus.

O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel. E agora, vai; Eu te envio ao faraó, e faz sair do Egipto o meu povo, os filhos de Israel.»

Moisés disse a Deus: «Quem sou eu para ir ter com o faraó e fazer sair os filhos de Israel do Egipto?»

Ex 3, 1-2; 4; 6-8; 10-11

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Moisés foge, do Egipto para o deserto, por volta dos seus 40 anos de idade (o que quer representar apenas a sua juventude e inicio na idade adulta). É necessário que viva outros 40 anos (que representa o seu amadurecimento) até aprender, verdadeiramente, a virtude da humildade - aqui tão bem representada nesta resposta «Quem sou eu para ...?» 

Anos mais tarde, os descendentes de Moisés escreverão acerca dele, dizendo que

Na realidade, Moisés era um homem muito humilde, mais que todos os homens que há sobre a face da terra

Nm 12,3

Outras versões da Bíblia dizem que "Moisés era um homem muito paciente" ou "muito manso". Pois, é que o deserto é também um óptimo local para desenvolver a virtude da paciência (que claramente Moisés não possuía, pelo seu comportamente explosivo no conflito entre o egípcio e o hebreu). Quem viu Moisés na sua juventude e quem o vir agora, perto dos 80 anos, ou seja, como adulto amadurecido e experienciado - quem diria que poderia vir a acontecer tal tranformação? Oh, só o Senhor pode operar milagres destes ... 

Sim, a todos nós, seja apenas uma única vez, ou muitas vezes, Deus levar-nos-á ao deserto, para nos falar ao coração e para fazer de nós pessoas mais pacientes, mais humildes, mais resistentes, mais santas ... 

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Após este longo processo de amadurecimento, Moisés está pronto para uma nova fase, um novo desafio, uma nova aventura. Deus chama-o a guiar, organizar, pacificar e preocupar-se com a vida de mais de 2 milhões de pessoas ... como será tal possível? 

Moisés disse a Deus: «Quem sou eu para ir ter com o faraó e fazer sair os filhos de Israel do Egipto?»

O Senhor disse: «Eu estarei contigo».

Ex 3, 11-12

E isso é tudo - tudo! - o que é necessário ...

 

  †   Peregrinação: do EGIPTO à TERRA SANTA ~  2019   †  

 ~  Egipto - Jordânia - Israel - Palestina  ~ 

Aquele que habita os Céus sorri

Este ano está a ser particularmente difícil e desafiante para mim ... por uma série de razões diferentes ... que, no seu conjunto, têm feito com que este ano esteja a ser muito, muito difícil para mim ...

 

Louvado seja Deus pela descoberta que fiz, há uns tempos atrás, e que me tem ajudado, em parte, a aceitar este período turbulento e incerto e que tanta dor me tem causado ...

Queria partilhar convosco o blog e em especial o podcast do querido Padre "da minha Faculdade de Medicina", o Pe António Pedro Monteiro....

 

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Chama-se (tão adequadamente) Aquele que habita os Céus sorri - e não posso recomendar-vos o suficiente a escuta atenta e reflexiva deste podcast.... Vale tanto, tanto, tanto a pena!

Algumas das homilias que mais me tocaram, bem fundo, no coração, nos últimos tempos foram:

 

Jesus lifestyle - O coração de Jesus 

 

Cabem todos e a rede não se rompe

 

A tarefa de renovar todas as coisas

 

Mas eu acho sinceramente que podia ter escolhido todas as homilias que já ouvi do nosso querido Padre António Pedro Monteiro - tanto estas, disponíveis em formato electrónico, como todas aquelas que me lembro de ter ouvido ao longo dos anos de faculdade ... e que tanto impacto tiveram em mim e na minha vida.

Louvado seja Deus pela graça de podermos ouvir estas palavras, que tanto nos (re)aquecem o coração!

 

Um abençoado fim-de-semana para todos

E se se lembrarem, nem que seja por um breve momento, por favor, rezem por mim ...

O esforço do nosso "Sim" diário à vontade de Deus

Nos últimos anos, tenho vivido um intenso processo de discernimento vocacional que, pela transbordante e imprescindível graça de Deus, parece que chegou finalmente a um único caminho. Assim, neste último ano, tenho vivido com a certeza da minha vocação, após anos e anos de oração, aconselhamento e exploração das diversas vocações que a Igreja nos oferece. Mas o tempo passa e passa e passa e ... nada acontece.

 

Porque é que esta minha vocação não se concretiza, finalmente, Senhor?

Senhor, se me chamas tão fortemente por este caminho, por esta vocação, porque é que nada acontece, porque é que ela não se realiza?

Se Tu colocaste este desejo tão grande e profundo no meu coração, porque não o cumpres? Porque é que não o completas? 

 

À minha volta, vejo diariamente as vocações das outras pessoas a serem cumpridas; vejo-as a serem chamadas e a dizerem o seu "sim", visível e definitivo, à sua vocação e à vontade de Deus nas suas vidas. Eu também o queria fazer. Eu também o desejava fazer....  

E facilmente (oh tão facilmente!...) caio na tentação de pensar: Senhor, acaso esqueceste-Te de mim?

 

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Oh, a cruz de não vivermos (ainda) a nossa vocação em pleno ...

Oh, a cruz de vivermos uma vida que desejaríamos tanto que fosse diferente.

 

O Tentador, contudo, não perde uma única oportunidade. Mal abrimos esta pequena fresta no nosso coração - Senhor, acaso esqueceste-Te de mim? - e ele fará de tudo para que continuemos a cair, para que nos afastemos do amor de Deus. Quando mal damos por isso, já caímos na tentação de duvidar do imenso amor de Deus por nós - Se me chamas a esta vocação e ela não se realiza, é porque não me amas Senhor ... 

 

O Maligno é o príncipe da sedução e ele, mais que ninguém, sabe exactamente como nos seduzir com as suas mentiras - Porque me mostras, Senhor, tantos bons exemplos de vocações a serem cumpridas e realizadas, e a minha não? Porque me mostras tanto ouro na vida dos outros, e na minha nem sequer um pouco de ferro parece existir? Porque é que não permites que aconteça? Porque é que o impedes de acontecer? 

 

Oh, poderá Deus, alguma vez, impedir que se cumpra aquilo que Ele próprio mais deseja, mais ainda que qualquer um de nós - o cumprimento pleno da nossa vocação, através da qual nos santificaremos e assim viveremos para todo o sempre em profunda comunhão de amor com Ele ... 

 

Oh, que pecado tão grande o meu!

Não, não é assim que deve ser a minha postura perante esta situação. Não, não é assim que eu devo responder por este caminho que o Senhor me leva, que eu não compreendo e que eu não concordo que seja mesmo por aqui ... (Não podia ser mais rápido, Senhor? Tem mesmo de demorar assim tanto tempo a acontecer?)

 

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Noutros dias (numa nova tentativa do Príncipe da mentira e da discórdia), dou por mim a escolher evitar a todo o custo pensar sequer na minha vocação, não permitindo que este meu desejo profundo se manifeste no meu dia a dia. Escolho ignorá-lo, escolho escondê-lo, escolho evitá-lo, chegando até a negá-lo, chegando até a fingir que não o conheço e que ele não existe ... 

Oh, esta é um tipo de resposta muito fácil, muito confortável, que muitos escolhem.

Mas não, esta também não é a atitude correta...

 

Então, o que devo fazer? 

Aceita a Cruz. Aceita essa luta, diária. Aceita esses desejos, tão profundos, tão entranhados no teu coração; aceita-os, recebe-os, acolhe-os ... E aceita o facto de eles ainda não se terem cumpridos, de ainda não terem sido plenamente satisfeitos ou realizados.

Aceita esta tua necessidade, esta tua incompletude, aceita esta falta que tens - e permite que seja o próprio Deus a preencher e completar esse espaço (aparentemente) vazio.

Dói o peito? Chama o Senhor e pede-Lhe que te cure e alivie. 

Não aguentas mais? Pede a Deus pela fortaleza que não possuis.

Não sentes mais nada do que um enorme vazio? Oferece-o, vá, oferece-o ao Senhor, se é tudo o que pensas possuir....

 

Lembra-te, Marisa, das lições que Deus tão carinhosamente já te ensinou nestes anos. Se sentes tão fortemente este desejo, se hoje é um daqueles dias em que a não realização da tua vocação te custa tanto, se dói tanto que chega a arder no peito - então sabes (lembra-te!) que Deus está neste preciso momento a tentar dizer-te: Está na altura de passarmos algum tempo juntos, tu e Eu. Não, esta sede insaciável não é pela tua vocação; esta sede só Eu próprio posso saciar. Vem Comigo, então beberás e comerás e ficarás saciada ... 

 

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Sim, é uma cruz não vivermos (ainda) a nossa vocação em pleno ... - é libertador poder reconhecer esta verdade....

Sim, é uma luta e uma cruz, diária - a liberdade que surge ao admiti-lo....

É um caminho, cheio de bênçãos e graças mas também de muitas dores e lágrimas.

Sim, é uma luta dura e contínua, esta de viver com um desejo tão grande e tão forte no nosso coração que ainda não foi satisfeito.

Sim, é uma cruz que eu tenho de aceitar levar comigo todos os dias, em todos os instantes da minha vida.

Se é este o cálice que desejas que eu beba, Senhor, seja feita a Tua vontade - eu continuarei a beber diariamente deste cálice, eu escolho continuar a beber dele ... 

 

Mas sem dúvidas que há dias mais fáceis que outros. Há dias em que este cálice não parece ser tão amargo e insuportável como parece noutros dias... 

 

Para que serve, então, este tempo de espera? Este tempo em que nada parece acontecer?

Para poderes crescer em virtudes. Para poderes aprender e treinar todas aquelas virtudes que precisarás, diariamente, a partir do dia em que o Senhor te chamar a viver (concretamente) a tua vocação - fortaleza, mansidão, paciência, temperança, auto-doação total e voluntária, saber sofrer com alegria, saber oferecer todos os nossos sacrifícios por mais pequenos que aparentes ser, aprender a dizer "sim"s e "não"s pequeninos (mas ainda assim custosos e dolorosos) - para quando chegar o dia, em que o Senhor te perguntar: aceitas - completa e eternamente - este caminho? - então poderes dizer um verdadeiro e autêntico "sim".

 

Então eu escolho dizer-Te que sim, meu Deus e meu Senhor, neste preciso instante, àquela pequena coisa que me queres oferecer. Eu escolho acolher a Tua vontade, eu escolho acolher-Te. Eu escolho fazer a Tua vontade, neste momento. E daqui por uns instantes, meros segundos ou minutos, eu escolherei, novamente, dizer-te que sim, e depois e depois e depois ... 

 

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E se, pela graça de Deus, conseguirmos permanecer nesta atitude de acolhimento, de aceitação, com o coração aberto e disponível a ouvir a palavra e os desejos d'Aquele que mais nos ama, então conseguiremos compreender que viver este período de espera é exactamente o melhor plano de vida que Deus tem para nós. É a nossa melhor oportunidade para vivermos e crescermos em santidade.

A santidade é, afinal, a nossa vocação universal, aquela a que todos somos chamados. E estar, neste momento, neste período de espera, faz parte da minha vocação à santidade. Esta espera servirá para me tornar mais santa. Esta espera é o melhor caminho que a minha vida poderia assumir para me poder tornar santa

Passar por este período de espera fará de mim mais santa, duma forma mais rápida e eficaz, do que se já estivesse a viver em pleno a minha vocação. Deus assim o promete. 

 

Sim, eu estou, neste preciso momento da minha vida, no exacto lugar e situação que Deus deseja que eu esteja; na exacta fase do caminho que fará de mim santa ... a santa que só eu posso ser.

 

Sem Mim, nada podeis fazer ....

Neste Domingo tão especial, em que celebramos a Divina Misericórdia de Jesus, gostava de partilhar convosco algumas reflexões e ensinamentos que aprendi e experimentei nos 3 dias de vivência do Tríduo Pascal, junto das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em Palmela. São pequenas notas dispersas ... mas desejo sinceramente que elas vos possam abençoar e tocar o coração de algum modo ... 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer..." (Jo 15,5)

Palavras duras de Jesus. Parece quase um Mandamento - "Sem Mim, nada podeis fazer..."

Palavras difíceis de ouvir ... e ainda mais difíceis de reconhecer como verdadeiras - porque o são, de facto - mas custa, custa tanto admitir ... Posso fazer muita coisa, sozinha, à minha maneira, pelas minhas próprias mãos e inteligência e projectos ... mas, na realidade, sem Jesus, nada posso fazer que tenha verdadeiro valor, que seja rico em amor, que seja realmente significativo, que tenha valor eterno ... 

 

Sim, "sem Mim, nada podeis fazer", é verdade meu Jesus, é a mais pura das verdades. Mas, com estas palavras, pelo Teu grande e infinito amor, também nos dizes que "conTigo, tudo poderemos fazer... " ... ah, que doce e terna verdade - "conTigo, tudo poderemos fazer... " - tudo, tudo, tudo .... 

 

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Quinta-feira Santa - dia da Última Ceia do Senhor - dia da instituição da divina Eucaristia

Que dia este que celebramos todos juntos em Igreja, um dia tão rico em ensinamentos - tão importantes e tão profundos - numa comunhão infindável entre os acontecimentos do Antigo Testamento e o seu pleno cumprimento e significado na vida e morte e ressurreição de Jesus ...

 

A Ceia Pascal hebraica - que nos chama, a cada um de nós, a trazer à memória e a dar testemunho...

Trazer à memória ... Lembra-te, povo de Israel, da Minha salvação, lembra-te de como vos salvei da escravatura do Egipto, onde éreis escravo do pecado. Eu vos salvei tantas e tantas vezes, e vocês continuaram a adorar outros deuses - uns de ouro, outros de carne, outros de dinheiro ou sucesso ou reconhecimento, outros - pior de tudo - fizeram de vós próprios o "deus" das vossas vidas... Lembra-te, povo Meu, que Me pertences - paguei por vós um preço tão elevado: todo o amor e sangue e misericórdia do Meu próprio coração, por vós entreguei, para que tenhais vida e vida em abundância.... Façam memória - de Mim, da nossa história e da nossa História - mas uma memória viva, presente, contínua ...

Dêem testemunho - contem aos outros tudo o que Eu fiz por vocês, por cada um de vocês; partilhem e transmitam esta memória - que é tua, que é vossa, que é Nossa - para que todos possam celebrar, connosco, junto de nós, estes dias de festa - alegrai-vos e exultai, porque é eterno o Meu amor ...

 

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Nesta Última Ceia - um acontecimento de tal modo importante que está descrito nos 4 Evangelhos - Jesus dá um especial simbolismo ao pão ázimo - entrego-vos a Minha pessoa - e ao vinho - entrego-vos a Minha vida....

 

O sangue, simbolizado nesta Ceia pelo vinho, para os judeus, era algo tão sagrado, tão puro, que apenas podia pertencer a Deus. Por isso, ninguém podia tocar em sangue; por isso a carne tinha de ser tão bem cozinhada. Mas - quanta admiração, quanto espanto! - é Deus, o próprio Deus, que oferece o Seu sangue; que, com o Seu sangue, nos toca, que toca a nossa vida - tornando-a pura e sagrada também. Quanta humildade a de Jesus - permitir-nos tocar no Seu sangue, tão precioso e puro e sagrado, na santa Eucaristia ... 

 

O cordeiro que era servido nesta Ceia Pascal estava sujeito a uma série de exigências, cheias de sentido profético, como certamente entenderão - o cordeio devia ser macho, sem qualquer defeito, devia ser assado num espeto em forma de cruz e nenhum osso deveria ser quebrado ... oh, Jesus, que vieste cumprir perfeitamente todas as Sagradas Escrituras ....

 

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Durante a noite da Quinta-feira Santa, lemos o Evangelho de São Mateus e de São João que nos contam o seguinte acerca dos acontecimentos da Última Ceia de Jesus:

"Enquanto comiam, disse [Jesus]: «Em verdade vos digo: Um de vós Me há-de entregar.» Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-Lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?»" (Mt 26, 21-22)

 

"Jesus perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar!» Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito. Simão Pedro fez-lhe sinal para que Lhe perguntasse a quem se referia. Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: «Senhor, quem é?»" (Jo 13, 21-25)

Eu fiquei absolutamente chocada nessa noite! Claro que esta não foi nem a primeira, nem a segunda, nem talvez a décima vez que li e ouvi esta passagem do Evangelho, mas nunca, nunca me tinha apercebido que os Apóstolos não faziam a mínima ideia de que seria Judas Iscariotes a trair Jesus. A nenhum deles ocorreu a ideia de poder ser Judas! Antes, começaram a perguntar-se a si mesmos. Não faziam a mínima ideia ...

Pedro chega ao cúmulo de ter de pedir a João para perguntar a Jesus, quem poderia ser ... ninguém suspeitou de Judas, ninguém ....  absolutamente incrível!

Judas nunca se tinha mostrado nem revelado, realmente, a nenhum dos seus companheiros. Apesar de tudo o que passaram juntos, Judas tinha sempre usado uma máscara perante os seus "amigos", ocultando os verdadeiros desejos do seu coração.... oh, Judas, porque o fizeste?

Se, ao menos, Judas tivesse dado a antever aquilo que iria fazer nessa noite ... se, ao menos, algum dos discípulos estivesse atento e compreendesse o que estava a acontecer dentro do coração de Judas ... estou certa de que teria feito de tudo para o impedir, para o convencer do contrário - não só por amor e protecção de Jesus, seu adorado Mestre e Senhor, mas também por amor fraterno ao próprio Judas ... oh, Judas, porque nunca te deste a conhecer? - sim, pecador, grande pecador ... mas ainda assim ... porque não permitiste que alguém te pudesse ajudar?

 

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A agonia no Getsemani

Jesus sente uma angústia terrível, incomparável ... e simplesmente pede aos seus amigos que fiquem com Ele, que O acompanhem naquele momento, em que Ele mais precisa do seu apoio ... mas acaba sozinho ...

Jesus abre-nos o Seu coração - que, naquele momento, está cheio de sentimentos de «pavor, angústia e tristeza de morte» - e partilha connosco o que está a passar ... Jesus apenas nos pede: «Ficai aqui e velai comigo» ... acompanhem-Me ... estejam Comigo ... não vos fecheis, não fujais, não vos deixeis abater ... não ponhais a vossa força naquilo que é passageiro nem em vos mesmos, mas sim em Deus ... «Ficai aqui e velai comigo» ....

Contudo, no final, quando O vêem prender ... apercebemo-nos que "fugiram todos"... naquela noite, não foi apenas Judas que traiu Jesus ... mas também Pedro e João e todos os discípulos, também tu e também eu ... 

 

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O julgamento e condenação de Jesus

"Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como agitador do povo.»" (Lc 23, 13)

Agitador do povo....

Jesus é apresentado como agitador; Ele que toda a Sua vida tinha levado, semeado e propagado a paz, aquela paz transformadora e inexplicável que vem de Deus ... 

Julgado por quem não O conhece ... abandonado e traído pelos Seus amigos ... oh, Jesus, que Te fiz eu? ....

 

Mas, apesar de tudo, Jesus confia; apesar de tudo, Jesus sabia-se profundamente acompanhado pelo Pai; e por isso não procura fazer justiça pelas suas próprias mãos e meios.... pelo contrário, Jesus deixa que as coisas aconteçam naturalmente e a seu tempo, que é o tempo de Deus ... E fá-lo com a simplicidade e humildade de quem confia em Deus Pai e O deixa agir, deixando que Deus seja Deus.... o tempo de Deus ... deixando que Se faça ... 

 

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Via Sacra 

Recordemos a paixão de Jesus...   Recordar, que significa 'voltar a passar pelo coração' ... 

E reconheçamos o nosso lugar ao pé da cruz de Jesus - qual o lugar que me pertence? que só pode ser meu? que só eu posso preencher e ocupar? Sejamos valentes e descubramos ... 

 

Pilatos lava as mãos. Não quer estar do lado dos que condenam Jesus, mas também não se coloca ao lado de Jesus. O silêncio de Pilatos não tem nada a ver com o silêncio de Jesus: o silêncio de Pilatos mata; o silêncio de Jesus é pura misericórdia....

 

Os soldados colocam uma capa escarlate e uma coroa de espinhos em Jesus - pensam saber o que Ele procurava: poder, riqueza e honra ... Mas ao longo da Sua vida na terra, Jesus sempre respondeu à honra com a humildade, à riqueza com a pobreza e o poder com o serviço ...

 

Mesmo sentindo o peso da Cruz nas Suas costas, Jesus não abdica de escolher o bem.... cada passo, cada silêncio, cada gesto, cada palavra deste percurso são Suas escolhas sucessivas, são a demonstração do Seu contínuo e infinito amor ... Jesus não perde qualquer tempo, não perde nenhum segundo e toma nas Suas mãos o tempo que ainda tem, para continuar a amar e dar a conhecer o Pai. Até ao fim, até ao extremo .... 

 

Apesar de tudo, Jesus não caminha sozinho neste percurso até ao Calvário - Jesus deixou-se ajudar por Simão de Cirene que, sem contar, vê-se numa situação difícil; Simão que, sem contar, é chamado a acompanhar Alguém durante a Sua dor e a partilhar o peso da Sua cruz.... Simão também não caminha sozinho; e aceita partilhar - ainda que por alguns momentos - a dor de Jesus.

 

Verónica não tem força para carregar a cruz de Jesus mas pode, com a sua presença carinhosa e compassiva, aliviar um pouco, um pouco que seja, o Seu sofrimento. Enxuga o sangue, o suor, a dor. Consola, da forma que pode, e tenta aliviar o sofrimento - por um pouco que seja .... 

 

Crucificado. Não, não são os pregos que seguram Jesus na cruz - mas sim o Seu amor, que O faz permanecer. O mundo não compreende ... mesmo pregado na cruz, Jesus continua a ter escolha, continua a ser livre para amar e fazer o bem, mesmo nas circunstâncias em que se encontra ... 

 

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Libertei-te do Egipto ... e tu preparaste-me uma Cruz, preparaste uma Cruz ao teu Salvador.

Libertei-te das velhas cadeias que te atavam, ajudei-te a vencer os medos que te oprimiam .... e tu não me reconheceste como teu grande Amigo, como teu Salvador ....

Ó Meu povo, que te fiz, em que te ofendi? Responde-me ...

 

Guiei-te pelo deserto durante quarenta anos, alimentei-te com o maná e fiz-te chegar a uma terra muito boa ... e tu preparaste uma Cruz para o teu Salvador ....

Guiei-te durante todo o teu processo de crescimento até chegares aqui, alimentei-te com o pão da Minha palavra e do Meu corpo, dei-te a Minha vida e fui-te envolvendo na Minha intimidade ... e tu viraste-Me as costas ....

Ó Meu povo, que te fiz, em que te ofendi? Responde-me ...

 

Que mais devo fazer e não fiz?

Fui Eu que te plantei como a mais bela das vinhas, a Minha escolhida ... e tu tornaste-te amarga para Mim; saciaste a Minha sede com vinagre e com uma lança abriste o peito do teu Salvador ...

Que mais devia fazer e não fiz?

Fui Eu quem fez de ti o que és hoje e o Meu amor por ti não conhece limites ... e tu tornaste-te ingrata para Mim; preferiste outros "amores" que te afastam de Mim e destroçaste o Meu coração ao recusares o Amor do teu Salvador ....

Ó Meu povo, que te fiz, em que te ofendi? Responde-me ...

 

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Sábado Santo - dia de deserto ....

Uma vida sem Ti ... uma vida em que Tu deixasses de existir .... pedem-nos para imaginarmos como os discípulos terão vivido estes dias .... e eu não consigo. Pedem-nos para imaginarmos uma vida sem Ti; pedem-nos para imaginarmos como seria, como nos sentiríamos, o que faríamos - se Tu deixasses de existir nas nossas vidas ... e eu simplesmente não consigo imaginar. Seria um vazio tão grande, tão grande ... seria uma vazio absolutamente indescritível ... 

Penso na minha vida passada, antes de ser cristã, penso na dor e no sofrimento, na superficialidade, na ausência de rumo, na ausência de amor ... mas até nessa altura da minha vida eu consigo reconhecer a Tua mão a guiar-me, o Teu carinho disfarçado, o Teu chamamento incessante - volta, volta para casa, para Mim - o Teu amor e misericórdia infinita ... 

Penso na minha vida actual e tento, como me pedem, imaginar uma vida sem Ti - mas eu não consigo. A dor é demasiado grande, incomparável; o vazio seria colossal, infinito ... como posso eu imaginar uma vida sem Ti, sem Aquele que mais amo, Aquele que transforma continuamente em amor todas as coisas na minha vida, tanto grandes como pequenas, Aquele por quem eu faço (quase) tudo - simplesmente não consigo imaginar, não consigo ...

Consigo imaginar uma vida sem a mãe, sem o pai, sem os avós, sem os meus mais queridos amigos; consigo imaginar uma vida em que já não seria médica de família; consigo imaginar uma vida sem a minha casinha e a minha independência; consigo até imaginar uma vida sem saber ler, ou sem ver ou sem andar .... mas uma vida em que Tu deixasses de existir?... impossível ... não consigo, não consigo sequer imaginar como seria ....

 

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O nosso Deus é um Deus que faz história com cada um de nós e que faz parte da nossa História; um Deus que Se faz, tal como Se fez e tal como continuará a fazer, história - connosco.

Oh, não percamos a nossa memória ... lembra-te Israel, lembra-te Marisa, que o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor, amarás o Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças, e ao próximo como a ti mesmo, faz isto e serás feliz (Lc 10, 27-28).

É preciso fazer memória continuamente - todos os dias e, alguns momentos da nossa vida, duma forma ainda mais profunda - memória de todo o bem que o Senhor fez nas nossas vidas, de todo o Amor transbordante, de todas as aventuras, de todas as lágrimas e dores, de todos os sorrisos mais sinceros e profundos, de todas as bênçãos e graças recebidas, de toda a misericórdia, oh, de toda a misericórdia imerecida ... Não nos esqueçamos de Quem é Deus, de Quem Ele foi na nossa vida e de Quem Ele nos prometeu que sempre será. Não percamos a memória, recordemos - passemos de volta pelo coração - sim, é nosso dever estar sempre a re-avivar a nossa memória ...

 

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Vigília Pascal 

Os primeiros cristãos celebravam a Vigília Pascal iniciando a celebração ao pôr do sol de Sábado Santo, continuando por toda a noite adentro, até à chegada do novo dia, Domingo de Páscoa - o que pretendia simbolizar a nossa morte com Cristo, a morte do homem velho com coração de pedra, para podermos ressuscitar também com Cristo, já como homens de coração novo, de carne....

Na verdade, ainda hoje, se estivermos bem atentos, conseguiremos reparar que as diversas partes da nossa Vigília Pascal pretendem transmitir esta ideia maravilhosa e transformadora, ora vejamos:

 

1) Liturgia da Luz

O lume ou fogo novo como símbolo da vida nova, iluminada. O fogo como lugar de encontro e de alegria. Neste lume novo acendemos o Círio Pascal, que permanecerá aceso até ao dia de Pentecostes.

Seguimos em procissão, todos juntos, no escuro da noite, atrás do Círio Pascal nas mãos do sacerdote, a luz de Cristo que ilumina as nossas vidas - relembrando-nos da longa viagem do povo de Israel em direcção à Terra Prometida ...

 

2) Liturgia da Palavra

O vento como símbolo do novo alento, da nova vida, inspirada, que Jesus nos oferece. A Palavra de Deus é proclamada, em voz alta e por vezes cantada, em 7 leituras diferentes provenientes do Antigo Testamento, intercaladas com cânticos dos Salmos e 2 passagens do Novo Testamento.

Escuta Israel, escuta povo de Deus ...

 

3) Liturgia Baptismal

A água como símbolo da libertação e da purificação. Cantamos a ladainha dos Santos, pedindo a Sua intercessão para que ajudem a purificar a água com a qual seremos benzidos. É o dia por excelência para alguém ser baptizado e todos somos convidados a renovar as nossas próprias promessas baptismais.

Ao sermos aspergidos com a água baptismal, é como se estivéssemos a recordar (a passar de novo pelo coração) o nosso baptismo e, assim, a renovar e a reactivar, a pôr de novo em acção, todas as bênçãos e graças recebidas no dia do nosso baptismo.

 

4) Liturgia Eucarística

A comunhão - alimenta-me, Senhor, porque sem Ti não consigo fazer nada...

Durante o ofertório, entregamos (de volta) todas as coisas que fazem parte da nossa vida (e que Deus livremente nos ofereceu), mas entregamos em especial tudo aquilo que ainda precisa de ser transformado.

Na fracção do pão, vemos Jesus que Se dá a conhecer, que Se oferece por inteiro, abrindo-Se a cada um de nós, permitindo-Se ser partido ao meio, para poder a ficar a morar no mais fundo do nosso ser.

E, assim, quando o sacerdote nos enviar "ide e fazei discípulos de todos os povos", sabemos que não iremos sozinhos, mas com o próprio Deus dentro de nós. 

 

Sem Mim, nada podeis fazer ... Comigo, tudo podereis fazer!

 

Um abençoado Domingo da Divina Misericórdia para todos!

No deserto com o Senhor

O Senhor levou-me ao deserto, uma vez mais. Até parece que estamos em plena Quaresma, não é? 

 

Sabem, este ano, dei por mim a desejar que a Quaresma nunca mais chegasse. Adiei e adiei e adiei até ao máximo tudo o que pudesse ter a ver com a Quaresma. Eu não queria que a Quaresma chegasse... 

Porquê? Porque a Quaresma dói, a Quaresma custa. Viver verdadeiramente uma Quaresma dói e custa. 

Quaresma é tempo de mudança, de purificação, de morte - para o nosso homem velho, pecador, orgulhoso, auto-suficiente - para que um novo homem, humilde, livre das cadeias do pecado, ardente de amor por Deus e pelo próximo, possa nascer e crescer.

 

Racionalmente, eu sabia tudo isto. Mas deixei-me levar pela voz sedutora e mentirosa do Maldito, que me assegurava e convencia do quanto uma Quaresma é exigente e dura e sofrida .... 

A graça e o amor de Deus, porém, vence tudo. E assim, após um período de arrependimento e reconciliação, deitei mãos e coração e cérebro a planear a Quaresma de 2019. Oh, ia ser perfeita - ia fazer isto e aquilo e o outro, abdicaria disto e daquilo, aprenderia a fortalecer esta e aquela virtude, venceria este e aquele vício e pecado com este e este método e ....

 

Claro, Deus - louvado seja - à primeira oportunidade, deitou os meus lindos planos pela janela e virou a minha vida do avesso. Louvado seja! Um Pai que não dá aos seus filhos aquilo que eles querem, mas sim aquilo que eles precisam e que é realmente melhor para eles.

 

Portanto, esta Quaresma, com todos os seus sacrifícios, alegrias, dores, milagres, bênçãos e graças, tem decorrido ao ritmo e ao sabor do nosso querido Salvador.

Ele é que tem escolhido as cruzes que me pede para levar - com Ele. 

Ele é que tem escolhido as lições a aprender. 

Ele é que tem escolhido as formas de eu amar o próximo.

Ele é que tem escolhido os pecados que precisam de ser redimidos e as virtudes que precisam de serem aprendidas e exercidas - aqui mesmo, neste exacto momento da minha vida, no meio desta tempestade que foge do meu controlo que tem sido a minha vida nos últimos tempos ...

 

Mas se queremos chegar à Terra Prometida, temos de passar primeiro pelo deserto. E assim Deus levou-me ao deserto, mais uma vez. Juntos, temos passado por períodos de intensa aridez; juntos, temos passado por períodos de dor - porque qualquer morte dói sempre - e esta Quaresma tem-me dado inúmeras oportunidades para o meu tremendo orgulho morrer, para a minha vontade egoísta morrer, para o meu desejo de controlar tudo à minha volta morrer, para as minhas inúmeras inseguranças e dúvidas e medos morrerem ... 

 

In The Silence Of The Heart

(Hosea 2:16-17, 21-22)

 

"In the silence of the heart
In the silence of the heart
In the silence of the heart You speak

 

Thus says the Lord, “I will allure her
I will lead her into the desert.

 

There she shall respond as in the days of her youth,
When she came up from the land of Egypt.

 

I shall espouse you to me forever,
In right and in justice, love and in mercy;
I’ll espouse you in fidelity,
And you shall know the Lord."

 

No Silêncio do Coração
(Oseias 2:16-17, 21-22)

 

"No silêncio do coração
No silêncio do coração
No silêncio do coração Tu falas

 

Assim diz o Senhor: "Eu vou seduzi-la
Eu vou levá-la para o deserto.

 

Lá ela responderá como nos dias da sua juventude,
Quando ela veio da terra do Egipto.

 

Eu vou desposar-te para sempre,
No direito e na justiça, amor e misericórdia;
Eu esposar-te-ei em fidelidade
E tu conhecerás o Senhor."

 

Não podia deixar passar a oportunidade de partilhar convosco mais uma das canções da minha cantora favorita - a Danielle Rose - cuja letra tem sido vivida tão intensamente por mim nesta Quaresma ...

 

Apesar de tudo, parece-me que simplicidade é a palavra que melhor pode definir esta Quaresma de 2019. Providencialmente, claro, tem sido uma óptima oportunidade para viver realmente o ensinamento mensal de Março das Famílias de Caná - O que está ao nosso alcance.

 

E vocês? Como tem sido a vossa Quaresma? 

Porque perdemos a paz nos nossos corações?

No meu último post falei-vos acerca da batalha que Deus nos chama a travar, para mantermos sempre e em todas as circunstâncias a paz interior, que só Ele nos pode oferecer. 

 

Mas então o que fazer se nos encontrarmos num momento da nossa vida em que não conseguimos encontrar nenhuma paz interior?

Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder essa paz. Temos de procurar descobrir (ou relembrar) as razões, profundas e verdadeiras, que estão na raiz do nosso problema de falta de paz interior, e não apenas aquelas razões superficiais, que não passam de desculpas para as nossas atitudes e acções ("estou cansada", "chateei-me com alguém no trabalho", "os miúdos hoje portaram-se mal", "tive um dia difícil" ....). Temos de descobrir (ou relembrar) as razões que nos fazem perder a nossa paz interior - não apenas nos momentos importantes da nossa vida, mas em especial naqueles momentos do dia a dia em que, continua e constantemente, perdemos e perdemos e voltamos a perder a paz, por mais que a gente se "esforce" para a retomar....

 

"Vede o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«A vossa salvação está na con­ver­são e em terdes calma;

a vossa força está em terdes con­fiança e em permanecerdes tranquilos

Mas não quisestes."   (Is 30,15)

 

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Uma das principais razões que nos fazem perder a paz nos nossos corações é o medo. O medo do desconhecido, o medo do incerto e da incerteza, o medo nas situações que não podemos controlar... Sentimos muito medo, ansiedade e preocupação assim que nos deparamos com situações difíceis, quer elas se apresentem imediatamente, momento presente, quer apenas algures no futuro ... Sentimos medo de falhar, de errar; temos medo que nos falte alguma coisa, que não saibamos o que é melhor fazer...

O nosso medo de perder alguma coisa - desde bens materiais, à nossa reputação, às horas (ou até apenas minutos) do nosso tempo - ou o medo de nos faltar alguma coisa importante - seja ela material ou alguma capacidade / virtude / traço de personalidade - faz-nos logo entrar num estado de agitação interior, ansiedade e preocupação, e rapidamente perdemos a paz interior (que deu tanto trabalho a Deus nos anos / meses / horas / minutos ou até segundos anteriores !....)

 

Então, o que podemos fazer?

Palavras de Jesus:

"Qual de vós, por mais que se preocupe,

pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?" (Mt 6,27)

 

A resposta é dolorosa (em especial, para o nosso orgulho) e já a partilhei convosco no post anterior. Usando apenas as nossas próprias capacidades, não podemos fazer nada que resulte. Tentando controlar ao máximo todas as variáveis / eventos / situações e pessoas na nossa vida, também não iremos conseguir. 

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

Aliás, vou-me atrever a dizer que, a maneira mais rápida e eficaz de perdermos a nossa paz é exactamente tentarmos nós próprios resolvermos a situação, usando unicamente as nossas capacidades, as nossas decisões pessoais, ou procurando que outro resolva a situação por nós.

 

"Sem Mim, nada podeis fazer."  (Jo 15,5)

 

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Imagem retirada daqui

 

Para preservar a paz nos nossos corações, mesmo no meio da loucura e imprevisibilidade do nosso dia a dia, temos apenas uma solução: Confiar em Deus. Confiar na Divina Providência. Confiar totalmente e só em Deus.

E é assim que nos deparamos com outra verdade dolorosa: nós não confiamos em Deus; nós não acreditamos, plenamente, que 

 

"O vosso Pai celeste bem sabe do que necessitais" (Mt 6,32)

 

Parem para pensar um bocadinho nesta verdade ...

 

 

Quão injustificada é esta nossa falta de confiança em Deus!

Como se Ele não tivesse já dado provas mais do que suficientes para nos provar todo o Seu amor, misericórdia e providência perfeita em tantas, tantas, tantas situações - tanto na história do Povo de Deus, na vida dos Santos, na história da Igreja, na nossa própria história de vida ....

 

Porque não confias em Mim, o teu Criador? Porque contas apenas contigo? Não serei Eu leal e fiel contigo? Redimi e restaurei a humanidade através da graça proveniente do sangue do Meu único Filho e deste modo o homem pode dizer que experimentou a minha fidelidade. Mas, apesar de tudo isso, o homem ainda duvida; ainda duvida se Eu serei suficientemente poderoso para o ajudar, suficientemente forte para o defender dos seus inimigos, suficientemente sábio para iluminar a sua inteligência, ou se Eu serei suficientemente misericordioso para lhe oferecer o que for necessário para a sua própria salvação. Não serei Eu suficientemente rico para lhe oferecer um tesouro ou suficientemente belo para o embelezar; quem poderá dizer que receia não encontrar pão suficiente na Minha casa para o alimentar, ou roupa suficiente para se cobrir?

 

Diálogo de Santa Catarina de Sena com Deus, capítulo 140

(Texto original em inglês, tradução livre minha)

 

Temos de reverter esta desconfiança que nós próprios provocámos, desde a altura do Jardim do Éden. Temos de combater esta nossa tendência do pecado original, de não confiarmos nas promessas de Deus. Ao longo de toda a nossa vida, por mais longa ou breve que ela seja, é nosso dever, como cristãos e filhos muito amados de Deus, avançar sempre neste processo de recuperar a confiança perdida, através da graça do Espírito Santo - o Único capaz de nos fazer dizer novamente, de coração, Abba, Pai!

Este processo de recuperar a confiança perdida no amor de Deus não vai ser fácil, aliás, vai ser difícil, provavelmente longo e sem dúvida que doloroso por vezes. Mas é necessário - todos os Santos nos têm ensinado isso.

 

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Estamos quase no início duma nova Quaresma. Aceitemos o desafio, digamos sim ao chamamento de Deus - atrevam-se a abandonar-se, um pouquinho mais a cada dia, nas mãos de Deus. Larguem a corda, deixem de tentar controlar tudo, abandonem-se e confiem em Deus, tanto nas pequenas coisas como nas grandes...

 

Deus não permanecerá calado, Deus não ficará quieto, disso podem ter a certeza!

Deus aproveitará todas as oportunidades que vocês lhe dêem para manifestar a Sua ternura, o Seu extremo cuidado e amor com cada um de nós; Ele manifestará visivel e palpavelmente a Sua divina providência e a Sua eterna fidelidade para connosco.

 

"Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus,

daqueles que são chamados, de acordo com o Seu desígnio. 

Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?

Ele, que nem sequer poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós,

como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?" (Rom 8,28.31-32)

 

Uma abençoada Quaresma para todos! 

 

Reflexão após leitura dum livro do Pe Jacques Philippe